HASHIREEEEEEEEEEEEE!!!

6 Capítulo 6 - Pentagrama da desgraça... e o tanuki mandrião.


Notas iniciais
Façam parte da noite sem fim, soldados da profanação!

O ar da fangonesa parecia outro naquele momento. Voltou a se espelhar em Cheshire para sorrir diante do inimigo. Ela olhou aos arredores e viu diversos prédios urbanos espalhados a poucos metros abaixo. Uns deles bastante espelhados, e reverberavam muito as fulgências dos raios solares mesmo que agora consumidos pelo fim de expediente. Estavam pairados ainda sobre o vasto bairro Conde Piero, mas percorreram tanto aos céus que já estavam na extrema parte urbana, sem terem se dado conta.

E lá vinha niú-de-tou, desta vez, tomando iniciativa para agir. Bateu com força as asas e se disparou contra a garota, sem querer saber do Espírito Volátil somado a Blindagem do Paladino de Vento, combo feito por ela para fazer debanda do cerco demoníaco.

Até agora, Lin pôde perceber que o único braço que niú-de-tou mostrou, havia sido o sinistro e, era com ele que vinha a atacar com o mesmo artifício a que utilizou para rasgar a bola de fogo ao meio, momentos antes. Havia uma energia muito agitada, de feitio laminoso, que a cada vez mais ao se aproximava de dela e de Rikki, a energia progressivamente ganhava um tamanho maior até se tornar uma massa de energia cortante de aparência totalmente medonha e perigosa. Lin tinha a impressão e sensação que só de estar perto daquele golpe, aquele demônio comeria o rabo dela iminentemente, mas manteve a calma pela espera do momento certo de também agir, fitando-o, analisando-o; qualquer dado que ela pudesse coletar com a movimentação de seu oponente era muito válido para chegar ao sucesso de seu plano, proferido há pouco.

Niú-de-tou entrou em contato com a barreira de vento de Lin. Ele sabia que seria difícil de penetrá-la, entretanto, estava convicto de que não levaria muito tempo até ter sucesso nisso.

O monte de lâminas energéticas, de cor negra, girava violentamente contra o vento reforçado da barreira, e um barulho inconvenientemente aterrador ecoava, espalhando uma sensação de batalha bem tormentosa. Nem por isso a máscara de Cheshire abandonou o rosto de Lin, evidenciando um ar de altivez diante da tentativa de penetração a seu feitiço, executada pelo oponente — conquanto que ela não deixasse de se atentar na circunstância de que os outros demônios estavam atrasados, e ainda assim, dirigiam-se até eles, tudo se encontrava bem. O plano ainda se mantinha dentro dos padrões, e a primeira parte começara a ser executada agora: ela separou Rikki da barreira o mantendo em uma única redoma de ar para que ele não despencasse de lá do alto. O custo por isso aumentava gradativamente, mas o sacrifício era válido a ser feito e pago — e o senso de urgência a fez o afastar consideravelmente para que pudesse confrontar niú-de-tou no mano a mano. Quando Rikki fora apartado, o atacante conseguiu penetrar a barreira dela, só que muito lesta e manipresta, desvencilhou-se de sequentes tentativas de abate consecutivas de niú-de-tou, também aparando muitos dos golpes dele.

Lin desviou muito provando para ele que apesar do receio de outrora ela tinha deferência pelo seu algoz; por isso estava mostrando a ele o máximo de suas habilidades em combate também. Não pretendia morrer ali.

Niú-de-tou conseguiu raspar o ombro de Lin superficialmente com a tal lâmina mortífera a ferindo. O tecido do blusão social branco foi tingido de vermelho, alastrando a mancha ao que o tecido embebia o sangue da fangonesa, contudo, ela contra-atacou com uma versão bufada, derivada da Bola de Fogo, chamada Toque da Palma Flamejante. Quando Lin recebeu o ataque que não havia conseguido aparar, apartou para longe niú-de-tou com o golpe de palma encandecida pelo fogo, bem no meio do peito do demônio. No momento em que a mão dela entrou em contato com a superfície do peitoral, carregada com a força de seu punho, houve-se uma explosão que o mandou para longe.

