Um longo mês de ensaio já tinha se passado. Nico se jogou no chão respirando com força, agora ele já se sentia mais a vontade de ficar perto de sua ex namorada, claro que ele ainda estava tentando conquista-la, mas nesse mês que os dois tinham passado juntos avanços lentos haviam se desenvolvido.

O celular do italiano vibrou freneticamente em seu bolso, o fazendo suspirar e pegar o eletrônico e quase caiu em seu rosto enquanto ele colocava a senha e ele continuava a vibrar.

(150 mensagens- Annabeth Chase)

O di Angelo franziu o cenho, abrindo a mensagem e de automático os frenéticos “a” pararam de chegar com o sinal de visualizado ficando azul no outro lado da tela.

O que foi sua louca? — Nico.

Tá tudo bem? — Nico.

Nico! Tem como você vir na minha casa agora? Preciso da sua ajudar urgente! — Annabeth.

Ter tem..., mas a Thalia tá comigo e vocês... — Nico.

Melhor ainda, arrasta ela por favor! — Annabeth.

Por favor Nico! — Annabeth.

Tá, Anne! Fica calma, já estou indo! — Nico.

O moreno se levantou, olhando a menina que ainda dançava olhando seus passos lentos no espelho, enquanto contava de um a oito, contagem clássica de dança.

— Vem, vamos sair! — ele segurou a mão dela a puxando antes dela pular.

— O que? Por quê? — questionou enquanto ele pegava as coisas espalhadas pela sala e segurava em um bolinho bagunçado na frente do corpo.

— Annabeth tá em desespero e eu estou preocupado, Anne não é uma pessoa que entra em desespero muito fácil — o Di Ângelo respondeu esperando ela trancar a porta da sala de dança para continuar a levando em direção ao carro.

— Como assim ela tá em desespero? — a Grace questionou apressando o passo ficando preocupada com a menina, ela tinha faltado quase o mês anterior inteiro e sumido do mapa completamente.

— Ela mandou cento e cinquenta mensagem gritando a — respondeu destrancando o carro e tacando tudo no banco de trás enquanto via a menina entrar no veículo.

Não demorou muito para eles estarem em frente a grande mansão das Chase. O Di Ângelo parou o carro na calçada e logo eles tocaram a campainha. Não demorou até que Atena usando um vestido longo solto abrisse a porta. Os cabelos cor de ouro domados de qualquer jeito em um coque em sua cabeça, as olheiras aparecendo pelo tempo sem dormir com a cabeça cheia.

— Oi, tia! Cadê a Anne? — Nico perguntou primeiro, vendo Thalia assenti preocupada.

— Ela chamou vocês aqui? — questionou surpresa, dando espaço para eles passarem sorrindo cansada — Ela está no quarto, podem subir crianças.

Aquilo não ajudou eles a ficarem menos preocupados com a amiga. Se apressaram a cumprimentar devidamente a mulher a sua frente e correrem para o andar superior.

O quarto da loira estava uma zona, tinham alguns restos de comida em caixas espalhadas nas cômodas, lenços por todo o canto, tanto travesseiro em cima da cama que seria surpreendente alguém conseguir dormir ali, o closet aberto com roupas caindo dele e a porta do banheiro aberta, a luz acessa indicando a presença da Chase.

Ao se aproximarem a viram com o cabelo desgrenhado solto, os cachos embolados e sem forma; cabeça baixa, os olhos cinzentos fechados a mão espalmada na pia, a respiração pesada, trajando apenas uma blusa branca que claramente pertencia a Percy e uma calcinha branca larguinha e confortável.

— Anne? — Nico questionou baixo, o tom preocupado escorregando em sua voz.

Ela abriu os olhos tendo um sobressalto, não tinha notado a aproximação deles. Virou de frente para eles, puxando o ar com força, o rosto esbanjava cansaço.

— Anne, o que houve? Você tá bem? — Thalia perguntou sentindo o nervosismo dominar seu ser.

A Chase assentiu minimamente, mas levantou a blusa branca exibindo a barriga com uma pequena protuberância na região de seu ventre. Nenhum dos dois demorou para entender o que acontecia. Annabeth Chase estava grávida.

Thalia levou a mão até o braço do ex apertando ali, sentindo o baque vindo da notícia, sua melhor amiga estava grávida.

— Ok... Atena já sabe? — ela perguntou calma, vendo Anne assentir.

