Gypsy
23 Para Sempre.
Notas iniciais
Na hora da janta me senti na necessidade de avisar a Finn:
– Seu jantar não vai ter tanta fartura como no almoço, sabe, aqui não tem tantas opções... O prato com nome mais chique que você vai ver vai ser: batatas sauté. E também não tem pizza.
– A comida está deliciosa! – ele respondeu com a boca cheia de batatas sauté – Aposto que foi a senhora que fez – disse para minha mãe.
– Ingrato – reclamo enquanto minha mãe confirma entre risinhos. Mas estava deliciosa de verdade.
Passamos todo o jantar soltando exclamações de delicia. Até mesmo para a minha carne assada! Tudo estava muito maravilhoso.
– Porque foi feito com amor – justificou Finn.
– Que clichê!
– Mas é a pura verdade – falou mamãe apertando minha bochecha, carinhosa.
– Viu? Eu tenho razão – Finn disse apertando minha outra bochecha, irônico.
– Parecemos uma família feliz? – perguntou mamãe, talvez notando o quão absurda era essa cena. Afinal, Finn é meu paciente, no entanto estava me amparando em seus ombros e apertando as minhas bochechas. Não a culpo por de repente começar a achar tudo muito estranho.
– Mas estamos muito longe disso – disse cheia de certeza ao separar meu rosto dos dedos deles. Mamãe me deu outro de seus olhares inteligíveis e logo depois o disfarçou com oferecimento de sobremesa. Golpe baixo. Era brownie.
Ela anunciou que estava cansada e ia subir para dormir. E eu subiria junto com ela, para evitar suspeitas, mas naquele momento eu estava atracada com meu segundo pedaço de brownie e seria um crime largá-lo ali. Estava tão gostoso...
– É a perfeição em forma de sobremesa – pontuou Finn. Estávamos de volta ao sofá, em nossa frente passava um desenho que eu não conhecia e nem sabia porque estava passando. Minha preocupação estava todinha posta no cara que estava ao meu lado. Finn estava insistentemente olhando para mim.
– Rach...
– Que? – respondo sem deixar de olhar para a TV, como se o desenho estivesse interessantíssimo.
– Será que agora não podemos... – e começou a contornar meu rosto com o dedo, o que me fez fechar os olhos para tentar me controlar. E preciso me controlar.
– Não, Finn, não podemos. Minha mãe está no andar de cima e pode descer a qualquer momento.
– Qual é o problema de sua mãe nos ver? – ele pergunta com a boca colada a minha orelha, finjo não estar trêmula – Ela parece ter gostado de mim.
– E gostou. Porque você é um paciente que eu curei.
– Acho ela gosta um pouco mais que isso – ele diz roçando sua barba por fazer em meu pescoço. Finjo estar vidrada no desenho, que descubro ser Phineas e Ferb, não que isso faça alguma diferença...
– Rach... — ele vira meu rosto na direção do dele – Vai, me diz que não está com saudade de mim... E eu te deixo em paz – sua boca estava a milímetros da minha, e sua respiração estava quente.
– Eu não posso dizer isso.
– Ótimo – e colou sua boca na minha. Finalmente. — Estou ansioso para conhecer seu quarto. — Nos levantamos rápido e desgovernados, sem deixar de nos beijar, querendo assim achar o rumo das escadas. Quando finalmente encontramos o primeiro degrau, me vi obrigada a parar com o agarramento. Uma pena.
– É melhor a gente tirar o sapato. Vamos tentar não fazer barulho. — Subimos na ponta dos pés, cheio de cuidado e pressa, no final das contas, três dias era sim muito tempo. Ao chegarmos no meu quarto nenhum tempo foi destinado ao conhecimento do meu quarto. Mas já a exploração do meu corpo...
Arrancamos nossas roupas em questão de segundos. Eu estava afoita para sentir a pele de Finn sobre a minha, e acho que ele se sentia da mesma maneira... Falo isso pela maneira que suas mãos corriam possessivas pelo meu corpo, sempre me pressionando ao dele, me fazendo suspirar por antecipação.
Eu estava só de calcinha e sutiã quando ele me carregou no colo até a minha antiga cama. Enrolei minhas pernas em sua cintura e não deixei de beijá-lo durante todo o trajeto. E no meio dele Finn abriu o fecho no meio das minhas costas. Só percebi que ele tinha mudado de rumo quando me senti pressionada conta uma parede. Via boca dele se desprender da minha e traçar uma linha descendente do meu pescoço até...
