Notas iniciais
E aí? Como estão os meus lindos leitores? Firmes e fortes? Estão dispostos a se embrenhar por mais uma produção advinda desta minha mente meio enlouquecida? Pois torço que sim, pois escrevi este capítulo com a intenção de proporcionar satisfação para mim mesma e para as abençoadas pessoinhas que se interessarem em lê-lo. Desejo-lhes, então, boa leitura e nos vemos lá embaixo... Calma! Não estou falando do inferno e sim das notas finais! OBS.: Este capítulo foi magnificamente betado por Estrela de Rubi, autora da fantástica fic "Vítima Do Amor. Obrigada, querida!

(Proposta de imagem representativa de Chris)

***

Dayse conduz o automóvel pela adjacência que lhe é tão conhecida e, ao olhar para o lado, examina a expressão de curiosidade ostentada por Manu.

— Sim. Eu moro neste bairro. Quando meus pais se mudaram pra cá, eu ainda nem existia, ou seja, foi aqui que eu nasci e tenho vivido desde então. — anuncia alegremente, adivinhando a dúvida da ruiva.

— Que legal! E, pelo seu ânimo, eu posso supor que você realmente gosta desse lugar. Ei! Você está me levando pra sua casa? — Manu questiona, um pouco surpresa e ansiosa.

— E teria algum problema se eu quisesse levá-la? Meus pais não mordem, pode confiar. — Dayse olha-a de esguelha, com expressão sorridente.

— Ah, Dayse, é claro que não teria problema algum. Eu... só fiquei pensando que seria a minha primeira vez a ser apresentada aos pais da garota com quem estou saindo. — declara, reflexiva. Manu desvia os olhos para algum ponto à sua frente, como se estivesse longe dali. Dayse percebe, mas opta por disfarçar novamente a sensação incômoda.

— Bom saber, porque eu vou te levar lá... Só que mais tarde. Agora nós estamos indo para a casa do meu vizinho, mais especificamente para a garagem dele. É onde treinamos o som da nossa banda. — anuncia, mantendo o bom-humor.

— Sabia que eu ainda não tô acreditando que você participa de uma banda de rock? Qual é o nome dela? — Manu volta a ficar animada.

— Hum... Na verdade ainda estamos em fase de experimentação. Mas eu e o pessoal queremos levar isso a sério, para ver se nos tornamos uma banda reconhecida... um dia. Quem sabe? Bom, o nome que escolhemos é Prole de Ratel e se refere a um animal que devora quase tudo que encontra. Assim somos nós, que passeamos por vários estilos de rock, ou seja, devoramos quase tudo de rock. — Dayse diminui a velocidade do carro e aponta com o rosto para a residência pela qual estão passando. Trata-se de uma moradia razoavelmente grande, bonita, com muro baixo, pintado de branco e portão largo, de cor igualmente alva. Aliás, nota-se o clima de classe média por todo o bairro e nas imediações. — Esta aqui é a minha casa, ou melhor, a casa onde moro com meus pais.

— Que casa bonita! Adorei! — Manu declara e exibe um sincero sorriso.

O carro vai adiante e estaciona no domicílio seguinte. Dayse avista outro automóvel ali parado e conclui que todos da banda estão presentes.

— E... aqui é a casa do Chris, onde ficaremos por uns instantes, ok? — fala, enquanto se retira do carro, gesto que é seguido pela ruiva.

— Ok! Eu estou mais do que ansiosa para conhecer a sua banda. — Manu põe a mão sobre a testa alva, tocando nos fios vermelhos, a fim de tentar proteger os olhos dos raios solares que agora incomodam e ardem, devido ao horário avançado da manhã

Dayse trava as portas, dá a volta no carro e se aproxima de Manu.

— Bom, a verdade é que você já foi apresentada a todos os integrantes. — aprecia o rosto corado da ruiva e a puxa pelo braço para caminharem juntas à porta da frente.

— Ué! Fui? Quando? — Manu fica surpresa.

— No dia do show cover do Iron Maiden, lembra que eu estava com uns amigos e eu os apresentei pra você e pra... pra Vicky? — Não consegue disfarçar a inquietação ao pronunciar o nome da ex-namorada de Manu.

— Oh, meu Deus! Aquele show! Eles devem ter ficado com uma péssima impressão de mim... pelo que houve naquele dia, pelo modo rude como eu te tratei. — Manu estanca, preocupada com a possibilidade de ser rejeitada pelos amigos de Dayse.

— Calma, Manu! Não se preocupe. Meus amigos não são monstros e nem santos. E é lógico que ninguém vai julgar você por um único evento, isso eu te asseguro. Pode ficar tranquila porque eu sei que eles vão, sim, gostar muito de você. — Dayse vai adiante e aperta a campainha, fazendo o equipamento sonoro repercutir dentro da casa.

— Será? — exibe traços de dúvida em seus olhos castanho-esverdeados.

