Half Of My Heart
6 Capítulo 6
Ema mal conseguiu dormir naquela noite. A lembrança de seus momentos com Ernesto e a forma como ele havia ido embora, e logo depois seu desentendimento com Elisabeta, voltavam a sua mente a cada hora, impedindo-a de ter alguma paz. Mas não havia obviamente nada que pudesse fazer em relação à Ernesto, porém podia tentar conversar novamente com Elisa.
Por isso, aos primeiros raios de sol, rumou para a casa dos Benedito. Pediria desculpas, mas reafirmaria que pretendia se casar com Darcy. E embora odiasse a ideia de tirar a chance da felicidade de Elisa, Darcy era também a sua chance de ser feliz, de juntar o que sua família esperava dela e um noivo educado, gentil e de bom caráter.
Mas não esperava encontrar Dona Ofélia na varanda, esbaforida, ao lado das quatro irmãs de Elisabeta.
— Ema, graças a Deus. Onde está Elisa? – Jane correu até ela.
— O que? Elisa? – Ema não entendeu.
— Ela não estava em sua casa? Acordei esta manhã e Elisabeta não estava, mamãe disse que ela não voltou para casa ontem.
— Eu a vi ontem à noite, não sei onde está. – Ema revirou os olhos.
Embora não soubesse onde estaria Elisabeta, tinha uma aposta bastante grande de com quem ela estaria. Em pensar que viera pedir desculpas, quando Elisa claramente não ligava para a amizade das duas. Não podia acreditar que a amiga passara a noite com Darcy, mesmo depois de seu pedido para que se afastassem.
Ema repetiu suas respostas para Ofélia, e então juntou-se aos Benedito na espera por Elisabeta. Precisava olhar nos olhos da amiga para questionar seus motivos. Sentia-se irritada e inquieta ao pensar na possibilidade de Darcy e Elisabeta terem ficado juntos. Não por ciúme, apenas pela traição que isso representava.
E foi um par de horas depois que Elisabeta surgiu no horizonte, quando apenas Ema insistia em aguardá-la. Ema notou que Elisabeta tinha os cabelos desarrumados e as mesmas roupas do dia anterior, o que só aumentava suas suspeitas.
— Ema, o que faz aqui? – a amiga perguntou.
— Estava a sua espera. Vim me desculpar por nossa conversa, mas então soube que não passou a noite em casa. – Ema cruzou os braços.
— Espera ai, que tom é esse, Ema? – Elisabeta estranhou.
— Por acaso estava com Darcy, Elisabeta? Rolando nos lençóis com o noivo de sua melhor amiga? – perguntou, direta.
Elisabeta a encarou, atordoada. Mal podia crer que Ema realmente estivesse sugerindo que passara a noite com Darcy.
— O que?
— Vamos, me diga. É claro, você é impulsiva, como conter seus desejos em respeito à relação de sua amiga?
— Pare com isso, Ema. Eu não estava com Darcy. Eu estava com Ernesto.
— O que? Com Ernesto? Você quer os dois? – Ema perguntou, irônica.
— Eu estava bebendo com Ernesto, Ema. – Elisa tentou explicar.
— É claro, e ai uma coisa leva a outra. Eu não posso acreditar que você fez isso, Elisabeta. – bufou.
— Pense o que quiser, Ema.
Ema sustentou seu olhar, desafiante.
— Então me diga que nada aconteceu. – respondeu, irritada.
— Eu não vou entrar na sua loucura, Ema. – Elisabeta suspirou, exausta.
— Se você não consegue dizer que não aconteceu, é porque aconteceu.
Elisabeta a encarou com irritação. Estava cansada da noite passada, de seus sentimentos por Darcy, da briga com Ema. E não admitia que Ema cogitasse que ela e Ernesto fossem capazes de fazer qualquer coisa que a magoasse.
— É melhor encerrarmos, antes que alguma de nós diga alguma coisa que não possa ser retirada. – Elisa disse, categórica. – Mas você deveria pensar, Ema, se incomoda mais a você a possibilidade de eu passar a noite com Darcy ou Ernesto.
Elisabeta passou por ela, a passos decididos. Ema encarou as costas de Elisabeta, irritada. Não podia acreditar que pensara em pedir desculpas. Não podia crer que Elisabeta não desmentisse que se envolveu com Ernesto. Parecia improvável, mas tinha a sensação que já não conhecia mais a amiga.
