Notas iniciais
Tive um pouco de dificuldade em escolher bem as palavras para esse novo capítulo, pois começam a surgir os nomes de Henry e Frida na história. Muitos mistérios ainda estão no ar. OBS.: Capítulo maravilhosamente betado por Estrela de Rubi, autora de "Vítima Do Amor" (Leiam!!!). Obrigada, linda!

Aos poucos, Lavínia começa a despertar. Remexe-se na cama e abre os olhos, passa as mãos nos cabelos, que agora estão completamente soltos, senta-se, com dificuldade, pois ainda experimenta certa desordem mental, espreme um pouco os olhos com o dorso das mãos para apurar a visão e percebe que não é mais noite, e sim dia.

Ela recorda gradativamente os fatos da noite anterior, a saída com Diego para o restaurante, a conversa agradável, o beijo sufocante que a fez estranhar a atitude dele, a ida ao apartamento e... “As fotos!” O coração dela volta acelerar.

Decide avaliar o ambiente. “Será que estou em outro quarto do apartamento dele?” Observa o cômodo. Há predomínio de tons claros, uma cama de casal — onde está deitada -, coberta com lenções limpos e aroma de lavanda, dois criados mudos, o primeiro com um abajur e o outro com uma bailarina de louça. Vê uma poltrona, um puff, uma mesa de madeira, em cima dela, um jarro de barro, pintado de azul e branco, onde repousam umas belas flores artificiais. Diante de si apresenta-se ainda uma grande janela de vidro por trás de cortinas claras, que permite a luz do sol entrar iluminando generosamente o quarto. Também nota um guarda-roupa e, ao lado deste, uma porta entreaberta, revelando a suíte. Mais duas portas, que estão fechadas, podem ser vistas.

Ela se levanta da cama indo em direção à primeira das portas, mexe na maçaneta. Quando abre, vê que é uma sala com várias estantes contendo livros diversos, outra poltrona, uma cadeira alta e diante desta estão alguns assessórios próprios para pintura, tais como cavalete, papéis, tinta acrílica, aquarela e guache, entre outros. Ali também existe uma janela de vidro e com iguais cortinas cobrindo-a parcialmente. Volta e já vai encaminhando-se para a outra porta fechada quando, de repente, esta se abre.

Um homem entra e fica parado bem à sua frente.

Lavínia faz um barulho incompreensível e coloca a mão no peito, efeito do susto. Dá um passo para trás, em sinal de receio.

O homem não diz nada, só a observa e parece aguardar alguma reação.

Ela o encara analisando-o. “Parece com ele!” Não sabe o que pensar. O homem tem o mesmo porte físico de Diego, aparenta ter a mesma altura e o mesmo tom de pele, assim como o mesmo formato do queixo, nariz e boca. Contudo, tem os olhos azuis mais azuis que já viu. Ao contrário, de Diego, não usa óculos e possui os cabelos lisos, curtos e aloirados. “Será o irmão gêmeo loiro?”, ironiza tentando desanuviar o pensamento. “Que absurdo!”. Tem que se controlar para não rir de forma histérica. Na verdade, está cada vez mais confusa e assustada.

— Sou eu! — declara o homem abrindo os braços, na intenção de que ela o observe melhor.

— Diego! — arregala os olhos e sente como se tivesse ocorrido um clique em seu cérebro.

— Até que enfim! — Ele suspira, aliviado.

— Mas...

— Bem... essa é a minha verdadeira aparência, a outra era só um disfarce. — admite com naturalidade. — Tive de usar peruca, lentes, óculos e tudo. — ri como se estivesse contando uma piada engraçada.

Lavínia, boquiaberta, não crê em nada desta cena maluca.

— Meu nome também não é Diego Vasques. — continua, de forma alegre e bizarra, na opinião dela.

— Quem... quem é você? — pergunta com voz baixa e trêmula, com medo de descobrir a resposta.

