Gypsy

24 Ciúmes.


Notas iniciais
especial de ano novooooooo dois dias seguidos de post, éeeeeee hahaha espero coments tbm! bjss :D

Minha segunda parte do trabalho foi, como podem imaginar, bem desastrada. Perdi as contas de quantas vezes fui chamada a atenção. Até a enfermeira que entrou há poucas semanas tirou sua casquinha com meus erros quase imperceptíveis.

Eu estava exausta, confusa, distraída e com medo quando a médica responsável percebeu que precisava de um antes que eu descanso antes que eu fizesse uma grande idiotice na enfermaria.

Pra ser sincera, acho que parecia um zumbi quando cheguei ao meu prédio. Fiquei parada na portaria por vários minutos sem coragem de enfrentar o elevador. E Finn. E Santana.

E minha insuportável insegurança feminina!

Então respirei fundo e disse para mim mesma o quão estúpida estava sendo. Afinal de contas, se Finn estivesse afim de Santana teria viajado com ela e não comigo. Não é possível que ele seria falso o bastante de trocar beijos e carinhos comigo estando com ela também.

Não é?

Decidida a espantar essas ideias sem sentido marchei até o apartamento dele. Era uma passada rápida, na verdade, só para ver se ele havia comido, tomado a vitamina e se estava dormindo. Eu estava exausta e já era bem tarde para discutir relação – infelizmente, porque eu queria esclarecer algumas coisas o quanto antes!

Esperava que ele estivesse já dormindo, mas...

Surpresa!

Ele estava acordado, os olhos vermelhos, provavelmente de tanto trabalhar com o laptop no colo e vários papeis espalhados na cama.

Dei um suspiro alto.

– Finn!

– Oi? – ele me olhou – Ah, oi, Rach! – deu um sorriso largo – Por que não vem até aqui me dar um beijo?

Caminhei até lá e ele selou os lábios no meu.

– Seus olhos já estão vermelhos, Finn, não acha que tá na hora de dar um tempo para repor suas energias?

– Não posso – bocejou – Perdi duas horas na fisioterapia e caminhada ao sol. Tenho que recompensar.

– Não me diga que tá trabalhando desde que acordou!

– É que... fiquei tempo de mais ausente e há coisas na empresa que só o dono pode resolver. E tô acumulado de trabalho.

– Já são quase meia-noite, Finn! – repreendi

– Rach, juro que são só mais dois papeis e termino, ok? Por que não deita aqui do meu lado?

– Você comeu, pelo menos?

Ele parecia em outra dimensão enquanto mexia naquele laptop maldito.

Nem mesmo me ouviu.

– Finn! – quase gritei.

– Hum?

– Você comeu e tomou os remédios?

– Sim, Santana esquentou o almoço. E me fez comer depois da caminhada também.

Pelo menos isso.

– Posso só te contar uma novidade? – disse excitada, ele ia ser a primeira pessoa que eu contaria antes mesmo de minha mãe.

– Diga – não me olhou.

– Blaine me disse que minha residência termina assim que você se curar. Não é o máximo?

Silêncio.

Só o que ouvi foi Finn teclando loucamente e escrevendo enquanto minha animação ia para o espaço.

– Finn? – falei baixo.

– Desculpe, Rach, pode repetir?

Suspirei.

– Não é nada de importante – forcei um sorriso – Vou pro meu apartamento dormir. Não fique até tarde trabalhando. Até amanhã.

Saí do quarto. Finn nem me desejou boa noite, não deve ter ouvido uma só palavra. Sequei a lágrima solitária que caiu. Bela maneira de encerrar o dia. E matar a magia de um feriado perfeito.

No dia seguinte eu estaria de plantão de cinco da tarde até as cinco da manhã – delicia de horário – então eu teria tempo o suficiente para dar uma dura e fazer – pelo menos tentar fazer – Finn largar aqueles malditos papéis. Aliás, se eu fosse da Al Kaeda eu estaria armando outro atentado terrorista na empresa dele. Ou talvez no pai. É, é melhor matar o mal pela raiz.

Balancei a cabeça horrorizando essa minha excelente ideia que não se tornaria real, terminei de tomar meu café e fui até o apartamento dele.

Santana desfilava de short e top – salve-se quem puder! – pelo apartamento vendo algum programa na tv tomando seu café com muito chantilly. Ai, meu pai, estou perdida! Ela era uma mulher que gostava de chantilly!

– Bom dia! – forcei um entusiasmo que certamente não tinha quando a via.

