[HIATUS] Mudanças impuras

43 Está no olhar o que a boca não fala


Notas iniciais
Olá, amigos leitores, como vocês estão? Dispostos a ler mais um capítulo cheio de fortes emoções? Espero que sim, pois é com esta animação que vos entrego esta transcrição narrativa. Vejam que desta vez fui menos lenta na postagem, ok. Entretanto, permaneço solicitando de vocês as qualidades de compreensão e tolerância aos meus constantes atrasos, visto eu não poder sempre escrever com tranquilidade, fluência e estímulo inspirador. Afinal, todos sabem que escrever um enredo é complicado e nos exige todos os requisitos acima mencionados. Bom, sem mais pormenores, desejo-lhes boa leitura. OBS.: "AMIZADE Mais que uma mão estendida mais que um belo sorriso mais do que a alegria de dividir mais do que sonhar os mesmos sonhos ou doer as mesmas dores muito mais do que o silêncio que fala ou da voz que cala, para ouvir é, a amizade, o alimento que nos sacia a alma e nos é ofertado por alguém que crê em nós.". - Obrigada, minha beta querida, Estrela de Rubi, autora de "Vítima do Amor".

Na faculdade, minutos após o intervalo da tarde, Lavínia encontra-se sentada num banco do usual quiosque-lanchonete, ao lado de Pietro e, à sua frente, está Pâmela, que olha para o irmão e para ela dando suspiros de alegria, sentindo-se contente por vê-los juntos.

— Ai, fiquei super feliz com essa coincidência! Imagina, a nossa professora não pôde vir porque será a participante de honra numa palestra sobre temas de arte global e o professor do Pietro também faltou... E agora estamos aqui nós três para fazermos um lanche gostoso e pra você me dizer se esse namoro é pra valer ou é apenas pegação e nada mais... Quais são suas reais intenções com o meu irmão, Lavínia? — A moça de cabelos loiros e cacheados fala olhando para Lavínia e fazendo expressão de falsa seriedade, escondendo o riso travesso.

— Pam! Olha, já tô começando a me arrepender de ter te convidado para vir lanchar com a gente... Você fala demais! — Pietro repreende a irmã, com alguma vergonha ao escutar a pergunta que ela fez para Lavínia.

— Ai, que irritante! Eu tô só brincando... Além disso, eu sei que a Lavínia não se ofendeu com o que eu disse porque, ao contrário de você, ela não é uma chata... E se você não me convidar pra lanchar, a minha cunhada me convida, não é, Lavínia? — Pâmela apregoa em tom categórico, enquanto pisca um olho para a loira de cabelos lisos e longos.

— Claro que sim, Pam, você sempre será bem-vinda... E-E eu não me ofendi mesmo com a sua pe-pergunta, pois eu compreendo que você ama e se preocupa com o seu irmão. Eu acho isso muito bonito. Quanto às minhas intenções, eu só sei que gosto de estar com ele e de me sentir protegida. — Nesse momento, Lavínia sente um braço de Pietro passando por seus ombros, apertando-a carinhosamente e demonstrando apoio às suas palavras.

— E nós estamos apenas no começo, Pam. A minha namorada não precisa se sentir obrigada a nada, muito menos a revelar sobre as intenções que tem... que nós temos um com o outro. Isso nós descobriremos com o tempo e a convivência, naturalmente. — Pietro conclui e é recompensado ao sentir uma mão delicada da loira sobre seu rosto, movendo-o para dar-lhe um beijo suave nos lábios.

— Nossa! Vocês são tão fofos juntos que dá inveja. — Pâmela solta, com bom-humor, ao passo que vai capturando imagens deles através do celular, pois adora fotografar tudo o que a encanta. É um hobby que pensa em tornar uma profissão, um dia.

Súbito, Pâmela vê algo que lhe chama mais atenção que a cena romântica à sua frente, mais interessante que a do casal a se beijar tendo os raios do sol da tarde como fundo de tela. É um jovem e belo rapaz que anda a passos brandos indo para um caminho que lhe é desconhecido assim como o próprio. Ele tem um rosto fino com barba e bigode ralos, talvez tencionando aparentar mais idade. Os cabelos castanhos são penteados para cima de modo a formar um tipo de onda, mostrando algum traço de rebeldia e suas roupas são confortáveis e simples. O garoto, por fim, exibe uma conduta aprazível, receptiva, como a de pessoas que estão sempre abertas a conhecer novos amigos.

— Uau! Que lindinho! — solta olhando na direção em que o rapaz está e dando um suspiro por conta da atração imediata. Pâmela, deste modo, refere-se ao rapaz como se estivesse ante um bebê, um gatinho ou um filhote de cachorro, tanta é a sua exaltação e arroubo sentimental.

Pietro não escuta o que a irmã diz nem dá atenção ao seu gesto admirado, pois encontra-se absorto nas feições bem feitas de Lavínia. Esta, por sua vez, olha no rumo apontado por Pâmela e sorri, brincalhona.

— Ah! Eu conheço esse garoto. — Lavínia anuncia e Pâmela fica exultante.

— Conhece? É seu amigo? Lavínia, me apresenta pra ele, vai... seja boazinha. — Pâmela faz cara de pedinte e Lavínia sorri mais ainda, mesmo ficando constrangida com o pedido que lhe foi feito.

