Gypsy
27 E...
Notas iniciais
Os dias passaram voando. Talvez seja porque foram dias agradáveis, pois os dias tristes sempre se arrastam, não é mesmo? O mundo às vezes pode ser injusto. Mas no momento ele está sendo bem legal comigo.
Conforme o combinado, Finn e eu sempre passávamos a noite juntos. Quando eu voltava do trabalho ele deixava seus papéis de lado e vinha ficar comigo. Nós fazíamos os mais variados tipos de coisa, como passear pela cidade, ir ao cinema, fazer comida, comer a comida que fizemos e achar que somos os melhores cozinheiros do mundo. Ah, e não posso esquecer da nossa televisão, que também foi muito usada assim como a cama. E não foi só para dormir. Se é que vocês me entendem...
Com isso não quero dizer que ele deixou de ser workaholic, porque isso seria uma mentira. Ele só parou de me substituir pelo trabalho. O que não quer dizer que quando eu não estou por perto ele volta a trabalhar como um louco.
No entanto, que sou eu para julgar? Atualmente sou eu quem tenho andado meio sem tempo, vendo coisas e mais coisas da formatura. Se é que existe esse termo, eu acho que virei uma formaturaholic.
Bem, eu sei que não existe esse termo, foi Finn que o inventou, logo três dias depois da nossa reconciliação. Desde então, combinamos de eu colocar as preocupações com a grande cerimônia de lado quando estou com ele, ele faz o mesmo com seu o trabalho. Mas é só ele virar as costas para ir ao escritório que eu fico toda alvoroçada. São tantos preparativos!... Tantas coisas para resolver... E sem perder mais tempo, comecei a adiantar algumas resoluções.
– Alô, mãe você recebeu meu convite? – pergunto assim que ela atende o telefone.
– Claro que sim minha filha, chegou há dois dias atrás.
– E você viu o RSVP que está escrito nele? Porque não respondeu?
– Minha filha, eu sou sua mãe você acha mesmo que eu preciso confirmar minha presença na sua formatura?
– Eu sei mãe, — digo me dando conta que de que realmente essa foi uma pergunta estúpida – mas é que eu preciso ter um controle, sabe? Porque na hora em que fiz a lista de convidados eu perdi um pouco dele.
– Perdeu o que?
– O controle.
– Não vou nem perguntar quantas você chamou. Só espero que você tenha consciência de que a formatura não é só sua.
– Eu sei, eu sei. Eu vou dar meu jeito, okei? Mas vamos mudar de assunto, por favor, que eu estou uma pilha de nervos.
– Tudo bem, – minha mãe aceitou – só porque eu quero muito saber que fez esse convite, ele é lindo!
– Maravilhoso, não é mesmo? – digo toda satisfeita – Foi o irmão de Sam que fez. Sam é aquele ortopedista que te falei. Você vai conhecer, os dois vão a formatura também.
– Por falar em conhecer... Quando é que eu vou conhecer seu namorado?
– Mãe, você já conhece Finn.
– Mas eu quero que você o apresente como seu namorado, como manda o figurino.
– Você pode ser tão antiquada às vezes... – reclamo – Mas tudo bem, faço as apresentações na formatura.
– Nada melhor do que uma ocasião importante para apresentar pessoas importantes – ela diz um pouquinho antes de desligar, dizendo que precisava comprar um vestido a altura da ocasião. Isso me fazia lembrar o meu vestido.
Depois de tanto pesquisar, Quinn e eu saímos à procura. Que durou três dias. E no fim do terceiro, já cansada de tanto andar e provar roupas em vão, eis que eu me apaixono.
Ele era lindo, único... E muito mais caro do que eu planejava. Um cocktail dress lilás, da Vera Wang. Vale cada centavo, Quinn falou, me incentivando a entrar na loja para pelo menos provar o vestido. E quando eu saí do provador ela prendeu a respiração e ao ver meu reflexo no espelho eu fiz o mesmo.
– Amiga, você vai falir, mas vai ficar espetacular – foi o consolo que Quinn me deu quando eu entreguei o cartão à menina asiática que estava no caixa. Muitos dólares mais pobre, eu saí de lá com meu espírito elevado. E ele permaneceu assim por mais algum tempo.
Minha mãe me deu de presente um tratamento VIP em um spa muito chique. Foram dias de princesa! Dois dias antes da formatura eu fiz meu check in na bonita construção de estilo vitoriano que ficava aos arredores de Nova York. Finn não gostou nada disso, mas, como sempre, já que eu vou estar ausente...
– Vou aproveitar para adiantar uns documentos pendentes – ele explica quando pergunto se vai sentir minha falta e o que ele vai fazer esse tempo todo longe de mim. Um tanto insensível.
