[HIATUS]Explicit
5 The Day After
Notas iniciais
Por mais que as cortinas do quarto estivessem fechadas, a luz do sol era tão forte que fez o tom escuro das mesmas me cegar. Que horas seriam? Movendo meu corpo preguiçosamente, ouvi o barulho de cobertas. Droga, eu ainda estava na cama? Mas espere, que cama? Minha cama não tinha cheiro de rosas. Por mais que fosse perigoso eu estar numa cama que não fosse minha, meus olhos não queriam abrir. Eu estava cansada demais e nem sabia o por que.
Suspirando profundamente, virei-me mais uma vez e apertei um travesseiro macio que parecia ser de penas de ganso. Tinha um cheiro diferente. Parecia rosas com suor e uma colônia masculina. Colônia masculina? Então eu estava na cama de um cliente? Mas qual cliente? Minha cabeça se recusava a pensar; fosse quem fosse, tinha me deixado num estado de exaustão. Odiava ser preguiçosa, mas era por esse e outros motivos que todo o dia eu queria matar meu despertador.
Grunhi baixo enquanto minhas pálpebras de abriram. Como eu disse, apesar das cortinas fechadas o sol estava incrivelmente forte. O quarto que deveria estar um breu estava claro como se não houvesse nenhum pano cobrindo as janelas. Pisquei algumas vezes e senti minha garganta seca e com um gosto amargo. Ok, pelo visto eu tinha chupado o cliente. Cliente, cliente... O cliente mais importante de minha carreira. Isso! Dylan Hall! Porra cérebro, você trabalhou bem, merece até um chocolate!
Espreguicei-me calmamente e me sentei na cama com as cobertas envoltas em meu corpo. Também, para quê? Dylan tinha visto todo o meu corpo na noite anterior e se tudo corresse bem veria mais vezes. Bocejei e olhei para o outro lado da cama. Vazio. Bem, aquela era a primeira vez que eu dormia demais. Geralmente eu era a primeira a levantar pois por mais que eu fosse uma preguiçosa durante as manhãs eu nunca ficava tão exausta. Já o cliente, sim.
Era engraçado ter a posição invertida. Para falar a verdade, não era apenas a posição de acordar cedo invertida. Na noite passada parecia que eu estava pagando um gogoboy porque fazia um bom tempo que eu não me divertia daquele jeito transado com alguém que me pagasse. Para falar a verdade, quando foi a última vez que eu transei com alguém por prazer e não dinheiro?
Sei lá, mas eu continuaria feliz mesmo se ele não me pagasse. Tinha sido uma noite boa e Adam que se foda, Shirley me apoiaria dizendo que eu merecia umas férias. Joguei os lençóis de seda na cama e saí da mesma, andando calmamente até a porta do quarto. Enquanto isso, observei-o um pouco mais. Tínhamos feito uma bagunça tremenda o que me fez ficar com pena da camareira que arrumaria aquilo. Parei na frente de um sofá de dois lugares que ficava perto da estante. Minhas orelhas de gato e o rabo estavam embaixo das almofadas. Ou seria das almofadas do sofá do hall? Por falar nisso, quantos sofás foram? Contei nos dedos.
Três sofás, uma cadeira, duas paredes, uma mesa, banheira, cama e chão. Ah! Também a pia do banheiro. Hmm... dane-se onde estavam as orelhas e o rabo, aquilo era fácil de se comprar. Andei mais um pouco até uma pilha de roupas com dois vibradores e olhei para um espelho longo encostado na parede. Estiquei o pescoço e contei os chupões. Três no pescoço, um em meu seio esquerdo e outro em minha barriga.
Se os argumentos de Shirley não me rendessem férias, os chupões cuidariam disso. Aproveitei o espelho para ajeitar um pouco meus cabelos emaranhados e ri baixo ao lembrar de suas provocações quando paramos em frente ao mesmo antes de irmos ao sofá de antes.
Por fim, abri a porta e entrei no hall de antes que já estava arrumado. Minhas coisas estavam arrumadas no canto do sofá e o local estava incrivelmente mais claro. Cerrei os olhos por causa disso e andei um pouco mais até minhas coisas. Nossa, a camareira tinha feito um puta de um bom trabalho pois até mesmo as roupas indecentes estavam bem dobradas.
