[HIATUS] Mudanças impuras
21 Revelações soturnas
Notas iniciais
Um pouco mais que duas horas da madrugada...
Lavínia olha para o abajur ligado e depois para cada canto do quarto que ele clareia precariamente. Está nua e com resquícios de sexo em todo o corpo. Não tem ainda forças físicas ou psicológicas para se levantar, para ir à suíte e se assear. Ela sorri e chora ao mesmo tempo, sentindo um aperto no coração, por causa de uma sensação deleitosa e igualmente angustiada. Submeteu-se a agir como uma meretriz ávida por dinheiro. Porém, no caso dela, atuou inutilmente como uma garota usando seus atributos de beleza para obter informações. Sabendo ser o seu carcereiro um homem habilidoso, dispôs-se a ser duplamente dissimulada e persuasiva. Não obteve o “sucesso” que de fato desejou conseguir, pois sua acirrada vontade a trapaceou além do que previu e, contrariamente a isso, revelou-lhe uma desaforada realidade, a de Henry ser mais peculiar e intrigante do que supunha, a princípio, e de ela estar completamente envolvida por este homem. Pior foi ter escutado revelações terríveis e aos pedaços, pois ele obviamente deixou de dizer algo muito importante e o dito junto com o não-dito formou um acervo macabro, para atormentá-la em dobro. Por culpa da obsessão vingativa dele e de seus segredos, ela teme ser arrastada por caminhos que lhe podem acarretar apenas desilusões e, no futuro, uma vã aspiração de retroceder no tempo, de desfazer o feito.
Mais cedo, às dezoito horas da noite...
Frida surge no quarto, com a costumeira bandeja nas mãos. Seu semblante parece tenso, mas se faz de tranquila. Ela veste algo novo e menos sombrio, se comparado ao que sempre usa. Está elegante em um modelo senhoril e, ao mesmo tempo sofisticado, pois traja uma blusa bege de tecido macio, fino e liso, com babados discretos na gola oval, uma saia de mesmo tom, alinhada, ultrapassando os joelhos e uma sandália de cor marrom-claro, tipo ortopédica, mas bonita e sutil. Os cabelos estão perfeitamente presos na nuca, por uma fivela áurea, exibindo nas orelhas os brincos de pérolas legítimas. Há algum pó em seu rosto e até um pouco de blush para dar coloração às faces macilentas da senhora.
— Lavínia? Onde está você? Vim trazer sua janta. — Ela quer conferir se a garota está bem e conversar um pouco.
— Aqui! — grita a loira lá do outro compartimento.
Frida dá mais uns passos e a encontra sentada no banco alto em frente à tela de papel, que está pendurada no cavalete. Há um pincel em sua mão direita, que é seguidamente abastecido de tintas aquarela, quando necessário. Ela está com parte dos cabelos presos no alto da cabeça, por um pincel comprido e fino, concentrada, desenhando um rosto, com traços característicos e facilmente identificáveis. Lavínia interrompe sua tarefa artística, olha para trás e sorri.
— Nossa! Você tá bonita! Vai a uma festa? — É sinceramente simpática, o que comprime o coração da senhora, com a demonstração de docilidade.
Frida observa o bonito sorriso da jovem e, por uns segundos, sente-se como se o tempo tivesse voltado e estivesse diante de Abigail. Ela respira com calma e tenta manter a concentração.
— Obrigada e... não, não vou a uma festa e sim a uma igreja rezar... por todos nós. — Seu tom de voz faz Lavínia ficar um pouco acanhada.
Frida aproxima-se para confirmar o que vê na tela e respira longamente, ao constatar que se trata de uma pintura da face de Henry.
— Não faça isso, Lavínia... Escute o que tenho a dizer. — senta-se no sofá presente ali e chama a atenção da moça.
— Do que está falando? É só uma pintura... Só isso! — Lavínia vira-se para fixar os olhos diretamente em Frida com ar de desinteresse. — Ele tem um rosto... bonito e fácil de desenhar.
— Não tô falando da pintura, menina. Eu quero dizer que o quer que você tenha planejado fazer para dobrar Henry ou enganá–lo... sei lá... não vai adiantar de verdade. Tudo o que vai conseguir é sair mais machucada. Por isso, eu peço que você o mande ir embora assim que ele vier te ver. Faça-o ficar longe de você! — Frida parece firme em suas palavras e até um tanto severa.
— Tudo bem, Frida. Não se preocupe. Ele não me en-engana mais. Eu sei que ele tá só me-me usando, mas eu também posso. Eu vou fazer o mesmo com ele... Vou usá-lo em meu benefício! — Lavínia anuncia, altiva, para total desolação de Frida.