Se era capaz de se envolver com Darcy, talvez fosse capaz de se envolver com Ernesto. E a ideia fazia seu sangue borbulhar. Sentia vontade de gritar com Elisabeta, e então com Ernesto, até que um deles confessasse sobre a noite passada.
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Horas mais tarde, Ema ainda não conseguia desenvolver nenhum pensamento coerente. A dúvida a corroía, e pretendia procurar Ernesto tão logo fosse possível. Mas Darcy combinara de visita-la, e por isso agora o aguardava impaciente no escritório do avô.
— Ema! Me desculpe o atraso. – Darcy entrou no cômodo, com um sorriso no rosto.
— Como vai, Darcy? – cumprimentou, fingindo calmaria.
— Atarefado com a rodovia. Mas não deixaria de comparecer ao nosso compromisso. Não prefere dar uma volta pelo jardim?
— É uma ótima ideia. Estou agoniada nesta fazenda. – confessou.
— Pois então me acompanhe, senhorita. – Darcy ofereceu o braço.
Os dois caminharam pelos jardins, conversando sobre amenidades. Gostavam da companhia um do outro, tinham assuntos em comum. Eram cultos, apreciavam a leitura e boa música. Mas era evidente a cada encontro que faltava entre eles paixão, ou pelo menos anseio de uma relação.
Darcy tentou se manter cordial, mas a verdade é que o encontro de Elisabeta e Ernesto na tarde anterior ainda revirava seu estômago. Havia intimidade entre eles, e precisava saber a natureza daquela relação, precisava entender o que se passava entre o italiano e Elisabeta.
Pretendia perguntar à Ema, mas tomava o cuidado para não parecer afoito demais. E como bom observador, também notava no olhar dela uma preocupação e inquietude. Admirou a ironia da situação, que pensassem em se casar, ao mesmo tempo em que pareciam sempre tão distantes de uma intimidade real.
Conversaram um pouco mais sobre as plantas, o café e os negócios de Darcy no Brasil e na Inglaterra, até que ele criasse coragem para abordar o assunto que o corroía. E foi quando pararam à sombra de uma árvore e Ema parecia um pouco distraída pra notar sua ansiedade.
— Gostaria de lhe perguntar sobre um rapaz aqui do Vale do Café, a quem conheci ontem. Ernesto Pricelli, o conhece? – ele perguntou, de súbito.
Ema voltou seus olhos para ele, acuada. Em seguida os desviou, tentando fingir naturalidade.
— Ernesto? Sim, sim, o conheço. Por que pergunta?
— O encontrei ontem na cidade, me falou sobre você. – não mencionou Elisabeta propositalmente.
— Olha, Darcy, eu não tenho porque mentir para você. – Ema o encarou, com coragem. – Eu e Ernesto tivemos um passado juntos, mas não é nada além de passado.
Darcy a encarou surpreso. Não esperava essa mudança de eventos, mas sentiu um alívio instantâneo ao ouvir a informação de Ema.
— E pelo que sei, ele e Elisabeta inclusive passaram a noite juntos. – disse irritada, revirando os olhos.
O alívio se transformou em agonia, e algo em seu olhar transpareceu o suficiente para chamar a atenção de Ema.
— Darcy, me desculpe. Eu não quis sugerir isso. – ela riu sem graça, colocando a mão na testa. – Eu não havia pensado que você e Elisabeta...
— Acho que estamos todos em uma situação complicada, não é mesmo? – ele tentou forçar um sorriso.
— Darcy, eu preciso ser sincera. Estou muito confusa com tudo o que está acontecendo, com a volta de Ernesto, com Elisabeta... – Ema soltou a respiração.
— É natural, Ema. Estamos diante de um compromisso que aceitamos como nosso destino desde muito novos. E já que estamos sendo sinceros, eu nunca pensei que pudesse haver outra possibilidade.
— E há? – perguntou, insegura.
— Há muito que ainda não sei, e acredito que você também não saiba.
— Há muito tempo não sei. – Ema confessou. – Nunca pretendi me envolver com Ernesto, mas as coisas aconteceram aos poucos.
— Ema, não poderia julgar você. Sabe de minha situação com Elisabeta. Mas acho que torna as coisas menos complicadas se ela e Ernesto se envolveram. – apertou os punhos, irritado.
— Menos complicadas para quem? – Ema bufou.
