Gypsy
26 23 De Agosto, 5 Horas.
Nem preciso dizer que o resto do plantão foi meio caótico, não é mesmo? Tive que redobrar minha atenção para não cometer nenhum erro. Blaime estava na minha cola e tinha motivos para isso. Por sorte – e uma ajudinha de alguns outros residentes – tudo saiu bem.
A parte caótica estava na minha cabeça, fazendo uma retrospectiva de todos os altos e baixos que Finn e eu tivemos até agora. É triste dizer, mas a conclusão que eu cheguei foi que nesses últimos tempos se desenvolveu um padrão, um não muito agradável.
Primeiro Finn fazia uma coisa linda, e eu, invariavelmente, ficava encantada. Como não ficar? Um homem lindo daquele dizendo coisas ainda mais lindas, não há como resistir. Só que logo depois, há uma crise de trabalho, onde ele mais ou menos se esquece da minha existência o que me deixa a) muito irrita, b) bem chateada. Não necessariamente nessa ordem. Mas então, ele vem e faz outra vez uma coisa linda e o ciclo se reinicia.
Por mais lindas que sejam as coisas que ele faz e por melhor que eu me sinta quando estamos bem, esse não é o tipo de rotina que eu quero para minha vida. É muito desgastante ficar brigando pela atenção do meu namorado contra uma folha de papel. Ou várias folhas de papel, a quantidade não importa. O que é realmente importante é que eu sei que ele não faz por mal, tem toda aquela história do pai dele cobrar demais, ele se sentir pressionado e tudo mais, só que às vezes machuca.
Por exemplo, essa da Santana doeu. Está doendo ainda.
– Seu plantão não terminou há duas horas atrás? – pergunta uma voz masculina atrás de mim. A voz masculina é Sam e eu só posso estar mesmo no mundo da lua para não ter reconhecido antes.
– Terminou, é? Não tinha percebido – falei coçando a cabeça, ótimo toque na atuação.
– Não se faça de esquecida, Rachel, não para cima de mim.
– Me desculpe – disse encolhendo os ombros – Bom... Só fiquei aqui na tentativa de clarear a cabeça.
– E está funcionando?
– Não muito – confesso.
– Foi o que eu imaginei. Que tal um café, então? É sempre bom tentar outras técnicas.
– Não vai atrapalhar seu horário de plantão? – perguntei desconfiada de que todas as pessoas no mundo dão prioridade mais ao trabalho do que ao convívio social.
– Não, cheguei uma hora mais cedo.
– Também querendo clarear a cabeça?
– Bem, mais ou menos. Na verdade eu quero ocupá-la.
Fomos até a cafeteria e engatamos em um papo super produtivo sobre a medicina de um modo geral. Nem sempre nossas opiniões batiam e essa era a melhor parte porque isso gerava longas e ótimas discussões sobre alguns temas. Pena que não tão longa quanto a gente queria. Deu a hora de Sam ir para o trabalho e já tinha passado da hora de eu ir para casa.
Estou no conforto da minha caminha quando meu telefone começa a tocar, estridente. Penso duas vezes antes de atender, não tenho certeza de que quero falar com Finn nesse momento.
Ao olhar no visor, descubro que não é ele e sim Sam.
– Alô?
– Que silêncio, porque não estou ouvindo gritos de comemoração?
– E porque ouviria? – perguntei desnorteada, admirando o silêncio da minha casa.
– Porque eu finalmente liberei Finn para ir ao escritório – ele responde – Somente pelas manhãs. Ele me ligou e conseguiu me convencer.
– Lá deve estar uma gritaria mesmo... – concordo, imaginando a felicidade dele ao saber que vai poder voltar ao seu habitat natural – Mas tem certeza que não tem problema ser deixado convencido? — Percebam, eu estava me agarrando às minhas últimas esperanças.
– Não vai ter problema, Rach, fique tranqüila. Ele está respondendo bem ao tratamento e sei que com essa concessão vai responder ainda melhor. Sei disso porque fizemos um acordo. De homem para homem, sabe como é...
– Bem, não sei exatamente como é, mas faço uma idéia – esperando me desviar da pergunta que vinha a seguir.
– Mas você não está lá no meio dos gritos porque?...
– Amanhã eu trabalho – expliquei forjando um bocejo – eu preciso descansar.
– É verdade, vou deixar você dormir. Quem sabe amanhã a gente não se encontra pelos corredores...
– Quem sabe... Até lá então, bom trabalho para você.
Desliguei e tentei não pensar em mais nada. Finn era um assunto que eu não queria falar, mas, por mais que eu tentasse, era impossível não pensar.