— Pra quê, Lavínia? Pra você o ouvir dizer, com a própria boca, o que eu já te disse? Ele não vai matar o seu pai! É pra saber isso que você quer usá-lo? — levanta-se e põe gentilmente a mão sobre a cabeça aloirada. — Você não pode medir forças com Henry, meu bem. Não tem a menor chance contra ele. Ele sabe tudo o que há para saber e... você não sabe nem a metade. É melhor assim, porque o que você não sabe, não pode te afetar.
— Tá certo, Frida... Vo-você tem razão, não sei tudo o que há para saber... e nem sei se quero saber. Mas eu preciso. Eu preciso! Eu tô aqui, presa... O que mais posso fazer? Às vezes, penso que eu vou enlouquecer! — Lavínia levanta-se também e demonstra claro nervosismo. — Eu pago o preço que ele co-cobrar... Mas eu quero saber... o porquê de tudo isso... e o que diabos eu tô fazendo aqui! Não me julgue, Frida! Se não po-pode me ajudar, ao menos não me condene. Ou é você quem vai me dizer o que eu quero saber? — lança a pergunta com ar de desafio e queixa.
— Não. Por mim, você nunca teria vindo pra cá ... e nem estaria passando por nada disso. Mas, neste momento, o que mais me assusta é a sua reação, quando descobrir o que tanto quer. Por que você não deixa isso quieto, menina? Você não vai ficar presa aqui pela eternidade. O que tem a fazer, nesta etapa da sua vida, é só esperar e se manter longe de quem te trouxe pra cá... porque ele vai ter que deixar em paz uma hora, mesmo que não queira. — A postura, bem como a voz de Frida são tão assertivas, confiantes do que anunciam, que Lavínia suspeita de algo que não sabe o que é.
— Por que ele vai ter que fazer isso? Por quê? — Ela se exalta um pouco e obtém como resposta o silêncio profundo de Frida, que passa a olhar o chão. — Tá vendo? É disso que eu tô falando... Ele é quem irá me dar algumas respostas e ninguém mais. Portanto, eu repito... se não vai me ajudar, não me condene!
Frida fica espantada com tamanha semelhança que visualiza agora entre Lavínia e Henry, ambos obstinados e sem querer ouvir nada que os impeça de seguir com seus loucos planos, mesmo que tal atitude os conduza apenas a arrependimentos vindouros. A senhora percebe que seria inútil tentar fazê-la mudar de ideia, portanto, desiste e respira fundo, expressando resignação. Encaminha-se à saída, mas volta-se um instante.
— Acredite, neste momento não sou eu ou Henry quem a está condenando... Agora é você mesma quem está fazendo isso! — Frida diz com voz séria e se retira, deixando Lavínia triste e pensativa.
Minutos depois, Frida e Henry saem no carro rumo à tal igreja escolhida pela senhora, enquanto Lavínia trata de se produzir da melhor forma possível para seduzir Henry e persuadi-lo a lhe dar o que ela quer. Ela toma banho, escova os dentes, depila-se rápido, pois afortunadamente tem escassos pelos. Passa hidratante corporal, perfuma-se, escova os cabelos para que estejam iluminados e soltos. A intenção é que o penteado fique um tanto “selvagem”. Maquia-se com esmero, caprichando nas sombras dos olhos, para enfatizar o belo tom violáceo, e no gloss labial, a fim de tornar os lábios mais atraentes. Passa à escolha do traje. Abre o guarda-roupa e remexe no que há ali, em busca de algo insinuante e provocativo. Para sua surpresa, acha em meio às peças dobradas, um vestido preto muito bonito, de puro algodão, extremamente sexy, embora seja um tanto jovial. Na parte superior do corpo, há duas tiras largas que se vão afinando e se colando à pele até se unirem por duas espécies de ganchos acrisolados com pequenos pontos de strass brilhantes, que se entrelaçam atrás do pescoço, expondo completamente os braços e as costas lisas e alvas. Da cintura para baixo, o vestido ganha movimento com um franzido suave e exibe, em parte, as pernas, brancas e torneadas. Ela calça uma sandália de salto alto em cor prata, com faixas fininhas e alisadas, de couro escuro, que rodeiam o pé e se prolongam acima dele, abrangendo uma pequena parte da canela. Opta por não usar adornos adicionais como brincos, pulseiras ou colar, pelo simples fato de não encontrar nada que combine com as vestes escolhidas. Pensa que está bonita, pois, na realidade, não tem noção do quanto está voluptuosa, mas supõe que Henry vá apreciar sua aparência.
Terminada toda a hiperprodução, ao estilo Mata Hari, a loira, ansiosa, apenas se senta na cama e espera, enquanto tenta acalmar os nervos, respirando fundo várias vezes.
