Notas iniciais
Hello leitores! Bem eu estou aqui para trazer um pouquinho dessa nova história "Guilty Pleasure" que irá substituir War of Hearts. Eu espero que vocês deem uma chance à essa fic como deram a tantas outras histórias minhas. E ai? Prontos para embarcar nessa nova aventura?

I've been sleepless at night

Cause I don't know how I feel

I've been waiting on you

Just to say something real

There's a light on the road and I think you know

Morning has come and I have to go

I don't know why, I don't know why

We need to break so hard

I don't know why we break so hard

(Let it all go — Birdy)

♥

Oliver Queen

Fechei bruscamente a pasta diante de mim e levei meus dedos às minhas têmporas, realizei um movimento circular a fim de me livrar daquela incomoda dor de cabeça. Girei meu pulso olhando para o relógio e verifiquei o horário, já passavam das três da manhã. Eu não deveria estar trabalhando até tão tarde, mas eu não poderia simplesmente dormir, não quando estava tão preocupado. Por isso recorri ao trabalho numa esperança vã de me manter distraído enquanto esperava, mas tudo o que consegui foi me sentir ainda mais ansioso e frustrado.

O estrondo alto da trovoada irrompeu em meus ouvidos, o clarão dos relâmpagos atravessou as persianas do meu escritório em casa, iluminando todo o cômodo, e me causando uma estranha sensação de frio na boca do estômago. Algo iria dar errado naquela madrugada, eu conseguia sentir isso. Me levantei da poltrona de uma só vez e caminhei para janela, para encarar a forte tempestade que caía lá fora.

Era um belo temporal.

Retirei o celular do meu bolso e tentei ligar para minha irmã mais uma vez. Novamente minha ligação foi direcionada para a caixa de mensagens, e eu não consegui segurar uma profusão de palavrões.

Puta merda.

Era impossível não agir como um irmão mais velho super protetor com ela, ainda mais quando Thea era toda a família que me restava. Desde a morte de nossos pais há três anos, Thea tinha passado por uma fase rebelde, abusando das festas e bebidas, e por um tempo eu fui indulgente com isso, acreditei que era o comportamento normal para uma jovem adulta, e que ela precisava de tempo e espaço para superar aquela perda do jeito dela. Além disso, eu não queria e não estava preparado para assumir as responsabilidades de um pai.

Até que um incidente infeliz me forçou a fazê-lo.

Hoje ela havia me dito que iria à festa de um amigo, e vendo a tempestade lá fora, somada a falta de resposta dela no celular, eu já estava chegando ao meu limite de preocupação. Eu sabia que não poderia colocá-la dentro de uma redoma de ouro e mantê-la segura para sempre, ela precisava de liberdade, fazer as próprias escolhas e Thea estava se esforçando para ser melhor agora, não se metia em confusão há pelo menos um ano desde o incidente. Eu assumi que ela merecia meu voto de confiança.

Mas isso não me impedia de ficar nervoso.

Eu gostava de ter controle. As coisas tendiam a dar errado quando eu não mantinha tudo na minha vida perfeitamente estruturado dentro de um plano metódico. Eu raramente saía do plano, a última vez tinha sido há cinco anos.

Eu já era um homem independente naquela época. Tinha meu próprio apartamento, meu escritório de advocacia estava ganhando nome, eu tinha uma noiva que não me dava dores de cabeça, e com a qual me casaria dali alguns poucos meses. Tudo estava devidamente dentro dos conformes.

Ou pelo menos eu pensava assim.

Também chovia naquele dia, embora fosse uma chuva bem mais branda. Eu estava atrasado para o jantar de aniversário de dezesseis anos de Thea, a festa já havia acontecido, mas meus pais insistiram em um jantar de comemoração mais íntimo entre a família e amigos queridos. Eu tive um pequeno contratempo com Laurel que não pudera ir, adicionando isso ao trânsito e aos problemas no escritório, eu estava muito atrasado.

E eu odiava estar atrasado.

Fiz a curva e entrei pelos portões da Mansão Queen, estava escuro, o vidro do carro embaçava e eu quase não percebi o vulto que estava a minha frente. A pessoa parecia ter saído do meio do nada, eu mal tive tempo de frear antes que o carro a atingisse. Eu escutei um baque e abri a porta desesperado ao ver o corpo de uma garota caído ao chão.

Não era uma garota qualquer.

Felicity Smoak.

