Notas iniciais
Olá, queridos leitores. Quero inicialmente pedir-lhes que me desculpem pelo atraso, que se tem repetido constantemente nesta fase da narrativa, devido a questões de cunho pessoal. De fato, estou atravessando um período chato que me está tomando tempo, ânimo e inspiração para escrever. Portanto, não sei mesmo quando sairá o próximo capítulo, mas não quero, por enquanto, decretar a situação de "hiatus" para a fic, já que tenho fé que, mesmo atrasando nas postagens, eu posso não demorar tanto assim, ao ponto de assumir férias ao enredo. Hahahaha... Mas, vejamos como as circunstâncias caminham, ok. Preciso agradecer à Estrela de Rubi, minha boa amiga e beta, - escritora de "Vítima do Amor" - por estar sempre comigo, dando-me estímulo e força (sendo a minha musa eterna). Agora desejo-lhes boa leitura.

Já passa das dez horas da noite desta quarta-feira e, na república, as jovens tentam não falar nem pensar no assunto do momento, que é o drama da amiga loira e da sua família, devido à acusação de estupro lançada contra seu pai. Lavínia esforça-se para não se deixar abater pela tristeza, pela angústia, pelas terríveis dúvidas. Ela, Louise, Manu e Vicky estabelecem o pacto de buscar, ao menos por esta noite, motivos para se animar, já que não iriam solucionar os problemas apenas remoendo-os. Acreditam de fato que vale mais pensar com positividade. Deste modo, pedem pizzas e escolhem um bom filme de comédia para assistir.

Instantes depois, estão todas reunidas na pequena sala, Louise e Lavínia em um sofá e Manu e Vicky, no outro, mas ninguém está prestando atenção a qualquer episódio do filme, que vai pela metade das cenas cômicas, sem causar, no entanto, grandes interesses às garotas. As ex-namoradas cochilam. A morena tem a cabeça para trás, sobre o cimo do encosto do sofá, o rosto de lado e o corpo frouxo. A ruiva, ao mover-se buscando aconchego, foi parar em Vicky, usando-a como apoio e travesseiro, a cabeça se enfiou em algum ponto do pescoço brônzeo, escondeu-se nos cachos escuros e um braço se postou sobre seu corpo sonolento, de forma bem negligente. Estão como gatinhas enroladas uma na outra, desmanteladas pelo sono. Lavínia, por sua vez, está deitada e tem a cabeça repousada sobre as pernas da melhor amiga, Louise, que está sentada e lhe brinda com um relaxante cafuné olhando-a ora em vez, pois a acha pálida, claramente apreensiva, por mais que tente disfarçar.

Súbito, o som de toque de um celular se faz ouvir, proveniente de lá da cozinha. É o da loira, que o havia deixado em cima da mesa.

— Ai! Meu Deus! Pode ser o meu pai, Lou... — Lavínia desabafa, já se erguendo do sofá e indo às pressas rumo à cozinha.

— Será? — duvida Louise, que tenciona ir junto com a loira para comprovar a suspeita. No entanto, assim que ela se levanta, sente uma tontura repentina seguida de um enjoo. O mal-estar cresce e ela é obrigada a correr para o banheiro que há próximo à sala, sentindo ânsias de vômito.

Manu e Vicky coisa alguma notam disso, pois dormem, e Lavínia também não porque já tem ido ao encalço do telefone, com o coração aos saltos. Assim que a loira apanha o telefone na mão, ela observa que a ligação é de alguém não registrado em seu celular, mas basta olhar os números para se recordar deles e saber a quem se referem. Ela pensa em simplesmente rejeitar a chamada, desconsiderá-la, porém, uma voz dentro de si grita dizendo que atenda. Então, passa os dedos na tela, aceita a ligação. A princípio só põe a aparelho próximo ao ouvido e escuta, ao fundo, som de música eletrônica e de vozes conversando. Logo entende que Henry está ligando da boate.

— Henry, e-eu sei que é você... Tá me li-ligando da Dans, não é? — cria coragem e fala, com voz trêmula.

— Olha... Que interessante! Você sabe que sou eu, já reconhece o meu número. — Ele ri um pouco. Depois volta a falar, melindrado: — Sim, eu tô aqui, mas você não veio. Senti sua falta. O que houve? Cansou de brincar de balconista?

