Guilty Pleasure

9 Capítulo 7 - My Guilty Pleasure – parte 2


Notas iniciais
Para a sorte de vocês eu não sei segurar um capítulo! Eu tentei guardar para o domingo, mas aí vocês deixam tantos comentários lindinhos e surtados que eu não resisto... pódio de honra para a Kal Wayne que me fez rir horrores com o comentário ♥ E CLARO UMA RECOMENDAÇÃO PERFEITAMENTE PERFEITA!!! Marcia Veloso, muito obrigada mesmo! Amei ler sua recomendação, amei saber que está curtindo esse romance com doses de suspense ♥ eu só posso desejar que você continue gostando da fic! E de presente, por ter recomendado a fic e feito essa autora aqui feliz e adiantado a postagem do capítulo, ele é todinho de presente para você! Aproveitem! Ahh, comentários lindos e surtados serão respondidos apenas no sábado, espero que entendam!

Clouds filled with stars cover the sky

And I hope it rains

You're the perfect lullaby

What kind of dream is this

You can be a sweet dream or a beautiful nightmare

Either way I

Don't wanna wake up from you

Sweet dream or beautiful nightmare

Somebody pinch me

Your love's too good to be true

(Sweet dreams — Beyoncé)

♥

Oliver Queen

Tapei meus olhos com o antebraço e resmunguei enquanto me girava no sofá, escondendo o rosto no encosto e fugindo da luz que entrava pela janela do meu escritório. Mas que caralho! Eu pensei que havia fechado as persianas na noite anterior, exatamente porque queria ficar sozinho do escuro e evitar a luz irritando meus olhos logo pela manhã, talvez eu tenha só pensado em fechá-las considerando o meu estado não muito confiável, eu não podia ter certeza de nada, exceto que toda essa claridade estava me irritando. Estiquei uma das mãos buscando o meu paletó que eu sabia ter deixado cair em algum lugar do chão, meu corpo todo protestou enquanto eu me virava no sofá e as mãos dedilhavam o chão a procura do tecido. Por mais macio que o sofá fosse, ele não era feito para comportar alguém do meu tamanho, muito menos para esse alguém pernoitar nele.

Mas era isso ou ir para casa.

Eu não poderia.

Não com ela lá, não depois que eu...

Mas pelo menos eu tive uma noite livre de sonhos ou qualquer imagem de nós dois sobre a mesa... Bufei me forçando a não pensar naquilo, a ignorar toda e qualquer reação do meu corpo àquele mero pensamento. Enrolei meus dedos ao redor do tecido do paletó e o usei para jogar sobre o meu rosto. Eu precisava de mais algumas horas dormindo, mais algumas horas me perdendo naquele estupor vazio tentando não me lembra do que me atormentava. Tentando esquecer tudo dela.

Seu gosto doce.

Seu toque quente.

O som sensual da voz dela gemendo o meu nome.

Caralho, eu estava começando a me excitar só de tentar não lembrar.

E os olhos? A conexão imediata que senti quando meus olhos se perderam nos dela, a paixão dando espaço à uma calmaria incomum ao sexo ainda que nossos corpos seguissem um ritmo insano e desesperador. A emoção, os sentimentos que eu não reconhecia, mas que eram tão bons de sentir. Eu fui hipnotizado pelos olhos dela, como se fossem duas lagoas cristalinas e eu queria me jogar nelas, mais do que isso eu queria me afogar naqueles olhos, e talvez, no curto espaço de tempo em que realmente estivemos juntos, eu o tenha feito.

Porque enquanto eu olhava em seus olhos, eu era dela.

Cada parte de mim a pertencia.

Era assustador, mas terrivelmente bom.

E eu me vi querendo mais, desejando mais dela, desejando que cada parte dela me pertencesse de volta também.

Revirei no sofá e inspirei fundo tentando pensar em coisas banais que me fizessem adormecer novamente e não pensar mais em tudo o que ela provocava em mim. Mas por que será que quanto mais nos esforçamos para não pensar em algo, mais esse algo parece se impor em nossa mente? Ou tudo simplesmente parece nos lembrar daquilo que queremos tão desesperadamente esquecer? Como agora que eu inspirei pela segunda vez e pensei ter sentindo o toque da fragrância dela no meu paletó.

Merda, eu não conseguiria dormir sentindo o cheiro dela.

Pelo menos não dormir sem sonhar.

Talvez eu devesse me levantar e procurar por alguma bebida, mesmo que ainda fosse cedo, mesmo que depois da noite anterior não tivessem sobrado muitas, esse era o único antídoto que eu tinha para ela. Eu sabia que não poderia trabalhar nesse estado, talvez eu apenas me trancafiasse no escritório e fingisse que estava doente. Eu poderia fazer isso por hoje, mas qual seria a minha desculpa para amanhã? E depois? Eu literalmente havia fodido tudo com ela mais uma vez. Como olhar para Felicity e fingir que nada aconteceu? Como continuar a ser o advogado que ela precisava que eu fosse e tê-la sob minha tutela se eu não conseguia manter minhas mãos longe?

Quando ela fazia de mim uma bagunça completa?

Joguei o paletó para longe com certa raiva, me livrando de um dos problemas enquanto deliberava em como me livraria dos outros.

— Eu me pergunto o que esse paletó te fez. — apertei os olhos tentando focalizar a imagem da pessoa, mas olhar em direção a luz ainda me fazia mal então os fechei e apenas confiei na minha capacidade de reconhecer aquela voz com um leve toque de julgamento. Com Diggle eu poderia lidar. Eu sabia que uma breve conversa seguida de um sermão e um conselho estariam esperando por mim.

