[HIATUS] Mudanças impuras

3 Curiosidade e escuridão


Notas iniciais
Torço para que gostem desse novo capítulo, que é bem curtinho! Eu o elaborei com bastante cuidado, desejando que vocês se sintam na pele da personagem central. Boa Leitura! OBS.: Capítulo devidamente betado por Estrela de Rubi, autora de "Vítima Do Amor". Obrigada, querida!

Lavínia caminha ao lado de Diego em direção à entrada do prédio e observa como ele é educado ao cumprimentar o porteiro, quando passa por este. Entram no elevador e o observa apertar o botão para o sétimo andar. Está ansiosa e tenta não olhar diretamente para ele, que parece tomar a mesma atitude, pois não tira os olhos de algum ponto acima do objeto metálico.

“O que está pensando?”, ela cogita, ao enviar um olhar rápido em sua direção e vê-lo com expressão compenetrada.

No instante seguinte, Lavínia está diante de uma porta, tendo nesta dependurada uma placa pequena, onde se leem os números sete, zero, dois.

Diego abre a porta e eles entram. Ele acende a luz e ela começa o analisar todo o ambiente, constata que a sala é simples, porém, moderna. Entre os móveis de design moderno, há um conjunto de sofá preto com dois lugares, uma mesinha de centro envidraçada, em cima de um tapete liso cor de caramelo, sem nada por cima além de um cinzeiro estiloso, que a faz se perguntar se ele é um fumante ou um ex-fumante. Há também uma televisão que mais parece um quadro, especialmente por haver atrás da tela reta um papel de parede com traços verticais de tons variados e escuros.

Ambos estão tão distraídos e quietos, inseridos em seus próprios pensamentos, que se assustam com um som que invade o local de modo repentino.

É o celular dele.

— Alô! Espera só um minuto. — Ele solicita e comprime o aparelho entre os dedos afastando-o um pouco de si ao se dirigir novamente para Lavínia. — Já volto, ok? — Ao vê-la fazer um gesto afirmativo com a cabeça, ele adentra pelo que ela percebe ser a cozinha. — Não precisa se preocupar! Está tudo bem.

Mesmo que Diego tenha dito isso com voz bem baixa e já se distanciando mais, Lavínia escuta e se interessa em saber com quem ele fala. “Será um parente? Um amigo ou colega de trabalho?”. Reflete um pouco sobre as possibilidades e se dá conta de que conhece muito pouco o homem com quem está pensando em se relacionar como namorada. Ele havia dito, em uma de suas conversas, que é sócio em uma empresa que presta serviços de contabilidade. Sobre a vida pessoal, havia-se esquivado de muitas perguntas, dizendo-lhe apenas que não tem familiares próximos e que é órfão de pai e mãe. Não quis entrar em detalhes sobre a morte dos pais e desconversou sempre que ela tentou entrar nesse e em qualquer outro assunto de cunho mais íntimo.

Lavínia conclui que essa atitude esquiva de Diego só aumenta a sua curiosidade sobre ele. Curiosidade que agora mesmo a faz querer buscar vestígios que lhe indiquem quem de fato ele é.

Assim, ela observa a direção em que ele havia seguido para confirmar se não é vigiada e se põe a caminhar pelos cômodos.

Vê um banheiro social, uma porta semiaberta que dá para o que percebe ser uma biblioteca particular. “Ele realmente gosta de ler, como eu.” Constata, satisfeita. Ao lado, há uma porta fechada que lhe chama a atenção. “Deve ser o quarto dele. Ai que tentação!” Não resiste à vontade crescente e mexe na maçaneta para ver se não está trancada à chave. Fica feliz ao ver que não. Entra, sempre se voltando para trás a fim de conferir se ele não a observa. Primeiro vê, por meio da iluminação que vem da sala, que se trata de um quarto como outro qualquer. Há uma cama de casal, acima desta um ar condicionado.

Ela resolve entregar-se de vez à curiosidade e acende a luz para ver melhor. Os olhos vão passeando, explorando mais. Encontra uma suíte logo adiante e... De repente, o coração de Lavínia dispara com o que os olhos veem na parede em frente à cama.

“O que é isso?”. Não consegue crer, é tomada por assombro instantâneo. Observa diante de si fotografias, recortes de revistas e jornais, de todas as formas e tamanhos, imagens do seu pai, da sua mãe, das suas amigas e amigos de agora, e de outras pessoas que fizeram ou que ainda fazem parte de seu convívio. Contudo há, principalmente, uma quantidade que não pode calcular de imagens suas, antigas e recentes. Também há folhas de lembretes coladas, contendo o que identifica como datas e horários diversos.

“Meu Deus! Ele é um psicopata!” A afirmativa grita em sua mente fazendo-a ficar com o coração a mil, já entrando em pânico, com a sensação de perigo iminente, sem que tenha chance de escapatória.

Entretanto, lastimosamente ela não tem tempo hábil para raciocinar melhor sobre nada, pois sente, súbito, uma mão empurrando um lenço contra o seu nariz e parte da sua boca, e um braço vindo por trás envolvendo o seu corpo, prendendo-a com força, obrigando-a a inalar a substância de efeito anestésico.

Lavínia ainda tenta, em pleno desespero, lutar, livrar-se da mão que a sufoca, do braço que a prende, mas experimenta suas forças se esvaindo rapidamente. Sua visão começa a ficar turva e uma terrível sonolência a invade. E, antes de cair num mundo de escuridão, ainda ouve a voz dele, que agora não passa de um estranho:

— Você tinha que ser tão curiosa e apressar as coisas? — Ele questiona vendo Lavínia desmaiar em seus braços. — Mas não tem outro jeito, não é? Você vai ficar bem, eu prometo. — arremata contraindo os lábios em um sorriso sarcástico e, ao mesmo tempo, de pesar.

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Notas finais
Tenso, gente! Agora é que a vida da pobre Lavínia vai começar a virar de ponta cabeça.