Notas iniciais
Cenas yuri (orange) à vista... de Manu e Vicky. OBS.: Capítulo repostado, agora maravilhosamente betado por Estrela de Rubi, autora de Vítima do Amor. Obrigada, amiga!

(Proposta de imagens representativas de Manu e Vicky)

***

Louise está voltando da clínica odontológica onde presta serviço de atendente no turno da manhã, de segunda a sexta, emprego que conseguiu por indicação de um ex-affair que agora é apenas um amigo e irmão do dono da clínica. Ela nem sabe como conseguiu sair da cama hoje cedo, pois há dias não dorme direito por causa da angústia sem fim pelo desaparecimento de sua melhor amiga. Sentiu-se tão indisposta que preferiu deixar a sua motocicleta em casa e ir de ônibus mesmo. Está distraída caminhando em direção ao campus da faculdade.

Já passa do meio dia e Louise lamenta por ainda ter aulas à tarde. Sua distração é tamanha que nem percebe, ao atravessar a rua, um carro vindo em sua direção e por pouco não é atropelada. Para a sua sorte, dois braços masculinos a puxam para trás.

— Ei! Cuidado, garota, não vê por onde anda?

— Eu... eu não vi... — Sua voz está sumindo, pois fica zonza e sente o mundo girar ao seu redor.

— Você tá se sentindo mal? — Ele a apoia, nota que ela está prestes a cair.

— Um pouco... Minha cabeça tá rodando.

— O que quer que eu faça? — A voz dele indica preocupação.

— Por favor, me ajuda a chegar naquele banco ali. — aponta na direção de um banco, em baixo de umas árvores — Se eu me sentar um pouco acho que melhoro.

Ele a ajuda e ambos se acomodam no assento indicado. Só então Louise pode observar o seu anjo salvador, um rapaz de cabelos castanhos e olhos de mesmo tom, aparentando ter entre vinte anos, magro e com uma barbicha bem rala no rosto.

— Então, tá melhorando? — dá-lhe um sorriso sutil e a observa por meio de um olhar mais direto.

— Sim, um pouco... É que nesses últimos dias não tenho comido e nem dormido direito. — confessa, sorrindo fracamente, passando a mão nos cabelos lisos, escuros e curtos.

— Problemas amorosos? — Ele tenta descontrair o clima e perscrutar as suas chances.

— Quem dera fosse! Minha melhor amiga desapareceu e ninguém ainda sabe o que houve com ela. Você deve ter visto na televisão ou lido nos jornais... sobre o caso da filha do empresário Gregory Albuquerque, Lavínia Albuquerque.

— Nossa! Eu tô sabendo sim... Que sinistro a garota sumir desse jeito, cara, mas olha, não fica assim não, você tem que seguir com a vida, sabe. Afinal, se a polícia ainda não tem notícias, então pode ser que ela ainda esteja viva e bem. Quem sabe? — fala espontaneamente.

— Obrigada, acho que eu precisava ouvir algo assim.

— Nós nem nos apresentamos. Eu me chamo Jonas, Jonas Prado.

— Bem eu sou Louise... Koch. — vê-se quase na obrigação de dizer o sobrenome já que ele lhe disse o seu.

— Então, Louise, você está se sentindo melhor?

— Sim, me sinto bem melhor. Já aguento ir, até porque a república não está longe. Eu vou almoçar e depois preciso voltar, pois terei aulas à tarde.

— Você mora aqui? Quero dizer, em uma república por aqui?

— Sim.

— Olha! Eu também! A sua fica onde?

— É aqui perto mesmo... Um pouco além daquele campo de futebol. — Louise aponta com o queixo na direção falada.

— A minha fica ao lado do laboratório de química. Não tem erro. — O dedo dele aponta à direção oposta.

— Sei onde é.

— Olha... Você tá a fim de esquecer um pouco os problemas indo a uma festa?

— Uma festa? — Ela pode estar cansada, com fome e zonza, mas jamais deixaria de notar quando um garoto a está paquerando.

— É! O líder da nossa república tá de aniversário e os caras de lá resolveram comemorar com uma festa bacana. Vai rolar de tudo, especialmente som eletrônico e gente interessante. As festas que eles promovem são sempre formidáveis, então se quiser ir será bem-vinda e... aposto que vai acabar curtindo.

— E quando é a tal festa?

— Hoje à noite. — Jonas exibe um sorriso ao perceber que talvez ela vá mesmo.

