Guilty Pleasure
11 Capítulo 9 - Let me down gently
Notas iniciais
If you're not the one for me
Then I'll come back and bring you to your knees
If you're not the one for me
Why do I hate the idea of being free?
And if I'm not the one for you
You've gotta stop holding me the way you do
Oh, and if I'm not the one for you
Why have we been through what we have been through?
It's so cold out here in your wilderness
I want you to be my keeper
But not if you are so reckless
If you're gonna let me down, let me down gently
Don't pretend that you don't want me
Our love ain't water under the bridge
If you're gonna let me down, let me down gently
Don't pretend that you don't want me
Our love ain't water under the bridge
(Water under the bridge – cover – Sara Farrel )
♥
Felicity Smoak
Eu não conseguia dormir. Como poderia se ele ocupava cada mísero pedacinho dos meus pensamentos? Bastava eu fechar meus olhos e o via sorrindo para mim do outro lado da mesa de jantar, tocando o meu colo enquanto fingia ajeitar seu casaco sobre meus ombros porque acreditava que eu estava com frio. Eu podia até mesmo sentir o cheiro do seu perfume que parecia ter impregnado em minha pele depois de usar, ainda que por tão pouco tempo, uma peça de roupa sua. Eu detectei um tom de flerte em sua voz em alguns momentos durante aquela carona, um olhar nenhum pouco discreto que às vezes pousava em meus lábios, e em outros momentos sobre meu vestido como se pudesse ver o corpo por trás do tecido e o apreciasse.
Eu era boa em perceber os sinais de interesses dos garotos, um olhar mais significativo, um sorriso mais malicioso. Mas Oliver Queen não era um garoto. Longe disso. Ele era um homem feito e jogava por outras regras. Eu não as conhecia, eu provavelmente estava sonhando alto demais com a mera possibilidade de ele ter qualquer interesse por mim. Eu sequer sabia se realmente havia algum jogo por trás daquele olhar firme e intenso que era capaz de me deixar com pernas trêmulas, mas eu queria jogá-lo.
Queria ser uma opção para ele naquele jogo.
Mas eu não era.
— Ele tem uma noiva. – eu falei baixinho, apenas para me lembrar daquela verdade. Não fazia sentido eu seguir naquela paixonite por muito mais tempo. O que eu esperava que acontecesse? Oliver terminaria com Laurel e se descobriria completamente apaixonado por mim? Eu podia ser jovem e até mesmo um pouquinho sonhadora, mas eu não era estúpida para ver a verdade jogada na minha cara. – Eles vão se casar, Felicity! – coloquei-me sentada de uma só vez, sentindo uma pontada no meu coração. Eu passaria o resto da minha vida visitando os Queens e vendo a maravilhosa e perfeita família que Oliver construiria com Laurel? Eu estaria presente no casamento, conheceria seus filhos e... Meu estômago embrulhou só de pensar.
Eu precisava acabar com essa paixonite ou eu só sofreria ainda mais com o tempo. Mas como? Ergui-me da cama suavemente e andei pelo quarto na ponta dos pés, embora não fosse necessário. Thea seguia dormindo e se o som de um trovão não a acordava não seria meus passos que o que fariam. A chuva ainda era forte lá fora, eu conseguia escutá-la batendo violentamente contra as janelas do quarto de Thea, eu sabia que a tempestade ainda estava furiosa, mas eu não me importava. Eu precisava de um táxi, ou talvez ligar para os meus pais e implorar para que me buscassem. Inferno! Eu iria a pé se fosse necessário! Um pouco de chuva seria bom para clarear meus pensamentos. E eu não conseguiria dormir debaixo do mesmo teto que Oliver tendo todos esses pensamentos, eu iria enlouquecer.
Eu precisava começar a me afastar.
Thea me odiaria por isso.
Ainda no escuro troquei o pijama emprestado de Thea pelo vestido branco que eu usei no jantar de seu aniversário. Optei por não calçar os sapatos de saltos os deixando para trás, fechei a porta o mais silenciosamente que consegui e segui descalço nas pontas dos pés para fora do quarto. Eu ligaria para os meus pais quando chegasse ao andar debaixo.
— Tentando escapulir no meio da noite? — Aquela voz. Apenas aquela voz já fez meu coração acelerar e não era por ter sido pega. Era porque era ele, e esse era sempre o seu efeito sobre mim. Ergui meu olhar na direção de um Oliver encostado de modo displicente na parede ao lado da porta do seu quarto.
A luz que saía da porta aberta do seu quarto me dava uma visão perfeita dele, usando uma calça de pijama folgada e uma camiseta branca que era justa demais para a minha sanidade, delineando o seu torso firme e musculoso, deixando seus braços fortes desnudos.
Eu imediatamente senti meu corpo reagir ao efeito de estar tão perto dele, e então ele me olhou e esse foi meu fim. Porque ele não apenas me olhou, eu estaria bem se ele apenas tivesse me olhado. Oliver me avaliou, os olhos subindo por minhas pernas, passando pelas curvas do meu corpo, gastando um tempo em minha boca e terminando em meus olhos, onde se prenderam e não mais saíram.
Seus olhos conversavam com os meus.
Diziam-me as coisas as quais eu não me atrevia a acreditar.
Eu não poderia estar imaginando aquela tensão pairando sobre nós, ou poderia? Eu comecei a senti-la há algum tempo. Começou com os olhares que pareciam dizer mais do que palavras, de repente eram pequenos toques ocasionais e que faziam toda a minha pele se arrepiar, sorrisos tão lindos que sempre faziam meu coração ir mais rápido e eu me atrevia a sonhar.
E tudo havia explodido naquela carona no carro.
Seu cheiro, seu calor, seus olhos. Tudo nele me atraía, tudo me instigava para ele. Mesmo agora, tudo o que eu era ciente era de Oliver e seu pequeno sorriso torto a minha frente a tão poucos passos.
Eu queria desesperadamente me aproximar, queria que seu sorriso se tornasse maior incentivando-me e até mesmo provocando-me. Queria seus braços abertos esperando por mim, queria que eles me envolvessem e quando eu estivesse presa no calor dos seus braços, eu iria erguer meu rosto e encontrar seus lábios macios prontos para serem beijados. Eu iria morrer e renascer naquele beijo, eu iria... Oh, merda! Lá estava eu fantasiando todo um jogo de sedução com Oliver Queen. Quando eu iria aprender que ele não era meu?
Me concentrei em responder sua pergunta e forcei um sorriso para disfarçar o momento em que me perdi em pensamentos e sonhos impossíveis sobre ele.
— Eu não estava tentando escapulir — menti. — Eu só queria ir ao banheiro. — acrescentei a nova mentira, quando a verdade era que eu simplesmente não conseguia dormir porque ficava pensando demais nele. — E você? A tempestade lá fora não o deixou dormir? – joguei de volta a questão para ele e me encostei à parede do outro lado do corredor, era bom ter um lugar firme para me apoiar, longe o suficiente.
— Digamos que é um tipo diferente de tempestade que não me deixa dormir. – ele me encarou por um tempo longo demais — Muitos pensamentos perturbadores. – Havia muito mais em suas palavras, eu lia isso em sua linguagem corporal, no modo como ele levou uma das mãos aos cabelos bagunçando-os de leve, a expiração longa e frustrante que deixou seus lábios e o modo como ele balançou a cabeça tentando expulsar um pensamento que se recusava a ir embora. Quando seu olhar pousou novamente sobre o meu, novamente nós conversamos além das palavras, eu o entendi tão perfeitamente. Porque assim como ele eu também tinha pensamentos que atormentavam e me impediam de dormir.
Cada um tinha sua própria tempestade particular.
A minha era ele. Qual seria a dele?
— Eu espero que esses pensamentos parem de te perturbar, que a tempestade se torne apenas uma garoa fina. – fui sincera, porque eu mesma desejava isso para mim. E mesmo que eu nunca o tivesse, que eu nunca pudesse chamá-lo de meu, eu sempre iria desejar algo bom para Oliver. Não é todo o ponto de amar? Colocar a felicidade do outro acima da própria mesmo que isso o machuque?
— Algo me diz que isso não vai acontecer. – ele me fitava de um modo diferente dessa vez, havia algo em seu olhar chamando-me, convidando-me a me aproximar — Na verdade, eu acho que eles vão ficar ainda piores depois de hoje, mas eu meio que não me importo mais. Talvez eu deva apenas e deixar que a tempestade me molhe. Há um certo prazer em alimentar o tormento.
Não o compreendi, mas não importava. Eu precisava encontrar um modo de tirá-lo do meu sistema, de não mais me deixar envolver.
— Eu vou ao banheiro. – me afastei seguindo em frente, porque tudo o que eu queria era me aproximar.
— Felicity? – eu sequer tinha dado um passo e parei assim que escutei sua voz, me sentindo estranhamente ansiosa — Você está indo para o lado errado. — ele apontou com um sorriso divertido nos lábios. Oh, merda! Havia algo quando ele sorria que fazia todo meu cérebro virar gelatina. Era o modo como o canto de seus lábios se erguiam vagarosamente e como todo o seu rosto se iluminava com aquele simples ato, como o azul dos seus olhos parecia mais suave como uma lagoa calma ao invés de um mar escuro e revoltoso.
E principalmente, eu amava saber que eu era a razão do seu sorriso, ainda que fosse por algo tolo como agora. Eu deixaria meu coração levar essa, mesmo que fosse uma terrível ilusão, era justo, uma vez que eu tinha tão pouco dele. E como Oliver me dissera a pouco? Havia um certo prazer em alimentar o tormento.
