Notas iniciais
HEEEY, guys! Tudo na paz de Jah? Hahah, eu sei que sim. Estão gostando? Isso eu não sei, mas tá :c era para eu ter colocado esse capítulo ontem de noite, mas assisti filme... Entãoooo, hoje venho até vocês com esse capítulo hu3hu3hu3, espero que vocês gostem. Boaaa Leituraa! Beijin no ombro pro recalque passar longe ;* ahushauhs zoa

Travis ficou sem reação, boquiaberto. Literalmente. Ele girou a chave que já estava na ignição, e acelerou. Ele agradeceu muito ao carro por ter pegado de primeira.

— Pelo amor de Deus — ele sussurrou. — Eu já estou chegando, tente ficar em um lugar seguro, que ninguém possa te ver — concluiu e desligou.

***

Emilly estava com medo.

Mais cedo, quando foi levar algumas coisas para guardar no porão, ela teve a sensação de que alguém estivesse observando-a. Ela se virou e por um segundo viu uma pessoa parada no topo das escadas, olhando diretamente para ela. Ela piscou duas vezes seguidas e balançou a cabeça. Quando abriu os olhos, a pessoa em que Emilly viu não estava mais lá.

Emilly fechou cuidadosamente os armários e correu até o andar de cima. Trancou a porta que dava para o porão, em seguida certificando-se de que havia realmente fechado. Ela tentou por um segundo não pensar que tivesse alguém ali dentro da casa dela.

Em um ato de impulso foi até a porta principal e verificou se estava fechada, como ela tinha feito. E sim, estava fechada. Foi à cozinha e verificou a porta francesa que dava para o jardim da casa. Esta estava aberta. Emilly fechou-a. E, só para garantir, pegou uma faca bem amolada da terceira gaveta da cozinha.

Ela foi até o telefone fixo da casa e pegou o mesmo com as duas mãos — trêmulas, mas Emilly tentou não pensar nisso. Ela repousou a faca no colo e esperou até que Travis atendesse. Para sua surpresa não demorou muito.

Depois de ter explicado a situação, colocou o telefone de volta à base. Pensou em correr para o andar de cima, mas ponderou que alguém realmente poderia estar ali. Logo desistiu da ideia. Meio relutante foi para o lavabo e se trancou lá.

A pouca luz da tarde estava refletindo no pequeno basculante e fazendo as mechas mais claras, naturais, de Emilly, reluzirem.

Ela se olhou no espelho, e observou a sua aparência. E lembrara do que Harry a dissera antes de partir no voo que o levaria para fora do país; ele abraçou-a e beijou as lágrimas que caiam pelas bochechas levemente rosadas de Emilly, logo indo para a sua boca. Deu-a um último beijo tênue. E disse-a, com tom de promessa:

— Não se preocupe querida, eu vou voltar. — Harry a dera um sorriso afetado, pois já sabia que provavelmente não voltaria.

Em seguida, ele deu um beijo em sua barriga.

O lindo filho deles, Ethan.

Emilly se recordara como foi o dia em que recebeu a notícia que estava grávida. E para logo depois descobrir que seria um menino. Um menino! Tudo o que mais Harry queria, pensou ela, agora ele não vai ao menos vê-lo nascer. Pensar nisso trouxe a verdadeira angústia à tona.

Ela só sentira isso quando perdeu o pai, aos 12 anos de idade. Tudo bem que uma criança dessa idade não tinha plena consciência do que era aquela dor. Mas ela, ainda, se lembrava o que era perder. O que era sentir uma das sensações mais dilacerantes.

Ela fechou os olhos e deixou cair mais algumas lágrimas presas. As nuvens de pensamento ruins foram se dissipando, até a campainha tocar. Ela se destrancou e correu até a porta. Abriu-a, e Travis arregalou os olhos. Ela o deu espaço e ele entrou.

— E então? — Travis começou. Ele parecia meio aflito, preocupado. Talvez.

— Eu não sei. Eu vi alguém no topo das escadas do porão.

— Vou verificar lá em cima. Algum problema quanto a isso?

— Não, tudo bem. — Quando Travis se virou, Emilly suspirou; tentando relaxar.

***

Travis subiu sem parar de pensar na conversa com o Daniel, e sem parar de pensar no que ele quis dizer com estar sendo vigiado. Talvez ele estivesse alucinado, ou sei lá. Não! Pensou Travis.

Pensar que seu amigo pode ter sido assassinado o levava a pensar o porquê. Por que fariam isso com ele?

Diante todos esses pensamentos, ele terminou de verificar todo o segundo andar. Aliviado, por não ter encontrado nada, desceu até a sala.

— Não tinha nada lá em cima.

— Ainda bem. — Um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente, Emilly acariciou sua barriga e Travis pigarreou.

— Quantos meses? — ele perguntou.

Emilly sorriu e o olhou.

— Oito meses, quase nove.

— Menino ou menina?

— Menino, Ethan.

Travis sorriu, Emilly era uma pessoa agradável.

Ele sentou-se no sofá de couro.

— Eu sempre quis ter um filho — ele comentou.

— É uma sensação maravilhosa, pode apostar.