— Ele parece gato de rua. — a segunda voz não me deixou mais contente, me fazendo murmurar um palavrão. Era Tommy. Eu não teria seus conselhos sábios ou julgamentos saudáveis vindos dele, eu o teria apenas me atormentando até chegar à raiz do meu problema e então ele iria me atormentar mais apenas por diversão. — Na verdade isso é uma ofensa contra os gatos de ruas. – eu abri meus olhos com mais dificuldade, vendo a imagem um pouco distorcida dos meus dois melhores amigos a minha frente, eu mal conseguia discernir quem era quem. Suas silhuetas pareciam dançar a minha frente. O quanto mesmo eu bebi depois que ela foi embora?

Esfreguei meus olhos e me dei alguns segundos até que a visão se normalizasse e encarei Diggle que estava com o seu semblante sério enquanto Tommy tinha um sorrisinho idiota no rosto. Como eu fui ter amigos tão diferentes?

— Você parece algo saído de uma lata de lixo – Tommy comentou se aproximando e fungando perto de mim, se afastando com o nariz franzido e uma careta — Você até mesmo cheira como algo saído de uma lata de lixo.

— Obrigado, Tommy. – agradeci de mal grado.

— Sempre que precisar! – ele sorriu daquele jeito tão característico e debochado, que se eu não o conhecesse tão bem eu não teria notado a preocupação escondida em seus olhos.

Sentei-me tentando ficar mais ereto, praguejei ao sentir a cabeça girar e um ligeiro enjoo tomar conta de mim quando o fiz.

Eu sabia que iria exagerar, desde o momento em que enchi o primeiro copo depois que Felicity me deixou sozinho, eu sabia que eu terminaria dormindo bêbado naquele sofá, como tantas vezes fiz quando pensava nela, mas esse era o único jeito que eu conhecia de limpar a mente. E eu precisava disso, ou acabaria indo atrás dela e fodendo com tudo mais uma vez.

Eu era muito bom em foder com as coisas quando se tratava de Felicity e eu.

Eu não queria que fosse fodido desse jeito entre nós.

— Vamos lá, hora de agir como homem. — ergui os olhos para Diggle com certa suspeita, me questionando se ele sabia o quanto as suas palavras eram acertadas para mim naquele momento.

— O que é isso? – indiquei o copo que Diggle tinha nas mãos e inclinava para mim.

— Café. – destampou a tampa e imediatamente o cheiro tomou conta de mim, me deixando mais alerta – Quente, forte e sem açúcar, para te deixar mais apresentável — aceitei o copo e tomei um gole grande, sem me importar que o líquido quente queimasse um pouco a minha língua e garganta, naquele momento eu era grato por qualquer sensação que me distraísse dos meus pensamentos — E isso são comprimidos para curar essa sua ressaca.

— Eu não bebi tanto assim. – neguei, embora sentisse a boca seca e amarga, e isso não tinha nada a ver com o café sem açúcar que eu tomava.

— Você esvaziou a garrafa do meu whisky. Eu sei que eu te dei de presente no seu aniversário do ano passado, mas eu planejava tomar um drinque com você. – Tommy reclamou balançando a garrafa vazia que estava tombada sobre a minha mesa, que diga-se de passagem estava uma bagunça só – Eu só te vi beber tanto assim anos atrás quando você terminou o noivado com a Laurel e... – Tommy não terminou a frase e eu não gostei de como seu rosto se encheu de compreensão e principalmente do olhar cheio de significados que ele trocou com Diggle, que apenas assentiu.

Peguei os comprimidos de Diggle e virei junto ao resto de café, ignorando os dois. Era como se soubessem exatamente que a razão da minha bebedeira naquela época e agora eram a mesma. A mesma mulher que tocara uma parte de mim que nenhuma outra jamais alcançara.

E depois disso eu nunca mais fui o mesmo.

— Vai me dizer para me inscrever no AA, agora? — Me ergui do sofá de uma só vez e andei até a lixeira onde joguei o copo plástico vazio, aproveitei aquele minuto de costas para meus amigos para me recompor e me preparar para o embate, ignorado a cabeça que ainda latejava e fingindo que tudo estava bem.

— Eu não diria o AA, o seu caso está mais para o ABA — me senti mais tranquilo quando virei e o vi sorrir bem humorado para mim — Associação dos babacas anônimos, mas sinto te dizer amigo, seu problema não é anônimo. — sua mão se apoiou em meu ombro dando leves e amigáveis tapas.

— Talvez você devesse ir comigo, aposto que é o lugar perfeito para você. — revidei.

— Fui expulso, eles não conseguiram lidar com todo o excesso de babaquice. — eu ri com Tommy, era fácil levar a conversa com ele para um território mais tranquilo, se ele estivesse sozinho eu conseguiria fugir com mais facilidade. Mas quando encarei Diggle, eu sabia que meu outro amigo não seria tão condescendente comigo.

— Então? Quando começa o sermão? — Perguntei, indo direto ao assunto, desejando me livrar logo disso. Diggle me analisou por um segundo como se tentasse desvendar o que se passava em minha mente, então seus braços se descruzaram e o vi adotar uma postura mais relaxada.

— Apenas vá para casa, Oliver. — senti meu corpo tenso ao ouvir a palavra casa, e prendi o ar — Tome um banho, durma em uma cama decente ao invés de um sofá e descanse, eu não sei o que aconteceu ontem e você provavelmente não vai querer uma conversa de peito aberto sobre isso comigo e Tommy. Pelo menos não agora. — fiz uma careta, sabendo que em algum momento eles esperariam ter a tal conversa — Mas eu também sei que você gosta de ser aquele que controla todas as emoções e sentimentos, e vejo o quanto esse “algo” que aconteceu te afetou. Dessa vez, vou pular a parte do sermão, e te dar apenas um conselho. — eu podia dizer que odiava esse jeito paizão de Diggle, que não precisava da ajuda de ninguém, mas no fundo eu estava ansioso por isso — Você precisa se dar um tempo para sentir.