Os dois se distraíram momentaneamente, perdidos em seus próprios pensamentos e sentimentos. E em seguida seus olhares se encontraram e uma vontade enorme de rir do absurdo da situação tomou conta dos dois. E assim retornaram para a sede da Fazenda, e parecia cada vez mais claro que precisavam resolver suas vidas.
##
Mas nem Ema, e nem Darcy, fizeram qualquer movimento nos dias que se seguiram. Não admitiriam, mas temiam descobrir que estavam certos em suas preocupações, que Elisabeta e Ernesto realmente poderiam cogitar uma vida juntos. E se preocupavam pela certeza de que não haveria nada a fazer, de que talvez fosse um caminho melhor para os dois. Mas doía em ambos a ideia da perda.
Por isso, ficaram inertes. Ema não saiu da fazenda, e não arriscou procurar Elisabeta ou Ernesto. Não queria ouvir de nenhum deles algo que a deixasse decepcionada. Já Darcy seguiu com suas atividades na ferrovia, mas não procurou Elisabeta. E provavelmente não teria sequer falado com ela, não fosse avistá-la deixando a Casa de Chá, quase uma semana depois do acontecido.
Elisabeta o viu parado do outro lado da rua, e seu coração deu um sobressalto. Ele sorriu em reflexo, e instintivamente ela retribuiu, arrancando a tradicional piscadinha de Darcy. Nenhum dos dois pretendia se aproximar, mas os pés dele se moveram assim mesmo, e Elisabeta permaneceu no mesmo lugar.
— Oi... – ela disse, com um sorriso contido.
— Oi... – Darcy respondeu. – Quanto tempo.
— É.
O silêncio dominou o ambiente por alguns segundos.
— Elisabeta, nós precisamos conversar. Essa situação toda... – ele gesticulou.
— Não existe situação nenhuma. – ela tentou negar.
— Você sabe que existe. – Darcy deu um passo em direção a ela. – O nosso beijo... eu não consigo parar de pensar em você.
— Darcy, isso tudo é errado. Você e Ema vão se casar...
Mas ela sabia que precisavam conversar, que não poderia fingir que nada havia acontecido. Estava brigada com Ema, mas imaginava que em algum momento ela e a amiga fariam as pazes, e então um dia Elisabeta estaria sentada à mesa, com Ema e Darcy como anfitriões.
— Eu só preciso conversar com você. – Darcy soltou o ar que prendia.
— Tudo bem. – Elisabeta aceitou, por fim. – Mas não aqui, não onde alguém possa nos ver.
— Você pode me encontrar na ferrovia mais tarde? Ao final da tarde os operários já foram embora, podemos conversar com tranquilidade.
Elisabeta assentiu, despedindo-se, e retornou para casa. Tinha a sensação de que não deveria ter aceitado aquela conversa, de que era melhor deixar tudo como estava, não procura-lo, não tocar no assunto.
Ainda assim, quando o sol começava a sumir no céu, ela se viu batendo à porta da construção que servia como escritório para Darcy. Ouviu a voz dele pedindo que entrasse, e então seus olhos se chocaram novamente com os dele. Sentiu um tremor percorrer seu corpo, enquanto seus batimentos cardíacos aumentavam.
Ele a recebeu com um sorriso tenso, sem saber exatamente o que estava fazendo. A verdade é que não pretendia conversar com Elisabeta, muito menos questioná-la a respeito de Ernesto. Mas era o que estava prestes a fazer.
— E então? Sobre o que queria conversar? – Elisabeta perguntou, ao ser recebida pelo silêncio dele.
Darcy levantou-se, sentando na beirada da mesa, de frente para Elisabeta. Sua gravata já estava frouxa, as mangas dobradas, um desalinho que não combinava com a expressão contida de Elisabeta. E era irônico porque refletia exatamente como ele se sentia diante dela.
— Quem é aquele garoto? Ernesto? – perguntou subitamente.
Elisabeta o encarou com curiosidade. Ele a fitava com a expressão séria, e Elisa perguntou-se se teria descoberto a respeito da relação de Ernesto e Ema, se era esse o motivo do incomodo.
— É um amigo, meu e de Ema. O senhor já sabe disso. – ela disse, formal.
— Senhor? Já passamos essa fase. – e não era essa a resposta que ele queria, que precisava.
Por isso ficou em silêncio novamente, esperando uma atitude dela, enquanto Elisabeta o observava sem entregar seus pensamentos.
— Ema disse que passaram a noite juntos. – Darcy disse, por fim, e notou a surpresa no olhar dela. – É verdade?