— É verdade, devo me apresentar novamente. Eu me chamo Henry... Henry Sorielle. — Súbito, seu tom de voz se torna formal.

— Você é... um ti... tipo de louco? — O pânico já a consome e ela sente o corpo tremer.

Pensa em todos os livros de suspense que já leu, repletos de narrativas fantásticas e aterrorizantes, em como se considerava, por causa disso, suficientemente esperta, capaz de captar traços psicóticos em qualquer um que tentasse se aproximar. “Como fui tola! Agora provavelmente serei estuprada, morta, esquartejada e desovada em um lugar ermo onde demorarão a me encontrar.” Sente-se como um bicho acuado e, mesmo tentando manter a todo custo o controle de si, seus olhos começam a lacrimejar, denunciando seu péssimo estado emocional.

— Fique tranquila, eu não sou louco nem assassino, nem psicopata, nem nada desse gênero. — afirma com o máximo de firmeza na voz, pois percebe que Lavínia está a beira de um colapso nervoso.

— Então... po-por que tinha aquelas fotos todas na pa-parede do seu quarto? — ganha coragem. — E por que me fez...? — perde o ânimo ao se lembrar do cheiro entorpecente do lenço em seu rosto e do braço dele prendendo-a.

— Desculpe por aquilo, mas foi necessário. Eu confesso que pensei em adiar um pouco as coisas. Nós iríamos lá, pegaríamos os tais CDs e sairíamos numa boa. Mas a droga do telefone tinha que tocar, eu tinha que esquecer de trancar a merda daquela porta. — A voz começa a ficar alterada. — E você tinha que ser tão intrometida e me forçar a agir. — olha diretamente para ela como se dissesse: “A culpa foi sua! ”

Lavínia escuta, pasmada, sem acreditar que este que se encontra diante dela seja o mesmo dos dias anteriores. Não se refere simplesmente ao aspecto físico, mas sim à mudança de comportamento. O Diego Vasques que ela conheceu era um homem tímido, educado e gentil, que lhe abria a porta do carro, falava palavras doces e alegres, demonstrando ser incapaz de pronunciar uma única palavra grosseira. Todavia, o sujeito que vê agora parece não ter o menor escrúpulo, não tem papas na língua e solta o que lhe surge à cabeça, inclusive palavrões como os que acabara de dizer.

— Você é louco!!! — esbraveja, sentindo-se indignada.

— Tá, tá bem... Eu compreendo que você esteja assustada com tudo isso, mas eu garanto que não sou louco nem psicopata... e o resto que você já sabe. — Henry passa as mãos pelos cabelos, começando a se sentir impaciente e redundante, tendo que tranquilizá-la de que não fará com ela nenhuma espécie de atrocidade, como ela certamente está pensando.

— Se... se não é mesmo um louco... nem um ps-psicopata, então prove! Seja o ca-cavalheiro que você mostrou ser antes e me-me leve de volta para casa ... ou ... ou só me deixe ir. — sugere ainda tentando conter o nervosismo.

— Não posso. — Henry diz simplesmente.

— O quê? Co-como assim não pode? — O medo de Lavínia começa a dar lugar à irritação.

— Não posso, não podendo, ora! — Ele também sente a impaciência aumentar.

— Por quê??? — grita Lavínia.

— Porque eu preciso de você. — responde com a voz tão suave e calma que termina causando um inevitável arrepio à espinha dela.

— Pre... precisa de mim... pra quê? — sente o sangue sumindo de suas veias.

— Porque eu quero cumprir uma vingança contra o seu pai e você vai me ajudar. — assume pausadamente para que Lavínia não tenha dúvidas sobre o que lhe diz.

Ela fica muda por uns instantes, tragando as palavras que ouviu. Passa a se questionar se não está dormindo e tendo um pesadelo. “Sim... isso é um pesadelo! Só pode ser um pesadelo!” Busca agarrar-se a um fio de consolo qualquer.