Absorvi suas palavras.

Eu sabia que Diggle estava certo, ele sempre estava.

Mas havia um problema com seu conselho.

Eu não queria sentir.

Porque sentir era o que me fazia agir impulsivamente com Felicity, e se eu continuasse a sentir quando estava com ela, eu nunca conseguiria ajeitar as coisas entre nós.

Eu seguiria fazendo tudo sempre errado.

— Eu não quero ir para casa. – falei como uma criança emburrada.

— Você precisa, não pode se esconder nesse escritório para sempre. – seu tom veio mais incisivo — Até porque ela precisa vir aqui também, se esconder não faz muito sentido, não é mesmo?! – retesei, nenhum dos dois havia dito o nome dela, nenhum dos dois sabia o que tinha acontecido ontem. Mas de alguma forma eles sabiam que essa era a minha reação usual à ela.

— Eu não estou me escondendo dela. – Me defendi. Eu era um covarde, era óbvio que eu estava me escondendo, mas não iria admitir. Eu era um homem no final das contas, precisava agir como um. – Ou de ninguém.

— Eu não vou fingir que entendo o que anda acontecendo entre você e Felicity, mas vocês dois precisam se entender, precisam de um tempo sozinhos para se acertarem, conversar sobre tudo o que está acontecendo ao invés de ficarem nesse cabo de guerra sem fim — E ali estava, o nome dela dito alto o suficiente para que eu não pudesse mais ignorar a razão de toda a minha confusão. — E sabe qual é a única certeza em uma guerra? Não há vencedores no final, Oliver, apenas pessoas feridas em ambos os lados. Não lhe parece uma boa ideia parar de se ferirem?

A pergunta ficou em mim.

Felicity foi embora ontem, ferida. Eu vi a raiva, a tristeza, a mágoa, tudo isso em seu olhar quando ela me disse suas últimas palavras. E ao meu próprio modo, eu estava magoado e ferido também, não que ela tenha me ferido, mas feri-la me feria na mesma medida ou ainda mais.

John estava, como era esperado, certo, mas eu sabia onde um tempo sozinho com Felicity me levava.

— Eu pensei que não haveria sermão. — forcei um pequeno sorriso. John havia me mostrado um caminho, isso não significava que eu estava pronto para segui-lo.

— É apenas um conselho, Oliver. — deu de ombros, colocando rapidamente as mãos sobre os meus — Você é um homem feito e sabe o que faz da sua vida, eu só espero que entenda que repetir as mesmas ações esperando um resultado diferente não é muito inteligente. — eu assenti aceitando o seu conselho enquanto ainda pensava o que faria com ele. Ou melhor, quando o usaria.

Vi Diggle caminhar em direção a porta, eu sabia que a intervenção dele e de Tommy havia chegado ao fim. E mesmo eu sendo tão avesso a tal conversa de peito aberto, era grato por tê-los a seu próprio modo me aconselhando e se preocupando comigo.

— Vou para casa. — decidi, sentindo meu estômago revirar ansioso e ao mesmo tempo temeroso com o que aquela decisão significava — Dormir, eu preciso descansar um pouco. – acrescentei, apenas para não deixá-los fantasiando demais.

— Boa ideia. — Diggle concordou sorrindo satisfeito e orgulhoso olhando para mim enquanto eu corria apressado pela minha sala pegando minhas chaves e carteira e enfiando tudo de qualquer jeito dentro dos bolsos, além de pegar o paletó amassado do chão, vestindo-o.

O problema foi quando me sentei no sofá para calçar meus sapatos e a vi.

Um maldito pedaço pequeno de renda preta embolado perto dos cacos de vidro de um porta retrato. Eu estava alucinando? Talvez tivesse bebido tanto que a realidade e a fantasia estivessem se misturando. Afinal aquilo não poderia ser a....?

— Puta que pariu! – Eu não pensei antes de falar ou agir, meus passos foram diretos até o pedaço de pano, e me abaixei esticando a mão para ele, o tocando-o, sentindo em meus dedos a mesma maciez que havia sentido no dia anterior ao escorregar o pedaço de renda por suas pernas.

Meu primeiro ato foi sorrir, sentindo o tecido entre os dedos. Eles traziam lembranças sensuais, e eu gostava da ideia de poder tê-lo apenas para mim, mesmo que isso significasse um tormento adicional. No fim, por mais que houvesse milhares de contras e razões para manter meu pensamento longe dela, às vezes eu apenas precisava pensar nela.

E agora eu estava pensando.

Pensando nela de pé em minha frente, sua postura confiante e seu olhar enraivecido. Suas palavras duras e seu passo firme e decidido quando ela me deu as costas. E Felicity simplesmente fez tudo isso.

Sem.

A.

Calcinha.

Porra! Isso apenas a deixara mais sexy! Eu não precisava dessa imagem, agora sempre que eu a olhasse eu me questionaria a cada momento se ela estava usando uma ou não... Espere um momento! Felicity saiu daqui de saia e sem a maldita calcinha! Que Diabos aquela mulher pensava?! Quem mais na rua teria notado que ela estava assim? E se ela subisse por uma escada ou se abaixasse para pegar algo que caiu no chão...

— Oliver? – a voz de Tommy me obrigou a guardar aqueles pensamentos por um tempo — Está tudo bem?

— Sim. – peguei o tecido o escondendo dentro de uma das mãos e enfiando no bolso, antes que mais alguém visse. – Só olhando meu porta-retratos quebrado.

— Devia ser um porta-retratos bem especial, hein?!

— Era sim.

— Pediremos alguém para limpar o lugar. – assenti concordando com Dig e me colocando de pé novamente — Está pronto para ir para casa?