— Isso, idiota... venha em direção ao destino que você merece! — Ela fez uma pausa e libertou o feitiço que conjurou após ter executado o Toque da Palma Flamejante. Tudo mentalmente, para que seu oponente não percebesse seu lance.

Ela gritou com apuramento, jubilosamente, o nome do feitiço que era encarregado de tornar aquela parte do plano um êxito:

— "PRISÃO CARNAL!"

Ela apontou os dois braços para niú-de-tou que trespassava com tudo para cima, abrindo totalmente as palmas de suas mãos, fazendo emanar uma luz coriscada, azul maya, grotesca, virando um turbilhão aural tão forte que ofuscou a visão dele. Ele não esperava por isso e fora mesmo pego de surpresa pela ação de Myung Lin, que disparou o monte de energia desordenada para cima dele, esvoaçando tudo. E qual era a função deste feitiço? Resposta: aprisionamento, mesmo que temporário. A energia o lambeou e o encarcerou em uma espécie de nebulosa de aura cintilante, o atordoando. Ficou aturdido precisamente por ser um demônio, já que a eficácia do feitiço era contra estes seres de existência e essência maligna. Lin sabia que o tempo de prisão variava de acordo com a força do demônio a que queria aprisionar, e calculou que talvez conseguisse o manter preso por apenas uns 15 minutos. Passando disso seria total milagre, porque o custo a mantê-lo por mais tempo além, dentro deste feitiço de aprisionamento, era muito alto. Já era alto mantê-lo lá por 15 minutos, o que ela acreditava que fosse aguentar. A jovem então movimentou os braços, como se estivesse utilizando telecinesia, e conduziu o tinhoso até um canto bem longe dali, entre os prédios — e a tempo, pois... quando terminou o serviço... os atrasados começaram a surgir, um a um.

— Tudo de acordo com o keikaku... — Comentou Rikki, bem baixinho, enquanto assistia à garota voltar para acoplar novamente o campo de ar ao dele.

Juntaram-se novamente. Quando ela uniu as duas redomas num ato impulsivo de felicidade pela parcialidade do plano ter dado certo, o abraçou com total pudicícia, só sentindo glória absoluta pelo feito. O rosto do rapaz ganhou um rubor bem acurado e retribuiu o abraço a ela, sorrindo. Boa garota. Pensou ele. Mas é hora de voltar à realidade, pensou também, apartando a garota de seu abraço com as duas mãos em cada ombro dela, e olhou a toda volta possível. Haviam sobrado 13 demônios, já que os outros dois que tentaram a sorte contra Lin no início, foram escangalhados pela pulga fangonesa e ficaram por lá mesmo, descartados. 1,52 de altura de pura brutalidade. Os demônios estavam cautelosos demais diante dos alvos, principalmente por não conseguirem achar seu mestre, que havia perdido total traço de sua presença no local. Eles se entreolhavam, compartilhando a dúvida em sua comunidade; metade deles acreditava que ela realmente havia derrotado niú-de-tou.

— E vocês? Vão ficar aí de luto pela morte do patrão e vão me deixar ir embora, por que não tem mais serviço pra vocês, ou o quê? — Lin desdenhou querendo atordoa-los.

— O que você fez com ele, arromb-!

— "LANÇA DE ELMEKIA"!

PORQUE MAIS UMA VEZ NÃO! Estava cansada de ser xingada por aqueles caras, mesmo sabendo que não podia esperar gentileza e afabilidade de demônios, principalmente quando eles estavam ali para lhe matar. Ainda assim estava exaurida de ser xingada de tudo quanto era coisa que ela tinha certeza de que não era. Portanto, fuzilou o demônio com uma série de disparos bestiais, de lanças de energia verde chartreuse, efetuados de duas kalashnikovs que ela chamava de mãos, unificadas. Este era o feitiço Lança de Elmekia. O que sobrou do demônio fora apenas o resto de um corpo esburacado que se desfazia aos poucos quando a carne e músculos se desprendiam uns dos outros, caindo céu abaixo. Sem muito esperar, mais três demônios cornudos rodearam o campo de vento, tentando penetrá-los com suas garras reforçadas por energia espectral. Saraivaram o campo de força com furor desmedido e muita velocidade, a ponto de até mesmo Lin e Riki não conseguirem vir seus movimentos com facilidade — e receber diversas pancadas sobre a Blindagem do Paladino de Vento constante (a que não servia para impactar e sim só para proteger), também tinha um custo expressivo.