Na manhã seguinte, no hospital, Sam e eu realmente nos esbarramos pelo corredor.
– É o cumprimento de uma profecia – falei ao parar no meio do meu caminho para falar com ele. Não tinha problema, eu tinha chegado um tantinho adiantada.
– Praticamente um Nostradamus – ele fala enquanto me abraça – Como passou a noite?
– Bem... – digo – E você?
– Você não está uma cara muito boa – ele diz me analisando mais de perto.
– Quanta delicadeza! – respondi rindo, principalmente para melhorar minha cara – E já que é assim, sou obrigada a dizer... A sua também não está das melhores.
– Mas eu acabo de sair de um plantão – ele falou encolhendo os ombros.
– E eu estou prestes a entrar em um – me justifico.
– Okei, por hora você tem uma boa desculpa. Mas ainda tem um tempinho para um café?
Aceito o convite, vamos até cafeteria conversando sobre o plantão dele que foi muito interessante. Cheio de acontecimentos. Espero que o meu plantão também seja assim, para evitar piores pensamentos. Sam foi em busca de bolos gostosos e quando volta eu estou pensativa, mexendo o café que ainda não terminei de tomar.
– Rach, eu não queria me intrometer... Só que é muito ruim te ver assim, pode falar o que foi que ele fez dessa vez?
– Não foi nada, Sam. Hmm, esses bolos estão com uma aparência maravilhosa! – desconverso – Vou querer o de chocolate.
– Nada de bolo – ele diz puxando os pratos para perto dele – É sério Rach, você pode se abrir comigo, eu só quero ajudar.
Olhei do bolo para Sam e de Sam para o bolo. Eu realmente queria aquele bolo. Ontem depois do café com Sam só cheguei em casa, tomei banho e fui direto para a cama, não houve tempo (nem animo) para jantar. Agora meu estomago reclamava. Além disso, talvez uma ajuda não cairia mal. Porque eu, por mais que pensasse, sinceramente não sabia o que fazer.
– Ontem eu liguei para ele perguntando o que ele achava da Santana, foi um grande passo para mim sabe? Eu não sou do tipo que se sente segura confessando suas fraquezas. Mas bem... o caso é que ele não me deu muita atenção, ainda por cima disse que ficaria com ela.
Sam empurrou o bolo de volta em minha direção, mas eu já não sentia fome.
– Como é que é?!
– Bem, eu não sei bem ao certo se ele realmente escutou a pergunta, porque ele estava um pouco irritado e queria trabalhar.
– Quando ele não quer trabalhar, não é? – ele diz irônico ao colocar mais um pedaço de boca. — Eu não tenho muito o que argumentar, Sam está mais que certo.
– Mas Rach, apesar de eu não gostar muito de Finn, especialmente quando ele te trata dessa maneira, estou certo que ele não te trairia. com Santana nem com ninguém. Porque primeiro de tudo, ele não tem tempo, com isso de ser workaholic e tudo mais... E também, ele gosta de você, não sabe dar o valor necessário, mas gosta.
– Obrigada por tentar me consolar, Evans – digo a ele tentando sorrir – só que mesmo assim a situação não é boa, isso só prova que ele não me escutou, ou não prestou atenção no que eu tinha a dizer, nem na gravidade do assunto. Mostra o pouco que ele se importa comigo.
Por um momento achei que iria se formar um silêncio tenso, onde Sam começaria a sentir pena de mim, e eu ficaria envergonhada com isso. Não foi isso que aconteceu. Sam esticou a mão através da mesinha de café e colocou uma mecha de cabelo que caia sobre o meu rosto atrás da minha orelha.
– Rachel come esse bolo.
– Eu não estou com muita fome – justifico.
– Para chocolate não precisa de fome – ele rebate assumindo o controle do garfo e colocando um pedaço de bolo quase debaixo do meu nariz.
Acabo aceitando, principalmente porque não tenho outra opção, o bolo está mesmo muito gosto, mas isso não me faz mais feliz.
– Rach... É muito difícil para mim te dar conselhos amorosos, você sabe...
Eu sei. Só não quero falar sobre isso, portanto coloco mais um pedaço de bolo na boca para justificar meu silêncio. Esse é mais um dos assuntos que eu ando evitando pensar, nesse pelo menos eu estou me saindo melhor do que no tema Finn.
E assim continuaria sendo, pois uma interrupção melhor que o bolo chegou. Cortando de vez todo o assunto.
– Rachel que bom que eu te encontrei – diz Blaine ao se aproximar da nossa mesa – e melhor ainda que o Dr. Evans está junto.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntei receando que fosse algo grave.