— Estou pronto para ir para casa. – Mas não pronto ainda para vê-la. Muito menos com a calcinha dela no meu bolso me recordando de como eu a havia tirado.

Foda-se, eu nunca realmente estava pronto para encarar a realidade do que ver Felicity fazia comigo.

Mas uma hora eu teria que começar.

— Não quer ao menos escovar os dentes antes? – Tommy que estava escorado na parede ao lado da porta me questionou, uma das sobrancelhas erguidas e um sorrisinho debochado pendendo nos lábios – Ela pode ignorar a roupa desalinhada, mas mulher nenhuma vai querer beijar um cara com bafo de ressaca. — apenas grunhi para Tommy – Tanto faz – ele deu de ombros se afastando da parede, seu sorriso se tornando maior por arrancar aquela reação de mim — Melhor para mim e meu hálito fresco de hortelã, aposto que Felicity... — parei, dando dois passos duros em direção a Tommy.

— Você vai ficar longe dela, Thomas Merlyn. – avisei.

— Você usou meu nome completo?! – eu estava fazendo a diversão do bastardo, mas era mais forte do que eu.

— Você não vai passar uma cantada, não vai convidá-la para um encontro ou jogar esse charmezinho barato pra cima dela...

— Meu charme não é barato. – devolveu ofendido.

— ...Vai manter uma distância de dois metros dela e vai ser apenas educado, o que é bem diferente de ser paquerador. – continuei sendo ainda mais incisivo, ignorando Diggle que disfarçava o riso com uma tosse – Também não o quero rondando-a, tocando-a ou deixando beijos em sua bochecha na minha frente, porque eu sei que faz isso apenas para me irritar. E eu não vou deixar você usá-la para isso.

Tommy ponderou por um minuto, parecendo pensativo sob o meu olhar.

— Então quando você não estiver olhando eu posso fazer qualquer uma dessas coisas? – perguntou sério, seus olhos aguçados escondendo suas verdadeiras intenções.

— Não. – minha resposta resoluta veio mais agressiva do que eu pretendia, mas novamente, era difícil me controlar.

— Eu vejo. Mas, por quê? – eu pisquei diante daquela pergunta – Por que eu deveria ficar longe dela, Ollie? — eu não tinha uma resposta para aquela pergunta, pelo menos não uma que não me deixasse encrencado, Tommy sabia disso também. Mas naquele momento eu não me importei, eu estava exausto, mentalmente, fisicamente e, ainda novo para mim esse tipo, mas eu estava emocionalmente exausto de fingir não sentir nada.

Então foi fácil deixar parte da verdade escapulir por meus lábios.

— Porque eu disse para ficar. – passei por ele e saí pela porta da minha sala a passos rápidos, de repente me sentindo ansioso para ir para casa.

— Oliver? – escutei a voz de Tommy me alcançar quando eu estava no elevador, tentei fechar a porta antes que o desgraçado conseguisse arrancar mais uma verdade de mim, mas não fui rápido o suficiente já que ele colocou seu pé na porta travando-a.

— Diga qual é a tortura da vez. – resmunguei.

— Eu não vou rondar Felicity. – olhei diretamente para ele, estranhando o quanto ele parecia sincero.

— Qual é a pegadinha? – devolvi sem confiar nenhum pouco no bastardo.

E estava certo em fazê-lo. Tommy abriu um sorriso amplo, mostrando todos os seus dentes brancos e perfeitos.

— Eu não vou rondá-la, eu juro – Tommy nunca fazia juras em vão — Mas eu só vou fazer isso porque estou vendo a calcinha dela no seu bolso, e como manda o código dos amigos, eu não vou atrás da sua mulher. – ele piscou, tirando o pé da porta e deixando que ela finalmente se fechasse.

A pegadinha era: ele sabia.

***

Eu deixei o escritório e voltei para casa, mas não a vi.

E não consegui concluir se estava aliviado ou frustrado por isso. Mas decidi não avaliar minha confusão naquele momento, minha mente já estava saturada demais. Por isso apenas subi para o meu quarto, fechei todas as cortinas e me despi daquela roupa amassada do dia anterior tomando o cuidado de guardar em minha gaveta o que estava dentro do meu bolso, mesmo que eu tenha menosprezado um pouco o conselho de Diggle no começo, eu o segui.

Eu me permiti um momento para mim.

Para mim e todos aqueles sentimentos os quais eu tanto lutei contra.

Tomei um banho demorado, deixando que a água quente corresse por meu corpo fazendo o seu trabalho de acalmar os pontos de tensão, ao mesmo tempo em que lavava o cheiro dela de mim. Quanto a esse último eu não fiquei muito contente.

Por fim puxei as cortinas e me enfiei debaixo dos cobertores, rendendo-me a escuridão, esperando que ela curasse aquela ressaca que não parecia apenas alcoólica. Poderia alguém sofrer uma ressaca de sentimentos? Quando há tantos e você simplesmente perde o controle sobre eles? Eu não sei, mas eu sei que depois de algumas horas dormindo o sono dos justos, eu acordei com mais clareza. Eu ainda estava receoso com o que ter sexo com Felicity uma segunda vez me fizera sentir, tinha sido assim apenas com ela. Só com ela.

Embora minhas memórias daquela única noite há cinco anos fossem precisas e vivas, parte de mim se convenceu de que tinha sido apenas aquela vez. Que tinha algo a ver com a ideia do que era proibido, por muito tempo eu a vi como meu guilty pleasure, algo que eu queria desesperadamente, mas que não poderia ter. E também porque Felicity tinha sido não apenas sexy, mas terrivelmente doce e eu nunca tinha estado com alguém tão pura quanto ela.

Eu não falava da sua virgindade.