— Tem razão. — girei meus pés indo para a direção oposta, sentindo seu olhar ainda me seguir enquanto eu fazia meu novo caminho.
— Felicity? – ele ainda sorria.
Eu amava seu sorriso.
Amava meu nome em sua boca.
Joguei meus cabelos por sobre o ombro e o fitei, sorrindo de volta.
— Sim, Oliver? – esperei.
— Tenha uma boa noite. — eu apenas concordei, ainda sentindo seus olhos em mim enquanto eu andava, percebendo que eles desceram um pouco mais abaixo do que era convencional. Aquilo era cobiça o que eu via nos olhos de Oliver Queen? Parei e o encarei, ele pareceu um pouco envergonhado por ter sido pego me conferindo. Eu definitivamente não estava fantasiando aquilo. Mas então o que eu faria sobre isso?
Nada.
Eu iria voltar para o quarto de Thea, me deitar naquela cama e manter meus olhos fechados enquanto meus pensamentos iriam ficar em Oliver, revivendo cada frase trocada, cada olhar que eu esperava que pudesse ser mais.
E só.
Havia uma sensação que me dizia que eu seria platonicamente apaixonada por Oliver Queen pelo resto da minha vida. Que eu sempre me perguntaria qual o gosto dos seus lábios e a sensação de ter suas mãos em mim, eu teria que vê-lo se casar com Laurel em poucos meses, construir uma família com ela e nunca saberia o que realmente havia em sua mente quando ele me olhava daquela forma, eu nunca saberia o sabor dos seus lábios ou teria mais de seu toque.
Nunca.
Ele sempre seria o meu primeiro amor.
Eu sempre o amaria.
E ele nunca saberia.
E eu nunca teria nada dele.
Comecei a sentir raiva. Raiva do meu coração por ser um tolo que se apaixonara pelo irmão mais velho da melhor amiga. Raiva de Oliver por ter uma noiva e todo um maldito futuro planejado e que não me incluía. E principalmente raiva da vida e do maldito destino que conspiraram juntos e me colocaram naquela posição de querer alguém que nunca poderia ser meu.
Nunca.
A raiva me moveu no princípio, dando-me o impulso de que eu precisava e fazendo-me dar passos até estar de frente para ele, e então ela se fora. Eu o olhei, realmente olhei para aquele homem que era a minha tempestade particular e atormentava meus sonhos e fantasias. Para o homem que tão desesperadamente meu coração queria chamar de seu.
— Oliver? – disse seu nome ainda um pouco hesitante, ainda sem saber se eu teria coragem de ir até o fim. Mas no final eu descobri que não era sobre coragem, era apenas sobre mim, sobre não viver o resto da minha vida num interminável me perguntando E se? — Esse é o meu muito obrigada pela carona. – fitei seus olhos gostando da confusão que vi neles enquanto eu diminuía ainda mais a distância. Me coloquei nas pontas dos pés e deixei que meus lábios pousassem sobre os dele sugando-os levemente. Eu disse a mim mesma que seria somente um roçar leve, eu apenas queria saber se o gosto era tão bom quanto eu imaginava, queria algo verdadeiro para dar ao meu coração. Eu tinha consciência de que jamais teria nada de Oliver Queen, que eu nunca o chamaria de meu. Então eu decidi trapacear e roubar aquele beijo para mim, para que eu pudesse visitá-lo e apenas aquecer meu coração com a lembrança sempre que eu o visse tão inalcançável ao lado de sua noiva perfeita. Seria um beijo singelo e até mesmo inocente, apenas para que eu guardasse em minha memória. Seria pouco.
Mas seria meu.
No instante em que meus lábios tocaram os dele, suaves e um pouco temerosos de sua reação, mas ainda assim tão determinados a ter esse beijo a inocência foi para o inferno.
Eu não esperava e muito menos sabia lidar com o gemido rouco que deixou a boca dele quando eu afastei a minha, não esperava pela língua faminta que adentrou na minha me consumindo e exigindo mais. Muito mais. E definitivamente não esperava pelas mãos possessivas que rodearam a minha cintura e apertaram-se junto ao seu corpo me impedindo de correr, não que eu quisesse ir para algum lugar além dos seus braços. Ele me segurou firmemente e então me girou, trocando nossas posições. A pressão do seu corpo no meu aumentou ainda mais, prendendo-me contra a parede, fazendo-me sentir cada contorno do seu corpo pressionado no meu. Seu beijo se aprofundou e eu quase não consegui acompanhar o ritmo urgente, a necessidade desesperadora que parecia nos consumir. Houve um momento em que esqueci de respirar, e precisei me afastar apenas um pouco e buscar um pouco de ar. Nesse instante nossos olhos tiveram um momento para si, para conversarem e perceberem que ambos queriam aquilo.
Oliver sorriu para mim, um sorriso único e especial.
Aquele sorriso era meu.
Apenas meu.
Eu me lembro de me colocar na ponta dos pés novamente, enlaçar seu pescoço e afundar meus dedos em seus cabelos macios enquanto puxava sua boca e tomando aquele lindo sorriso para mim. Eu não queria que aquele beijo terminasse.
Jamais.
— O que eu estou fazendo com você? — Oliver perguntou a si mesmo, um pequeno lapso de consciência.
— Me beijando... — respondi, o puxando novamente para os meus lábios, me negando a abrir mão dele, agora que eu o tinha.
— Felicity! Espere. – Para a minha tristeza ele afastou sua boca da minha e eu pensei que fosse o fim. Eu fui tola, acreditei que pudesse ter apenas um beijo seu e que seria suficiente, mas nunca seria o suficiente. Eu estava pronta para vê-lo se afastar, mesmo meu coração já doía em antecipação. Mas quando senti sua mão se colocando ao redor do meu rosto, seus dedos acariciando tão carinhosamente, eu fechei meus olhos e me permiti um momento para fingir que ele me amava também – Por favor, olhe para mim — pediu com a voz entrecortada por sua respiração ofegante, mas ainda assim inesperadamente doce. Ergui meus olhos para o azul dos seus, eu via a luta interna que ele travava, mas eu também vi o quanto Oliver me queria. – O que eu faço com você, Felicity?
Me ame? Quis dizer, mas seria pedir demais.
— O que você quiser. – seu olhar se prendeu no meu deixado a expectativa no ar enquanto testava a firmeza da minha decisão, seu olhar se prendeu no meu deixado a expectativa no ar enquanto testava a firmeza da minha decisão, por um minuto ninguém se atreveu a respirar. Quando sua resposta veio, foi numa voz rouca e decidida.
— Eu quero tudo.
E me beijou novamente.
Eu já tinha achado o primeiro beijo de tirar o fôlego, mas o segundo? Ele foi sem nenhuma contenção ou restrição, foi a mais simples e pura entrega. Nós apenas sentíamos algo e deixamos que esse sentimento nos mostrasse o caminho, sem mais reprimir.
Seus lábios moldaram-se aos meus, exigindo mais e mais. Suas mãos percorreram meu corpo, reivindicando sua posse por onde passavam. Meus pés se moveram junto com os dele enquanto andávamos. Eu não era muito ciente de nada ao nosso redor, mas eu escutei a porta do quarto ser batida com força enquanto Oliver seguia me beijando com a mesma intensidade.
Mãos se colocaram sobre meus ombros, e de repente eu estava sendo girada, meu corpo ficando de costas para o seu, suas mãos espalmaram em minha barriga puxando meu corpo para o seu, não deixando espaço entre eles. Senti saudades dos seus lábios, mas não por muito tempo. Oliver afastava meus cabelos para os lados, e sua boca quente se pressionou em minha nuca, lábios e línguas comprometidos em uma carícia que fez meu corpo amolecer de prazer. Os senti descer, seguindo a linha da coluna, suas mãos por outro lado, fizeram o caminho inverso e subiram encontrando-se com o zíper do vestido.
Eu sabia o que aconteceria a seguir, Oliver deslizaria meu zíper e eu ficaria quase nua a sua frente. Eu pensei que seria rápido, e que logo voltaríamos a urgência do beijo.
Ledo engano.
Em cada toque de Oliver havia algo mais, eu não sabia identificar o que era, mas eu o sentia. Sim, sua mão se colocou em meu zíper, e sim, ele o deslizou para baixo. Mas o movimento foi lento e acompanhado por seus lábios que desceram sensualmente por cada novo pedaço de pele que se revelou.
A espera foi deliciosa.
E então o vestido caiu ao chão, me deixando apenas com minha calcinha.
Eu não me virei de imediato, tampouco Oliver o fez. Seu corpo apenas se pressionou no meu, sua boca se concentrando em beijar e sugar a curva do meu pescoço, a barba por fazer arranhando a pele. E suas mãos! Oh Deus! Suas mãos eram minha perdição seguiam livres por minha barriga e estavam em meus seios, tocando, explorando e conhecendo. Senti dedos descendo por dentro da pequena calcinha que usava. Seu toque era suave, uma simples carícia sobre o ponto mais sensível, mas Oliver sabia exatamente o que fazia, sabia exatamente o que faria comigo. Eu nunca me senti tão excitada, nada em meus pensamentos sobre sexo haviam me preparado para a enxurrada de sensações que Oliver despertava em mim. Me contorci contra seu corpo, sons que eu jamais pensei ser capaz de fazer saíram de meus lábios. Pensei que fosse me desfazer ali mesmo em seus braços, mas Oliver parou.
Eu entendi o jogo.
O próximo passo teria que ser meu.
