Notas iniciais
Finalmente conheceremos nosso mafioso. E aí, ansiosos? :) Vemos vocês no fim do capítulo.

O despertador me parecia a personificação do Diabo, Sete Peles, Belzebu, Besta, Satã ou Capeta (como preferir) na Terra. Acabar com meu sonho não era algo esperto a se fazer, principalmente quando eu podia optar por retirá-lo da tomada para sempre ou melhor ainda, esmagá-lo com o martelo que eu guardava na caixa de ferramentas. Por falar nisso, por onde andava aquela caixa?

De qualquer jeito, desliguei o despertador e por alguns minutos fiquei encarando o teto com tinta descascando de meu quarto. Que merda tinha sido aquele sonho? Eu tinha mesmo sonhado sexualmente com alguém que eu sequer conhecia? Senti como se meu orgulho tivesse sido ferido! O pior era ter que estar na porta de seu quarto de hotel dali a seis horas e ter de esquecer que sem nem conhecê-lo aquele cara tinha mexido com meu orgulho.

Levantei-me vagarosamente e fiquei sentada na cama enquanto ouvia o barulho dos carros se movimentando lá fora. É... Nova York já estava acordada e se eu não quisesse arranjar problemas era bom eu me apressar. Jogando minha coberta de flanela por cima da cama, levantei-me e me dirigi ao banheiro onde escovei meus dentes e lavei o rosto. Direcionei-me a cozinha e comecei a fazer meu café: biscoitos de aveia com pão integral, peito de peru e queijo. Um copo de leite e uma maçã. Fui obrigada a ligar a TV um pouco para ver as notícias e saber o que havia ocorrido durante a madrugada. Nada de novo, só mais uns terroristas explodindo algumas coisas e o dólar subindo.

Saí da cadeira e coloquei tudo na pia, sem vontade de lavar louça no momento. Dirigi-me ao banho e taquei a roupa suada no cesto de roupa suja enquanto entrava no box. Droga, eu tinha que tirar um dia de folga ou algo do tipo para limpar minha casa, aquele local estava muito “argh” para se tomar um banho com calma — nada que comprometesse minha higiene mas eu preferi tomar banho de chinelo do que pisar naquele chão.

Abri o registro e deixei a água fria cair sobre meu corpo esguio enquanto eu parava alguns segundos para pensar em minha reflexão matinal. Passados cinco segundos iniciei meu banho pois, como sempre, não havia nada para pensar. Minha vida era algo simples e direto: eu vendia meu corpo e tinha teto e comida na mesa. Pronto, o que de mais de concreto poderia haver? Passei o xampu de menta nos cabelos e deixei a sujeira cair junto com a água, formando uma cascata leitosa com a espuma produzida.

Massageei os cabelos com o condicionador e lavei meu corpo com o sabonete de erva-doce. Até que, para alguém que usava pouco do dinheiro ganho eu tinha umas coisas bem legais para cuidar de mim. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha, secando meus cabelos com uma menor. Enrolei-os e catei minhas coisas para me preparar. Em minha pequena bolsa carmim que ficava sempre no armário do banheiro havia a acetona, a lixa de unha e meu esmalte favorito. Ao lado ficava a gilete que eu usaria depois.

Oras, eu não era uma prostituta cara por pouco. Além de ser habilidosa, eu cuidava muito bem de minha aparência. Sentei-me na cama e retirei a coloração do esmalte preto que eu usei durante a semana e comecei a aplicar aquele lindo vermelho reluzente e que eu achava tão sedutor. Fiz tanto as mãos quanto os pés e voltei a me sentar em frente a TV. Estava na hora do programa de culinária e aquilo era estranhamente interessante.

Passados uns quarenta minutos vendo a apresentadora cozinhar uma carne suculenta desliguei a televisão e, já com as unhas secas, fui separar as coisas para colocar na bolsa vinho. Camisinha, lubrificante, chicletes (pro caso do cara ter mau hálito ou pro caso do jeito de sêmen ficar muito forte em minha boca), documentos e uma revista para eu ler durante a viagem. Fui então ao banheiro e me depilei, tomando uma ducha rápida sem nem molhar o cabelo.

Cuidei de minhas pernas passando hidratante e comi uma fruta por já serem duas da tarde. Pronto, estava na hora de ir. Fui até o armário e peguei a fantasia de gatinho que fora requerida. Desenrolei-me da toalha e vesti o corpete vinho com botões prata e detalhes em fita de cetim preto que deixava meus seios amostra. Vesti uma calcinha de renda que combinasse e coloquei o colar com um guizo. As orelhinhas e o rabo guardei com cuidado em uma bolsa de pano menor que foi dentro da onde estavam minhas coisas.

Calcei as botas de couro preto e coloquei o sobretudo negro, pegando a bolsa vinho e jogando dentro meu celular. É, eu estava pronta... Abri a porta de casa e saí. Não era como se eu não chamasse a atenção naturalmente mas não era normal alguém sair com um sobretudo e botas num dia de sol.

