Guilty Pleasure

13 Capítulo 11 - Let’s hurt tonight


Notas iniciais
Hey, cheguei com um capítulo fresquinho! Antes de tudo, eu quero justificar algo. Eu amo receber comentários, e amo respondê-los, mas eu gosto de responder dando a atenção que vocês merecem. Então não fiquem tristes se eu ainda não respondi, eu irei, apenas não deixe de comentar, ok? Amo a música desse capítulo, quem quiser escute! Garanto que não vão se arrepender! Espero que gostem...

When, when we came home

Worn to the bones

I told myself: This could get rough

And when, when I was off, which happened a lot

You came to me and said: That's enough

Oh, I know that this love is pain

But we can't cut it from out these veins, no

So I'll hit the lights and you lock the doors

We ain't leaving this room 'til we both feel more

Don't walk away, don't roll your eyes

They say love is pain, well, darling, let's hurt tonight

(Let’s hurt tonight — OneRepublic)

♥

Oliver Queen

— Eu acho que você deveria simplesmente aceitar a derrota. – ergui o meu olhar para Felicity que estava escorada no carro, com os braços cruzados e me olhava com um sorriso divertido nos lábios.

— Eu nunca perco. – resmunguei mal humorado de volta para ela, batendo o capô do carro com força ao fechá-lo, disposto a provar que eu iria vencer essa. – Tente outra vez. – pedi, ignorando o revirar de olhos dela antes de entrar pela décima vez no carro e girar a chave.

Felicity sorriu, contente por provar que ela estava certa, quando tudo o que conseguimos foi um ronco fraco e que dessa vez, veio acompanhado de fumaça.

— Caralho! Não tem nem três meses que comprei esse pedaço de metal de merda! – chutei o maldito carro. Por que ele não colaborava comigo?

— Eu acho que Oliver Queen como um mecânico é um excelente advogado – senti seu braço se enroscando ao redor do meu, seu queixo apoiando-se em meu ombro. Eu suspirei aceitando o seu carinho, movendo meu rosto para mais perto do dela, deixando sua proximidade e seu calor fazerem de mim menos frustrado e ranzinza. — E embora eu ache heroico você querer nos salvar, e um pouquinho machista se quer saber, a verdade é que estamos em uma estrada deserta no meio da noite, e com dois celulares sem bateria para chamar um reboque. – ela tinha um ponto — Além disso, você tem suco de uva em sua camisa e eu acho que deveria tirá-la logo. – Pisquei ao ouvir suas palavras. Ela queria que eu ficasse sem roupa? Aqui? -... ou vai ser difícil tirar essa mancha depois. – Completou, a frase fazendo mais sentido agora, embora parte de mim gostasse do caminho malicioso que minha mente tinha automaticamente seguido.

— E o que fazemos, então? – questionei, finalmente admitindo a derrota.

— Nós andamos. – franzi o cenho com sua solução tão simples — Não estamos tão longe da sua casa, seria uma caminhada de pouco mais de quarenta minutos. E a noite está bonita, a lua está luminosa... – sugeriu com um pequeno sorriso, que ofuscava qualquer brilho que a lua poderia ter.

— E vamos apenas deixar o carro aqui? – ela riu de mim.

— Sim – Felicity deu de ombros — Eu tenho certeza que seu carro caro tem um seguro igualmente caro, e você pode processar quem quiser, amanhã — frisou a última palavra. Sim, eu já fazia mentalmente a lista de quem eu iria processar... Mas me esqueci ao sentir sua mão deslizando vagarosamente pela extensão do meu braço enquanto ela se afastava dando passos para atrás, deixando meus sentidos em alerta. Prendi sua mão na minha, girando o meu corpo na direção do dela, antes que ela se afastasse por completo. E ficamos assim, a uma distância de dois passos um do outro, mas com nossas mãos unidas. — Com medo do escuro, Oliver? – uma das sobrancelhas dela se ergueu em desafio, mas sua mão se apertou mais na minha, me mostrando uma realidade.

Ela estava comigo.

— Não. – não havia medo se eu estivesse com ela.

E caminhei pela estrada escura, com a certeza de que ela estava mais iluminada porque eu tinha Felicity ao meu lado. Eu sequer percebi o caminho percorrido, ou o tempo que demorou até avistarmos o portão da minha casa ao final daquela longa estrada, nós apenas conversamos sobre bobagens enquanto andávamos de mãos dadas pela noite. E foi simples e fácil, como costumava ser antigamente. Por mais que naquela época eu me forçasse a ver Felicity como uma garota, ela sempre exigiu ser notada como uma mulher. Eu não via a diferença de idade quando conversava com ela, quando ríamos juntos de uma piada boba, quando ela expunha teimosamente seu ponto de vista. Eu permiti me encantar novamente pelas pequenas coisas, pela forma como ela falava rápido quando parecia nervosa, e como prendia o lábio inferior entre os dentes quando eu a fitava por tempo de mais, um detalhe novo se sobressaía em meio a tudo. O modo como sua mão se encaixava perfeitamente na minha. Durante aquele curto espaço de tempo, eu não era um advogado e ela não era a minha cliente, nós não tínhamos um passado marcado pela dor de decisões erradas. Éramos apenas Oliver e Felicity. E eu percebi com certa nostalgia, que a garota que sorrateiramente roubou meu coração para si há cinco anos, ainda estava lá. Ela ainda tinha os mesmos gostos, ainda me fazia rir com as mesmas piadas ruins, seu jeito ainda me fascinava e sua beleza ainda me atormentava. Constatei, com certa tristeza que se minha história com Felicity não tivesse terminado antes mesmo de começar, se as circunstâncias tivessem sido diferentes, nós talvez teríamos a chance de ter sido mais.

Muito mais.

E me vi pensando em como o meu hoje seria diferente, se no meu ontem eu tivesse Felicity Smoak.

Como teria sido nossa história? Nós teríamos enfrentando um problema com a diferença de idade. Dez anos parecia muito quando Felicity tinha dezoito e acabara de sair da escola e eu, já um homem feito com meus vinte e oito trabalhando para deixar minha marca no mundo. Mas eu poderia ter esperado alguns anos, esperado por ela terminar a faculdade, a diferença não seria tão importante. E talvez hoje nós tivéssemos algo real...

— Você ficou pensativo por um momento. – Felicity comentou assim que passamos pelo portão. A caminhada até a casa não demoraria mais do que cinco minutos, e eu me vi indo mais devagar, protelando, porque eu sabia que tão logo estivéssemos em casa, eu perderia a minha garota. Felicity ergueria novamente suas barreiras, e eu queria prolongar mais meu tempo com ela, queria que continuássemos nessa bolha onde nossos problemas eram ignorados — Triste por ter deixado o seu carro novo e caro para trás? – Arriscou, fazendo-me sorrir por ela ser tão perceptiva a mim.

— Não. — parei, fazendo-a parar também já que tínhamos nossas mãos unidas. – Mas e certa forma um pouco triste, pensando em outra coisa que deixei para trás, simplesmente porque tive medo de deixar o que era seguro e caminhar no escuro em direção a ela. – os olhos dela me encararam por um segundo antes de se virarem na direção oposta — Felicity? – a chamei — Você às vezes pensa em como tudo poderia ter sido diferente no passado se eu e você...

— Não. – ela me cortou duramente. — Porque fantasiar um “e se...?” é perda de tempo, você não pode voltar ao passado e fazer tudo diferente, ninguém tem um vira-tempo para voltar no tempo e apagar seus erros, tomar outras decisões. Sonhar com isso, se permitir pensar, ainda que por um breve momento em como poderia ter sido sua vida se você tivesse agido diferente, ou deixado de dizer aquelas palavras tão duras, ou talvez não... – ela pausou, respirou profundamente antes de voltar a falar — não importa, porque no fim, não muda nada. Pensar nisso apenas aumenta o arrependimento pelo o que fizemos, ou deixamos de fazer. O que podemos fazer é apenas lidar com as consequências do passado, e talvez tentar encontrar uma forma de amenizá-las...

— Você tem muitos arrependimentos? – me vi questionando, embora pelo seu discurso eu pudesse deduzir que sim.

— Você não? – me deu um meio sorriso emblemático.

Também não a respondi, optando por não andar naquela rota ainda. Perguntas pessoais demais sempre acabavam com Felicity se fechando de alguma forma, e estávamos tão bem que eu não gostaria de estragar tudo cedo demais. Com ela eu precisava seguir seu tempo, mesmo que fosse lento demais para mim.

— Você acha que a babá está tendo trabalho com John e Sara? – direcionei a conversa para algo mais leve, algo que eu esperava colocasse um sorriso nos lábios dela.

— Ora, por favor! – ela sorriu, me fazendo sorrir de volta por estar certo. Fiz uma nota mental para me lembrar de sempre que eu quisesse fazê-la sorrir, falar sobre os filhos de Diggle. — Nós dois fizemos a pior parte do trabalho, e quando ela finalmente apareceu os dois já estavam exaustos. Duvido que John ou Sara ainda tenham energia o suficiente para derramar suco de uva na babá, provavelmente dormiram no caminho de volta.