— Quantos anos você tem?

— Quase 26, e você?

— Eu tenho 25.

Emilly estava começando a acha-lo uma boa pessoa.

— Então, me conte sobre você — ela incitou-o.

— Sobre mim? O que você quer saber?

— Sobre a sua vida. Sua história.

— Eu não tenho uma história — ele sussurrou.

— Todos nós temos uma história — Emilly disse, dando um sorriso reconfortante. Ele não pareceu convencido, então ela tomou partido: — Bom, então eu vou contar a minha história. Talvez não seja muito boa. Mas é uma história.

Travis atentou-se para o que aquela linda mulher iria começar a dizer.

— Bom, eu sempre fui criada em cidade grande. Nasci em Seattle, com sete anos me mudei para Nova York, morei por três anos lá. Até finalmente vir para Chicago, com dez anos. Meus pais sempre foram casados. Até papai adoecer quando eu tinha onze anos, foi uma época muito difícil. Tivemos recursos suficientes para buscar tratamento, os melhores médicos. Mas, infelizmente, ninguém conseguiu descobrir o que estava acontecendo com ele. E então, quando eu tinha doze anos ele veio a falecer. Fiquei pensando em como tudo era uma merda, e como a vida era injusta. Cheguei até a odiar Deus. Bom, depois de cinco anos, no auge dos meus 17, conheci Harry. Ele tinha 20 anos, eu 17. Obviamente minha mãe não aprovava. Então, logo quando fiz 18, decidi sair de casa e morar com o Harry, nós nunca nos casamos literalmente. Com 19 anos decidi iniciar uma faculdade, eu não sabia o que fazer. Depois eu decidi fazer faculdade de história. Me formei, optei por dar aulas. Eu gosto de ensinar, comecei dando aulas para o ensino médio. Foi uma ótima experiência. Mas tive de parar, por eu ter ficado grávida. Eu pretendia voltar...

— Por que você pretendia?

— Porque agora... Eu não tenho mais uma motivação.

Harry, obviamente, era a motivação.

— Você deveria buscar outras motivações — Travis opinou e ela o olhou com uma feição de dúvida. — Como o seu filho, Ethan. Você o ama. Deveria tê-lo como a motivação.

— Mas então, me diga a sua história. — Ela tornou a sorrir com cumplicidade.

— Tudo bem, vamos lá — Travis respirou fundo. — Eu sempre morei aqui em Chicago. Meus pais sempre foram casados também. Meu pai também pertencia às Forças Armadas. Minha mãe, Emma, trabalha na prefeitura da cidade. Eu tenho uma irmã mais nova do que eu, Spencer...

— Que nome bonito — comentou Emilly, com uma voz, peculiarmente, branda.

Travis lhe deu um sorriso. Emilly gesticulou para que ele continuasse.

— Então — continuou —, logo quando Spencer completou seis anos, meu pai morreu — dando um sorriso afetado ao se lembrar da ocasião, prosseguiu: — Recordo-me desse dia. Meu pai ligou para minha mãe e praticamente aos prantos disse que voltaria, e que estava tudo bem; ela ficou tranquilizada. Quando peguei o telefone me lembro de ter ficado muito feliz. Meu pai me disse, na hora de se despedir, que ele estava voltando para que nós pudéssemos jogar mais baseball. E eu amava fazer isso com ele. Mas, infelizmente, mais tarde ele foi morto com cinco tiros.

Emilly mordeu os lábios, comovida.

— Meus pêsames, Travis.

— Tudo bem, isso já faz onze anos. Por mais que nada o substitua, e eu não possa definir o quanto doeu aquilo pra mim naquela época; já passou.

— Se ele foi morto no mesmo ramo, por que decidiu segui-lo?

— Parece um pouco insensato; quer dizer, isso é muito insensato, acho que eu quis entrar na esperança de experimentar um pouco da adrenalina.

— E isso é bom?

— Penso em sair. — Travis respondeu-a de bate-pronto.

Ela entrou em um intenso devaneio. Pensando se Harry entrara pelo mesmo motivo.

Travis continuou:

— Depois da perda do meu pai, tudo começou a ficar mais difícil. Era só mamãe para nos sustentar e eu tinha de cuidar da Spencer, acredite, não era fácil. — Ela riu. — Esqueci de mencionar quando eu conheci o Harry, foi engraçado. Quer dizer, só agora que é engraçado porque antes nós quase nos batemos na escola. Bom, ele foi pegar o meu lanche. Ou pelo menos tentou, e eu não deixei. Nós discutimos e logo nos tornamos bons amigos.

— E você tinha quantos anos?

— Eu tinha dez anos e ele 14.

Emilly riu.

Um riso natural e gostoso de escutar.

A partir daí ele percebeu que qualquer coisa que eles conversassem iria ser natural.

Porque eles conversavam parecendo que se conheciam muito antes desse dia.

***

Ambos estavam totalmente entorpecidos com a conversa. Tão entorpecidos, a ponto de esquecer da hora.

Emilly só se tocou que já era tarde depois que seu estômago começou a se revirar. De fome, claro. Agora ela comia para ela e para o bebê.