— Mas, Pam, eu não disse que ele é meu amigo, disse apenas que é um conhecido... Na verdade, ele é amigo e mora na mesma república do namorado da minha melhor amiga. Eu não sei como posso apresentá-lo a você se eu não tenho intimidade com ele o suficiente para isso. — explica a situação para Pâmela, que segura a mão da cunhada e faz expressão de súplica.

— Por favor, Lavínia... Basta chamar e fazer ele vir até aqui usando qualquer desculpa. Por favor, me ajude a desencalhar e eu prometo que nunca mais irei interferir no seu namoro com o chato do meu irmão. — negocia Pâmela, vendo Pietro lançar-lhe chispas pelos olhos, censurando-a, e Lavínia fazer uma expressão engraçada, de simulação de raiva e rendição.

— Tá! Ok! Ai, Pam, só você pra me obrigar a puxar assunto com rapaz que vi duas ou três vezes nessa vida... — Lavínia queixa-se um pouco para depois virar o rosto e olhar para Jonas, que felizmente não está muito distante de onde eles estão. — Ei, você aí! Jonas!

Então o garoto escuta o vozear de alguém e quando repara para saber quem é, sorri, simpático, lembrando-se de Lavínia, a amiga de Louise. E, ao ver que ela insiste em fazer sinal com a mão, chamando-o, ele se aproxima.

— Oi, tudo bom com você, Lavínia? — Primeiro ele a cumprimenta e em seguida meneia a cabeça, saudando Pietro e Pâmela, que está com um largo sorriso na face corada.

— Tudo, sim... Jonas, você viu o Dico por aí? É que a Louise não pôde vir hoje e ela me pediu para dar um recado pe-pessoalmente a ele... — Lavínia gagueja um pouco, sentindo dificuldade em elaborar um pretexto para justificar o fato de tê-lo convocado para vir até eles.

— O Dico? Bem, nós não estudamos na mesma turma, mas que eu saiba ele tá assistindo aula agora... Se você quiser eu posso confirmar isso e chamá-lo para você... Quer? — Jonas mostra-se educado, solícito.

Pâmela belisca, discretamente, a mão de Lavínia, que dá um pequeno gritinho e volta a olhar para Jonas.

— Não! Não pre-precisa... Deixe isso pra lá, é tolice, aposto como ela já ligou para ele e repassou ela mesma o seu recado... — declara e fica buscando coragem para fazer a esperada apresentação. Respira fundo. — Jonas, este é meu namorado, Pietro, e es-essa é a sua irmã, a Pâmela.

— Oh! Prazer em conhecer vocês... Pietro... — Jonas saúda o moço repetindo seu nome e, em seguida, demora-se um pouco segurando a mão da loira de olhos verdes, ao passo que beija essa parte do corpo da moça, por impulso, olhando-a agora fascinado pela sua beleza. — E Pâmela... Que nome bonito!

— Obrigada... Jonas também é um nome lindo. — Pâmela derrete-se em olhares para ele.

Desse modo, Pâmela e o rapaz de bigode e barba rala ficam a se olhar maravilhados, sentindo uma brusca atração. Por isso que quando Lavínia pergunta se ele gostaria de se unir a eles no lanche que farão, o garoto aceita prontamente e Pâmela fica contente demais. O resto do tempo se passa em meio a conversas amenas e, rápido, Jonas sente-se à vontade, tendo à sua dianteira o casal de namorados, que o trata com simpatia, fazendo-o pensar que teve sorte em passar por aquele caminho e ser chamado para estar, neste momento, ao lado da bela de cabelos dourados, uma garota meiga que se mostra nitidamente interessada por ele. Ele ri, ela suspira encantada e assim vão se olhando fixamente e perguntando coisas um sobre o outro, buscam conhecer-se, enquanto lancham um gostoso sanduíche com suco de alguma fruta.

Pietro, entretanto, fica apenas observando o rapaz e se questionando se ele é um bom partido para sua irmã, mas não tenciona em hipótese alguma impedir esta aproximação, pois sabe que Pâmela é adulta o suficiente para fazer suas próprias escolhas amorosas. E reflete que talvez ela tenha a mesma sorte que ele teve em achar alguém especial para entregar seu coração. Volta a apreciar Lavínia, querendo buscar algo em seus olhos e crer que ela o retribui com igual veemência. Sente uma emoção boa, percebe que está feliz por tê-la consigo e teme que algo atrapalhe este contentamento, já que uma vez amou e sofreu a dor da perda. Por muito tempo, na realidade, ele viveu atormentado com a possibilidade de sofrer de novo e se manteve solitário, até ver em Lavínia a chance de amar novamente.

Lavínia experimenta alegria misturada à sensação de tristeza, que na verdade é um tipo de remorso por observar que Pietro está cada vez mais apaixonado, sem que ela tenha coragem de se abrir para ele sobre os seus problemas, sobre tudo o que já sofreu e ainda sofre nas mãos do homem que, há alguns meses, surgiu em sua vida e a pôs de cabeça para baixo. Ela até alimenta a esperança de que Henry tenha refletido melhor e ficado decepcionado pelo modo grosseiro e de rejeição com que foi tratado na boate, quando tentou novamente investir sobre ela com o seu discurso imoral e despudorado, não levando em conta o fato de ser o seu irmão. Todavia, procura espantar os pensamentos desfavoráveis sorrindo e respondendo aos gestos afetuosos de Pietro, contente por não ver nem sentir a presença espiã de Henry nos arredores da faculdade, e agradecendo mentalmente por isso.

[...]