— Bom, eu vou pensar, ok? E, desde já, eu agradeço pelo convite... e também por ter me ajudado. — Levanta-se. — Agora eu preciso ir.

— Ah, tá certo. Foi um prazer, Louise. — ergue a mão para ela, que aceita o aceno, e lhe oferece um aperto amistoso. — E eu agora tô torcendo que aceite ir, porque tenho certeza que você pode gostar de verdade. — apregoa.

Assim, Louise e Jonas despedem-se.

Ele se dirige ao refeitório da faculdade e ela vai para a república, sabendo que encontrará a comida pronta, pois Vicky sempre conserva os alimentos pré-cozidos em vasilhas de plásticos pequenas, dentro da geladeira, com dois ou três dias de antecedência. É comum apenas requentar tudo, acrescentar alguns temperos, fazer a salada e pronto.

“Assim é mais rápido e prático para todas”, Louise pensa e agradece mentalmente, instantes depois, enquanto come, sentada à mesa da cozinha, tendo Vicky e Manu como companhia, mas achando super estranho ver as duas garotas tão mudas e com expressões de poucos amigos. Louise imagina que deve por conta do óbvio, da tristeza que se abate sobre todas nestes dias, pela ausência de Lavínia e, conhecendo a relação complicada das duas meninas, compreende que Manu está sentindo-se rejeitada, como de costume, e que Vicky está mais sensível e arisca do que nunca ao drama da colega sumida. Então decide só terminar o almoço, tomar banho e sair rápido para não se atrasar.

⊱⊱✥⊰⊰

Três horas depois...

Vicky está no quarto, sentada sobre a cama segurando um livro entre as mãos, tentando estudar. Ela olha para a cama vazia de Manu, dá um suspiro impaciente e sai do quarto. Na sala, encontra a ruiva jogada no sofá com uma almofada sobre si, assistindo a um seriado de comédia na televisão mesmo achando-o bobo, entediada e irritada.

— Não vai pra lanchonete hoje? — Vicky pergunta, curiosa, sentando na pontinha livre do sofá.

— Não, eles vão dedetizar. Parece que a vigilância sanitária andou investigando a higiene do local e deu bronca no chefe, então vou ficar em casa hoje. — Manu responde com a maior indiferença possível, sem tirar os olhos da tela da TV.

Ela trabalha como atendente em uma lanchonete ali mesmo nas proximidades da faculdade, de segunda a sábado, das quatro da tarde às nove da noite, pois mesmo que seus pais lhe enviem mensalmente uma quantia razoável para bancar as despesas com o curso, ela gosta de ter um dinheiro sobrando para os gastos pessoais. Aliás, na casa, Manu e Louise trabalham, as outras duas, Lavínia e Vicky, são inteiramente sustentadas pelas famílias delas.

— Você ainda tá com a mesma roupa que saiu de manhã. — A morena repara na saia jeans surrada e na camisa preta com a imagem da banda de rock Slayer que ela veste.

— Pois é, fiquei sem coragem de tomar banho. — fala ainda com os olhos fitos na televisão.

O clima continua tenso entre elas, especialmente porque a ruiva resolveu dar um gelo em Vicky e pouco lhe dirigir a palavra. Vicky, por sua vez, já está arrependida de ter tratado a namorada com tanta indiferença nesses últimos dias e quer arranjar um modo de fazer as pazes, mas é o tipo de pessoa difícil de dar o braço a torcer. Não se considera orgulhosa, embora seja, sim, é raro a ver pedindo desculpas.

Manu joga a almofada para o lado e se levanta. Vicky dá um suspiro desolado vendo-a ir em direção ao quarto. Espera uns minutos e decide segui-la.

Quando entra no recinto, Vicky percebe o som do chuveiro vindo da suíte e imagina que é o momento ideal para tentar algo. Tira a roupa, fica nua e se enrola em uma toalha limpa que encontra em sua cômoda. Abre lentamente a porta do banheiro e vê Manu se banhando distraidamente.

— Posso banhar contigo? — diz sentindo as faces ficarem quentes.

— Hã? — Manu assusta-se um pouco, pois depois de tanta indiferença por parte da morena, não imaginou que ela tomasse uma atitude assim justo hoje. — Caralho, Vicky! Eu devia fazer você sair desse banheiro a chutes pra te dar um troco bem dado. — Mas seu coração já dispara feliz por ter a outra ali tomando uma iniciativa, coisa rara.

Vicky, confusa, hesita sem saber se é para sair ou ficar.