— Você tem razão. – ri olhando minha camisa seca, porém ainda roxa pelo suco derramado, Felicity tentara me ajudar a limpar com um pano úmido, mas ainda assim estava um pouco pegajoso. – Eu nunca convivi com crianças, bancar a babá então? Muito menos. É engraçado como estamos tão focados em nossas vidas que esquecemos que há mais nela, experiências que desconhecemos. – divaguei – Foi uma experiência...

— ...única? – ela completou.

— Sim, me faz pensar um pouco no assunto, sobre ter uma ou duas crianças um dia correndo pela casa, derramando suco de uva no chão, me deixando careca mais cedo... – Felicity estancou por um momento ao absorver o significado das minhas palavras – O quê? Eu ficaria tão ruim careca? Ou eu não pareço alguém que seria um bom pai? – ela apenas assentiu automaticamente voltando a dar passos firmes com os olhos presos ao final do caminho onde se via a minha casa. Os dentes mordendo seus lábios como se ela segurasse as palavras. Me questionei se sua atitude tinha sido por eu confessar algo pessoal demais sobre mim, ou se porque a ideia de me ver algum dia tenho filhos com outra mulher a incomodava tanto. – Eu só gostaria de ter meu pai ao meu lado quando a hora chegasse, para me aconselhar, para me dizer o que fazer, como é ser pai...

— Você é ótimo em tudo o que faz, Oliver – sua resposta tão cheia de certezas me surpreendeu. — Exceto em mecânica. – sorri — Você é péssimo nisso. Mas eu tenho certeza de que será um ótimo pai quando a hora chegar, que todos os momentos que você passou com o seu pai se traduzirão em ensinamentos. E você será ótimo... — sua frase morreu ao final, deixando entre nós uma sensação estranha.

— E você? – me atrevi a perguntar, apertando sua mão na minha.

— Eu? – forçou um sorriso e piscou para mim — Eu sou péssima em mecânica também.

— Não sente falta dos seus pais? – perguntei diretamente escutando-a suspirar — Eu quero dizer, os meus estão mortos, e eu sinto falta deles todos os dias. Mas os seus estão vivos e você apenas não os quer perto, ainda mais em um momento como esse... – Felicity encarou os próprios pés — Eu apenas não entendo.

Eu nunca a entendia.

Felicity era uma incógnita para mim, como o jogo de palavras cruzadas mais complexo que já tentei decifrar. E quando eu acreditava que estava perto de encontrar as respostas, todas as perguntas se modificavam e eu precisava recomeçar.

— Eu sinto falta da minha mãe. – ela confessou depois de um longo silêncio – eu e meu pai nunca fomos exatamente próximos, ele era alguém egoísta e estava ocupado demais desviando dinheiro do banco no qual trabalhava para me notar. Talvez tenhamos mais em comum agora que é provável que eu tenha o mesmo destino que ele. – ela riu, mas me mantive sério — Você nunca ri das minhas piadas sobre prisão. – me cutucou.

— Eu vou rir quando tiver certeza que você não vai parar em uma. – expliquei, ainda mal humorado, odiando a imagem que aparecera em minha mente de Felicity atrás das grades de uma penitenciária.

— É melhor você ganhar o meu caso, porque quero ver você rindo mais vezes. – Isso a faria rir também? Me questionei, porque eu tinha o som da sua risada gravado em minha mente, e eu gostaria de ouvi-lo sempre.

— Felicity...? – meu coração acelerou ao dizer o nome dela. Como eu nunca tinha reparado que ele agia assim todas as vezes?

— Chegamos. – ela anunciou parando em frente a porta. Eu sábia que havíamos chegado antes mesmo dela dizer, pois foi nesse instante que a sua mão soltou bruscamente a minha, se enfiando dentro do bolso do casaco que ela vestia, fazendo meu coração afundar. Não protestei, eu estava começando a entender que algumas batalhas eu não poderia vencer.

Mas haveria outras.

Mais importantes até.

Abri a porta para Felicity que seguiu caminhando a minha frente, deixei que ela tomasse um pouco de distância enquanto me virava e trancava a porta. Eu sabia que era o que ela precisava depois de um tempo tão grande ao meu lado, com suas defesas no limiar. Retirei o paletó dobrando-o cuidadosamente e o colocando sobre o encosto de uma das poltronas que havia na entrada da casa. O dia já tinha sido uma montanha russa de emoções. Começando com Laurel. A conversa na Suíça. Os gêmeos de Diggle. Carro estragado na estrada. Eu mesmo não era muito bom para lidar com tudo isso, para analisar cada um daqueles momentos e o que eles me fizeram sentir, o que mudavam para nós. Imagine então Felicity, que estava sempre em uma corda bamba com seus próprios sentimentos e emoções?

Eu lhe daria tempo e espaço, se ela precisava disso agora. Como ela me dissera mais cedo, as vezes ela precisava respirar sem mim. E por mim tudo bem, eu reivindicaria meu tempo com ela depois. Um tempo livre de julgamentos ou pensamentos racionais, um tempo onde todo o resto desapareceria e Felicity poderia ser apenas minha.

Sem medos.

Sem passado ou presente entre nós.

Talvez esse nosso tempo pudesse ser as noites.

Meu corpo se agitou em lugares até então adormecidos, ansioso com a ideia de ter suas noites para mim.

— Oh, meu Deus! O que você está fazendo aqui? – Escutei alto e claro a voz de Felicity vindo da sala. Imediatamente me movi para a sua direção para saber o que estava acontecendo ali, se ela precisava de mim. E antes não o tivesse feito. Meu corpo que antes se vira ansioso com a perspectiva de ter Felicity apenas para si, agora se viu tenso ao encontrá-la abraçando um homem alto que a rodopiava no ar, bem no meio da minha sala de estar.

Um monstro movido puramente pelo ciúme se despertou dentro de mim.

Eu queria obriga-lo a soltá-la e dizer que ela era minha.

Queria obriga-la a me abraçar desse jeito e não ao homem intruso em minha casa e que eu não conhecia.

Mas eu não podia.

Porque Felicity não era minha.

Isso deixou o monstro ainda mais possesso.

Eles finalmente se soltaram, e se afastaram um pouco. Muito pouco.

— Tente não rosnar muito alto, irmãozinho. – Thea me cutucou entre as costelas. Eu sequer tinha percebido que ela estava aqui, como perceber qualquer coisa se eu tinha Felicity abraçando outro homem? E ela parecia feliz com ele, leve e feliz de um jeito que eu nunca a vi... Pelo menos não comigo.

Nunca comigo.

Eu a vi se aproximar com o cara ao seu lado, ela o apresentava oficialmente a minha irmã, e depois o apresentou para mim. Eu mal ouvi suas palavras. Meus olhos fulminavam o rosto sorridente a minha frente, o nome dele sendo falado pela voz doce de Felicity enquanto meu cérebro fazia a conexão de quem ele era.

O nome fazendo meu cérebro ter um clique.

Era ele.

O cara que morava com ela.

Reconheci o nome da pasta de investigação de Felicity, o rosto também não me era completamente estranho. Ele era seu namorado? Seu amigo? Não me importava, eles dividiam a mesma casa e eu não a queria com ele, eu a queria comigo. Ele já a tivera por tanto tempo, ele provavelmente era a primeira pessoa que ela via ao acordar e a última antes de adormecer. E eu queria isso para mim. Me choquei com a intensidade do quanto eu queria. O monstro dentro de mim rosnou ainda mais alto enquanto eu lhe dava meu aperto de mão mais forte, numa estúpida demonstração de poder.

— Aperto de mão forte o seu. – ele comentou puxando a mão e a massageando.

— É. – concordei satisfeito. Thea disfarçou a risada com uma tosse, enquanto Felicity me olhava como se eu fosse louco. – O que você veio fazer aqui? – perguntei, sem rodeios e sem tato algum também.

— Eu vim ver Felicity. – respondeu com um olhar de soslaio de Felicity para mim — Eu liguei para ela o dia inteiro, e como ela não retornou as minhas ligações eu vim ver o que estava acontecendo e se ela está bem. Mas eu acho que já entendi porque ela não me atendeu... – olhou novamente para ela com um sorriso significativo, fazendo Felicity corar.

— Meu celular morreu. – justificou-se, fazendo com que ele lançasse um sorriso incrédulo.

Odiei aquilo.

Odiei a cumplicidade.

Odiei que ele a fizesse corar.

Odiei que eles estivessem tendo uma conversa por olhares, da qual eu era excluso.

— Como pode ver, nada esta acontecendo e Felicity está muito bem. – me movi, me colocando ao lado de Felicity.

— Eu fico muito contente com o que vejo. – senti um ar de desafio em seu tom. – Eu não quero atrapalhar vocês, mas será que Felicity e eu podemos ter um momento?

— Claro. – Thea assentiu, mas não me movi.

— Não. — Eu não a deixaria sozinha com ele e seus abraços. Recebi três pares de olhares surpresos em minha direção, embora o de Thea pudesse ser descrito como divertido.

— Oliver! – o tom de Felicity era de repreensão.

— Me desculpe. – Só que não. – Eu não o conheço, eu não sei nada sobre você e não me sinto confortável com Felicity sozinha com alguém. – É isso, agora pode ir embora.

— Você não está desculpado. – Felicity voltou-se para mim, com olhos furiosos.

— O quê?

— Eu conheço suas desculpas por mera educação, e mesmo com elas o que veio logo em seguida não foi nenhum pouco educado. – eu me sentia como um aluno malcriado sendo repreendido pela professora em frente à classe.