Mas de como cada toque dela tinha me tocado além da pele, como seus beijos tiraram-me o fôlego, o que olhar em seus olhos enquanto eu estava dentro dela me movendo me fazia sentir. E agora eu tinha a prova que mesmo depois de cinco anos, ainda era assim.

Talvez até mesmo melhor.

Talvez por isso eu tenha tentado me afastar tanto dela, tentado ignorar a atração porque no fundo eu sempre soube que dormir com Felicity tinha sido mais. E que tudo o que compartilhamos numa cama – ou na mesa do meu escritório -, era único, e eu jamais encontraria isso em outra mulher.

Aos poucos eu retomei o controle de mim, eu entendi melhor meus sentimentos com relação a Felicity. Não todos eles, ainda havia muito ressentimento entre nós, as mentiras que ela contava e todos os seus segredos, o nosso passado, tudo isso nublando os outros sentimentos, me impedindo de enxerga-los com clareza. Mas pelo menos agora eu me sentia um pouco mais certo do que deveria fazer.

Eu precisava falar com Felicity.

Explicar o porquê eu me afastei depois do sexo, depois de tudo o que ela me falou, eu não achava que ela via o meu lado. Embora agora eu pudesse ver claramente o dela, o quão rapidamente ela mergulhou na ideia da rejeição quando eu me afastei, o quanto foi fácil para Felicity dizer que ela era um erro para mim.

Eu deixei meu quarto e desci as escadas, decidido e ao mesmo tempo repleto de dúvidas.

Eu queria realmente falar com ela dessa vez e não empurrar as coisas para um outro momento, conversar e colocar algumas coisas às claras, não mais me afastar ou permitir que ela se afastasse, pelo menos não até decidir o que fazer com esse “nós”. Porque havia um nós. Sempre houve, e parte de mim suspeitava que ainda que Felicity recuasse, sempre haveria.

Eu era ciente que nós tínhamos muita coisa entre nós, principalmente muita tensão. Por Deus! Um simples abraço e de repente nós estávamos nos beijando e tirando nossas roupas! Transar no meu escritório foi uma reação inesperada? Eu não poderia dizer que sim considerando toda a tensão que permeava a nós dois o tempo todo, o desejo sempre estivera lá a espreita esperando pelo momento em que baixaríamos nossas guardas, nós dois éramos conscientes dele, só que nos esforçávamos para ignorá-lo. Mas por mais que tenha sido uma reação impulsiva num primeiro momento, o que veio depois foi nossa escolha, nossas ações, nenhum de nós conseguiu se conter, nenhum de nós dois quis se conter.

Isso revelava muito sobre nós dois.

Havia sido mais do que sexo casual também.

Tinha que ter sido mais do que sexo casual. Depois de cinco anos ainda ter aquela conexão com ela? Ainda deixar que seu cheiro, seu toque, tudo nela me fizesse reagir da forma que reagi? Ficar louco e me embebedar porque a vi ir embora e não sabia o que dizer para fazê-la ficar e me ouvir? Ou se sequer tinha o direito de pedir isso à ela? Não quando eu já havia errado tanto no nosso passado, e novamente errei com ela?

Que outra mulher conseguiu de mim tamanha confusão?

A vida sempre foi clara para mim.

Desde menino quando meu pai me levava para passear com ele no Queen Gambit e falava sobre a vida, sobre como se trabalhou duro para crescer e ser um bom homem, desde dessa época eu já sabia o que eu desejava para mim. Eu queria ser como ele, e dar orgulho a ele. Fazer meu próprio nome ao invés de me respaldar na riqueza da família Queen, por isso estudei direito e construí meu próprio escritório, lutei para ter meu próprio lugar. Eu planejava me casar e assim como meu pai construir uma bela família um dia também. Eu achava que se seguisse os passos dele eu seria tão feliz quanto Robert Queen foi.

Eu fiz um plano e eu o segui.

Eu tinha todo o maldito plano quase pronto. Tinha uma noiva e estava pronto para me casar e construir uma família com ela, o último passo. Mas então Felicity aconteceu...

Eu escutei vozes e risadas quando cheguei ao final da escada esse som me distraiu de meus pensamentos, e imediatamente meus lábios se contraíram formando um sorriso. Há quanto tempo não havia risos nesta casa? Na minha vida? Eu segui aquele som, sendo em parte chamado pela sensação boa que ele me passava, e em outra parte porque eu reconheci um desses risos.

Felicity.

Cheguei à porta da cozinha e parei assim que a vi, trajando um minúsculo biquíni vermelho, me apoiei no batente da porta e ali fiquei apenas apreciando a vista, me lembrando de uma outra época em que eu fazia o mesmo. Eu, Oliver Queen, um homem formado agia como um menino quando se tratava de Felicity Smoak, não havia como negar. Mas em minha defesa, era difícil não parar para apreciar aquela vista...

“- Essa é uma vista e tanto. – me coloquei ereto e me afastei da janela, me sentindo tenso como uma criança pega fazendo algo que não devia. Encarei a pessoa a minha frente reconhecendo o sorriso interessado, e não gostando nenhum pouco do que via ali — Certas partes da anatomia da amiguinha de Thea cresceram bem nesse último ano, hein? – Tommy se inclinou um pouco, observando furtivamente a mesma imagem que a pouco eu observava do lado de fora. — Por favor, Ollie, diga que ela já tem dezoito anos.

— Ela tem dezessete. – menti, ciente de que ela já havia feito dezoito, mas eu precisava proteger Felicity de Tommy e de seus pensamentos nada puros. Ainda que os meus não fossem muito melhores.

— Que pena! Mas ninguém pode nos condenar para dar uma espiadinha, certo? A bunda dela é tão... – apertei as mãos em punho, incapaz de fazer algo enquanto Tommy fazia um gesto um pouco obsceno com as mãos.