— Então... eu...

— Tá esperando o quê pra tirar essa toalha e vir logo? — Manu gira a torneira diminuindo o fluxo de água e olha fixamente para Vicky. Adora vê-la toda envergonhada por se mostrar nua na sua frente, apesar de já se relacionarem sexualmente há bastante tempo. Por isso, não compreende o motivo de tanta timidez.

Vicky desenrola-se da toalha, sentindo a vergonha que teima em não a deixar. Ela foi criada em uma família de valores morais muito rígidos, em que todos escondiam suas intimidades uns dos outros, inclusive seus pais entre si e as suas duas irmãs mais velhas também, por isso não é fácil ver-se livre dos tabus impostos de uma hora para outra, embora se esforce.

Admirando o corpo maravilhoso e recheado de formas da sua namorada, a ruiva não perde tempo, puxa-a para um abraço e a faz molhar-se.

— Ai! Tá fria! — Vicky dá um gritinho ao sentir os pingos d’água. Sua respiração, no entanto, começa a descompassar pelo contato com o corpo esguio, branco e sardentinho de Manu, que a envolve com os dois braços e faz os seios de ambas se encostarem.

— Deixa de frescura e me beija! — Sem delongas, beija-a com paixão e fúria, invadindo-lhe a boca com a língua ousada em busca da sua. Ainda está com raiva pela rejeição que Vicky a fez sentir por quase toda a semana, porém, o fato de poder puni-la agora a deixa em êxtase dobrado. Então, solta-a, caminha para trás e um pouco para o lado sem desviar os olhos da outra um milímetro. Súbito, ergue a perna direita e a coloca em cima da tampa rebaixada do vaso sanitário.

— Vem, Vicky... vem e me dá uma boa chupada. Aí depois eu vejo se te perdoo por ser tão má comigo. — Sua intimidade está exposta devido à posição adotada. Em seus olhos semicerrados pode ser visto um brilho intenso e em seus lábios, um sorrisinho cruel. Este tratamento rude e direto não passa de um jogo erótico que ambas gostam, embora Vicky jamais admita.

Vicky aproxima-se sem pressa e não a obedece de imediato. Beija Manu na boca de modo suave e lento. Desce os lábios, roçando a língua no queixo macio, depois no pescoço, onde se demora um pouco sugando a parte próxima ao colo alvo. Vai descendo para os seios, apalpando-os com gosto, depositando beijos em um e outro, suave e alternadamente.

Manu saboreia cada carícia, acha tudo maravilhoso, mas, por um protocolo que precisa cumprir, puxa Vicky pelos cabelos forçando-a a lhe olhar.

— Para de enrolar, vadia, e vai logo. — ordena, embora com um tom que mais parece uma carícia do que uma demonstração de rudeza.

Vicky, boa atriz, faz beicinho e cara de ofendida, no entanto, sente um frisson grande invadir-lhe o corpo. Obedece. Agacha-se ficando de joelhos e obtém uma visão ampla da área a ser explorada, enquanto segura as pernas abertas da outra com as duas mãos. Nota os poucos pelos pubianos, que conduzem à fenda feminina com seus grandes e pequenos lábios implorando para ser tocada. Toca-a com os dedos, massageando o períneo num movimento ascendente, sentindo a maciez da carne, sua sensibilidade, subindo e escorrendo ao meio, à fenda róseo-amarronzada, que se entumece latejando de vontade.

Envolve a região sensível com a boca e logo a ruiva solta um gemido de prazer ao sentir-se sendo sugada com ânimo. Sobretudo porque, como se estivesse dando um gostoso beijo de língua, Vicky continua a sucção, trabalha com a língua, deixa-a sobressalente e o mais rígida possível, friccionando ora na região do clitóris ora adentrando pela fresta íntima, numa invasão deliciosamente vigorosa. Continua nesta sequência, chupa, fricciona, enfia e volta a fazer tudo de novo. Permanece nisso por um tempo que não saberia calcular.

— Ah! Sua vadiazinha gostosa! — A voz da ruiva desata em êxtase. — Uhm... assim... assim... Muito bom!

Vicky percebe as sensações que provoca nela e sorri, depois volta a executar os movimentos.

Manu já não se contém, emite gemidos altos segurando a cabeça da namorada, retesando os quadris e se movimentando para frente e para trás a fim de intensificar o prazer que lhe é oferecido. Ela adora sexo oral e sabe ele é muito eficiente para lhe fazer atingir os orgasmos desejados.