Um quarto demônio veio por cima, na vertical, estrondando o globo de ar, trepidando os corpos da fangonesa e do rapaz; já um quinto veio por debaixo, fazendo o mesmo. O feitiço de guarda começou a ratear pouco a pouco, oscilando vacilantemente e perdendo reluz. Rikki ficou de frente para Lin mostrando uma expressão aparvalhada, e agora fora a vez dela de retribuir o favor lá da escadaria.

A mocinha falou para ele calmamente em meio aos xingos e profanações dos demônios que, por causa do enervar da barreira, agora ambos conseguiam, com um pouco mais de clareza, ouvi-los:

— Rik-ki... eu prometi que salvaria você... não prometi? Então eu o farei. Não se preocupe com isso. Só estou os deixando achar que estão conseguindo nos consumir, mas, A HORA DE PUXAR O TAPETE DESSAS PRAGAS É AGORA!

De um sereno beatífico, a austeridade roubou a cena no rosto de Lin.

Rikki só moveu o rosto fazendo que sim...

"Emprestes a mim teu poder, entidade da sombra púrpura; corrente rutilar devastadora faça teu estrondo e remeta-os a fatalidade justa E SEVERA! Ó nódoa negra desgraçada, pulverizarei tua comparência indesejável e crepitarei até o último pedaço de carne do teu corpo! — Chuva de Raios Sentenciadora: Relâmpago Vil Arrebatador!"

E ao final do encantamento e o proclamado nome do feitiço, a fangonesa gritou com vigor:

— MYUNG LIN... OBLIIIIIIIIIIITEEEEEEEEEEEEEEERÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Okita Rikki sentiu uma atmosfera totalmente obscura o sufocar momentaneamente. Os olhos de Lin que possuíam um tom vermelho carmesim ganharam uma súbita cor púrpura, que cintilava e expelia brilho como uma lanterna de led bem forte. As pupilas sumiram em meio ao brilho. Lin parecia outro caralho de ser mesmo sem que houvesse de ter deixado a si mesma, e abraçou suas próprias costelas, flexionando o tronco levemente para frente, comprimindo seu próprio corpo numa quase posição fetal — se não fosse pela perna destra esticada ao máximo e a sinistra apenas um pouco flectida para cima, seria uma legítima posição fetal — e a redoma de ar que antes estava oscilante e vacilante parecia ganhar o dobro de vigor e rigidez agora. Lin esticou os dois braços para cima e em seguida fez obliquidades opostas nos dois, esticando todos os dedos possíveis com força, assim como o corpo todo ela esticara espontaneamente.

E foi assim que a desgraça caiu sobre todos os demônios atacantes...

Um festival estrondoso de trovoadas se espalhou por todo o perímetro local, subjugando cada existência oponente; eletrocutando com violência os corpos dos cornudos que atentavam contra a barreira, até mesmo os dos que esperavam para atacar. Foram assassinados um a um.

As pessoas que trafegavam lá em baixo não entendiam absolutamente nada, pois, o céu que já estava num quase fim de crepúsculo e começava a ganhar a presença das estrelas, era totalmente descerrado e inóspito de nuvens. Então de onde surgiram tantos relâmpagos? E para completar a bizarrice hermética, os trovões eram púrpuros, puxando-se ao negro, faziam um barulho esplendoroso além do comum e a trovoada formava uma rede de eletricidade esférica intrigante. Mas o que mais ainda intrigava era... aquela chuva súbita de restos de corpos incomuns. Muitas das pessoas que lá em baixo estavam, chegaram à conclusão de que uma sentença divina estava executando todos aqueles corpos...

Irreconhecíveis naquele momento, porque foram desfigurados diante de tamanho poder...

Não houve um sequer demônio que conseguira escapar daquele feitiço de Lin;

Lin acabou com todos eles;

Lin destroçou mais uma vez com uma horda de demônios funestos;

Rikki fez uma cara de Zé Buceta quando Lin se mostrou totalmente atroz diante dos capetinhas que tentavam amofinar sua pessoa.