Assim que volta para casa, após deixar Frida na igreja, Henry vai direto ao seu barzinho improvisado, pois sente necessidade de tomar uma dose de uísque. Ele está esperançoso, um pouco impaciente e bastante curioso para saber quais indagações que Lavínia lhe fará e o que será capaz de fazer para obter tais respostas. A reação que a loira teve, quando a beijou mais cedo, foi no mínimo inusitada, admirável. “Será que está gostando mesmo de mim? É possível que eu tenha alguma chance de ser aceito apesar de tudo? Ela é tão ingênua e delicada. Tão absurdamente correta!” Fazendo estas suposições, Henry atravessa a sala e sobe as escadas, em direção ao cômodo dela. Já consegue imaginá-la com expressão envergonhada e arrependida de ter proposto que ele lhe fosse ver depois. Certamente estaria, neste instante, com receio franco de que venha a forçá-la a fazer coisas indecentes e é provável que o afugente, assim que colocar os pés em seu quarto. Considera um charme o seu recato e ri deste pensamento, pois está ciente de que, por mais que tenha vontade, não a obrigará a fazer mais nada do que ela mesma não queira. Esta é uma decisão que ele tomou, desde quando Frida os encontrou, nus, na cama e teve que arrastá-la e prendê-la novamente em seu quarto. Aquilo, sim, pareceu muito errado. Tal atitude drástica o obrigou a encarar o fato de que ela precisa de tempo e tranquilidade para entender os próprios sentimentos com relação a ele, mesmo não tendo ciência do que é mais grave. E se deseja algo além de sexo, terá que manter o controle por um tempo.
Ao abrir a porta, Henry abisma-se ao encontrar Lavínia em pé, à frente da cama, totalmente arrumada, como se fosse a uma casa noturna.
— Uau! Ondes estão as luzes e o som da festa? — Henry indaga, mas sem transparecer de imediato gosto ou desgosto ao que vê.
— Eu só me a-arrumei um... pouquinho... para agradar você. Não gostou? — A loira anuncia fazendo voz sensual, embora o nervosismo esteja presente.
— Para me agradar? — Ele fecha a porta com certa brusquidão, desviando os olhos dela e respirando pesadamente. Agora, sim, é evidente a sua postura um tanto adversa. Lavínia desconsidera tal fato, já que está tentando não fugir do papel ao qual se propôs a cumprir.
— Isso mesmo... Então, gostou? — dá uns passos adiante e rodopia fazendo o franzido da veste voar para os lados, mostrando mais as pernas lisas e bem feitas, exibindo um sorriso travesso e fingido.
— Gostei, gostei até demais. Você está... bem ousada, esta noite! — proclama, num entusiasmo também falso. Retira do bolso o isqueiro prateado e o maço amarrotado de cigarros, extrai dele uma unidade e o põe entre os lábios, acendendo-o a seguir, enquanto se encosta à porta fechada, contemplando Lavínia de modo apático, um tanto grosseiro.
— Você fuma? — Lavínia admira-se por vê-lo fumar e perde um pouco a concentração. Busca rememorar as palavras ensaiadas, mas elas parecem não querer vir facilmente, por conta do nervosismo. Então respira fundo e obtém energia para prosseguir. — Ah! Se bem que eu desconfiava... Bom... Quanto ao vestido, é que eu o achei... dentro do guarda-roupa... e senti vo-vontade de usá-lo... porque... porque...
— Porque quis me agradar. — Henry completa, irônico, soltando baforadas no ar, observando-a dos pés à cabeça. “O que, diabos, ela pensa que tá fazendo?”. Fica mesmo incomodado por vê-la compor uma interpretação de mulher propositalmente oferecida.
— É! É... sim, mas também porque... se ele estava lá, então era um sinal de que vo-você queria... me ver vestida nele. Certo? E... eu fiquei muito bonita, não acha? — Lavínia vai-se aproximando dele, aos poucos, ao passo em que fala de forma meiga e provocativa.
— É verdade que eu gostaria de vê-la neste vestido. Eu o comprei com essa intenção, mas não foi exatamente assim que imaginei. — abre os braços, referindo-se ao fato de estarem trancados em um quarto. — E sim... Eu diria que você ficou um exagero de bonita. — Mais uma vez, parece mordaz.
— Mas você... quase nem olhou. — Lavínia imita uma feição infantil de queixa, achegando-se mais a ele, manhosa.
Henry desencosta-se da porta e fica a centímetros dela.
— Claro que olhei. Não tem como não olhar. Mas vamos ver se eu entendi direito. Você tomou um banho de perfume, maquiou-se em excesso e colocou um vestido sensual... Tudo isso só para me agradar. Acertei? — aspira o ar ao redor do corpo dela, olhando-a com expressão um tanto enjoativa. Lavínia começa a se incomodar com o comportamento estranho dele, porém, apenas acena positivamente com a cabeça e ele continua. — Ótimo! Agora estou intrigado para saber o que mais pode fazer... para me agradar.
— O-O que você... quiser. — Por mais confiança que a loira queira transmitir, suas palavras terminam soando bem inseguras.
— Pode começar não gaguejando tanto. — Henry solta a fumaça do cigarro no rosto de Lavínia, obrigando-a a virar a face para o lado, ao sentir ardência nos olhos e vontade de tossir.