Fábio lança seus bonitos olhos cor de caramelo para fora, através da janela envidraçada, e vê alguns estudantes saindo de suas salas de aulas, caminhando no pátio e outros indo-se embora do instituto de ensino. Pega de cima da mesa, em meio às folhas do caderno aberto e do livro didático, o celular e confere a hora, constatando que pode ser o momento certo de agir.

Ele reúne seu material de estudo, põe tudo na pasta-mochila, cuidando em não fazer barulho e não incomodar a calmaria exigida na biblioteca. Depois, levanta-se e se retira da sala. Tranquilamente marcha rumo ao local predeterminado, o banheiro desativado, que fica distante da circulação dos alunos e que já serviu de ponto de encontro escondido entre ele e Rafa. Lá chegando, não perde tempo, logo põe sua pasta-mochila em qualquer canto, no piso mesmo, já tendo o celular em mãos. Disca e espera a chamada para ver se Rafa irá atendê-lo, pois sabe que o garoto identificará o seu número, assim que o vir, porque tem o seu registro telefônico, desde a última vez em que marcaram de sair para as tais baladas noturnas.

— Tá me ligando por quê, cara? Não entendeu quando eu te disse que não tô mais afim, que eu prefiro ficar longe de confusão? Vê se me larga, seu imbecil! — Sem nem cumprimentar, Rafa atende partindo para a ofensiva verbal, mas com voz um tanto baixa, denunciando estar perto de outras pessoas.

— Isso são modos de falar com alguém que está desejando te ver? Sabe, Rafa, eu tô aqui naquele banheiro que fica afastado, onde a gente se encontrou pela primeira vez. Seja um bom garoto, deixe de lado essa brutalidade e venha aqui agora pra gente se ver e conversar um pouco... — A voz grave e melodiosa de Fábio apenas deixa o bad-boy mais irritado, sobretudo, ao entender que Fábio não compra a discórdia e a apatia que ele tenta impor.

— Vai se ferrar, idiota! — Rafa desata, áspero, e desliga na cara do outro, que olha para a tela do aparelho, levantando as espessas sobrancelhas e soltando uma risada escarnecida. “Que garoto difícil!”, pondera Fábio já ficando excitado devido à euforia que sobe por seu corpo. Disca outra vez e é obrigado a esperar bem mais, chegando a pensar que Rafa não o iria atender.

— Cara, você não fala a minha língua não? Vai encher o saco de outro e me esquece! — esbraveja, tencionando desligar novamente.

— Se eu fosse você não desligaria na minha cara de novo não, Rafa. Eu posso ficar aborrecido e fazer algo pra compensar a minha irritação. — Porém, Fábio é rápido e anuncia, com voz ameaçadoramente calma.

— E vai fazer o quê, Fábio? O que você pensa que pode fazer contra mim? — O garoto questiona, em tom de sarcasmo e curiosidade.

— Não sei... quem sabe eu posso ligar para a rádio que existe aqui e que também transmite mensagens de áudio, em tempo real, para os alunos por meio das caixas sonoras espalhadas por toda a faculdade... E eu posso enviar um alerta para as moças daqui, pra elas não caírem na conversa fiada de um gay enrustido que atende pelo apelido de Rafa, faz o curso de química e estuda na sala que fica a três corredores do refeitório. — Fábio libera as palavras de modo sereno, ao passo que expõe sua clara intimidação.

— Faz isso e eu te mato, seu puto atrevido! — ejeta sua fúria, tentando não gritar para não chamar a atenção dos estudantes que se encontram a poucos metros dele, no corredor próximo da sua sala de aula.

— Tic tac, tic tac... O tempo tá passando, Rafa, melhor se apressar porque eu te dou apenas dez minutos... pra você decidir se vem ou não. — declarando seu ultimato, Fábio desliga o celular, sem esperar ouvir mais nada do bad-boy. Ele se agacha, põe o celular dentro da pasta-mochila, depois se ergue e se recosta à parede recebendo, no rosto e no corpo, a iluminação direta que vem do basculante de vidro e que fica um pouco acima e à lateral de onde está, tornando-o perfeitamente visível, nesse recinto apertado e meio sombreado, nos demais pontos. Ajusta as mangas compridas da camisa listrada de branco e verde-musgo, cruzando os braços, com os olhos postos na porta de entrada do vestiário e um arteiro sorriso no rosto, sabendo que o garoto enfurecido adentrará por ela antes do prazo estabelecido.

Como o previsto, ao fim de sete minutos, Rafa adentra o local, batendo com força a porta atrás de si, jogando sua mochila de lado, no piso, e encarando Fábio como expressão de touro bravo.

— Foi você quem pediu isso, seu idiota! Agora você vai ter o que merece! — Rafa começa a avançar da direção de Fábio, com os punhos cerrados, os dentes trincados e os olhos chispando, por conta da raiva abissal.

— Ei! Fica calmo, Rafa... Eu não te chamei aqui pra gente brigar, mas pra gente bater um papo e quem sabe se entender. — Fábio somente se desencosta da parede, descruzando os braços, e fala de modo muito pacífico, desconsiderando os meios usados para coagi-lo a vir até ele.

Mas Rafa nada responde dessa vez, só se arremessa para cima do maior desferindo um golpe no ar, com o punho direito, querendo atingi-lo na cara. Fábio desvia-se facilmente, manobrando o corpo e a rosto.

