[HIATUS] Mudanças impuras

44 Escândalo de um lado, acerto de outro


Notas iniciais
Obá!!! Estou tão feliz em poder vir aqui para lhes entregar um capítulo "quentinho, saído do forno". Hahahaha... Bom, espero que apreciem a leitura e que me favoreçam com sua companhia até o fim e o desenlace desta trama. Agradeço de coração à minha beta querida, Estrela de Rubi, autora do belo enredo - "Vítima do Amor" - por tudo e ainda mais pela presença maravilhosa em minha vida.

— É isso aí, my sweetheart, sinto muito ter que dizer, mas você agiu como uma menina tola e precipitada. Você provocou a Dayse, foi atrás dela e teve exatamente o que queria... e agora não pode reclamar. — Chris apregoa, ao passo que lança seus olhos escuros e inteligentes para Aline, que chora baixinho contando para o irmão gêmeo como Dayse rebaixou-a com palavras violentas, depois de terem passado juntas uma maravilhosa noite de amor.

— Não! Você tá enganado, Chris, o que eu queria não era isso... Eu queria que ela percebesse a intensidade do meu amor... e não que ficasse comigo só por uma noite, pra me tratar como um saco de lixo no dia seguinte! Ah! Que merda! Eu quero mais que sexo e humilhação. Eu quero a minha namorada de volta! — Aline declara, chorosa, fazendo sua voz ressoar por todo o quarto, em mostras de pleno descontrole.

Enquanto observa a irmã lamuriar-se como uma criança birrenta e malcriada, algo vem à mente de Chris, fazendo-o ficar inexplicavelmente frio e apático. Ele apenas confere a hora no celular, vendo a chance de Dayse já estar em casa.

— Aline, para de dar chilique, tá bom! Eu vou sair agora e depois eu volto e então você vai poder entupir os meus ouvidos a noite inteira com a sua ladainha sem fim. — dizendo isto com voz de irritação, ele se levanta da cama da sua irmã e caminha na direção da porta de saída do recinto.

— Ai, saco! Agora você vai ser grosseiro comigo também, Chris? E aonde você tá indo? — A gêmea pergunta, pondo as madeixas negras para trás e enxugando os olhos inchados de chorar.

— Vou resolver um problema... Fica aí e me espera, que eu não demoro. — opta por não revelar que irá à casa de Dayse ter uma conversa nada agradável com ela.

Desse modo, Chris, cheio de altivez na sua postura, sai do quarto da irmã, anda num pisado decidido, passa pelo corredor e chega à sala, onde estão Bruno e sua mãe, Naira, sentados no sofá, abraçadinhos e quietos assistindo à programação da TV.

— Christian Cardoso! — Naira convoca seu filho por nome e sobrenome para interpelá-lo, ao ver que ele anda feito um robô e nem os cumprimenta quando atravessa a sala e vai rumo à porta. Chris então olha para trás e ela continua: — Pra onde o mocinho pensa que vai a esta hora da noite? Não percebeu que falta pouco para as dez?

— Eu sei que é tarde, mãe, mas eu vou só na casa da Dayse e volto já. — Sem esperar mais por nada, ele refaz seu caminho e sai da residência, deixando Naira com uma expressão desconfiança.

Mais alguns passos e, enfim, Chris põe-se em frente à morada de sua melhor amiga. Respira profundamente e toca a campainha.

— Olá, Chris. Boa noite! — A simpatia de dona Helen deixa o rapaz até um pouco desconcertado.

— Oi, dona Helen, boa noite. Desculpe vir neste horário... Mas a senhora pode me dizer se a Dayse já chegou da lanchonete? — questiona olhando-a com ar de curioso.

— Já sim, meu filho. E não tem problema você aparecer a esta hora porque, hoje, estamos todos meio sem sono nesta casa. Pode entrar, ela tá lá cozinha... tá jantando. — Ela abre mais a porta e dá espaço para o garoto entrar.

Chris anda uns metros mais e vê, na antessala, o senhor Augusto abancado numa cadeira, nota que o velho homem está reparando algo semelhante a uma vara de pescar.

— Ah! Oi, Chris! Como vai a vida? E os estudos, vão bem? — O pai de Dayse, assim como a mãe, faz questão de ser simpático, puxando assunto só para descontrair, porque o vê como um bom vizinho e ótimo amigo da filha dele.

Chris engole em seco, sentindo um aperto no coração, pois sabe que logo mais irá dizer para Dayse algo bastante difícil de encarar.

— Estou bem, senhor Augusto, e em dois anos eu me formo no curso de inglês... Obrigado por perguntar. Olha, eu vou lá falar com a Dayse... — responde educadamente ao que lhe foi perguntado e volta a andar em busca de sua amiga. Chegando à cozinha, encontra Dayse ainda com a farda da lanchonete, sentada frente à mesa, comendo, distraída.

— Hum... Parece que esse prato está very delicious! — Chris brinca, sem impor graça nenhuma em sua voz, somente para desanuviar a própria mente, que está repleta de pensamentos um pouco incertos, neste instante.