— O que... mais? — Ela fala entredentes, começando a entrar no clima de afetação dele.
— Hum! Deixe-me pensar. — caminha em volta dela, fumando e analisando-a meticulosamente, como se fosse um móvel qualquer, que precisasse decidir entre comprar ou não. Afasta-se e se senta na poltrona, localizada à frente da cabeceira da cama. Impõe uma postura ereta e formal, semelhante à de um integrante de um júri técnico de avaliação de desempenho artístico, cruzando as pernas, enquanto continua a dar tragos no cigarro, com ar de marasmo. — Quero que dance e tire o vestido. — Enfim, determina.
— Co-Como? Tirar o... vestido? — O susto a faz esquecer-se do disfarce de espiã sedutora.
— E que dance. — diz, enfático, como essa fosse a parte mais importante.
— Nem há música aqui. Mas você... po-pode fazer outro pedido... E-Eu posso te dar... um beijo... se quiser. — persiste na encenação, embora a ansiedade realmente já a atrapalhe muito.
— Igual ao que me deu mais cedo? — pergunta, semifechando os olhos.
— Sim. — Lavínia anima-se com a possibilidade de permanecerem só na base dos beijos. Ela pensa que o aparente desinteresse pode significar que ele esteja cansado.
— Não, obrigado. Prefiro que tire o vestido e deixe a dança para outra ocasião. — continua de olhos semicerrados, esperando sua reação. Porém, após uns segundos, mostra-se enfadado. — Quer saber? Isso tá ficando muito chato! É melhor esquecermos essa bobagem, não é? Você permanece vestida e eu não a perturbo mais. — levanta-se e caminha à porta como se estivesse decidido a deixar o recinto.
— Henry! Eu faço... Eu faço! — Lavínia reúne toda a coragem que possui para falar.
Henry, então, apenas respira mais uma vez, volta e se sentar, na mesma posição, exibindo expressão impassível e imaginando até onde ela aguenta ir.
Ela respira com dificuldade, pelo intenso nervosismo, demora uma eternidade para se mover e, por fim, com forçoso controle dos movimentos, fica de costas para ele, sobe as mãos até alcançar os pequenos ganchos com strass que prendem o vestido ao seu corpo, pela nuca, soltando-os e fazendo a veste escorregar vagarosamente e ir parar no piso, rente ao seu salto. Está divina, porém "falsa". Ela tenta ainda controlar os tremores devido a ânsia, mas é quase impossível. Evita olhá-lo diretamente, enquanto se volta para ele, expondo-se mais, pois está agora apenas de calcinha de renda preta e com a sandália de salto alto. Admite para si que é muito vergonhoso estar seminua diante de alguém que a observa de modo tão analítico e petulante.
— Deite-se na cama. — Após um par de minutos, ele ordena simplesmente.
— Hã? — Ela fica confusa.
— Eu disse... Deite-se na cama! — Henry altera o tom de voz e passa, em segundos, de abusado para inteiramente estúpido. “Agora sim ela desiste dessa interpretação idiota.”, articula para si mesmo, ao vê-la chocada por causa da sua ordem grosseira.
Lavínia, mesmo estando completamente assustada, obedece. Dá dois passos para trás, senta e vai aos poucos se acomodando na cama, sem olhar para ele em momento algum. Gasta mais minutos nessa tarefa árdua. Henry olha incredulamente para a cena, porém, decide manter a linha de dominador sádico e exigente.
— Agora quero que tire a calcinha e abra as pernas. — ordena em voz clara e decidida, ao passo que afasta o cigarro do canto da boca, soprando e expelindo mais fumaça.
Ela contempla o teto do quarto e sente como se fosse explodir, seu peito sobe e desce rapidamente, por tamanha aflição. Esse é o seu limite, se o ultrapassasse, haveria o forte risco de se tornar outra pessoa, agredindo seriamente a sua própria essência, o seu comportamento natural, ou seja, seu modo de ser e de existir no mundo.
— Não... — A voz dela surge como um sussurro enfraquecido.
— O quê? Fala alto! Eu não ouvi. — Henry joga a bituca do cigarro de lado, levanta-se e se aproxima da cama, sem desviar os olhos da expressão atormentada dela.
— Eu...não...posso... fazer isso. Não... desse jeito. — ergue as mãos e cobre o rosto para tapar o soluço e encobrir as lágrimas que escorrem involuntariamente. — Eu... Eu não sou assim!
— É mesmo? Ah, que bom que descobriu! Então pare de fingir ser quem você não é! Por que está agindo assim, vendendo uma imagem que não combina com você? — Ele pega o vestido do chão, senta-se na cama ao lado dela e lhe cobre o corpo com o traje escuro.
— Porque acho que... de outra forma...vo-você não vai me dar o que eu quero. — Lavínia anuncia de forma amuada, ao passo que ergue o corpo, segurando o vestido, para ficar sentada, encarando-o de viés.