— Para com isso, Rafa! Nós não vamos brigar, eu já disse. — Mesmo dizendo isso Fábio é forçado a se esquivar muitas, na verdade, incontáveis vezes, já que o garoto parece estar completamente dominado pela ira. Por conta da movimentação eufórica, Rafa vai ficando cada vez mais fatigado, suado, ofegante e encolerizado porque não consegue acertar um único golpe no outro. Contudo, ele não se rende, segue tentando e tentando, até que acaba indo dar com o punho fechado reto na parede e fere a mão, na parte frontal dos dedos.

— Ai! — Sem querer, acaba liberando uma exclamação de dor.

— Rafa! Que droga! Você machucou a mão. Me deixa ver isso. — Imediatamente, Fábio mostra-se preocupado e solícito, por notar algum sangue. Entretanto, o bad-boy sente o seu orgulho ser ferido junto com a mão ralada e, ao invés de aceitar a ajuda de Fábio, ergue esta mesma mão machucada e tenta novamente agredi-lo e, mais uma vez, Fábio não vê dificuldade em evitar o ataque imponderado.

— Porra! Luta comigo, Fábio! Anda, luta como homem e para de fugir como um viadinho covarde! — Ele cospe a sua exigência aos berros, com ódio.

Fábio, subitamente, fica sério e pensativo. Ele encara muito o garoto antes de falar.

— Então é nisso que você acredita? Pensa que se lutar comigo e conseguir me dar umas porradas vai fazer você se sentir mais homem? — Fábio faz as perguntas e percebe quando os olhos de Rafa desviam-se, pelo incômodo infligido.

— Cala essa boca, idiota! Você não me conhece, não sabe nada sobre mim! — O bad-boy ejeta as ofensas na cara de Fábio.

— Na verdade, eu acho que conheço, sim... ao menos em parte, pois eu vejo você e percebo a dor escondida por trás dessa máscara de agressividade. Agora eu sei que você acha que ser homem é isso... é brigar, é quebrar regras, é sair com garotas bonitas e fingir que gosta delas... — Fábio vai falando e vendo a expressão de Rafa mudar da raiva ao pasmo e deste à mostra de inquietação emocional.

— Cala a boca!!! — Rafa repete a ordem, gritando e deixando claro que está no seu limite, de angústia e cólera.

Mas agora é a vez de Fábio avançar sobre ele, sem desviar os olhos, sem clemência ou perturbação.

— Você quer que eu lute com você? Isso vai te ajudar em alguma coisa? Pois bem, vamos lá, Rafa. Eu aceito... Vamos lutar. — Fábio declara em tom decidido, ao passo que desabotoa a camisa e a retira, ficando desnudo da cintura para cima, mostrando parte do seu belo corpo.

Prontamente, Rafa engole uma boa porção de saliva e sente nova agonia, a de ter que derrotar a própria vontade e, por mais que se esforce, não consegue afastar os olhos do tórax másculo e da barriga bem-moldada de Fábio, resultado de momentos diários dedicados a exercícios abdominais.

É evidente que Fábio percebe o olhar deslumbrado do garoto sobre si e intui o quanto é difícil para ele aparentar indiferença, já que a atração é gritante.

— Você é homossexual, Rafa, e isso não deveria ser um problema, mas sim o seu pensamento equivocado sobre o que é ser homem... Não é se mostrando violento, traficando ou saindo com garotas que você vai ser mais homem... — Fábio interrompe sua fala de voz grave e afetuosa, por observar que Rafa não mais exibe a fúria de antes, ele agora mostra um olhar confuso. Mas, Fábio resolve concluir. — E também não é porque sente desejo por homens que você deixa de ser um. Entender isso pode ser o meio mais eficiente para assumir o que você é e encontrar a paz que você precisa.

Rafa nem se dá conta da aproximação de Fábio, pois se sente meio que magnetizado pela voz harmoniosa e pelos admiráveis olhos em tons verde e amarele que o contemplam impetuosamente. Mas, quando Fábio curva o rosto para beijá-lo, o garoto o empurra com rispidez, sentindo o coração querer sair do peito e ainda tentando rejeitar o próprio desejo. Sem articular um único revide, por sentir-se acuado demais, Rafa pega do chão a sua mochila tencionando fugir dali, para bem longe de Fábio e das sensações fortes que ele o faz experimentar. Entretanto, quando segue em direção à porta pensando que vai escapar, é surpreendido pelas mãos firmes de Fábio que o trazem de volta, toma a sua mochila e a joga outra vez no chão. Rafa não consegue falar nada, apenas arqueja e sente a adrenalina invadir suas veias, a excitação se achegar, sorrateira. Logo, ele entende que não há como fugir do que vai acontecer.