Lavínia sente uma pontada de esperança querer achegar-se nela ao ouvi-lo lançar-lhe a pergunta sarcástica, como se ele nada soubesse sobre os motivos que a impediram de ir ao trabalho na boate hoje.

— Eu não pude ir hoje porque... po-porque aconteceu um im-imprevisto... um problema pe-pessoal. — declara e espera pela reação dele.

— Uhm... Um problema pessoal? O que houve? Posso saber? — Henry questiona, com voz grave e arrastada.

— Jura que não sabe... do que se trata, Henry? — A voz de dela é quase de súplica.

— Você acha que eu sei qual é o seu problema pessoal? Está me acusando de alguma coisa, Lavínia? — Henry finge-se de indignado, mas sua voz é branda e isso confunde mais a loira, que não sabe o que pensar.

— Não... Eu... quero acreditar que... você não tem nada a ver co-com esse problema... — aperta o aparelho entre os dedos reunindo ânimo para expor seu pensamento. — Mas, diante desse transtorno que surgiu, eu co-comecei a refletir sobre a importância da fa-família como um apoio para as horas di-difíceis. Henry, eu fico imaginando que nós po-poderíamos ter um recomeço... co-como irmãos...

— Um recomeço como irmãos? Tá falando sério, Lavínia? Você tá mesmo me fazendo essa proposta? — De repente o tom irônico dele muda para o de aborrecimento. — Quer que eu seja o irmão mais velho que vai te ajudar a passar pelos seus problemas pessoais? Você tem noção do quanto isso soa incoerente com o que vivemos até aqui?

— Não deveria ser in-incoerente, afinal, é o que nós somos, não é? Nós somos irmãos... Foi você quem me re-revelou isso... — respira fundo. — E eu confesso que tenho cu-curiosidade de... de saber mais sobre a minha mãe bi-biológica, sobre essa mulher que também é a sua mãe... a Abigail.

— Quer saber quem foi a Abigail? Pois bem, eu te conto o resumo do que sei sobre a vida patética dela... — Ele faz uma pequena pausa e Lavínia percebe que ele está fumando, pois escuta o som das baforadas de ar, parecendo não gostar das lembranças que lhe vêm à mente. — Abigail foi uma mulher irresponsável que abandonou o marido, o filho, a casa e tudo mais para viver com seu amante, acreditando que um dia ele deixaria a esposa para assumi-la. Ela foi uma tola que não entendeu que estava sendo enganada, que teria sua vida destruída e lhe roubariam das mãos o seu bebê recém-nascido, fazendo-a cair em desespero e preferir a morte a ter que conviver com a desilusão.

— Henry! Você nu-nunca pensou que pode existir outra versão pa-para essa história? O meu pai disse que há... uma explicação pra tudo isso. — Ela tenta não se afetar com a perturbadora narração abreviada dele.

— E qual é a outra versão? Que explicação ele te deu? — mostra-se mais irritado.

— Ele ainda não me contou a versão dele, mas vai me contar... e eu vou po-poder avaliar os dois pontos de vista, o seu e o dele. Eu de-decidi que não posso julgar friamente o meu pai, co-como você faz... sem antes dar uma chance pra ele se ju-justificar. Pode ser que as coisas não sejam e-exatamente como parecem. — Lavínia persiste em seu objetivo de amenizar a rivalidade entre seu pai e Henry, na esperança de encontrar paz no meio do caos instalado.

— Então faça isso, Lavínia, escute as falsidades que ele tem pra te dizer. Esta é a sua escolha. Eu realmente espero ser o único a te dar raiva e desengano, e que ninguém mais faça isso. — diz, com ar de provocação.

— Ah! Mas por que tem que ser a-assim, Henry? Por quê? Pense me-melhor e aceite a minha proposta! — Mais um vez, ela busca ar, pois precisa de força para continuar o que tem a dizer. — Olha, eu estou disposta a te perdoar pe-pelo que você fez co-comigo. Eu posso su-superar o que houve entre nós e você também pode... Nós po-podemos apagar todos os sentimentos errados e transformá-los em algo bom de ve-verdade, para sermos o que sempre de-deveríamos ter sido....