Após alguns minutos nessa mesma linha de movimentos, Manu solta um novo grunhido profundo e relaxa, dando sinal de que está satisfeita, por hora.

Vicky solta-a e se levanta com a ajuda dela, sentindo os joelhos doerem um pouco.

Ambas estão com as bocas abertas buscando o ar perdido.

A seguir, Manu, um pouco mais recomposta, olha sensualmente para Vicky. Ela penou bastante até entender que, para Vicky, o sexo oral não era mais que outro tipo de estímulo, não sendo o suficiente para chegar ao clímax. Nas primeiras transas das duas, a ruiva sempre saía satisfeita e feliz, ao contrário de Vicky, que só se mostrava conformada, gemia pouco e não se abria sobre o que realmente a agradava, deixando Manu aflita por não compreender direito o que deveria fazer. Até que elas tiveram a primeira briga. Vicky a rejeitou severamente e Manu, por desespero, acabou por agarrar a outra à força. Nunca esqueceu a expressão de prazer que viu nos olhos da morena por ser subjugada, por causa dos beijos sufocantes, quase brutais. Aí, sim, descobriu o segredo para atingir o ponto erógeno de Vicky. Manu compreendeu que tem que ter fôlego, disposição e muita, muita pegada.

Ciente disso, Manu segura a morena pelos pulsos e a puxa com força colando seus corpos, invertendo as posições, faz as costas de Vicky toparem nos ladrilhos da parede, coloca os braços dela ao redor do seu pescoço, na parte de trás, e faz uma pressão, esfregando-se, principalmente com as pernas, em toda a extensão possível, só se afastando o mínimo para cheirar, lamber e mordiscar cada cantinho de pele que o rosto e a boca alcançarem, no caso, lábios pescoço, ombros e o colo farto. Cada movimento tem o toque e a pressão adequada, mas o beijo é a alma do estímulo, precisa até saber o momento certo de lhe tomar os lábios para valer, que deve ser de surpresa, como o ataque de um leão sobre a sua presa: rasteiro, certeiro e fulminante.

— Manu... Eu acho que já chega! Tá bom por hoje. — Vicky fala com voz manhosa e ofegante.

— Ah, sua dissimuladinha de quinta categoria! — Esse jogo é bem conhecido pela ruiva, que sorri cinicamente. Prende-a mais invadindo com os dedos os cabelos cacheados atrás, na nuca. Puxa o rosto de Vicky para ficar a centímetros do seu. — Quem decide quando isso acaba sou eu.

O lado sádico de Manu manifesta-se de verdade. Age como se fosse beijá-la, mas recua e sorri com malícia da expressão de surpresa de Vicky. Continua com a mão esquerda prendendo-lhe a nuca, afasta-se o bastante para passear com a mão direita por toda a pele naturalmente brônzea. Aperta-lhe os bicos dos seios com certa pressão, puxa-os, gira-os, chupando-os com a boca ávida e os morde de leve, até vê-los bem pontudos. Porém, não perde de vista as expressões faciais e os gemidos de Vicky. Ao notá-la com o rosto voltado para cima, de olhos fechados, demonstrando prazer e gemendo baixinho, entende que é o momento certo para aumentar a agonia.

Manu respira fundo mais uma vez e se encosta novamente ao corpo de Vicky e, antes que ela pense em abrir os olhos, beija-a intensamente e a sustenta com mais força.

Como o esperado, a morena luta para se libertar, como se se sentisse em sufoco. Contudo, Manu sempre a mantém presa ao beijo intenso guiando a mão direita livre para descer e encontrar sua intimidade necessitada.

Os dedos então começam a se mover na região do clitóris em movimentos alternados, ora parecem dar batidinhas ora friccionam rodeando toda a região vaginal. Aumenta a intensidade ao perceber que também aumentam os gemidos abafados pelos beijos e a lubrificação.

Enquanto o corpo de Vicky vai ficando sempre mais rígido, porque ela está quase atingindo um orgasmo culminante, Manu esfrega-se nela, também captando prazer ao colar-se em seu corpo, em especial a sua intimidade na lateral do quadril recheado da sua namorada.

Manu bem sabe que só vai poder soltar Vicky quando ela se render de vez ao prazer, o que não demora, pois o estímulo que lhe oferece é o bastante.

Por fim, Vicky obtém de fato um gozo incrível, após contorcer-se uma última vez e em seguida relaxar, rendida completamente.