— Está sim, muito bom. Ei! Será que você gostou tanto assim de tomar café da manhã comigo que agora quer comer da janta da minha mãe também? — diz, divertida, mas, assim que Chris senta-se ao seu lado, Dayse põe os olhos no amigo e entende que ele não está com clima para piadas alegres, não de verdade.

— Preciso conversar com você, Dayse. — Pela voz grave e o tom sério, Dayse compreende que o assunto não é bom.

— Sobre a Aline. — vai direto ao ponto, torcendo a boca e mostrando-se agoniada. — Olha, Chris, eu sei que eu errei quando eu fui fraca e permiti que acontecesse o que aconteceu entre mim e ela, mas eu prometo que isso nunca mais vai se repetir. Se ela ainda quiser continuar sendo minha amiga, tudo bem... mais do que isso eu não quero. Ela afasta o prato de si, sabendo que não mais conseguiria comer, pois o estômago logo fica em agitação.

— Você ainda tá com aquela ruiva, a Manu? — Chris parece desconsiderar o que Dayse acabou de dizer e lança a questão.

— Sim, quer dizer, mais ou menos... Ah! Eu nem sei se ela tá comigo ou apenas passando tempo, até saber o que quer da vida. — Dayse confessa em tom meio amargurado e se enrola um pouco, pois sabe que sua relação com a Manu é vaga, instável.

— Você gosta dela, eu vejo isso... — Chris afirma categórico. Depois ele completa a frase, com mais consistência na voz, encarando a amiga diretamente: — Mas também ainda é apaixonada pela Aline.

— Não! Eu... só fui fraca mesmo, eu já falei... Não vai acontecer de novo, eu garanto que não. — As palavras de Dayse saem vacilantes. De fato, ela sempre foi sincera consigo e com os outros, mas quando o assunto é Aline, ela perde o controle do que sente e do que deseja sentir, recusa-se a admitir seus sentimentos em relação à garota que lhe causa raiva e desgosto.

— Dayse, nós somos amigos desde crianças, crescemos juntos... Acho que eu te conheço mais que qualquer um. Eu sei que você ainda ama a Aline, sim, só não gosta do que ela se tornou. — Com esta acusação, Chris faz Dayse baixar a vista e respirar fundo, como quem engole um sapo enorme. Ele segue: — Mas você também sabe muito bem como isso começou. A mudança da Aline aconteceu desde que... — Chris não consegue terminar a frase porque é tomado de emoção, a garganta trava por uns instantes.

— É, eu sei... Desde que o pai de vocês foi assassinado. — Dayse arremata o enunciado de Chris, sentindo tristeza ao lembrar-se do período de luto dramático que a família do amigo sofreu.

— Ninguém sofreu mais com essa perda do que a Aline, porque ela e o meu pai eram muito unidos, se adoravam... Ela sofreu demais! Passou semanas trancada no quarto, sem querer ver ou falar com ninguém, a não ser comigo ou com você... e, às vezes, com a mamãe. — Chris seca uma lágrima que escorre por seu rosto, enquanto tenta recuperar a serenidade para conseguir expor tudo o que quer, a fim de que Dayse compreenda seu pensamento.

— Sim, eu me lembro disso. — Dayse igualmente experimenta o cérebro levando-a à época mais tensa da vida de Aline, quando elas estavam no início do namoro de adolescentes, super apaixonadas e cheias de planos para o futuro, como amantes eternas.

— Eu e a minha mãe, e até você, erramos feio com ela, Dayse... Tentamos ajudá-la a parar com a dor, mas terminamos protegendo, dando carinho em excesso... Nós a estragamos. E depois você a abandonou, quando ela se tornou isso que ela é agora, uma garota mimada, egoísta, agressiva, sem noção de limites, que acha que o mundo inteiro gira ao redor do umbigo dela...

— Espera aí, Chris! Você tá dizendo que eu contribuí pra Aline se tornar essa pessoa horrível que ela é hoje? — Há indignação na voz de Dayse, porém, em sua alma, ela própria alimenta alguma culpa inconveniente. Dayse pensa que é por isso que ainda tolera o comportamento banal, rebelde e depravado da gêmea, mantendo-a como amiga e querendo suplantar esse sentimento de pesar, por ter acompanhado as mudanças negativas dela.

— Sim, eu tô dizendo isso mesmo porque, na época, você foi a primeira a ficar cega pela Aline, enchendo ela de mimos, se irritando quando nós brigávamos com ela e dizendo que ela só precisava de amor e compreensão... — Chris relembra como Dayse tratava a Aline diferente do que trata agora. — Mas, por outro lado, eu sei que você era apenas a namorada dela, que tava preocupada em não vê-la sofrendo... e não cabia a você a função de impor regras nem limites... Eu tô dizendo, na verdade, que nós todos nos esquecemos de dar pra Aline o que ela precisou depois de tudo. Esquecemos de lhe dar regras para viver.

— Tá! Ok. Que seja! Eu admito que tenho a minha parcela de culpa nisso, mas é como você disse, Chris... eu a amava e só queria protegê-la de qualquer tipo de sofrimento. Até que... — Dayse tem dificuldade em completar seu pensamento, pois sente muita raiva agora.