— Lavínia, enfia de uma vez por todas na sua cabeça que não somos e nunca seremos irmãos! Não existe volta pra o que aconteceu entre nós e nem chance para essa transformação que você espera. Se quer me perdoar confiando nisso, esqueça, pois eu não posso atender às suas expectativas neste aspecto... O único recomeço possível entre nós é como um homem e uma mulher... e é por esse recomeço que eu aguardo, dia e noite. — Henry abdica do sarcasmo para falar francamente.

— Não! Isso não é um recomeço po-possível po-porque é absurdo, nojento... doente! Como vo-você consegue falar de-desse jeito, sem mostrar nenhuma ve-vergonha? — contrapõe, angustiada, aborrecida.

— O fato de eu ser honesto com os meus sentimentos deveria ser algo digno de elogios e não de crítica... Ou prefere que eu minta pra você? — questiona, afrontando-a.

Lavínia fica quieta por uns instantes, sentindo esgotarem-se os seus argumentos e as suas esperanças. Em seguida volta a pensar na situação caluniosa na qual seu pai está inserido.

— Tá bem, Henry. Se você não quer mesmo que nós tenhamos a o-oportunidade de acharmos um ca-caminho... de tranquilidade entre nós, não me re-resta alternativa que me co-conformar. Mas, já que você tá fa-falando em ser honesto e em não mentir pra mim, diga então.... Você desistiu mesmo da-daquela história de vi-vingança? — volta a tocar no tema espinhoso, que a amofina demais.

É a vez de Henry conservar-se quieto por uns segundos. Está com muita raiva agora e tem vontade de despejar sua fúria aos berros, dizer que ele nunca desistiu de querer a sua vingança, que ele, inclusive, é o mentor por trás da acusação na qual o pai dela está inserido. Porém, ele apenas puxa o ar aos pulmões e o solta lentamente, adiando mais em responder-lhe.

— Henry... responda! Diga que sim... por favor... — vendo a demora dele, Lavínia persiste em obter o retorno que deseja para aliviar seu coração.

— Não vou te dar essa resposta, Lavínia, porque acho desnecessário fazer isso... No entanto, eu te aconselho a aproveitar esta noite para refletir sobre os seus sentimentos verdadeiros em relação a mim. Encare o que temos, deixe de lado a covardia e perceba o que de fato somos um para o outro... Isso é o melhor a ser feito. — Henry sugere de forma branda, porém, intimidadora.

Lavínia cala-se, não consegue proferir qualquer revide para o que ele diz. Somente comprime o celular entre os dedos, sentindo a respiração falhar pela aflição.

— Olha, quero que você saiba que eu lamento por não ser a pessoa que você gostaria que eu fosse e por não facilitar as coisas pra você... — Ele continua, enigmático. — Mas você também não facilita nada pra mim, não é? Não me dá muita opção.

— Pare! Você só tá jo-jogando com as pa-palavras e me confundindo. — solta, agitada, passando as mãos pelas madeixas loiras, secando o suor da testa.

— Então, despeça-se de mim e interrompa a ligação... O que a impede de fazer isso? — questiona, provocante.

— É i-isso que eu vou fazer... po-porque tô vendo que você não vai me dizer o que eu quero ouvir... — suspira, cansada, impaciente. — Então... Tchau! No entanto, ela permanece com o celular ativo, lutando contra si mesma para pôr fim a esta sessão de tortura mental.

— Ei, Lavínia. Não se aflija demais hoje. Guarde sua energia... talvez precise dela para suportar o que virá amanhã. — Henry prognostica, em tom espantosamente afável.

Lavínia treme de nervoso e se recusa a encarar o que ele cita, nesta frase lúgubre, como uma confissão de culpa. Ela deposita o celular sobre a mesa novamente, mantendo seu olhar perdido sobre o aparelho telefônico já apagado. Seus pensamentos encontram-se em efervescência e em seu rosto é visível a expressão de ansiedade.

— Era mesmo o seu pai no telefone, Vivi? — Louise surge no recinto, tirando-a do transe.

— Não, não era... Era o Henry. — responde em tom quase sumido, virando-se e mostrando a Louise o seu olhar tristonho.

— Oh, minha nossa mãe do céu! O que ele queria? Ele confessou algo sobre a calúnia contra o seu pai? — Louise vai direto ao cerne da questão.