Até que ele chegou ao meu seio e eu soltei um gemido ao mesmo tempo em que pressionei meu quadril contra sua ereção. E claro, isso me fez soltar outro gemido.
– Vamos tentar não fazer barulho – Finn repetiu a minha própria instrução. Então eu o beijei, pois essa era forma mais eficiente de me manter calada. Ele me levou até a cama onde eu terminei de desvesti-lo. Ele fez o mesmo, mas com uma calma atordoante. O puxei para perto, gostava de sentir seu peso sobre mim. Suas mãos me acariciavam por todos os lugares e principalmente quando elas chegavam àquele lugar, eu palpitava de antecipação.
– Finn... – falei urgente, elevando meu quadril até o dele.
– O quê? – ele perguntou despreocupado enquanto beijava meu pescoço.
– Agora... por favor – pedi entre um suspiro e outro.
– Por que?
– Como assim porque? – apertei minhas pernas ao redor da cintura dele.
– Porque você quer agora – ele esclareceu.
– Ah... Porque eu preciso de você.
– Hmm, você precisa de mim agora?
– Preciso.
– E depois?
– E depois o que?
– Vai precisa de mim depois?
– Claro, claro...
– Que horas você vai precisar de mim depois? – perguntou desenhando o contorno do meu seio.
– Uhn, não sei, são muitas horas...
– É com bastante freqüência, é?
– Uhum.
– Então... o que você está querendo dizer é que... você vai precisar de mim... tipo... para sempre? – ele pergunta sorrindo, voltando a colocar seu peso sobre mim.
– Isso, isso.
– Então fala – ele diz encostando justo onde eu queria que ele estivesse. Mas ele ainda não está.
– Eu preciso de você para sempre, Finn – digo quase choramingando, me pressionando contra ele.
– Agora sim – e finalmente entra em mim. Finalmente!
Nos movemos de maneira lenta e intensa, aproveitando cada segundo daquela fricção que o encontro de nós dois gerava. Eu sentia a sensação explosiva chegar e tentei adiá-la ao máximo, prolongando nosso momento juntos. Juntos como um só. Ele não parava de repetir meu nome e eu não deixava de beijá-lo por cima das palavras. Até que o inevitável chegou.
Eu me agarrei a ele e ele fez o mesmo comigo. Esse vai ser um momento que nunca vou esquecer, estávamos mais unidos do que nunca. E digo isso em todos os sentidos. Segundos depois ele estava largado em cima de mim e eu com a cabeça enterrada em seu pescoço. Só consegui encontrar forças para falar:
– Eu preciso de você para sempre, Finn.
– Eu também preciso de você, meu amor – ele diz ao rolar para o lado e me apoiar em seu peito – O bom dessa sua cama de solteiro é que você não tem muita opção. Vai ter que dormir colada em mim.
– Como se eu não gostasse – respondo segundos antes de dormir.
–x-
Hora de ir embora. É sempre uma loucura. Principalmente quando os dois viajantes não dormiram muito bem. Ou melhor, não dormiram, pois duas horas de cochilo e acordei com Finn saindo da minha cama, procurando suas roupas e voltando para o sofá, sua cama oficial.
Depois da partida dele, não consegui dormir de novo, a cama parecia muito vazia, mesmo sendo de solteiro. Fiquei pensando no quanto eu o amo, isso já era fato, só faltava ele saber. E quer saber? Eu ia contar! Assim que eu tivesse uma oportunidade.
Que não seria agora, naturalmente. Essa era a hora das despedidas com mamãe e elas sempre tendiam a ser bem emotivas. Só que dessa vez não foi. Mamãe estava alegre dizendo o quanto adorou nosso tempo juntas e falando para eu vir mais vezes. Planejando nossos próximos passeios na praia e convidado Finn para vir da próxima vez também. Esquisito!
Enquanto Finn tirava as malas no bagageiro, minha mãe se aproximou de mim e disse:
– Eu gostei dele.
– Você já deixou isso bem claro, mamãe.
– Não, estou falando que gostei dele para você.
– Nós não estamos juntos, – neguei rapidamente – ele é meu paciente e no máximo, um amigo.
– Ele não olhou para você como um amigo, filha. E tudo bem... eu posso até estar errada.
– Acho que você está errada sim – eu disse séria, mas na verdade eu estava um pouco lisonjeada.