Dayse ergue a mão, passa os dedos no rosto acetinado de Manu, acariciando-o com doçura. Achega-se lentamente, sem desviar o olhar, com vontade de beijá-la. Todavia, antes de empreender o gesto, a porta se abre e eis que lhes surge a figura afeminada de Christian Cardoso.

É magro, de altura mediana, cabelos lisos, pretos, compridos, rosto fino, belo e aristocrático. Possui olhos escuros, nariz reto e boca bem feita. Está vestido com camisa preta ornada com a imagem de uma caveira branca, bermuda jeans e tênis cinza. Ele é amigo de Dayse, desde a infância, e a pessoa para quem ela conta todos os seus segredos e angústias. É irmão gêmeo de Aline, a protagonista de um romance mal sucedido no passado de Dayse e que hoje não é mais que uma amiga e a namorada de Sarah, a jovem tecladista que entrou para a banda e começou a se relacionar com a gêmea pouco tempo depois.

— Oh! Perdão se eu atrapalhei a moment of kiss. — Chris põe a mão sobre a boca aberta, em menção de susto, e fala já deixando evidente o seu lado cômico, que se manifesta, ao mesclar português e inglês, às vezes em contextos nada sutis.

— Não tem problema, Chris. Afinal, fui eu que toquei a campainha e você só veio atender. A culpa foi minha, eu que deveria ter beijado esta ruiva linda aqui antes de fazer isso. — Dayse fala com naturalidade, colocando um braço sobre os ombros da ruborizada Manu e a trazendo mais para si. — Então, Chris, não vai cumprimentar a Manu e nos dar passagem para podermos entrar?

— Oh, sorry! Olá, Manu. Como você está? Olha, que bom que resolveu dar uma chance para a minha amiga, pois do contrário acho que ela ficaria crazy de tanto pensar e falar em você. — Chris solta as palavras em profusão, adorando ver fuzilando-o com o olhar e a expressão divertida que Manu faz.

— Chris! Ai, chega. Que exagero. — Dayse revira os olhos de impaciência, conduzindo Manu para o interior da residência, quando ele, ainda com um sorriso arteiro no rosto, oferece-lhes passagem.

— E as meninas? Estão na garagem? Eu vi o carro da Sarah. Ela chegou há muito tempo? — faz as perguntas apenas para disfarçar o constrangimento por causa da indiscrição do amigo na frente da ruiva, mesmo já estando acostumada com seu modo espetaculoso de agir.

— Sim, green lady, as meninas estão na garagem. Quanto a Sarah, ela está aqui desde ontem, dormiu aqui outra vez, e com esta acho que é a quarta. — Chris revela as notícias descontraidamente. Manu, por sua vez, não consegue impedir um riso frouxo ao ouvi-lo chamar Dayse de “green lady”.

— Agora é assim, Dayse, a Aline e a Sarah estão tão grudadas que eu acho que isso vai acabar em casamento. — Quem entra na conversa é Naira, a mãe dos gêmeos. É uma bela senhora no alto dos seus quarenta e oito anos de idade, que teve o marido, um delegado federal, morto há doze anos, deixando-lhe uma pensão, como benefício previdenciário, e os dois filhos, ainda adolescentes, para criar. Ela tem aspecto semelhante aos gêmeos e apresenta, no modo de ser, traços de mocidade. E mesmo que no começo tenha sido difícil aceitar a homossexualidade deles, depois se tornou uma incentivadora da liberdade de expressão sexual de ambos e dela própria, visto que acabou cedendo à proposta de namoro feita por Bruno, um rapaz quinze anos mais jovem.

— Não duvido, dona... Ops! Quero dizer, não duvido, Naira. — Dayse corrige o discurso e sorri simpática.

— Hum! Assim é melhor. Não custa me chamar apenas pelo nome, não é? — Naira, ultimamente, passou a solicitar que os amigos mais íntimos não a chamem de “dona” e nem de “senhora”.

— Não, não custa mesmo. Veja, Naira, esta aqui é a minha... minha amiga, Manu. — Dayse experimenta uma dificuldade em denominar sua relação com a ruiva.

— Oh! Muito prazer em conhecê-la. — Naira saúda Manu festivamente.

— O prazer é meu, Naira. — Manu envia-lhe um sorriso afável.

— Dayse, meus parabéns. Acho que você está com sorte. Ela é linda! — A mulher declara sorrindo. Naira, assim como os filhos, fala tudo o que vem à mente, sem constrangimento e sem querer ofender, apenas por uma espontaneidade natural.

— Não, Naira, ela e eu... nós não... — Dayse busca as palavras para explicar a situação, para que Manu não se sinta pressionada a assumir namoro consigo, mas não obtém êxito em encontrar o modo certo de fazê-lo.

Chris apenas segura a vontade de rir, pois sabe bem o que há entre as duas garotas.

— Naira! Você não vem? Eu já separei o filme! — A voz de Bruno emerge de algum cômodo da casa.

— Já estou indo, bebê! — Naira responde em igual tom alto para a direção de onde a voz do namorado havia saído. Em seguida, volta-se às garotas e ao filho. —Bom, o que estão esperando, jovens? Vão logo fazer barulho lá naquela garagem!