— Até que um dia você acordou do encanto e viu a garota repugnante em que ela se transformou. — conclui Chris, experimentando o coração se comprimir ao falar assim da sua irmã.

— É, acho que isso resume o que aconteceu. — Dayse anui com voz tristonha, cheia de mágoa. Depois, ela volta a lançar os olhos suspeitos sobre o amigo. — Mas por que você tá tocando nesse assunto agora? Isso faz parte do passado, Chris. Eu terminei o namoro com a Aline há mais de um ano... e eu não tenho mais nada a ver com ela.

— Isso é que não, Dayse... Você ainda deixa ela criar expectativas, permite que fique próxima, que finja ser a sua amiga, mesmo sabendo que ela é louca por você... — O semblante de Chris vai gradualmente ficando mais sério, à medida que expõe seu ponto de vista. — A minha irmã não consegue firmar namoro com mais ninguém... Entram e saem garotas da cama dela, mas nenhuma fica por muito tempo, a exemplo da Sarah, que foi a última a saltar fora...

— E por que você tá me dizendo tudo isso? O que quer que eu faça? Diga de uma vez o que quer de mim! — depressa se exaspera.

— Eu quero que você entenda que eu cansei disso. Eu preciso fazer algo pra ajudar a minha irmã... — Chris interrompe-se um instante e se mostra arrasado, porém, determinado. — Eu vou conversar com a mamãe sobre mudarmos pra outro bairro... ou até pra outra cidade. Quem sabe conhecendo um novo ambiente, novas pessoas, ela possa apresentar alguma melhora...

— E... E quanto à nossa banda? — Dayse questiona já pressagiando a resposta.

— Você sabe que, do jeito que as coisas estão, é impossível continuar com a banda... A Sarah não vai voltar, a Aline tá descontrolada, você prefere insistir nisso de ser amiga dela, apesar de saber que ela nunca vai se conformar em ser apenas isso... e eu tô cansado de bancar a Suíça. Eu não vou mais ficar em cima do muro. — desabafa Chris, enfrentando sua melhor amiga com ar de quem não está mais disposto a ceder em nada.

— Você não vê que tá sendo muito radical, Chris? Tudo bem que a banda acabe e a gente pense nisso depois, mas eu não acho que vocês precisam se mudar de bairro muito menos da cidade, poxa. Isso é exagero. — Dayse fala, experimentando incômodo ao ouvir as decisões tomadas por Chris.

— É, eu sei que tô sendo radical, exagerado, mas acontece que a Aline se tornou um problema que não dá pra tentar resolver de outra forma. Com ela não existe mais um meio-termo, ou é ou não é... Por isso que agora você só tem duas alternativas, Dayse. — O gêmeo anuncia para a amiga, em tom bastante formal.

— Tô até com medo de perguntar que alternativas são essas... Mas, diga lá, Chris, que alternativas eu tenho? — Dayse manifesta sua inquietação, olhando para Chris e tentando prever o que ele dirá.

— Ou você proíbe a Aline de se aproximar de você completamente, corta qualquer tipo de contato com ela... destrói todos os sonhos que ela ainda alimenta de que vocês têm um futuro juntas, forçando-a a ir embora de vez da sua vida... ou... — Chris pigarreia um pouco antes de completar a sentença. —... ou você assume o que sente, aceita ela de volta como sua namorada e me ajuda a recuperar aquela Aline boa, carinhosa e amiga, que se foi junto com o meu pai.

Dayse permanece muda e boquiaberta, por uns bons instantes, apenas olhando para Chris e buscando assimilar o que ele acabou de determinar, como um dito de árbitro, sem chance de apelação.

— Chris, a nossa amizade também está em jogo? — questiona em tom compenetrado. — Você pensa em terminar a nossa amizade, caso eu escolha me afastar de vez da Aline?

Antes mesmo de responder, Chris captura a mão de sua amiga, por cima da mesa, e a aperta afagando, ao passo que encara Dayse de modo carinhoso.

— Claro que não, green lady. Independentemente do que decidir sobre ela, você sempre será a minha melhor amiga... e eu te amarei do mesmo jeito. — Chris assevera taxativo. — Eu só tô tentando proteger o lado mais fraco e você sabe que o lado mais fraco neste momento é a Aline.

— Sim, eu sei. — aquiesce Dayse, em tom mais ameno.

— Promete que vai pensar sobre o que te falei e que vai me dar uma resposta o mais rápido possível? — solicita Chris, deixando evidente a sua pressa em querer solucionar este assunto incômodo.

— Eu prometo. E eu prometo também que manterei essa conversa em sigilo, até minha decisão estar tomada. — Dayse tranquiliza o amigo, até mesmo quanto ao possível desentendimento entre os irmãos. Pois, de fato, se Aline souber que há o sério risco de perder sua amada para sempre devido à atitude rigorosa de Chris, ela poderá não entender nem perdoar tal gesto.

— Obrigada, my dear. — fala suavemente Chris, enquanto se levanta dando a entender que já está de saída. — Bom, era somente isto que eu queria dizer, então, eu vou indo... Boa noite.