Andei a estação de metrô e peguei um expresso do Harlem até Lenox Hill, onde desci a Park Avenue até virar na E 55th Avenue até chegar ao majestoso St. Regis. Já tinha passado por aquela área da cidade muitas vezes, mas até então nunca reparei no hotel. Entrando pelas portas giratórias de vidro com detalhes dourados, adentrei no saguão com a confiança de um ator da Brodway renomado e fui até o balcão. Era incrivelmente extenso e polido. O mogno que o compunha era com certeza de boa qualidade.

Haviam várias delimitações para sermos atendidos. Alguns para check-in, check-out, reclamações (que estava completamente vazio), dúvidas, sugestões, guia turístico e mais sei lá o quê. Fui até a repartição onde se lia “Visitantes” e esperei atrás de um homem alto por uns dois ou três minutos. Quando chegou minha vez, sorri ao atendente franzino e moreno à minha frente.

— Boa tarde, senhora. Em que posso ajudar? — perguntou com um sorriso forçado de quem precisava agradar os clientes para ter um emprego puxado e cansativo como aquele e ganhar uma miséria.

— Estou aqui a pedido de Dylan Hall e gostaria que comunicasse minha presença. — falei. Todas as pessoas próximas a mim ficaram subitamente curiosos. Aquilo me fez rir baixo. Não sabia que as pessoas “de boa índole” tinham conhecimento sobre mafiosos tão discretos que nem nos noticiários saiam.

O atendente pareceu assistir ao desenrolar de uma novela quando falei aquilo pois logos seus olhos brilharam cheios de expectativa.

— Sim, senhora. Poderia me informar seu nome? — perguntou, retirando o telefone do gancho. Seu sotaque mexicano se fez presente em sua fala devido ao seu descuido pela excitação do momento. Qual era, no fim das contas, a coisa excitante sobre ter Dylan Hall convidando uma mulher ao seu quarto?

Porra, por acaso aquele garoto era um daqueles virgens que ficava todo eriçadinho sobre sexo e que achava aquilo a coisa mais fora de alcance no mundo? Provavelmente, sim.

— Faye Miller. — informei. Ele deu um riso baixo que me fez revirar os olhos e por fim discou o número do quarto de Dylan. Enquanto o mesmo não atendia, ouvi cochichos de uma senhora atrás de mim com sua amiga. Nada que eu não soubesse do que se tratava. Eram sempre cochichos como “Essa vadia sem classe, vendendo o próprio corpo. Que pouca vergonha, não gosto nem de pensar”. Novamente, aquilo não me abalou. Ouvia comentários assim desde meus dezoito anos e não era naquele momento onde eu estava prestes a atender o cliente mais importante de minha vida que eu iria me importar.

Depois de uns trinta segundos, Dylan atendeu o telefone.

— Boa tarde, senhor Hall. Desculpe incomodá-lo mas a senhorita Faye já está aqui para ver o senhor. — falou, esperando a resposta que veio alguns segundos depois. — Sim, senhor Hall. Como quiser.

Ele voltou a por o telefone no gancho e sorriu para mim tentando parecer maroto e dizer “Eu sei com que você vai fazer.”

— O senhor Hall disse que a aguarda em seu quarto. Ele está hospedado no 1212. — informou. — Tenha um ótimo dia, senhorita Faye. — sorriu. Lê-se “Tenha uma ótima tarde de sexo.” Eu definitivamente odiava pessoas que fingiam saber de coisas que não eram de sua conta.

Sorrindo amarelo ao garoto dirigi-me até um dos seis elevadores sociais e pedi que o ascensorista me levasse ao décimo segundo andar. Por mais que o salão estivesse incrivelmente movimentado, eu estava sozinha no elevador. A movimentação era, em sua maioria, dos funcionários já que os hóspedes sensatos passariam o dia conhecendo Nova York em um dia quente de verão ao invés de contratar uma prostituta. Não que eu estivesse pensando que certo cara não era sensato. Não, nem de longe.

Assim que as portas do elevador se fecharam, virei-me ao enorme espelho e abri minha bolsa vinho onde peguei meu batom vermelho e o retoquei minha boca enquanto meu olhava mais uma vez para ter certeza de que estava impecável. É, eu estava; como sempre.

Sorri a mim mesma e peguei cinco dólares e dei de gorjeta ao ascensorista por seu um idoso que não deveria estar trabalhando e sim curtindo a aposentadoria ao lado da esposa e dos netos. Ele sorriu para mim, agradecido. O idoso tinha, obviamente, percebido o tipo de mulher que eu era mas ainda assim sorriu a mim. Aquilo me deixou feliz. De vez em quanto era bom não ser julgada pelo seu trabalho.

As portas se abriram e deixei o elevador, adentrando num corredor espaçoso e decorado com luminárias ovais nas paredes de um tom creme e um carpete com vinho com detalhes dourados cobrindo toda a extensão do chão. As portas dos quartos era provavelmente de carvalho puro entalhado e bem cuidado e os números sobre as mesmas eram de bronze. Andei até o fim do corredor onde achei o 1212 e sorri um pouco, dando uma última ajeitada nos cabelos e tocando a campainha.