— Mas... – tentei, mesmo sem saber aonde ir.

— Mas? – repetiu irritada — Meu amigo veio de longe só para me ver, ele está preocupado por eu não ter atendido suas ligações, e não me importa que você não saiba nada sobre ele ou se não se sente confortável, porque eu o conheço e ele é uma das poucas pessoas com quem me sinto confortável, então... – um tapa teria doído menos. A olhei, tolo o suficiente para ter esperanças que Felicity mudasse de ideia.

— Então eu os deixarei à sós. – declarei ao ver que mais uma vez aquela era uma batalha perdida, dando-lhe as costas e marchando para o meu quarto, obsessivamente tentando não pensar no quão confortável Felicity se sentia com este cara. Não preciso dizer o quanto eu era uma merda nisso.

— Isso está sendo tão divertido! — parei a poucos passos do meu quarto, minha mente tinha estado tão focada em Felicity e seu “amigo” que eu não notara Thea me seguindo — Oliver Queen com ciúmes...

— Eu não estou com ciúmes. – Caralho. Finalmente entendi o que o tal monstro desesperado dentro de mim significava. Eu estava morrendo de ciúmes.

— Eu não esperava isso de você irmãozinho, quero dizer, o título de rainha do drama sempre foi meu nessa família. Mas aquela saída...? Passos firmes, olhar fixo e magoado! – Eu tinha sido assim mesmo? — Digno de uma novela das oito! Era de se esperar que você se contivesse menos, agora que você e Felicity estão fazendo aquilo...

— Nós não estamos fazendo sexo. – neguei rapidamente. Tecnicamente, não era uma mentira. Nós fizemos sexo, mas ainda não tínhamos feito outra vez, embora tivéssemos planos...

— Quem falou algo sobre sexo? Eu ia dizer fazendo aquilo sobre serem amigos... Fazendo aquilo sobre não brigarem tanto... – Minha irmã era uma pequena ordinária, eu via isso no maldito sorriso vencedor reluzindo em sua boca. — Por onde sua cabecinha anda? – Sua mão bagunçou o meu cabelo num carinho que a muito eu não recebia dela, fazendo-me perceber que não era apenas em mim que a volta de Felicity causava mudanças — Não importa, eu sei que você vai pirar quando Felicity disser quem o “amigo” dela realmente é. – franzi o cenho, e instantaneamente me preocupei quando Thea fez aspas com os dedos quando falara a palavra amigo.

— Quem ele realmente é? – questionei minha irmã.

— Boa noite, Ollie. – Thea se colocou na ponta dos pés, deixando um beijo estalado em minha bochecha — Tente não matá-lo muitas vezes em pensamento. – Minha irmã finalizou se afastando quase que saltitante em direção ao próprio quarto.

Fiquei ali, parado no meio do corredor. Dividido entre agir como um homem centrado e ir para o meu quarto, finalmente tirar aquela camisa cheia de suco de uva e tomar um banho relaxante depois de um dia exausto e ligar para a seguradora do meu carro ou agir como um idiota cego pelo ciúme, descer as escadas para espiar o que Felicity e o tal amigo faziam.

Eu sempre fui um homem centrado.

Mas Felicity tinha o dom de aflorar o idiota em mim.

***

Felicity Smoak

Oliver cravou seus olhos em mim por longos segundos após ouvir, ainda incrédulo, minhas palavras. Seus olhos pareciam conter a dose perfeita de intensidade e tristeza, fazendo-me quase vacilar. Quase. Porque muito sabiamente eu me lembrei de que quando isso acabasse, eu teria que voltar a minha vida antiga em Coast City. Sem Oliver.

— Então eu os deixarei à sós. – ele finalmente se deu por vencido, dando-nos as costas e sendo seguido por Thea. O observei partir, sentindo um nó preso em minha garganta, uma vontade de abraçar e acariciar seus cabelos e dizer que ele estava sendo bobo.

— Para alguém que você sempre diz que não se importava com você, Oliver parece se importar até demais. – escutei o comentário ainda distraída — Vocês dois voltaram?

Virei-me para o meu convidado que estava confortavelmente sentado em um dos sofás.

— Não se podemos voltar para algo que nunca existiu. – Dei de ombros, a nota de tristeza reverberando pelo cômodo. – deixei-me sentar confortavelmente em uma das poltronas jogando as pernas sobre o encosto do braço, permitindo ao meu corpo o descanso que a minha mente jamais tinha. — Por que diabos está sorrindo desse jeito?

— Em outra época eu não poderia sequer falar o nome de Oliver sem que você me atirasse coisas e me mandasse calar a boca. — suspirei, me recordando de momentos em que isso aconteceu — Estamos fazendo progresso aqui. Pronta para me contar o que está realmente acontecendo, Felicity? Há algo entre você e Oliver?

— Sempre vai haver algo entre mim e Oliver. – olhei significativamente.

— Eu sei. – concordou suavemente. — E quando vai falar com ele sobre esse algo...? – seus olhos ficaram maiores e cheios de expectativa. Desviei os meus me erguendo da poltrona e começando a andar, eu não conseguia falar sobre esse assunto ficando tranquilamente sentada em uma poltrona.

— Existe alguma forma de falar isso sem que ele me odeie depois? — finalmente disse, abrindo os braços.

— Eu vi o modo como ele olha para você, como se o olhar valesse mais do que palavras, como se ele estivesse disposto a tudo por você. – balancei a cabeça, não era assim. — Até mesmo de perdoar.

Não.

Ele não iria.

— Eu acho que você está lendo romances demais... – falei conduzido a conversa — O que realmente está fazendo aqui? – Ele suspirou, também se erguendo do sofá e ficando a minha frente.

— Eu não posso me preocupar com minha melhor amiga que está respondendo a um processo por tentativa de assassinato? Felicity, quando realmente vamos falar da seriedade disso? – insistiu — Um dia nós estávamos escolhendo flores para um casamento e no outro você está aqui, atirando em alguém. Não vê a loucura da coisa?

— Foi legítima defesa. – falei rápido demais — E não se preocupe, Oliver é o melhor advogado que existe e ele vai encontrar uma saída, e você sabe que não pode fazer esse casamento sem mim, eu estarei de volta assim que tudo se resolver. Ray provavelmente está sentindo minha falta tanto quanto você – amenizei com um sorriso.

— Você é uma péssima mentirosa.

— Eu não estou mentindo. – cruzei os braços, ficando na defensiva.

— Você está. – falou calmamente — Quando tudo se resolver, nós dois sabemos que você não voltará para Coast City, Felicity. – afirmou com um sorriso triste.

— Está dizendo que acha que serei presa? — o questionei sem entender.

— Presa a Oliver, como você sempre esteve. – Seria assim tão difícil ir embora quando a hora chegasse? — Cuidarei de tudo para você em Coast City, me avise se precisar de algo e quando for voltar para buscar o deixou para trás. Seria bom se levasse Oliver com você.

***

Agora eu andava pensativa de um lado para o outro no corredor em frente a porta de Oliver. Eu havia voltado para o meu quarto depois de me despedir de meu amigo, eu havia tomado um banho tentando mudar o rumo de meus pensamentos e depois fitado por horas o teto do quarto enquanto forçava minha a mente a dormir. Mas eu não consegui. Como poderia sabendo que a razão disso estava tão perto? Eu não lutei contra, eu apenas segui aonde deveria ir parando em frente a sua porta. Meus dedos entrelaçando e se apertando, minhas emoções a flor da pele, eu ainda remoía aquelas palavras.

Presa a Oliver.

Eu sempre estaria presa a Oliver de algum modo, nós compartilhávamos de uma ligação que eu jamais poderia negar, e eu me questionava se poderia dar às costas a ele e partir quando a hora chegasse. Não é como se tivéssemos um relacionamento, eu era ciente que Oliver não me pertencia.

Mas estava ficando cada vez mais difícil separar tudo. Por mais que minha mente dissesse uma coisa, meu coração exigia outra. Talvez fosse a hora de ser firme e afastá-lo antes que isso terminasse mal, ou talvez fosse tarde demais e tudo já estivesse fodido demais. Nesse mesmo momento eu sabia que ele estava dentro de seu quarto, chateado comigo. Parte de mim dizia para bater a sua porta e conversar, porque até então aquele dia tinha sido ótimo para isso. Mas a outra parte queria apenas dar a volta e puni-lo por ter agido como um idiota completo mais cedo. Talvez eu pudesse dizer a verdade e então puni-lo por ser um idiota. Oh, foda-se! Bati a porta, ainda sem saber o que faria se ele a abrisse e eu sequer tive tempo para pensar, porque quase que imediatamente a porta se abriu, revelando-me um Oliver com cabelos molhados e semblante rabugento.

— Seu “amigo” já foi embora? – Nenhum olá, nenhum boa noite. Ele apenas se encostou ao batente da porta e me encarou com olhos frios. Sua pergunta veio num tom de sarcasmo, mas algo me surpreendeu nela. Havia uma certa vulnerabilidade que eu jamais havia visto em Oliver, um medo que ele escondia atrás da postura dura e do sarcasmo.

— Ele foi para o hotel dele. – respondi, recebendo seu olhar analítico.

