Nico parou o carro em frente a casa dos Castellan/Stoll sorrindo de leve para Thalia que se espreguiçou cansada. Eles haviam ficado na casa da Annabeth até ela e Percy descerem para avisar que estava tudo bem e que eles poderiam ir embora.

— Vai ser bem complicado pra Annabeth e Percy — a Grace comentou olhando a casa que estava se hospedando nos últimos tempos.

Já era noite e um clima gélido imperava, mesmo com a ausência de ventos.

— Sim, eles vão precisar ser bem fortes, eles têm apenas dezessete anos, é meio difícil de acreditar que isso está acontecendo, principalmente com a Annabeth que é uma das mais responsáveis do nosso grupo — Nico concordou, se recostando mais no acento, o aquecedor deixando confortável dentro do carro.

— Sabia que um dia eu pensei que tinha engravidado — Thalia contou corando de leve em contar tal coisa.

— Como é que é? — o di Angelo indagou desencostando do banco e a encarando pasmado.

— É... bom depois da minha...nossa primeira vez juntos, nós fizemos de novo e eu pensei que tinha acabado por engravidar, porque minha menstruação atrasou e tudo mais, mas foi alarme falso — ela riu envergonhada após contar a história e como tinha surtado em primeiro momento.

— Nossa... — ele soltou olhando pra frente e tentando assimilar o dito. — Eu gostaria de ter um filho com você — admitiu por fim, após um tempo longo em silêncio.

— TU TÁ LOUCO? A GENTE TEM DEZESSETE ANOS SEU RETARDADO! — a Grace se exaltou com o afirmação do ex namorado, que riu e negou em reprovação.

— Quando estivéssemos mais velhos doida, eu ainda tenho que virar um médico renomado, você tem que ir pra Broadway e ganhar mais prêmios do que já tem e abrir uma academia só sua e é isso aí — ele disse gostando dos planos feitos em sua mente.

— Ah, ok, assim sim — ela concordou, olhando pela janela.

— Sim? — o di Angelo perguntou surpreso atraindo a atenção dos olhos azuis elétricos para si.

— Sim. — sua voz saiu fraca, ela amava crianças e amaria ter uma com Nico, ele era o amor da sua vida e a cada dia que se passava ele parecia mais disposto a batalhar para reconstruir o que eles tinham, agora da maneira certa, provar que tinha mudado.

Um sorriso suave surgiu nos lábios dele, seu coração se aquecendo de uma maneira estranha e reconfortante.

— Eu acho melhor eu ir — Thalia sorriu, pegando sua mochila que estava jogada em seus pés o vendo assentir.

— Até amanhã, Thals! — ele falou se acomodando no banco novamente.

— Até amanhã, Nico! — respondeu, saindo do carro.

Os olhos negros do italiano seguiram cada movimento dela até a garota adentrar a casa que estava morando provisoriamente e sumir do seu campo de visão. Respirou fundo e se deixando sorrir mais, quase de maneira boba e ligou o carro e foi para sua própria casa, seu corpo implorava por um banho e uma noite de sono bem longa.

Como ambos estavam cansados, tanto Thalia e Nico acabaram por adormecer cedo e logo no dia seguinte eles estavam na escola. A Grace desenhava em seu caderno durante a aula de Quíron, que lecionava história, e a morena tentava ilustrar as coisas que ele falava, sorrindo satisfeita com alguns rabiscos, outro ela apenas negava em reprovação e fingia que nunca tinha existido.

— Psiu! — Nico a cutucou, estando atrás dela na fileira.

— O que foi? — Thalia sussurrou o olhando e seus olhos arregalaram ao ver uma margarida na mão dele, que a esticou lhe entregando de presente.

— Brotou na frente de casa, eu nem tinha notado, mas o jardineiro ia mata-la, então resolvi te dar — o Di Ângelo contou, sorrindo mais quando ela corou.

— Obrigada, é linda, mesmo sendo um cadáver, é lindo! — a menina pegou a cheirando e espirrando logo em seguida.

— Cordial! — Nico sorriu sem dentes, negando em reprovação.

— Senhorita Grace? — Quíron chamou a menina que se apressou a olhar para o professor na cadeira de rodas.