– Mas eu não me equivoco com você. E sei que pelo menos, o seu olhar para ele não era de amiga. — Droga, contra isso eu não tinha nem argumentos.
– Mamãe, desculpe eu...
– Não precisa se desculpar por amar alguém. Isso não é uma coisa ruim.
– Mas ele é meu paciente – digo cheia de culpa.
– Amar sempre é algo bom – ela diz sorridente – E agora ele está te esperando, vai logo, se não vão perder o voo. — E com mais um abraço apertado eu me despeço da minha mãe. Com a consciência 10 quilos mais leve.Feliz por saber da aprovação da minha mãe, foi assim que seguimos pro aeroporto. Uma parada rápida em sua casa para ele pegar sua mala e logo estávamos embarcando no avião. Ele falava ao telefone sem parar, o que começava a me irritar profundamente. E que notavelmente irritou a aeromoça.
– Senhor, você precisa desligar. – disse ela, pela milésima vez. Afundei na poltrona, morta de vergonha, querendo não conhecer o idiota sentado ao meu lado. O avião todo olhava aquela cena hedionda e, consequentemente, olhavam para mim.
– Só mais dois segundos...
– Senhor, ou você desliga esse celular ou serei obrigada a te expulsar do avião. Ele a olhou, com aquele cara de quem ia soltar aquele absurdo de ‘você sabe com quem está falando?”, mas resolvi interromper:
– Finn – disse num muxoxo – Por favor. — Ele respirou fundo, se despediu rapidamente e desligou.
– Satisfeita? – disse pra aeromoça
– Tenham uma boa viagem. – ela apenas deu as costas e se afastou
– Você está satisfeito?
– O que? – ele me olhou confuso — Suspirei exasperada olhando pra janela.
– O que eu fiz?
– Olhe em volta. E conclua. — Ele obedeceu e passou a mão pelos cabelos percebendo que todos ainda nos olhavam.
– Ah, droga, não percebi que exagerei.
– Acho que isso nós notamos.
– Não está brava. Está?
– Não.
– Está. — O avião, dez minutos atrasado, levantou voo.
– Não estou.
– Então, por que esta olhando pra janela e não pra mim?
– Porque você não é tão interessante assim. — Ele esperou o avião estabilizar para soltar o cinto e ficar perto de mim. Tentei ignorar o arrepio que um subiu quando seu nariz fez carinho em meu pescoço, subindo pela orelha e descendo pelo rosto.
– Rachel... você vai ficar presa aqui pela próxima hora, não vai poder ficar brava para sempre – segurou minha mão. Tentei solta-la, mas ele segurou mais forte fazendo carinho nela. Suspirei, era muito difícil manter-me brava com ele assim.
Finn mordeu minha orelha, sorrindo vendo minha resistência indo embora. Droga, quando eu me tornei fraca assim?
– Eu adorei a noite de ontem. — Ai, golpe baixo!
– Muito?
– Muito. Mas eu sempre adoro minhas noites com você.
– Jura?
– Juro. — Então, depois disso, dobrei o pescoço para ele beijar ali. Deixei um sorrisinho escapar dos meus lábios com os beijos.
– E lembrar da noite de ontem me faz querer te beijar.
– Eu ainda to brava.
– Muitos beijos não resolvem?
– Um pedido de desculpas cabe.
– Desculpa. Eu realmente exagerei. Meu pai tem esse poder sobre mim.
– Percebi.
– Mas agora estou mais interessado com o poder que você tem sobre mim.
– Sou poderosa? – o encarei
– Minha poderosa. – sorriu. E, finalmente, me beijou.
–x-
É claro que, como você deve conhecer, como diz a frase: estava bom de mais pra ser verdade. Pois é, a Califórnia foi um sonho, com meu brownie e minha mãe aprovando Finn. Assim que o avião aterrissou em solo nova-iorquino, no entanto, Finn se vestiu com aquela máscara horrível que eu sempre odiei: a do empresário frio e impessoal. Aquele que usava sapato social preto brilhante ao invés do charmoso sapatenis que colocou na viagem, aquele que seguia o mantra “tempo é dinheiro”, que se achava melhor e mais importante que todos e que não dispensava uma falta de educação com pessoas que nada tem a ver com a situação. Como o taxista que nos levou ao apartamento.