— Ele vai ficar por muito tempo na cidade? – seu tom foi despretensioso — Eu preciso de informações sobre o relacionamento de vocês dois porque tudo o que acontecer ou o que já aconteceu pode influenciar no seu julgamento. – Oliver apertou os olhos na minha direção — Você já dormiu com ele? – a frieza da pergunta me tirou do sério.

— Você seriamente está me perguntando isso? – Oliver permaneceu fisicamente impassível ao meu ataque, embora eu pudesse ver algo em seus olhos agitando-se. — Eu não sei o que há entre nós dois, Oliver, eu provavelmente sequer te devo alguma explicação sobre a minha vida pessoal. Sobre quem eu já transei ou deixei de transar, você pode ter sido o meu primeiro, mas não foi o único. — o cutuquei, fazendo-o dar um passo para trás, surpreso com a agressividade com a qual revidei — Aliás, você não me vê pedindo uma lista de mulheres que já passaram pela sua cama? E eu posso apostar que ela é enorme... E não ouse menosprezar a minha inteligência dizendo que é para o meu caso, quando eu sei perfeitamente que não é. Isso é sobre a porra de um ego masculino. – completei azeda.

— Pode me culpar? – se alterou, as mãos passando nervosamente por seus cabelos, puxando algumas mechas — Eu entro e vejo você nos braços dele! Sorrindo e completamente a vontade, de um jeito que...

— Que eu jamais sou com você? – ele não confirmou, eu pude ver o orgulho falando mais alto. – Eu poderia mentir e dizer que eu sou a mesma pessoa sempre, ou poderia puni-lo e dizer que eu sou diferente com você por causa do nosso passado... Mas a verdade Oliver, é que eu sou uma pessoa complexa, eu tenho diferentes humores, eu posso ser doce e encantadora às vezes, ou posso ser rabugenta e teimosa, vai depender de como uma situação ou uma pessoa mexe comigo. Eu adoraria ser como você, adoraria ter controle sobre meus sentimentos e emoções, eu até mesmo tento às vezes, mas eu não sou tão boa assim. – desabafei.

— Você acha que eu tenho controle de alguma coisa depois que você apareceu? Você vê o que fez com a minha vida? – Sua mão fechou-se em garra ao redor do meu braço, eu senti o apelo quase desesperador de seu toque. – Eu passo meus dias tentando decifrá-la, pensando em como fazê-la sorrir para mim mais uma vez, e quando você sorri, eu me vejo analisando o seu sorriso se é sincero, ou se há algo quebrado nele, se é apenas por educação. Eu passo as noites desejando você, querendo entrar nos seus sonhos e.... — Oliver não terminou, completando sua frase com um rugido de frustração — E esta noite tudo o que consigo pensar é em você abraçando ele, você dizendo que só se sente confortável com ele, eu quase desisti de tudo e desci as escadas para escutar a conversa de vocês, esse é o quão controlado eu sou! Eu preciso que você me diga a importância desse cara para você, o que ele te dá que eu não dou. – seus olhos francos não apenas buscando entendimento nos meus, mas pedindo para que eu ao menos tentasse.

— Pessoas e situações diferentes despertam sentimentos diferentes em mim. – comecei a explicar — E eu não sei lidar com isso. Eu sei lidar com o que eu conheço, com o que me é cômodo. Isso estando esclarecido, eu vou apenas dizer a verdade, não porque você tão delicadamente a exigiu ou porque a merece, mas porque eu não quero você vasculhando a vida de meus amigos, tirando conclusões precipitadas. – tomei uma respiração funda — Curtis é meu amigo e nós dividimos um apartamento, nós estudamos e trabalhamos juntos, ele faz parte da minha vida e tem sido assim por anos, e será por muito outros. – havia mágoa em seu olhar enquanto ele seguia me olhando, coloquei uma das mãos sobre a de Oliver que seguia segurando em meu braço, chamando a sua atenção para as palavras que se seguiriam — Oliver, Curtis é meu amigo muito, mas muito gay.

Ele apenas me fitou por um longo tempo, enquanto compreendia o significado das palavras. E então fechou seus olhos e soltou o ar aliviado, quando seus olhos se abriram novamente e encontraram os meus eles estavam cálidos e um pouco culpados.

— Gay? – pediu por confirmação e eu apenas assenti — Obrigado meu bom Deus! – eu ainda estava chateada com ele, com sua cena desnecessária, mas foi impossível segurar o riso com o evidente efeito que aquela pequena palavra de três letras teve em Oliver. — Me desculpe por agir como um idiota. – O semblante de Oliver havia mudado completamente, a voz agora era suave e sua mão deslizou gentilmente por meu braço até encontrar a minha.

— Tudo bem. – dei de ombros distraída demais com sua mão brincando na minha, mais cedo eu havia gostado tanto de segurá-la – Esse sorriso todo é porque lhe contei que Curtis é gay?

— Na verdade é porque percebi que nós dois somos idiotas. – franzi o cenho sem entender — Eu estava com ciúmes do seu amigo muito gay, e você mais cedo estava...

—... Com ciúmes de Laurel. – admiti. – Não é a mesma coisa.

— A probabilidade de eu voltar com Laurel é a mesma do seu amigo gay e você se casarem. – Oliver afirmou, a certeza em sua voz pegando-me de surpresa. Eu cresci vendo os dois serem um casal, o que impedia de num futuro ficarem juntos novamente?

— Você não pode ter certeza disso. — Me neguei a acreditar.

— Mas eu tenho. – reafirmou apertando minha mão na sua — Você não presta atenção em nada do que eu digo à você, Felicity? As vezes sinto que estou tendo a mesma conversa de novo e de novo. – pareceu cansado por eu nunca escutá-lo. Mas eu o escutava. Eu prestava atenção em cada palavra que saía de sua boca, eu acreditava nelas e as deixava chegar até o meu coração, e era aí onde residia o perigo – Eu não consigo estar com outra mulher depois de sentir isso com você. – um único movimento e sua mão se colocou em minha cintura e Oliver me puxou para mais perto de si, meu corpo moldando-se perfeitamente às curvas do dele. – A mera ideia de tocar uma pele que não seja a sua, de não sentir o seu calor me enlouquece – as pontas de seus dedos lentamente deslizarem pelo meu rosto com ternura, um toque e eu me rendia a dele – Como eu posso querer outra boca, se é a sua que tem o melhor sabor? Se é a sua com a qual eu passo minhas noites sonhando? – Seus lábios roçaram os meus, com leveza no que mais se assemelhava à uma caricia delicada do que um beijo. Fazendo-me inclinar nas pontas dos pés, procurando por mais do que um simples prelúdio de seu gosto. Bastava um beijo e eu me perdia completamente.

Oliver me segurou firme pela cintura, prendendo-me, como se soubesse que parte de mim estava sempre pronta para fugir. Mas não dessa vez. Não quando a maciez da sua boca estava na minha, não quando seu hálito fresco me provocava e sua língua deixava um rastro de calor por onde passava. Deixei-me levar pelo beijo que ganhava mais forma, meus dedos enroscando em seus cabelos macios e úmidos enquanto faziam o trabalho de atrair sua boca mais para a minha. Me fartei de seu beijo, e ao mesmo tempo deixei que ele me consumisse. Escutei o barulho da porta batendo atrás de mim, enquanto Oliver me fazia andar consigo, sem em nenhum momento parar de me beijar.

E eu estava mais do que bem com isso.

Aquele beijo marcava o final de algo, eu podia sentir, embora não soubesse exatamente o quê, mas era malditamente bom, então apenas o aceitei sem questionar.

Oliver dedilhou suas mãos pela barra da minha blusa, a erguendo por sobre a minha cabeça. Fiz o mesmo com a dele, permitindo-me deleitar ao sentir a pele de seu tórax nu sob minhas mãos. Seus dedos não perderam tempo desatando meu sutiã e o jogando em alguma parte do quarto, o short de malha que eu usava teve o mesmo destino. Mesmo que as roupas começassem a sair, nós só parávamos de nos beijar quando era necessário, mas nunca paramos de nos tocar.

E cada toque pedia por outro e mais outro, cada vez mais ousado.

Era como um jogo de xadrez, Oliver fazia um movimento e eu contra-atacava com outro igualmente perigoso. Ele havia acabado de retirar o meu shorts, suas mãos ambas se espalmaram em minha bunda atraindo meu corpo para sua evidente ereção, seu gemido contra minha boca. Desci minha mão entre nós, dedos se insinuando pelo cós da sua calça, até finalmente entrarem em sua cueca. Acariciei toda a extensão de seu membro rígido, sentindo-o ganhar vida em minhas mãos.

Oliver murmurou algo em minha boca, mas não entendi o que ele dizia uma vez que estava concentrada demais no que senti. Devia ter sido algo bom, pois senti seu sorriso contra meus lábios. Segui o estimulando, suas mãos apertaram minha bunda mais fortemente quando da sua boca saiu o gemido mais roco e sensual que já ouvi.

Oliver gentilmente retirou minha mão de seu pênis e se afastou, retirando a própria calça e cueca rapidamente. Perdi um par de segundos o fitando nu, e só então comecei a fazer o mesmo. Dedos se enganchando nas laterais da única peça que eu ainda vestia.

— Não ouse. – ele me parou, suas mãos sobre as minhas fazendo a calcinha subir — Eu faço isso. – reivindicou com convicção.