Depois me deu um beijo de tirar o fôlego, beijo de despedida, cheio de saudade antecipada. Muito sensível, amo meu namorado. Além de Finn, tive que me despedir de Santana, duplamente, pois esse era o ultimo dia dela como enfermeira aqui.
Mas claro, isso não significa que não a veremos nunca mais. Ela vai estar na minha formatura. Além disso, desde que me dei conta que ela não era uma ameaça para o meu relacionamento com Finn, começamos até a ter mais contato. A verdade era que ela era uma boa moça, e acabei me sensibilizando com a história dela.
Santana não veio de uma família rica. Para ser bem sincera, sua criação foi bem humilde. Ela sempre soube o que quis, e também sempre soube que sua família não tinha condições de bancar seu sonho de salvar vidas. Foi por isso que durante toda a adolescência trabalhou para pagar seu curso, sem deixar de lados os estudos, porque ainda precisava ter ótimas classificações na escola para ingressar na faculdade.
– Inicialmente o plano era fazer medicina, assim como você, mas era muito mais caro do que eu podia pagar, então tive que me conformar com a enfermagem. E me conformei muito bem – ela alega com um sorriso sincero – Ainda posso salvar pessoas, e o primeiro da minha lista de salvamentos foi Finn. Por isso ele é importante para mim. Bem... isso e também porque a TV dele é o máximo.
Santana amava os luxos eletrônicos da casa de Finn, era por isso que ela vivia sempre aqui, pela mordomia. Coitadinha, não é mesmo? Não foi a toa que eu fiquei sensibilizada. Tão sensibilizada que a indiquei para fazer parte da equipe de enfermagem do hospital. Foi a minha boa ação do dia.
Só que nem todo mundo achou essa ação tão boa assim. E quando digo “nem todo mundo” estou falando de Sam.
– Quer dizer que foi você a pessoa perversa que indicou Santana Lopez para trabalhar na minha equipe – Sam me acusou assim que alcançou a mesa em que eu estava sentada.
– Ah, ela só precisa de uma chance... – digo ao mesmo tempo que ofereço um pedaço de bolo a ele.
– Tudo bem – ele concorda de boca cheia – pode até ser... Mas não no meu setor. Ele pode ser um tantinho mimado às vezes.
– Eu não sabia que ela ia cair justo na fisioterapia, eu não tenho culpa, só fiz a indicação – expliquei – Além do mais, ela é uma boa enfermeira. Depois dos errinhos iniciais cuidou muito bem de Finn e eu não entendi até hoje o que você tem contra ela.
– Hmm, não é nada específico, ela me incomoda, sei lá... Talvez só não faça meu tipo – ele ponderou enquanto tomava um gole de café.
Tomar café e comer bolo tinha virado nosso compromisso diário. Era nessa hora que colocávamos o assunto em dia, assuntos como esse por exemplo.
–x-
Estou de frente para o espelho, absolutamente maravilhada com minha própria visão. É, esse SPA me fez bem de verdade! Minha pele está luminosa e meu cabelo caindo como uma cascata de ondas leves. O vestido parecia ainda mais elegante agora com os sapatos e a maquiagem que realçava meus olhos e suavizava minhas feições.
– Parece uma deusa grega. Se você está bonita assim para a formatura, imagine para o casamento – dizia minha mãe olhando meu reflexo no espelho também.
– Isso vai levar um tempinho para acontecer – esclareço.
– Nunca se sabe, não é mesmo? – ela diz esperançosa.
Eu também tenho essa esperança, bem lá no fundo.
Nunca tive um relacionamento tão sério como esse com o Finn, talvez com um certo livro sobre ossos eu tenha chegado perto. Mas nada se iguala ao que estou vivendo agora, penso com um suspiro.
Nessas ultimas semanas a coisa evoluiu bastante. Claro, nem tudo é um mas de rosas, sempre há briguinhas, mas são justamente nelas que percebemos o quanto evoluímos.
Certo dia eu estava dando um showzinho por causa de algum defeito na conduta masculina. Exemplo: tampa do vaso levantada.
– Você tem que entender que a gente está praticamente vivendo na mesma casa, não dá para você ficar fazendo essas coisas.
– Amo quando você fica nervosinha – ele diz sorrindo.
– Eu não estou nervosinha! – digo ainda mais nervosinha porque ele está rindo enquanto eu estou falando sério.
– A gente está praticamente morando na mesma casa... – ele repete o que eu falei de modo pensativo, mas sem deixar de rir – Talvez seria bom transformar essa prática numa realidade.
Ele falou em tom de brincadeira, mas no fundo era uma verdade. Dias depois ele tocou no assunto novamente, e eu meio que aceitei a ideia.
Para depois da minha formatura, foi o combinado. Por falar na minha formatura, o taxi já tinha chegado. Hora de ir! Passei no apartamento de Finn para ver se ele ia querer pegar uma carona com a gente, mas ele não estava em casa. Com certeza ia direto do trabalho, pensei comigo mesma, até parece que eu não conheço meu namorado.