As mudanças foram sutis, mas notáveis. E eu odiei tudo aquilo. Não foi por esse Finn que me apaixonei. Não. Eu odiava essa face dele, me fazia ter nojo, quase asco mesmo, me fazia lembrar a nossa primeira noite e como eu quis me livrar dele quando acordei sóbria pela manhã e percebi o tipo que ele fazia. Eu detestava essas pessoas 100% estado-unidenses que só ligam pro quanto de dinheiro ganha e não pros sentimentos. Pessoas que amam o dinheiro, respiram, exalam, vivem o dinheiro e se esquece do coração. Eu conhecia Finn o suficiente para saber que ele não vivia para o dinheiro. Ainda. Mas voltando a ser como antes ele estaria a um passo do abismo denominado capitalismo exagerado.
De três coisas eu estava certa: A primeira era que certamente o pai dele tinha grande poder em sua personalidade. A segunda era que eu abominava esse Finn empresário. E a terceira, mas não menos importante, eu amava o coração de Finn. E precisava fazer alguma coisa urgentemente para não perdê-lo para o dinheiro.
A questão era: o que?
Exausta de tanto pensar numa solução e também da viagem, eu simplesmente apaguei na cama de Finn, toda torta, enquanto esperava que ele jantasse.
Quando acordei no dia seguinte para ir pro hospital estava coberta e confortável, o que certamente me fez sorrir pelo gesto. Não era comum assim, eu acordar bem disposta e sorrindo numa segunda-feira pós-feriado. Sorriso que desapareceu assim que levantei. Finn estava todo torto, com papéis em seu colo. O que, certamente, não era bom para suas lesões. E, pior, a janta estava praticamente intocável.
Eu bufei alto o bastante para fazê-lo acordar.
– Nossa, já é dia?
– Já.
– Precisa ir?
– Preciso. – me levantei
– Nossa, estou todo dolorido. Acho que dormi relendo esses papéis pela quinquagésima vez... Droga. Ei – tentou segurar meu braço – O que foi?
– Estou com pressa. – pus meu tênis – Fique com seus papéis, quando lembrar que precisa se alimentar tem um resto de janta de ontem na geladeira É só esquentar.
Isso pareceu ter efeito quando ele olhou pro curado vendo o prato largado ali e me encarou, desolado.
– Desculpe, fiquei muito tempo afastado do trabalho. E eram papéis de mais para ler. Acabei...
–Tenha um bom dia – bati a porta saindo teatralmente do quarto
Tomei um banho relaxante em meu apartamento Relaxante demais, consegui realmente me atrasar. Coloquei a roupa as pressas, o café da manhã, como era costume, eu teria que tomar no hospital.
Então peguei o metrô em direção ao meu trabalho, Apesar dos inconvenientes ainda estava feliz. Afinal tinha matado um pouco da saudade da minha mãe. E visto Indiana Jones em homenagem ao meu pai. E feito amor com Finn às escondidas como se fosse uma adolescente inconsequente. E não era a versão insuportável de quem me levou ao paraíso tão perto da minha mãe que estragaria minha esplendorosa segunda-feira de retorno ao trabalho.
Bem, mas não tive muito tempo de respirar, estava pegando o jaleco do meu armário e bebericando meu café, para enganar o estômago, quando Blaine me achou.
– Aí está você.
– Aqui estou – sorri
– Como foi de feriado?
Tirei da frase os adjetivos entusiasmados como esplendido, perfeito, porque para ele eu viajei a trabalho e o que me restou foi um simples “legal” que não dizia nem metade do que foi esse quatro de julho.
Já ficou claro que tipo de fraude eu sou.
– Está falando sério? – ele me disse, notavelmente espantado – Achei que ia achar horrível viajar e perder um feriado todo com seu paciente chato.
– Pois bem, Blaine, deixe-me contar um segredo – inclinei-me para frente, um sorriso brincando nos lábios – Existe um coração dentro daquela fera.
– É mesmo? Tipo do musical O Médico e O Monstro?
– Quase isso – dei de ombros pensando que se participássemos de um musical ele estaria mais pra A Bela e a Fera – Com a diferença de que ele é um empresário e não um médico.
– Que bom que finalmente se entenderam. Os resultados são sempre melhores quando o médico e o paciente não ficam discutindo a cada dois segundos. Mas, bem, tenho uma boa notícia pra você.
– Vai me mandar pra emergência – deduzi, porque essa é sempre a boa noticia dele, ele adora a emergência e acha que todo mundo ama também.
– Não é isso – deu de ombros – Andei olhando seu arquivo como residente.
Momento tensão.