Dizendo assim, a mãe dos gêmeos afasta-se rapidamente indo encontrar-se com Bruno, que a espera no quarto para assistirem a um filme.

— Vem, gente! Vamos sair mesmo daqui antes que eu fique diabético de tanto doce que minha mãe faz quando se trata do Bruno. Aff! Ninguém merece! — Chris libera com expressão um pouco contrafeita, enquanto eles caminham atravessando os compartimentos do domicílio rumo à garagem.

— Puxa, Chris! Ela só está feliz e apaixonada, tanto que nem me deixou explicar direito sobre mim e a Manu. Ele a chamou e ela foi, simples assim. E eu acho que, no fundo, você está com ciúme da sua mãe. — Dayse olha para Chris com algum sarcasmo e lhe dando pequenos beliscões.

— Em primeiro lugar, você é que não soube explicar a sua situação com a Manu, bastaria ter dito que, neste momento, estão ficando, se conhecendo. Em segundo, eu não estou com ciúme da minha mãe, apenas acho ridículo que uma mulher da idade dela fique por aí chamando o namorado, um cara com barba feita, de bebê. — O rapaz faz cara de nojo e abre a porta que dá acesso à garagem, sendo acompanhado pelas duas, que se olham e riem discretamente, entendendo que Chris ainda não está totalmente adaptado ao namoro da mãe. Embora não admita, o ciúme é evidente.

Assim que adentram pela porta, Dayse, Manu e Chris avistam as outras meninas que estão aos beijos calorosos, próximas aos instrumentos musicais. A cena é um pouco vergonhosa, pois Aline encontra-se acomodada em um banco e Sarah está sentada em seu colo, tendo a camisa lilás quase aberta devido a mão boba da gêmea, que lhe acaricia vigorosamente, remexendo entre os botões para sentir os seios por cima de sua veste, enquanto lhe suga os lábios sem compostura alguma.

— Oh my god! Será que vocês já não transaram o suficiente a noite toda em que ficaram juntas, girls? — Chris lança as palavras com chacota. Não há raiva em sua fala, somente um traço de descontração, visto que ele sabe que a sua irmã, Aline, já sofreu muito para superar a paixão que sempre sentiu por Dayse, que nunca soube correspondê-la à altura, terminando por ficarem apenas como amigas.

— Nossa! Desculpem! Que constrangedor! — Sarah levanta-se, ajeitando a camisa amassada, e ficando enrubescida por ter proporcionado a cena erótica às recém-chegadas.

— Oi, Dayse. Que bom que você veio. E esta aí com você? É aquela mesma garota daquele dia? — Aline, ao contrário, não demonstra embaraço algum. Ela passa a mão pelas madeixas lisas e pela blusa escura, desconsidera o comentário enxerido do irmão, saúda Dayse e lhe questiona sobre Manu, exibindo uma sutil irritação ao observar a ruiva.

— Oi pra você também, Aline. Como vai, Sarah? E sim, esta aqui é a Manu, a mesma garota daquele dia do show. Por acaso há algum problema nisso? — Dayse trata logo de mostrar que não irá tolerar comentários maldosos sobre o que houve no dia do show cover do Iron Maiden.

— Não pra nós... Se há algum problema, deve ser todo seu. — Aline anuncia calmamente com um sorriso petulante nos lábios, como a mostrar que não está afetada pela presença de Manu. Na verdade, seu pensamento está bastante envenenado pelo ciúme, pois embora tente fingir, não gosta de ver Dayse com outra garota, sendo que ela fez o que pôde para permanecer ao seu lado como namorada, sem conseguir.

— Aline, será que você pode parar de implicar com a Dayse? Ou eu vou acabar duvidando do que você me disse sobre não sentir mais nada por ela. — Sarah é firme e franca. Ela é uma moça alva de cabelos castanhos e olhos azul-acinzentados e está apaixonada por Aline, e mesmo sabendo o que houve entre ela e Dayse, não guarda mágoa desta. Ao contrário, ela aceita a sua amizade. Isto ocorre, sobretudo, por reconhecer que Dayse é uma boa pessoa, que a acolheu na banda desde o início, defendendo-a, inclusive, da própria Aline quando ela se opôs à sua entrada, ao alegar que ela não passava de uma patricinha vaidosa, mesmo que, com o decorrer dos dias, a atração entre elas tenha falado mais alto que as diferenças iniciais e, em razão disso, tenham iniciado o namoro.

— Gente! Que é isso? Deem uma chance à paz, please! Afinal, vamos ou não treinar o nosso som, hein? — Chris, que está ciente de toda a situação, entra na conversa e as convoca ao treino, pedindo, com olhar suplicante, que Sarah não delongue o conflito, instigando Aline a se explicar sobre sua eterna mania de querer irritar Dayse.