— Ele si-simplesmente me enrolou o quanto pôde e não me disse nada de concreto... E eu confesso que tô confusa, Lou. Eu re-realmente não sei o que pensar. Mas co-continuo sem querer acreditar na participação dele nisso. — comprova sua vontade de que ele seja inocente, enquanto meneia a cabeça com o olhar vago.

— Ok. Ele deve ter ligado com a intenção de te confundir mesmo. Só que isso não importa, Vivi... porque o que você deve fazer é seguir com o plano que nós já havíamos estabelecido, tá certo? — Louise opta por não revelar à amiga suas impressões pessimistas e prefere pôr panos quentes, no momento.

— Tá certo, amiga, você tem razão, não quero pensar mais nisso hoje, senão nem vou conseguir dormir... — suspira, resignada. Porém, de repente ela olha para Louise e a vê muito pálida, com aspecto de alquebramento. — Lou, você tá se sentindo mal?

Lavínia estica o braço e apanha a mão fria de Louise, ficando depressa preocupada com a saúde da amiga.

— Não, não é nada de mais... Só acho que toda aquela pizza que eu comi não me fez bem. Acabei ficando enjoada e vomitei tudo... Mas não se preocupe porque com uma boa noite de sono isso logo passa. — declara, mostrando os dentes num sorriso amarelado, mas confiante de seu parecer.

— Ai, Lou... Eu si-sinto muito. Acho que os meus problemas é que estão te afetando... É estresse pra todo lado... Que situação lamentável! — Lavínia pensa que Louise sente-se mal devido ao contexto aflitivo que ela, sem querer, está impondo às suas amigas da república.

— Que bobagem, Vivi... Para de se lastimar. Você não tem culpa de nada. Além disso, eu sou sua amiga, não tem como eu não me afetar com os seus problemas... Mas eu sei que só passei mal porque comi demais, fui exagerada. Amanhã estarei ótima de novo. Pode acreditar! — tranquiliza-a, enquanto a puxa para saírem da cozinha. — Vem. Melhor a gente ir dormir... Eu já fiz as meninas irem para o quarto porque estavam capotadas no sofá. Pobrezinhas!

— É verdade, elas também se abalaram por minha causa... e a nossa noite VIP foi um desastre total... nem o filme de comédia conseguiu nos animar. — Lavínia fala, com voz esvanecida, ao passo que se deixa conduzir na direção do quarto, pensando que seria ótimo se conseguisse dormir de verdade um sono profundo para esquecer suas perturbações.

Assim, todas as garotas se recolhem aos seus aposentos para tentar garantir ao menos algum repouso físico e mental. Lavínia e Louise não abordam mais sobre qualquer assunto conflituoso e optam por ficar cada qual com suas suspeitas nada agradáveis para si mesmas.

A chuva fina que se iniciou pela madrugada persistiu até o amanhecer desta quinta-feira, veio mostrando-se de tal modo fria e nebulosa, condizente com o estado espiritual das garotas na república.

Dico chegou bem cedinho e adentrou pelo portão de ferro sendo atendido obviamente por Louise. Depois de lhe dar um beijo e um abraço de boas-vindas, ela o conduziu para o interior da pequena residência, mais especificamente para a cozinha, onde logo ele se deparou com as outras jovens moradoras da residência já acordadas, vestidas, iniciando a refeição da manhã e prontas para receber as notícias que viriam inevitavelmente a partir deste dia fatídico.

— Bom dia, meninas. — Primeiro, ele cumprimenta Vicky e Manu, que lhe dirigem um aceno discreto e simpático. Depois ele olha diretamente para Lavínia, evidenciando dó e empatia, contudo, estendendo-lhe o jornal que trazia consigo a pedido de Louise. — Sinto muito, Lavínia. O escândalo envolvendo o seu pai está nos telejornais, na internet e é o destaque do jornal... E a reportagem ocupa quase duas páginas inteiras.