— Ema disse o que? – revirou os olhos. – Eu não acredito que Ema disse uma coisa dessas.
— Não importa se Ema disse ou não. É verdade? – saiu um pouco mais irritado do que ele gostaria.
E é claro que a irritação dele despertaria a dela, por isso Darcy não se surpreendeu quando ela cruzou os braços e elevou o queixo.
— Eu não lhe devo este tipo de satisfação.
Darcy passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— Por favor, pelo pouco de consideração que você tem por mim. – ele tentou sorrir. – É verdade?
O apelo não ficou despercebido, e Elisabeta viu-se virando-se de costas para ele apenas para sorrir sem ser vista. Fingiu admirar os mapas pregados nas paredes do cômodo, e após o que pareceu uma eternidade para Darcy, finalmente respondeu.
— O senhor me parece interessado demais nesse assunto... – ela virou-se para ele, e Darcy detectou o toque de malícia no olhar.
— Eu achei que nós tínhamos alguma coisa. – ele confessou.
— Você é noivo de minha melhor amiga. – Elisabeta cruzou os braços de novo.
— Tecnicamente eu não sou noivo.
— Se é assim, tecnicamente eu passei a noite com Ernesto.
Darcy socou a mesa em um reflexo, a irritação despertando em seu peito, o mero pensamento de Elisabeta com Ernesto fazendo seu peito ficar apertado.
— Se não o conhecesse diria que esta é uma reação de ciúmes. – ela riu, e Darcy a encarou irritado.
— Você está se divertindo, não é?
Darcy finalmente saiu de sua posição, caminhando a passos lentos até Elisabeta, que mantinha um sorriso divertido nos lábios.
— Você gosta de saber que estou perdendo a cabeça ao imaginá-la nos braços de outro.
Ele a abraçou por trás, sem aviso, puxando o corpo dela de encontro ao seu. O perfume dos dois se misturou, os braços fortes prendendo Elisabeta no lugar. Ela soltou o ar, sem nem perceber o quanto ansiava pelo toque de Darcy.
— Pelo menos agora sabe como me sinto. – as mãos dela encontraram as dele, apertando ainda mais o abraço.
— Você sabe que só desejo uma mulher. – sussurrou no ouvido dela, surpreendendo-se com a verdade daquelas palavras.
Elisabeta prendeu a respiração ao sentir Darcy morder de leve sua orelha, descendo rapidamente para um beijo quente em seu pescoço. Agradeceu por estar segura nos braços dele, uma vez que seu corpo respondeu tão rápido que duvidou que fosse capaz de sustentar as próprias pernas.
— Me diz que você não passou a noite com aquele menino. – ele sussurrou novamente, mordendo o lóbulo da orelha de Elisa novamente. – Diz que ele não tocou em você.
E as mãos dele começaram a passear pelo corpo dela livremente, sem pudor, sem restrição.
— E se não tocou? – Elisabeta encontrou forças para perguntas. – O que muda?
Darcy virou-a abruptamente, suas mãos entrando nos cabelos dela, seus olhos grudados, a pergunta ecoando na mente dele. Mas não havia resposta, e os dois sabiam disso. Por isso Darcy respondeu da forma que podia, colando seus lábios nos dela e incendiando seus corpos.
Mesmo sabendo que não deveria, Elisabeta entregou-se. Deixou que ele a beijasse, e o segurou firme pelo pescoço querendo que Darcy não fosse embora. Não se importou com o beijo agressivo, com o toque urgente, com o corpo dele tomando todos os espaços e pedindo passagem.
Deixou que ele movesse a mão dela até sua ereção, e prendeu o ar ao sentir a prova do desejo que Darcy sentia por ela. E quando percebeu, suas próprias mãos buscavam todas as partes do corpo dele, provocando, pedindo por mais, assim como ele fazia com ela.
Elisabeta tirou a gravata e o colete de Darcy, mas quando suas próprias roupas estavam prestes a cair à seus pés, a realidade a atingiu e o empurrou de leve.
— Darcy, não. – pediu, ofegante.
— Me desculpe, me desculpe. – ele pediu, sincero.
Não que estivesse arrependido do que faziam, mas não deviam, era complicado demais. Então se afastou, sentando-se novamente na beirada da mesa, abotoando novamente a camisa, enquanto observava Elisabeta com os lábios vermelhos. Mas não fizeram menção a recolocar as roupas que estavam no chão.