Henry olha-a perscrutando o efeito de suas palavras. Já previa que o abalo seria grande. Sabe que será difícil quebrar a imagem de pai amoroso, dedicado, marido fiel, homem íntegro, sem mácula, que nada faz ou fizera na vida além de cumprir com seus deveres e obrigações com o trabalho, com a esposa e, principalmente, com a única e preciosa filha.

— Po-por que está fazendo isso? Isso... não é justo! Como... como ousa ameaçar o meu pai desse jeito? — experimenta a agonia crescer.

— Justo? — solta um riso triste. — O que você entende por justiça, Lavínia? Você não sabe nada da vida. Não sabe nada e nem poderia saber, não sofreu de verdade ainda, não sabe o que é perder alguém querido sem poder fazer absolutamente coisa alguma. E sobre o seu pai, você não o conhece tão bem quanto pensa, isso eu te garanto.

— Diz, então... O-o que o meu pai fez de... errado? O que ele fez pra você? — questiona e novamente sente medo da resposta.

Henry olha-a por uns segundos mais e suspira, impaciente.

— Olha, chega por agora. Você está exausta, eu sei... — busca ser ameno. — Vou sair e... Bem, se você procurar vai encontrar aqui tudo que precisa no momento, roupas, calçados, produtos de higiene, eu improvisei até uma biblioteca e comprei uns utensílios de pintura, lembrei que você gosta. — evita olhá-la diretamente. — Vou pedir também pra Frida te trazer o café da manhã, você deve estar com fome.

Encaminha-se à porta por onde antes havia entrado como se já tivesse feito tudo o que tinha a fazer.

— Espera!!! Vo-você está pretendendo o... o quê? Me deixar aqui... presa? — Na verdade, não quer nem imaginar o que ele tenciona fazer com ela ou com o seu pai. Entretanto, ouve apenas a porta bater e ser fechada à chave. Ela corre, ignorando tal fato, segura a maçaneta e a gira freneticamente, ao mesmo tempo em que bate na porta com os punhos cerrados. — Volta aqui seu... desgraçado!!! — grita com toda a força que ainda resta em seus pulmões.

Tanta agitação faz o suor, formado devido ao nervosismo, aumentar e escorrer pela testa, pescoço e por todo o corpo. Detém o que faz ao perceber que seria inútil. Passa a olhar de um canto a outro dentro do quarto bolando qualquer nova atitude.

Ela alcança a bailarina de louça, que repousava inerte em cima do criado-mudo, aproxima-se da janela envidraçada, afasta mais as cortinas e olha para o lado de fora, vendo que está no primeiro andar do lhe parece ser, na realidade, uma casa e não um cômodo a mais do apartamento dele, como antes pensou. Procura ver casas nas proximidades e as descobre, só que distantes dali, o que mais o seu ângulo de visão enxerga, no entanto, são arbustos e algumas árvores.

Dominada pela raiva, começa a bater com a bailarina no vidro. Bate, bate, bate... Até que compreende que não é capaz ao menos de arranhá-lo, por conta da película protetora resistente que há nele. "É blindado!", constata por meio de bufo lamentoso.

A porta novamente se abre.

Surge na frente de Lavínia uma mulher de meia idade. É alta para uma mulher, certamente tem mais de um metro e setenta. Não é gorda nem magra, tem olhos castanho-escuros, mesma cor dos cabelos, envoltos por inúmeros fios grisalhos, presos em um coque atrás da nuca. Muitas rugas podem ser vistas no rosto oval, denunciando a idade avançada. Traja um tamanco marrom e um vestido de algodão com estampas opacas de tom escuro, completando o seu visual um tanto sombrio. Ela segura com certa dificuldade uma bandeja contendo o que Lavínia obviamente supõe ser o seu café da manhã.

— Por favor! — Sem perder tempo, a jovem caminha na direção da mulher, lançando-lhe um olhar suplicante.