– E, bem, parece que sua residência tá quase no fim.
Epa, por essa eu não esperava!
– Sério?
– É – ele sorriu – Não faltam muitas horas de residência, creio que em um mês, um mês e meio, já será oficialmente uma médica. Então conversei com Sam e ele disse que é esse o tempo total da recuperação do seu paciente – sorriu – Sendo assim, quando ele se curar você pegará seu diploma.
– Nossa! –foi a única palavra que parecia apropriada para aquele momento
– Mas, bem, é melhor começar seu trabalho. A emergência te espera ansiosamente.
E saiu.
Dei um riso balançando a cabeça.
Emergência era o jeito dele de dizer que sentiu minha falta. E o meu jeito de mostrar porque merecia meu diploma.
Diploma. Médica.
Nossa, eu consegui!
A emergência, como sempre, não me deu tempo para pensar em nada. Estava apinhada de gente que havia sofrido os mais estranhos acidentes, que fazia o atropelamento de Finn algo quase banal. Afinal de contas, como você explica uma criança que engole uma escova de dente?
Dez horas depois, ainda com apenas um copo de café no estomago porque faltava tempo ate para respirar, pedi licença para a médica chefe daquele departamento para ir à lanchonete do hospital antes que desmaiasse.
Sam me chamou quando entrei na lanchonete, sorrindo. Eu tinha a mera impressão de que ele estava na minha. Não que eu esteja me achando nem nada do tipo, é que mulher geralmente sabe quando o homem está afim. Ele era conhecido no hospital como um excelente partido – afinal, ele era um dos melhores fisioterapeutas da região! –Eu me sentia, sinceramente, envaidecida – e quem não se sentiria? – embora era uma situação tensa.
Que parecem me seguir, se não percebeu.
– Olá. Parabéns.
– O que? – me sentei colocando o sanduíche e o suco na mesa
– Soube que está no final da residência. Deve estar feliz.
– Estou é assustada – sorri – Passou rápido.
– É. O bom do final da residência é que essa loucura de plantões seguidos diminui. A parte ruim é que a responsabilidade aumenta. Seu direito de errar, que já era pouco, agora acaba.
– É verdade.
– Como foi de feriado?
– Legal. – repeti meu discurso fajuto
– Corta essa – mexeu com a mão – Sei que legal quando você viaja com o cara que gosta é pura mentira. — Sorri.
– E como foi o seu? – desconversei
– Chato – deu de ombros
– É mesmo?
Não conseguia imaginar um quatro de julho chato. Para mim era mais difícil do que chover na seca.
– Preferiria se tivesse sido escalado pro plantão. Poderia ter me livrado de certas coisas. Reuniões familiares costumam me enfadar.
– Outro – bufei
– O que?
– Outro com problema familiar – sorri – Só eu me dou super bem com a minha família? Tudo bem que é só minha mãe e eu...
– O problema não são meus pais. É a minha prima. – fez uma careta – Enfim. Não vou te amolar com isso. E por que outro?
– O pai do Finn é um chato – rolei os olhos – Acho que vai dar problema.
– Como assim?
– O pai dele falou umas coisas... Ele voltou diferente, obcecado novamente em trabalho. Dormiu lendo papeis, não jantou...
– Droga, Rachel, ele não pode ficar assim logo agora. Precisa se curar primeiro Apesar das lesões quase curadas as taxas de cálcio estão longe do esperado.
– E eu não sei? Mas tenta dizer isso a ele!
– Vou conversar com ele quando for lá, talvez eu consiga.
– Acho difícil. Ele mesmo admitiu que o pai tem muito poder sobre ele.
– Esse cara precisa de psicólogo!
– Quem? O Finn ou o pai?
– Os dois. — Nós rimos. — Rachel...
– Sim? – coloquei o papel do sanduíche dentro do copo vazio
– Não tem medo da enfermeira dele? Santana, não é?
– Por quê? – eu fiquei reta, tensa.
– Bem... – tossiu – Eles são bastante amigos, não? Estão sempre de conversinhas e toques...
– Acha que eles têm algo?
– Como posso saber? – deu de ombros
– A acha bonita, Sam?
– Bem... Ela é mesmo bonita, para quem gosta do tipo. E...
– Finn parece ser do tipo que gosta – completei
– É. Mas não se preocupe com isso. Ele está com você não está? — Assenti.
– Preciso voltar pra emergência, Sam. Até mais. — E saí de lá, quase correndo.
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