— Isso não pode acontecer. – Elisa afirmou, séria. – Não podemos mais nos ver.
— Eu não sei se consigo não ver você. – ele sorriu, cruzando os braços. – Nem sei se quero.
Elisabeta revirou os olhos, mas os dele não saíram dela. De forma despudorada viajando por seu corpo, fazendo-a sentir-se ainda mais quente do que segundo atrás, com os lábios nos dele.
— Não importa o que nós queremos. – ela tentou sorrir.
— O que eu queria era fazer de você minha mulher nessa noite. – Darcy piscou para ela. – Sem pensar no futuro, sem pensar no que vai acontecer.
— É claro. – sorriu irônica. – Porque esse futuro envolve você se casar com Ema e nunca mais olhar para trás.
— Eu a levaria comigo. – o sorriso dele se alargou. – E me deixaria com você, marcaria seus pensamentos e seu corpo.
— Pare de bobagens, sabe que não podemos.
— Mas você quer, e isso me basta. Eu vejo em seus olhos, como naquela primeira noite. No seu rosto corado, sua respiração ofegante.
— O senhor gosta de falar de mim. – ela revirou os olhos, se aproximando à passos lentos. – Mas estava aqui, desesperado com a ideia de que eu pudesse ter passado a noite com Ernesto. – o sorriso de Darcy desmanchou.
Ele cruzou os braços, desviando o olhar.
— Vamos, confesse. – Elisabeta sorriu. – Confesse que é tudo uma cena de ciúmes, porque para o senhor é intolerável que eu esteja nos braços de outro.
— Você está me provocando, Elisabeta.
— Darcy, você é um hipócrita.
— Eu nunca disse a você que era perfeito. – ele sorriu. – Também nunca disse à Ema, nas cartas em que sei que leu.
— Então o que você quer, Darcy?
E sem perceber ela já estava em frente a ele, invadindo seu espaço. Estava entre as pernas dele, seus braços cruzados batendo no peito de Darcy. Surpreendeu-se quando ele a enlaçou ela cintura, trazendo-a ainda mais para perto.
— Você só quer me ouvir dizer que quero você, não é? – Darcy beijou o pescoço dela rapidamente. – Você é um furacão, Elisabeta, mas eu não consigo me afastar de você.
Elisabeta passou os braços ao redor do pescoço dele, e se olharam por alguns segundos. Estava apaixonada por aquele homem, por seu jeito de falar o que sentia, por seu olhar, suas mãos, e não desejava nada mais do que estar ao lado dele. E como acontecia desde que o conhecera, foi tomada pelo impulso, tomando uma decisão que a assombraria mais tarde.
— Uma noite. – disse, séria.
E Darcy respondeu com seus lábios nos dela, como se não houvesse nenhuma interrupção ao momento que viveram antes. Era fogo, e o corpo de Elisabeta vibrava de encontro ao dele, em uma mesma sintonia, buscando o mesmo prazer. Ele a beijou com intensidade, tirando qualquer espaço entre eles.
As mãos dele desceram pela cintura, e a segurou com força pelas nádegas, enquanto movia os quadris em direção aos dela. Elisabeta começou a desabotoar a camisa dele novamente, suas mãos explorando os músculos firmes e a textura dos pelos que cobriam o peito de Darcy.
Ele então começou a desabotoar cada peça de roupa que ainda faltava no corpo de Elisabeta, acariciando cada pedaço de pele exposto, admirado com a segurança que ela apresentava com a própria nudez. Quando a viu nua diante de si, a puxou de novo contra seu corpo, beijando o colo de Elisabeta, arranhando com sua barba a pele sensível. Mordeu seus seios, depois os beijou, arrancando gemidos baixos.
Darcy retirou as próprias roupas, sob o olhar atento dela, que mal esperou que ele se despisse antes de explorá-lo com as mãos. Ele apoiou a testa no peito de Elisabeta ao sentir a mão dela envolver sua ereção, sentindo que poderia explodir a qualquer minuto, incapaz de controlar o desejo que sentia por ela.
— Eu gostaria de oferecer acomodações melhores. – ele riu.
Mas Elisabeta o surpreendeu, puxando os cabelos de Darcy, roubando-lhe um beijo inesperado. E com força renovada, ele inverteu as posições dos dois, sentando Elisabeta na escrivaninha, derrubando alguns objetos pelo caminho. Seus lábios grudados aos dela, posicionou-se entre suas pernas.