Esperei por alguns segundos até que Dylan Hall abrisse e tomei um dos maiores sustos de minha vida. Um homem de vinte e poucos anos, baixo, gordo, espinhento e com o rosto oleoso atendeu a porta, sorrindo travessamente. Sua camisa pólo estava com manchas de suor em baixo dos braços e sua calça abaixo da barriga cabeluda. Argh, argh, argh. Não que eu tivesse problemas com gordos, mas tinha problemas com pessoas que não cuidavam de si mesma e, surpreendentemente, Dylan Hall era uma destas pessoas.

Como de costume meu rosto não transpareceu minha surpresa e permaneceu sorrindo sedutoramente enquanto meu interior entrava em colapso. Ele era mafioso?! As máfias de agora eram o quê?! De hackers que conseguiam maior pontuação de jogos na internet?! Ah, vai tomar no cú! Eu não era babá de gamer que não conseguia uma namorada para comer!

— Olá, gatinha. — o homem disse, tentando fazer uma espécie de pose sensual enquanto movia as sobrancelhas para cima e para baixo. Como eu disse, tentando pois sua sensualidade era tão nula que estava me deixando com ânsia de vômito. Meus lábios se curvaram num sorriso mais largo cerrei os olhos, olhando-o com cobiça.

— Oi, bonitão. — cumprimentei com a voz aveludada. Bonitão? Bonitão?! Se este cara era bonito Ian Somerhalder era o quê? Estrume?

— Pronta para a melhor noite de sua vida? — ele perguntou enquanto eu o via suar. Olhando para aquele cara que estava no fundo do poço nos quesitos semancol, beleza e higiene, a pior parte era o “poder” de seu hálito que atingiu minhas narinas rapidamente. Quem precisava de chiclete era ele, não eu. Arh, cheiro de cebola. Que nojo.

— Com certeza. — falei, mudando o peso de meu corpo para o pé esquerdo enquanto pousava a mão em seu pescoço e o acariciava ali, mentalizando que aquele era meu trabalho e que eu deveria agüentar até o fim. — Posso entrar? — perguntei suavemente.

Ele pareceu se contorcer com meu toque e foi para trás, caso o contrário eu não conseguiria entrar. Adentrei no quarto do hotel que por sinal era amplo e bem decorado até que vi um homem gostoso sentado no sofá. Seus olhos eram verde claro e intensos. Ele era calvo e possuía uma barba curta e clara. Sem dúvida era uma aparência diferente mais incrivelmente interessante e bela. Seus lábios claros e carnudos e a pele alva. Alto, sem sombra de dúvidas e com um físico exemplar que podia ser visto pela roupa junta a seu corpo. Tipo, ele era assistente ou o quê?

Senti seu olhar por meu corpo e o mesmo abriu um sorriso enorme.

— Você pode descansar agora, Charlie. — ele disse, batendo palmas. — Quase me convenceu com sua atuação.

— Senhor Hall... Não me faça repetir isso de novo... — o gordo se encolheu, com o rosto vermelho. Tempo, tempo. O gordo era Charlie e o careca era o Hall? Deus existia?, ele basicamente me salvou ali. O sorriso sumiu de meu rosto e fiquei olhando ambos enquanto permanecia quieta. Não que eu não tivesse entendido que era apenas uma brincadeira de mau gosto, mas sabe, só para ter certeza que eu não estava sendo enganada de novo e não dormir com o homem errado.

— Pode ir agora. — ele disse, fazendo um gesto de leve o que fez Charlie sair do cômodo em seguida. Ele ficou calado, apenas me observando com cuidado. — Então você é Faye Miller. — pronunciou.

— E você o verdadeiro Dylan Hall. — supus, olhando-o também. Naquele momento eu realmente torcia para que ele fosse porque porra, aquele cara era gostoso.

— Exatamente, eu sou o “incrível” Dylan Hall. — ele se levantou e veio em minha direção. — E você minha doce gatinha.

Concordei com a cabeça, sorrindo a ele.

— E o que mais quiser que eu seja. — falei calmamente, observando sua fisionomia atentamente. Ombros largos, pernas longas e grossas, peito definido... Basicamente um sonho de consumo. E por que ele não aparecia na TV? Aquilo era uma perda enorme.

— Ande logo, ponha as orelhas e tire as roupas extras. — Dylan mandou, me fazendo sorrir travessamente. Deixei minha bolsa na mesa de centro e peguei a bolsinha menor onde estavam o arco de orelhas e o rabo. Peguei apenas o primeiro e o coloquei, livrando-me de meu sobretudo e o deixando embaixo da bolsa vinho. Daquele jeito Dylan via meus seios perfeitamente e minha intimidade também.

— É hora da festa. — ele sorriu, sentando-se no sofá mais uma vez. — Vamos brincar?

Notas finais
E então, o que acharam? A brincadeira está só começando ( ͡° ͜ʖ ͡°) Para aqueles que tem dificuldade na visualização de personagens, este é o Dylan como visualizamos: http://imgur.com/7EtYEdN E como ainda não chegamos a descrever a Natalie se auto-descrever, aqui vai ela também http://imgur.com/lXTgk66 Esperamos que tenham gostado :) Beijos, Ayza & Sari.