— Hurum! — o som saiu fraco de sua boca, sentia o nervosismo.

— Poseidon já sabe? — a Grace voltou a falar.

— Hurum! — Anne repetiu o gesto, assentindo.

— Percy já sabe? — e dessa vez a grávida negou abaixando a cabeça e soltando a blusa branca, deixando o tecido escorregar por sua pele e tampa-la.

Thalia andou até a loira a puxando para um abraço a sentindo ceder, apertando-a com força e caindo em prantos se deixando chorar pela primeira vez desde que havia descoberto, se sentia tão cansada e estava tão perdida, além de que só tinha dezessete anos.

O Di Ângelo estava paralisado olhando a cena, sua cabeça girava com as informações e ele não sabia como agir e nem como ajudar a amiga, apenas ficou encarando as duas se abraçarem e ouvindo o som do choro de Annabeth abafado pela curva do pescoço da morena.

— Vai ficar tudo bem, ok? — Thalia acariciou as costas da amiga deixando que ela chorasse, olhando para Nico com uma cara de “vem aqui seu idiota”.

O italiano arregalou os olhos negros e foi até as duas as envolvendo em um abraço e sentindo o corpo da Chase tremer e a apertando e levando a ex de brinde.

Eles ficaram daquele jeito por um bom tempo, até que Anne se acalmou e sentou na cama ao lado deles, brincando com a barra da blusa agora o rosto inchado e vermelho a parecia deixar mais exausta.

— Desculpa... eu..eu não tinha chorado desde... — a loira começou envergonhada, corando.

— Não tem que se desculpar, Anne — Thalia disse calma a vendo sorrir — a quanto tempo?

— Eu estou de dois meses, mas sei a um — contou sem levantar o olhar.

— É por isso que está faltando? — Nico questionou a vendo assentir cabisbaixa.

— Não consigo ir muito longe daquele banheiro, sem falar que eu nunca senti tanto sono na minha vida — contou suspirando — eu não sei como falar com Percy sobre isso, nem sei se a gente tá namorando...

— Vocês não se falam desde que brigaram? — Nico questionou e ela assentiu deixando que mais uma lágrima descesse por seu rosto.

— Eu ia me desculpar pelo jeito que eu agi, mas vieram os enjoos, eu descobri que estava grávida e... e eu não sabia o que fazer e como fazer — desabafou —, tanta coisa já passou pela minha cabeça... vocês não fazem ideia.

— Você tem que contar pra ele, Anne — Thalia disse calma e baixo, tentando ser o mais tranquilizadora possível — ele vai ser um ótimo pai, não vai te deixar sozinha nessa..., mas ele é meio desesperado, principalmente com partos.

— Eu pensei em deixar Poseidon contar..., mas eu sei que tem que ser eu a fazer — a Chase admitiu.

— Você quer que a gente ligue pra ele? — Nico questionou calmo — A gente espera do lado de fora se quiser..., ou ficamos aqui dentro com você

A loira jogou a cabeça para trás, era por isso que tinha pedido para Nico ir ali, sabia que eles a ajudariam com contar a Percy sobre, assentindo.

Logo Nico e Thalia estavam na frente da casa esperando o Jackson que com muita relutância e algumas chantagens aceitou dirigir até a casa da Chase. O menino não tinha uma cara muito feliz quando desceu do carro e viu as grandes portas do jardim se abrirem e ele andou até a escadaria frontal da mansão.

— Percy — a Grace disse calma, mas séria o vendo encara-la. — Eu sei que você e a Annabeth estão brigados, ok? Mas é importante e a situação está um pouco complicada, então eu preciso... ela precisa que você deixe isso de lado por algum tempo, ok? Apenas para ouvir o que ela tem a dizer.

— Tá — ele concordou fraco e logo recebeu passagem para subir.

Thalia e Nico decidiram esperar na sala até terem a confirmação de que estava tudo bem e que poderiam ir embora. O Perseu cumprimentou Atena que o olhou triste e ele estranhou, subiu o caminho conhecido e bateu na porta do quarto de Annabeth duas vezes e esperando a autorização para entrar.

— Pode entrar — a resposta veio do lado de dentro, hesitante.

O garoto entrou e Annabeth se levantou, ficando de pé em frente a cama, mexendo a mão ansiosa, tinha tentado dar um jeito no cabelo enquanto Nico e Thalia cuidavam de trazer o Jackson em sua casa, agora os nós estavam escondidos em um coque desleixado.