Passei meus olhos mais uma vez pela sala, notando que Dylan não estava longe e sim sentado na outra ponta do sofá. Ajeitava uma gravata vermelha e usava um terno que, se fosse duvidar, era mais caro que aquele quarto. Afinal de contas os ricos gostavam de gastar dinheiro, não? Mas quem era eu para falar alguma coisa? De brinde estava ganhando uma visão sexy sua naquele terno (sim, eu amo ver um homem de terno).
Enquanto o observava ouvi o barulho de algo caindo no chão. Virei meu rosto para a esquerda, perto da mesa onde havia um apetitoso café da manhã e vi uma camareira magricela de cabelos pretos com um prato de prata caído no chão. A mesma estava surpresa por ver uma mulher nua, cheia de marcas e melada. Fui obrigada a rir.
Como alguém que tinha arrumado minhas coisas e o hall poderia estar com aquela expressão de surpresa? Deixei aquilo quieto e logo fui até minhas coisas. O ruim era que eu tinha esquecido de colocar uma roupa normal para ir embora e só me trocaria na Explicit.
— Bom dia. — cumprimentei Dylan, mas também serviu para a camareira. Dylan apenas sorriu de volta, esticando a mão para mim com os olhos vidrados em meu corpo. A camareira apenas se encolheu, voltando a ver os preparativos do café. Ri baixo e aceitei sua mão, sentando-se a seu lado. — Teve uma boa noite? — perguntei, me referindo tanto à noite dormida quanto a de sexo.
Hall me puxou a seu colo repentinamente, me obrigando a ficar de frente a ele com os joelhos ao lado de suas pernas, exibindo minha bunda redonda à camareira. Desde o lance do espelho tinha ficado meio óbvio seu exibicionismo.
— Sim, eu tive. — ele disse, levando as mãos a minha bunda. — E você? — perguntou ao mesmo tempo que as apertava. Mordi o lábio inferior e concordei com a cabeça.
— Também. — falei, passando meus braços por seu pescoço. — Desculpe por acordar tarde, você realmente me cansou. — admiti. Era sempre bom massagear o ego do cara.
Eu o vi rir baixo enquanto suas mãos se divertiam apertando minhas nádegas.
— Desculpe por isso. Seu corpo é tão irresistível que foi difícil controlar minha parte de baixo. — falou. Dylan Hall não parecia ser o cara que precisava de elogios para o ego (de qualquer jeito, já era um costume meu), ele parecia confiante o bastante de suas habilidades.
Ri um pouco com aquilo e balancei minha cabeça de leve. Tanto ele quanto eu éramos confiantes mas eu amava receber elogios de meus clientes.
— Não se desculpe, você é quem deve se satisfazer plenamente aqui, não eu. — falei, acariciando seu maxilar. — Realmente não é costume meu dormir até tarde então tenho de me desculpar por ter encurtado nosso tempo.
Ele deu de ombros e eu senti um dedo bobo deslizar ao meu ânus, rodeando o mesmo.
— Não se preocupe com nada disso. — ele disse com um sorriso nos lábios. — Não vejo graça quando o parceiro não sente prazer. Além disso, eu sempre posso pagar um pouco mais por um tempo extra, não?
Apenas concordei com a cabeça e deixei um gemido baixo sair de minha boca por seus toques íntimos. Sinceramente, o que a camareira estaria fazendo que estava tão silenciosa? Prestando atenção?
— Sim, mas este tempo extra será cortesia minha. — falei, beijando seu pescoço e logo ajeitando sua gravata. — Estou mais preocupada com o tempo que temos de agora até seu compromisso que exige este terno maravilhoso.
Dylan voltou a rir introduzindo um dedo em meu interior enquanto eu ouvia um barulho estranho na mesa. Por mais que não quisesse desviar meu olhar de Dylan, foi instintivo olhar para o que havia sido aquilo, e vi que a camareira derrubara açúcar na mesa. Contive meu riso e logo voltei meu olhar para ele.