– Bom dia! – ela parecia mais sincera – Aceita?

– Não. Finn já acordou?

– Se tivesse dormido. – murmurou

– Como é? – arregalei os olhos.

– É, ninguém o faz parar de trabalhar. Eu até tentei...

– Ah, pelo amor de Deus! – levei as mãos na cabeça – Por que não jogou o laptop dele no chão?

– Ele ia me matar! – disse assustada.

Bufei e abri a porta do quarto dele de uma vez. E lá ele estava, do mesmo jeito que deixei no dia anterior, com os olhos vermelho como se tivesse chorado.

Antes tivesse chorado.

– Ora – disse cínica – Parece que você está a todo vapor.

– Quantas horas? – ele bocejou e olhou o relógio – Nossa, acho que preciso de descanso!

– Na verdade, levanta, toma banho e seu desjejum que nós temos uma caminhada pela frente.

– Eu preciso dormir.

– A gente dorme a noite.

– Então me deixa acabar com esse...

– Agora – falei brava – Tô te esperando na sala.

Ele me olhou, então suspirou sabendo que nada mudaria minha decisão.

Confesso que me deu dó dele quando ele saiu completamente desalinhado do banho, com olheiras enormes e notavelmente exausto. É claro que a dó desapareceu assim que eu lembrei que ele só estava assim porque desprezou ordens médicas – e, pior, ordens minha! –de dormir ao invés de trabalhar. Se tinha que ser sua carrasca para fazê-lo me entender então eu seria.

– Bom dia, Finn – Santana sorriu convidativamente lhe entregando o suco clorofilado.

– Bom dia, Sant. Como foi seu feriado?

– Já me perguntou isso – ela deu uma risadinha, dessas que a gente só da quando é muito íntima da pessoa.

– Jura? – coçou o cabelo.

– Assim que cheguei – assentiu.

– Ele tem mesmo mania de não prestar atenção quando está mergulhado no trabalho. – rolei os olhos.

Ele me olhou confuso.

– Por que não nos faz companhia? – ela ergueu o copo verde
– Companhia a vocês?

Eu quase perguntei “vocês? No plural?”, mas consegui me frear a tempo.

– Santana sempre come comigo – ele explicou indo para cozinha. Ela é uma alma caridosa que sabe que a comida é ruim de mais e me faz companhia.

– Quanta dedicação.

– Obrigada.

Mas não era um elogio.

– Bem, da próxima vez eu venho preparada. Eu já tomei café.

– Eu também. – ela falou apontando o copo na pia – Mas sempre faço esse sacrifício – colocou a mão no ombro dele.

– Deixe, Sant – ele disse comendo um biscoito – Ela não vai comer, só meros mortais, como nós, precisamos.

Resmungando saí da cozinha e os deixei a sós. Podia matar um de tanta raiva. E ciúme. Eles riam, a vontade, de alguma piada que certamente eu não conhecia. A pouca piedade que eu tive por fazê-lo caminhar se dissipou naquele momento. Eu não sabia que reação aqueles dois tinham, mas tina certeza de duas coisas: eles eram íntimos. – ate que ponto eu não sabia e tinha medo de descobrir – E, a segunda, era que ele fazia isso para me provocar.

E o pior, conseguia.

Mas se era esse o jogo dele, de provocações, então eu também jogaria. Ou tá achando que só porque dormiu na minha antiga cama e comeu a comida da minha mãe ele era o rei da situação e não tinha concorrentes?

Rá, eu podia ser desastrada e até um pouco desengonçada, mas não estava jogada fora! Também sei ser vingativa.

– Vamos? – falei mais alto.

– Vou escovar dente – ele avisou. Santana se levantou indo lavar vasilhas. Ela também não podia vir mais pelada, não é?

– Você se sente muito a vontade aqui, hein?

– Como assim? – ela me olhou então olhou pro corpo – Ah, Finn não liga para essas coisas. Pra ser sincera, acho que ele nem olha.

– Quem disse que estava falando da sua roupa?

– Não está? — Estou.

– Não. Estava falando em relação ao trabalho. Quer dizer, o que veste não é da minha conta.

– Ah, isso! – deu de ombros – Olha, eu, no começo, nem queria. Odeio empresários frios e impessoais. — Ah, não, mais uma. — Mas ele é um cara legal, é até divertido por trás dessa máscara de workaholic. Até parou de reclamar dessas comidas que são muito ruins!

– É, ele é um cara interessante – falei sem pensar

– Você deve saber bem, viajou com ele.