Não pensei, apenas girei em seus braços encontrando em seus olhos o fogo que eu tinha certeza era reflexo dos meus. Minhas mãos tremiam um pouco quando encontraram a barra da camiseta e a levantei tirando-a por cima da cabeça de Oliver. Eu queria saber ser como ele, queria saber onde e como tocá-lo, queria que meu toque o fizesse sentir como ele me fazia sentir.
Espalmei as mãos em seu peitoral, descendo-as pelo torso vagarosamente, deixei que elas tomassem o caminho que desejassem, conhecendo cada um dos seus contornos, gravando-os pelo tato, enquanto meus olhos seguiam fiéis junto aos de Oliver, observando suas reações, sua respiração acelerada, seu olhar quente e até certo ponto provocante, guardando-as naquele pedacinho do meu coração que sempre se recordaria desse momento.
Que saberia que apenas eu, era a dona dessas reações.
Quando minhas mãos chegaram ao cós da calça, Oliver ergueu uma das sobrancelhas num misto de dúvida e desafio e eu apenas sorri, enquanto me abaixava e levava o tecido para o chão comigo. Ele chutou a calça pelos pés, mas eu não me ergui. Ao invés disso eu o toquei por cima da cueca, sentindo o calor e a rigidez crescente, Oliver grunhiu e senti seu membro pulsar sobre minhas mãos. Ergui meus olhos para cima o encarando nervosa e incerta do que fazer.
Por mais fogo que houvesse em seus olhos, por maior que fosse seu desejo por mim, havia também uma doçura ali, eu a notei quando ele ofereceu uma das mãos para mim, coloquei a minha sobre a dele e me ergui ficando de frente para ele, mais do que isso ficando presa em seus olhos dos quais eu já não conseguia mais me esconder.
Eu sabia o que Oliver estava vendo em mim.
Desejo. Medo. Amor.
Desviei o olhar para baixo, temendo ainda mais que o último sentimento o assustasse e o fizesse se afastar. Mas se havia algo que Oliver estava fazendo esta noite, era me surpreender. Dedos se colocaram gentilmente em meu queixo o erguendo, encontrei seu pequeno sorriso me acalmando.
— Fique calma. – até mesmo sua voz tinha poder sobre mim. – Não há porque ter medo, não há porque apressarmos nada, vamos apenas seguir o que estamos sentindo, certo? – assenti, sentindo seus lábios se pressionarem nos meus em um beijo mais suave.
Deixei minhas mãos enlaçá-lo pelo pescoço as pontas dos dedos brincando com seus cabelos enquanto o beijo se aprofundava, e exprimi um pequeno “oh” ao sentir as mãos de Oliver em minhas coxas enquanto ele me erguia para seu colo e nos levou a poucos passos para a cama.
Ele se sentou comigo ainda em seu colo, minhas pernas ao redor de seu torso, meus seios roçando a pele de seu peitoral, suas mãos em minhas deslizando pela extensão das minhas costas. Havia algo de íntimo não apenas na posição que deixava cada parte do meu corpo pressionada na dele, mas na forma em que apenas nos beijávamos sem pressa, que nossos corpos se movimentavam vagarosamente apenas atiçando um ao outro. Como se aquele momento não fosse para ceder desesperadamente ao desejo, mas sim conhecer um ao outro, apreciar lentamente o que fazíamos dando a cada pequeno gesto maior significado e emoção. Era hora de domar os sentimentos obrigando-os a seguir o ritmo que nossos corações queriam.
Uma das mãos de Oliver deixou minhas costas passando para frente e acariciando meus seios, senti o bico enrijecer enquanto Oliver brincava com ele eu seus dedos, o beijo que a essa altura não era mais do que a mistura de duas respirações ofegantes, mas ainda assim, quando sua boca fez menção de se afastar da minha eu protestei, seguindo-a, querendo-a de volta na minha onde era o seu lugar.
— Espere, — pediu com cuidado — você vai gostar disso, Felicity. – disse, parando minha caça por sua boca. E então Oliver desceu o rosto até o meus seios colocando um deles no calor úmido da sua boca e sugando-o. Eu não imaginava que seria assim, não esperava que cada parte do meu corpo se rendesse tão facilmente para Oliver, e nunca nem em meus sonhos eu pensei que ele pudesse me fazer sentir tão bem.
— Tem razão, eu gosto disso. – confessei, minhas mãos indo para seus cabelos macios, desejando que sua boca fosse minha, para que eu pudesse tê-la sempre para mim, em toda parte.
— Tem mais. – sorriu, voltando para o seio, dessa vez apenas para raspar seus dentes, a língua brincando com o bico já sensível. Instintivamente movimentei-me sobre ele, aumentando a fricção e enlouquecendo com a todas as sensações, eu sabia que não era a única uma vez que os gemidos de Oliver ficavam cada vez mais audíveis – Por Deus, Felicity! O que está fazendo comigo? – me perguntou seriamente.
— O que você está fazendo comigo, Oliver? – devolvi, porque eu apenas estava correspondendo ao que ele fazia comigo.
— Eu não sei, só sei que quero mais. – Oliver tombou para trás, meu corpo caindo por cima do seu. Sua boca insaciável tomando tudo de mim naquele beijo que marcava mais do que o desejo, mas a rendição de nós dois à ele.
Parei o beijo por um momento me dando conta da vantagem da posição em que eu estava.
— Eu acho que gosto assim. – falei, deslizando as mãos por seu torso, sentindo o pênis de Oliver quente e latejando embaixo de mim.
— Claro que gosta. – ele riu, e eu gostei do modo natural com que suas mãos deslizavam por minhas coxas, gostei de vê-lo relaxado e do sorriso que havia em seus lábios – E eu também gosto – ele piscou, havia mais do que malícia em seu tom de voz, ela me pareceu quase sonhadora — Mas hoje não. – eu nem tive tempo de pensar em suas palavras, uma vez que eu era girada e logo em seguida meu corpo estava embaixo do seu. – Temos muito a experimentar.
Pensei que ele fosse me beijar, mas sua boca parou centímetros da minha, vi o sorriso sem vergonha que se formou antes dele mover o copo para baixo, e então mais para baixo.
Bem mais para baixo.
— Oliver? – chamei seu nome, a imagem da sua cabeça entre minhas pernas, seus dedos enganchados ao redor da minha calcinha, era erótica demais, e não me deixava pensar muito.
— Apenas aproveite, Felicity. – Sorriu e questão de segundos depois eu já não tinha mais minha calcinha. Eu não estava preparada para aquela sensação, apenas a respiração quente respiração quente no meio das minhas pernas, já estava me causando calor.
Oliver não teve pressa, muito ao contrário parecia concentrado em cada pequeno detalhe, não querendo que eu perdesse nenhuma parte. Primeiro eu senti seus beijos no interior das minhas coxas, a barba o seguindo, arranhando a pele e a mistura da doçura de seu beijo com a rudez dos seus pelos parecia ainda mais perfeito. Depois senti leves chupões na região da virilha, um de seus dedos escorregando em meu sexo já úmido, apenas aumentando a excitação. Quando senti sua língua em mim, molhada e quente, deslizando e provando, atiçando e arrancando suspiros e gemidos de mim, eu pensei que fosse atingir meu limite. Eu não fazia ideia do quanto de prazer alguém poderia sentir, mas Oliver me mostrou que ainda havia mais. Senti um dos seus dedos deslizar para dentro de mim, e sua boca começou a sugar meu ponto mais sensível.
Eu me perdi em sensações.
Eu me desfiz.
Em sua boca, eu seus dedos. Eu me lembro vagamente de gemer o nome de Oliver, me lembro do seu corpo voltando para cima do meu e de seus beijos lentos em meu pescoço, da pressão gostosa de suas mãos apertando a minha cintura, eu ainda estava atordoada, mas não o suficiente para não correspondê-lo, ao contrário, aos poucos senti meu corpo embaixo do seu exigindo mais, minhas mãos se colocaram em suas costas puxando-o desesperadamente para mim, era como se eu nunca fosse tê-lo perto o suficiente. Como se a distância fosse o que me sufocasse.
Procurei por sua boca, e iniciei o beijo dessa vez, tentando demonstrar por meus atos o que eu queria dele.
Eu sentia seu pênis apenas roçando o meu sexo e ainda coberto pelo tecido elástico da cueca, e eu queria mais. Eu estava pronta para dar tudo de mim à ele, eu queria desesperadamente dar tudo de mim à Oliver.
Mas eu também queria tudo dele de volta.
Oliver me daria tudo si?
Ele pareceu ler a pergunta em meus olhos e se afastou, deixando a cama. Me sentei ainda tonta, olhando-o de pé, me perguntando se o havia assustado o suficiente para fazê-lo ir embora. Meu medo não durou muito, Oliver apenas retirou sua cueca, sua visão completamente excitado me impediu de pensar ou sentir qualquer outra coisa, era impossível não olhar, não imaginar como... E então ele pegou um preservativo de dentro da gaveta da mesinha ao lado da cama, rasgou a embalagem, e vagarosamente começou a deslizar por sua extensão.
Eu queria tê-lo feito. Como se lesse meus pensamentos, Oliver riu e balançou a cabeça, e então voltou para a cama.
Voltou para mim.
— Adorável. — seus dedos tocaram minhas bochechas, eu sabia que deveria estar com as bochechas vermelhas. Sua boca voltou para minha, e calmamente nossos corpos caíram de volta para a cama.
Não havia mais barreiras.
