Notas iniciais
Sábado de Manhã


Era nove horas da manhã, quando começou a tocar o alarme do telefone celular, um modelo bem antigo, disposto na mesa de cabeceira, usado pra todo o tipo de coisa — e despertador é uma delas.

Ainda debaixo da coberta, sem desejo de levantar-se cedo, eleva o braço na direção da mesinha e começa a buscar o aparelho perdido entre acessórios punks e livros, companheiros das madrugadas insone.

Depois de conferir a hora no visor do aparelho, ela devolve o pra mesinha. Senta-se na beira da cama, respira profundamente e, depois de espreguiçar aquele corpo belo e delicado, vai iniciar o rito matinal.


Lá fora, naquela cidade perdida no meio do nada, conforme gosta de descrever a pequena cidade, o céu nublado tem preparado a atmosfera do costumeiro passeio noturno, quando despontar o crepúsculo.

A certa distância da tumultuada capital, a cidadela foi construída no pequeno vale, ocultado pelas colinas verdes. Por estes detalhes, ela costumava a chamar de cidade perdida no meio do nada.

As casas ainda lembram muito a arquitetura colonial, os moradores, esperando atrair visitantes, conservaram esses detalhes da época — o que lhes tem destacado entre algumas opções de turismo religioso-histórico da região.

Ainda é possível encontrar a antiga linha férrea; agora, uma rodovia conectando a Cidadela a Capital, passando pela praça central, a pouquíssimos metros da Igreja matriz, ornada de arte do período barroco.

Ao redor, por fim, estão as casas construídas pelos colonos, retocadas pelos atuais moradores, conservando as paredes brancas com portas e janelas azuis — iguais a casa dela, uma garota peculiar, morando no meio do nada.


Após o ritual matinal, Melissa vestindo uma roupa mais leve — camisa de banda, short preto e meias — deixa a luz e o frescor do dia passar pela cortina da janela do quarto, projetando as sombras no cômodo.

A cama ainda por fazer, a fez lembrar das tarefas do dia — a arrumação do quarto. Assim, sem perder tempo, pois precisará de tempo livre mais tarde, inicia prontamente os afazeres.

Depois de arrumar rapidamente a cama, ela pega os acessórios punk, jogados na mesinha de cabeceira, e guarda-os na gaveta da cômoda, um dos poucos móveis dispostos no quarto.

Em seguida, senta se na cama e arruma os livros na parte de baixo da cabeceira, deixando em cima da mesinha somente o pequeno abajur, uma caneca e o despertador — o telefone celular, modelo tijolinho.

Passados alguns minutos, vendo o quarto mais ou menos arrumado, decide ir à cozinha para tomar o café da manhã. Quando chegou próximo da porta do quarto, avistou um bilhete, onde estava escrito:


Bom dia, minha filha!


Tive que sair cedo, nada muito sério, quando chegar conversamos. O café tá pronto. Não esqueça de levar a roupa da escola pra lavar.

Até, logo mais!


Depois de ler o bilhete, deixado pela mãe, ela pega o uniforme da escola, pendurado atras da porta do quarto. Confere novamente o cômodo e, após colocar um metal gótico na caixinha, caminha na direção da cozinha pra tomar café.