Apenas pensar no nome dela ainda me causava uma estranha sensação.

— Felicity? Você está bem? Fale comigo! — pedi, me abaixando aos seus pés enquanto a analisava em busca de sangue ou algum ferimento aparente.

Ela era a melhor amiga da minha irmã e praticamente cresceu na minha casa. Ela morava nas proximidades, e mesmo Thea sendo pouco mais de dois anos mais nova do que ela, as duas nunca se desgrudavam. Ela costumava ter uma paixonite por mim no início da adolescência, eu sempre a pegava me olhando e quando eu a encarava ela tendia a corar violentamente e depois corria. Eu achava divertido no começo, mas tentava não me importar ou demonstrar muito, não queria alimentar as ilusões dela e sem querer quebrar o coração de uma garota tão jovem por algo tão tolo e passageiro. E, além disso, eu pensei que com o tempo ela superaria, se apaixonaria por alguém da sua idade e a vida seguiria o seu curso normal.

Não foi o que aconteceu.

Eu havia me tornado ciente dela há pouco tempo quando eu visitava meus pais e ela estava lá, mas dessa vez, era meu olhar que procurava o dela, era meu corpo que sentia uma familiar agitação na região da virilha quando ela estava na piscina, vestindo nada mais do que um minúsculo biquíni vermelho. Eu me recriminava tanto por isso, eu não era um adolescente cheio de hormônios para me se sentir dessa forma por uma garota, eu era um homem feito e ela se tornou o meu tormento particular, o qual eu passei a evitar com todas as forças.

A garota havia crescido, era impossível não notar isso agora ao ver o pequeno vestido branco molhado e grudado em seu corpo deixando muito pouco para a imaginação.

Seu corpo de menina ganhara as formas tentadoras de uma mulher.

— Eu estou bem. — ela falou, afastando minha mão com um movimento, e se levantando, apesar dos meus protestos para que ela não se mexesse.

— Tem certeza? Não está se sentindo tonta? Você está tremendo, pode estar em choque. Devemos chamar um médico ou levá-la ao hospital. — sugeri, já buscando pelo celular em meu bolso.

— Eu estou tremendo porque estou com frio, estamos debaixo da chuva, Oliver, você não notou? — Não, eu não havia notado isso. Talvez fosse a proximidade do corpo dela ao meu que me deixasse quente, talvez fosse o maldito vestido branco que se tornava cada vez mais transparente com a intensidade da chuva e prendia minha completa atenção.

— Vista isso. — Retirei meu casaco, entregando-o a ela. Felicity olhou para o casaco antes de vesti-lo e sorriu erguendo os olhos para o céu como se dissesse que meu ato era inacreditável.

— É claro que Oliver Queen, o filho perfeito não me deixaria molhada e com frio. Sempre um perfeito cavalheiro.

Aquilo era para ser um elogio, mas por que em seus lábios soava um tanto quanto depreciativo?

Me aproximei ajeitando o casaco sobre os ombros dela, me atrevendo a deslizar alguns dedos por seu colo nu, fingindo ser um toque acidental. Não me segurei e atrevi a olhar em seu rosto, apenas imaginando se encontraria a adolescente desajeitada novamente, corando pela nossa proximidade. Mas não. Não havia nenhuma adolescente, apenas uma mulher cujos olhos intensos me atraiam para ela. Era impossível de resistir, como o canto de uma sereia para um pirata.

Eram olhos tão belos.

Inocentes, que me instigavam a me aproximar, a conhecê-la, a querê-la.

Dei um passo para trás, depois de notar que inconscientemente eu havia me aproximado demais, tanto que eu sentia o gosto mentolado e quente da respiração dela que cortava o ar denso e úmido, misturando-se a minha própria, me provocando.

Eu estava brincando com fogo.

— Vamos, eu lhe dou uma carona. — ofereci, já abrindo a porta do carro para ela, ansioso para recobrar o controle de mim mesmo.

— Não precisa, estamos perto. — Ela recuou, olhando em direção a mansão Queen.

— Eu te atropelei, você pode estar em choque e eu não sou um motorista imprudente que abandona a vítima sem prestar os devidos socorros.

— Eu estou bem. — respondeu com uma leve impaciência. — E eu não sou uma vítima.

— Está chovendo e nós estamos indo para o mesmo lugar, Felicity, não se preocupe eu não mordo. — eu disse, colocando a mão na base da cintura dela, e finalizando aquela discussão tola a direcionando para dentro do meu carro.