Eu sentia cada parte de Oliver em mim, ele dividia sua respiração comigo, seu coração estava ligado ao meu tão próximo e o meu batendo rapidamente na mesma sintonia. Uma das mãos de Oliver deslizou no meio de minhas pernas, excitando-me e alinhando-o melhor. Senti seu pênis pulsar na entrada do meu sexo, em poucos minutos nossos corpos também se pertenceriam, me deixando preocupada com um pequeno detalhe que eu ainda não havia contado a Oliver.
— Oliver, eu nunca... – não sabia como terminar aquela frase sem parecer uma garota tola.
— Eu imaginei. – havia carinho em sua voz e ternura na suavidade de seu toque sobre meus cabelos, que ele deliberadamente espalhava sobre o travesseiro — Você quer parar? – olhei em seus olhos, e vi o quanto custava para ele me perguntar isso. Mas eu também sabia que poderia dizer um sim, que Oliver faria a minha vontade.
— Nunca. – confessei, sabendo o quanto dos meus sentimentos eu revelava com aquela única palavra.
Seus lábios cobriram os meus, e moveram-se ainda mais ternos do que um dia pensei que um beijo pudesse ser. Poderia um beijo me fazer amá-lo ainda mais? Eu tinha certeza que sim.
Oliver começou a se mover sem me penetrar, apenas causando uma fricção deliciosa enquanto eu o sentia me estimular, uma das suas mãos segurou em minha coxa, erguendo-a a perna um pouco para cima. E a outra encontrou a minha mão e entrelaçou nossos dedos. Oliver afastou sua boca da minha, seus olhos se perderam nos meus, novamente conversando com eles.
— Você não faz ideia de quantas vezes eu... – eu nunca soube do que eu não fazia ideia, Oliver fechou os olhos e pressionou os lábios nos meus. Sua língua não era afoita e desesperada, ela deslizava sobre a minha absorvendo o gosto, seu lábios sugavam e puxavam os meus num beijo terrivelmente sensual e ao mesmo doce. Eu nunca imaginei que pudesse existir um beijo assim, um misto perfeito dos dois mundo o inferno e o paraíso, mas o de Oliver era.
— Oliver? – chamei seu nome entre o beijo – Eu estou pronta. – falei ainda sem fôlego. Querendo-o.
— Tem certeza? — ele me fitou, a dúvida ainda estava em seus olhos e percebi algo mais que ele lutava para esconder, medo.
— Sim, você é minha única certeza. – deixei escapar, me retraindo, pensando que isso talvez o fizesse se afastar, mas não. Minhas palavras o fizeram sorrir, seus olhos pareciam agradecidos, mas eu não tinha muita certeza.
— Felicity, você é minha... – novamente o restante da frase se perdeu quando seus lábios se perderam nos meus sugando completamente meu ar e Oliver empurrou para frente, abafei um pequeno som em sua boca mordendo seu lábio e ele imediatamente parou. – Te machuquei? – Ele estava tenso, havia aflição em seu rosto, em seu tom de voz e em seus olhos. Ele estava pronto para parar, por isso ondulei meu corpo embaixo do seu fazendo-o entrar um pouco mais fundo e fechei meus olhos enquanto um arfar deixou meus lábios. Oliver entendeu o que eu queria e continuou a se mover junto comigo, até que eu o tivesse completamente dentro de mim.
— Você me disse para não ter medo, para não apressarmos nada, vamos apenas seguir o que estamos sentindo, certo? – pedi por sua reafirmação, levando minha mão para o seu rosto.
— Certo. – ele apenas roçou os lábios nos meus – me diga quando estiver pronta.
Ficamos assim por um momento. Eu me acostumando a sensação de tê-lo dentro de mim, e Oliver apenas me acalmando com suas carícias, beijos em meu pescoço, mãos que acariciavam meu clitóris. Ondulei meu corpo debaixo do dele novamente quando estava pronta para continuarmos.
Mesmo assim ele foi devagar.
Ele entrava e saia de mim, mas seus movimentos eram gentis e lentos, novamente não havia pressa para se amar, nós fazíamos isso no nosso próprio tempo, provando e descobrindo como sexo funcionava para nós dois. Eu pude sentir meu amor por ele crescer ainda mais enquanto dividíamos um com outro uma parte tão íntima de nós, enquanto nossos olhos conversavam um com outro sem que houvesse necessidade de falar.
E aos poucos a necessidade foi se tornando maior, mais urgente.
Os movimentos foram mais rápidos, meu corpo e o dele exigiram isso e nós apenas nos rendemos a paixão. Ainda assim, não deixou de ser doce, mesmo que Oliver me penetrasse cada vez mais fundo e mais rápido, mesmo que houvesse mais urgência em nosso beijo e sensualidade em cada toque. Havia também suavidade em sua mão entrelaçada a minha, doçura nas palavras ainda que incompreensíveis que dissemos um ao outro entre os beijos, e ainda melhor do que isso, quando olhei em seus olhos, eu vi amor.
Amor.
Não meu amor por Oliver.
Nosso amor.
Eu o vi nascer.
— Oliver, eu a... – olhei em seus olhos, eu quis tão desesperadamente dizer as três palavras, elas vieram a ponta da língua, mas não saíram porque nesse exato momento, Oliver me roubou de mim mesma, me puxando para uma tempestade de sentimentos e sensações, emoções e prazer. Eu escutei meu nome deixar os lábios dele várias vezes num gemido rouco quando ele entrava na mesma tempestade que eu.
Minha primeira vez foi ainda mais especial do que eu sonhava. Não, não havia luzes de velas pelo quarto ou pétalas de rosas espalhadas pela cama, não houve champanhe ou morangos cobertos com chocolates e não estávamos em um quarto de hotel luxuoso.
Mas foi com Oliver.
Nossas mãos ainda estava unidas.
Nossos corações estavam juntos batendo na mesma sintonia.
Não podia ser mais especial do que isso.
— Linda.— sua boca secou a lágrima que escorreu pelo meu olho quando o orgasmo começou a se dissipar e as emoções tomavam conta de mim, eu tinha certeza que nunca eu havia me sentido tão feliz e completa em toda a minha vida, apertei o corpo de Oliver o abraçando-o e silenciosamente agradecendo-o por este presente.
Tudo o que eu queria de Oliver Queen era ele fosse meu.
E depois dessa noite, ele era.
Senti seus lábios deixando um beijo em minha testa suavemente, e então ele se afastou, meu corpo sentiu frio sem sua presença, mas eu não me preocupei com onde ele estava indo, porque Oliver Queen era meu.
Meu.
Ele voltaria para mim.
E ele voltou, apagou a luz, deitou-se ao meu lado e puxou o meu corpo para o seu, que se acomodou facilmente, como se tivesse sido moldado para se encaixar no dele. Fechei meus olhos por um momento era impossível mantê-los aberto por muito tempo, eu estava cansada e tinha Oliver deslizando seus dedos subindo e descendo por meus braços, tinha sua boca beijando suavemente meus cabelos e sua respiração fluida e quente em meu ouvido.
Eu o tinha para mim.
Eu pressenti que tudo seria diferente depois dessa noite.
Mantive meus olhos fechados, deixei as lembranças embalarem meu sono.
Minutos depois eu acordei sentindo um aperto no peito, a sensação de que algo estava errado gritava dentro de mim. Gire-me buscando pelo corpo de Oliver que já não estava ao meu lado. Eu queria abraçá-lo e beijá-lo milhares de vezes, queria colocar a mão sobre o seu coração e sentir que éramos um só outra vez.
Sentir que tudo estava certo.
Mas ele não estava ao meu lado, como poderia ser certo?
Sentei-me a cama, meus olhos varrendo a penumbra do quarto, eu apenas escutava o barulho da tempestade do lado de fora que ainda batia violentamente contra a janela. Engraçado, enquanto eu estava nos braços de Oliver eu sequer a havia escutado... Estiquei a mão para interruptor próximo a cama, já pensando em me levantar e procurar por Oliver, mas assim que o fiz a imagem dele se impôs a minha frente. Oliver estava completamente vestido e de costas para mim, encarando a chuva por uma das janelas do seu quarto.
— Oliver? – o chamei, mas não houve resposta. Aquele era meu prelúdio de que algo estava errado.
Enrolei-me nos lençóis, e me ergui indo até ele. Querendo descobrir o que estava errado, querendo ajuda-lo. Tentei tocá-lo, mas sua mão se afastou da minha quando o fiz e ele cruzou seus braços.
Deixando-a inalcançável.
Aquilo não estava certo.
— Por que deixou a cama? – perguntei, tentando não mostrar o quanto estava magoada.
— Felicity... – havia hesitação em seu tom e... Dor em sua voz...? Por que havia dor em sua voz ao dizer meu nome? Eu não compreendi. — Foi um erro. – Paralisei. Meu coração parou de bater e se despedaçou. Como três palavras tão pequeninas conseguiram quebrar meu coração em tantas partes? Talvez eu estivesse escutando mal... Oliver percebendo minha falta de reação se virou ficando de frente para mim, seus olhos nos quais pensei ter visto amor, já não havia nada exceto o vazio – Um erro que eu não cometerei novamente. — e então veio o golpe final — Eu tenho uma noiva.
Lágrimas caíram.
Meu coração também.
Eu queria apenas roubar um beijo de Oliver, algo pequeno para chamar de meu.
Eu não esperava que ao final da noite eu não tivesse roubado nada dele, e sim dado tudo de mim.
Eu me joguei na tempestade, não pensei que ela pudesse me destruir.