— Como quiser. – consenti, ainda achando engraçado a necessidade de Oliver de me despir. O observei se afastar, e sentar-se a cama.

— Agora volte para mim, Felicity. – Volte para mim? Por que parecia haver mais em sua frase? Oliver estendeu a mão em minha direção, a aceitei sentando-me em seu colo, a posição favorecendo o contato de nossos sexos, ainda que o meu estivesse coberto pela calcinha.

Suas mãos deslizavam por minhas costas nuas, seu toque era quente e macio, e me fazia desejar que ele fosse o único homem a me tocar desse jeito, porque eu jamais teria isso com outro. Sua boca apenas roçava a minha, aberta e faminta pela dele. Mas Oliver me beijava em todos os lugares menos nela, seus lábios estiveram em minha orelha, fazendo-me rir ao sussurrar algo indecente ali, em meu rosto ao deslizarem pelo contorno dele com suavidade e ternura, em meu pescoço onde a barba arranhara um pouco, apenas deixando seu beijo ainda mais gostoso.

E por fim, sua boca encontrou meus seios. Deixei meus dedos percorrerem seus cabelos macios enquanto sua língua brincava com meus mamilos, sua boca o sugava, seus dentes o provocavam com pequenas mordidas. Deixei me perder nas sensações que apenas Oliver me proporcionava. Deixei-me perder naquele ínfimo pedaço de felicidade que por tanto tempo eu pensei que não poderia ter.

Finalmente, deixei-me perder em Oliver quando sua boca tomou a minha como sua, e num movimento que mal percebi ele girou comigo em seu colo, fazendo-me deitar de costas sobre a cama. O abracei puxando-o fortemente para mim e me deliciando com a maravilha que era ter seu corpo sobre o meu, poder sentir que cada parte de Oliver estava aqui ao alcance da minha mão, e era minha.

Me permiti sorrir no meio do beijo.

Desci minhas mãos chegando até suas nádegas empurrando-as para mim, mostrando o que eu queria.

— Entendi. – Oliver riu, arrastando-se sobre o meu corpo, as mãos se colocando uma em cada lado do meu quadril e levando o tecido da minha calcinha consigo. Sentei-me sobre a cama ao perceber que depois de retirar minha lingerie Oliver não voltara para mim. Oh, não, ele estava a cama apenas me olhando com aquele olhar de desejo dizendo-me que sua mente estava tendo alguma ideia.

— Oliver? – Disse seu nome, chamando sua atenção e ganhei seu sorriso malicioso.

— Sente-se em meu colo. – Ele pediu, ansioso.

Arrastei-me pela cama, coloquei um joelho de cada lado das coxas de Oliver, segurei seu pênis em minhas mãos e fiz menção de descer sobre ele. Mas as mãos de Oliver se prenderam em minha cintura, me impedindo de descer ele sorriu malicioso para mim enquanto balançava a cabeça para mim. Eu só entendi o que ele iria fazer quando senti sua boca se a deslizar sob a pele da barriga, a língua circulando cuidadosamente o contorno do umbigo, beijos sendo distribuídos cada vez mais para baixo. Suas mãos passaram a acariciar minha bunda e coxas, dedos se insinuando na parte interna delas.

Sua boca desceu mais.

E mais.

Sugando a carne sensível.

Seus dedos ágeis me tocaram, uma suave carícia primeiro, apenas um deslizar sobre meu sexo, para depois se adentrarem e roubarem meu ar. Me vi movimentando contra seus dedos e boca, me vi buscando pelo ápice, mas quando eu estava quase lá, então tudo sumiu.

— Você parou. – o acusei, frustrada por ter chegado tão perto.

— Quero que você goze comigo dentro de você, quero olhar em seus olhos, eu quero... – arfei, uma única palavra saindo de meus lábios quando Oliver apertou as mãos mais firmemente em meus quadris, e os puxou para baixo, seu pênis se encaixando e deslizando perfeitamente para dentro de mim — Eu quero tomar tudo de você, Felicity – sua boca encontrou a curva do meu pescoço, deixando beijos quentes enquanto eu lutava para respirar. Era difícil assimilar não apenas a sensação de ter Oliver dentro de mim, de seus lábios em meu pescoço, mas das suas palavras e o que elas despertavam em mim. Sua boca chegou até a minha, roubando um beijo que me deixou sem fôlego e então Oliver se afastou, olhando em meus olhos ao confessar algo que tocavam meu coração — Quero seus beijos e arranhões, quero seus gemidos de prazer e seus suspiros de emoção. Quero olhar em seus olhos e ver neles cada mínimo sentimento que você esconde de mim...

— Você quer me ver nua. – acariciei seu rosto com delicadeza, embora meus dedos tremessem um pouco. O que Oliver estava fazendo comigo?

— Quero. – admitiu — Mas mais do que isso, quero que me mostre sua nudez. – coloquei ambas as mãos em seu rosto e o beijei, começando a me movimentar vagarosamente sobre ele. Eu ainda estava determinada a não dar muito de mim, determinada a não deixar que Oliver tivesse mais partes do meu coração. Mas o que eu faria se apesar do meu empenho ele as conquistasse? Sua mão se apertou em minha cintura, essa não era a hora de pensar. Era hora de apenas sentir.

Sentir como estar com Oliver me fazia quase inteira.

Sentir como ele me fazia feliz.

Talvez eu estivesse pegando o caminho mais curto para o meu fim. Mas quem poderia me culpar? Era o melhor caminho que eu percorri depois de uma longa estrada escura e deserta.

— O que está fazendo? – o questionei, quando Oliver deixou seu corpo cair de costas na cama, levando-me consigo.

— Eu te disse que um dia você ficaria por cima. – senti lágrimas se acumularem em meus olhos por ele se lembrar de algo que foi dito há cinco anos. Naquela noite.— Apenas aproveite. – seu dedo tocou minha bochecha, onde havia uma pequena e traidora lágrima.

Eu assenti, pousando minhas mãos sobre o seu peitoral e me sentando mais ereta em Oliver. Suspirei fechando os meus olhos enquanto sentia o quanto tudo parecia perfeito quando o tinha totalmente dentro de mim. Senti suas mãos grandes subindo por minhas coxas, até se fecharem em minha cintura coordenando meus movimentos de subida e descida. Ainda íamos malditamente devagar.

— Oliver? – o chamei, apenas porque havia um sorriso sonhador perfeitamente desenhado em seus lábios enquanto ele olhava para mim – O que está pensando?

— Em você. — afirmou — Sempre em você, Felicity! – Suas mãos me abraçaram, puxando o meu corpo para o dele e me apertaram como se não aguentassem mais a distância.

Sua boca exigiu um beijo intenso da minha e eu fiquei mais que contente em responder, feliz em sentir a urgência e necessidade que Oliver tinha de mim. Urgência essa que era mais contida em nossos movimentos.

Nós ainda nos movíamos devagar.

Mas era um devagar gostoso, nossos quadris seguiam o mesmo ritmo. Era um devagar que fazia-me ser consciente de tudo ao meu redor. Consciente do cheiro de suor e loção pós-barba de seu pescoço, da sua mão espalmada em minha bunda, de seu pênis entrando e saindo de dentro de mim, de sua voz sussurrando coisas doces enquanto nos beijávamos. De nossos corações que batiam acelerados e desesperados, de nossas mãos que de alguma forma havia se encontrado e se entrelaçado, recusando-se a soltarem.

E isso tomou o inferno para fora de mim. Desde o momento que eu aceitei que não poderia mais negar que o queria, eu estava preparada para a ideia de sexo com Oliver novamente, mas eu imaginei que apenas acabaríamos como da outra vez. Sexo desesperado e incontido sobre a mesa do escritório, pensei que seria sobre saciar uma necessidade carnal e desespero, mas não. Mais parecia fazer amor.

— Não se assuste. – Oliver falou num momento, olhando no fundo dos meus olhos. Como ele era capaz de ler meus medos mais profundos?

— Estou tentando. – confessei, eu estava exposta, nua, não era capaz de me esconder.

— Quer ouvir um segredo meu? – assenti, enquanto seu nariz roçava no meu. — Eu estou assustado também. – pisquei, pega completamente de surpresa. Ele era o único de nós dois que parecia saber o que estava fazendo. – Mas então eu me lembro de que não estou sozinho. Eu tenho você. – sua mão apertou a minha mais firme. – Lembre-se que você me tem, Felicity. – fitei seus olhos azuis tão sinceros, eu sempre desejaria me afogar no mar que era seus olhos?

Sim.

Então apenas o beijei, o beijei e me deixei ser amada por Oliver mais que aquilo me assustasse. Deixei que o sexo fosse mais do que sexo. Deixei me perder e me encontrar em seus braços. Deixei que Oliver me tivesse e deixei que ele fosse meu, ainda que fosse apenas por esse momento.

E quando meu corpo finalmente começou a se liberar, quando as estocadas foram tão intensas que eu gemi seu nome incontroláveis vezes, enquanto meu sexo se apertava ao redor do dele até encontrar a satisfação, eu apenas tremi em seus braços enquanto o orgasmo passava por cada terminação nervosa do meu corpo. Estremeci mais ainda quando senti Oliver encontrar o próprio orgasmo e se derramar dentro de mim, e ao seu próprio modo, me abraçar e beijar me agradecendo por permitir que vivêssemos essa sensação juntos.