Ela estava chorando. Foi a primeira coisa que Percy pensou assim que seus olhos bateram na garota a sua frente. Fechou a porta atrás de si com cuidado e colocou as mãos no bolso da jaqueta sem jeito.

Por favor não surta! Por favor não surta! Anne pensou consigo mesma, fechando os olhos tentando criar forças para falar algo e tentar explicar a situação para ele. O silêncio começou a pesar e quando Percy notou que ela não tomaria a iniciativa de contar, perguntou:

— O que foi? — tentou que sua voz saísse o menos rude possível.

Ela respirou fundo e andou até ele cautelosa, pegou seu braço hesitante e ele deixou que ela o fizesse. Annabeth colocou a mão dele sobre sua barriga, sabia que ele era lerdo, mas entenderia.

O Jackson puxou o ar com força, piscando desnorteado, levou a outra mão ao local e envolvendo a área com cuidado, seu coração disparado e seu corpo começando a tremer.

— Você tá grávida...? — ele precisava de uma confirmação, mesmo conseguindo sentir a pequena elevação que não existia anteriormente.

— Estou... — admitiu por fim e ele desabou.

As lágrimas começaram a cair fora do seu controle e ele a puxou para um abraço, os seus dedos enrolando na camisa branca que ela usava ainda envolta da barriga e novamente Anne se permitiu chorar, se encolhendo.

— Des...desculpa por ter brigado com você... por não ter te contado antes — ela pediu se encolhendo contra o corpo dele e ele a apertou.

Eu vou ser pai. Eu vou ser pai aos dezessete anos. O Jackson a afastou com delicadeza, subindo o tecido da blusa e encarando a barriga da menina, deixou que a ponta de seus dedos passassem ali, hesitante, como se pudesse quebrar a qualquer momento. Annabeth se arrepiou com o toque quente.

Ele riu descrente, não sabia como agir. Deveria ficar preocupado? Nervoso? Triste? Feliz? Tudo ao mesmo tempo? Se ajoelhou devagar, Anne não se mexeu, apenas encarou a cena.

— Então... você é um garotão ou uma garotona? — Percy questionou para o bebê arrancando uma risada leve de Anne, ela nem tinha parado para pensar nesse tipo de coisa.

O Jackson levantou sorrindo para a Chase e suspirando.

— Eu vou estar com você nessa Anne, sem dúvidas — ele disse calma e pode perceber o peso saindo dos ombros dela instantaneamente.

As mãos pequenas dela foram por cima da sua que ainda estavam na barriga exposta, o polegar acariciando a área e o Jackson já se sentia extremamente preocupado com o pequeno bebezinho ali dentro, como ele seria? Ele conseguiria dar tudo que ele precisava? Ele tinha que decidir o que fazer da sua vida, não por ele, mas pelo bebê.

— Obrigada! — Annabeth disse aliviada, sua voz mais relaxada.

— E...— ele se interrompeu negando.

A Chase crispou os lábios, sabia que era sobre seu pedido de desculpas que ele iria falar. O garoto puxou o ar e acariciou novamente a barriga dela, deixando depois que suas mãos se encaixassem na cintura dela a puxando com delicadeza, selando seus lábios em um beijo casto que foi retribuído de imediato.

Percy cortou o beijo encostando a testa na dela a vendo sorrir enquanto mantinha os olhos cinza fechados.

— Temos que contar pra minha família — ela corou bruscamente com o dito e sorriu travessa, abrindo os olhos.

— Seu pai já sabe — Anne contou o vendo se afastar levemente, ainda a segurando, como se ela fosse fugir ou quebrar a qualquer momento.

— O que? — questionou confuso e ela riu envergonhada.

— Meio que ele e minha mãe estavam lá quando eu descobri, então... eu disse que eu te contaria, mas no dia que eu fui contar sua mãe entrou em trabalho de parto e eu achei meio bizarro falar isso pra você no dia em que sua mãe estava tendo um bebê e depois disso eu comecei a passar mal frequentemente e não consegui mais ir para a escola... fiz eles prometerem que deixariam eu te contar.

O Jackson piscou surpreso, negando em reprovação e a fazendo rir novamente, corando e sendo envolvida em um abraço novamente, se acomodando ali.