Notas iniciais
Olé queridos leitores, como tem passado? Esperamos que bem. Segue mais um capítulo desta fic com uma boa notícia: agora a fic será atualizada todos os dias 8 e 22 às 12h30min. Achamos que deste jeito a leitura ficará mais agradável e continuará cabendo em nossos horários. Bem, é isto e até as notas finais.

Quando o relógio despertou às oito da manhã, minha vontade era e pegar um martelo e quebrá-lo em mil pedacinhos irritantes e assim voltar a dormir. Porém, voltar a dormir significava que eu chegaria atrasada e perderia a maior oportunidade de minha vida: a de ter Dylan Hall como cliente.

Lenta e vagarosamente eu saí da cama, gemendo de cansaço. Tinha passado a noite vendo um filme para me distrair de minha vida pessoal, e funcionou até o ponto em que o principal levava a loira burra para transar na casa mal assombrada. Fui até o banheiro e me despi, jogando o enorme blusão no cesto de roupa suja. Abri as portas do box e girei o registro até o máximo para que a água ficasse o mais fria possível.

Deixei-a cair no chão e fui rapidamente pegar meu rádio e ligá-lo na estação de notícias. Sintonizei e aumentei o volume, ouvindo sobre os congestionamentos da manhã e os assassinatos e estupros ocorridos durante a noite. Entrei em baixo da água fria e massageei meus cabelos pretos enquanto ouvia a notícia de mais um mendigo que havia achado um bilhete de loteria premiado. Peguei o shampoo e o condicionador, lavando meu cabelo e logo após passei o sabonete de pêssego pelo corpo, limpando-me cuidadosamente como sempre.

Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha, esperando parte da água em meu corpo escorrer para poder sair. Fui até meu quarto e abri o armário enquanto continuava a ouvir as notícias do cotidiano. Tinha de chegar bem cedo se quisesse ouvir direito o que Adam tinha a me dizer sobre Dylan, afinal, era domingo; e domingo era “dia dos pobres”. Coloquei minha calcinha e meu sutiã, enrolando a toalha em meu cabelo e vesti a calça jeans rasgada no joelho. Calcei as botas pretas de cano curto e um salto pequeno enquanto pegava meu suéter roxo e o deixava em cima da cama.

Eu podia ser uma prostituta, mas definitivamente não deixava isso amostra para alguém que me visse andando na rua — a menos que esse alguém fosse cliente meu. Peguei o perfume de pêssego e borrifei-o em meu pescoço e pulsos. Vesti o suéter e terminei de secar meus cabelos, prendendo-os em um rabo de cavalo firme. Arrumei minha bolsa, colocando minhas chaves, bala de menta, nécessaire, celular, fones, carteira e camisinhas, claro. Coloquei a bolsa no ombro e saí do apartamento. Desci as escadas e cheguei ao pequeno hall de entrada do prédio. Abri o escaninho do 302 e peguei minha conta de luz e água. Guardei-as na bolsa e saí do prédio na W127th Street no Harlem e fui até o ponto de ônibus mais perto.

A rua estava calma para um domingo em Manhattan, mas aquilo tornava as coisas melhores. Fiz sinal para o ônibus e ele parou a alguns metros de distância de mim. Corri até ele, sabendo que o motorista não esperaria muito e quase esbarrei em uma lata de lixo. Paguei a passagem e me sentei, sabendo que o ônibus me levaria apenas até a E116th Street no East Harlem e de lá eu teria que descer até o Central Park para pegar um ônibus para York Ville e finalmente chegar em meu trabalho. Sentei-me na janela e abri a nécessaire com espelho, passando o batom rosa claro que estava dentro da mesma.