Lavínia levanta-se da cadeira e, tremendo do pés à cabeça, toma em mãos o jornal que lhe é entregue. Tendo Louise ao seu lado amparando-a, começa a ler o que há escrito no tabloide sobre a calúnia arremetida contra o seu pai:

ESCÂNDALO DE VIOLÊNCIA SEXUAL PODE PREJUDICAR GIANT SOLUTION (GS) “

Isadora Abranches, a suposta atriz que levou o presidente à renúncia, garantiu que não suportava mais ficar “calada”

Por: Cirilo Xavier

Os tais eventos eram chamados de encontros executivos presidenciais, reuniões exclusivas, que muitas vezes duravam vários dias, em que representantes da GS conversavam com clientes importantes.

Quando Gregory Albuquerque, que comandava a empresa, participava dessas reuniões, muitas vezes demonstrava estar apenas interessado em conhecer e angariar novos e ilustres clientes. Porém, em certas ocasiões, ele foi visto, não uma, mas algumas vezes ao lado de Isadora Abranches, uma bela mulher, de 43 anos de idade, e ex-participante de um reality show na TV, que já é conhecida entre os executivos por sua vontade de se tornar também uma consultora de marketing, o que sempre pareceu ser um óbvio pretexto para estar no meio de empresários de alto nível, visto que seu “ibope” despencou depois que não foi mais contratada para nenhuma mínima aparição em seriados ou novelas.

No entanto, um hipotético envolvimento rápido entre Isadora Abranches e o empresário Gregory Albuquerque abalou as estruturas de uma das melhores administrações existentes no país e interrompeu uma extensa procura de clientes pelos seus serviços, causando instabilidade ao orgulho da empresa, pois, nesta quarta-feira, Isadora acusou oficialmente Gregory de tê-la abusado sexualmente, quando estavam a sós em um quarto de hotel, após terem saído juntos de uma dessas reuniões particulares, isso há quase dois meses. Ela revelou o conjecturado abuso sexual em um programa sensacionalista da TV, bem como afirmou ter contratado a renomada advogada Cíntia Pontes de Castro para defendê-la.

O empresário passou recentemente por uma triste questão familiar por meio do já divulgado sumiço misterioso de sua jovem filha, Lavínia Albuquerque, que até onde se sabe não havia deixado rastros de seu paradeiro e reapareceu, de modo mais inexplicável ainda. Gregory Albuquerque que é, portanto, casado, pai de família, e agora ex-presidente da GS, sendo rebaixado a mero executivo de segunda classe, tentou imediatamente fechar um acordo extrajudicial com Isadora, por meio de advogados, propondo-lhe uma quantia não revelada. Porém, a suposta atriz e aspirante a consultora de marketing recusou categoricamente, dizendo que irá até os tribunais para que todos saibam o que ele a fez passar.

Os demais executivos da GS atestaram que não discutirão mais a questão delicada de Gregory Albuquerque e que o objetivo seguinte é encontrar um novo presidente, para reavivar e manter a empresa em funcionamento. “Não vamos ceder e nem desacelerar nosso trabalho”, disse Antônio Roberto Vidigal, diretor e presidente interino da GS.

Mas todos sabem que virar a página e deixar de lado o escândalo vai ser difícil demais. Inclusive, é isso o que se pode perceber pelo rendimento atual da empresa, que caiu 5% já na quarta-feira, após o encerramento do mercado, enquanto a notícia sobre a renúncia de Gregory Albuquerque estava pronta para ser espalhada hoje, quinta-feira, por todo o país. E apesar de o inquérito não ter apontado uma violação política da companhia, que se restabelecerá como a competente firma de consultoria empresarial que é, a confiança e a apreciação de bom empresário ficará mesclada à suspeita danosa, inclusive aos futuros negócios da corporação...

Lavínia verte grossas lágrimas enquanto vai lendo cada palavra, sentindo o coração muito apertado. E, assim que seus olhos alcançam o fim da reportagem e ela vê claramente as imagens de Gregory Albuquerque e de Isadora Abranches, assusta-se tremendamente.

— Oh! Meu Deus! Agora não há mais dúvida... — Sua voz sai como um pequeno grito. — Foi ele! Foi Henry que mo-montou essa e-emboscada contra o meu pai!

— O quê? Como pode ter a certeza de que é mesmo o Henry que está por trás disso, Vivi? — Louise quer compreender o que levou sua amiga à conclusão de tal maneira determinante.