— Nem tenta! Fica aí mesmo! — Frida é mais rápida, coloca a bandeja sobre a mesa de madeira e lhe aponta uma pistola nove milímetros, fazendo Lavínia arregalar os olhos de espanto e entender o porquê da dificuldade da outra em equilibrar a bandeja.

Sem dizer mais nada, a senhora envia um olhar sério para Lavínia, que por um momento sente-se como um objeto de estudo. De repente, as feições dela se contraem. “Pena de mim? Será?” Lavínia fica confusa e pensa em falar algo para confirmar a impressão, mas Frida fecha a cara novamente e sai antes que consiga emitir qualquer outra palavra.

Lavínia passa a mão na testa, afastando a franja e percebendo que está molhada de suor. Vai até o banheiro, busca a pia, abre a torneira, umedece o rosto. Constata que não é suficiente, sente um calor quase insuportável. Encosta a porta já procurando em vão a chave, pois ali não há. Dá um suspiro resignado, enquanto tira a corrente de ouro do pescoço, os brincos das orelhas e os põe sobre a pia. Retira também o calçado, assim como faz com toda a roupa, deixando-a cair no piso, ficando completamente nua. Caminha até o box, abre a porta de acrílico, atravessa-a e a fecha. Gira a torneira do chuveiro, sente a água caindo pelos cabelos, face e corpo.

As lágrimas surgem primeiramente devagar, até que são acompanhadas pelos soluços sequenciais e fortes, fazendo-a sacolejar-se involuntariamente. Coloca as mãos sobre a cabeça, como se tal gesto pudesse afastar os pensamentos agourentos que a invadem.

Aos poucos, porém, a loira tenta recompor-se a fim de poder analisar a própria situação. Ela havia sido trazida para aquele local desconhecido por um homem que antes se chamava Diego e que agora descobrira ser, na verdade ou não, um tal de Henry. Ele lhe disse que não era um psicopata, que ficasse tranquila, mas ao mesmo tempo deixou claro que a usará na intenção de se vingar do seu pai.

— Por quê? — pergunta em voz alta para as paredes do banheiro.

“Eu preciso me acalmar! Tenho que pensar em como sair daqui. ” Lembra-se da expressão que notou no rosto de Frida, tem quase certeza de que era piedade. “Por que ela está ajudando esse homem? Será que é pelo dinheiro?” Começa a sentir um fio de esperança surgir. “Se for assim, eu posso passá-la para o meu lado. Afinal, não é possível que ele seja mais rico que o meu pai.” Pensando desta forma, termina de se banhar, sentindo-se menos desanimada.

Abre o box, sai e encontra sem dificuldade uma toalha felpuda e limpa. Enxuga-se, enrola-a a si. Olha ao redor, vê prateleiras abaixo da pia, abre-as para conferir o que mais há à sua disposição. Encontra produtos diversos, a maioria de uso feminino mesmo, maquiagens, cremes faciais, perfumes e até absorventes íntimos. Obriga-se a não avaliar o significado disso tudo para tentar manter a sanidade mental. Penteia-se, respira fundo e abre a porta do banheiro, com certo receio. Contudo, logo toma coragem e caminha ao guarda roupa. Fica novamente surpresa com o número considerável de roupas, calçados, calcinhas e sutiãs. “Ai... meu Deus! Ele pensou em tudo!” Luta contra o desespero, agarre-se à possibilidade de conseguir uma aliada em Frida. Pega aleatoriamente uma calcinha de renda branca, uma saia jeans e uma blusa de algodão lilás. Veste-se e se volta para a bandeja em cima da mesa de madeira. Disposta a ganhar energia, para argumentar com Frida quando a vir, estimula-se a comer.