— Apenas cale a sua boquinha. — ele disse. — Eu quero é ouvir seus belos gemidos e não uma lembrança de meus compromissos. — falou. Não pude deixar de pensar que tipo de compromissos tinha o senhor supremo da máfia. Quero dizer, se os capangas faziam mais de noventa por cento do trabalho sujo, o que ele fazia? Enfim...
— Desculpe sua gatinha, senhor Dylan. — pedi, logo parando de falar para dar à ele os gemidos que ele tanto queria.
— Você será desculpada se rebolar bem essa bundinha. — eu o ouvi dizer enquanto seu olhar se direcionava à camareira. — Vá até o quarto e me traga os vibradores redondos e rosas. — ele ordenou a mulher que, nervosa e sem saber o que fazer, tremeu. — Agora. — sua voz se fez firme e prontamente ela correu ao quarto.
Um sorriso torto se formou em meus lábios e ri com o nervosismo da camareira. Estávamos a assustando? Mas as pessoas de hotéis não estavam acostumadas com isso...? Ah, não. Era motel. Aqueles termos sempre me confundiram.
— Desse jeito acho que ela ficará traumatizada. — murmurei, esperando a chegada dos vibradores.
— Não me importo. — ele disse calmo, vendo a mulher chegar e, ainda tremendo, depositou os vibradores ao lado de Dylan no sofá, indo até a mesa de café para terminar de arrumá-la. Ele pegou um dos vibradores rosa e retirou seu dedo de meu ânus, enfiado a pequena coisa redonda ali, empurrando-a até o fundo com o dedo, deixando a cordinha de fora.
— Já-Já terminei meu trabalho por aqui... — a empregada murmurou sem firmeza, correndo até a porta sem nos deixar dispensá-la formalmente. Não que importasse muito mas eu sentia que as fofocas sobre o ocorrido correriam soltas pelo hotel. Deixando isso de lado, voltei a olhar para Dylan, esperando o segundo vibrador para poder rebolar como fora pedido.
Ele retirou um controle pequeno do bolso do paletó e apertou o primeiro botão fazendo com que a bolinha se movesse em meu interior. Ele logo colocou a segunda e fez o mesmo. Os dois vibradores se moveram por meu ânus enquanto tremiam, algumas vezes se chocando o que me fazia gemer um pouco mais alto e apertar o couro do sofá. Eu não era nem louca de apertar aquele terno.
Logo veio o terceiro vibrador e as três bolinhas moviam-se por meu ânus livremente enquanto sentia meu corpo se aquecer conforme o sangue circulava mais e mais pelo mesmo. Pouco a pouco, soltando os gemidos que Dylan queria, fui ficando excitada, querendo muito mais do que aqueles brinquedos. Eu o vi apertar o último botão, pulando o que estava no meio e logo as bolinhas aumentaram suas velocidades, chocando-se mais vezes em meu interior.
— Fique sentada no sofá com as pernas abertas. — falou, esperando eu me levantar. Apoiando-me um pouco nas costas do sofá, saí de seu colo e me sentei a seu lado com as pernas abertas como ele pediu. Mordi o lábio inferior ao pensar todas as coisas que ele podia fazer para me provocar antes do café da manhã.
E sem mais nem menos ele se levantou, sentando-se em uma das cadeiras da mesa com uma visão privilegiada de mim. Ah, safado. Esta era definitivamente a pior delas.
— Você pode comer assim que gozar, e, no caso, gozar só com os vibradores. — disse calmamente. Bem, aquilo já era outro tipo de safadeza.
— Conveniente depois de uma noite como aquela você fazer isso comigo. — murmurei, sentindo meu estômago roncar só de ouvir falar em comida. — Assim a comida vai esfriar. — comentei, realmente querendo comer mas sem ousar não fazer o que o cliente queria. Ainda que aquilo fosse demorar muito, se fosse acontecer. Mordi o lábio inferior ao gemer mais uma ver e apertei uma das almofadas enquanto sentia meu interior ficar cada vez mais úmido com a ação dos vibradores e com seu olhar.
