Gypsy

28 Olho roxo.


Notas iniciais
Capítulo lindo pra vocês! Não demorei, tá vendo? Sou um amorzinho. Juro que respondo os comentários depois, vocês foram ótimos!! E outra coisa, gente, vou começar a diminuir os caps, pq percebi que falta muito pouco pra acabar! Se continuar postando do tamanho que estava postando antes, não teremos mais muita fic por aqui hahaha Mas mesmo assim, estamos na reta final, vamos começando a aquecer nossos corações para se despedir dessa fic fofa s2 hahahah Beijinhos, té mais

– Mãe! – reclamo ao sentir a claridade nos meus olhos no dia seguinte –Você não pode me deixar dormir mais um pouco?

– Já são três da tarde – Puxa meu edredon

Dou um suspiro tampando o rosto com meu travesseiro. Parece que tenho um trem dentro da minha cabeça, zunindo, apitando, que não parava nunca. Tendo me lembrar da noite passada, mas a última coisa da qual me recordo é de Finn puxando meu braço enquanto saía da formatura e de ter cortado o nome dele da festa. Eu quase grito ao pensar nisso, mas quem sentiria mais dor sou eu, então guardo minha revolta para mais tarde, quando estiver boa e sem dor de cabeça.

– O que aconteceu ontem? Não consigo me lembrar.

– A Rainha da Festa descobriu que bebeu além da conta? — Melhor não me preocupar com o termo Rainha da Festa.

– O que aconteceu?

– Por que deveria contar se ontem tentei inúmeras vezes te fazer parar de beber e não me escutou? Tome esse café. E é melhor não reclamar.

Me sentei pegando a caneca com café forte, quente e amargo. Eu detestava qualquer coisa que fosse amarga, principalmente café amargo, mas tentei não reclamar, porque conhecia a mãe que tinha.

– Pode me falar o que houve sem me dar lição de moral?

– Não. Se não quer ouvir lições ligue para seu amigo Sam. — Cerrei os olhos.

– Há alguma coisa que fiz da qual deva me arrepender?

– Muitas.

– Ah, não –afundo na cama fechando o olho

– A começar por não deixar seu namorado explicar e barrar a entrada dele na festa.

– Mãe! Ele chegou atrasado na minha formatura. A culpa não é minha,

– Você não sabe o que o levou a se atrasar.

– Falei milhões de vezes que o queria lá e pedi para que não se atrasasse.

– Pode ter acontecido uma terceira guerra mundial.

– Até onde sei não estourou nenhuma guerra ontem, além disso ele está em tratamento ainda e pouco provavelmente seria convocado. Então, essa desculpa é inválida.

– Só estou dizendo...

– Só está dizendo que acha natural um namorado se atrasar numa data tão importante para mim, mas não aceita a revolta da sua filha.

– Não é nada disso, Rachel! Eu só acho que você deveria escuta-lo porque as vezes as coisas são bem diferentes do que você consegue perceber. Mas como você nunca me ouve fique aí com sua revolta e tentando descobrir o que fez ontem.

– Não bata...

Tarde de mais. Minha amada mãe bate a porta me fazendo encolher enquanto o som faz eco em minha cabeça. Deixo a caneca de café no criado-mudo e pego o telefone. Eu realmente precisava saber o que fiz ontem para deixar minha mãe tão irada.

Eu poderia ligar para Sam, mas seria melhor eu me certificar primeiro do tamanho da minha bebedeira antes de falar com ele. Busco o número de Quinn na agenda e pego um comprimido para dor de cabeça na gaveta enquanto aguardo que ela me atenda. Ela deve estar dormindo, penso com meus botões, afinal é ela quem sempre sai da balada com título de Rainha da Festa, e não eu.

Ela atende no decimo quinto toque – eu contei, porque nada mais tinha a fazer.

– Alô! – sua voz sai mais animada do que costuma pós festa.

– Quinn.

– Ah, é você, a Rainha da Festa.

– Parem com isso – resmunguei – Combinaram de falar isso?

– Pior que não.

– O que há com você?

– Como assim?

– Ora, está animada de mais para quem ficou a noite toda acordada. Não?

– Você bebeu para mim ontem, Rachel. Foi isso eu aconteceu.

– Sobre isso mesmo que queria falar...