Chris dá uns passos em direção à saída.

— Chris. — Ela chama em tom amistoso.

— Hum? — Ele olha para trás.

— A Aline tem sorte de ter você... Você é um bom irmão. — O elogio de Dayse é dito com carinho.

— I’m the best! — ri fracamente e vira as costas, saindo da cozinha e abandonando Dayse entregue à reflexão sobre tudo o que teve que ouvir. Ela sabe que agora terá que tomar uma séria decisão, talvez a mais complicada de toda a sua vida.

Chris deixa a casa da amiga consciente de que, na verdade, não está sendo um bom irmão, mas o melhor irmão que consegue ser diante da circunstância apresentada. Também sabe que o caráter deturpado de Aline não foi construído ante o assassinato de seu pai, mas foi estimulado, engrandecido numa lente de lupa pelos que a rodeavam e lhe dedicavam amor excessivo. Ele reconhece que o elogio dito docemente por sua melhor amiga refere-se ao fato de ele estar propondo o fim de um impasse antigo, algo que a própria Dayse não teve coragem de fazer. Dayse nunca soube afastar Aline de si definitivamente, sempre deixou lacunas tênues pelas quais a gêmea soube aproveitar-se para permanecer crendo que um dia elas tornarão a ser amantes, namoradas e até parceiras fiéis. Por isso, é evidente que Aline continuaria alimentando essa ilusão sempre e sempre, a despeito de Dayse ceder uma noite de sexo ou não. A atitude intransigente de Chris recheada de palavras amargas e de cunho não tão verídico, em sua maior parte, é resultado do desespero, da vontade de resolver isso seja como for e o mais rápido que der, porém, buscando preservar a boa amizade que há entre ele e Dayse.

[...]

Na república das garotas....

Sentada à mesa da cozinha, Lavínia faz sua refeição, ainda inocente dos acontecimentos trágicos que a cercam. Louise observa-a angariando coragem para contar à amiga o que ela precisa saber. Enquanto isso, no quarto, estão Manu e Vicky, esta última chorando copiosamente, tudo por conta de sentir-se muito compadecida pela situação de Lavínia.

— Ah! Tadinha da Lavínia, Manu. E eu sou mesmo uma idiota... eu deveria estar lá dando força pra ela, ajudando de alguma forma, mas eu não quero que ela me veja chorando assim, por compaixão... — A morena esfrega os olhos tentando cessar as lágrimas, em gesto inútil.

— Não, pô! Respira fundo, deixa o ar entrar e ir te acalmando... Não precisa se criticar desse jeito também, né? Você sabe que sempre foi assim, uma garota sensível... meiga e que se abala fácil pelos problemas. — A voz de Manu é suave, compreensiva porque ela sabe que tudo que envolve drama familiar afeta a morena diretamente. Entretanto, ao invés de consolar e fazê-la ficar menos triste, o seu enunciado promove em Vicky o efeito contrário. A morena se exaspera mais e dá as costas para a ruiva, enquanto pensa no que ela disse.

— Oh! Que lástima! E eu achando que ainda tinha cura pra mim... Mas a verdade é que eu me abalo fácil pelos problemas porque eu sou mesmo uma fraca... que só sabe chorar. Por isso que eu não sou boa filha, amiga nem boa namorada... E foi por isso que eu te perdi. — Ela para uns segundos tão-só para criar coragem e completar seu pensamento de auto frustração. — Vai, Manu. Me deixa aqui... Vai lá e fica com a Lavínia. Faça o que eu não consigo fazer, seja forte por mim, por favor.

Agindo assim, Vicky mostra que está regredindo e abrindo espaço para a depressão, a desesperança, voltar a atormentá-la. Depois, ela escuta barulho na porta e crê que a ruiva saiu do quarto, abandonando-a como pediu, deixando-a entregue à suas queixas, à sua persistente amargura.

Segundos se passam e Vicky conserva-se de costas, chorando, decepcionada consigo mesma, mentalmente já pedindo perdão a Fábio, que ficará muito irritado quando souber da sua recaída.

— Vicky, olha pra trás. — A voz sussurrante de Manu quebra o silêncio e ecoa nos ouvidos de Vicky. Então a morena se volta e se espanta depressa com o que vê, sustendo o choro automaticamente.

— Manu... você tá nua... — Ela anuncia o óbvio, com voz quase sumida, percebendo que a ruiva havia despido-se completamente.

— Viu como não foi tão difícil te fazer parar de chorar? — Manu sorri e fica contente por ter atingido seu intento.

— Tirou a roupa só pra isso? — mostra-se confusa, não querendo criar falsas expectativas.

— Sim. E acho que foi uma boa ideia, pois funcionou. E, se você pensou que eu te deixaria aqui chorando a noite toda, errou feio... — A ruiva diz, em tom de provocação. Depois, ela lança sobre a morena uns olhos estreitados. — É que agora eu prefiro o seu sorriso de boboca a esse choro sem sentido. Você tá proibida de derramar lágrimas à toa... Ok?