— Sim, senhor? — ela questionou corada, a flor em suas mãos, arrancando um coro de zoações das pessoas notando que Nico havia presenteado a ex.

O italiano corou bruscamente, abaixando a cabeça.

— Odiaria atrapalhar esse momento de reconciliação dos dois, mas saberia responder minha pergunta anterior? — o professor questionou e por um momento pensou que a aluna iria explodir, mas ela apenas negou, nem ao menos tinha escutado a pergunta para início de conversa — Então vire-se para frente e preste atenção, por favor!

— Sim, senhor! — ela abaixou a cabeça colocando a flor em cima da mesa enquanto o homem retornou a explicar a matéria.

Thalia virou a folha do caderno, arrancando a página.

“Obrigada, eu achei linda mesmo”. Escreveu e desenhou uma enorme margarida no resto da página, dobrando a folha o máximo que conseguiu e levou para trás do corpo, os olhos fixos no professor, cutucou o joelho do Di Ângelo e logo a folha não estava mais em suas mãos.

Um sorriso surgiu nos lábios do italiano, que ficou um longo tempo encarando a página amassada e se perguntando como responderia a mensagem.

“A gente pode plantar alguns pés lá em casa” respondeu por fim, dobrando a folha novamente e devolvendo a Thalia, que não demorou a pegar o papel a abrir, logo ele tinha uma resposta.

“Seu jardineiro não vai sacrifica-las?”

“Boa pergunta, ele parece ser um assassino de margaridas” — Nico.

Ela prendeu a risada, mordendo o lábio inferior e negando em reprovação.

“Que tal uma tatuagem?”- Thalia

“Margaridas?” — Nico.

“É, acho um bom jeito de homenagear nosso pequeno cadáver, é o primeiro em nossa relação” — Thalia

O Di Ângelo conteve a vontade de perguntar se eles tinham uma relação, então apenas respondeu um adoraria e ela disse que hoje a tarde eles fariam a tal tatuagem.

E não é que eles fizeram. O estúdio ficava no shopping e logo eles chegaram lá com a flor um pouco mais murcha em mãos. Os dois conseguiram encaixar um horário e ainda por cima tatuarem ao mesmo tempo. Logo eles estavam lado a lado, a tatuagem era pequena e simples, Nico estava fazendo o contorno da margarida meio murcho cruzado com uma em pé que ainda estava para nascer, o mesmo desenho do que de Thalia, logo abaixo da sua tatuagem de pena, na costela, assim como a Grace.

O de Thalia era mais em cima, perto do seio esquerdo, apenas um pequeno detalhe na pele branca. A tatuagem não levou mais do que vinte minutos para ser feita e logo eles estavam a caminho da praça de alimentações.

— Nico... — a menina chamou baixo o vendo parar e a encarar confuso.

— O que foi? — questionou franzindo o cenho.

— Esse último mês... nós estivemos juntos e bem — ela respirou fundo o encarando nos olhos — eu juro, Nico, essa é a última vez, por favor não me magoe de novo, eu vi que você mudou, mas..., mas por favor! Eu te amo! Mas eu vou me colocar em primeiro lugar e não vou ficar em um relacionamento se ele me machucar.

O garoto piscou desnorteado, ela o estava perdoando? Era isso mesmo? Ela estava voltando com ele? Dando-lhe a última chance?

— Eu juro que mudei, Thalia, eu não percebia o quão idiota eu era... eu... — ele se cortou quando a mão dela foi até a corrente em seu pescoço puxando dali e o fazendo corar, as duas alianças presas ali, ele carregava as duas ali escondido desde o dia em que ela havia lhe devolvido a dela.

Tirou o cordão o abrindo, pegando a aliança menor que lhe pertencia, suspirando.

— Ainda quer namorar comigo? — ela questionou e ele assentiu.

— Claro que sim — um sorriso descrente pintava seus lábios.

A menina colocou a aliança de volta em seu dedo e pegou a outra do cordão e colocou no dedo dele.

— Vamos com calma dessa vez, ok? — questionou e ele assentiu a fazendo sorrir.

Ficou na ponta dos pés e selou os lábios com o dele em um beijo casto, que foi retribuído de imediato, seu coração se acelerando e o sorriso aumentando em seus lábios sem um controle de seu corpo.