— Apenas atropela jovens inocentes. — balbuciou.

— Eu nunca achei que você fosse uma jovem inocente. — Sorri, fechando a porta em seguida quando recebi dela um olhar questionador.

Eu havia flertando com ela. Fechei o semblante ao notar isso. O que estava acontecendo comigo? Por que estava sendo tão difícil de me controlar quando eu estava assim tão perto dela?

O caminho até a mansão Queen deveria ter sido rápido, mas foi uma verdadeira tortura. O doce cheiro dela tão perto de mim, o calor que parecia emanar do seu corpo e aquecer todo o interior do carro. Até mesmo a respiração alterada dela... Por que ela respirava pela boca deixando os lábios cheios e pintados de vermelhos entreabertos? Aquilo era um convite ou uma provocação? Não importava, tudo o que eu desejava era parar o carro e provar seus lábios em uma lenta e delicada apreciação, queria saboreá-los e descobrir se eram tão macios e deliciosos quanto pareciam.

Maldita tensão sexual que parecia dominar tudo entre nós.

Não me ajudava olhar para ela e encontrar aquele olhar convidativo, e ao mesmo tempo tão curioso em mim.

Eu só retomei um pouco do meu controle quando finalmente chegamos. Quando ela abriu a porta do carro e uma lufada de ar frio, livre do perfume de Felicity, se abateu sobre mim.

— Isso foi interessante. — Felicity disse lançando para mim um meio sorriso antes de deixar o carro.

Interessante? Longe disso.

Eu só conseguia encontrar uma palavra para definir aquilo: tortura.

Com Felicity eu me sentia como um diabético visitando a fantástica fábrica de chocolate. Ela era algo que eu queria tão desesperadamente, mas que jamais poderia ter, meu prazer proibido. Meu corpo parecia alerta e implorando para tocar o dela, mas eu sabia que não poderia.

Ela não fazia parte do meu plano.

Por isso eu a evitei durante o jantar. Eu me recriminei e elenquei várias vezes cada um dos motivos do porquê era uma péssima ideia estar atraído por ela. Felicity era muito mais jovem do que eu. A melhor amiga da minha irmã. Eu tinha uma noiva. Eu tinha um plano. Eu repeti isso durante toda a noite como um mantra, quando o jantar finalmente terminou, eu estava ansioso para voltar para o meu apartamento, para me ver livre da presença atormentadora que ela era. Eu queria a minha vida entediante de volta.

Mas a vida tinha um estranho senso de humor.

A pequena chuva de mais cedo se transformou num verdadeiro temporal. Ruas tinham sido bloqueadas por quedas de árvores, alguns locais alagaram e as autoridades solicitaram que ninguém saísse, tornando impossível que eu deixasse a casa dos meus pais.

Eu teria que dormir lá. O que não seria um grande problema se Felicity também não estivesse sob o mesmo teto que eu. Meu bom senso parecia funcionar em desacordo com o meu corpo, eu tentei não pensar nela, tentei ser racional e não deixar que meus desejos me vencessem.

Me levantei no meio da noite depois de muito revirar na cama, pretendendo descer e buscar algo forte para beber, algo que anestesiasse meus pensamentos e tirasse-a de lá. Mas encontrei meu tomento ali, no corredor do meu quarto. Nossos olhos se encontraram. Palavras não se fizeram necessárias, toda a tensão que eu fingi ignorar, toda aquela atração contra a qual lutei tão desesperadamente, caiu sobre mim. Forte. Avassaladora. Inegável.

Ela era tão jovem. E linda. Tão sedutoramente linda para mim. Eu não me controlei naquela época, eu me permiti desejá-la, eu me permiti me render à paixão e tomá-la para mim. Mesmo sabendo que não era certo. Mesmo sabendo que nada poderia resultar disso. Eu estava noivo, eu tinha responsabilidades a cumprir.

Eu não deveria sair do meu plano. Mas eu me esquecia completamente dele quando estava perto dela.

Por um tempo eu fui capaz de ignorar aquela atração, eu fingi que não era nada. Mesmo que os olhares que Felicity me lançava não tivessem nada de inocentes, ou talvez tivessem, e era eu quem me excitava apenas em ter seu olhar em mim.

Mas dessa vez eu não consegui lutar.

Eu não queria lutar.