— Ok. — Vicky anui, sentindo o rosto em brasa pelo embaraço, ao passo que envia seus olhos para o piso ou qualquer lado, respirando fundo várias vezes. — Desculpa, Manu... Você tem razão. Foi um momento de fraqueza, mas já passou. Obrigada por me ajudar.

A ruiva acha interessante notar que a timidez de Vicky nunca a abandona, não importa quantas vezes ela já a tenha visto despida, sempre mostra um aspecto de admiração e acanhamento quando a flagra assim. De repente, ela ergue uma mão e toca na face úmida de Vicky, secando umas lágrimas que ficaram estacionadas no meio do caminho. Seu objetivo inicial era somente assustar Vicky e, quando a morena parasse de chorar, ela se vestiria, as duas sairiam do quarto e iriam juntar-se à Louise, a fim de amparar a amiga delas neste momento delicado. No entanto, o que é previsível acontece. A mão que secava as lágrimas de Vicky agora desliza e se firma no pescoço macio, puxando-a para si, atraída pelos olhos bonitos e negros que a olham carentes, esfomeados. No instante seguinte, Manu cola seus lábios aos dela, fecha os olhos e começa um beijo lento e ritmado. Vicky, no mesmo segundo, devolve a carícia, com ânsia redobrada, saciando a vontade que a desgastava, dia a dia, ainda tentando acreditar que isto não é fruto da sua imaginação.

Manu estanca o beijo e olha no fundo dos olhos de Vicky em busca de recompor o juízo, mas a cobiça é desmedida, a saudade é lancinante e convulsa.

— Vicky... Ah! Que se dane! Eu quero você agora. — A voz afoita da ruiva expõe seu anseio voraz, enquanto passa os braços ao redor da morena, apertando-a com força, num abraço sugestivo.

— Manu... — O nome da ruiva rebenta dentro de Vicky, que o diz em voz alta, sem nem perceber.

Sem mais o que pensar, Manu tira-lhe a blusa amarela, intensificando os beijos a cada movimento. Abre o fecho do sutiã e exibe os volumosos seios de Vicky, fica em êxtase, enfia o rosto entre eles, sentindo o aroma delicioso e se inebriando de desejo. Depressa resvala a mão por um mamilo enquanto a boca suga e mordisca o outro, cingindo os bicos, querendo marcar a pele da morena, deixar claro a quem ela pertence. Vicky geme de prazer ao sentir a compressão e seu corpo todo se eriça. Ela arqueia a coluna, entrega-se à carícia. Mas a ruiva não está satisfeita ainda, pois coloca as duas mãos na barra elástica da saia de tecido bege e desce a peça junto com a calcinha. Ofega de júbilo quando, enfim, tem a morena despida. Adere seu corpo ao dela, leva-a para uma das camas e se deita em seu corpo, esfrega-se com gosto, ajusta suas pernas às dela. Num ato quase delirante, enche a mão na intimidade de Vicky e fricciona os dedos, adorando vê-la contorcer-se, arrepiar-se, através de gemidos baixinhos.

— Oh...! Manu... Hm! Quero assim... — Vicky solta palavras desconjuntadas, em meio aos ofegos, mostrando que está bem excitada.

— Sentiu falta disso, não foi? — A ruiva pergunta, com voz buliçosa, mas exigente.

— Muito, muito... — confessa a morena, ao passo que também procura com os dedos a fenda lubrificada de Manu, repetindo o gesto ousado e retribuindo o beijo que lhe é oferecido.

As línguas se emaranham, capturam-se com volúpia, como fazem também os corpos excitados. As jovens se perdem uma na outra, definitivamente. Como sedentas num deserto em busca de um oásis de água pura e abundante, permanecem em beijos molhados, esfregações e toques ousados. Manu enfia mais um dedo na intimidade de Vicky, completando dois. Habilidosamente agita a mão, indo e voltando, sentindo as paredes internas da morena se comprimindo de prazer, entumecendo-se mais, contente ao experimentar a mesma carícia sobre si. Tal empolgação delonga-se a instantes incontáveis porque elas não têm mais noção de tempo, de certo ou de errado, tudo o que querem é matar o desejo que as queima sem dó. Deste modo, encontram seus orgasmos numa sintonia quase perfeita e, por fim, conseguem satisfazer os corpos, que agora estão fadigados, suados e arquejantes. Vicky encontra-se deitada, com as costas sobre o colchão, os cabelos cacheados espalhados pela cama, deixando-a linda e natural. A ruiva está ao seu lado, com a cabeça posta na curva do seu pescoço e com um mão ainda a lhe bolinar um seio, lenta e distraidamente, numa ação quase irrefletida, ao passo que a perna direita relaxa de forma languida sobre sua coxa.

— Manu. — Vicky chama, com ar de certa agitação.

— Hum? Fala. — incita-a, permanecendo com a cabeça repousada sobre o vão do seu pescoço, já imaginado o que ela quer dizer.

— Nós... Quer dizer, você vai voltar pra mim? Vamos voltar a ser namoradas, não vamos? — A ansiedade nas palavras de Vicky é notória e isso causa incômodo à ruiva.

Manu ergue o rosto e a encara. Há algum aborrecimento em sua expressão.