– Vai roubar minha frase e dizer “Ca-ramba, não me lembro de nada que fiz ontem. Pode me ajudar?”

– É – resmunguei me sentindo envergonhada

– Garota – ela imita minha voz, definitivamente invertendo os papéis – você é a pessoa mais bitch que eu conheço! — Sua gargalhada sonora me deixa ainda mais encolhida. Sinto que fiz coisas das quais me arrependerei para sempre.

– Sempre me perguntei quando iria ter essa chance de tirar onda com você. Não acredito que tive essa oportunidade.

– Quinn, só me conte o que houve, está bem?

– Versão resumida ou versão detalhada?

– Resumida!

– Ah, jura? – ela fala, notavelmente decepcionada por minha escolha

– Quinn, sei que está se divertindo as minhas custas, mas me tire dessa agonia. Seja uma boa amiga, sim?

– Ok, ok – segurou o riso – Você beijou Sam.

– Eu o que? – engasgo

– Mas esse não foi o melhor acontecimento da noite. Não vai acreditar no que houve depois disso.

– O que?

– Adivinha!

– Quinn, minha bola de cristal não está funcionando hoje.

– Quando eu to de ressaca eu fico chata assim?

– Fica! — Quinn faz um muxoxo e eu espero impacientemente que ela me conte o que raios aconteceu!

– Seu namorado estava do outro lado do vidro e viu tudo.

– Finn?

– Quem mais seria?

– Mas eu vetei a entrada dele no salão.

– O jardim não é exatamente o salão de festa, Rachel. Ele ficou do lado de fora, coitado. Até eu senti dó dele, tinha que ver sua cara.

– Quinn.

– É verdade, amiga. Ele ficou arrasado quando você beijou Sam. Estava de dar dó. Nem parecia o impiedoso Finn Hudson que cruza comigo todos os dias na portaria. Foi desolador! Quase decepcionante, na verdade. Não é que por trás daquela pele fria tem um coração mesmo?

– Não está ajudando, Quinn.

– Não se lembra mesmo? De nada? Nem do beijo do gostosinho de Sam?

– Não. — Pra ser sincera, nem sei se queria me lembrar.

– Que pena, seria mais divertido se você se lembrasse do gran finale.

– O que? Teve mais? — Ela gargalhou.

– Finn acertou uma direita no rosto de Sam que doeu até em mim!

– COMO É? — Pelo amor de Deus! Como tudo isso foi acontecer numa noite só e eu não me lembrava de nada.

– Ai, caramba, acho que preciso abandonar a versão resumida e te encher de detalhes, não é? – ela diz empolgada, porque é certamente isso que ela quer desde o começo – Você literalmente agarrou Sam, coitado.

– Quinn, todos são coitados?

– Não, coitado porque ele é ate bonitinho, mas é lendo que só Deus!

– Quinn!

– É verdade. Muito lento. Enfim.

– O que você chama de literalmente agarrou Sam?

– Pegou ele pelo pescoço, colou seu corpo no dele e deu aquele beijo desentupidor de pia estilo Hollywood! Você sabe, tipo...

– Quinn, eu já entendi – resmungo – Quando aconteceu a briga?

– Logo depois. Sam conseguiu te tirar da pista e ia te levar para casa. Assim que saíram do salão Finn acertou o rosto com uma direita... Vou te falar, digna de ring de boxe.

– Eu nem sabia que ele lutava.

– Se luta eu não sei. Mas deixou um olho roxo no seu... atual?

– Ai, meu Deus, que confusão! Sam revidou?

– Para minha decepção, não.

– Como assim?

– Também achei decepcionante.

– Não, Quinn, não acredito que você queria uma briga.

– É claro que eu queria uma briga. Sempre quis homens lutando por mim –suspirou – Seria tão emocionante.

– Que vergonha.

– Vergonha foi Sam fugir da briga. – bufou – Disse que te levaria pra casa e que não tinha tempo nem idade pra fazer escândalo em público. Que diferente dele ele sabia o quanto a formatura era importante para você. E levou outro soco.

– Pelo menos Sam é sensato.

– Sensato eu não sei. Mas vou te dizer uma coisa... Finn gosta mesmo de você. Não sei porque ele se atrasou, mas com certeza o motivo é importante.

– Jura? Vou te dizer o que é importante para ele. Uma mesa de mogno, um bando de engravatado e muito, muito papel.