Depois de apaziguados os ânimos e de Sarah cumprimentar Manu com simpatia, ajudando a ruiva a não se abalar demais com o clima hostil, cada qual toma o seu posto entre os instrumentos e começa a tirar sons deles, introduzindo canções de rock conhecidas, em meio ao repertório musical quase inteiramente interpretativo. É interessante ver que o lado afeminado de Chris praticamente desaparece quando ele se empolga na bateria. Sarah arrasa no teclado e no backing vocal, Aline é um fenômeno com a guitarra solo e também um excelente apoio vocal. Porém, quem mais surpreende é Dayse, ao mostrar seu talento no vocal e na guitarra base.

Manu, que permanece sentada, assistindo ao espetáculo, não consegue parar de admirar e se sentir grata por poder presenciar o treino sonoro de uma possível banda em ascensão de fama. Entretanto, a pequena altercação que ocorreu minutos antes não lhe permite aproveitar e relaxar por completo. Só quando reconhece os acordes de uma canção bonita dos anos oitenta, da banda Heart, é que esquece um pouco e aproveita para curtir e esboçar uma sutil dança, mesmo permanecendo sentada. A bela voz de Dayse segue ressoando pelas paredes da garagem espaçosa, com recursos acústicos embutidos, fazendo-se apreciar mais no refrão, ao passo que encara a ruiva por meio de um olhar fixo e insinuativo.

— If looks could kill, you'd be lying on the floor, you'd be begging me please, please... Baby don't hurt me no more. If looks could kill, you'd be reeling from the pain and you'd never lie again... If looks could kill...

Aline erra, pela milésima vez, umas notas da sua guitarra, fica agoniada, soltando queixas e palavrões em voz baixa, pede para encerrarem o treino mais cedo, pois alega estar cansada e sem concentração.

— Olha, sister querida, você tem razão. É melhor pararmos por hoje, pois sua falta de atenção está atrapalhando o nosso desempenho. Aff! Nem eu que estou longe do meu boy magia, fiquei assim com a cabeça nas nuvens. — Chris desabafa. Ele tem um namorado que trabalha como promotor de eventos e que, não raro, é contratado para atuar fora da cidade, o que acorre na ocasião.

— Ah, gente, me desculpem! Acho que estou assim porque não dormi muito bem à noite. Prometo que da próxima vez vou me esforçar mais. — Aline quer justificar a sua falha.

Encerrado o exercício de som, Dayse achega-se à Manu e lhe comunica que é hora de irem. A despeito do comportamento duvidoso de Aline quando entraram no recinto, ela termina por se mostrar mais amena na hora da despedida e até ensaia um pedido – mesmo falso − de desculpas para a ruiva. E Sarah, outra vez, prova que é uma moça serena e sem maldade na alma, pois exibe um honesto sorriso enquanto avista Dayse e Manu partindo.

Chris novamente as acompanha à porta. Elas refazem o trajeto até o carro e a ruiva fica rindo ao perceber que entrarão no automóvel somente para que Dayse o conduza por uns poucos metros à casa dela.

— Ok! Eu explico! Eu não estacionei o carro na casa dos meus pais porque se eles nos vissem, não nos deixariam mais vir para a casa do Chris. Eles iriam querer ficar conversando com você e seria um drama quando tentássemos sair sem comer as guloseimas da minha mãe. Isso é um costume trazido do lugarejo de onde eles vieram. — Dayse fica contagiada com o riso de Manu. Ela leva o carro para a frente do portão, que devido ao acionamento eletrônico, abre-se automaticamente para que o coloque no interior da moradia.

Manu é apresentada aos pais de Dayse. Augusto e Helen Venâncio ficam imediatamente encantados com a jovialidade e a simpatia de Manu. Esta, entretanto, surpreende-se bastante ao constatar que eles são pessoas idosas. O pai de Dayse é um comerciante aposentado que fez algum dinheiro nesta cidade grande e, depois de trabalhar arduamente, agora só pensa em curtir os bônus da aposentadoria ao lado da esposa, que sempre se dedicou apenas aos cuidados do lar e da família. Augusto e Helen, no entanto, passaram muitos anos tentando ter filhos em vão. Foram a diversos especialistas, buscando um suporte médico e terapias alternativas, até que, quando já estavam esvanecidos e sem forças para continuar crendo, a gravidez acontece e tem perfeito decurso, fazendo nascer uma linda garotinha, que lhes trouxe imensa alegria. Portanto, os pais de Dayse sempre a consideraram um milagre digno de ser benquisto e amparado enquanto eles vivessem.

— Então, Manu, o que achou do meu tempero? — pergunta dona Helen, do outro lado da mesa, olhando com doçura para a amiga da filha.

— Puxa! Está tudo uma delícia, dona Helen. Seu tempero é mesmo maravilhoso! — responde, enquanto come mais da torta de salmão, sentindo que todos os olhares estão sobre si, fazendo-a ficar muito acanhada.

Dayse sente orgulho dos pais ao vê-los tão receptivos e experimenta grande alegria por Manu ter aceitado fazer a refeição com ela e sua família.