O caminho foi feito bem rápido, o transito ajudou. Quando minha mãe e eu entramos no campus da faculdade, Blaine e Sam já haviam chegado. E logo depois chegou Santana e mais duas enfermeiras que eu tinha chamado lá do hospital. O resto das pessoas já estavam chegando, Sam me falou antes de eu ir para a sala de concentração, vestir a beca e aguardar as instruções finais.
O amplo campo de futebol da universidade estava repleto de cadeiras e no fundo dele foi montado um grande palco, com telão e tudo. E começaram as solenidades! Do alto do palco podia ver centenas e centenas de cadeiras, todas elas repletas de gente sorridente assistindo pessoas queridas concluindo a faculdade, realizando seus sonhos. Pois é, parece que eu não fui a única que se excedeu nos convidados. E mesmo naquele mar de gente eu ainda fui capaz de enxergar a minha trupe.
Localizei-os no canto esquerdo do meio da multidão. Pelos movimentos de mamãe noto que ela está chorando, emocionada com a minha conquista. Blaine está ao seu lado com um braço consolador sobre os ombros dela. Posso também ver Santana, ao lado direito de Blaine que mesmo com tantos metros de distancia o vermelho do seu vestido chama a atenção. Consigo também ver que ao seu lado está Sam e mais uns médicos do hospital, todos sorridentes, parecendo estar orgulhosos de mim.
Quinn, amigas da faculdade que já se formaram, amigas da faculdade que ainda não se formaram, primos da Califórnia, parentes distantes, o moço que vende café com bolo para mim todos os dias... Todos estavam lá. Só faltava uma pessoa. Finn.
Calma, raciocinei, ele pode estar em algum outro lugar desta platéia, desgarrado do grupo. Por isso estreitei os olhos para ter uma visão mais apurada e encontrar Finn com mais facilidade. Procurei, procurei e procurei. Meus olhos estreitavam ainda mais cada vez que meu olhar esbarrava em um homem de cabelos escuros. E meu estomago se revirava quando eu notava que o homem encontrado não era o meu namorado.
Durante todos os discursos dos professores, alunos e diretores eu estive mais compenetrada em buscar Finn na multidão do que na cerimônia que estava acontecendo. Muito embora essa cerimônia tivesse sido a prioridade da minha vida nessas ultimas semanas.
Que graça teria se Finn não estivesse lá?! Ele precisa estar aqui, combinei com várias pessoas que iria apresentá-lo a elas hoje.
Por favor, que ele não tenha feito isso comigo, peço a Deus ao mesmo tempo que vasculho mais uma vez toda a platéia com os olhos. E ainda nada dele.
Tiveram que me chamar quase três vezes para eu pegar o meu canudo. Sempre pensei que esse momento da entrega do canudo iria ser um momento de glória. Mas na verdade, foi de angustia. Onde será que Finn se meteu? Essa pergunta e suas derivadas se repetiram incontáveis vezes na minha cabeça enquanto eu corria os olhos de uma ponta à outra do campo sem nenhum resultado. E assim foi até o final da colação de grau.
A clássica cena de jogar os chapéus para cima também era bem mais emocionante nos meus sonhos. Aqui eu praticamente joguei o chapeuzinho no chão ao invés de lançá-lo aos céus. Agora era a hora de ir, todos os alunos se dirigiam em fila para o outro lado do campo, passando por um estreito corredor no meio da platéia. Dei uma ultima olhada no público, só para constatar que ele não estava lá. E assim segui o meu caminho, tentando fingir um sorriso e falhando na tentativa.
E quando eu estava no final do corredor, depois da ultima fileira de cadeiras, alguém diz o meu nome.
Era Finn.
Eu nem me incomodei em virar, sabia que se estava me chamando, de maneira tão desesperada, era porque tinha tido motivos para desesperar. Não comparecer na formatura da namorada é um bom motivo para se desesperar. Mas como se gritar meu nome não fosse escândalo o bastante, ele furou a barreira de expectadores, alcançou a fila de alunos e me puxou pelo braço.
– Rachel, eu posso te explicar.
Fui forçada a olhar para ele. Seu cabelo estava bagunçado e sua gravata frouxa. Claramente tinha acabado de chegar. Ele era o retrato de alguém que correu muito. Para mim, correu em vão.
– Eu não quero sua explicação – eu disse, me soltando da mão dele, tentando voltar para a fila que o showzinho dele só fez atrapalhar.
– Você tem que me desculpar – ele falou em um tom de súplica, voltando a prender meu braço.
– Não tenho coisa nenhuma, já te desculpei muitas vezes antes. Se você não se deu ao trabalho de ver eu me formando, não precisa me ver nunca mais.