Ainda calado, o garoto se debate e luta para tentar se livrar dos braços robustos que o prendem, mas Fábio, também sem emitir palavras, não hesita nem por um segundo, parece saber exatamente o que deve fazer. Faz o garoto ficar de costas para ele, sustenta-o fortemente e o empurra contra a pia, prensando-o por trás, impedindo-o de fugir e até de se mover. Em seguida, invade com as mãos por baixo do moletom cinza-escuro, forçando-o para cima através dos braços e da cabeça, e por fim retirando a blusa de Rafa, que esboça, além de ofegos, uma fraca batalha. Fábio envolve-o com um dos braços, ao passo que a outra mão se eleva à nuca, afastando alguns fios de cabelos, sentindo a transpiração do garoto, a sua agonia. Ele põe a boca ali, sopra a região, expõe a língua e começa a riscar com ela por cima do suor que escorre, literalmente, lambendo a nuca e o pescoço de Rafa. O efeito sedativo é imediato e faz Rafa parar de se debater. De fato, o garoto não se contém ante o gesto ousado e sensual, termina por liberar um pequeno gemido involuntário, os pelos se eriçam, ele fecha os olhos, perde a noção de espaço e tempo. No mesmo instante, deleita-se com o toque da língua engenhosa de Fábio. Este, por sua vez, passa a beijar, chupar e mordiscar por todo o pescoço de Rafa. Enquanto isso, as mãos escorrem pelo corpo juvenil em busca do cós da calça jeans dele. Abre, desce, a calça e a cueca, expondo o membro semiereto, que Fábio agarra entre os dedos, sem demora, sem vergonha e com gosto, iniciando uma masturbação. Rafa geme baixinho, gostando do prazer que lhe é oferecido, contudo, ainda não quer virar o rosto, encarar o homem atrás de si, prefere bancar o passivo, completamente. Permanece, assim, com a face corada ao lado oposto, com a boca e os olhos entreabertos, desfrutando o prazer de ser manuseado. Mas, de repente, Fábio para de masturbá-lo e, apoiando o tórax às costas de Rafa como a prevenir uma tentativa de fuga, procura no bolso o preservativo. Encontrando-o, mantém-no à mão, e de modo hábil, desabotoa e baixa a própria calça, retirando junto a cueca e exibindo o membro hirto, plenamente excitado. Logo a seguir, encapa este membro enrijecido e o ajusta entre as nádegas do garoto, que sente a pressão sobre a sua entrada e fica nervoso, mas a excitação é tão grande que ele mesmo inclina o corpo para a frente, empina as nádegas e facilita o trabalho do outro, que começa a penetrá-lo, aos poucos.

Eles suam, gemem e estremecem de desejo, de ânsia. Fábio consegue pôr-se inteiro dentro de Rafa, que não quer mostrar a dor enorme que está sentindo, por isso espreme os olhos e morde o lábio inferior, quase arrancando sangue. Fábio tenta não se mover a fim de que Rafa acostume-se à invasão, relaxe e aproveite, o que ele percebe acontecer gradativamente, com a tensão muscular indo embora e a respiração tornando-se menos pesada, bem mais porque ele volta a bombear seu membro ereto e a beijá-lo no pescoço, ajudando-o nesse processo dolorido. Mas, ao término de uns instantes, volta a estocá-lo, gesto que vai ganhando vigor redobrado segundo a segundo. Fábio desliza o membro para fora, segura os quadris do garoto e, quando retorna, penetra-o fundo, causando um gemido alto por parte de Rafa, que não é mais só de dor, pois ele é atingido em algum ponto dentro de si que o faz quase esvanecer de regozijo. Rafa enfim experimenta prazer, solta gemidos e gosta da sensação de ser explorado, invadido com ímpeto e vontade desmedida. Agrada-o igualmente sentir o corpo másculo de Fábio sobre si, o hálito delicioso, a pegada atrevida e acaba gozando em meio à penetração intensa, enérgica e sucessiva. Jorra o esperma com abundância, ficando depressa frouxo e abatido. Todavia, Fábio não para porque também está entregue a um desejo quase sufocante e permanece segurando os quadris macios de Rafa, estocando-o em busca do seu ápice, do seu gozo máximo. Dá contínuos solavancos no corpo agora esmorecido dele até que, por fim, experimenta uma descarga arrepiante lhe atravessar, libera um clamor irreprimido, ejaculando com gosto e, a seguir, relaxando por cima de Rafa e ali ficando à procura de repor a energia, normalizar a respiração.

Segundos depois, Fábio sai dele e de cima do seu corpo. Retira a camisinha e a joga no cesto de lixo que está logo adiante. Sobe a cueca e a calça, sempre olhando para Rafa, que repete o gesto, subindo a cueca e a calça jeans, mas faz isso com a cabeça abaixada e uma expressão incompreensível.

— Se eu não tivesse vindo, Fábio... você teria cumprido a ameaça que fez? Teria mesmo ligado pra rádio me denunciando, pra todo mundo da faculdade saber que eu sou gay? — Rafa decide falar, ao fim de uns segundos, expondo sua dúvida em tom muito sério, com o rosto voltado para algum ponto da pia.

— Não. — Fábio responde rapidamente, calmo e sincero, sem desviar os olhos, sem titubear.

— Quer dizer que você apenas blefou? — De novo, Rafa mostra um tom circunspecto.

— Sim. Eu jamais te prejudicaria de uma forma tão torpe e suja. — Outra vez, Fábio mostra-se honesto, sereno.

Rafa respira fundo e meneia a cabeça algumas vezes, mas parece refletir sobre a resposta que lhe foi dada.

— É... Acho que no fundo eu sabia disso. — Finalmente lança os olhos sobre Fábio e dá um meio sorriso, parecendo contente em saber que ele somente fingiu-se de chantagista amoral.

— Sabia e ainda assim veio, sinal de que também queria me ver... mesmo que também tenha vindo com a intenção de me agredir. — A conclusão de Fábio surge um tanto presunçosa.

— Já te disseram que você é um tremendo idiota vaidoso? — Rafa solta outro risinho de chacota, enquanto se desencosta da pia e gira o corpo, ficando de frente para Fábio, encarando-o abertamente.