Após um tempo, Dayse propõe a Manu que venha consigo para o seu quarto, a fim de descansarem um pouco antes de a levar de volta à república. Manu pensa em recusar, envergonhada por conta dos pais dela, mas acaba sendo convencida ao ouvir que o descanso pós-almoço também é um costume em sua família. Além disso, elas não teriam que se preocupar em ir para a Lanchonete do Raul hoje, pois ela estaria fechada até segunda-feira por conta de uma manutenção em sua pintura.

— Dayse, quantas garotas você já trouxe para o seu quarto, hein? Confesse! — Manu inquire com ar de desafio, tentando não sorrir, assim que Dayse encosta a porta do cômodo.

— Muitas, várias... Na verdade eu perdi a conta. — Dayse solta e, não aguentando ver a expressão espantada da ruiva, gargalha sonoramente. Volta a ficar séria e há um toque se sensualidade em sua voz ao completar: — Mentira. Na verdade, foram bem poucas. Mas, neste momento, só me interessa que você esteja aqui, e ninguém mais.

Manu fica meio estática, pois não esperava ouvir uma resposta carregada de paixão. Naturalmente elas se aproximam uma da outra e, por fim, beijam-se. Dayse corre as duas mãos pelos cabelos da ruiva invadindo-os até lhe alcançar a nuca, segurando-a firme para intensificar o beijo e suspirando de prazer ao sentir o sabor da boca desejada.

— Era isso o que eu queria fazer desde o momento em que você abriu o seu portão, lá na república de manhã. — Dayse confessa voltando a beijá-la com ardor. Manu corresponde e fica contente por seu pensamento não a trair e lançar imagens de Vicky, para perturbar o seu juízo. — Desculpa, Manu. Desse jeito você vai acabar pensando que eu te trouxe para o quarto não com a intenção de você descansar, e sim pra eu te atacar. — Com esforço, Dayse interrompe o beijo.

— Seus pais costumam vir ao seu quarto por qualquer motivo? — Manu questiona olhando-a fixamente, sem desfazer o abraço.

— Não. Eles quase nunca vêm ao meu quarto, pois respeitam muito a minha privacidade e nas raras vezes em que aparecem sempre batem à porta antes de entrar. Posso saber por que fez essa pergunta? — Dayse comprime os olhos, já intuindo e amando a resposta que ouviria.

— Porque a última coisa que eu tô querendo fazer agora é descansar. —aperta a cintura dela e a puxa para colar mais os corpos já estimulados pelos beijos.

Dayse sente a pulsação acelerar rapidamente.

— Manu... Depois não venha dizer que sou eu que estou apressando as coisas entre nós. — sorri, provocante.

— Tá certo. Não digo... Até porque quem está com pressa agora sou eu. E se você não se importar com o amanhã, eu também não me importarei. — insinua a proposta de um envolvimento amoroso sem cobranças futuras.

— Ok! Eu vou tentar não me importar. E eu tô pagando pra ver até onde chegaremos com isso. — Dayse não desvia os olhos de Manu enquanto ela lhe abre o zíper na frente do blazer e o passa por seus braços estendidos retirando-o, de forma ousada. Os pequenos seios de Dayse são expostos.

— Quero te mostrar o quanto estou feliz por ter me apresentado ao seu mundo. — Manu acaricia os volumes macios, dando atenção especial aos bicos salientes, roçando neles os lábios, ao passo que sobe a outra mão pelas costas arqueadas, pressionando-as e mantendo Dayse perto de si.

Dayse também começa a despir a ruiva, parando de vez em quando para beijá-la, tanto na boca como nas partes de pele que vai expondo aos poucos.

Em questão de segundos, ambas estão nuas e muito excitadas. Dayse conduz Manu à cama, faz com que se deite e se acomoda por cima da sua pele alva. Esfrega-se com gosto, movimentando as pernas entrelaçadas, a fim de unir as intimidades ao máximo, buscando mesmo encaixá-las durante a fricção carnal, arrancando-lhe gemidos e arquejos prazerosos.

— Ah, Manu! Você não sabe como eu desejei esse momento! — Dayse confessa arfando enquanto a ruiva se remexe abaixo de si, mostrando desenvoltura no ato sexual.

As línguas das duas se enrolam e avivam os beijos molhados cada vez mais. As mãos de Dayse já não se controlam. Ela se aventura no corpo de Manu e procura sua entrada pulsante para abusar nas carícias e, em troca, a ruiva faz o mesmo. Deste modo, elas se tocam e se estimulam com vigor, sem refrear os beijos, por quase meia hora e sem se dar conta de tal fato. O tempo perde sua utilidade para as amantes, que ficam em movimentação frenética atiçando-se e rolando na cama como duas felinas manhosas, com o suor escorrendo, apesar de o clima no recinto estar refrescante, até que ambas chegam ao clímax, cada qual a seu tempo, o que felizmente acontece em razoável sincronia.