— Céus! E o que é que você quer? — pergunta, impaciente, já imaginando a resposta.
— Que você... me conte tudo! Sobre o que o meu pai... fez no passado. Quero saber toda a história... por que você o odeia tanto, e não venha me dizer que é só porque ele provocou o... suicídio... do-do seu pai. Quero saber o que pretende fazer... que tipo de vingança está planejando. — olha-o, meio eufórica, enquanto lança todas as perguntas que vem à sua mente.
— Terminou? — Henry levanta-se e se afasta um pouco, passa as mãos pelos cabelos e bufa de pura impaciência.
— Não! Eu quero saber...ta-também por que você me... sequestrou. — Lavínia também se levanta suspendendo o vestido sobre os seios para cobri-los, anda até ele e fica perto o suficiente para mirá-lo nos olhos, com expressão de súplica. — Eu quero que me dê a verdade!
— Nunca te disseram para ter cuidado com o que você deseja, porque você pode conseguir? — Henry sente vontade de calá-la com beijos e fazê-la esquecer-se do maldito interrogatório, porém, sabe que seria inútil, ela continuaria insistindo, pois é óbvia a sua personalidade tão teimosa quanto a dele. Assim, ele apenas retira do bolso o celular, observa a hora e o devolve ao mesmo local, aparentando nova indiferença à sua solicitação lamuriosa.
— Olha como o tempo passa rápido! A nossa sessão conversa entediante acabou. — anuncia, já se encaminhando para a porta.
— Henry! — grita, pasmada, por ter feito tudo o que fez somente para que ela a deixe, sem ao menos uma única resposta.
— O quê? Quer que eu me esqueça de ir buscar a Frida na saída da igreja? Seria engraçado vê-la perdida, por horas, entre aquelas velhas e antipáticas carolas. — ri, sarcástico, mas em seu íntimo está tentando prever qual a melhor solução a tomar. Então, volta a olhá-la com seriedade. — Está bem. Não durma cedo. Eu volto bem mais tarde, quando eu tiver certeza de que Frida não nos incomodará.
Lavínia respira, aliviada, observando-o sair e trancar a porta por fora, enquanto decide que é melhor trocar de roupa e lavar o rosto, e voltar a ser ela mesma.
Duas horas de expectativa começam a deixar Lavínia desestimulada, imaginando que Henry havia mentido ao dizer que voltaria. Neste tempo de espera, ela traz para a cama um livro, na intenção de dar sequência à obra literária de narrativa romântica que começou a ler. Mas, sem suficiente concentração para tal, acaba sentindo sonolência e, após alguns minutos, ela cai no sono.
Henry termina de tomar seu banho. Sai da suíte, com a toalha enrolada na cintura. Pega o celular de cima do criado-mudo e vê que são onze horas. Assim, supõe que Frida já esteja dormindo e não irá atrapalhar sua conversa com Lavínia. Ele compreende que não há outra solução, terá que soltar mais informações sobre os dramas do passado ou somente agravará as coisas entre eles, através do silêncio perturbador. No entanto, sorri, ao se lembrar dela com o vestido preto que comprou por impulso, há pouco tempo, antes de trazê-la para a casa, por imaginar ambos num restaurante caro e elegante, onde estariam como um verdadeiro casal de namorados e ela chamaria a atenção de todos os homens presentes, que se mostrariam invejosos, por estar consigo a mais bela mulher. Enquanto busca, no guarda-roupa, uma boxer e a calça moletom que, às vezes, usa para dormir, pois prefere mesmo dormir só de cueca, ele encontra um preservativo, mas tenta ignorar. Veste a cueca e a calça. E, de repente, sem querer pensar muito, pega a camisinha e coloca-a no bolso do moletom. Busca a chave e sai, rumo ao quarto dela. Ao chegar, encontra-a deitada na cama, dormindo, com um livro sobre o ventre. Um dos braços está caído, ao lado do corpo, enquanto o outro encontra-se rente à face acalmada. Ela veste uma camisa branca com detalhes de renda e botões transparentes e uma saia jeans azul, não muito curta e simples. Agora é a mesma garota linda e autêntica que ele admira. Por isso, sorri contente e se aproxima devagar a fim de não acordá-la de imediato. Remove o livro que está sobre ela e o põe no criado-mudo. Senta-se, com cuidado, na cama e vai-se achegando cada vez mais, até tocar os lábios dela com os seus, num roçar leve.
— Hum... — Lavínia acorda.
— Te assustei? — fala em tom rouco e gentil.
— Você veio! — está tão feliz que ele tenha vindo que nem demonstra incômodo pelo fato de ter sido acordada com um beijo. Ela ergue o tronco, querendo recostar-se na cabeceira da cama, e acaba quase topando de novo com a boca de Henry, tentando-o ainda mais, sem perceber.