— Vamos, Rikki... — Lin voltou a ser o que era antes segurando na mão direita dele.

— Como a senhorita desejar, Lin-sama... — Correspondeu, sorrindo.

Dispersaram-se dali mais do que de imediato. Se Lin pudesse se teletransportar já teria o feito antes mesmo evitando aquele gasto todo de energia. As pessoas lá em baixo puderam vir o que sobrou da inescrutável tempestade de trovões, brevemente, quando eles — Lin e Rikki — se debandaram de lá. Puderam apenas visar suas duas miúdas silhuetas, quase ininteligíveis, refundirem-se apenas. E os que estavam aos prédios logo acima... que puderam estar mais pertos daquele holocausto todo, que era mais provocado pelo lado da feiticeira que pelo lado dos demônios...

...Ainda era um mistério se iria ou não rolar aquele famoso caiu na rede, no dia seguinte ou horas depois.

O pessoal que habitava os diversos prédios mais pertos pôde ver de camarote ao espetáculo — ou a carnificina como desejavam melhor classificar.

Lin e Rikki fugiram tanto, mas tanto, que o lugar mais conveniente que acharam pela frente, eles já trataram de descer; que era o topo de um prédio bem peculiar, ao leste da cena anterior. A paragem no topo do prédio era caprichosamente feita uma horticultura, com trilhas atraentes em meio a um monte de bonsais coloridos enormes.

Lin ficou um pouco intrigada com o tamanho deles e pela diversidade das cores iridescentes que nunca antes havia visto. Daí por ela ter ficado mais uma vez absorta com pouca coisa, Rikki a acordou com um peteleco na ponta de seu nariz arrebitado, que levou imediatamente as duas mãos a ele, resmungando.

— NA SHANGAILE! FICOU MALUCO, IDIOTA?! — Vociferou Lin, danada com aquilo.

— Não fiquei. Só acho estranho você conseguir agir como se nada tivesse acontecido até o momento, Lin-sama...

— Faça isso de novo, e eu transformo você em pó assim como eu fiz com eles!

— Hai, hai... — E ele deu de ombros, suspirando — você pode agora me mostrar o saquinho?

— E por que você quer vê-lo?

— Porque há algo que quero ensiná-la, agora. — Chegou perto dela, olhando bem fundo nos olhos. — Não vamos perder tempo... esqueceu de que o cabeça-de-vaca ainda está por aí?!

Lin o olhou com um misto de surpresa e ambiguidade pelo pedido feito por ele.

— Posso mesmo confiar em você, Okita Rikki...?

— Bakayarou! Mas é claro que sim! — Olhou-a com austeridade. — Agora vamos, e preste atenção em todo o procedimento que farei.

— M-mou xiê... — Fez bico — toma... — entregou a ele o saquinho.

Rikki pegou o saquinho com pressa e seu corpo girou perseguindo o movimento da sua cabeça como uma câmera de vigilância total em 360 graus. Tomou a mão de Lin e a puxou adentro do pequeno horto, enfiando-se entre uns bonsais gigantes. A puxou para baixo, pondo-se ao agachamento. Ela fez o mesmo, e ele abriu o saquinho, soltando a tal joia da catástrofe sobre a grama verde e fofa. Apesar de ser algo incrivelmente ruim, era uma pedra lapidada muito bonita, de um tom negro ameaçando a puxar-se para o vinho; e acredite ou não: desde que estava em posse de Lin, ela nunca havia a tirado de dentro do saquinho, portanto, nunca havia a visto. Rikki então pairou as palmas das mãos sobre o item e fechou os olhos, e começou a recitar:

"Cale-te de teus plangores, alma calamitosa. Ponha-te no teu lugar e trancafia-te. Coloco-te aqui; mantenha-te ao epicentro, campa de teu silenciar momentâneo. Não haverás mais sismos; a corrente viajante do sul açaimara-te, quando fincaste tua outra extremidade ao norte. Visitais ao NADA, conquanto, não farais parte deste... alma despida de luz própria!"