Permanecem deitadas sorrindo uma para a outra, buscando normalizar o fôlego e os batimentos cardíacos. Valendo-se da candura do instante, Dayse expõe-lhe sobre o seu passado com Aline. Revela que ela e esta garota deram-se conta da homossexualidade juntas e que a relação delas era muito conturbada. Aline sempre se mostrou uma pessoa possessiva, controladora. No entanto, Dayse só decidiu terminar o relacionamento porque a flagrou com outra menina e, mesmo sabendo que a gêmea havia feito isso apenas para provocá-la, ela não soube perdoar e, no fim, optou por salvar ao menos amizade, que era algo que tinham desde crianças. Manu escuta o relato calada e pensativa. Não quer ser injusta e nem tirar conclusões precipitadas, mas fica com uma suspeita de que Dayse continua nutrindo sentimentos escondidos por Aline. Todavia, prefere nada mencionar e curtir somente o momento, visto que ela própria não tem garantias de resistir e não cair outra vez nos braços de Vicky.

Os minutos passam. O sono as invade, terminam por dormir, satisfeitas, Dayse mais, pois tudo ainda lhe parece um sonho divinamente saboroso.

[...]

Algumas horas antes, na casa de Pietro e Pâmela Cazeviel...

Lavínia e a outra loira, de cabelos cacheados, passaram boa parte da manhã, trancadas no quarto desta, com a finalidade de estudar o assunto de história da arte, disciplina do seu curso de artes visuais, preparando-se para a prova que aconteceria na próxima semana.

Em meio aos estudos, Pâmela faz questão de puxar diálogos sobre temas pessoais, querendo descobrir se Lavínia tem namorado ou se gosta de alguém em especial, tudo para tentar ajudar o irmão dela, que já lhe confessou estar interessando na loira de olhos cor de violeta. Depois de muitas leituras e de alguma conversa íntima, elas estão um pouco entediadas. Mas mais próximas como amigas.

— Olha, Lavínia, você já deve ter percebido que o Pietro tá super afim de você, não é? — Pâmela fecha o livro, dando por encerrado o estudo da disciplina, ajeita-se na cadeira e olha diretamente para Lavínia.

— Pam, a-a única coisa que eu pe-percebi é... que ele é um rapaz muito simpático. Não quero confundir as coisas. — Lavínia ajusta a postura em frente à mesa de estudo para parecer segura, mas vacila na fala por sentir-se incomodada com esse tipo de conversa.

— Ah! Qual é, Lavínia? É claro que você já percebeu... Sabe, o meu irmão é o maior gatinho. E tá cheio assim de garotas querendo uma chance pra agarrar ele. Você deveria se sentir privilegiada porque agora ele só tem olhos pra você. Pode acreditar, ele está mesmo atraído por você. — Pâmela ajeita os cachos e ri, maliciosa, ao passo que se levanta e caminha à cama, que está à dianteira da mesa de estudo, jogando-se nesta e voltando a encará-la.

— Por que você está me di-dizendo isso, Pam? Não tô entendendo. — A loira impacienta-se com as insinuações.

— Está bem! Eu vou ser franca com você e te contar sobre o que houve com a menina que ele namorava, a Carina. É uma história muito, muito triste... por isso que eu me preocupo e tenho medo que ele sofra novamente. — Há nítida apreensão em seu olhar.

— O que houve? Foi algo grave? — Lavínia começa a ficar curiosa.

— Ela morreu. — responde Pam, concisa.

— Morreu? Oh, meu Deus, co-como assim? Foi um acidente? — inquire, enervando-se.

— Não. A Carina morreu por complicações durante o tratamento contra a leucemia. O pior de tudo é que nós estávamos confiantes de que ela iria vencer o maldito câncer e... o Pietro até estava pensando que quando isso acontecesse... ele iria propor casamento a ela. — Pâmela não consegue impedir de apresentar um aspecto abatido ao se lembrar do quanto aquele período foi sofrido para todos.

— Nossa! Que horrível! Isso aconteceu quando? — fica imaginando como deve ter sido difícil para Pietro superar a dor da perda.

— No início do ano passado, ou seja, não tem nem dois anos que ela morreu. E eu desconfio que ele ainda não superou esse trauma completamente. — A última frase Pâmela fala em tom mais baixo.

— Sei... — Lavínia continua absorta.

— Mas agora pelo menos ele voltou a sorrir de verdade e eu acho que a maior responsável por isso é você. Para mim, ele está gostando mesmo de você, Lavínia. — Pâmela fala abertamente o que pensa.

Lavínia tem vontade de rebater o que ela diz e pedir que não se apresse nos julgamentos ou imagine coisas só porque Pietro tem sido gentil e simpático. Entretanto, antes de abrir a boca para pronunciar qualquer palavra, escutam batidas na porta do quarto e depois o irmão de Pâmela adentra pelo recinto com um amplo sorriso nos lábios, deixando claro que não tem a menor noção de que estavam falando justamente dele, segundos atrás.

— Então, meninas, já não estudaram o suficiente? — Pietro é só alegria enquanto olha para Lavínia, que tenta disfarçar a vergonha remexendo nos babados do seu vestido com estampas em verde.