— Isso mostra que eu cumpro o que prometo. — Henry declara, tentando beijá-la outra vez.
— Não! Não foi pra isso que te chamei aqui... Foi... para conversarmos. — empurra-o com as mãos e vira o rosto para o lado, enquanto ele segue acariciando seu pescoço fino com os dedos, mantendo um sorriso ditoso preso aos lábios.
— Jura que não quer continuar tentando me seduzir e me... agradar? — Ele a olha perscrutado sua reação e fingindo seriedade.
— Funcionaria? — pergunta, em raiva contida.
Henry aproveita que ela está vulnerável e esperando sua resposta e a beija repentinamente, mas esta carícia é tão rápida que mal consegue experimentar o sabor da boca bem desenhada.
— Não. — anuncia em alto e bom som, soltando-a e lhe sorri, espontâneo.
— Então, vamos... só conversar. E pare de me enrolar! — pede exibindo uma expressão séria.
Através de um suspiro pesado, Henry demonstra algum cansaço, mas ele apenas senta-se novamente na cama, sabendo que o momento de liberar mais verdades cruas havia chegado.
— Eu não sou um assassino, Lavínia. Portanto, não precisa se preocupar porque eu não vou matar o seu pai. A única coisa que eu vou fazer é mostrar o quão covarde, paspalho e sórdido ele consegue ser... quando não resiste a tentações. — Seu tom reverbera um tanto enlevado.
— O que vo-você vai fazer? — Ela se exaspera um pouco.
— Eu? Nada. Ele que fez... e se saiu muito bem. — declara enigmaticamente.
— Do-do que você está falando? — O tom de voz estrídulo já se faz presente.
— Não interessa! A questão crucial não era saber se eu mataria ou não o seu pai? Agora você sabe. Pronto! Questão resolvida. — solta as palavras movendo-se para levantar-se, mas Lavínia o puxa pelo braço impedindo-o.
— O que mais ele fez... para me-merecer isso além de ser o responsável indireto pela... morte do seu pai? — lança a pergunta e o encara intensamente.
— Ele matou a Abigail. Ele a matou de todas as formas que se pode matar alguém. Ele a seduziu, fez com que ela abandonasse a família para ir morar em um cubículo... um apartamento ínfimo, onde ela esperava pacientemente o dia em que ele a assumiria... ou melhor, deixaria a esposa por ela. O que nunca aconteceria! — irrita-se, enquanto relembra os fatos. Sente vontade de fumar outro cigarro, mas lembra que deixou a cartela e o isqueiro no seu quarto, então, apenas se levanta e passa a caminhar pelo recinto, de um lado para o outro.
— O que houve com sua mãe? Co-Como ele... a matou? — Lavínia começa a ficar apavorada.
— Ele a engravidou e... quando o bebê nasceu, ele simplesmente o levou, deixando-a só, sem sonhos, sem esperanças de um futuro juntos. Ela não aguentou o abandono e se jogou do sétimo andar... daquele maldito prédio. Disseram que ela ficou lá, caída no chão frio, por duas horas seguidas... até chamarem a ambulância e os médicos legistas. Ninguém a ajudou! Ninguém se importou! — Não consegue impedir que seus olhos fiquem lacrimosos, porém, continua encarando-a sem desviar-se. — Só soubemos do ocorrido porque a Frida costumava ir vê-la, mesmo contra a vontade dele, e coincidentemente, ela foi visitá-la no dia seguinte ao ocorrido e os vizinhos contaram o que houve. Do nada, o enterro foi pago e todos os procedimentos padrões acertados. Aquele infeliz fez questão de terminar seu trabalho enterrando-a e desaparecendo das nossas vistas, para ser apenas o empresário bem-sucedido, o marido amoroso e fiel, assim como o pai dedicado.
Lavínia fica processando tudo, sem crer no que lhe foi relatado. Ela verte lágrimas pesadas e silenciosas, ao passo que o observa de forma dolorosa.
— Que coisa horrível! — põe mão sobre a boca para abafar um soluço e depois dirige um olhar aterrador para ele. — Ah! Meu Deus! Eu não posso acreditar que meu pai tenha feito algo tão ruim. Tão maldoso. Espera! Você disse que a Abigail te-teve... um filho? Ela teve um... filho do meu pai?
Desgostoso frente a este diálogo, Henry apenas comprime os olhos por uns segundos, ergue-se da cama e acena positivamente, esperando mais perguntas, certo de ela não estar preparada para ouvir tudo.
— Henry, onde está... esse bebê? Vo-Você sabe onde... está? — Também se levanta e caminha até ele, segura-o pelo braço, solicitando que a olhe de novo. Porém, um pensamento agourento passa por sua mente, deixando-a mais aflita. – Ou ele... também mo-morreu? Por favor, Henry, se sabe mais coisas... diga! Eu imploro!