– Não! Quer dizer, não estava falando...

– Vamos? – ele apareceu interrompendo minha estúpida tentativa idiota de explicação enquanto ela ria. Idiota.

Como eu posso ser tão idiota? E por que droga ele tinha que ter contado que viajamos juntos?

– O que foi? – Finn disse.

– Nada. Vamos – desconversei.

– Tchau, Sant. Se eu sobreviver a caminhada eu volto.

– Estarei esperando – ela piscou. Arrrgh!

Maldita hora que eu a defendi da demissão lá atrás. Que raiva de mim mesma! Marchei com raiva até a porta enquanto ele, numa velocidade bem mais lenta por causa das lesões, tentava me alcançar. Com o ódio que eu estava o sensato seria eu gastar descendo a escada, mas não queria matá-lo (não assim!) então parei no elevador, o chamando.

– Ei? Tá concorrendo a alguma maratona ou o mundo vai acabar?

– Vai – bufei. Ou pelo menos poderia se eu soubesse mexer com explosivos.

– O que foi? – parou ao meu lado

– Nada. – dei de ombros. Ele suspirou enquanto entrávamos no elevador.

– Não vai me dar nem um beijo de bom dia? — Eu quase o mandei pedir para Santana, ora, mas deixei um sorrisinho escapar enquanto ele se aproximava. Foi um beijo rápido, afinal estávamos no elevador. Passamos na portaria e ao chegar na rua ele segurou minha mão.

– Aonde vamos?

– Só umas voltas no quarteirão. Sam deve estar a caminho para sua sessão. — Ele fechou a cara na hora. Ponto para mim. — O que foi? – disse ingenuamente.

– Não gosto dele.

– Por quê? Ele é um excelente médico. O pessoal do hospital o adora.

– É mesmo? Não me convence!

– E por quê? – o olhei — Finn?

– Você vai rir.

– E por que riria?

– Não gosto do jeito que ele te olha. — Eu estava bestificada. Ele simplesmente assumiu. Algo que, nem em sonhos, eu faria.

– Como assim?

– Ah, Rachel, vai me dizer que não percebe? – rolou os olhos – Ele está sempre de sorrisinho para cima de você.

– A gente é amigo!

– Eu sei.

– E você não deveria deixar sua opinião particular influenciar no trabalho dele.

– Eu sei. — Dei um sorriso olhando pro lado oposto. Eu estava... envaidecida, confesso. Muito envaidecida. Quer dizer, ele estava com ciúme. Seria lindo, se eu também não estivesse louca de ciúme também.

– Não vai falar nada?

– O que quer que eu fale?

– Um “não se preocupe” cabia.

– E por que eu deveria falar?

– Obrigado. – trincou o queixo. Eu não consegui segurar o riso. — Você gosta, não é? – me olhou

– Olha, você deveria mesmo ficar preocupado. Pelo menos ele me escuta.

– Como é?

– Ora, ele não me troca para um monte de papel só porque o paizinho diz que ele precisa trabalhar quando ele está recuperando de um acidente grave.

– Você não entende, não é?

– Eu deveria? – levantei a sobrancelha. Ele suspirou, exasperado.

– Escuta uma coisa, Finm, apesar das suas lesões estarem quase curadas suas taxas de vitamina D e cálcio estão longes do esperado. Não pode simplesmente voltar a mergulhar no trabalho e perder noites de sonos por causa dos papeis.

– Não são papeis, se eu usá-los vira dinheiro. Muito dinheiro.

– Quer saber? Sam tem razão. Você precisa de psicólogo.

– Como é? Além de ele ficar de sorrisinhos e gracinhas para cima de você ele também conspira contra? Qual a dele? Qual a sua?

– A minha?

– Por que deixa que ele fale essas coisas? — Bufei.

– Porque talvez ele tenha razão.

– O que? – ele quase gritou.

– Guarde o escândalo para você! – grunhi olhando ao redor da rua – Acho mesmo. Você é obcecado por trabalho. Acha isso normal?

– Acho. O que não acho normal é depois de todo um feriado perfeito, você se juntar com um idiota para falar mal de mim!

– Bem, pelo menos esse idiota é capaz de me escutar e me parabenizar por saber que vou virar médica daqui dois meses ao invés de dizer “o que você disse? Desculpe, eu não ouvi.” .

E, com essa imitação, acelerei o passo o deixando para trás e entrando em nosso prédio. Sam já estava na sala quando cheguei. Santana desfilava na frente dele rebolando de um jeito que, se fosse possível, quebraria o quadril – pelo jeito ela é do tipo que não perdoa um! –abri a porta num rompante e ele me olhou, sorrindo.