A mão dela ainda brincava com seu membro, e Darcy a tocou em seu ponto mais sensível, fazendo-a morder o lábio dele. Então a acariciou até que a respiração de Elisabeta ficasse descompassada, acelerada, os gemidos escapando sem controle. Mas antes que ela pudesse atingir o clímax, ele a segurou com firmeza pelas coxas, indo de encontro à ela.
Ela o sentiu invadi-la com cuidado e calma, mas nada parecia tão certo. Seu corpo buscava o dele, e o desconforto inicial rapidamente deu lugar a um prazer intenso, e instintivamente Elisabeta movimentou os quadris em direção a ele. Darcy sorriu, e acelerou seus movimentos.
Não demorou muito para que ele sussurrasse o nome dela em seu ouvido, enquanto ela mordia o ombro de Darcy. Invadidos por um prazer que não sabiam ser possível, não de forma tão intensa, tão pura, tão avassaladora. Ele então a puxou para seu abraço, e naquele instante teve dúvidas de como fazer para soltá-la. Talvez não quisesse fazer isso nunca mais.
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Ema não soube o que a levou ali, apenas que já era início de noite quando invadiu aquela garagem escura, o cheiro de graxa incomodando seu nariz. O avisou sentado na mesa, conversando animadamente com Luccino, mas o sorriso de Ernesto se desfez tão logo a viu.
— O que quer, Baronesinha? – perguntou, irônico.
— Bom, eu acho que vou para casa. Você fecha tudo aqui? – Luccino perguntou, cumprimentando Ema ao sair apressado.
Ernesto sentiu o coração bater mais forte, ainda que mais apertado. Via o incômodo nos olhos dela, a tensão entre os dois se formando, mas não conseguia evitar sua mágoa, seu desconforto com as escolhas.
— Vejo que ainda não voltou para São Paulo. – ela apontou, cruzando os braços. – Por que?
— Por que se importa, Ema? Isso não vai mudar suas decisões, vai? – Ernesto também cruzou os braços.
— Vou reformular a pergunta, já que você não sabe responder sem ser grosseiro. – e então Ema respirou fundo antes de perguntar. – Por acaso sua estadia no Vale do Café tem a ver com Elisabeta?
— Elisabeta? – ele enrugou a testa. – Por que eu ficaria no Vale do Café por causa de Elisabeta?
— Sei que passaram a noite juntos, Ernesto. Só queria olhar nos seus olhos e perguntar se seria mesmo capaz de seduzir minha melhor amiga.
Ernesto desceu da mesa, perplexo com a sugestão de Ema. Se aproximou dela, levando a mão à sua testa e retirando rapidamente.
— O que está fazendo? – ela perguntou, um arrepio percorrendo seu corpo ao toque dele.
— Estou vendo se a Baronesinha não está febril. Só um delírio explicaria a sugestão que acabou de fazer.
Ema sustentou o olhar dele, esperando uma resposta direta.
— Você só pode estar louca. – Ernesto soltou uma gargalhada. – Eu e Elisabeta? Ema, Elisabeta é como uma irmã para mim, e para você também.
— Ser como uma irmã não impediu que ela se envolvesse com Darcy. – Ema bufou.
— Está mesmo comparando o que temos à conveniência que você se enfiou com o inglês? – perguntou, decepcionado.
— Não, é claro que não. – a pose dela se desfez em partes ao ver a mágoa no olhar dele.
— Elisabeta se interessou por Darcy pois sabe que você não o ama. E se me permite a opinião, você está sendo egoísta.
— Egoísta, eu? O que tem de egoísta no que estou fazendo? Estou abrindo mão... – ela interrompeu a fala, sabendo que estava prestes a falar demais.
— De mim, eu sei. Pelo seu avô. Mas tem mais duas pessoas envolvidas agora, Ema. E embora o inglês metido a besta seja tão louco quanto você, Elisabeta não merece que você tire dela a chance de ser feliz.
— Eu não estou...
— Está, Ema. Como tirou a nossa chance de sermos felizes, de construirmos nosso futuro. Mas eu já estou cansado de pedir para que reconsidere.
— Ernesto, me desculpe.
— Não precisa mais me pedir desculpas, Baronesinha. Eu aceitei o meu destino.
Ernesto se aproximou, beijando a bochecha de Ema, antes de sair da oficina. E mais uma vez o coração dela parecia ter ido com ele.
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