Dessa vez eu me soltei dele pra valer, seguindo o mais rápido possível meu caminho junto com os outros alunos. Fiz questão de reprimir todas as lágrimas que queriam sair. Constatar que o homem que você ama, ama mais o trabalho do que você não é uma coisa tão fácil assim de lidar. Mas ele já estragou minha formatura, não vou deixar ele estragar a minha festa. E depois disso o que me restava fazer?
Beber todas até esquecer meu nome e que meu namorado perdeu a data mas importante da minha vida por causa do trabalho. Sorte na carreira, azar no amor, não é mais ou menos assim que dizem? O local da festa era espetacular! Grande, todo em vidro, com um jardim maravilhoso e uma tenda para casais apaixonados dançarem longe da bagunça da pista. –eu iria adorar aquele lugar em outra ocasião, mas naquele momento, depois de ter sido quase abandonada no altar (de formatura!) eu achava aquilo, no mínimo, brega.
Antes de entrar me certifiquei de que Finn fosse cortado da lista de convidados.
–Você quer mesmo fazer isso? –minha mãe pergunta, ao pé do meu ouvido – Isso é uma coisa que não terá voltas.
– Ele pode ter conseguido acabar com a minha formatura, mas com a minha festa não. Será como sempre imaginei.
Minha mãe suspira enquanto dou meu melhor sorriso forçado para o responsável de checar os convidados e lhe peço para cortar o nome Finn Hudson da lista. Vejo que ele risca com a caneta vermelha o nome todo e penso que o mundo seria bem mais fácil se todos nós tivéssemos uma caneta daquela para riscar nomes de seu coração. Entro no salão e logo o fotógrafo pergunta sobre as fotos.
Me encaminho para o lugar e tiro a foto com minha mãe, meu supervisor, meus amigos, Sam, todo mundo junto. Parecia tudo normal, mas ao terminar e sair resolvo dar uma olhada para a formanda atrás de mim. Grande erro. A menina estava pendurada no pescoço do namorado quando o flash saiu.
E então percebo que apesar de querer aquela era uma foto que nunca teria no meu álbum de formatura. Com esse pensamento minha raiva por Finn se multiplica milhões de vezes. De que adianta ter um vestido lindo, uma pele perfeitamente maquiada e um diploma de médica se meu namorado não dava a mínima para essa data? Cerro os dentes e me concentro. Ex-namorado, a partir de agora.
Ele que se case com sua firma e tenha filhos com seu computador!
– Rachel – Sam segura meu braço antes que eu virasse toda a bebida –Vá com calma. — Ignoro o aviso dele e viro a taça de uma vez. Minha mãe balança a cabeça, em repreensão.
– É a minha formatura, ok? O momento mais importante da minha vida. Deixei que eu me divirta. — Todos suspiram. E eu reflito no quanto meus amigos são chatos às vezes. Quinn mesmo, havia ficado tão bêbada em sua formatura que subira na mesa para fazer strip-tease, agora parecia se fingir de moralista para impressionar o moralista do Blaine. – boas amigas essas que tenho, trocam uma taça de champanhe por um homem.
Na hora do famoso brinde eu estava tão bêbada que metade do champanhe caiu no meu caro vestido escolhido a dedo para encantar Finn. Dou uma risada escandalosa enquanto Sam me ampara e tenta tirar a taça de minha mão.
– Rachel, já chega. Está ficando feio.
– Feio, Sammy – tento falar o nome dele e me embaralho toda –é meu na-morado chegar atrasado na minha formatura. — Ele me abraça pela cintura quando alguém nos empurra e eu me desequilibro. — Ei! Não tá me vendo não?
– Rachel – Sam me repreende
–Eu não estou bêbada. Posso até fazer um quatro. – indico com as mãos
– Rachel –ele tenta não rir – Você está mostrando três dedos.
– Dedinhos –coloco a mão na minha frente –Não me deixem com cara de burra.
– Burra não, Rach, bêbada mesmo –ri
– Eu não... tô bêbada, Sammy. Caramba. — Ele jogou a cabeça para trás, rindo.
– É melhor eu te levar pra casa.
– Não. Eu ainda vou subir naquela mesa ali, oh... – aponto – e rebolar até o chão.
– É mesmo?
– Por quê? Acha que ninguém vai querer ver?
– Acho que já bebeu o suficiente.
– Não! – bato o pé e então meu salto vira
Enquanto quase caio e tento ficar reta o mais dignamente possível vejo um vulto do lado de fora do vidro me encarando. Um vulto que diferente de Sam não parece achar a menor graça em mim bêbada. Nós nos olhamos enquanto Sam me ajuda a reerguer.
–Tudo bem?
–Tudo. – encaro o homem que melhor me tratou nessa vida e nunca me trocou por trabalho e papeis, que só queria uma chance.
Então fecho os olhos, inclino pra frente e...
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