— Tommy! Ela é uma menina! – adverti, dando uma segunda olhada pela janela. As curvas que o biquíni vermelho deixavam a mostra me diziam exatamente o contrário. Talvez Felicity ainda conservasse aquele ar de menina no rosto, seu sorriso ainda fosse doce e seus olhos um pouco inocentes, mas seu corpo? Seu corpo era o de uma linda mulher, cada uma de suas curvas era tentadora demais para seu próprio bem. E eu estava muito tentado.

— Não venha com esse tom de reprimenda, eu cheguei aqui e você estava a espionando pela janela! – replicou. Encarei Tommy forçando um ar desentendido, eu era bom em esconder o que Felicity provocava em mim, em tentar não olhá-la. Eu era ciente que aquela atração que ela havia despertado em mim há alguns meses não deveria passar de apenas uma atração, em algum tempo, passaria.

— Eu não estava a olhando! – me defendi. – Pelo menos não a devorava com os olhos. – acrescentei a mentira. — Eu estava olhando para ela e Thea, vendo se tudo estava bem, se precisavam de algo...

— Oh, claro! – concordou debochado — Queria ver se Laurel acreditaria nessa sua desculpazinha. – Tommy riu — Era tão óbvio para onde estava olhado. – ele fez novamente o sinal, me deixando irritado.

— Ela tem dezessete, Tommy.

— E você tem dois olhos. – deu de ombros, parecendo se divertir.

— Tommy eu não... – comecei a me defender sem saber ao certo como.

— Eu não estou dizendo que você iria, eu te conheço e sei o quão certinho você é, Oliver. – revirou os olhos como se não aprovasse – E você tem uma noiva te esperando em casa, e já a garota ali é a melhor amiga de Thea – indicou com um olhar para a janela de onde a pouco olhávamos Felicity – Você não iria estragar seu precioso plano, muito menos com uma garota de dezessete anos que é a melhor amiga da sua irmã, nem mesmo se ela fosse o grande amor da sua vida. Se você fosse fazer algo errado, começaria pequeno como jogar lixo no chão... – Tentou fazer piada, mas eu realmente estava impressionado com o quanto Tommy estava certo. Mas captei algo mais nas suas palavras, algo que me fez questionar o quanto eu deixava de fazer porque estava fora do meu plano perfeito? -... Eu apenas não sou hipócrita para te condenar por olhar, afinal é uma bela...

— Oh! Eu não sabia que estavam aqui. – uma Felicity usando uma saída de praia cujo tecido grudava em seu corpo e ficava transparente nas áreas molhadas, apareceu a nossa frente. Notei que suas bochechas se tingiram de um vermelho ao olhar para nós, mas ela não desviou o olhar ou virou o rosto como uma garota tímida.

Ela encarou.

—... vista. — Tommy completou a frase anterior num riso sem vergonha.

— Oi, Felicity. – a cumprimentei, ignorando Tommy. – Aproveitando a piscina?

— Serão minhas últimas férias aqui com Thea antes da faculdade, ela me mataria se eu passasse menos do que vinte e cinco horas do meu dia com ela. – comentou, parecendo mais a vontade e se apoiando em um dos armários, meus olhos acompanharam o ligeiro arquear da saída de praia dela, que deixava um pouco mais de porção de pele a mostra.

— Possessiva e controladora, soa exatamente como a minha irmã. – Felicity riu, sua risada provocando uma reação estranha no meu estômago.

— Você disse, faculdade? – Tommy se intrometeu, roubando a atenção de Felicity que assentiu — Não sabia que já tinha se formado no ensino médio...

— Na verdade eu ainda não recebi minhas cartas de aceitação.

— Mas você vai. – confirmei arrancando um sorriso dela. Eu tentava não me aproximar muito de Felicity desde o momento em que me tornei ciente de que ela me atraia. Mas isso não significava que eu a ignorava, por metade da minha vida ela frequentou a minha casa, no começo ela era só uma garota engraçadinha com suas sardas e duas trancinhas, mas então ela cresceu e quando eu estava na casa dos meus pais eu me permitia alguns momentos para conversar com ela, Felicity era uma garota inteligente, que sempre me fazia perguntas espertas. No último mês, eu corrigi um dos textos que ela enviou para uma das faculdades, e fiquei surpreso com o quão maduro ele era.

— Então você já tem dezoito? – a pergunta de Tommy me colocou em alerta.

— Eu fiz...

— Tommy, não devíamos atrapalhar Felicity e Thea, as duas precisam se divertir e você veio aqui para me ver. – interrompi Felicity, antes que ela desse informações demais para o libertino que Tommy era.

— Sim, mas eu já te vi, agora posso fazer outra coisa.

Desgraçado cínico.

— Se quiserem podem se juntar a nós, Thea não vai se importar. – Felicity ofereceu.

— Oh, eu adoraria, está mesmo um calor insuportável aqui...

— Não, você não adoraria nada. – fui mais duro do que devia com ele. – Além disso, temos coisas do trabalho para resolver, vamos deixar Felicity e minha irmã em paz. – Mal terminei de explicar e arrastei Tommy para longe antes que ele pusesse suas garras em Felicity.

Pouco tempo depois eu despachei Tommy, mas não me juntei a Felicity e Thea na piscina, embora o convite tenha sido refeito dessa vez por minha irmã. Até mesmo minha mãe tentara me convencer de que estava calor e que um mergulho melhoraria a minha aparência de quem tem trabalhado demais. Eu tinha ciência de que ela estava certa, mas eu não sabia se conseguiria me conter se o fizesse, entretanto eu fui masoquista o suficiente para me sentar em uma espreguiçadeira a beira da piscina e fingir que lia o jornal enquanto na verdade observava a bela vista que era Felicity Smoak.

***

Como há anos atrás, eu apreciava uma bela vista.