— Eu mando trazerem mais comida caso esfrie. — Dylan disse, pegando um pedaço de pão e passando cuidadosamente geléia sobre o mesmo. — Agora vamos, concentre-se nos vibradores loucos dentro de você.
Difícil era não se concentrar. Sempre achei curioso como coisinhas pequenas como aquelas podiam causar tanto prazer. Ainda assim, agradecia a quem as tinha inventado. Cuidando para não retirar sua visão, continuei apertando a almofada enquanto deixava meus gemidos escaparem e sentia pequenos espasmos percorrendo o interior de minha intimidade. Minhas pernas tremiam um pouco e meu corpo estava arrepiado pela corrente fria que passava pelas janelas para o interior do quarto.
No mínimo uma meia hora passou com meu estômago roncando até que meu corpo cedeu e chegou ao ápice. Por fim, pude comer e Dylan não me provocou, respeitando minha reposição de energia. Porém, antes de sair do hotel, ele me comeu mais uma vez contra a parede só para não sujar seu terno e me deixou sentada no chão, cansada. Sorriu e me pagou, se despedindo enquanto eu me dirigia ao banheiro.
Tomei um bom banho e vesti meu corpete novamente, junto com a calcinha limpa (bem, calcinha eu sempre levava. Nunca se sabia quando o cara iria rasgá-la ou algo assim). Coloquei o sobretudo novamente e calcei as botas, arrumando-me na frente do espelho. Sete mil dólares. Sete mil dólares. Meu preço mais caro era cinco e ainda assim ele me pagou sete por ser a primeira vez. Porra, quanto ele pagava para quem já estava a mais tempo com ele? Cinquenta mil ou algo assim?
Roubei mais um morango na mesa e coloquei minha bolsa no ombro, saindo do quarto e descendo os elevadores. O ascensionista do dia anterior não estava mais lá e tinha dado um lugar a uma libanesa de cabelos maltratados e tingidos de loiro. Sem dizer nada, permaneci encostada na parece enquanto ela olhava para mim tentando não se denunciar.
Em dias naturais, para uma garota como aquela eu diria algo como O que foi? Nunca viu uma prostituta?, mas era quinta-feira vinte e um, eu estava atrasada mas não levaria uma dura do chefe por que eu tinha agradado Dylan Hall e merecia um dia pacífico com Shirley no Central Park!
De qualquer jeito, tomei cuidado com as ruas pelas quais andei para não correr o risco de ser roubada e por fim entrei na estação de metrô. Era quase uma hora e para o local que eu estava indo o metrô estava vazio. Olhando pela janela, encarei o escuro dos túneis pensando em quantas perguntas as meninas me fariam. E o que eu diria à elas? Hmm...
Bem, para começar ele tinha me feito me masturbar e implorar por seu membro. Depois usou vários brinquedos para me provocar e me fazer pedir ainda mais por seu pau. Por fim algemou minhas mãos e me comeu com força, me deixando de pernas abertas para o espelho. Depois daquilo ele brincou com a cauda de gatinho, colocando um plug anal junto e me fez andar de quatro pelo quarto para ver minha bunda em primeira mão.
Por fim o chupei (e como chupei) e ele me algemou à cama, deixando plugs em meus mamilos e clitóris enquanto eu me contorcia de prazer. O melhor foi ouvir sua voz grossa e intensa soltar um Ah, que se foda. Me chupe para eu poder te penetrar por observar meu corpo. Aquilo me serviu de estímulo e mais uma vez o chupei, desta vez empenhada em triplo para fazê-lo me penetrar mais uma vez. Foi a vez da espanhola e não muito tempo depois do prato principal. Então foram os três sofás, o chão, a cama, as duas paredes e a mesa. Então, sei lá? Depois de gozar duas vezes e ter um orgasmo, nós finalmente dormimos. E isso era o quê? Quatro horas da manhã, sei lá? Uma noite memorável.