– Bom dia, Rach.

– Bom dia – forcei um sorriso

– Ia te dar uma carona ontem, mas você saiu com tanta pressa do hospital que quando cheguei na rua não havia sombras sua.

– Não precisa me dar carona sempre, Sam, você mora do outro lado da cidade.

– Gosto da sua companhia. — Eu corei. Santana olhava dele para mim tentando entender e, logo depois, a batida da porta me deixou ainda mais vermelha. Eu pegaria fogo, se fosse possível.

– Bom dia, Finn! – Sam levantou os olhos para ele

– Só se for para você! – ele disse, mal educado como sempre –Se for para me deixar falando sozinho na rua, Rachel, é melhor não me importunar com caminhadas.

– Oh, desculpe-me, você queria me dizer algo?- Ele estava pronto para retrucar, então eu sorri e disse — Bem, seja o que for não deve ser mais importante que sua sessão de fisioterapia. Não é? Afinal de contas, Sam é um cara ocupado e não tem a manhã toda para você.

– Obrigado, Rach, estou mesmo com a agenda cheia hoje – ele disse

– Sendo assim, bons exercícios.

Finn foi resmungando pro quarto, havia tempo que não o via tão irritado. Desde o começo do tratamento, se não me falha a memória.

– O que foi isso? – Santana disse assustada

– Nada – dei de ombros

– Desculpe a franqueza, doutora, mas você é uma idiota – e saiu balançando a cabeça E eu fiquei estarrecida. Ela estava me respondendo? Fala sério!

Ela não aprendeu a lei da hierarquia? Se eu fosse a mãe dela eu lavava a boca dela com água e sabão. Vê se tem cabimento? Tampouco podia demiti-la, infelizmente, porque ela era funcionária de Finn e não minha. Mas que dava vontade de falar poucas e boas para ela, ah, dava! Quem ela estava pensando que era? Muito tempo de convívio com Finn dá nisso.

Fui pra cozinha fazer o almoço enquanto Santana lixava a unha. Nem se prestou a oferecer ajuda nas panelas, ficou sentada na cadeira cantando uma música horrível com aquela voz mais horrível ainda. Eu já não era fã de cozinha, com uma companhia dessa era pior ainda. Mas sobrevivi. Já estava quase terminando quando Sam voltou.

– Tá de plantão hoje, Rach? – se aproximou

– Estou.

– Que horas?

– De cinco as cinco – dei de ombros.

– Hm, eu entro cinco e meia. Quer que te dou uma carona?

– Sinceramente, não precisa. — Finn estava vermelho na sala, era melhor não exagerar na dose.

– Bobagem. Passo aqui as quatro e meia – me deu um beijo no rosto – Tchau. Até a próxima sessão, Finn. — Sam saiu sem que Finn respondesse.

– Não vejo a hora desse inferno acabar!

– Que inferno? – perguntou Santana.

– Esse. Essa comida horrível, essa fisioterapia, essa sensação de inutilidade no corpo. Quero minha vida de volta. Pra ontem. – se sentou arrasado.

– Eu sei. É mesmo uma barra – ela pôs a mão sobre a sua – Mas já está quase no fim, seja firme. – sorriu. E foi a minha vez de ficar vermelha de ciúme.

Mais tarde, quase na hora do Sam me buscar, resolvi voltar ao apartamento de Finn para ver como as coisas estavam. Passei por Santana que dormia super a vontade no sofá com a tv ligada e fui pro quarto. Finn estava na cama, com o laptop e os papeis abandonados ao lado, vendo Bob Esponja.

– Oi – falei na porta

– Oi.

– Cansou de trabalhar? — Ele olhou pra bagunça dos papeis e suspirou.

– Não tô com dor cabeça.

– Tá tudo bem?

Nós nos olhamos. Ele forçou um sorriso. Fui vencida pela sua carinha de abandono e caminhei até lá. Sentei ao seu lado e fiz carinho em seu cabelo.

– Sei que é difícil esse tratamento.

– Sabe?

– Sei. Mas precisa entender que quanto mais se dedicar ao tratamento mais rápido se livrará desse inferno, da comida, de Sam. De mim.

– De você eu não quero me livrar. — Dei um sorriso. — Por que é tão dura comigo?

– Porque eu me importo. Esses papéis não tem que ser mais importante que você. Não se ama nem um pouquinho para passar tantas noites em claro?