***
— Eu quero você, eu sempre quero você, Oliver. — Eu sentia o peso do significado das minhas palavras ainda pairando sobre nós. Eu não poderia mais as tomar de volta. E eu também sabia no quanto aquela afirmação mudava as coisas entre nós. Na primeira vez que me atrevi a querer Oliver Queen, eu era apenas uma jovem apaixonada, ele havia tomado uma parte de mim a qual eu jamais fui capaz de recuperar. Eu não queria arriscar de novo, mesmo que já não houvesse muito de mim a ser tomado.
— Por que eu sinto que há um “mas” vindo? – O que havia em mim que tornava meus sentimentos tão transparentes para ele?
— Você me pediu sinceridade sobre o que eu quero e é o que estou dando a você. – ele assentiu — Mas só porque eu quero você, só porque essa vontade existe, não significa que eu sei lidar com ela, ou que sei o que fazer com ela. — Oliver sorriu, e eu não entendi porque ele sorria. Ele me fizera uma pergunta simples, e eu lhe dera uma resposta confusa e complicada. – Por que você está sorrindo? – Me atrevi a perguntar.
— Porque você está sendo honesta comigo e foi tudo o que eu pedi de você, e esse é um passo enorme – ele continuava a sorrir – Para nós.
Engoli em seco. Merda.
Havia um nós.
Eu dera um passo, eu estava pronta para os próximos? A resposta era não, não sem saber se o chão onde eu pisaria era firme. Mas ainda assim eu os queria dar, eu queria arriscar. Mais do que isso, eu precisava.
— Oliver, eu também estou confusa e eu gostaria que fizéssemos isso devagar. – seu sorriso se entortou e o vi arquear uma das sobrancelhas. Ora! Desgraçado estava me dando seu olhar safado! Eu podia praticamente ler o que se passava em sua mente! — Não sexo devagar, Oliver! — eu soquei seu ombro, fazendo-o quebrar em uma risada gostosa e contagiante. Quis rir junto com ele, quis fazer muitas coisas junto com ele. — Estou dizendo para deixarmos acontecer, você disse que não irá lutar contra e eu também não vou mais, é exaustivo demais, porém eu também não quero transar com você agora e não pensar nas consequências — mentira, eu vergonhosamente queria isso, tanto que me assustava – Eu só quero...
— Que tenha mais significado? – neguei de pronto, mas Oliver não pareceu perceber – Eu sei que eu disse que seria apenas sexo, mas eu acho que...
— Eu só quero estar na mesma sintonia que você, — o interrompi antes que ele me oferecesse ainda mais — que nós dois saibamos onde estamos entrando e o que não devemos esperar mais de ninguém. As coisas já estão confusas demais com esse processo e nosso passado. – vi um vislumbre de culpa em seus olhos, e ele abaixou a cabeça parecendo envergonhado por um momento — Eu não quero que novamente um de nós acabe se enganando com o que o outro está realmente oferecendo. Você tem razão, se vamos continuar precisamos ser honestos de que é sexo, apenas sexo.
— É sexo o que você quer?
— Eu acho que já respondi o que quero, e acho que foi isso o que você me ofereceu — desviei o olhar evitando mais daquela pergunta — Sejamos realistas, Oliver, o que mais podemos oferecer um ao outro nessa situação? – ele assentiu um pouco triste, porém resignado — Nós podemos fazer isso, um passo de cada vez. – ofereci, ainda sem saber o que estava realmente oferecendo, e principalmente ainda temendo o preço a ser pago. – Eu quero dizer, podemos tentar separar o “nós” do restante e ver se vai dar certo, se um dos dois achar que é demais ou que está interferindo no resto nós paramos.
— Nós paramos. – ele repetiu. – Onde isso nos deixa agora? Eu vou para o meu quarto e você para o seu?
— Sim. – a não ser que você me beije e eu não consiga resistir. Me beije, Oliver! — Está tarde, seria bom um tempo para amadurecermos melhor a ideia.
— Se é assim que você quer. — ele se aproximou.
— Amanhã você pode acordar decidindo que isso é um erro. — ele parou no meio do caminho sentindo o impacto daquelas palavras.
— Impossível. – refutou com veemência.
— Não é, você pode pensar melhor, pensar na bagunça que eu já trouxe para o seu mundo certinho. – ele deu mais um passo, sua presença se impondo, seus olhos magnéticos me impedindo de me afastar — Eu estou te fazendo mentir por mim no tribunal, eu posso arruinar sua carreira – Por que eu estava lhe dando tantos motivos para desistir? E por que, mesmo assim ele continuava a se aproximar? – Pensar com a cabeça de cima ao invés da de baixo.
— Eu acho que as duas cabeças estão em acordo. – ele sorriu para a minha pequena carranca. – Apenas pare de tentar fazer com que eu desista.
— Mas Oliver, eu... – sua boca pousou sobre a minha, calando-me, não que eu tivesse algum argumento. Seu beijo me surpreendeu porque não foi um beijo sensual, ou daqueles que tomavam meu ar e deixava minhas pernas bambas, não foi daqueles que me fazia perder a razão e querer me jogar em seus braços desesperadamente.
Seu beijo foi mais perigoso.
Foi singelo e delicado. Apenas lábios macios sobre os meus, sem exigências. Havia doçura na forma lenta que se movimentaram um contra o outro, e nas mãos pousadas tão suaves e com tanto carinho ao redor de meu rosto, como se eu fosse alguém importante.
Esse beijo foi mais perigoso, porque quando ele acabou, quando nossos lábios se afastaram, meu coração protestou. Esse beijo despertou em mim a vontade de ter mais de Oliver, mais desse nós que estávamos tão tortamente tentando construir.
— Tenha bons sonhos, Felicity. – sorriu e então se afastou indo em direção ao próprio quarto, deixando-me ali com um sorriso bobo no rosto e um coração querendo mais.
Bons sonhos, ele me desejara.
Como se eu pudesse ter um sonho diferente de bom.
***
Eu estava por cima dele.
Perdendo-me em seus olhos enquanto sentia suas mãos deslizarem por minhas costas nuas. Eu disse alguma coisa apenas para provocá-lo, e Oliver contra atacou girando-me e prendendo-me embaixo de si. Eu ri quando ele disse que iria dar um jeito em minha boca esperta, seus lábios cobriram meu riso me beijando e...
— Você faz barulhos engraçados enquanto dorme, não chegam a ser palavras, são quase como resmungos de um bebê. – Abri meus olhos deixando o sonho para trás, não acreditando no que via a minha frente.
— Oliver? O que você...? – Não terminei minha pergunta, ficava difícil pensar quando os cantos de seus lábios se ergueram e desenharam um sorriso pequeno.
— Você também se remexe bastante, com o que estava sonhando? – perguntou, sentando-se a beirada da cama, eu ainda não tinha despertado por completo e sua presença ali, agindo tão naturalmente me deixava desnorteada, mas não desnorteada o suficiente para não ficar vermelha ao me lembrar com o quê estava sonhando. – E por que está vermelha?
— O que está fazendo aqui? – Consegui finalmente terminar a pergunta que eu tentara fazer.
— Eu moro aqui. – sorriu, deixando-me com inveja do seu bom humor. Eu não era uma pessoa muito matinal.
— Eu quero dizer aqui no meu quarto.
— Tecnicamente é meu quarto também e de Thea, já que herdamos a casa dos nossos pais. – revirei meus olhos ao escutar seu argumento. Advogados!— Não precisa fazer essa cara, eu vim te acordar. – o observei com mais atenção, ele já estava pronto, vestindo um de seus ternos azuis marinhos, uma camisa branca por baixo e gravata listrada num tom azul mais claro. Perdi um tempo sentando-me a cama, notando o quanto o azul deixava seus olhos mais vivos, o quanto ele parecia mais leve e até mesmo feliz. Eu não me lembrava de tê-lo visto assim muitas vezes no passado, Oliver sempre parecera tão contido, como se cada palavra, cada ato seu fosse pensado e aprovado antes de ser feito. E agora ele estava apenas se deixando levar — Eu gosto de chegar cedo ao escritório. – suspirei voltando a realidade, trabalho. – E trouxe café, como suborno por te acordar cedo também. – esticou a mão com a xícara fumegante para mim, me distraindo de meu pensamentos. A peguei com as duas mãos gostando da sensação de tocar, ainda que por um breve momento, a dele. Inspirei fundo e mesmo sem beber eu já me senti desperta.
— Na próxima vez pode acrescentar alguns donuts com cobertura de chocolate, vai me amansar mais rápido.
— Vou anotar. – Oliver assentiu com um semblante sério, como se realmente estivesse fazendo uma nota mental para a próxima vez. Meu sorriso se ampliou. Oliver Queen me trouxe café na cama e parecia firme na decisão de fazê-lo novamente.
Eu sou uma idiota. Escondi o sorriso por trás da xícara de café enquanto bebia o líquido um pouco quente demais, mas era melhor queimar um pouco a língua do que permitir que Oliver percebesse que eu havia apreciado tanto assim seu gesto. Mesmo assim eu tinha certeza que ele podia ver, que outra razão havia para o sorriso convencido no rosto dele? Merda, Felicity! É só um maldito café, não são rosas vermelhas!
— Eu acho que vou me arrumar, se importaria em aguardar uns minutos? Eu tentarei não te atrasar. – coloquei a xícara sobre a mesinha ao lado da cama e tentei tomar controle da situação.
— Tome o tempo que precisar. – ele sorriu e se afastou deixando o quarto. – Estarei esperando.
O que havia com Oliver que estava todo sorrisos? Quando eu era mais nova eu costumava observá-lo de longe, e classificar seus sorrisos. Havia os sorrisos para Thea, que eram sempre amorosos e muitas vezes condescendentes. Os de Moira, que sempre traziam um ar meio menino que raramente se via em Oliver, e os para Robert. Os sorrisos de Oliver para o pai eram sempre um misto de admiração, companheirismo e amor.