Fábio respira aliviado, pois imaginou que, após o sexo, ele voltaria a ser arredio, amuado e iria querer agredi-lo com maior fúria. Então, admira-se e abre um belo sorriso, antes de responder à sua pergunta irônica.

— Já sim... e disseram que eu tenho ótimos reflexos. — diz, em tom petulante, com expressão animada. Ele se refere obviamente ao fato de ter-se esquivado dos golpes do garoto com facilidade.

— Que babaca! Fábio, você é convencido demais! — Rafa declara, não mais contendo o riso aberto de escárnio.

— E ainda disseram que eu beijo muito bem... — Estas palavras ditas com voz grave e sensual, fazem ambos notar que transaram sem beijar.

Eles se analisam por uns instantes e Rafa resolve que é o momento de baixar a bola de Fábio e parar de ser tão-só a presa acuada.

— Ah! Mais isso aí não é vantagem... Nisso eu aposto que sou melhor... porque cada garota com quem eu estive até agora falou que meu beijo é irresistível. — contrapõe Rafa, com ar de empáfia.

— Acontece que eu não sou uma garota, Rafa. E, pra falar a verdade, eu nem lembro como é o seu beijo... Quando a gente se beijou, lá no motel, estávamos um pouco bêbados... eu não pude sentir direito. — Fábio anuncia e o garoto sente novo frisson no estômago.

Fábio vai achegando-se outra vez, contemplando Rafa sensualmente. Os rostos se atraem como ímãs e não é necessário mais incentivo de nenhum lado para que as bocas se colem num beijo ousado, forte e sôfrego, compensando pela sua ausência durante o sexo. Obstinado, Rafa põe os braços por cima dos ombros de Fábio e se cola a ele com deleite, enquanto abusa com a língua explorando sua boca, querendo provar a veracidade do que acabou de afirmar. Fábio envolve-o e o aperta com força, também à procura de ajustar os corpos e aprofundar a carícia. Como numa espécie de concorrência, os dois acomodam os lábios, esfregam-nos com vontade e luxúria, sugam-se e se enrolam com as línguas, em mostras de cobiça desenfreada. Quando não mais toleram o sufoco, afastam lentamente as bocas, ainda dando pequenos e molhados beijos e vão sentindo o peito um do outro arfar como maratonistas em término de corrida. Os olhos, afinal, se abrem e se encontram outra vez. Segundos se passam e nada de falarem, só se perdem contemplando-se mais e mais. Há uma carga de sentimentos por trás dos olhares. Ambos, de repente, ficam assustados porque experimentam algo nunca sentido antes, uma emoção autêntica, violenta e profunda.

— Uau! Essas garotas não mentiram... seu beijo é irresistível mesmo. — Fábio sussurra rente à boca de Rafa, já querendo beijá-lo outra vez.

— Eu... Eu preciso ir... — Rafa diz com voz arrastada e vira o rosto, impedindo-o de repetir o gesto.

— Hum... Não! Espera só mais um pouco, vai... Isso tá tão bom! — Fábio lastima em sussurro. Continua com os braços presos a Rafa, beijando onde dá, nos cantos dos lábios, no queixo e pelo pescoço. Em seguida, ri por causa do pensamento que teve. — Acho que não vai ser difícil te confundir com um pacotinho de maconha... Já tô até viciado.

A metáfora, aludindo à comercialização de drogas, citada por Fábio provoca algum incômodo no garoto e o faz recordar-se do compromisso que ele firmou para depois das aulas na faculdade.

— Não, Fábio, chega! Você ganhou a aposta e teve o que quis, ok? Agora eu preciso ir mesmo, cara. Não me complica mais do que eu já tô, vai... — Rafa olha para o céu, através da vidraça acima das suas cabeças, constata que começa a escurecer e entende que está muito atrasado. — Droga! O Leo vai me matar.

— Leo? Posso perguntar quem é esse? — Fábio questiona, interrompendo as carícias e franzindo as sobrancelhas, curioso.

— É o Leonardo... — desvia os olhos para concluir a fala. — Ele é meu amigo... e o meu fornecedor.

Leonardo, na verdade, é um traficante experiente e perigoso, membro de uma organização criminosa de tráfico de drogas e entorpecentes em geral. Ele já foi preso em cárceres municipais e estaduais, diversas vezes, por denúncias e flagrantes de furtos, assaltos à mão armada e inclusive passou um tempo numa instituição penal, acusado de ter assassinado um desafeto seu. O delituoso, porém, foi solto pouco tempo depois porque a tal organização criminosa lhe contratou um advogado treinado em casos como os dele e logo fez com que as provas de acusação fossem invalidadas, tornando-o um mero inocente enlaçado às intrigas alheias. Rafa e ele conheceram-se numa destas festas noturnas às quais o garoto frequenta e são repletas de jovens loucos para se narcotizar, em busca de um prazer alienado, irreal. Depressa, Leonardo percebeu que Rafael não era igual aos outros, ele não se drogava nem bebia para perder os sentidos, mostrando-se sempre com o seu olhar desconfiado, apreensivo, de quem vê o mundo como uma ameaça constante e por isso precisa ficar em estado de alerta. Apesar de não ser gay e nem nunca ter presumido que Rafa seja, Leo sentiu-se atraído pelo garoto marrento assim que lhe pôs os olhos, tudo porque viu nele a representação de um vazio existencial, uma extrema rebeldia, um olhar de quem topa tudo e gosta da sensação do perigo, assim como ele. Facilmente gostou do menino e o imaginou como um tipo de discípulo a ser treinado, iniciado e inserido neste mundo ilícito e lucrativo. Logo, quis aliciar e trazer o garoto para o seu negócio, usando-o como um mero traficante que iria repassar entre os demais jovens a sua chamada droga miúda.