– Olha que você pode estar sendo injusta.

– É mesmo, Quinn? Se o seu namorado não chegasse a tempo de ver você se formando você escutaria a desculpa dele? — Ela não respondeu.

– Foi o que pensei. Além disso, você nem gosta dele.

– Você gosta. É o que interessa. E ele te ama.

– De onde tirou tanta certeza, afinal?

– Amiga, me escuta, homem só briga por três coisas: dinheiro, poder e amor. Pensa nisso – e bateu o telefone na minha cara. Dá pra acreditar? Nem Quinn estava do meu lado! Depois de até minha melhor amiga não me entender resolvi ir pro meu banho porque pelo menos a minha banheira não me daria as costas – seria demais um ser inanimado dizer a mim que podia estar sendo injusta com Finn porque ele realmente me amava, vamos combinar. Entrei na agua e fechei os olhos.

Penso que era de longe o primeiro dia como médica que imaginei. Até porque em toda minha imaginação meu namorado se encontrava todo orgulhoso ao me olhar e não, provavelmente, com raiva de mim porque eu beijei outro – pior, eu beijei Sam – na sua frente – é claro que esse beijo (que eu nem me lembro se era bom ou ruim!) só foi dado porque o meu namorado em questão perdeu a minha formatura e desgraçou o dia que seria o melhor da minha vida.

Como a banheira não melhora em nada meu estado de espirito, saio dela e me jogo na cama, enrolada na toalha, parecendo que um trator me atropelou. Poucos segundos depois meu celular toca.

– Alô.

– Oi, Rach – a voz do outro lado da linha me faz estremecer, mas não do jeito que meu namorado faria e sim do jeito que só uma noite de irresponsabilidade mais bebida pode deixar morrendo de medo uma conversa – É o Sam – ele diz tímido.

– Eu sei. — Eu não iria confundir a voz dele. Estava de ressaca e não drogada.

– Você... você tá bem?

– Vou sobreviver. E seu olho?

– Você se lembra?

– Na verdade, não. Me contaram.

– Imaginei. Eu também vou sobreviver. — Nós ficamos em silencio.

O que me faz pensar que Finn e eu raramente ficávamos em silencio –os papeis normalmente era parte fiel da conversa. Sinto uma pontada de arrependimento no coração porque sei que nesse ponto estou sendo injusta. Os papeis só começaram a fazer parte da nossa relação no último mês, mas poucos dias foram o suficiente para acabar com tudo.

– Eu... eu estava pensando se a gente podia conversar.

– Claro.

– Pessoalmente. — Respiro bem fundo para conseguir encara-lo. Eu não tinha a menor ideia do que falar pra ele porque simplesmente não me lembro

– Eu não estou nos meus melhores dias, Sam.

– Você não está com um olho roxo. — Dou um pequeno sorriso.

– Tudo bem, então. Que horas passa aqui?

– Na verdade, Rach, eu já estou em frente ao seu prédio.

– Ah, ok. Já já eu desço.

Como nada do que eu colocasse no corpo me faria ficar apresentável e como meu estado de espirito não está bom o bastante para que me faça trocar de roupa inúmeras vezes, pego uma calça jeans e a primeira blusa que acho.

– Vai no Finn?

– Mãe, são quatro da tarde – rolei os olhos – de uma sexta feira. Finnn deve estar no escritório dele, trabalhando.

– Então, aonde vai?

– Sam está lá em baixo.

– Por que não o mandou subir?

– Não me demoro.

Minha mãe resmunga algo que não consigo entender, mas posso imaginar. Ela não achou a menor graça em Sam, na verdade, se esforçou muito para ser simpática, mas eu sabia que a empatia não havia acontecido. O que era bastante estranho, considerando que o estilo “cara de bom moço e dedicado” sempre chamou mais a atenção da minha mãe quando cismava de querer me desencalhar, do que o estilo puramente nova-iorquino “sonho americano, louco por dinheiro” de Finn.

– Oi.

– Oi – ele diz por trás dos óculos

Os óculos são pra disfarçar, mas ainda dá para ver uma parte do roxo em baixo. Finn bateu com força mesmo. E eu não devia achar isso tão admirável. Eu nunca gostei de violência. Ainda assim não conseguia evitar. No fundo, bem no fundo, eu gostei da reação de Finn. Mas mesmo assim sinto-me envergonhada com tal pensamento.