Chupei uma bala de menta e meia hora depois desci na esquina da E116th St com a 5th Avenue. O trânsito estava calmo demais para o domingo, pois geralmente o trajeto demorava uma hora e meia. Aquilo realmente era um puto milagre. Desci os quatro quarteirões até a W110th Street e peguei o segundo ônibus que me deixaria exatamente na E86th Street com a York Avenue, o que me fazia descer apenas um quarteirão até o “pub” onde eu trabalhava, passando pelo Ko Sushi, onde muitas vezes eu jantava com as outras meninas do trabalho. O bom de trabalhar ali era que tinha um Starbucks pertinho e muito lugar para se comer algo delicioso.

Terminei de descer o quarteirão e logo entrei no pub verde que tinha o nome Bailey’s Scotland Pub como fachada. As cadeiras ainda estavam em cima da mesa pois era apenas dez horas e Bailey estava no balcão limpando alguns copos e sorriu para mim, mostrando os dentes separados.

— Bom dia, Faye. — cumprimentou-me delicadamente enquanto eu apenas acenei para ela com a cabeça. Fui para trás do balcão e passei por ela, entrando na porta que daria a cozinha e a dispensa caso aquilo fosse um pub comum. Mas não era.

O salão principal estava sofrendo a limpeza matinal quando entrei, e como de costume minha visão demorou a se acostumar por todas as paredes serem negras e a iluminação ser direcionada ao palco principal, postes e cabines, enquanto as mesas e os bares ficavam iluminados por uma luz fraca. Jessie, Rachel e Drica ensaiavam seu número da noite no palco enquanto Harry, o faz tudo, limpava as cabines sem se importar em demonstrar seu nojo quando era obrigado a pegar alguma camisinha usada.

As meninas acenaram para mim, sorrindo como sempre faziam e logo voltaram a ensaiar o show erótico. Eu apenas fui para a porta que dizia “Área Dos Funcionários” e entrei no nosso vestiário/closet/banheiro. A parte vestiário eram armários cinza de colégio com nossos nomes para guardarmos nossas coisas e seis ou sete penteadeiras com maquiagens, escovas, perfumes e etc. O closet eram várias roupas para shows e fantasias eróticas além de sapatos e acessórios. E bem, o banheiro era o banheiro.

Fui até o armário onde estava escrito “Faye Miller” e havia vários adesivos de corações, sem contar que Layla havia escrito “Queen of Hotness” com hidrocor e um anônimo que tinha conseguido entrar havia escrito “Queen of Pleasures”. Ri comigo mesma e guardei minha bolsa ali dentro, indo até a parede esquerda para ver o quadro do dia. Domingo era conhecido como dia dos pobres pois na Explicit — o verdadeiro nome da boate ou puteiro, dependendo da preferência — , eu, Aylah, Caroline e Elizabeth éramos conhecidas como Golden Mistresses — pois apenas tínhamos clientes compromissados e valíamos uma fortuna —, e domingo era o dia que deixávamos de ser privadas e atendíamos qualquer um que fosse à boate, então domingo era conhecido internamente como dia dos pobres.

Segundo o quadro eu ficaria apenas com as cabines hoje, o que seria uma maravilha para mim. Desprendi meus cabelos e quando virei bati no peito de Shirley.

— Ain querida, machucou? — Shirley perguntou, afinando sua voz naturalmente grossa.

— Não, estou bem. — sorri, afinal bater contra o peito de um negão forte doía na maioria das vezes, ou então provocava assanhamento, mas no caso de Shirley era o contrário.

Naturalmente, Shirley estava usando seus saltos 15 vermelhos de tamanho 44 e o vestido de oncinha colado no corpo. Pelo visto tinha depilado as pernas, mas não o peito. O sutiã parecia estar com enchimento maior e ela cheirava a morango. Estava usando a gargantilha de pérolas falsas que Adam havia lhe dado de aniversário há alguns meses atrás e como sempre, sua maquiagem estava berrante. O batom vermelho com gliter; a sombra dourada em plena luz do dia; o delineador prateado e o rimel azul. Tinha feito o buço e conseguido apagar a tatuagem do pescoço onde antes havia o nome de seu ex namorado.