Uma sensação que perdurou por minutos, ou talvez tenham sido horas. Eu perdi a noção do tempo, eu sequer me importava com ele enquanto estava abraçada em Oliver.

Seus dedos afundaram-se em meus cabelos, uma das mãos brincando com uma das mechas que se recusava a ficar atrás da orelha.

— Felicity? – Oliver me chamou, mesmo sem haver necessidade nenhuma disso. Eu estava deitada sobre ele, braços cruzados sobre seu peitoral onde eu apoiava meu queixo e apenas o olhava.

Eu não conseguia não olhar para ele.

— Sim? – o respondi.

— Me prometa uma coisa. – pediu me deixando um pouco mais tensa. Ele pareceu perceber isso, pois logo senti suas mãos ao redor do meu rosto, polegares delineando a linha do maxilar – Promete que suas noites serão minhas?

— Oliver... – o encarei, ele parecia tão feliz segundos antes quando estávamos juntos porém calados, mas agora havia uma melancolia em seus olhos tocando-me, impedindo de ser completamente honesta com ele. Então optei por uma meia verdade, uma meia verdade na qual eu estava dando mais de mim do que deveria. Uma verdade que mais cedo ou mais tarde nos machucaria. — Eu prometo que enquanto eu estiver com você, elas serão.

Enquanto você me quiser.

Seus lábios formaram um sorriso pequeno, seus olhos sorriram também e me assustaram com as palavras profundas que pareciam dizer, e que meu coração queria tanto escutar.

— Ainda bem que as noites são longas. – seu pequeno sorriso se transformou em um belo e amplo sorriso de menino, um sorriso puro e feliz que eu raramente via iluminando seu rosto, enquanto Oliver girava de uma vez seu corpo sobre o meu, fazendo-me rir.

Seus lábios reivindicaram meu riso com vários pequenos beijos.

Beijos que longo se tornaram maiores.

Mais exigentes.

Beijos que roubavam uma parte de mim e que me dava tantas partes de Oliver de volta, partes dele que eu dizia não querer. Mas que me vi guardando em um lugar secreto do meu coração.

E para minha felicidade e tristeza, Oliver roubou bem mais do que uma parte de mim quando fez amor comigo outra vez.

***

Dormir dentro do abraço de alguém com quem você se importa, alimenta um pedacinho da sua alma que até então eu desconhecia que estava faminto. Eu era uma mulher independente, eu aprendi a não precisar de ninguém para me acalentar durante as noites. Mas ao sentir o abraço, o jeito firme que Oliver me mantinha junto a si, o quanto nossos corpos nus pareciam confortáveis um com o outro. Eu percebi o quanto eu queria mais disso.

Mais de Oliver.

Mais do que eu nos permitia ter.

Eu me lembrei de uma garota há cinco anos, nesse mesmo quarto, nessa mesma cama, que também ousou querer mais do que poderia ter. Eu não queria repetir a história novamente.

E eu lhe prometi as noites. Nada mais do que isso.

Apoiei minha mão sobre a de Oliver, acariciando-a e por um momento deixando que eu me iludisse com a ideia de fazer isso mais vezes. Vagarosamente a ergui e me afastei do seu corpo quente, por mais que o meu próprio protestasse para ficar, pousei sua mão no colchão e afastei o lençol que nos cobria. Sentei-me a beirada da cama, fitando o quarto pouco iluminado e pensando nas minhas opções.

Meu corpo estremeceu com o primeiro contato dos meus pés sobre o chão frio, lembrando-me do calor dos braços de Oliver que deixei para trás.

Disse a mim mesma que eu só precisava me vestir e sair dali.

Eu achei o meu sutiã primeiro, eu praticamente pisei sobre ele. O restante das roupas foi mais difícil, no fim eu me conformei em vestir a blusa de Oliver e juntar meu short e camiseta nos braços.

Só havia um problema.

Eu só não conseguia encontrar ela.

Isso só podia ser um karma.

Eu tateei até mesmo debaixo da cama mais nada da bendita!

— De novo não! – reclamei em tom baixo para mim mesma – Onde diabos ela foi parar? – Oliver balbuciou alguma coisa e rolou pela cama abraçando ao travesseiro. Um semblante de menino, fazendo-me me aproximar dele. – Você pode manter mais essa. – sussurrei em seu ouvindo, deixando um beijo suave em seu rosto antes de sair do quarto na ponta dos pés.

***

Oliver Queen

Acordar abraçado a um travesseiro não era o que eu tinha em mente para essa manhã. Muito menos acordar ainda excitado apenas porque eu tinha o cheiro de Felicity em cada parte dos meus lençóis.

E sua maldita calcinha debaixo do meu travesseiro.

O que eu teria visto como uma provocação se não tivesse sido eu quem a escondera ali.

Eu sempre me odiei pela forma como há cinco anos eu tinha pedido para Felicity ir embora. A quem estava tentando enganar? Eu a expulsei, curto e grosso. Eu a disse para sair da minha cama e da minha vida, quando eu na realidade não queria que ela fizesse nenhum dos dois. Na noite anterior, durante a nossa caminhada Felicity e eu falamos sobre arrependimentos, ela me disse que não valia a pena perder tempo sonhando com o que poderíamos ter feito diferente, uma vez que não havia forma de mudar o passado. Mas mesmo assim, eu passei os cinco anos seguintes imaginando como teria sido tê-la ao meu lado durante toda a noite. Poder abraçá-la e aquecer seu corpo com o meu, observar sua face tranquila e perceber cada detalhe que eu perdi durante a noite, e por fim acordá-la pela manhã com beijos que eu espalharia por seu pescoço. Eu queria que ela fosse a primeira pessoa que eu visse ao acordar.

Eu pensei que teria isso dessa vez.

Felicity pensou diferente.

Eu não era um tolo.

Eu entendi perfeitamente a mensagem subentendida em seus atos. Não, não era um acerto de contas por eu tê-la expulsado de minha cama, embora eu não pudesse julgá-la se fosse assim. Mas Felicity não era mesquinha a tal ponto, mesmo que eu merecesse. A noite passada tinha ido muito além do que esperávamos, a ligação que compartilhávamos não poderia ser descrita apenas como atração, e eu sei que Felicity sentiu isso também. E sei o quanto isso a assustou, eu vi em seus olhos noite passada, vi o quanto dela ainda me lembrava da garota de cinco anos atrás surpresa por descobrir novas sensações. Tristemente a Felicity de hoje temia vivencia-las, temia onde esses sentimentos podiam a levar. O quanto podiam machuca-la.

Sua saída da minha cama era um lembrete.

Ela apenas estava me lembrando de que embora eu tivesse suas noites, era apenas isso o que ela se permitia me dar. Nada mais.

Ela colocava limites.

Eu costumava amar limites.

Mas por causa dela, eu estava determinado a ultrapassar cada um deles.

***

— Felicity ainda não se levantou? – franzi o cenho ao encarar apenas minha irmã sentada à mesa, com uma xícara de café a mão.

— Como eu poderia saber, não sou eu quem está dormindo com ela. – balancei minha cabeça, indo até a cafeteira e me servindo ignorando minha irmã que sorria mais amplamente atrás da xícara de café.

— Eu preciso ir ao escritório verificar algo, pode ficar de olho nela já que não tem serviço comunitário? Eu iria preferir que não saíssem de casa hoje. – comentei levando a xícara de café a boca tentando soar natural, mas Thea notou algo e abaixou sua xícara de café, estreitou seus olhos me encarando.

— Não quer que ela encontre o amigo alto e que gosta de abraça-la? – supôs segurando o sorriso.

— Não. – neguei — Eu apenas quero que ela passe o dia em casa, onde eu sei que ela estará segura, não me incomodo se o amigo dela vier visita-la. – Thea se ergue da mesa e caminhou até parar a minha frente.

— Você não está emburrado. – declarou. – Por que você não está emburrado?

— Não tenho motivos para estar. – sorri bebericando o café, ganhando um olhar minucioso de Thea.

— Você sabe que ele é gay. – constatou derrotada.

— Eu sei. – deixei a xícara sobre a bancada, rindo ainda sentindo o alívio que aquela informação me trazia — Cuide dela, ok?

— Ollie? – senti em sua voz o quanto Thea estava tensa e nervosa. – Algo com que devemos nos preocupar? – me questionou.

— Não é nada. – assegurei, apoiando ambas as mãos sobre o ombro de minha irmã e deixando um beijo sobre a sua testa – Hey, eu só preciso verificar uma coincidência, ter certeza que não tem nenhuma conexão com o caso de Felicity. – informei. Eu havia recebido uma mensagem do capitão Lance essa manhã, algo sobre um acidente com a juíza Nyssa. Algo que provavelmente a afastaria como juíza de Felicity, eu não podia não pensar que era simplesmente porque Nyssa concedeu liberdade provisória para Felicity. Eu sentia que havia o dedinho de Slade nisso...

— Ollie... – seu tom veio condescendente, sabendo que havia alguma razão para eu não contar o que estava acontecendo.

— Eu explico tudo melhor quando eu souber que não é nada. – usei meu tom mais suave — E não conte a Felicity, não quero que ela fique nervosa atoa, ela já tem muito para lidar. – Thea assentiu abrindo um largo sorriso.