— Não quero pensar nisso agora, Vicky. Nós fizemos o que queríamos fazer... mas isso não muda as coisas. Não é de uma hora pra outra que iremos resolver os nossos problemas, que agora estão maiores. — declara abertamente. Depois volta a baixar a cabeça, mais amena. — Por hora, vamos cuidar do que é mais importante... ou seja, vamos sossegar aqui por uns minutos, criar coragem e ir dar apoio pra nossa amiga, pra ela saber que não é só a Louise que está com ela, mas nós também.

No entanto, Manu está igualmente evitando um diálogo mais sério e que, por certo, suscitará questões cruciais e bem difíceis de lidar. Ademais, ela não quer encarar o fato de que acabou de trair Dayse com a sua ex-namorada.

— É verdade... Você tá certa. Nossos problemas são menos importantes, neste momento. — Vicky anui, resignada, voltando a se calar, com medo de estragar tudo com exigências fora de hora. Fica agradecida porque a ruiva não se pôs a sair da cama nem de cima dela.

As lindas e confusas jovens permanecerão descansando por mais uns minutos, tempo em que ficarão agarradinhas tentando não pensar em nada além da alegria de estarem juntas e na obrigação de serem ao menos um apoio moral a Lavínia, nesta ocasião crítica.

Porém, o que Manu e Vicky ainda não sabem é que Louise e Lavínia já deram início ao diálogo bombástico.

— Oh, meu Deus! Lou, tem certeza que vo-você não se enganou? Era mesmo do meu pai que estavam fa-falando? — Lavínia pergunta, pela segunda vez. Seus olhos estão arregalados e ela ainda está tentando assimilar tudo o que lhe foi dito.

— Infelizmente sim, Vivi... Essa mulher, uma tal de Isadora, que eu não lembro o sobrenome, disse que o empresário Gregory Albuquerque a violentou, num quarto de hotel, há mais de um mês... Eu e as meninas assistimos à entrevista dela, naquele programa horrível de polêmicas que passa à tarde. — Louise repete o que ouviu, de modo paciente, pois sabe que é difícil para Lavínia compreender e aceitar a gravidade do caso.

A loira permanece calada por uns segundos, sem querer acreditar que seu pai esteja sendo acusado de estupro e agora entende por que as outras garotas agiram de modo estranho, assim que ela chegou à república.

— Também foi por isso que meus pais não me ligaram. — Ela conclui, com voz sumida, o cérebro entrando em desordem. Lavínia já busca o celular de cima da mesa da cozinha e vai discando os números. Espera chamar, mas nada de ser atendida. Disca novamente e outra vez não tem sucesso.

— Eu acho que eles não querem falar com você hoje, Vivi, devem estar tentando resolver isso o quanto antes... não querem te dar preocupações. — dizendo isso Louise percebe o riso tristonho da amiga.

— Co-Como eles poderiam evitar isso? Será que eles pensam que eu não iria de-descobrir de qualquer jeito? — lança as perguntas retóricas, ainda olhando para a tela do celular, com vontade de insistir nas ligações.

— Bom, eu acho que eles acreditam que você ainda não sabe de nada. Devem estar planejando te contar só depois, quando não tiver mais como calar esse assunto. Talvez eles queiram evitar que a confusão, o boato maldoso, se espalhe mais e te cause transtornos. Eu tenho certeza de que não te contaram pra tentar te proteger desse sofrimento... pelo tempo que der. — reforça Louise.

— Não fu-funcionou porque agora eu já sei. — A loira anuncia, melancólica.

— Sim, agora você sabe, mas porque eu resolvi te falar, Vivi... Eu poderia muito bem não dizer nada, ficar quieta e dar um jeito de te distrair, pra você não descobrir isso, até amanhã. Só que eu pensei melhor e entendi que eu poderia ajudar você a refletir sobre este problema com calma, sem desespero ou ações impensadas... — Louise alcança da mão de Lavínia o celular, toma-o dela e o põe sobre a mesa. — Não ligue para os seus pais nem os procure imediatamente... pois fazendo isso, você não ajudará em nada e até pode deixá-los mais aflitos, mais preocupados.

— Mas... Lou, co-como eu posso não fazer nada? Acha que eu vo-vou ficar parada a-aqui e apenas rezar que isso não se torne um problema pior? — A voz insegura de Lavínia denuncia sua apreensão.

— Vivi, entenda! É só isso que você deve fazer neste momento. Você deve ter fé que essa calúnia não chegue a ganhar proporções maiores e que não prejudique demais o seu pai na vida profissional... nem na convivência com você e com a mulher dele. — Louise impõe voz diplomática e incisiva.

Lavínia, muito pálida, ergue-se da cadeira e anda de um e outro lado, pondo as longas madeixas loiras para trás, passando a mão, por baixo da franja, na testa suada, buscando tranquilizar-se, enquanto pondera sobre o que Louise lhe recomenda.

— Então... você acha que é mais a-adequado eu não fazer... nada agora? Não devo ligar pra eles nem tentar sa-saber mais sobre isso? — questiona, olhando diretamente para a amiga, querendo sugestões que a amparem e lhe confortem.