Vicky e Manu seguem emudecidas, entretanto, bem atentas. Dico encontra-se igual, só acompanhando o desenvolver da tragédia. Ele já leu a reportagem e está ciente da gravidade do caso, até mesmo, a partir de detalhes que lhe foram repassados por Louise.

Assim sendo, todos olham para Lavínia aguardando a resposta para a questão que lhe foi expedida.

— Essa mu-mulher aqui... re-reconheço o seu rosto, eu a vi antes, ela tava lá na boate junto co-com ele, na mesma me-mesa... Eu os vi juntos! — agita-se e sua voz ganha volume. — Essa Isadora Abranches e o Henry estão juntos nisso! São amigos... Cúmplices! Ai! Que ódio! Esse desgraçado armou pro meu pai! Mas agora eu vou fazer esse cretino ouvir... Ah, se vou!

Lavínia descontrola-se e dá uns passos para sair da cozinha, porém, Louise puxa-a pelo braço.

— Ei! Espera, Vivi! Onde você pensa que vai? Não tá falando em ir atrás desse homem, né? — encara a loira, lamentando por enxergar tanta aflição e ira em seu olhar.

— Claro que eu vou! Vou esfregar umas ve-verdades na.... na cara dele... Eu sei onde fica o-o apartamento... a casa dele e eu posso descobrir o-onde fica a empresa também.... Eu vou matar esse farsante! Eu vou! — entala-se com as palavras, devido à raiva que sente.

O clima de nervosismo instala-se no local, pois Lavínia dá ares de estar dominada por uma exaltação maior que ela, já que o desengano a consome de vez. Seus olhos estão alucinados e não se fixam em nada próximo, como que perdidos e em busca do responsável pelo seu pesar.

— Não, Vivi... Você não vai até ele porque, se você fizer isso, vai atender o desejo dele, vai fazer exatamente o que ele quer que você faça... porque é óbvio que a finalidade dele não é só atingir o seu pai, mas também chamar a sua atenção, de qualquer forma. — A explicação de Louise não é assimilada, num primeiro momento, por Lavínia, que continua tentando soltar-se para seguir com seu combate impetuoso.

— Me deixa ir, Lou... Sai da minha frente! Eu preciso pelo menos de-despejar a minha raiva naquele ca-cachorro, cretino! — A loira expõe sua indignação enquanto se agita mais.

— Isso não adiantaria de nada! O escândalo já se espalhou, Vivi. Porém, agora tudo o que você pode fazer é denunciá-lo. Ou melhor, você deve delatar o Henry e a cúmplice dele ao seu pai e às autoridades competentes, para que eles sofram as consequências dos seus atos. — Louise apregoa firmemente.

Entretanto, com este enunciado, Lavínia suspende a respiração, sentindo o mundo inteiro se postar em cima de seus ombros. Louise liberta-lhe o braço e a vê caminhar de volta à cadeira, sentar-se, apoiar os cotovelos na mesa e as mãos sobre o rosto, enfraquecida e desconsolada.

— Eu não posso. Não posso denunciar... — confessa, com embaraço, sem encarar os presentes, que a olham, pasmados.

— Vivi, eu não acredito que você vai continuar escondendo e protegendo esse homem. — Louise libera seu pensamento de revolta.

— Não! Não é isso, não é só pra proteger ele, porque... — retira as mãos do rosto e o ergue, decidindo ser o mais honesta possível. — A verdade é que eu tenho medo... eu tenho me-medo de que... que a de-denúnica faça com que esse ódio todo que existe entre o meu pai e o Henry vire uma bola de neve... e se transforme numa a-avalanche terrível, que traga a mo-morte de um dos dois... Eu não quero que isso aconteça!

Lavínia volta a chorar, causando em todos sentimentos de compaixão.

— Lavínia, eu compreendo o seu medo... e te apoio em qualquer decisão que você venha a tomar... Por favor, não se aflija tanto. — Vicky, sentindo pena da amiga, estende a mão e a coloca sobre a da loira, olhando-a com carinho e lutando contra as próprias lágrimas, tentando mostrar-se forte.

— E eu digo o mesmo, Lavínia. Você tem o meu apoio incondicional. — A ruiva anuncia, amistosa. A seguir, porém, coça a cabeça, torce a boca e se mostra confusa. — Mas e quanto ao seu pai? O que vai acontecer agora? Ai, que situação difícil!