— Sobre isso, vai ter que perguntar ao seu querido pai... assim que voltar a vê-lo. — replica com alguma frieza em sua voz.
— Não faz isso comigo, Henry! Por que não me conta logo... toda a verdade? — Ao observar uma expressão vacilante nele, como se estivesse evitando olhá-la diretamente, um novo pensamento lhe chega à mente. — Até parece que você tá... com medo de alguma coisa... O que é? O que você teme? — cria coragem, prende o rosto dele com as mãos e o força a olhá-la. — O-Olha pra mim e fala! Não adianta se calar porque... eu vou descobrir... mais cedo ou mais tarde.
— Então... que seja mais tarde! — Subitamente, Henry a envolve com os braços e a beija, desconsiderando todos os protestos que ela inicia assim que se vê aprisionada ao corpo forte. Suga-lhe os lábios com intensidade, arrancado-lhe suspiros ofegantes, fazendo-a ter a sensação de que o quarto está girando ao redor deles. Num esforço gigantesco, porém, ele interrompe a carícia e respira várias vezes tentando, em vão, não ficar excitado. — Ah! Mais que droga! Eu prometi a mim mesmo que não te obrigaria mais a nada, mas isso tá muito difícil... porque basta estar perto de você pra eu ficar assim. — encosta-se muito nela para que sinta sua ereção e entenda claramente o que ele está dizendo.
A loira fica entontecida, olhando-o como quem pondera o benefício de cometer uma tentadora loucura.
— Então... não me obrigue... — Lavínia manifesta, com dificuldade, pois também está dominada por forte excitação. Seus hormônios gritam e a libido a toma bruscamente. Ela ergue o corpo para se achegar a centímetros da face máscula, olhando-o, arrebatada. — Apenas... faça.
Surpreso, mas maravilhado, Henry entrega-se de vez à sua vontade, sem pensar em nada além de saciar tal cobiça. Beija-a com deleite e experimenta o coração bater acelerado, pela vontade de possui-la. Sob o ritmado e lascivo som proveniente da troca de salivas e carícias apaixonadas, ele a segura firme e a conduz à cama, ao passo que explora os recantos já conhecidos da boca amada, invadindo-a com a língua sequiosa, querendo captar seu gosto, a sua textura e a sua capacidade inesgotável de agradá-lo. Sem deixar de lhe acariciar, lembra-se do preservativo em seu bolso, retirando-o e mostrando-o a ela, que assente beijando-o como sinal positivo de que pode prosseguir. Desta forma, ela se deixa levar pela emoção do momento e é mais ativa do que nunca, pois enquanto ele lhe tira a blusa, ela mesma despe a saia. Com sofreguidão e vontade de tê-lo dentro de si, também tira logo a calcinha e o ajuda a se livrar do moletom e da cueca, expondo o membro rígido e latejante, o que a faz experimentar frissons invadindo seu corpo, por tamanha excitação. Sua intimidade já pulsa, antevendo o que virá.
— Coloca em mim. — Ele pede, em tom de desafio, ao passo que lhe entrega o invólucro plástico e passeia as mãos ao longo da pele alva, arrepiada, põe-se exultante ao notar os sintomas da sua vontade carnal, tão intensa quanto à dele.
Com o cérebro em ebulição e descontrole, ela pega a camisinha e a ajusta entre os dentes, rasgando a embalagem pelo canto. Mas, com vestígios de racionalidade a lhe querer recriminar seu atrevimento, pensa em desviar os olhos, por causa da vergonha, porém, ele sustenta o queixo feminino com uma mão firme, induzindo-a a lhe encarar, ao passo que ergue o tórax para facilitar-lhe o “trabalho”, aprazendo-se por vê-la devolver-lhe um olhar cativo, submisso, enquanto desce as mãos irrequietas por entre seus corpos, segura o membro hirto, fazendo Henry soltar uma pequena exclamação de prazer, e vai, desajeitadamente, movendo os dedos sobre este órgão tão imponente quanto seu dono, conseguindo, por fim, acomodar o preservativo e aumentar a pré-excitação mútua.
Henry eleva-se sobre o corpo dela e a penetra, ao passo que solta novos arquejos prazerosos, como o faz Lavínia. Beija-lhe de modo ardente, tateia onde a boca e as mãos alcançam, sentindo-se como que atingido por por pequenas descargas elétricas. Sensação igual experimenta Lavínia, que solta gemidos ininterruptos de verdadeiro prazer. Enquanto reproduzem beijos seguidos, cada vez mais fortes, eles vão perdendo o fôlego e o retomando como podem. No ritmo dos solavancos dos corpos e das ousadas carícias, começam a suar devido ao esforço de repetição. Mais ávido, Henry sai de cima dela somente para fazê-la girar o corpo, ficar de costas para si, porque é tomado de uma vontade de possui-la de todas as formas que sua imaginação decretar. Lavínia está tão excitada que nem demonstra protesto algum ou espanto por mudarem de posição, nem quando se dá conta de que está de quatro na cama, pois já está pronta para o reinício do sexo, agora mais intenso que antes, numa pegada libertina por trás. E em presença de grande estímulo e deleite, Henry penetra-a cada vez mais fundo. Os gemidos de ambos aumentam, ecoam pelas paredes do quarto e Lavínia imagina que morrer e ir para o paraíso – ou para o inferno − é sentir-se como está agora: tomada por um gozo inebriante e voraz.