A “luta”, por fim, é ganha mais uma vez por Manu.

Manu continua colada à outra, mas os lábios vão separando-se aos poucos.

Ambas respiram com tanta dificuldade que quem as visse até imaginaria que estão passando mal.

— Tô... perdoada? — Vicky pergunta em tom baixo e frouxo.

— Tá! Mas se voltar a me ignorar desse jeito de novo, eu juro que te dou uma surra. — A ameaça sai em meio a arquejos.

— Promete? — A morena deixa escapar, risonha.

— Meu Deus, Victória Sanches, você não existe! — volta a abraça-la, desta vez, docemente. No entanto, ao fim de uns segundos, move-se na direção do chuveiro puxando-a pela mão, sorrindo, descontraída.

As garotas estão felizes pela reconciliação, relaxadas pelo sexo bom. Terminam de se banhar e saem da suíte, com Vicky enrolada na toalha que havia levado e Manu nua mesmo, pois tinha se esquecido de levar a sua, que ficou sobre a cadeira em frente à mesa de estudo no quarto. Regressam a este ainda rindo, mas logo param ao avistar Louise deitada na cama de Vicky, olhando para o teto e perdida em seus próprios pensamentos.

— Louise? — Vicky é a primeira a se espantar. — Há quanto tempo está aí? Você não devia estar em sala de aula agora? — solta as perguntas pegando a toalha sobre a cadeira e a entregando rapidamente para que Manu se cubra. Incomoda-lhe o fato de sua namorada estar nua na presença de outra pessoa que não seja ela.

— Eu não tive concentração pra ficar até o fim das aulas e vim embora. — Louise confessa sentando-se na cama. — E, se querem saber, eu cheguei a tempo suficiente pra ouvir todo o reboliço de vocês aí dentro do banheiro, sabem que eu não ligo... Só preciso de um conselho de vocês duas, não tenho mais a quem pedir. — Sua voz é fraca e ela parece estar prestes a chorar.

— Ah, Louise... pode falar, nós estamos aqui e sabemos da sua dor, que também é a nossa. — Vicky sente depressa o coração se apertar de pena ao ver Louise tão desolada e resolve sentar-se na cama ao lado dela, colocando a mão em seu ombro. — Não é verdade, Manu? — acha melhor chamar reforço.

— Claro que sim. — responde a ruiva. — Que tipo de conselho precisa? — pergunta indo também se sentar junto a ela e repetindo o gesto de Vicky, pondo a mão no outro ombro.

O pensamento de todas é só um neste momento: Lavínia. A tristeza as invade e se sentem cúmplices partilhando o mesmo sofrimento pela ausência ainda sem explicação da loira amiga.

— Vocês são tão fofas, sabiam? — As lágrimas agora teimam em cair, o que faz com que as outras duas acabem se emocionando e chorando também. Elas se abraçam ternamente e se consolam.

— Tá! Chega de choro! Você veio aqui pra pedir um conselho. Então, diga! — diz Manu enxugando com o dorso da mão as lágrimas teimosas, pois realmente detesta chorar na frente dos outros.

— Eu conheci um rapaz hoje, quer dizer, foi um encontro imprevisto e ele me convidou pra ir a uma festa na república onde ele mora. — opta por esconder que quase foi atropelada, porque não quer causar mais preocupações.

— E qual é o problema? — Manu franze o cenho.

— Acham que é certo eu ir a uma festa, me divertir, namorar, sei lá, enquanto a Vivi tá por aí desaparecida?

— Sabe, Louise, eu também fiquei como você, me culpando por tudo e acabei até descontando na Manu o meu estresse, mas eu entendi que a própria Lavínia, tão boa como é, jamais iria querer nos ver sofrendo pelos cantos e parando as nossas vidas por causa dela. — Vicky fala e observa Louise fazer sinal afirmativo com a cabeça.

— Você tem razão. A Vivi é a melhor pessoa que eu já conheci nesse mundo... a mais generosa. — Outra onda de emoção a invade, mas ela se controla para não desabar em lágrimas de novo. Respira fundo e força um sorriso anuente.

— Então vai pro seu quarto, se arruma bem bonita e vai se divertir, garota! – A ruiva a puxa pelo braço, fazendo-a se levantar e a empurra porta fora. — Ah! E não se esquece de mostrar o look que você escolheu depois. — reitera antes de fechar novamente a porta.

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Notas finais
Eu gostei desse capítulo e vocês? Please, comentários! Beijos!