Dico, que também está compadecido com o sofrimento da loira, resolve dizer algo que possa amenizar a atmosfera de tensão.

— Lavínia, se aceita um conselho de amigo, eu digo que você precisa buscar agir com calma, sem precipitação. A conjuntura é mesmo difícil, sim... Porém, trata-se de um escândalo sexual, ou seja, o abalo maior para o seu pai será voltado para a vida particular dele, já que na empresa tudo será abafado e ele não perderá o emprego, só irão rebaixá-lo de cargo, esperar a notícia perder força, ser esquecida. Essa é uma postura típica para qualquer firma que tenha um funcionário envolvido num caso assim. — anuncia, como conhecedor dos procedimentos internos que ocorrem nas empresas frente ao tipo de contexto apresentado, e o seu parecer, de fato, alastra alguma calmaria no ambiente.

Louise sorri, orgulhosa do namorado, puxa a cadeira ao lado da que a loira está e se senta olhando-a, agora querendo ajudar sua amiga a refletir melhor sobre o próximo passo a ser dado.

— É, Vivi, nós todos entendemos que você está com medo que o seu pai e o Henry se matem por causa desse ódio absurdo que há entre eles e, por causa disso, você prefere encobrir o nome desse homem e não acusá-lo. Mas você deve lembrar que o seu silêncio pode ter um preço e esse preço pode ser o casamento do seu pai e a paz de espírito dele... pois, pelo que eu pude entender dessa emboscada, a tal da Isadora embriagou o seu pai antes de levá-lo até o quarto do hotel. Ele nem deve ter certeza da própria inocência porque talvez não se lembre exatamente do que aconteceu naquele quarto. Assim, fica difícil ele se defender, se não sabe distinguir a verdade. — Louise é honesta e direta.

— Eu sei! Agora eu consigo imaginar como tudo aconteceu. Ela se aproximou do meu pai e o se-seduziu, fez com que ele bebesse muito e quando teve chance... preparou a ci-cilada toda, o espetáculo perfeito de um estupro... Que mulher nojenta! — declara, com voz embargada de cólera. Depois, respira fundo, procurando oxigenar o cérebro para raciocinar melhor. — Mas o meu pai deve ter pensado nisso, mesmo sem ter certeza das coisas... Ele deve sa-saber que foi um tolo e caiu nessa cilada, pois é óbvio que essa m-mulher também quer ga-ganhar fama e dinheiro com tudo isso!

— Bom, é verdade, ele deve ter pensado em tudo isso. Resta saber se a sua mãe vai se conformar com essa justificativa... porque, de qualquer forma, o seu pai fez sexo com a Isadora... Ela disse, ontem no programa, que há o exame de corpo de delito e um registro na delegacia comprovando que o sémen encontrado nela é do seu pai. Portanto, sua mãe pode apenas entender que foi traída e isso ser o suficiente para ela querer a separação. — Louise não poupa palavras, pois quer que Lavínia reflita sobre todos os ângulos do problema.

— Eu não vou deixar isso acontecer! Eles se amam... Eu sei! — afirma, secando as lágrimas e se sentindo um pouco mais forte. — Eu vou lá... vou conversar co-com eles. Eles pre-precisam saber que eu já estou in-informada sobre tudo o que está acontecendo.

— Mas, já que não quer que saibam da participação do Henry neste escândalo, o que você vai dizer pra eles? — A pergunta é feita por Vicky, que se mostrou calada à maior parte do tempo, somente ouvindo. Contudo, neste momento, ela exprime a dúvida que é geral.

Lavínia percebe todos os olhos postos sobre si e fica mais tensa.

— Na verdade... eu ainda não sei exatamente o que eu vou falar, porém, o que importa é que eles saibam que eu a-acredito que nós pre-precisamos ficar unidos, co-como a família forte que somos, para su-superarmos essa etapa difícil. — Lavínia declara, menos exasperada.

— E sobre o Henry? Ainda está pensando em ir atrás dele? — Louise indaga, estreitando os olhos na direção da amiga.

— Não. Você tem ra-razão, Lou. Se eu fosse pro-procurar o Henry, nem que fizesse isso só pra tirar sa-satisfação e jogar nele a minha raiva, estaria apenas dando e-estímulo para os seus atos insanos po-porque eu sei que, além de querer prejudicar o meu pai, ele quer me aborrecer... me angustiar. — Lavínia expõe, amargurada.