Ao fim, sente-se realmente mais firme. Todavia, fica ainda umas três horas esperando que Frida surja novamente, tempo que ocupa mexendo em tudo o que os olhos alcançam no quarto. Acaba encontrando a sua bolsa vermelha na gaveta do criado-mudo e fica feliz ao ver que o seu celular ainda está dentro dela. Entretanto, a felicidade só dura o tempo de perceber que não acende a luz do visor. Primeiramente acha que está descarregado e depois vê que a bateria é que havia sido retirada. “Miserável!” Ainda pragueja consigo mesma, quando escuta barulho de chave na porta.

Lavínia empaca e seu pulso acelera ao imaginar que quem entraria ali não seria Frida e sim Henry. Mas respira com alívio ao ver a “governanta” invadir o local, trazendo outra bandeja, a do almoço.

Dessa vez, Frida parece evitar o seu olhar. Coloca a bandeja com a comida sobre a mesa de madeira ao lado da outra, em seguida retira a antiga e vai voltando.

Lavínia, sentada na beira da cama, tenta disfarçar a ansiedade.

— Seu nome é Frida, não é? — força uma voz calma, fazendo com que a senhora, que já está com a mão na maçaneta da porta, finalmente lhe olhe.

— Sim. — A mulher se surpreendeu ao ver que Lavínia tinha comido a refeição anterior e agora se sente mais admirada por constatar que está banhada, aparentando tranquilidade. Antes de entrar no quarto, estava preparando-se psicologicamente para encontrar a garota aos prantos, histérica, talvez ainda com fome e com os mesmos trajes. Não contava que iria vê-la de maneira contrária.

— Eu me chamo Lavínia, sou filha de Gregory Albuquerque... Bem... Meu pai é um dos homens mais ricos deste país e... — interrompe-se ao ver a cara de desdenho de Frida.

— Eu sei. — A voz da mulher sai azeda.

— Sabe? Ótimo! Ma-mas você também... sa-sabe que ele será capaz de... de se desfazer de sua fo-fortuna inteirinha, caso seja preciso... só pra me recuperar?

— E o que faz você pensar que eu me importo com isso?

— Quanto que a-aquele homem tá te... pagando pra ajudá-lo? — tenta ignorar a expressão apática de Frida, disposta a tudo para ganhá-la.

— Já entendi. Você acha que eu estou aqui pelo dinheiro. — diz com ar de enfado maior.

— E por qual razão uma pessoa... em sã consciência ajudaria um louco? — “Pela razão de ser louca também!”, responde mentalmente, já receando serem inúteis os seus argumentos. Sente a angústia querendo se apossar dela, mas não quer desistir.

O olhar que Frida lhe envia agora é de pura indignação.

— Henry pode ser muitas coisas, teimoso, convencido, irritado, obcecado e às vezes até violento e intolerante, mas louco ele não é!

— Não? Co-como você chama então alguém que... mente, trama, aprisiona uma mulher inocente... e ainda ameaça prejudicar a vida do pai dela?

— Tem coisas que você não sabe e não cabe a mim dizer. Eu... eu lamento! As razões de eu estar fazendo o que estou não têm nada a ver com dinheiro, portanto, desista. Mas, como disse... eu lamento, lamento mesmo que você tenha que passar por isso. — diz a últimas palavras com voz chorosa, o que só deixa Lavínia ainda mais confusa, balançando a cabeça em gesto de negação e sem conseguir conciliar as ideias.

Frida pensa que é melhor sair logo dali antes que a garota a faça soltar alguma informação indevida, que a faria ficar em maus lençóis com Henry. E uma desavença com o seu querido Henry não seria bom neste momento. Assim, retira-se novamente.

“Ela definitivamente não vai me ajudar!” Tal pensamento é o suficiente para Lavínia jogar-se na cama, sem mais conseguir segurar as renovadas lágrimas, que tentava conter na presença de Frida e que agora brotam fortes e descontroladas, resultado da sua amargura perante um futuro incerto.

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Notas finais
Que comece a sessão chororô de Lavínia!!!