Eu apenas a queria.

Lembrar da suavidade da sua pele sob meus dedos, da forma como Felicity havia se entregado inteiramente para mim naquela noite, como seu corpo respondera efusivamente a cada carícia minha, tímida e ao mesmo tempo curiosa e ansiosa por sentir cada nova sensação.

Eu fui o primeiro dela. E lembrar de tudo isso era algo que ainda me atormentava. Ela tinha sido um erro. Um descontrole.

Um delicioso erro.

A melhor perda de controle.

Mas ainda assim eu a dispensei na manhã seguinte.

Por mais doloroso que tenha sido ver aqueles olhos azuis risonhos se inundarem por lágrimas, que eu sabia que eram culpa minha. Eu fiz a coisa certa. Eu era um homem feito de vinte e oito anos e tinha dormido com uma garota que tinha pouco mais de dezoito.

Eu a disse que tudo foi um erro, e que eu nunca cometeria esse erro novamente. A lembrei que tinha uma noiva e vi seus olhos vacilarem, magoados. Uma das lágrimas que ela tão teimosamente segurava rolou por seu rosto morrendo em seus lábios, eu apenas desviei meu olhar me sentindo o pior dos homens e saí, deixando-a sozinha no quarto.

Eu evitei a casa dos meus pais por um tempo, até descobrir que, para minha sorte, Felicity havia partido de Starling City poucas semanas depois da nossa noite juntos. Eu me culpei achando que tinha sido por minha causa. Eu interroguei Thea muito discretamente e ela me disse vagamente que Felicity tinha ido fazer faculdade em outro estado. Eu não me permiti procurar saber mais. Havia tantas coisas entre nós, contra nós. Mas ainda assim...

Contrariando o que eu havia dito a ela eu terminei meu compromisso com Laurel. Eu não poderia continuar com aquilo depois de experimentar tanta paixão com Felicity. Como era suposto que eu me contentasse em ter uma simples satisfação sexual com Laurel naquele casamento?

Tornei a massagear as têmporas, não pela dor de cabeça, mas pela vontade de me livrar daquelas lembranças.

Deixei meu escritório e fui em direção ao bar que havia na sala de jantar, onde me servi de duas doses de whisky, virando o líquido de uma só vez e sentindo-o queimar enquanto descia por minha garganta. Eu era um fraco, sempre precisava de álcool quando meus pensamentos voltavam para aquela noite há cinco anos. Eu não entendia porque essa noite havia ficado marcada em mim, eu não retornei a ver Felicity, exceto por uma vez de longe, mas nossos caminhos nunca mais se cruzaram.

Tinha sido apenas sexo.

Excelente e excitante, mas ainda assim só sexo.

Eu sempre me dizia isso.

Eu não era tolo para me apaixonar depois de uma noite. Então, por que ela simplesmente não saía do meu sistema?

Escutei o som incessante da campainha e retesei, meus pensamentos ganhando novos rumos. Chamadas no meio da madrugada nunca significavam algo bom. Mas talvez Thea apenas tivesse esquecido a chave, já havia acontecido outras vezes. Tentei me acalmar com isso, mas meu coração se apertou, parecendo saber que algo estava errado.

Caminhei até a entrada, tentando manter as emoções sob controle.

Mas todas elas se rebelaram no instante em que eu abri a porta e me deparei com quem eu menos eu esperava. A jovem mulher que mesmo depois de tanto tempo ainda atormentava meus pensamentos.

A enxaqueca piorou.

As palavras me fugiram.

O ar me fugiu.

— Oliver? — Algo dentro de mim se quebrou ao ouvir a forma doce e ao mesmo tempo desesperada com a qual ela chamou meu nome. — Eu acho que preciso de um advogado. — Observei ainda incrédulo o rosto aterrorizado dela, e então meus olhos desceram pelo seu corpo, para o sangue que manchava sua camiseta branca — Eu acho que vou ser acusada de assassinato.

Notas finais
E aí? Curtiram...? Oliver um advogado implacável. Felicity com um sério problema e que precisa da ajuda dele para resolver. Some isso à uma única noite de amor anos atrás... Vai ter muita tensão entre esses dois! Vocês não fazem ideia do que tenho planejado para Guilty... Mas estou bem ansiosa! Enfim, deixem seus pensamentos e opiniões se quiserem, me digam se vale a pena investir em mais essa. Beijos da luna!