— Vocês totalmente estão dormindo juntos. – não foi uma pergunta.

— Quem está dormindo com quem? – Nós dois nos viramos em direção da voz masculina que nos interrompeu.

— Tommy. – falamos ao mesmo tempo.

— Bom dia família, Queen! – sorriu para nós — Oba, Raisa fez torradas para o café. – ele afastou uma das cadeiras e se sentou a mesa, puxando o prato de Thea para si. — Eu não estou dormindo com ninguém. – comentou passando geleia na torrada — Eu sei, chocante. – mordeu um pedaço da torrada e mastigou ruidosamente falando ao mesmo tempo — Mas eu nunca fui um cara de dormir pelado de conchinha, de acordar com beijinhos na manhã seguinte, esse é mais o estilo de Ollie...

— Argh! – Thea fez cara de nojo — Eu estou indo, não preciso dessa imagem mental. – Minha irmã deixou a cozinha rapidamente. Eu não podia culpa-la quando Tommy começava a falar eu desejava ser capaz de fazer o mesmo. Mas eu literalmente tinha um contrato assinado por duas testemunhas e assinado em cartório para aturá-lo, mesmo quando ele fosse um idiota.

— Já acabei. – Tommy anunciou, batendo uma mão na outra para se livrar dos farelos — Estão prontos para ir?

— Que merda é essa na sua cabeça. – franzi o cenho ao ver Tommy colocar um quepe preto sobre a cabeça.

— Você me ligou às sete da manhã dizendo que precisava de um motorista para levá-lo para o escritório hoje. – explicou — É isso o que motoristas de ricos usam. Eu sou o seu chofer.

— Eu disse que precisava de uma carona, Tommy. – respondi sem paciência.

— Dá no mesmo, se sou eu quem está dirigindo para você. – apontou para si mesmo e depois para mim.

— Vamos então. – revirei os meus olhos, me sentindo ansioso para ir, quanto mais cedo eu fosse, mais cedo eu poderia voltar e ver como Felicity estava — O que está esperando? – Parei na metade do caminho ao ver que Tommy não me acompanhava.

— Estou esperando Felicity, você sempre a leva para o escritório. Ela vai conosco, não vai? — perguntou fazendo sua melhor cara de ser humano inocente e inofensivo, que não me convencia nenhum pouco.

— Não. – neguei de pronto, fazendo-o ficar emburrado.

— Se eu soubesse que ela não iria conosco, eu nem teria me dado ao trabalho de vir te buscar, você poderia ter chamado um táxi ou um uber! – devolveu indignado –Diabos, por que não me avisou? – Tommy tirou o chapéu ridículo o deixando sobre a mesa, e caminhando emburrado para a saída enquanto reclamava comigo — Eu gastei todo o meu caminho até aqui pensando nas melhores frases... Merda, eu ia pedi-la para sentar a frente comigo e perguntar se ela gostaria de passar a marcha para mim. – ele sorriu de canto piscando um olho para mim ao ver minha cara de poucos amigos — Eu sabia que isso ia te deixar puto da vida! Agora vou ter que te aturar todo sério até o escritório...

— Eu sinto tanto ter te privado da diversão, Tommy. – fui sarcástico.

— Tudo bem, amigo. – bateu a mão em meu ombro — Terei outras oportunidades para pedir Felicity para passar a marcha para mim...

***

Tommy estava sendo um pé no meu saco hoje. Se não bastasse suas piadas sobre Felicity durante todo o percurso até o escritório, e depois em minha sala para onde ele me seguiu e se deitou confortavelmente no sofá de onde seguiu me atormentando. Eu fingia que ele não me atingia, eram só palavras e eu sabia que Tommy fazia isso apenas para me atormentar. Mas porque será que ainda assim eu sentia uma vontade irracional de socar meu melhor amigo sempre que ele falava sobre Felicity, mesmo sabendo que ele jamais teria coragem de sequer tocar nela?

— Você não deveria ir para a sua sala ou coisa assim? – perguntei após sua última provocação. – Divorciar algumas pessoas? Ou melhor, salvá-las dessa instituição falida e falsamente construída em ideais de amor, quando na realidade é movida por sexo ou ambição, as vezes as duas coisas.

— Você tem prestado atenção ao que eu digo — elogiou se erguendo do sofá e caminhando até minha mesa onde espalmou ambas as mãos – Eu só quero passar um tempo com o meu melhor amigo, o que há de errado nisso?

— Tudo? – ri. — Você deveria estar na sua sala implicando com Sara.

— Sara não está. – respondeu rápido demais para o meu gosto.

— Então vá atormentar os outros estagiários. – sugeri, eu só precisava tirá-lo do meu pé, eu ainda tinha coisas a resolver.

— Eu não posso. – exclamou exasperado — Quero dizer tecnicamente eu posso. Mas Sin tem um senso de humor mórbido e distorcido e honestamente eu tenho medo de mexer com ela, vai que ela faz alguma bruxaria para mim?! E Alex é burro demais até para entender quando faço dele a piada da vez então...

— Então sobra Sara, e nós dois sabemos que ela é sua vítima favorita.

— Não hoje. — reclamou — Hoje eu teria mais sorte com você de mau humor ou mesmo com Diggle, do que com Sara. Eu preciso ficar muito longe daquela baixinha encrenqueira. – aquilo me tornou alerta, bem como a Sara que chegou a porta naquele exato momento, abraçou a pasta que trazia consigo e após me olhar e preferiu apenas esperar.

— Disposto a atormentar Diggle? O que diabos aconteceu para preferir arriscar a vida do que jogar seu charme barato em cima de Sara? – dei corda, depois de tanto me irritar com Tommy, queria ver meu amigo se enrolar.

— Primeiro, meu charme não é barato! – defendeu-se falsamente magoado — E segundo estou me escondendo dela. – confessou.

— Por quê? – inqueri, interessado.

— Kara e Mon-el me ligaram ontem. — Franzi o cenho sem me lembrar de quem eles eram – O casal sobre o qual Sara e eu apostamos. – explicou — Eu não sei o que a diabinha fez, mas eles estão cancelando o divórcio! Eu ainda paguei uma “amiga” para dar em cima do Mon-el e ele recusou. – Ergueu as mãos para cima num gesto de frustração.

— Só para eu entender, essa sua “amiga” era uma prostituta?

— Claro que não, Ollie! Essa amiga é uma profissional assalariada... Que proporciona prazer sexual à quem lhe paga! – revirei meus olhos — E ele a recusou, fácil assim... E depois me ligou dizendo que vai sair em uma segunda lua de mel com a esposa!

— Isso é...

— Péssimo, eu sei! – se jogou na cadeira, balançando a cabeça em negação.

— Um casal jovem decidindo dar uma segunda chance ao amor, realmente terrível. – ironizei.

— Eu não ligo para o amor, eu ligo que por causa deles eu perdi minha aposta com Sara! E agora eu não vou poder...

— Eu sabia que havia algo errado quando você me mandou uma mensagem pedindo para que eu buscasse seu café na cafeteria que fica do outro lado da cidade. – Tommy ficou tenso, sua cabeça olhando por cima do ombro quando Sara que escutava tudo a porta finalmente se manifestou, fazendo-me sorrir — Eu praticamente gastaria umas três horas para fazer apenas isso.

— Você nem pensou em me avisar, Ollie? Me jogou tão facilmente aos tubarões? – sorri ainda mais ao ver o desespero do meu amigo.

— Você mereceu uma vingança. – afirmei. Tommy se ergueu da cadeira, alinhou o terno e parou em frente a Sara piscando inocentemente seus olhos para ela.

— Pelo menos trouxe meu café?

— Só se você quisesse que eu cuspisse nele, Sr. Merlyn! – devolveu a altura — E eu ganhei a aposta o que significa que você deveria estar pensando em trazer café para mim...

— Só se for na cama. – Sara bateu nele com a pasta que trazia as mãos — Aí.

— Pense duas vezes antes de falar, Merlyn! – Ameaçou ainda segurando a pasta.

— Mas é isso o que quer de mim? Que eu traga seu café todas as manhãs? – perguntou afoito.

— Eu não desperdiçaria meu prêmio com algo tolo assim...

— Então Sara Lance o que quer de mim? – Quase ri de Tommy quando ele usou uma voz melindrosa com Sara. Para quem se julgava um conquistador de primeira, ele estava seguindo o caminho oposto quando o assunto era Sara. A garota apenas urrou, perdendo a paciência e caminhou até mim batendo a pasta sobre minha mesa.

— Meu pai pediu que te entregasse, é sobre a mensagem que ele te mandou mais cedo. – Fiquei surpresa que ela soasse controlada e educada ao se dirigir a mim, tão diferente de como era com Tommy. – Ele disse para ligar nele caso precise de algo.

— Obrigada, Sara.

— Hey, eu ainda estou aqui. – Tommy a parou antes que Sara passasse direto por ele.

— Eu sei, Merlyn, infelizmente é impossível não vê-lo.

— Vai me dizer o que quer de mim como prêmio? – questionou.

— Para ser honesta nada me deixa mais contente do que saber que estou certa, eu te disse que havia amor nesse casamento. – ela sorriu — Você saber, nesse caso é uma satisfação ainda maior. Por que isso sempre foi um fato incontestável.