— E você sabe por que ele faz isso, não é? Eu já te falei que ele nunca vai aceitar que vocês se tratem como simples irmãos. Aliás, eu acho que a intensidade do ódio que ele sente pelo seu pai só é superada pela paixão que ele nutre por você. — Louise declara em voz alta, perante os demais ouvintes, que se entreolham, compreendendo o quão intrincada é esta situação.

Lavínia baixa os olhos, envergonhada, ao se lembrar da conversa que teve com ele à noite passada, pelo celular, da vontade que sentiu em vê-lo fora, alheio a esta desordem que assola sua família. Ela fecha o cenho e se mostra bastante magoada.

— É... eu sei. Eu sei também que não devo mais propor um re-recomeço como irmãos, que isso seria mesmo inútil. — Seus olhos adquirem um brilho aguerrido. — Mas, se ele acha que, envolvendo o nome do meu pai num fa-falatório maldoso, vai conseguir de-destruir a paz da minha família... eu vou provar que ele tá enganado e que nós po-podemos vencer qualquer co-conflito juntos, unidos... porque nos amamos muito.

Assim, Lavínia decide que irá à mansão Albuquerque para reunir-se com os pais, estar com eles neste momento de agonia, amparando-os e os aconselhando com palavras resilientes. Porém, a despeito da pressa em fazer o que se determinou, acaba aceitando a sugestão de Louise que a incita a terminar de fazer a refeição matinal, pois Dico irá oferecer carona às duas. Ela se senta à mesa, seguindo os gestos de Dico e Louise, e também faz companhia a Vicky e Manu, que permanecem tensas com a situação problemática, como todos ali. Não obstante, a mínima tranquilidade que parecia querer instalar-se à mesa do café da manhã é abalada novamente, desta vez pela própria Louise que mal põe o suco de laranja na boca obriga-se a ir correndo para o banheiro mais próximo, pois o mal-estar da noite passada volta a incomodá-la.

— Não se preocupem... não foi nada demais. É que ontem eu exagerei na pizza, meu estômago não ficou legal. — Louise justifica, sentando-se outra vez à mesa e olhando diretamente para Dico, querendo tranquilizá-lo.

O moreno fica preocupado e com uma sensação de dúvida, mas ele disfarça para não aumentar o clima aflitivo.

Minutos depois, Manu e Vicky seguem para a faculdade e Dico, Louise e Lavínia vão juntos no carro. O combinado é que ele irá deixar a loira na casa dos pais dela e em seguida levará Louise para a clínica. Somente após isso é que ele irá para seu trabalho.

[...]

Notas finais
Ai, gente, quem aí está com vontade de matar um semideus lindo e louco? Hahahaha... Esse Henry só apronta. Tadinha da Lavínia! Ela não quer denunciá-lo, apesar de sentir o desengano a consumir, tragando-a em pura raiva, porque teme que esta denúncia acabe provocando mais ódio e a consequente morte de um dos dois (de Henry ou de Gregory). Louise, Dico, Manu e Vicky estão todos agora bem cientes da triste situação em que a loira esta envolvida e apenas tentam dar-lhe conselhos, já que não podem interferir diretamente. Lavínia tenciona ir conversar com os pais, sem mencionar a culpa de Henry. Vejam que situação complicada! Não quero nem saber como será o reencontro de Vivi e Henry. Certamente haverá fogo no local do encontro.... ou não. Hahahahaha.... Bom, em meio a esta confusão toda, será que vocês repararam que Louise está a se sentir mal ora em vez? O que isso poderá significar, hein? Hahahaha... Manu e Vicky ainda não tiveram uma conversa decisiva entre elas sobre como ficará o relacionamento delas a partir de agora, depois do aconteceu. Não podemos igualmente deixar de recordar que existem as tramas paralelas, dos demais personagens. (Dayse, Aline, Chris... Fábio e Rafa...). Deus me acuda! Quanta confusão para solucionar! Hahahaha... Bom, oremos que o próximo capítulo não se alongue por meses. Hahahaha... Obrigada aos que comigo permanecerem. Beijos.