Curiosamente quando o via sorrindo para Laurel, eu via apenas um sorriso normal. O mesmo que ele distribuía a pessoas desconhecidas e amigos distantes, eu nunca entendi o porquê. Tentei classificar seu sorriso de agora, mas não consegui. Eu me lembrava de já tê-lo visto usando-o antes, mas não me recordava ao certo.
Seu sorriso para mim, em falta de palavra melhor, era simplesmente especial.
Acima de tudo, seu sorriso era meu.
Meu.
Lembrei-me de onde reconheci aquele sorriso. Das lembranças que eu tão determinadamente evitava visitar. Coloquei uma pedra sobre o passado, disposta a não deixar que arruinasse o meu dia.
Deixei a cama e fui para o banheiro, onde encarei meu reflexo no espelho. Descabelada e com o rosto amassado, bochechas levemente coradas e um sorriso meio besta que não desaparecia. Se Oliver não fugiu de mim assim, não fugiria mais. Tomei um banho rápido e me vesti mais rápido ainda, Oliver era um homem ocupado e eu não queria atrasá-lo.
Saí do quarto correndo e com os cabelos ainda molhados, e contrário a minha pressa, Oliver estava ali, escorado na parede de olhos fechados cantarolando uma canção baixinho como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Eu nunca tinha visto Oliver cantarolar antes, era fofo e me fazia questionar se eu não estava em uma realidade alternativa.
— Então, o que temos marcado para hoje? – interrompi seu cantarolar e o vi sorrir antes mesmo de abrir os olhos. — Mais ensaios de interrogatório? Talvez uma tortura leve sobre como a promotoria vai me comer viva? – tentei brincar, mesmo que honestamente eu odiasse com todas as forças essa parte do trabalho dele.
Oliver se desencostou da parede e deu dois passos ficando minha frente. Seu rosto se abaixou um pouco e se aproximou, fazendo-me pensar que ele me beijaria. Mas para a minha frustração, seu curso fez uma curva, senti seu nariz próximo a minha orelha onde ele respirou fundo.
— Hum... – sua voz era quase mel aos meus ouvidos — Você é cheirosa.
— Eu tomei banho...
— Devia ter me chamado.
— Oliver! — repreendi, definitivamente alguém estava muito animadinho esta manhã. – Vamos separar as coisas? – propus, mesmo sabendo que com o nosso histórico era provável que não conseguíssemos fazer isso por muito tempo.
— Ok. – ele deu-se por vencido e começou a caminhar, o segui escutando atentamente enquanto ele falava dos nossos planos para o dia. — Na verdade não temos muito. — ele coçou a cabeça encabulado — Eu tenho alguns documentos para assinar e separar meus outros casos para Tommy e Diggle ficarem de olho, eles vão designar para nossos advogados juniors, enquanto me concentro apenas no seu, eu não pude dar muita atenção a eles. – me senti um pouco culpada por tomar tanto do seu trabalho — Na parte da tarde, tenho uma conversa com o promotor do seu caso Adrian Chase, você não irá participar, apenas quero sentir se ele está pensando em oferecer algum acordo e aceitar a legítima defesa ou se já está na lista de pagamento do Slade.
Estremeci.
— O que você acha desse tal de Adrian? – Oliver demorou um pouco para falar.
— Adrian é um bom promotor, implacável. É esperto, inteligente, sempre tem uma carta na manga, costuma ser justo em seus casos. – contou um pouco quanto mecanicamente — Nunca se envolveu em um escândalo, nunca usou de táticas ilícitas ou mesmo uma prova mais questionável para ganhar algum caso.
— Você não gosta dele. – afirmei.
— Eu não sei o porquê. – soltou, frustrado por não entender a si mesmo. Já estávamos do lado de fora da casa e caminhávamos para seu carro — Eu geralmente sou bom em ler pessoas, Adrian é apenas... Eu não sei, há algo em sua imagem tão impecável que não combina com o que vejo em seus olhos, eu acho que ele esconde coisas.
— Não muito confiável então.
— É. – concordou enquanto abria a porta do carro para mim, porém não entrei. Nossa conversa ainda não tinha acabado — Mas eu não acho que ele seja um minion de Slade, ele não me parece do tipo que se submeteria.
— Isso é bom, não é? – passei por Oliver que ainda segurava a porta para mim, me sentando. Ergui meus olhos para ele estudando a sua expressão.
— Acho que sim. – respondeu. Fechou a porta e deu a volta no carro sentando-se ao meu lado. A pequena ruga entre as sobrancelhas dele, dizia-me que ele ainda não estava completamente convencido.
— Oliver? – o chamei, ao me dar conta de algo.
— Sim?
— Então... Basicamente você não precisa de mim hoje, por que está me levando contigo? – questionei e fiquei satisfeita ao ver o pequeno sorriso que transformava completamente suas feições, mandando embora aquela ruga de preocupação.
— Porque eu queria ter você perto. – a sinceridade daquela resposta me pegou desprevenida.
Ele me queria perto dele.
Eu pude sentir meu coração idiota inflando.
— Então eu ficarei por perto. – Declarei, desistindo de lutar. Oliver deu partida no carro, e seu sorriso se tornou ainda maior, e o acompanhou por todo o caminho.
***
O escritório de Oliver estava imaculado quando nós chegamos.
Até mesmo a superfície da mesa dele brilhava de tão lustrada, nem parecia que nós tínhamos... Eu achei melhor não comentar, mas era impossível não comparar com a última vez em que estive aqui. Coisas jogadas ao chão, um porta retrato quebrado. Minha calcinha favorita perdida debaixo da mesa. Não resisti dar uma pequena olhada discreta, apenas para ver se ela ainda estava ali.
— Está procurando por algo, Felicity? – olhei para Oliver, parado ao lado de sua mesa. Braços cruzados, corpo displicentemente apoiado à mesa com aquela maldita expressão de quem sabia exatamente o que se passava na minha mente e estava se divertindo com isso.
— Não. – menti deliberadamente.
— Tem certeza? – semicerrou os olhos para mim, enquanto segurava o sorriso.
— Tenho. – andei a passos lentos até ele deslizando os dedos pela superfície lisa da mesa. Oliver se desencostou, me encontrando no meio do caminho. Frente a frente era fácil ler o que o outro estava pensando, era fácil deixar a lembrança tão recente do que havíamos feito bem ali, subir a superfície.
— Eu pensei que pudesse ter esquecido algo aqui, algo pequeno e delicado. – Sussurrou as palavras, sua mão se ergueu tocando uma mecha do meu cabelo a enrolando no seu dedo, seus olhos ainda nos meus, conversando intimamente com os dele.
— Era da cor preta? — seu sorriso se ampliou enquanto ele assentia — Eu não a esqueci. – não era uma mentira, uma vez que eu a deixei deliberadamente — Mas se eu tivesse esquecido. Onde isto estaria agora?
— É uma excelente pergunta, Senhorita Smoak. — ele se fingiu de sério — Se se comportar, talvez eu lhe mostre. – condicionou.
Eu sabia que não devíamos flertar, sabia que disse para mantermos cada parte das nossas vidas devidamente separadas. Mas como não fazê-lo se era tão bom?
— Mostra mesmo? – ergui o rosto para ele, apoiei minhas mãos em seu peitoral e pisquei meus olhos. Oliver só teve tempo de assentir um fraco “sim”, e já estava descendo seus lábios para os meus.
— Interrompo alguma coisa? – ao ouvir a voz nos afastamos, embora não muito.
Observei o senhor Diggle a porta, e coloquei minhas mãos para trás. Eu gostava dele, ele parecia ser confiável e já tinha provado isso a mim. Mas ainda assim, eu não deveria me permitir ficar tão à vontade com Oliver, quando qualquer um podia ver.
— Você sempre interrompe. – Oliver encarou o amigo, claramente aborrecido por sua interrupção.
— Se enganou, esse seria Tommy. — entrou na sala rindo, sem parecer se importar com o leve mau humor com o qual foi recebido — Como vai, Felicity? – Se dirigiu a mim, com um sorriso amigável e apesar dele quase pegar Oliver e eu nos beijando, não havia julgamentos em seu rosto ou qualquer insinuação, ao contrário, sua presença me fazia até mesmo relaxar.
— Estou bem, e você?
— Dig, o que faz aqui? Eu disse que passaria os documentos para vocês mais tarde, não precisava...
— Eu não vim aqui por isso. — Diggle o interrompeu. — Eu não sou como você que só pensa em trabalho, na verdade eu só queria lhe entregar isto. – esticou a mão entregando a Oliver algo que eu reconheci, e que novamente fez meu coração apertar — Eu não sei porque alguém guardaria um porta retratos sem foto, mas parecia muito especial para você.
— Você o consertou. – Oliver olhou sorrindo, dedilhando a pequena imperfeição na moldura onde ele havia se partido. – Foi um presente de Thea.
— Eu apenas o colei. – Diggle deu de ombros — Só porque uma coisa está quebrada, não significa que perdeu seu valor, Oliver. – por um milésimo de segundo o olhar de Diggle caiu sobre mim, pensei ter visto um sorriso compreensivo em seus lábios também. — Nós sempre podemos consertar o que está quebrado.
Por que senti que suas palavras eram para mim e não para Oliver?
— Obrigado. – Oliver agradeceu.
— Por nada, vou parar de interromper agora. – se afastou fazendo questão de fechar a porta ruidosamente ao sair.