Eu, mais do que ninguém, sei o quanto violências podem destruir ossos alheios. Como não tenho o que falar fico parada, esperando.

– Você não se lembra mesmo, não é? –ele suspira

– Desculpa.

– Não, eu devia imaginar. Você bebeu de mais. Eu só... me decepcionei. Eu esperava que se lembrasse pelo menos do beijo.

– Sam, sobre isso...

– Não precisa falar nada. Eu já sei.

– Sabe?

– É. Sei que só fez aquilo porque ele observava e porque queria dar uma espécie de troco... Não sou idiota, Rachel.

– Desculpe.

– Não se desculpe. Fui eu quem quis desde o começo uma chance, não foi?

– Está me dispensando, Sam?

– Não, Rach. Eu apenas não quero ser a segunda opção. Você gosta mesmo de Finn e sinto por isso. De verdade. Porque eu acho que Finn não vai mudar. O que quer dizer que ou você aprende a conviver com o trabalho dele ou vai ter que esquecê-lo.

– Acha que ele não tem conserto?

– Talvez ele tenha. O pouco que conheci dele mostra que ele é como 90 dos norte-americanos, que só querem ganhar dinheiro e nada mais.

– Eu não sei se ele é assim.

– Não?

– Conheci um lado diferente dele. E foi esse lado não tão louco por dinheiro que me conquistou. Mas eu não sei qual das duas partes prevalece sobre ele. E não sei se quero um “sonho americano” na minha casa – suspiro – Não quero um homem que se atrasa para comemorações por causa da queda da bolsa. Entende?

– Entendo. Claro que entendo.

– Eu disse a ele que era um dia especial na minha vida. Disse para não se atrasar. Mas ele se atrasou. Eu o queria lá. Mas ele escolheu os papéis. Eu gosto dele, mas não gosto do que ele é, ou do que ele gosta de ser.

– Você sabe que se envolver com médico não é muito melhor. Ele pode ter uma cirurgia de emergência e não chegar a tempo.

– Só falta você também defende-lo! — Porque aí sim eu podia pensar na hipótese de me matar.

– Não! Deus me livre, não! — Fico mais aliviada. Pelo menos alguém do meu lado, embora Sam só me entenda por motivos óbvios.

– Rach, se estiver disposta a esquecê-lo estarei aqui. Se não, me contento em ser só seu amigo. — Sorrio e o abraço.

Ao sentir seu cheiro de colônia penso que tudo seria mais fácil se fosse por ele que meu coração batesse mais rápido. Mas, infelizmente, era do perfume másculo que eu gostava. Me irrito com esse pensamento, eu precisava tirar esse insensível da minha cabeça.

– Preciso ir. Ainda tenho um plantão para enfrentar.

–Não vai poder usar esses óculos lá.

– Eu sei – deu de ombros

– Por que não revidou?

– Eu deveria?

– Era a reação normal, não?

– Nunca fui um bom lutador. –admitiu –E era o dia mais importante pra você. Não seria eu quem iria estragar. Até amanha, na lanchonete, pro nosso bolo.

– Bom trabalho –dou um sorriso

– Boa cura da sua ressaca.

Dei tchau com as mãos e voltei pro prédio. No térreo encontro Santana, provavelmente saindo do apartamento de Finn.

– Aconteceu alguma coisa? — Afinal de contas, ele ainda não está curado.

– Ele só precisava de companhia.

– Você... dormiu com ele? — Santana me olha enquanto suspira mexendo os cabelos.

– Não vejo no que isso possa ser da sua conta depois de ontem, mas não. Ele me chamou de manhã para conversar. Ele está mal, de verdade. Chorou como um bebê esfomeado. — Rolei os olhos.

– Pois é, Rachel, hoje é sexta e nem trabalhar ele foi.

– Bem, pelo menos se ele for pra justiça terá bons advogados de defesa, não é mesmo?

– Você quem sabe. Preciso ir. Meu plantão começa daqui meia hora. Tchau.

Dou um suspiro a vendo entrar no elevador. Por um momento a dúvida cruza minha mente e penso em ir até lá e conversar. Mas foi por um momento mesmo. No segundo seguinte eu decido que não procura-lo era a melhor solução, já que queria tanto esquecê-lo.