— Sim! E agora estamos famintas. O que a Julie fez de bom pra gente comer? Você almoça conosco, Lavínia. E eu não estou perguntando, estou afirmando. — Pâmela impõe voz de ordem e pisca um olho para Pietro, que exibe um brilho a mais nos olhos cor de esmeralda quando Lavínia concorda, resignada.

Julie, ou Juliana, nome de batismo, tem rosto redondo e riso fácil. Ela trabalha para a família Cazeviel, como diarista exclusiva, há anos, auxiliando-os quanto aos serviços domésticos e às refeições. Lavínia não demora em perceber o clima agradável da residência, através das conversas divertidas durante o almoço, e se sente bastante confortável na presença dos irmãos Pâmela e Pietro, bem como por causa da bondade evidente em Julie, que organiza a mesa com capricho, enchendo-a de pratos deliciosos. Portanto, quando a refeição chega ao fim, ela fica à vontade para se sentar na poltrona larga e estilosa, feita de madeira e assento acolchoado, que fica na varanda à frente da casa, com vista para um lindo jardim, cheio de flores diversas em tamanhos e cores.

— Lavínia, você se incomoda se eu te deixar aqui na companhia maravilhosa do meu irmão? É que eu quero tirar um cochilo lá no meu quarto. Deu sono depois de tanta comida. — Pâmela desencosta-se do parapeito e dá um bocejo exagerado, alongando espalhafatosamente os braços para convencê-los de que está realmente com sono.

— Tudo bem, Pam. Não precisa se preocupar... porque eu ficarei em companhia bastante agradável mesmo. — Lavínia responde e, embora não olhe para o rapaz que está sentado ao seu lado, sabe que ele a observa com atenção.

Pâmela deixa-os a sós.

— Se minha irmã precisasse ganhar a vida como atriz, certamente passaria fome. — Pietro anuncia alegremente, fazendo Lavínia rir ao ponto de seus olhos lacrimejarem um pouco.

— Concordo plenamente. — volta a observar Pietro, com um ar meio investigativo. — Pietro, é verdade que seus pais estão em um tour pelos lugares mais românticos do mundo em comemoração às suas bodas de vinte e sete anos de casamento?

— É verdade sim. Eles passaram anos economizando dinheiro para isso. Inclusive, é bem provável que fiquem alguns meses fora de casa. O que mais a Pam contou pra você, hein? — Pietro questiona como quem já sabe a respeito das revelações feitas pela irmã.

— Ela me falou so-sobre a Carina. — Lavínia sente-se meio nervosa ao tocar neste assunto tão pessoal para ele.

— A Pam é mesmo uma intrometida. — demonstra alguma irritação.

— Por favor, Pietro, não fique com raiva dela. Sua irmã não age assim por mal... Ao contrário, eu pe-percebo que ela o ama e se preocupa co-com você. Ela tem medo que você so-sofra outra vez... E é só por isso que ela se... intromete em sua vida de-dessa forma. — Ela argumenta.

Pietro escuta-a e esboça um sorriso ao constatar que ela tem razão. A seguir, volta a ficar sério e reflexivo. Os olhos verde-claríssimos adquirem um aspecto lúgubre. Parece não se conter sentado, com tantos pensamentos depressivos que lhe vêm à mente, por isso se levanta indo apoiar-se no parapeito da varanda. Lavínia, notando a sua aflição, também se ergue e se aproxima dele por trás. Coloca a mão fina e alva sobre seu ombro para reconfortá-lo.

— Não posso dizer que sei o que você está passando po-porque eu nunca passei por isso... Mas eu sei o que é so-sofrer quando alguém nos causa uma dor tão forte que nos faz querer sumir... ter vontade de esquecer tudo... tudo mesmo. — A emoção também a invade.

— Quem fez isso com você, Lavínia? Quem te causou tanta dor? — De repente, Pietro vira-se para ela, analisa-a, pois capta o tremor em sua voz.

Lavínia desvia o olhar, agora envergonhada, e tenta caminhar de volta à poltrona para se afastar dos olhos analíticos de Pietro. Entretanto, ele é ligeiro e a segura pelo braço.

— Me perdoe! Não quis constranger ou pressionar você. Se não quer falar sobre si, eu compreendo... Eu entendo que não é fácil falar de dores e sofrimentos. — declara ainda observando cada gesto dela.

— Não. Eu que peço pe-perdão por agir assim... Agora você deve estar pe-pensando que eu... não pa-passo de uma boba emotiva. — impõe uma postura ereta e busca não mais mostrar a tristeza que se abriga dentro dela.

— O que eu vejo é uma garota linda, meiga e sensível. — sorri de modo gentil. Pietro, no entanto, agora suspeita que Lavínia esteja com o coração machucado, mas prefere não mencionar isso.

Ela se enternece por causa do jeito calmo, dócil e acolhedor dele.

— Pietro, você estranharia se eu te pedisse um abraço? — Não resiste à vontade de testar algo.

— Claro que não. — Ele abre os braços e ela se achega aos poucos, até que se abraçam com vontade. Ambos parecem querer extirpar suas respectivas agonias.