Não houve reluzir de nada, nem mesmo sequer uma fagulha, a não ser um leve magnetismo sentido por Lin, sobre a pedra. Se ela não tivesse sentido tal magnetismo, acharia que seu companheiro só estivesse mesmo de murmúrio falacioso, querendo provar algo que não era para ela, e ela o comeria no soco se fosse mesmo este o caso.

Só que mesmo sem saber totalmente do que se tratava, ela o olhou como um homão da porra.

E a joia da catástrofe parecia uma joia qualquer, agora.

Como que ele fez isso?

— Rikki, você fez a pedra parar de gritar...

— Isso mesmo, Lin-sama. Você foi muito perspicaz agora.

— Quem é você, Rikki? Achei que fosse alguém... comum...

— Me comparando a você, sou alguém comum mesmo! HAHÁ! — Rikki deu uma branda risada.

— Eu aprendi o feitiço... só que ainda não entendi uma coisa... — O olhou com ar de queixa.

— E o que seria Lin-sama?

— Isso é um feitiço de efeito temporário? Vai alegrar meus ouvidos se disser que... não...

— Infelizmente é um feitiço temporário, sim, Lin-sama. — E ele assentiu como se dissesse meus pêsames a ela.

— Imagino que dev-! — E foi interrompida por Rikki.

— Há sim um feitiço completo de que eu apenas sei a eloquência, porém não sei executá-lo, Lin-sama.

— Mas que pena... — Murmurou a garota, descontente — mas obrigada mesmo assim! Isso será de grande ajuda para que não me persigam mais toda hora, como tem sido ultimamente...

— Lin-sama... — Rikki se levantou estendendo a mão para que ela pudesse pegar, e se levantar também, então, ela apanhou a joia e se pôs de pé com a ajuda dele. — Conheço alguém que sabe do feitiço completo. Quer vir comigo conhecer esta pessoa?

— E eu lá tenho outra escolha? Além do mais... só de saber que exista alguém que possa fazer isso, já me deixa muito feliz! — Lin veio com o hábito inocentemente constrangedor novamente e abraçou o rapaz bem no pescoço, aproximando seus rostos.

— Itteee... — A face de Rikki virou um pimentão ambulante e ele não teve força nem para retribuir o abraço de Lin. — Fico contente que esteja feliz, Lin-sama... mas você está perto demais, não acha?

E quando ela percebeu... soltou um grunhidinho felino bem agudo, constrangida.

— Depois eu que sou o tarado... — Brincou com ela, quando se lembrou da acusação feita pela mesma ainda lá na escadaria; ganhou um tapa no ombro por isso, e uma cara feia de Lin.

— Zuzhou... — Disse Lin.

Já era noite, e os pequenos postes de luz espalhados pelo horto no topo do prédio já começaram a iluminar o local. O céu noturno estava rajado de estrelas de diversos tamanhos, o que a fez se lembrar do teto de seu quarto, adornado com luminárias estelares. Uma nostalgia beijou a testa da fangonesa, que sorriu repentinamente, enquanto olhava o vasto que ela agraciava, esquecendo-se até mesmo de que estava exausta e era uma fugitiva. Rikki olhou para o céu também, e não podia nunca negar que nada neste mundo a faria deixar de sorrir naquele momento, ao fitar aquele céu mágico. Era como se aquele mesmo céu tivesse obliterado todas às adversidades fatídicas na vida da fangonesa. Agradeça às estrelas, Lin. Pensou ele.

— R-Rikki... Deixe-me descansar um pouco aqui, ok? — Acabou, inevitavelmente, se jogando ao banco de 'praça', branco, que estava um pouco à frente dos dois, beirando a trilha em meio aos bonsais. Rikki assentiu e concordou, sentando-se junto dela logo após...

— Você merece total descanso, Lin-sama... — Olhou para ela.

— Aiyã. Mas é... c-claro... que sim...

Lin apoiou a cabeça sobre o ombro esquerdo de Rikki e adormeceu como um anjo.

Nem parecia mais aquela carrasca de demônios de minutos atrás.

Notas finais
Keikaku = Plano. Na shangaile = Isso doeu. Hai, hai = Sim, sim. Bakayarou = Idiota. Mou xiê = Certo. Itte = Ai (expressão de dor, porém, neste caso, de constrangimento). Zuzhou = Maldito.