— Pelo menos hoje não... Amanhã veremos como isso fica. Se o boato crescer e se alastrar de verdade, aí sim, você não terá como ficar quieta, terá que procurar os seus pais... pra vocês se reunirem, conversarem e chegarem a um acordo de como podem minimizar os danos que virão com esse escândalo. — apregoa, menos angustiada, por ver que Lavínia está dando crédito às suas dicas.

— É... eu acho que você tem razão... discutir com eles esse problema... agora seria trazer mais preocupações e não a-ajudaria em nada. Se imaginam que eu ainda não descobri o que se passa, é um aborrecimento a menos pra eles, um alívio su-superficial, mas necessário. — resigna-se a esta ideia, mas depois olha, desconfiada, para a amiga. — Lou...

— Sim, o que foi? — Louise pergunta querendo saber o que Lavínia está pensando, ao ver que ela mostra nova expressão angustiada.

— Ai, amiga... Será que o meu pai foi capaz de fazer isso? Olha, eu sei que ele é um bom pai, um ótimo marido, mas... mas... eu acabei de-descobrindo que ele me tirou dos braços da minha mãe bi-biológica quando eu era só um bebê... e sabe-se lá o que ele fez mais... no passado... Eu não sei o que pensar! Tô tão confusa! — Lavínia termina por confessar os seus maus presságios e deixa Louise incomodada.

— É, Vivi, pelo que noto você não tá raciocinando direito. — Louise declara, com seriedade. Em seguida, encara a loira, estreitando os olhos. — Não parou pra pensar que o homem que te revelou sobre esse seu drama em família do passado é o mesmo que pode estar por trás de tudo isso?

Lavínia leva a vida de uns bons segundos até voltar a falar.

— Henry. — O nome vem à sua mente como um estouro seco e dolorido.

— Bom, não eu quero acusar ninguém sem ter provas pra isso, mas... quem mais adoraria ver o seu pai metido numa calúnia que pode arruinar, sobretudo, a vida pessoal e familiar dele? — A questão levantada por Louise é o suficiente para agravar o tormento da loira.

— Oh, meu Deus... Será? Será que isso foi uma a-armadilha inventada por ele contra o meu pai? — Lavínia tem os olhos meio perdidos devido às ponderações aflitivas.

Vicky e Manu, que surgem de repente na cozinha, flagram o momento em que a loira faz a pergunta em voz alta.

— Armadilha? — As duas garotas articulam em uníssono, assustando Louise e Lavínia.

— Caramba! Meninas, querem nos matar de susto? — Louise reclama, olhando diretamente para elas.

— Oh! Desculpa... Não queríamos assustar vocês ou nos meter na conversa sem pedir licença... — Vicky justifica, em tom educado. Ela olha, afável, para a loira. — Mas estamos preocupadas com você, Lavínia, e queremos ajudar de alguma forma.

— É, nós queremos que você saiba que pode contar com a gente, pois somos suas amigas também, Lavínia... e queremos te dar o nosso apoio para o que for preciso. — A ruiva completa o enunciado de Vicky.

Assim, Vicky e Manu aproximam-se, abraçam a amiga dando ênfase ao que acabaram de dizer.

— Obrigada, meninas... Claro que eu aceito e fico feliz pelo apoio de vocês. Isso é muito importante pra mim. — Lavínia afirma, com voz amistosa e receptiva. Ela volta a sentar-se à mesa sendo imitada, neste gesto, pelas demais garotas, unindo-se a Louise. Todas passam a se olhar, reflexivas, dispostas a tentar compreender melhor os acontecimentos.

— Mas, então... Vocês estão desconfiando que essa acusação lançada contra o seu pai é na verdade uma armadilha? — A ruiva pergunta, curiosa.

— Sim. — Lavínia responde, lacônica, com olhos baixos e tristes.

— E você acha que é armação do homem que te sequestrou? — Manu é direta e mostra que já sabe bastante do que houve com Lavínia, mesmo que ela e Louise nunca tenham revelado toda a história por completo.

— É, eu acho... Ele é ca-capaz de fazer qualquer coisa pra prejudicar o meu pai... Ele o odeia. — A loira não consegue encarar as amigas, mas sente necessidade de se abrir, inteiramente.

Louise nada diz, por enquanto, só observa a aflição se estampar no rosto da amiga e crescer, a cada palavra confessada.

— Oh! Jesus... Então por que você não o denuncia logo, amiga? Aliás, por que você nunca o delatou à polícia, pelo que ele te fez? — Vicky evidencia sua dúvida quanto ao comportamento de Lavínia frente ao que lhe ocorreu.

— Meninas, esse homem é... é meu irmão...

A partir daí, Lavínia segreda o resto das informações que faltam para que as outras amigas saibam, por completo, da narrativa medonha abrangendo ela, seu pai, Henry, diversas outras pessoas e acontecimentos do passado, através da versão indicada pelo homem que distingue agora como seu irmão.