– Aconteceu. – Blaine respondeu meio sério – Ontem eu conversei com Sam e fiquei sabendo que seu paciente, o Herrera, já está até indo para o trabalho...
Respirei fundo, prendendo a respiração logo após. Comecei a ficar muito nervosa. Algo importante estava por vir, pressenti. Só não sabia se era algo bom ou ruim. Será que Blaine não concorda com que Finn volte a trabalhar?! Eu falei para Sam que ele não deveria ter se deixado convencer!
– Isso significa que ele está na fase final do tratamento – Blaine continua – o que também significa que já está na hora de você pegar o seu diploma. E sendo assim... tratei de mexer os meus pauzinhos...
– Nossos pauzinhos – acrescentou Sam.
– E conseguimos te encaixar na formatura ainda desse semestre. Prepare sua beca.
– Desse semestre?!?! – perguntei apavorada, para não dizer assombrada – Mas isso é daqui há...
– Quatro semanas – Sam informou com um sorriso.
– Vai ficar um pouco corrido, mas quem conseguiu lidar com os caprichos de Finn Hudson facilmente consegue resolver esses processos de formatura – disse Blaine.
– Estamos orgulhosos de você – Sam falou, e só aí caiu minha ficha. Daqui a menos de um mês que vou ser oficialmente uma médica?!?! De verdade?! Ah, meu Deus!!!!
Foi somente segundo depois que eu consegui esboçar alguma reação. E essa reação foi envolver os dois em um forte e apertado abraço. Não muito apropriado para uma cafeteria de hospital, mas eu não conseguiria me conter. Na verdade, eu não queria me conter.
– Ok, ok. Isso tudo está muito legal, bem afetuoso e tudo mais... Mas eu tenho que trabalhar e você também Rachel.
– Já estou indo – aviso, o deixando ir na frente – eu só vou terminar de comer esse bolo e já vou.
Porque de repente me deu a maior fome. Acho que é felicidade. Como o bolo rápido, mas aproveitando cada pedaço. Cada mordida era um elogio, Sam disse fazendo pouco do meu apetite repentino. Mas quem disse que eu ligava? Aquele era um bolo maravilhoso, fenomenal, esplêndido... Pena que acabou rápido. E agora eu tinha que ir.
Mas quando eu estava quase indo, já tinha até me levantado e tudo mais, Sam me interrompe, segurando a minha mão.
– Sam, só mais uma coisa... Queria que você soubesse que eu sim daria todo o valor que você merece.
– Sam, eu... – tento me justificar, mas continuei a frase pois a mão dele gentilmente pousou sobre a minha boca me fazendo parar de falar.
– Não precisa falar nada, nem se desculpar. Eu sei que agora você não quer ouvir nada disso. Mas um dia você vai querer. E eu vou esperar, é só dar tempo ao tempo.
E com essa frase final ele soltou minha mão e eu saí em silêncio.
–x-
Tempo ao tempo. Mesmo sem querer, Sam me deu um bom conselho de como proceder com Finn nesses últimos três dias.
Dei um tempo. Quero dizer, não terminei o relacionamento nem nada, simplesmente deixei de procurá-lo. Se ele quisesse poderia vir aqui, ele sabe onde eu moro. Mas isso ainda não aconteceu. Sem rancores.
Tudo bem, não totalmente sem rancores. Porque eu sei muito bem que ele está tão entusiasmado com sua volta a empresa que nem deu pela minha falta. Tento me lembrar, uma e outra vez que esse é somente um ponto baixo da nossa rotina, que logo seria compensado com alguma fofurinha da parte dele, só que três dias é tempo demais para um ponto baixo, além disso, já me canse desse ciclo vicioso.
Muito triste uma relação a um nível de previsibilidade como esse. Só que isso não quer dizer que eu esteja triste, afinal de contas, estou dando tempo ao tempo, tentando não me importar com a falta que ele me faz.
Até porque tenho razões para estar feliz, como essa história de ser uma formanda e tudo mais... Por sorte isso exige muito tempo e atenção da pessoa. Você tem noção da burocracia que é para se conseguir um diploma?! Eu que já tinha achado muito complicado entrar na faculdade, mal sabia que para sair dela iria ser duas vezes pior.
Quanta ingenuidade a minha... Blaine me deu as manhãs livres para lidar com todos os tramites e aos poucos eu fui desembaraçando o emaranhado de papéis e exigências que eram necessários para minha formatura em cima da hora. Faltavam quase três semanas. E ainda não tinha um vestido. Foi nesse intuito que liguei para Quinn, que era mais entendida no assunto e concordou muito amavelmente em me ajudar nessa tarefa. Só que os métodos dela não eram tão convencionais como sair nas ruas, entrar nas lojas provar uma quantidade assustadora de vestidos até achar um que fique descente em mim. Não. Ela queria “traçar meu padrão de estilo”. Eu não sabia que raios aquilo significava, então ela me explicou que se tratava de uma atenta observação de referências nas quais eu identificaria ali elementos do meu agrado, que seriam analisados e posteriormente traduzidos em uma roupa para mim.