Henry agarra-a suave e sedutoramente pelos cabelos, a fim de repuxá-la pelas madeixas loiras e lhe dar mordidas desavergonhadas nas costas, nuca e pescoço.
— Diz que me ama. — faz a exigência, com voz rouca e sussurrante, ao tempo em que, com uma das mãos, alcança o rosto dela, beijando-a nos cantos dos lábios e na boca, sugando a língua macia, sufocando-a por vezes, na medida em que prossegue com os solavancos em seu corpo.
— Eu te... amo... — A voz dela é tão fraca que quase não sai, está excitada demais. De repente, porém, ele para tudo, com tremendo esforço. — O que... foi? — pergunta, ofegante, estranhando que ele tenha parado o sexo no meio. Ela contorna mais o rosto e torce também o coluna suada para fitá-lo, curiosa, uma vez que ele não saiu de dentro dela, apenas parou de se mover.
— Você me ama? — Ele indaga, dessa vez de forma mais atenta.
— Eu... acho... que sim. — declara de modo natural, apesar da voz falhada, para assombro dela mesma. A verdade é que, neste momento, não consegue entender direito o peso deste seu depoimento apaixonado, justamente por se encontrar sob domínio de plena excitação. Henry, no entanto, mostra seus dentes num sorriso cheio de exultação. Ainda repleto de ânimo, aproxima-se e toma-lhe os lábios, beijando-a com mais vontade que antes e recomeça os movimentos sexuais, estocando-a com vigor duplicado e ajudando-a, sem demora, a atingir orgasmos múltiplos.
Daqui a uns minutos, ele também atinge o seu clímax e, com a respiração ainda alterada, deita-se sobre as costas dela, largado.
— Ai! Quer... me matar sufocada? — Ela brinca, ao ver que ele não sai de cima de si, enquanto busca retomar o fôlego perdido.
— Eu te amo, Lavínia... Nunca... Jamais duvide disso. Não interessa o que você venha a descobrir... porque nada dentro de mim vai mudar o que eu sinto. Nada! — diz tais palavras em tom cerimonioso, sério, enquanto lhe dá novos beijos suaves pelos ombros, arrebatado.
— Prova isso. Me conta... o resto da história. — convida, com voz doce, suplicante.
Henry respira profundamente, reúne ânimo físico e se levanta, sem pressa, fitando-a, exibindo ar avaliativo, misterioso, que agora mescla-se ao cansaço.
— Espera só mais um pouco, Lavínia... Você tá quase pronta. — fala, lacônico.
— Pronta? Co-Como assim... pronta? E... pra onde você vai? Não vai... dormir aqui comigo? — questiona, agoniada, sentando-se na cama e vendo-o catar as roupas e já fazendo menção de se retirar do quarto.
— Esquece o que eu disse. É bobagem. Mas se eu ficar aqui você vai me enlouquecer com tantas perguntas... Olha, melhor eu ir dormir no meu quarto mesmo. Amanhã tenho trabalho e, além disso, eu não quero que a Frida saiba exatamente o que houve aqui agora. Fica só entre nós, por enquanto. — olha-a como quem pede compreensão.
— Por quê? — A pergunta sai num impulso, denunciando que a impaciência dela quer tornar a crescer.
— Ela vai encher o nosso saco com conversa de... pecado e outras tolices. — explica, resumidamente.
— E... por qual razão ela faria isso? — Lavínia não consegue parar com o interrogatório.
— Lavínia... Chega! Não se torture tanto. Já já vai estar livre e vai poder saber tudo sobre essa lamentável história. Tenha só um pouco de paciência. — aproxima-se dela outra vez, encurva-se e a beija nos lábios, sem aprofundar o gesto, apenas como um carinho de despedida. — Boa noite, minha Lavínia... meu amor.
— Não vai! Fica! — faz expressão de lamúria, quase infantil, enquanto implora por sua companhia.
— Quero ver me pedir isso depois... Ou melhor, quero que me peça para ficar sempre com você. Mas ainda não posso. Então... Boa noite.
“Não há mais volta, Lavínia. A flecha da nossa sorte está lançada e pode atingir qualquer boa ou má direção.” Henry pensa, meio tristonho, ao mesmo tempo em que se direciona à porta, abrindo-a rapidamente e saindo, antes que ela tenho tempo para continuar insistindo em fazer mais perguntas, cujas respostas podem arruinar a ambos.
[...]
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