Vicky e Manu permanecem mudas e boquiabertas, escutando o relato da amiga, sentindo pena dela e raiva do sujeito responsável pelas suas dores e sofrimentos emocionais. Elas compreendem, inclusive, que o sedutor e jovem empresário, Henry Sorelle, a envolveu sexualmente antes de lhe revelar sobre o seu parentesco com ele, mostrando-se capaz de cometer mais atrocidades, em nome do amor que diz sentir por Lavínia e do rancor que nutre pelo pai dela.

— Mas... quando ele me contou a ve-verdade sobre o que houve, sobre sermos irmãos e me deixou voltar pra casa, pra minha vida normal... ele também me disse que tinha de-desistido da vingança. Ele disse... Eu juro que é verdade... Eu juro!. — Ela deixa ver o quanto é difícil para ela admitir que Henry possa mesmo estar envolvido neste evento de acusação contra seu pai. Em seu íntimo, Lavínia persiste em confiar que ele abdicou da vingança realmente e, embora continue a persegui-la, buscando ser uma presença atormentadora, com sua constante declaração de apaixonado, ela prefere vê-lo como um ser espiritualmente ferido, carente de afeto familiar verdadeiro, a despeito da atuação maternal de Frida. Por isso, não quer nem consegue julgá-lo como um homem cruel, frio, calculista.

Passam-se alguns instantes de silêncio e a própria loira decide voltar a falar.

— Lou, po-pode ser também que ele seja inocente, não é? Que seja só uma coincidência e que essa um-mulher esteja agindo por si mesma, querendo fama, reconhecimento na mídia e... algum lucro à custa da infelicidade do meu pai. — Lavínia agita-se na cadeira, estudando outros ângulos possíveis. Parece aflita outra vez.

— Tá, Vivi... Não se angustie tanto, poxa! — Louise tem vontade de gritar que ela está cega porque ainda teima em não enxergar o lado ruim deste homem, mesmo que ele a exponha sempre a todo o tipo de perseguição e coação. — Sim, pode ser apenas uma trágica coincidência. Não há provas reais contra ele... só estamos fazendo suposições... E o que você menos precisa agora é sofrer antes de saber o que houve de verdade.

— É, Lavínia, não fique aí sofrendo pelo que você não tem certeza. Quem sabe amanhã mesmo a gente descobre que essa mulher quis apenas fazer uma troça, uma brincadeira de mau gosto, e inocenta o seu pai da acusação, pede desculpas e tudo se resolve. — A ruiva anuncia, em tom de inexplicável animação, e todas a olham, admiradas, por conta da absurda positividade em sua fala.

Apesar da situação ser triste, a frase de caráter por demais simplista parece tão ridícula, destoante e improvável, que todas acabam rindo, inclusive Lavínia, que sorri de nervoso.

— Ai, meu Deus da bonança! Só você, sua ruiva infernal, pra fazer a gente rir numa ocasião alarmante como essa. — Louise enxuga os olhos, que lacrimejaram de tanto rir.

— Ué... Mas não é verdade? Adianta ficar remoendo a agonia sem definir nada? — Com isto todas concordam.

— Querem saber? A Manu tem razão... Sofrer por antecedência é sofrer duas vezes. — Louise olha para a loira e lembra de algo. — Vivi, você não vai mais pra boate hoje, né?

— Não... Eu não tenho a menor condição de ir... não dá mesmo. Terei que ligar pra lá inventando qualquer justificativa. — Lavínia diz o que Louise já imaginava ouvir.

— Ótimo, pois nós faremos exatamente o que você propôs, quando chegou aqui... Teremos a nossa noite VIP das garotas. Pediremos pizzas, assistiremos a um filme, de preferência que seja de comédia, e ninguém... nem você, Vivi, vai pensar em nada trágico, ao menos por hoje. — Louise decreta e todas meneiam a cabeça, conformadas.

De fato, mesmo com o coração em estado de pânico, Lavínia aquiesce à decisão tomada, pois acha que é o melhor a se fazer, neste instante.

[...]

Notas finais
Vamos resumir essa bagaça??? 1. Aline está descontrolada e não consegue se conformar com o tratamento que Dayse lhe oferece. Eita, garota mais mimada, gente!!!! Hahahaha... 2. Chris comprova por A mais B que ele é um irmão super permissivo e que, juntamente com a Naira e até com o pai falecido, deram força para crescer o lado negativo da personalidade da gêmea. Mau, muito mau!! 3. O que acham que a Dayse vai escolher? Afastar a Aline de vez de sua vida ou voltar a ser sua namorada? 4. OMG!!! A Manu não aguentou e acabou cedendo ao desejo de ficar com a Vicky. E agora??? Como ficará sua relação com a Dayse?? 5. Ai, gente, por fim temos a pobre Lavínia. Tadinha, senhor! Pois não é que ela ainda duvida que Henry esteja por trás desta calúnia horrorosa lançada contra seu pai, o presidente da Giant Solution, o senhor Gregory Albuquerque. É isso aí. Que bagunça, amigos leitores!!! Acho que vou abandonar o barco antes que ele afunde. ----- Brincadeirinha!!!! Hahahahaha.... Olha, eu estou ansiosa por bons incentivos, então façam o favor de me deixar algum comentário, please!!! Beijos e até logo.