— Que bom, porque menina!, nem te conto da noite passada! Adam pareceu um príncipe e me vestiu que nem a Cinderela! — falou, sorrindo. — Eu ar-ra-zei no modelito! Tenho que te mostrar as fotos, mas tem que ser em pé, não consigo sentar. — ela deu sua risadinha aguda.

Ri baixo com ela. Shirley se fazia de difícil para Adam há quase nove meses, e parecia que finalmente ela tinha dado uma chance à ele.

— Ok. — sorri. — Já que ainda não abrimos você me conta à caminho do Starbucks, fechado?

— Quem me dera poder te contar agora. — suspirou. — Adam me pediu para avisar que já está te esperando... — seu olhar foi tomado pela malícia. — Queridinha, desde quando você vira meretriz para sair com O Mafioso, hein?

— Nem eu sei. — sorri, indo para a porta. — Mas te conto tudo quando o seu futuro marido me liberar. — ri.

— Acho bom contar tudinho mesmo, ouviu? — riu, fazendo biquinho. — Futuro marido... E eu lá sou mulher de um homem só? Hun, onde já se viu...

Deixei-a em seus pensamentos irreais de que ela não iria se casar com Adam e voltei ao salão principal. Subi no palco, dando beijos nas bochechas de Jessie, Rachel e Drica e entrei na cochia esquerda, onde havia uma escada caracol de ferro que levava ao escritório de Adam. Abri a porta e entrei no escritório do chefe, fechando-a atrás de mim. Adam estava sentado de costas para mim em sua cadeira giratória de couro vermelho. Haviam várias playboys espalhadas por sua mesa e um retrato de sua mãe, ou Nona, como chamávamos quando ela aparecia para “nos dar conselhos”. As estantes estavam lotadas de listas telefônicas velhas e cadernos de registros de lucros e novas aquisições; além de clientes VIPs e etc. A TV em preto e branco suspensa pelo suporte que ficava no alto da parede esquerda mostrava vários locais do pub. A rua, o pub falso, o palco, as entradas das cabines, mesa, bar e etc.

Logo Adam se virou, querendo fazer uma de suas “aparições dramáticas”, e desta vez estava inspirado em um personagem de O Poderoso Chefão. Sentei-me em uma das cadeiras diante de sua mesa e esperei que ele começasse a falar.

— Senhorita Faye. — sorriu. — Acredito que sabe o motivo de sua presença ter sido requisitada. — ele apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando as mãos.

Ri baixo quando ouvi seu sotaque italiano fajuto e relaxei em minha cadeira de plástico — se é que isso era possível.

— Sério, Adam, pare com isso, queima todo o seu filme e Shirley não gosta de caras cafonas. — ri, olhando para sua camisa havaiana laranja e o paletó roxo. Só ele mesmo para se vestir mal assim. — Conte logo o que tenho que fazer para agradar Dylan que eu tenho que fofocar com sua futura esposa.

Ele sorriu um pouco e riu baixo, ajeitando-se em sua cadeira confortável.

— Bem, não preciso dizer que Dylan Hall é O Cara e O Cliente que queremos, certo? — perguntou retoricamente. — Na quarta, dia vinte, ele vai estar no St. Regis, às 16h. Não se atrase, ok?

— Ok. — concordei, sorrindo. — Ele pediu alguma roupa em especial? — perguntei.

— Sim, ele realmente pediu que vestisse algo... “especial”. — comentou. — Sua lingerie deve, obviamente, ser provocativa, e ele pediu uma que deixe seus seios de fora. Além disso, ele deixou claro que quer você usando um arco com orelhas de gato junto com uma gargantilha com sino. — completou.

Eu apenas concordei com a cabeça. Dylan Hall tinha a data marcada para ter a melhor noite de sua vida.

Notas finais
E então, gostaram do capítulo? Esperamos que sim. Quem está com vontade de conhecer o Dylan? Beijos, Ayza & Sari.