Já podia ouvir os risinhos das meninas e Shirley se gabando que ela obteria mais detalhes sórdidos como o tamanho da bisnaga, como ela se referia. Minha estação chegou e saí do metro, voltando à luz do dia para adentrar no Baileys Irish Pub. Estava vazio mas eu podia ouvir um burburinho vindo do interior da Explicit. Adentrei na boate e me surpreendi ao ver uma enorme mesa armada no palco, onde todos se sentavam (uns nos colos dos outros para poupar espaço) e havia uma cadeira sobrando, provavelmente, para mim.
— Vocês planejam fazer um interrogatório comigo? — perguntei, franzindo o cenho enquanto apertava a alça de minha bolsa. Drica foi a primeira a se virar para me olhar e sorriu absurdamente.
— FAYE CHEGOU! — sua voz saiu estridente e alta enquanto a locomotiva rosa Shirley vinha até mim, como uma cara de você não me escapa.
— Faye, sua linda! Demorou tanto, nos deixou preocupados. — ela riu baixo, ajeitando a peruca morena. Às vezes ela trocava de cor. — Brincadeira, mas você demorou, bebê! Anda, anda! Está na hora de contar pra gente como foi! — exclamou, sem me dar chance de respondê-la. Empurrou-me para cima do palco e me sentou na cadeira com certa brutalidade devido ao seu estado de ansiedade.
Fui obrigada a rir e ela puxou sua cadeira da outra ponta da mesa para meu lado, olhando-me com seus olhos negros curiosos. Todas as meninas me olhavam. Até Bailey, Harry e Adam pareciam curiosos — mas o último se mostrava contrariado por não ter mais Shirley perto de si.
— Bem, vamos começar com a parte boa. — sorri, retirando o bolo de dinheiro que Dylan me entregara. — Sete mil dólares foi o pagamento, algo que ele considerou barato. — falei. Os olhos de Adam brilharam pensando na fortuna que poderia ganhar e as meninas se exaltaram.
— Eu quero também! — Aylah murmurou, parecendo triste de não ter sido escolhida.
— Mais sorte na próxima vez porque o bofe já é do meu bebê! — Shirley falou, cruzando os braços. Às vezes ela era muito protetora, protegendo até meus clientes de serem roubados.
— É Aylah, nem se engrace pra cima dele. — Rachel riu. — Você sabe muito bem o poder do salto quinze tamanho quarenta e três da Shirley. — sorriu. Aylah apenas mostrou a língua.
— Só estou dizendo que queria, não posso? — fez bico. — Ou você está se esquecendo do cliente da Apple, hein? Não foi você mesma que tentou furar o olho da Caroline?
— Opa, águas passadas. O cara da Apple só pagava bem mesmo, porque o tamanho da bisnaga, como diria nossa Srta. Shirley Prescott, não passava de uma torradinha. — Carol riu baixo. — De qualquer jeito, uma pena o cara ter morrido, ele era bem inteligente...
Sim, Caroline tinha pegado o Steve Jobs. Aylah apenas riu de Rachel que se lamuriou um pouco e a mesma foi abraçada por Elizabeth, a linda moça de olhos verdes e cachos negros.
— Não fique assim meu jasmim. Você sabe que me tem pro que der e precisar. — falou, roubando um beijo da mesma. Aquilo deixou Rachel corada e a xingando a rodos, fazendo todos na mesa rirem e a barriga de Adam balançar. Elizabeth e Rachel eram algumas das que exerciam função de prostitutas para mulheres também e Elizabeth sempre gostara de Rachel. Aquilo era recíproco mas Rachel nunca admitia. Seus pais mal falavam com ela pela profissão que ela exercia, imagina se ela comentasse que a tinha uma namorada?
Ainda assim o pub inteiro torcia para que elas ficassem juntas. Afinal, relacionamentos não eram proibidos nem nada contanto que continuássemos exercendo nossos trabalhos e não faltássemos nossos compromissos. Pigarreei assim que terminei de rir e todos se voltaram para mim.
— Aproveitando a deixa do tamanho da bisnaga, vamos colocar a bisnaga de Dylan Hall no tamanho baguete. — falei. Os olhos de todas as meninas se iluminaram. É claro que nenhuma delas estava imaginando um pênis de trinta centímetros, mas sim que o cara era bem dotado.