— Ah.... Uhum... sei. — Fábio torce a boca e mostra uma expressão de incômodo, mas segura a língua sabendo que pode irritar o garoto se tocar, neste momento, no espinhoso assunto.

Rafa finge não discernir nos olhos de Fábio mostras de clara afetação. Ele pega do chão sua blusa e começa a vesti-la, evitando olhar diretamente para Fábio, que passa a analisá-lo calma e longamente, recostando-se à lateral da parede, ainda próximo ao garoto.

— E como ficam as coisas entre a gente a partir de agora? — Fábio questiona.

— Não ficam... Olha, Fábio, eu já te disse que não quero problemas. Também não quero mais você andando atrás de mim pela faculdade nem me ligando pra me fazer ameaças idiotas... Até me fará um favor se fingir que não me conhece. — Enquanto ajeita o moletom sobre os ombros, Rafa anuncia francamente.

Fábio, então, fica sério, mas não quer demonstrar sua frustração. Assim, ele apenas meneia a cabeça positivamente.

— Tá ok.... Eu sei quando eu atinjo o meu limite, Rafa. Fique tranquilo porque eu não vou mais encher o seu saco... Eu desisto! — fala em tom decidido e também busca sua camisa para vestir.

— E quem disse que eu quero que você desista, seu idiota? — Estas palavras, apesar de serem ditas em tom desaforado, fazem o coração de Fábio alegrar-se.

— Ué! Agora não tô entendendo mais nada... O que você quer dizer então? — volta a encarar o garoto, sentindo ânimo ao vê-lo sorrir cinicamente.

— Quero dizer que, da próxima vez, eu te ligo pra combinar quando e onde iremos nos ver. Ninguém pode saber disso, viu? Será o nosso segredo. — Rafa anuncia em tom de ordem, ao passo que se aproxima e, de modo atrevido, olha para o monte entre as calças de Fábio. — Vamos ver se você consegue deixar essa coisa aí quieta na calça por enquanto... e não me procura, assim a gente evita ser vistos juntos e eu fico livre de mais problemas.

Fábio, contente com as decisões tomadas, coloca as duas mãos sobre o rosto meio embravecido do garoto e o puxa, sem consentimento, a fim de lhe dar outro beijo.

— Hum...Ok! Mas não demora muito a me ligar, tá bom? — Fábio vai falando enquanto lhe arranca beijos rápidos e estalados, em clima de despedida. — E, da próxima vez, vamos conversar mais pra gente se conhecer melhor. Quero saber tudo sobre você, Rafa... e quero te contar tudo o que quiser saber sobre mim.

— Jura que não tá interessado só no meu traseiro, Fábio? O que você quer mais? Me pedir em namoro? — De modo escarninho, Rafa lança as perguntas, ao passo que aproveita os beijos que Fábio insiste em lhe dar, adiando a sua saída.

— Olha que isso não é má ideia... — Fábio dá uma pequena mordida no queixo dele, depois para e fica olhando-o fixamente, com ar de solenidade. — Rafael que faz o curso de química e que tem um traseiro muito lindo, quer ser o meu namorado?

Rafa não se contém e acaba soltando uma gargalhada divertida, negando com a cabeça em sinal de descrédito e chacota, embora trespasse por seus olhos um brilho enigmático. Sem responder nada, ele o empurra de leve e busca sua mochila no piso, pondo-a sobre o ombro esquerdo e se virando para sair.

— Puxa! Isso não se faz! Vai sair sem me dar uma resposta? — Fábio, brincalhão, insiste em obter um retorno.

Rafa envia-lhe um último olhar e percebe o quanto Fábio é bonito, charmoso e lhe provoca arrepios devido ao fascínio que exerce sobre si. Por isso, ele receia as consequências de um envolvimento sério.

— Talvez um dia eu te dê essa resposta, Fábio... Tchau! — conclui, em tom de presságio.

Rafa abre a porta e sai, fechando-a novamente atrás de si e deixando Fábio com um belo sorriso no rosto porque sente que ele e o garoto estão apenas no início de uma relação amorosa que pode vir a ser intensa e duradoura. Apesar de estar ciente dos problemas que terão de enfrentar, incluindo os que são somente do bad-boy, Fábio pensa de modo positivo, crê que pode, com calma e paciência, convencer o garoto a abandonar a vida de delinquência, quem sabe arranjar um emprego honesto e adotar uma postura realmente íntegra frente ao mundo.

[...]

Na república, permanecem Louise, Vicky e Manu em estado de plena tensão esperando a chegada de Lavínia sem saber ainda como a loira irá reagir quando souber que seu pai está sendo alvo de uma calúnia séria e que pode prejudicá-lo de várias formas, em sua vida profissional e pessoal. Assim que escutam o barulho do portão de ferro ser aberto e os passos que sabem ser dela adentrando à casa, todas se olham, cúmplices da mesma agonia.

— Oi, gente! — Lavínia cumprimenta as amigas e, sorrindo, observa-as. — Que interessante! Tá todo mundo em casa. Manu, você não deveria estar agora na lanchonete? — deixa claro que ela não está sabendo de nada sobre o ocorrido.