Como a gente iria fazer todo esse processo? Muito simples, disse Quinn, uma maratona de Sex and the City resolveria. Talvez o método comum poderia até ser mais fácil. Mas uma tarde de folga inteira imaginando os vestidos de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda em mim era muito mais divertido. Era divertido ao ponto de eu nem ver o tempo passar. Já tinha escurecido e nós estávamos nos episódios de Carrie em Paris, que é um dos meus preferidos, diga-se de passagem. Mas fomos obrigadas a dar uma pausa. Questão de emergência. Tinha acabado a pipoca, Quinn desceu para comprar mais, coisa de minutos, enquanto isso eu revia outro episódio com vestidos particularmente encantadores.
Estava tentando pensar em um que caísse bem em mim. Estava tentando não pensar em...
– Como é que você fica assim, três dias sem dar sinal de vida? — Tentando não pensar nisso, ou melhor, nesse. Mas não era minha imaginação, Finn estava mesmo na minha porta, quer dizer, na minha frente. Eu não sei como ele conseguiu percorrer a distância em tão pouco tempo.
– Você está andando rápido demais para uma pessoa que ainda está em processo de recuperação – repreendo, antes de mais nada.
A resposta dele veio imediatamente. Eu não estava preparada para aquele beijo. Ele me invadiu sem minha permissão, segurando meu rosto entre suas mãos, colando minha boca na dele. Sua língua vasculhou por todos os cantos da minha boca enquanto eu, sem entender muito, correspondia. Mas tão rápido como começou, teve que terminar, deixando ambos com falta de ar.
– Foi para fazer isso que eu vim tão rápido – Finn respondeu ofegante.
– Você vai me desculpar, mas eu não considero três dias uma rapidez tão impressionante assim – digo voltando a me sentar no sofá.
– Três dias os quais você não foi me ver – ele contrapôs cheio de audácia.
– Ah, agora a culpa é minha? – estou indignada, depois de todo esse tempo de tortura ele ainda se acha no direito de dizer uma coisa dessas?
– Sempre que algo não dá certo você se afasta sem nem sequer me dizer onde está o erro. Já virou um padrão. — Exatamente o que eu tinha pensado.
– Uma rotina em que você me deixa pelo seu trabalho e só volta quando é conveniente para você – falei amargurada.
– Não é bem assim, Rach – ele diz sentando ao meu lado – eu estive um pouco enrolado pelas semanas de trabalho acumulada, mas desde que fui liberado para ir à empresa estou tratando de organizar meus horários. Mas como você ia saber disso? Você sumiu por três dias...
– Pensei que com sua volta à empresa você ia ficar ocupado demais para poder me dar atenção, como naquele ultimo dia em que nos falamos.
– Bom, se você tivesse entrado em contato ia ver que eu reservei os melhores horários para você – ele dizia ao mesmo tempo em que enrolava uma mecha do meu cabelo em seu dedo.
Coloquei meu cabelo de volta no lugar, longe do dedo dele, aquela era uma de seriedade. Eu ainda tinha algumas coisas para falar.
– E o que você quer dizer com melhores horário? – perguntei, a título de curiosidade.
– As noites, para você dormir comigo, as manhãs antes de você ir para o hospital... – novamente ele ia se reaproximando, contornando meu rosto com o dedo, me inclinando levemente ao longo do sofá – a gente pode tomar café da manhã juntos agora que eu posso comer as mesmas coisas que você.
Seguro no ombro dele para impedi-lo de me inclinar mais, antes que eu deite completamente no sofá.
– Só mais uma coisinha, na nossa ultima conversa eu te perguntei de Santana.
– Perguntou? – ele parecia confuso.
– Droga! – sigo batendo no ombro dele – Eu sabia que você não estava me ouvindo! E o pior é que eu estou me sentindo aliviada por isso.
– Ai! – ele reclama esfregando o ombro – Você tem uma mão pesada, sabia disso? E porque aliviada? Eu não entendi.
– Mas que descaso! – volto a reclamar – você não ouviu nem uma palavra do que eu disse, não é? Eu fiz uma pergunta importante e você me deu uma resposta preocupante.