— Mas isso não é um prêmio. – ele se recusou a aceitar — Vamos lá, seja criativa. Você quer minha vaga no estacionamento? — Tommy a perguntou.

— Você pode apenas esquecer isso? — pediu, caminhando para porta enquanto Tommy a seguia como um cachorrinho.

— Quer que eu a leve a um lugar caro?

— Tommy?!

— Quer que eu tire fotos nu?

— Tommy eu não quero nada... Espere o quê?!!

— Agora sim encontrei algo que você quer...

Balancei minha cabeça e sorri, ao ver Tommy seguir Sara com suas ideias que a tiravam do sério, esperei que ambos saíssem e fechassem a porta para correr os olhos sobre a pasta que Sara trouxera para mim. Não havia nenhuma grande informação. A juíza Nyssa Al Guh havia sofrido um acidente na noite anterior, um outro carro não identificado havia a forçado a sair da pista, e a polícia trabalhava para localizar o veículo. Nyssa não corria risco, mas provavelmente se afastaria dos tribunais e teriam que nomear um juiz substituto. Eu me perguntava se isso não teria alguma relação com o fato dela ter sido condescendente com Felicity e lhe concedido liberdade provisória.

Fechei a pasta de uma vez, não havia nada que eu pudesse fazer.

Movi meus dedos pela tela do meu celular, parando sobre o nome de Felicity apenas pensando nela, pensando em ligar para ela e ouvir sua voz, ouvir sobre o seu dia e talvez contar sobre o meu. Ainda que ela tivesse fugido da minha cama antes de amanhecer, ainda me era permitido querer escutar sua voz.

Por que só escutar sua voz?

Por que não vê-la? Abraçá-la? Beijá-la?

Passei o olho em meu relógio, era quase hora do almoço. Deixei minha sala às pressas pensando na loja de bombons que havia do outro lado da rua. Talvez eu não chegasse a tempo para o almoço, mas sempre haveria espaço para a sobremesa.

Gastei alguns minutos escolhendo alguns chocolates, eu não sabia do qual Felicity iria gosta, então acabei escolhendo uma caixa com vários sabores. Seria divertido vê-la provar cada um e descobrir seu favorito. Eu já estava indo para o carro quando me lembrei de que eu não tinha um carro para voltar. Eu havia ligado para a seguradora quando cheguei em casa ontem a noite e pedido para rebocarem o carro que eu havia deixado na estrada, mas ainda não tinham me providenciado um novo. Voltei ao escritório apenas para resolver essa situação.

— Senhor Queen? – minha secretária me parou no meio do caminho — Há uma moça esperando por você.

— Eu não tenho ninguém agendado, Rosa. – a lembrei. Eu não estava aceitando casos novos, apenas repassando para nossos associados – Peça para que marque um horário para amanhã, de preferência com outro advogado.

— Ela, na verdade, já esta na sua sala. – minha secretária respondeu temerosa, franzi o cenho sabendo que alguma coisa estava errada. Rosa era minha secretária desde que comecei, era uma senhora mais velha, e que nunca me deixava na mão e principalmente nunca deixaria alguém entrar na minha sala sem meu consentimento.

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Caminhei a passos apressados para minha sala e abri a porta, a fragrância de um perfume excessivamente doce denunciando quem estava ali.

— Senhorita Williams. – o nome trouxe um gosto amargo a minha boca, e a visão a minha frente, da mulher sentada a minha mesa com pernas cruzadas e expressão ardilosa no rosto, me deixou nauseado.

— Precisamos mesmo ser tão formais, Oliver? – um sorriso sorrateiro brincou em seus lábios pintados de vermelho.

— Como conseguiu acesso? – ela se ergueu.

— Eu tenho meus contatos.

— Você quer dizer que intimidou e manipulou pessoas até conseguir o que queria? – perguntei, já sabendo que essa seria a resposta.

— Eu não iria gastar meus dons com seguranças e sua secretária... Os seguranças se venderam por dinheiro, e sua secretária é um pouco lerda, uma vez que entrei ela não conseguiu me tirar. – Fiz uma nota mental para demitir os seguranças que aceitaram suborno. Seus dedos dedilharam por sobre a minha mesa e seu sorriso de cobra continuava em seu rosto.

— Então, já que fez tamanho esforço para me ver, vamos direto ao assunto, eu não quero passar mais tempo do que necessário com você, e tenho meus compromissos. – fui frio e direto, coloquei a sacola com chocolates sobre uma poltrona que havia ali e cruzei meus braços.

— Um compromisso de cabelos loiros e olhos azuis e que está sendo acusado de tentar matar o filho de um dos juízes mais importantes de Starling? Um compromisso que talvez ganhe alguns chocolates? – ela riu encarando a sacola — Você nunca me deu chocolate. – fez biquinho.

— O que está insinuando? – me aproximei, mesmo não querendo. Mantive o olhar duro, eu não sabia qual era o jogo de Susan, mas eu sabia que não deveria deixá-la me intimidar.

— Não estou insinuando, estou provando... – ela se levantou da mesa e caminhou até mim com um sorriso vitorioso, ergueu seu celular a minha frente, mostrando-me uma foto minha e de Felicity nos beijando no barco – Quase uma cena de Titanic, não? Um casalzinho tão apaixonado tendo um momento no barco...

— O que você quer, senhorita Williams? – perguntei a queima-roupa.

— Fez a pergunta errada. – ela tombou a cabeça piscando os olhos para mim.

— Qual o seu preço? – perguntei sem emoção. Susan girou sobre os seus saltos.

— ...Um romance entre o advogado e a cliente, por mais que seja notícia, não é o meu tipo favorito de notícia, não passa de fofoca e eu prefiro esperar para ter algo digno de primeira página. — se meu tempo dormindo com Susan me ensinou algo, era que ela era gananciosa, e não media esforços para chegar aonde queria. Não era sobre dinheiro, era sobre fazer o próprio nome — Seu romancezinho não é importante para mim, mas você pode imaginar o tipo de complicações que pode trazer para você. – ameaçou sutilmente — Slade está fazendo muito bem o papel de pai preocupado que quer apenas justiça por seu filho, ele sabe comover a opinião pública. Eu posso apenas imaginar o tipo de publicidade negativa “jovem acusada de atirar em filho do juiz em passeio romântico com o advogado.” No subtítulo: Seria sexo o pagamento dos honorários? – ela riu, e eu fechei as mãos em punhos, recitando mentalmente todos os crimes que eu cometeria se usasse superbonder para colar a boca da cobra a minha frente — Pensando bem Slade me pagaria uma nota por isso... Mas não se preocupe, eu vim até você primeiro por consideração aos nossos bons e velhos tempos.

— Eu não me recordo deles terem sido bons. – rosnei.

— Para mim foram. – sorriu.

— Claro, você saiu com informações privilegiadas de um dos meus maiores clientes, e tudo o que eu tive foi sexo ruim. – não aguentaria nem mais um minuto de conversa com ela, dei a volta na minha mesa retirando um talão de cheques da segunda gaveta onde rabisquei minha assinatura e um número expressivo — Eu espero que seja o suficiente para manter essa boca suja fechada – Eu poderia ter procurado uma saída inteligente daquela maldita armadilha. Mas tudo o que eu queria era que ela fosse embora.

— Uau. – Os olhos de Susan se tornaram maiores e impressionados ao fitarem o cheque, seus dedos longos segurando o pedaço de papel com ganancia — Ela realmente vale tanto assim para você? – Sua voz sibiliou, e eu pude ver a mente de Susan calculando o quanto ela ainda poderia lucrar com isso.

— Adeus Susan. – Ergui-me da poltrona e caminhei abrindo a porta para que ela saísse logo com seu melhor sorriso vitorioso.

— Até mais. – falou, dizendo-me que aquilo ainda não tinha acabado.

***

Depois do meu encontro com Susan, eu me vi largando tudo e voltando para casa no carro que a seguradora finalmente havia me providenciado. Eu estava irritado e me sentindo uma merda por ter sido chantageado, mais do que isso, eu sabia que ainda não havia acabado. Susan tinha muito em suas mãos, ela poderia arruinar minha carreira, meu caso e Felicity.

Quanto mais dinheiro isso me custaria?

Saí do carro e entrei em casa carregando os chocolates em minha mão pensando em colocá-los na geladeira ou iriam derreter já que fazia tanto calor, mas minha mente ainda estava calculando o estrago feito e o monte de merda que me esperava pela frente. Por que diabos eu a paguei? Eu deveria ter sido inteligente e pensado em algo, não lhe dado todo o poder! Eu não era alguém que se deixava ser chantageado por uma vadia qualquer.

Parei a entrada da cozinha, sendo atraído pelas risadas.

Eu a vi.

Felicity estava sentada no balcão da cozinha conversando com Thea e isso me bastou para me lembrar por quem eu fazia isso.

Fiquei ali, apenas a observando sorrir e conversar corriqueiramente com minha irmã, apenas absorvendo o que simplesmente vê-la fazia comigo.

Ah, foda-se.

Foda-se Susan.

Foda-se Slade.

Eu daria um jeito em Susan e sua chantagem, encontraria uma forma de inocentar Felicity daquele crime. Mais do que isso eu encontraria um modo de fazê-la ficar na minha vida, não apenas as noites, mas nos dias também.

Notas finais
Oi de novo! Espero que tenham gostado! Converso com vocês nos comentários, beijos!