Jessie, Layla e Harry se entreolharam. Os três eram os apostadores do pub.
— Então, quem ganhou? — Adam perguntou, querendo saber de quem extorquir. Não que fosse uma extorsão maldosa, mas era sempre viável que dinheiro extra fosse para a caixinha de fim de ano da Explicit. Com aquilo, sua pose de Don Vito Corleone apenas se acentuou.
— Harry... — as duas murmuraram tristemente em uníssono, retirando cada uma vinte dólares da carteira e passando ao rapaz que sorria abertamente.
— Foi um prazer negociar com vocês, senhoritas. — falou, enquanto levava a grana para baixo da mesa e nada discretamente a passava para Adam, que recebia um olhar feio de Shirley.
— O que foi, meu bem? — perguntou, guardando as notas verdes dentro da camisa de bolinhas vermelhas.
— Nada não, Adam Cardarelli. — simplesmente fudeu pois Shirley nunca usava o nome completo de alguém, principalmente de Adam que ela sempre chamava de meu Marcello Mastroianni melhorado (quando não estavam a sós. Ela jamais o chamaria carinhosamente em público visto que não admitia que os dois eram felizes como um par de unicórnios coloridos comedores de açúcar). Shirley voltou seu olhar para mim e sorriu. — Pode continuar, bebê.
Ou Adam iria morrer ou simplesmente não iria tocar na minha irmã de guerra tão cedo. Eu apostava que a segunda seria a mais agoniante para ele depois de eles finalmente terem dado o primeiro amasso durante o milésimo encontro — algo que, curiosamente, ocorrera na mesma noite em que Dylan tinha me procurado.
— Enfim... Vamos aos detalhes que vocês querem. — falei, deixando de lado a visão de Adam preocupado com seu estado. Contei a eles tudo o que eu havia revisado no metrô e mais algumas vezes Aylah reclamou de não ter sido escolhida. — Bem, acho que foi isso. Tudo correu bem e, pelo que parece, tem grandes chances de nos vermos outros vezes.
— Ain, bebê. Que sorte que você tem de ter um macho alfa gostoso que te trata bem, te dá prazer e ainda te paga bem, mostrando que não é avarento. — Shirley sorriu. Todos na mesa fizeram um ai em conjunto pois a indireta doeu no fundo do peito.
— É... muita sorte mesmo... — murmurei baixo, rindo sem graça. Como que para aumentar o momento tenso, uma menina de mais ou menos dezoito anos entrou pela porta do pub. Seus cabelos castanhos caíam pelos ombros e os olhos pareciam surpresos. Franzi o cenho. Ela era alguma nova contratada que eu não conhecia? Afinal, eu verdadeiramente não conhecia todos da Explicit. Aqueles eram apenas as pessoas com as quais meus horários batiam.
— Adam, Adam! — exclamou ofegante, trazendo nos braços um exemplar do New York Times. Ela era jovem demais para estar ali então o que teria acontecido em sua vida para ela precisar se prostituir? — Veja o jornal! — exclamou.
Todos a olharam espantados por sua afobação. O que teria no jornal? Ela jogou o exemplar sobre a mesa e Adam a olhou.
— Amelie, o que está acontecendo? Para quê esta afobação toda? Até parece que a polícia fez uma revista em Chinatown e achou o que aqueles chineses, japoneses ou sei lá o quê fazem com aquelas comidas asquerosas. — murmurou, por fim olhando o jornal. Adam ficou de olhos arregalados, tão surpreso quanto Amelie e piscou algumas vezes.
— Não pode ser... — murmurou. Harry franziu o cenho e tomou a frente enquanto as meninas ficavam inquietas.
— O que foi, chefe? — perguntou, inclinando-se para o lado e tentando ler a manchete.
— Courtney morreu. — falou. Embranqueci com aquilo. Como assim Courtney morreu?
— Morreu? Mas como? Quer dizer, por que a morte dela sairia no jornal? — Drica perguntou, parecendo assombrada e desacreditada. Courtney tinha sido uma espécie de mãe para todas nós. A maioria de nós era de um mesmo recrutamento para trabalhar no pub, então Courtney, que era mais velha, nos deu conselhos e nos ajudou a aceitar nosso trabalho.