Oliver colocou o porta-retratos de volta ao seu lugar habitual, deixei me perder por um momento e segui seu movimento ainda o olhando aquele porta retratos que parecia falar comigo, ainda pensando com um sorriso naquela tal fotografia que seria perfeita para aquele espaço.
O restante da manhã passou voando. Oliver disse que tinha alguns papeis para assinar, mas não disse que eram pilhas deles. Por fim eu tive pena de Oliver e resolvi ajudar organizando e separando as pastas de seus outros clientes. Eu me senti um pouco culpada, Oliver tinha muitos casos e eu estava monopolizando todo o tempo dele com o meu, quando eu o questionei sobre isso, quando eu por acaso sugeri que talvez eu devesse ter um outro advogado no meu caso, apenas para auxiliá-lo, para que Oliver tivesse tempo para se dedicar ao seu trabalho, ele apenas ergueu os olhos para mim e me disso em tom de quem encerra aquela conversa e rugiu um sonoro “não”.
Nós saímos para almoçar, e conversamos um pouco, sem o peso das minhas mentiras e o julgamento de Oliver. Durante aquele tempo não fomos Oliver e Felicity advogado e cliente, ou ainda Oliver e Felicity com o seu passado complicado. Éramos simplesmente duas pessoas.
— ...E foi assim que Thea e eu nos tornamos melhores amigas! – Oliver ainda ria quando eu terminei de contar aquela história e entravamos na sala.
— Vocês dois demoraram. — observei um Tommy Merlyn sentado muito a vontade na poltrona de Oliver, corpo para inclinado para trás, mãos atrás do pescoço e inclusive com os pés apoiados na mesa, nos olhar estreitando os olhos e parecendo desconfiado – O que estavam fazendo que demoraram tanto assim? Foi só comida o que comeram? – vi o um brilho malicioso em seus olhos.
— Tommy, levante-se da minha poltrona.
— Enquanto vocês estavam se divertindo eu tive que aguentar Sara a manhã toda se vangloriando sobre o casalzinho que ela conseguiu juntar, tudo porque pagou um jantarzinho romântico. – resmungou interrompendo Oliver – Ainda por cima usou o meu cartão de crédito, aquela pequena diabinha, vai ver só quando eu...
— Tommy, levante-se da minha poltrona. – repetiu, com a voz mais grossa dessa vez. – E tire os malditos pés da mesa.
— Nós deveríamos ter punições severas para as funcionárias que desrespeitam os chefes tão descaradamente. – reclamou ainda inconscientemente ignorando Oliver. – Acredita que ela teve a cara de pau de rir na minha cara enquanto dizia que mal podia esperar para ganhar o prêmio que receberia quando ganhasse a aposta? Onde está a subordinação! – desabafou.
— Talvez devêssemos ter punições severas para os chefes que fazem apostas ridículas com as estagiárias sobre a vida dos nossos clientes. – Oliver estava já impaciente — Talvez devêssemos punir aqueles que colocam os pés sobre a mesa também.
— Você nunca me ajuda. – reclamou, verdadeiramente chateado.
— Talvez porque você me pede ajuda para coisas impossíveis? As vezes até mesmo ilegais... – olhei para Oliver querendo maiores explicações — Não pergunte. – advertiu — Agora minha mesa não é lugar para colocar os seus pés...
— ok, sabemos que essa mesa não serve para colocar meus pés, talvez sirva para outras coisas mais divertidas...? – havia um sorrisinho em seus lábios.
— Thomas. – o tom de Oliver pareceu mais perigoso.
— Tirando os pés. — ele suspirou, retirando demoradamente os pés da mesa — Agora já que você tem sido um péssimo amigo, Felicity talvez possa me ajudar... – Se ergueu da poltrona ajeitando a gravata e abotoando o paletó. Deu a volta na mesa e se aproximou de mim, com um sorriso que me preocupou e deixou Oliver com a cara fechada.
— Eu?
— Não envolva Felicity nas suas merdas. – Oliver se intrometeu
— Meu acordo com você incluía: não paquerar ela na sua frente, não passar uma cantada, não convidá-la para um encontro ou jogar meu charmezinho barato pra cima dela... – elencou com os dedos – E outras coisas absurdas que não me lembro agora, mas nenhuma delas incluía não pedir à ela conselhos para um pobre homem desesperado.
— Acordo? – olhei suspeita para Oliver, que apenas se remexeu e não me deu uma resposta, apenas continuou a dar seu melhor olhar assassino à Tommy, que para seu desespero parecia completamente imune à ele ou então não tinha medo da morte.
— Bem, como não há objeções — Se encostou à mesa cruzando uma das pernas e me fitou, parecendo adorar toda a situação que ele mesmo tinha provocado – Vamos fingir que você brigou com o seu namorado hipotético, vamos chamá-lo de Oli... – o desgraçado riu para Oliver antes de completar o nome — Olinto, você e Olinto estão magoados e com o coração em frangalhos, não desejam nem mesmo mais se ver. Você acredita que um simples jantar romântico poderia resolver tudo?
— Não. – respondi rápido demais — Teríamos que conversar sobre o problema e talvez nem mesmo isso pudesse consertar o que se quebrou.
— Eu também imagino isso, Sara é tão ingênua. – ele balançou a cabeça, com um sorriso se espalhando pelo rosto — Mas e se eu quisesse, piorar a situação desse casal, como eu faria?
— É só trazer o que desencadeou a briga dos dois de volta. – respondi.
— Excelente! – Tommy pareceu satisfeito, com minha ajuda. Procurei o olhar de Oliver, e notei que ele permanecia emburrado, tentando encontrar paciência para lidar com o amigo — Uma última pergunta, Felicity, se há um homem interessado em você o que irá realmente contar pontos para ele? Se ele te leva num jantar romântico ou se ele sabe te seduzir?
— Cuidado Merlyn! – imediatamente Oliver reagiu.
— Eu preciso saber para fins de ganhar uma aposta. – fez-se de santo.
— Humm... – notei que Oliver tentava disfarçar que não estava interessado em minha resposta — Eu sempre gostei de uma mistura saudável dos dois. – Tommy sorriu.
— Obrigada, Felicity. – me agradeceu, desencostando da mesa e para a minha surpresa e raiva de Oliver deixou um beijo estalado na minha bochecha. – Oops, acho que eu não deveria ter feito isso.
— Você é um idiota. – Oliver ofendeu o amigo.
— Eu sou. – riu – E você está ferrado, uma mistura dos dois. Hein? — ele riu de um jeito ridiculamente adorável — Ela vai te dar trabalho, Ollie. – afirmou antes de sair pela porta, não sem antes me piscar para mim e dar um sorrisinho daqueles sem vergonha.
— Tommy é como uma maldita criança! – esbravejou – Não perde a oportunidade de me irritar e também... Você não deveria dar trela.
— Você contou para o Tommy. – finamente entendi o olhar do filho da mãe, e a razão do seu sorrisinho de quem sabia de algo. E claro houveram algumas insinuações também que eu só estava entendendo melhor agora, em que pensava em tudo o que foi dito.
— O quê? – havia confusão na pergunta de Oliver.
— Você contou que nós transamos no escritório. – acusei. – O desgraçado até sabia que foi sobre a mesa! – essa mesa não serve para colocar meus pés, talvez sirva para outras coisas mais divertidas, ele dissera!
— Eu não contei. – Oliver se defendeu.
— Então como ele sabia? – Coloquei ambas as mãos em minha cintura e lancei meu melhor olhar de quem estava puta da vida com ele. Tudo bem que eu havia contado para Thea, mas nós éramos quase irmãs e quando homens contavam detalhes um para o outro assim, só podia significar que a garota em questão não significada nada para eles.
— Felicity! – seu tom pedia para que eu fosse condescendente. O inferno iria congelar antes que eu fosse! Como ele pudera contar?
— Oliver! — mantive a postura firme, me negando a ceder.
— Tudo bem. – Oliver suspirou alto e levou as mãos aos cabelos, quando me olhou novamente seus olhos pediam desculpas — Ele talvez tenha visto algo esquecido debaixo da mesa e juntado dois mais dois.
— Talvez?
— Tudo bem, ele a viu. – falou calmamente, tentando minimizar a coisa — E sim, ele deduziu que transámos. Mas é só. – Não era só, eu podia dizer pelo olhar dele que não era, mas resolvi deixar passar, até porque eu tinha uma preocupação maior.
— Quem mais viu a minha calcinha? – o horror finalmente se apossou de mim.
— O importante é que eu sou o único que vai vê-la outra vez. – tentou me acalmar com um sorriso pequeno e divertido, e talvez tivesse efeito se minha mente não estivesse ocupada analisando cada resposta.
— Você teria contado se ele não tivesse descoberto? – perguntei de repente.
— Não. — sua resposta rápida demais me deixou alerta.
— Você vai contar para alguém que nós dois estamos...? – Juntos? Transando? Tentando.
— Não sei como isso pode ser da conta de ninguém. – falou suave achando que era exatamente isso que eu gostaria de ouvir — Ninguém precisa saber sobre nós dois.
Ninguém precisa saber. Repeti mentalmente sua resposta, não gostando do que ela me fazia sentir. Bufei, decidindo por me afastar um pouco dele, só para analisar melhor porque sua resposta fazia eu me sentir mal.
— Por que está com raiva de mim? – ele questionou confuso, me seguindo. Eu quase ri, Oliver havia entendido melhor do que eu mesma meus sentimentos.
— Você vai fazer de mim seu segredinho sujo de novo? – me virei e o encarei, deixando a raiva sair.
— Eu nunca fiz de você um segredo.