Porém, dessa vez eu não poderia fingir que ela não me tentava. Eu havia tocado cada uma daquelas curvas, beijado seus lábios e os pontos sensíveis de sua pele, sentindo o corpo nu dela se movendo em sincronia junto ao meu enquanto nos satisfazíamos daquela fome que parecia nunca ter fim. Anos atrás eu poderia disfarçar melhor, mas agora que eu conhecia seu gosto, era apenas impossível ficar alheio a vontade de provar mais uma vez.

Meu corpo formigava pelo dela.

Me vi dando mais um passo.

Eu vinha elaborando em minha mente tudo o que precisava conversar com ela. Cada tópico, cada detalhe que precisava ser esclarecido. Mas eu a tinha na minha visão, trajando ainda menos roupa do que ela trajava na noite anterior, e esse efeito em mim era imediato.

Eu ia chamá-la.

Mas seu nome morreu em minha garganta quando eu a vi se debater, rindo e nos braços de outro homem que tentava jogá-la na piscina.

— Não se atreva, Roy! – Ela protestava.

— Se atreva sim, Roy! – Escutei ao longe a voz da minha irmã que já estava dentro da piscina incentivar, mas eu não prestava muita atenção. Eu estava vendo tudo em vermelho, como um touro bravo que é provocado e precisa atacar.

— Não! Me solta! – ela riu, fazendo o protesto perder força.

— Ela disse para soltá-la. – falei com a voz dura, encarando o rapaz que tinha suas mãos envoltas do corpo de Felicity, eu o reconheci como o tal “amigo” que estava com ela na festa em que toda a merda aconteceu, só por isso eu já não gostava ou confiava nele. Notei que os risos cessaram assim que deixei meu comando, e a cor sumiu completamente do rosto de Felicity. – Vamos, solte-a. – ordenei novamente e ele o fez, parecendo confuso e ligeiramente assustado.

Eu tinha três pares de olhos me encarando confusos.

Eu não sei o que deu em mim.

Eu apenas a vi, tendo outros braços em seu corpo e isso trouxe o inferno para fora de mim. Não pensei, apenas agi, completamente irracional e um pouco enciumado porque desejava que fossem meus braços ao redor do corpo dela, queria que seu riso, que as brincadeiras fossem comigo.

Que merda estava acontecendo?

Dei meia volta, me afastando dela.

Eu deveria me acalmar antes de ir até ela novamente ao invés de agir como um imbecil, eu deveria esperar que ela estivesse sozinha também, mas não sozinha o suficiente para que eu perdesse o controle, eu deveria...

— Que merda foi aquela? – escutei a voz irritada me alcançar quando eu cheguei ao pé da escada. — Acha que por ter me fodido em cima da sua mesa te dá direito de agir assim? – ouvi-la falar assim de forma tão crua sobre sexo, foi como receber uma bofetada na cara. – Estou avisando, se depois de passar a noite sozinho você veio atrás de mim para uma trepada quente em cima da primeira superfície lisa que encontrar, eu sinto te desapontar, mas não estou disponível mais.

— Eu não vim por isso. – eu odiava que ela pensasse isso de mim.

— Então? – ela cruzou os braços – Eu não sei no que posso ser útil para você. – Era óbvio que ela estava magoada comigo e eu não poderia culpá-la. Mas eu odiava tanto ser a razão daquela dor em seus olhos que ela se esforçava tanto para esconder, odiava que ela estivesse sempre tensa e cautelosa perto de mim. Eu apenas deixei as palavras saírem de mim, urgentes e ansiosas para desfazer mais aquele mal entendido entre nós.

— Felicity, esse não sou eu! — esbravejei — Eu não faço sexo casual em cima da mesa do meu escritório ou da primeira superfície lisa que encontro, eu não perco a cabeça porque eu vi a mulher que deveria ser só minha nos braços de outro cara ou depois usando a camisa dele – comentei, eu havia notado com certo ciúme que ela vestia uma camisa masculina por sobre o biquíni, e uma vez que não era minha... — Você faz de mim uma bagunça completa!

— Oh! Me desculpe. – ela disse, num ato mais reflexivo do que sincero e até mesmo um pouco irônico, e deu um passo para trás.

— Não, Felicity. – dei um passo em direção a ela, cansado do jogo de se aproximar e afastar — Você não está entendendo eu não quero que você se desculpe comigo por fazer de mim uma confusão – dei outro passo — Deus sabe que sou eu que lhe devo desculpas. – falei mais baixo, envergonhado até, olhando nos olhos dela e esperando que ela me desculpasse sem que eu dissesse o porquê.

— Eu não consigo te entender. – falou após avaliar meu semblante por breves momentos.

— Nem eu. – eu ri, embora prendesse o ar dentro de mim e o som tenha saído um pouco engasgado — Vê o tamanho da encrenca em que me colocou?

— Me des...

— Não. – a cortei antes que eu a ouvisse proferir aquela palavra — Eu quero me desculpar com você. – balancei a cabeça consertando em seguida – Eu devo me desculpar com você pelo...

— Pelo sexo. – ela completou. Não sei se ela mesma notou o modo como a voz dela quebrou naquelas duas palavras, mesmo que Felicity tentasse se fazer de forte, eu estava começando a ver através das rachaduras.

— Sim. – eu confirmei, e notei um sorriso forçado em seu semblante enquanto ela assentia e fechava os olhos fugindo do meu olhar — Mas eu não quero me desculpar por termos feito sexo, eu acho que era inevitável em algum ponto, o jeito que nos sentimos atraídos um pelo outro.... Nós dois temos pisado em ovos quando estamos perto, sempre tentando não nos tocar ou nos aproximarmos muito, porque ambos sabemos que existe algo forte entre nós, Felicity. – seu rosto estava travado, se esforçando para não demonstrar qualquer emoção — Eu não sei como chamar isso, e honestamente eu não me importo mais com nomes. É bom, me faz bem e acho que faz bem à você também.