Apesar da fome, a conversa estava melhor.

— Está com fome? — perguntou Emilly.

Travis sorriu e meneou com a cabeça.

— Um pouco.

— Ótimo — ela retrucou decidida, levantou em um só pique e foi até a cozinha. Abrindo a grande dispensa, perguntou para Travis: — Você gosta de macarrão?

— Gosto — respondeu-a. — Muito.

— Melhor ainda, porque eu amo macarrão!

Travis olhou para a própria bota e sorriu.

— Quer ajuda? — Travis indagou-a, já em direção da cozinha.

— Sim. Você poderia cortar os temperos?

— Sim, claro! — ele respondeu, empolgado.

Ela o passou os temperos. Travis começou a corta-los.

— Hoje eu fui conversar com Daniel Thompson — elucidou Phillips.

Emilly parou de procurar o pacote de macarrão e encarou-o. Travis não percebeu que ela estava encarando-o.

— Por quê? — inquiriu Emilly, com a voz um pouco falha.

— Muitas coisas não foram esclarecidas. — Ele deixou a frase no ar.

Emilly se sentiu pulando e pegando essa frase que estava no ar, estraçalhando-a e depois pisando nela.

— Poderia me explicar?

— Tudo está muito estranho.

— Poderia ser mais claro? — O semblante de Emilly já estava furioso.

Ele se virou, apoiando as duas mãos sobre a bancada de granito.

— Eu percebi que a carta foi sabotada. Apagaram algumas partes.

— Mas estava escrito a caneta, não tinha como apagar!

— Ahñ... Talvez. Se não existisse o corretivo.

Ela balançou a cabeça levemente de um lado para o outro, concordando.

— E o que o Daniel tem a ver com isso? — perguntou-o, apreensiva.

— Tudo, pois foi ele que me entregou a carta. Então, logo, ele seria a primeira suspeita.

Emilly arqueou uma sobrancelha meio concordando, e meio discordando.

— Como você poderia ter convicção disso? — indagou Emilly, duvidosa.

— Quando eu fui na casa dele hoje, mais cedo, e que eu quase o matei, ele me disse que estava sendo vigiado, por isso não poderia contar a verdade. Ou seja, se ele não pode contar a verdade, é porque de alguma forma ele está mentindo.

Ela suspirou de forma extenuada e ousou abrir a boca para contar algo. Mas se deteve.

— Pode falar.

Emilly decidiu não hesitar, mesmo sem muita convicção, esclareceu:

— Há, mais ou menos, dois meses atrás fizemos um jantar aqui em casa. Daniel, obviamente, foi convidado. Ao longo do jantar, Harry e Daniel trocaram olhares suspeitos. Tinham oito pessoas nesse dia, tirando eu e Harry. Me lembro de quando acabou o jantar e todos estavam se despedindo, e só estava eu, Daniel, a mulher dele e Harry...

Emilly olhou para o jardim e com isso foi longe, lembrando-se desse dia.

Ela voltou para dois meses atrás, refletindo todas as imagens em sua mente.

Enquanto Helene, esposa de Daniel, tinha ido no quintal da parte da frente para fumar seu cigarro; Emilly fora levando as louças para a pia. Ela ligou a torneira e pôde ouvir Harry e Daniel discutindo no jardim. Ela desligou a torneira e fingiu estar fazendo outra coisa na pia. Assim a discussão tomou conta de seus ouvidos:

— Eu não vou fazer isso! — Ela ouviu Harry gritar, com a voz um pouco exausta.

— Você fez algo que não poderia ter feito, ajudou quem não poderia ter ajudado — comentou Thompson em um tom firme.

— Mas eu não fiz de propósito, você sabe disso. Por mais que eu não apoie as falcatruas que vocês fazem.

Daniel riu.

— Agora, eu achava melhor você sumir do país. Quem sabe você não compra uma casa no Caribe? Com o dinheiro que foi para a sua conta seria muito mais fácil. — Daniel deu as costas para o jardim, atravessando o deque, dando a volta pela jacuzzi. Quando ele chegou na porta e encostou levemente a mão na maçaneta, finalizou baixinho: — Não se esqueça que isso poderá custar sua vida, e talvez da sua família.

Depois disso, Emilly só se lembra que Harry não conseguiu dormir naquela noite. Passara todo o tempo zanzando pela casa com um zumbi.

***

Realmente aquilo custou a vida dele. E poderia começar a custar a vida de Ethan e Emilly, pensou Travis quando fora se deitar.

Não fora à toa que Harry deixara aquela carta.

Mais tarde, ainda naquela noite, Travis acordara novamente por ter tido outro pesadelo. Aquilo já era frequente em sua vida. Traumas de guerra, ele sempre pensava nisso. Ele sempre pensava na palavra talvez. Talvez. Talvez seja traumas de guerra. Ou podem ser avisos.

Ele se virou e tentou dormir novamente, o próximo dia seria exaustivo.

Notas finais
Ainnnn, foi tão fofo esse capítulo que eu nem deixei suspense hahaha *-* vou agora terminar de escrever o capítulo 5 e só. Kisses babys :*