— Claro que fez! Para quantas pessoas você contou que transou comigo cinco anos atrás? Ou fez questão de esconder que era eu? – ergui uma das sobrancelhas.
— Eu quis te preservar.
— Me preservar? Ou se preservar? Você escondeu a verdade, Oliver. Isso não é um tipo de mentira também?
— Não exatamente... – foi cauteloso.
— Que conveniente... Você poderia ser mais hipócrita? Se colocando num patamar superior, dissertando sobre a importância de ser honesto e sempre falar a verdade, como se fosse o maldito senhor perfeição que não comete erros, que nunca mente ou esconde segredos. – soltei — Me diga, Oliver, se você é tão sincero é claro que contou para Laurel que transou comigo quando ainda estava noivo dela. Não contou? Ao que parece você fez de mim o seu segredinho sujo no passado e vai fazer agora.
— Então era ela. – eu pude sentir meu corpo gelar ao escutar a voz atrás de mim.
— Laurel. – Oliver disse o nome olhando por cima dos meus ombros para a pessoa que acabara de entrar, eu usei o máximo de tempo para não me virar.
— Eu sinto muito, mas a porta estava aberta. – havia um certo cinismo em sua voz – Na verdade eu não sinto nenhum pouco.
Vaca.
— O que está fazendo aqui? – Oliver foi a passos incertos até ela, e eu aproveitei que ainda estava de costas para revirar meus olhos.
— Adrian não está mais disponível como promotor do caso. – ela explicou, eu podia sentir o olhar dela cravado em minhas costas, então eu me virei e a encarei com o queixo erguido e toda a maldita classe que eu ainda tinha. — Eu era a única disponível para este caso. – seus olhos me analisaram minuciosamente e de um jeito depreciativo, não consegui evitar sorrir e erguer uma das sobrancelhas. Ela realmente estava me checando? Tentando ver o que havia em mim que fizera Oliver a trair comigo? — Eu me lembro de você. – seu tom ficou amargo e seus passos mais rápidos na minha direção, Oliver veio também e ao ver isso Laurel parou — Ficava sempre andando atrás de Thea. Por anos eu me perguntei quem teria sido ela, a mulher que fez você terminar comigo. – ela falava diretamente com Oliver, o acusando — É humilhante que seja uma garota. Por Deus, Oliver ela era uma criança...
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Ela já tinha dezoito. – corrigiu.
— Ela, está bem aqui. – me intrometi, eles não iriam falar de mim como se eu não estivesse presente.
— E ela, esta sendo acusada de um crime. – Laurel veio mordaz, eu podia jurar que havia um pouco de veneno escorrendo dos seus lábios agora.
— Pelo menos “ela” não é uma vaca mal amada, se preocupando com a traição do namorado há cinco anos. – ataquei de volta.
— Felicity! – Oliver me repreendeu, me deixando possessa.
— Ao que parece essa vaca mal amada vai te colocar na cadeia. — sorriu — Foi bom te ver, Ollie. – falou com a voz melosa demais para o meu gosto. – Te vejo no tribunal e você — olhou diretamente para mim — Provavelmente atrás das grades. – deixou suas últimas palavras e saiu, batendo seus saltos.
— Diabos! — praguejei — Se eu não estava fodida antes agora eu já posso preparar minha mala pra prisão. – falei para mim mesma. Nada mais letal do que uma mulher traída para ferrar com a vida de alguém. E se esse alguém fosse a outra, vamos apenas dizer que não seria inteligente cruzar com Laurel outra vez.
— Laurel não vai ser vingativa, ela é racional e vai ser profissional quanto a isso. – Oliver me garantiu — Ela sabe que se há alguém a quem culpar sou eu e não você. — E como se ouvisse o nome a cobra voltou a sala.
— Se ela for culpada eu vou garantir que ela vá para a prisão. – deixou o aviso.
— Não é vingativa, é? – Devolvi, mas Oliver não me deu atenção, estava nervoso e preocupado demais para isso.
— Laurel – Oliver chamou seu nome a seguindo, mas tudo o que se escutava eram os sons dos saltos dela se afastando. — Mas que merda! Seja racional e vamos ter uma conversa honesta sobre nós dois. – ele praticamente gritou, parecendo desesperado.
Nós.
Oliver e Laurel formavam um nós.
Encarei por longos minutos a porta pela qual Oliver havia passado praticamente correndo seguindo Laurel. Eu não notei que estava saindo a passos firmes por ela até que alguém parou a minha frente, naquele momento eu era como um touro bravo cuja toalha vermelha havia sido sacudida vezes demais na sua frente.
— Felicity? Você está bem? – escutei a voz distante, foquei meus olhos em Diggle que tinha um olhar preocupado no rosto e apenas sacudi minha cabeça.
— Eu tenho que ir. – disse me afastando, ainda sem ter controle de mim mesma.
E eu apenas fui.
***
Mantive meus olhos fechados apenas sentindo a brisa gelada que vinha do mar emaranhar meus cabelos que voavam revoltosos para trás. Eu já estava parada no mesmo lugar há um bom tempo, eu não sabia se tinham se passado horas ou minutos, mas vi a coloração do céu mudar, vi o sol se esconder e as primeiras estrelas despontarem, e mesmo ainda estando ali parada fitando o mesmo horizonte, eu não me sentia cansada. Eu não me importava que o vento estivesse um pouco frio ou úmido demais, ou ainda que estivesse escurecendo e eu não devesse estar ali. Eu me sentia bem estando distante de tudo, escutando apenas o som das pequenas ondas batendo no barco fazendo-o balançar levemente. Era fácil deixar de me segurar, era fácil apenas deixar meus sentimentos fluírem desgovernados assim como as ondas.
Vir para a Suíça tinha sido uma ótima ideia, afinal.
Eu sequer entendia porque estava agindo assim, e sendo tão sensível por algo tão estúpido. Mas ver Oliver indo atrás de Laurel, ainda despertava antigas inseguranças. Eu odiava me sentir assim, como a tola adolescente que era apaixonada por ele, e que nunca tivera um espaço em sua vida. Vê-lo, mais uma vez ir atrás de Laurel, me fez perceber que ele nunca, nunca faria o mesmo por mim.
Em que lugar isso me colocava na vida de Oliver?
O que eu significava para ele?
Eu queria significar algo para ele?
Eu disse a mim mesma que iria tentar com Oliver, eu sabia que seria impossível para nós dois termos um romance, não com toda a nossa bagagem. Eu esperava que pudesse manter tudo apenas em sexo, apenas porque por mais que eu odiasse admitir eu sabia que precisava dele, precisava de Oliver para preencher aquele vazio dentro de mim, precisava dele porque era ele quem me fazia inteira quando eu estava despedaçando.
E como se alguém no universo pudesse ouvir meus pensamentos, naquele exato momento uma voz conhecida se sobrepôs ao som das ondas, e até mesmo ao som dos pensamentos que pareciam gritar dentro da minha cabeça.
— Eu sabia que você estaria aqui. – Sua voz de alguma forma servia de âncora e puxava-me de volta para mim mesma, me impedia de me perder em meio há tantos sentimentos confusos.
— Como? – questionei, sem me virar para ele. Não querendo encontrar seus olhos, não querendo que ele visse a vulnerabilidade nos meus, mas me esquecendo de que ela provavelmente transparecia em minha voz.
— Eu apenas sabia. – a resposta veio num tom terno e gentil. Desejei que pudesse me enrolar na maciez e no calor da sua voz, que ela pudesse sempre servir de alento para dias em que eu me sentisse como agora.
Mas eu não tinha sua voz sempre para mim.
Me apertei um pouco mais, tentando espantar o frio que subiu por minha coluna e me fez estremecer..
— Felicity? Isso é sobre Laurel? – balancei a cabeça negando fazendo pequenas lágrimas se espalharem pelo meu rosto, para meu alívio Oliver não insistiu Embora ela fosse o estopim da minha reação, isso não era sobre Laurel, era sobre mim. Sobre o nós que ele dissera existir e o qual eu não via como. – Converse comigo. – balancei a cabeça novamente e o escutei praguejar – Inferno! Eu estou aqui, me diga do que precisa, o que quer de mim, Felicity? – o escutei tão mais perto, que pude sentir o ar quente que vinha de sua respiração.
O que quero dele?
Novamente a pergunta.
Não segurei um longo e exaustivo suspiro.
— Apenas me abrace, Oliver. – pedi, sentindo logo em seguida e sem nenhuma hesitação braços fortes me envolverem, seu nariz afundando em meus cabelos e inspirando profundamente, seu coração batendo pesadamente e parecendo tão desesperado as minhas costas. Ele não questionou a razão daquele pedido, não questionou o porquê de eu ter deixado o escritório e de estar ali em seu barco.
Apertei meus braços junto aos dele e deixei meu corpo tombar para trás, sentindo seu corpo forte e agradecendo por seu calor que esquentava o meu. Aos poucos eu fui me permitindo relaxar.
O que você quer de mim, Felicity?
Eu quero você.
Eu fui honesta com Oliver a primeira vez que respondi aquela pergunta, mas havia mais naquela resposta, havia muito mais.
Camadas e mais camadas de outras verdades escondidas, verdades que ele não queria ouvir e verdades que eu não estava pronta para admitir. E uma das camadas dela se revelara enquanto ele me abraçava e afugentava aquele vazio de mim, enquanto eu percebia que dessa vez Oliver viera atrás de mim, que ele estava aqui por mim.
Eu não o queria apenas.
Não queria apenas seu corpo, seus beijos ou sua companhia.
Eu queria que Oliver fosse meu.
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