– Me desculpa, meu amor – ele diz colando um beijo demorado na minha bochecha e aproveitando para me empurrar mais um pouquinho em direção ao sofá – é que eu estava resolvendo documentos muito importantes, para a firma do meu pai... E aí você começou a falar de Santana... Ela é legal, mas não é tão importante. Mas o que você queria saber sobre ela?
– Bem, — digo olhando para baixo, fingindo analisar minhas unhas – você e Santana dão tão bem, não é mesmo? – tiro um pedacinho invisível de cutícula do dedo indicador, eu estava nervosa, me custou muito fazer essa pergunta pela primeira vez, agora na segunda não se tornou mais fácil – Então... Eu queria saber até que ponto vocês se dão bem... Isto é, você ficaria com ela ou alguma coisa do tipo?
Ele ficou sério de repente e deixou de fazer carinho na minha nuca.
– Não posso acreditar que estou ouvindo essa pergunta – ele se ajeitou no sofá se distanciando alguns bons centímetros de mim – Rachel, eu esperava que a essa altura do campeonato você soubesse que eu estou com você.
– Eu sei, mas é que não é nada oficial, não é? quero dizer, não houve nenhuma pedido nem nada do tipo.
– Não é oficial o bastante nós dormirmos juntos quase todos os dias? E nos últimos meses termos feito amor um número considerável de vezes, não significa nada? E que tal você ter conhecido minha família disfuncional? Você acha que eu deixaria isso acontecer se eu não tivesse plena confiança em você? Me machuca que você não tenha essa mesma confiança em mim.
– Mas eu–
– Nada de mais – ele me interrompeu, bravo – Rachel, eu te amo. E é só com você que eu quero ficar, só com você que eu penso em ficar. Sem querer desmerecer Santana, porque ela é minha amiga e tudo mais, só que eu não poderia ter pessoa melhor no mundo que você.
Depois desse discurso eu estava boquiaberta e com o coração palpitando. Mil perguntas poderiam rondar a minha cabeça, inclusive sobre a amizade dele com Santana. Mas só uma coisa realmente vinha a minha cabeça:
– Ama?
– Claro que sim. Eu já tinha dito isso antes – ele diz sorrindo e passando a mão pela minha bochecha.
– Não disse não.
– Disse sim.
– Não disse não – eu insisto – você disse que achava que me amava.
– Ah, disse? Era porque eu não queria te assustar, mas eu já tinha certeza.
Essa foi a minha vez de beijá-lo sem aviso prévio. Mal ele tinha terminado a frase eu já tinha reduzido nossa distância à zero, colando minha boca à dele e me agarrando ao seu pescoço. O beijei como se não houvesse amanhã e só parei quando ambos estavam completamente sem ar.
– Essa é sua forma de dizer que me ama também? – ele me pergunta com a respiração entrecortada.
– Não, é essa – digo enquanto tiro a blusa pela cabeça.
Minutos depois, enquanto Carrie e Mr. Big dançam em um Mc Donalds em Paris na TV, Finn me beija deitado por cima de mim no sofá. É nesse preciso momento que Quinn resolve voltar com as compras. E se depara com toda aquela cena.
– Já vi que aquela história de tempo ao tempo ficou para trás – ela comenta – e que o vestido vai ficar para mais tarde – ela acrescenta antes de sair.
– Do que ela está falando? – Finn pergunta contra a minha boca.
– Do vestido para a minha formatura. Blaine e Sam conseguiram que seja ainda esse semestre, daqui há menos de cinco semanas.
– Sério? – ele perguntou se apoiando nos braços para se levantar alguns centímetros e me ver – Temos que comemorar.
– Podemos comemorar do jeito que estávamos fazendo ainda pouco – sugiro.
– Ah, mas o que estávamos fazendo era para a reconciliação – ele contrapõe – Fazemos a comemoração mais tarde, que tal?
– Acho ótimo – digo entrelaçando minhas pernas nas dele e me levantando alguns centímetros para voltar a beijá-lo.
Essa foi a primeira noite que Finn dormiu lá em casa. E não havia jeito melhor de estrear a minha cama, ele disse depois que fizemos amor pela terceira vez. Após nos reconciliar e comemorar a minha formatura, resolvemos brindar a vida. Foi uma noite e tanto.
– Finn, só pra relembrar, vai ser dia 23 de agosto, às 5 horas.
– Tudo bem, Rach, tudo bem. É a terceira vez que você fala – ele fala ao mesmo tempo em que me puxa para deitar em seu peito – Sei o quanto é importante para você.
– Hm, que bom. Agora eu posso dormir em paz – digo me aconchegando nele o abraçando pela cintura, fechando os olhos para mais uma tranqüila noite de sono.
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