“Oh, Pietro, se você pudesse me ajudar.”. Ela lhe envia as palavras em pensamento, segurando-se nele como se fosse um bote salva-vidas. De forma súbita, como se adivinhasse o pedido silencioso que ela fez, Pietro ergue o rosto delicado com uma mão e deposita um beijo suave em seus lábios. Lavínia corresponde sem demora. Contudo, a figura de Henry surge viva e inflexível em sua mente, com seus penetrantes olhos azuis, o seu comportamento mordaz, audacioso e atraente, as suas mãos atrevidas, os seus braços robustos, fortes, possessivos. Esta visão persistente e inoportuna a faz mostrar alguma queixa, durante o beijo, e quase desistir de continuar o gesto íntimo.

— Desculpa, Lavínia. Eu acho que me empolguei mais do que deveria. — Ele diz, por tê-la percebido desconfortável enquanto a beijava, embora tenha dado óbvia permissão para o ato.

— Não se desculpe... Eu também quis que você me be-beijasse... Só que acabei ficando um po-pouco sem jeito... Foi só isso. — tenta tranquilizá-lo.

Ele ri e volta a abraçá-la, desta vez sem beijo, pois acha que é melhor ir com calma e não se aproveitar dela em um momento que é sentimental para os dois.

Decidem sentar novamente na poltrona e ficam conversando sobre banalidades para descontrair. Lavínia descobre que Pietro é parecido com ela, alguém sensível que gosta de ler, de apreciar obras artísticas em geral, de escutar músicas, de assistir a filmes românticos e de conhecer pessoas diferentes. Por isso, fica perguntando a si mesma por que ele não havia aparecido em sua vida antes de conhecer Henry e de sofrer com sentimentos contraditórios, sem saída. Pietro, por seu lado, fica mais fascinado pela loira e pensa que seria uma alegria tê-la como namorada e a fazer esquecer a provável angústia que lhe foi causada por alguém que ele nem sonha quem é – e não insistirá em saber.

Algum tempo se passa e Pâmela retorna do seu descanso vespertino. Ela se aproxima dos dois trazendo na mão o celular de Lavínia.

— Lavínia, eu acho que ligaram pra você. Eu estava acordando quando vi o seu celular vibrar e acender a luz do visor... Quando fui pegar, para que você o atendesse, a ligação foi encerrada. Veja por você mesma. — Pâmela entrega o aparelho para Lavínia, que prontamente confere. Ela faz uma cara de espanto. Depressa, tanto Pietro e sua irmã ficam apreensivos ao notar o semblante que ela exibe. Mas Lavínia apenas pede licença e se afasta para averiguar melhor o que acabou de ver no celular.

[...]

Notas finais
Vai aí a seguir o link referente à música da banda "Heart" cantada por Dayse durante o treinamento sonoro com os amigos. Escutem esta canção e aproveitem este belíssimo arranjo instrumental acompanhado por uma voz feminina potente e cativante. If Looks Could Kill https://www.youtube.com/watch?v=eit-geMpRUc ******************** Então, queridos leitores, o que acharam do mundo de Dayse? Os amigos e integrantes da banda de rock são ou não são umas figuras interessantes? Vocês entenderam por que a Dayse é tão gente boa? Imagina, ela tem pais maravilhosos que demoraram bastante para concebê-la e por isso sempre a tratam com imenso carinho e respeito. Desta forma, a sua relação com a Manu tem tudo para dar certo, ou não? Xiii... ! Mas parece que a presença fantasma de Vicky ainda é algo que a perturba e insiste em não se tornar apenas um fato consumado e encerrado. Só mesmo acompanhando a narrativa para saber. Gente, digam-me por favor, o que acharam do Yuri que escrevi. Vocês sentiram falta de algo na hora desta cena caliente entre Dayse e Manu? Será que consegui satisfazê-los plenamente? Gostaria tanto de saber! Lavínia jogou-se nos braços de Pietro, que também tem uma triste história em seu passado pela morte da garota com quem pretendia se casar. Vejam que eles são duas almas feridas que buscam consolar-se mutuamente. Será que isso dará certo? E Henry? Como este homem (lindo e doente) ficará neste contexto? Bom, vocês devem ter notado que, no fim, a loira mostrou-se muito assustada quando Pâmela lhe entregou o celular. Quem será a pessoa responsável por isso? Que mensagem foi esta que ela viu e que a deixou em tal estado de inquietação? Bom, para descobrir isto e muito mais só mesmo permanecendo aqui comigo e aguardando as postagens dos próximos capítulos. Eu confesso que não posso dar-lhes garantias de que tais postagens terão um prazo reduzido em seus intervalos, mas posso tranquilizá-los de que pretendo sempre caprichar cada vez mais a fim de presenteá-los com cenas emocionantes, picantes, divertidas e afetuosas. Sejam bonzinhos comigo, por favor, e deixem um comentário qualquer, pois às vezes eu desanimo e preciso recarregar as energias com estímulos e palavras amigas. É isso aí. Beijos e até logo. (❁ ⁀‿⁀❁) ♥ ❤