– Vou tentar maneirar. Mas pode não ser tão grossa? — Dei um risinho.

– Posso tentar. Agora por que não desencana?

– Me deixa te beijar?

Assenti e ele encostou os lábios no meu. No segundo seguinte ele me puxou pro seu colo, aumentando o ritmo, fazendo o desejo nascer numa hora nada própria. Ele desceu o beijo pro meu pescoço e eu gemi baixo. Então, meu celular tocou. Frustrando nós dois igualmente.

– Não acredito – mordeu minha orelha.

– Preciso ir.

– Jura? Nem mais uns minutos?

O toque ficou mais estridente. Finn tirou o celular do meu bolso e desligou. Eu quase fiquei brava, mas o beijo dele apagou completamente tudo da minha cabeça.

– É sério – pus a mão no seu peito me afastando – Realmente preciso ir.

– Mande esse Sam para o inferno, pelo amor! — Arregalei os olhos. — Desculpa – sorri.

– Não é ele. Não posso me dar ao luxo de me atrasar.

– Eu sei.

– Não faz essa cara. Se não eu não vou. — Ele riu.

– Bom saber. Vou fazer mais vezes.

– Chato – o beijei – Certo – me levantei – Tchau. E, ah, vou passar aqui depois que sair do plantão, para o seu bem é melhor estar dormindo!

– Me acorde. Bom trabalho.

– Obrigado. — E saí quase correndo, para não agarra-lo novamente. Porque, sim, a vontade é imensa. A primeira reação de Sam ao me ver na porta foi:

– Você estava no meio do furacão?

– Quase isso. – ri o beijando no rosto Ele abriu a porta do carro e eu entrei.

– Me diga, Rachel, por acaso está me usando para fazer ciúmes nele?

– Sam!

– Se vai me usar tenho direito de saber –ligou o carro –Sinceramente, eu não doi a mínima. Mas quero me preparar.

– É tão obvio? — Ele sorriu.

– Eu não ia, juro. Mas estou farta de só eu sofrer de ciúmes. Desculpe.

– Não se desculpe. Eu realmente não ligo. Vai ser divertido.

– Foi ele que me deu a ideia quando confessou que morre de ciúme de você.

– Ele confessou?

– Acredite se quiser.

– Por que não faz o mesmo e confesse sua insegurança?

– Porque eu sou mulher. — Sam suspirou.

– Mulheres. Por que gostam tanto de complicar?

– Estou me sentindo horrível por isso.

– Relaxa, Rach, eu não me importo. Acho que o caminho mais fácil é ser sincera e conversar sobre tudo, mas se quer mostrar que ele não é o único pretendente que você tem eu não ligo de ser usado.

– Obrigada. Você é um excelente amigo.

– Queria ser mais do que isso.

O plantão transcorreu normalmente. Blaine era o responsável naquele dia então, perigo! Qualquer ato falho e ele me daria uma lição de moral daquelas. Por isso, me recusei a pensar em qualquer coisa além do meu trabalho ali, porque como já sabem, eu me distraio muito fácil. O que foi uma decisão boa, as doze horas passou bem rápido e logo eu estava pronta pra ir pra casa, depois de ouvir um parabéns do meu supervisor.

Palmas para mim, quase me senti um exemplo de residente a ser seguida –o que até podia ser verdade se não fosse meus atrasos diários. Assim, como prometido, passei no apartamento de Finn. Santana dormia no sofá, dessa vez com a tv desligada – o planeta agradece! – e eu abri a porta do quarto. Sorri. Finn parecia um anjinho dormindo de baixo da coberta. Eu não ia acorda-lo embora ele tenha pedido, apenas iria lhe dar um beijo de boa noite (tecnicamente, de bom dia).

Me agachei ao seu lado e dei um beijo na sua bochecha. Finn se remexeu abrindo os olhos.

– Não era pra ter acordado.

– Tudo bem. – sorriu – Como foi de plantão?

– Normal.

– Tá cansada?

– Um pouco.

– Deita aqui.

– Não.

– Deita – fez carinho em meu rosto

– Hm...

– Só dormir, você adora essa cama que eu sei.

– Você tem razão – sorri

Ele piscou e eu deitei ao seu lado. Finn me abraçou por tras, fazendo carinho na minha barriga, por de baixo da blusa.

– Boa noite – mordeu minha orelha.

– É melhor me deixar dormir.

– Eu vou. — Eu fechei os olhos sorrindo. E apaguei.