— Parece que ela foi assassinada. Tentaram testar drogas nela... — Adam lia a materia vorazmente, pasmo. Courtney deveria der uns trinta e cinco anos e tinha saído apenas por achar que merecia ganhar mais quando seu trabalho não rendia muito. Foi uma perda enorme e não a víamos há três meses.
— Assassinada? Por que fariam uma crueldade destas com ela?! — Elizabeth se exaltou, abraçando Harry enquanto lágrimas escapavam de seus olhos.
— Ela disse que ia trabalhar por si mesma... — murmurei baixo, recolhendo o bolo de dinheiro (depois pagaria a Adam os 30%). — Talvez...
— Talvez tenha pego o cliente errado. — Shirley completou, pousando a mão em meu ombro. — Meninas, vocês bem sabe como o trabalho de vocês é mal visto e perigoso. Coisas assim não são novidades, apenas ocorreu de ser com alguém próximo de vocês. — suas palavras eram frias, sem combinar com sua personalidade. Entretanto, entendia o porquê de sua dureza. Era mais fácil acreditarmos que era apenas um acaso e torcemos para que realmente fosse.
— Realmente, isto é um golpe duro... — Adam murmurou, suspirando. — Meninas, vocês têm uma hora para se arrumar. Faye, vá ao meu escritório assim que puder. E por favor, não fiquem preocupadas com isso. É realmente uma perda mas não temos como reverter o que ocorreu. Courtney decidiu trabalhar por si própria.
Todos nos levantamos em silêncio e cada um foi a seus afazeres. Tomei um banho quente no vestiário e coloquei uma roupa comum que estava em meu armário, indo até o escritório de Adam para pagar a ele. Diferente da costumeira teatralidade, ele estava calado.
— Sabe, sempre gostei de Courtney. Ela era uma boa empregada e uma boa amiga. — declarou, enquanto eu me sentava em uma das cadeiras.
— Ela era como uma mãe para todas nós. — falei, colocando o dinheiro em cima da mesa. — Sentiremos falta dela. — suspirei profundamente.
— Sim... Bem, vamos esquecer isto por hora. Temos um dia cheio pela frente. — murmurou, abrindo a gaveta onde ele guardava o dinheiro antes de depositar. Entreguei a ele a quantia necessária e ele a guardou. — Ah, tenho um pedido a lhe fazer. Amelie estava sob os cuidados de Courtney enquanto ela trabalhava aqui, mas elas continuavam se encontrando para que ela aprendesse mais. Courtney tinha se comprometido com isso... Gostaria que assumisse isto.
Concordei com a cabeça, sem questionar. Aquilo era uma tarefa fácil que não atrapalharia meus compromissos e ainda ajudaria uma menina a se sustentar, assim como Courtney tinha feito por mim.
— Claro, tomarei conta dela. — falei. — Estou liberada?
— Sim. — concordou. Saí de sua sala e voltei ao vestiário. Tinha ficado desanimada depois daquela notícia, mas precisava deixar aquele desânimo de lado para trabalhar direito. Vesti um dos figurinos disponíveis e a noite passou como um borrão. Na verdade, tudo passou como um borrão.
Durante a semana o desânimo pela notícia da morte de Courtney passou e tudo voltou ao normal. Logo a expectativa de receber uma chamada de Dylan aumentou, mas apenas duas semanas depois aquilo ocorreu. Quantas vezes foram? Três, quatro? Não sabia. Diversos encontros prazerosos aconteceram até eu acordar numa segunda-feira chuvosa com uma mensagem de Jeff.
Onde você está? O que têm acontecido? Por que não tem me visto?! Faye, responda! Estou preocupado!
xxxJeffxxx
Ignorei aquilo, raivosa por ter meu sono interrompido e novamente, tudo passou como um borrão. Quando tomei consciência, já estava no pub trocando de roupa quando Rachel entrou ao lado de Shirley.
— Vocês viram a Drica? — perguntou.
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