— Sim... deveria, mas eu resolvi faltar porque senti dor de cabeça, então achei melhor não ir mesmo hoje. — responde a ruiva, em tom nervoso.

— Hum...! Olha, isso de ver nós quatro aqui tá até me dando ideias... Nós poderíamos pedir pizzas e escolhermos um filme para vermos juntas, o que acham, meninas? Seria divertido, nunca mais tivemos tempo para as nossas festinhas VIPs.

Não se contendo em sua emoção, Vicky levanta-se e segue depressa para o quarto, ainda tentando prender o choro. Manu vai atrás imediatamente, sem dirigir mais nem um olhar para Lavínia, que fica pasmada, sem compreender exato o que houve para agirem assim.

— Lou, me diz uma coisa... Por acaso, essas duas andaram brigando de novo? — Não encontra outra explicação para o comportamento estranho delas.

— Ai, Vivi... deve ter sido isso mesmo. Você sabe que elas vivem brigando e fazendo as pazes. — Louise responde rapidamente e, em seguida, olha-a de viés, com expressão perscrutadora. – E quanto a você, como foi lá na faculdade? Viu o Pietro? Conseguiu acalmar um pouco o seu coração?

Lavínia joga-se no sofá, ao lado da amiga, relaxando o corpo e dando um longo suspiro de cansaço.

— Bom, na faculdade foi tudo bem e, sim, eu estive com o Pietro, mas não sei se consegui acalmar totalmente o meu coração... po-porque eu me sinto péssima em não corresponder o que ele sente por mim do mesmo jeito. — confessa e olha para Louise, que anui com a cabeça em sinal de compreensão e simpatia.

— Não se preocupe demais por causa disso... Eu tenho fé que, com o tempo, você vai aprender a amá-lo de verdade. Ele é um bom rapaz e parece estar muito apaixonado por você... Isso é ótimo, não é? — Louise prenuncia, tentando impor voz de ânimo.

— É... É claro que é! — dá ênfase às palavras buscando convencer-se delas.

— Vivi, e os seus pais, eles te ligaram? Aconteceu algo estranho que você queira me contar? — Com palavras cautelosas, Louise segue especulando.

— Nossa! É mesmo! Sabe que só agora estou me dando conta de que eles não me ligaram nem uma vez hoje à tarde... Caramba! Deve ter caído uma bomba atômica na mansão Albuquerque. — Lavínia ri, brincalhona. Após isso se lembra de algo mais. — Ah! E aconteceu algo diferente, sim... A irmã do Pietro estava com a gente no quiosque que sempre vamos e quando ela viu o Jonas passando quase teve um ataque do coração. Coitada! Acho que foi amor à primeira vista. Ela praticamente me obrigou a apresentá-los. E eu acho ele também gostou dela.

— Olha, que bom! Tomara que eles se entendam mesmo. E eu fico feliz que sua tarde tenha sido animada... — Mais uma vez, Louise força a voz de entusiasmo. — Vivi, por que você não vai tomar um banho, trocar de roupa e depois vem comer algo na cozinha... Assim, eu te faço companhia e nós podemos conversar mais.

— Uhum! É exatamente do que preciso neste momento... um bom banho, comida quentinha e boa conversa. Afinal, preciso repor as forças antes de sair de novo... e encarar a noite na boate.

Dito assim, a loira levanta-se do sofá, mas antes de ir para o quarto, ela volta a lançar seus olhos violáceos sobre Louise.

— Lou, você tá me escondendo alguma coisa? — pergunta, sem rodeios.

— Eu? Claro que não, Vivi. Anda, vai lá... toma seu banho, se troca e depois vem... pra gente conversar outra vez. — Louise finge-se de ofendida e desvia os olhos.

— Tá bem... eu vou, mas não pense que você me engana... Eu vejo nos seus olhos que algo aconteceu.

No entanto, Lavínia supõe que a tristeza que enxerga no olhar de Louise seja relacionada a Dico, que algum novo problema atormenta o namoro deles e que a amiga não queira enchê-la com suas preocupações antes de vê-la banhada e disposta a ouvir suas lamúrias íntimas.

[...]

Notas finais
OMG!!! Pois não é que Fábio tanto fez que realmente conseguiu ganhar a aposta, saciar o desejo de ter o bad boy outra vez numa transa muito sexy e ainda "amolecer" o coração de Rafa, que acabou ele mesmo dizendo que irá combinar depois quando e onde eles irão se ver de novo. Que tudo de bom!!!! Mas, gente, o garoto marrento está metido em questões mais sérias do que poderíamos supor a princípio, pois ao que tudo indica este Leo (o Leonardo) é traficante perigoso e integrante de uma grande organização criminosa. Não é um bom amigo para se ter, com certeza. E Fábio, esperto como é, vai agir com cautela neste caso para ajudar o garoto a sair disso. Vamos todos torcer que ele consiga livrar Rafa das mãos aliciadoras de Leo e desta vida delinquente. Com relação à Lavínia, é triste ver que a pobrezinha ainda nem sonha a "bomba" que está explodindo e afetando drasticamente sua vida e da sua família. Tadinha!!! Pior ainda será quando ela souber que Henry é o mentor que está nos bastidores assistindo e rindo da sua desgraça, esperando que o pai dela sofra bastante com os falatórios maldosos. Vocês acham que ela vai conseguir perdoar tamanha audácia do loiro semideus vingativo? Bom, agora vamos ver como isso anda a partir de agora, né. Deixem comentários. Beijos e até logo.