— Mas ainda assim você quer se desculpar pelo sexo? – ela ainda tinha aquilo preso na cabeça dela – Eu vi arrependimento em seus olhos, Oliver, não precisa mentir para mim e além disso você disse que “isso não devia ter acontecido”.

— Você é tão teimosa. – suspirei, desejando aos céus que fazê-la me entender não fosse uma tarefa tão árdua — Sim, eu me arrependi. Sim, eu lhe devo desculpas pelo sexo – a respiração dela se alterou, eu a vi até mesmo cerrar ambas as mãos em punho — Quando eu disse que não deveria ter acontecido, eu quis dizer que eu não queria que tivesse sido daquela maneira, você viu o arrependimento por ter feito sexo daquele jeito com você. – eu não tinha certeza se Felicity estava me entendendo, mas uma vez que comecei a falar ficou mais fácil deixar tudo fluir – Quando eu a empurrei para a minha mesa e a despi de qualquer maneira, eu fiz parecer que era leviano, quando não é. Eu te disse, eu não fodo uma mulher na mesa do meu escritório ou em qualquer lugar que não seja muito privado. Não vê que você merecia mais de mim? Eu preferia ter tido você em minha cama, ou deveria ter ao menos deitado o seu corpo no sofá onde você teria ficado mais confortável do que uma mesa. Deveria ter te despido devagar e com carinho, ter sido mais gentil ao te beijar e tocar, por mais afoito que nós dois estivéssemos eu deveria ter sido cuidadoso e me lembrado da camisinha. E te devo desculpas por isso. – Felicity mordia os lábios, eu já estava aprendendo a ler suas reações então eu sabia que ela estava temerosa ainda, se segurando – Eu sei que é bagunçado entre a gente, e talvez até mesmo errado.

— Errado? — ela deixou sair num soluço.

— Minha consciência diz que é errado, que eu não deveria me envolver com você. – ela agora prestava total atenção — Nós temos um passado mal resolvido, você está passando por um processo judicial, e quase foi presa, está vulnerável e além de tudo eu sou seu advogado. Não seria ético. Eu não... eu quero dizer... Eu deveria ser profissional, deveria escutar minha consciência e me afastar, e não me aproveitar de você num momento assim. – pensei ter visto um sorriso se insinuar no rosto dela e isso me encorajou — Mas eu estou tão cansado de escutar a minha consciência, de negar o que eu quero, eu até mesmo acho que depois de ontem ela desapareceu completamente.

— Oliver, eu não estou entendendo aonde você quer chegar.

— Eu quero você. – falei, deixando que a surpresa da declaração a atingisse — Eu entendo que não temos muito a oferecer um ao outro. Mas somos bons juntos, eu quero você, eu não consigo me livrar disso, e eu não sei se consigo ou se quero continuar a fingir que não te quero. Eu sei que não é justo, mas eu acho que você me quer também, na verdade eu acho que de alguma forma disfuncional, nós dois precisamos um do outro. Eu não sei aonde isso vai nos levar, eu não sei sequer se vai durar, mas eu sinto que sufocar isso não vai acabar bem...

— Como ontem?

— Ontem foi sem igual. – a assegurei captando seus olhos nos meus para que não houvesse nenhuma dúvida — Eu não me arrependo de ontem, só acho que por mais excitante que a impulsividade seja entre nós, teria sido melhor se tivéssemos feito do jeito certo.

— E qual é o jeito certo?

— Eu não sei. — confessei — Acho que deveríamos descobrir isso juntos. – tomei uma decisão arriscada, aproveitei de sua distração enquanto ela tentava entender o real significado das minhas palavras e procurei pela mão dela a enlaçando na minha, dedos entre os dedos.

— Oliver, você está dizendo...? – Felicity encarou nossas mãos unidas parecendo assustada, achei melhor recuar um pouco.

— Eu não estou te pedido para sermos um casal, Felicity. – expliquei melhor e percebi um pouco chateado que ela respirou aliviada — Eu não espero isso de nós quando há tantas coisas acontecendo, sua eminente acusação, todo um processo penal para lidar. Mas eu não vou mais fingir, é exaustivo e não leva a nada de bom. Mas o resto depende de você, eu estou deixando a decisão nas suas mãos, se você disser que não, eu vou entender e tentar me afastar. Mas eu sei o que eu quero agora, então não espere que eu vá fingir que não quero, eu vou ser sempre sincero e transparente com você, mesmo que você não seja comigo. – fiz aquela concessão, por mais que eu quisesse conhecer seus segredos, eu sabia que esta parte de si, Felicity não me daria assim tão fácil. E eu estava tão desesperado por ela que eu aceitava qualquer parte de si que ela me desse, por menor que parecesse, eu tinha aquela ideia tola de que talvez com o tempo ela poderia me achar digno de ganhar mais algumas – Suas mentiras não serão um problema.

— Não? – inspecionou, sem acreditar.

— Não. – assenti.

— Então qual vai ser o problema? – Perguntou, lendo em mim que havia algo.

— Eu preciso que responda com honestidade à apenas uma pergunta. – senti através de sua mão, que eu ainda segurava junto a minha que Felicity ficou mais tensa. Poderia ser mais complicado? Honestidade era um problema para ela, enquanto era a solução para mim. Por fim, tomei coragem e respire fundo apertando mais forte nossas mãos enquanto a olhava nos olhos a impedindo de fugir da minha pergunta — O que você quer de mim, Felicity?

Notas finais
Meu Deus, vocês estavam cheias de ódio nesse coraçãozinho e jogando tudo no Oliver! Tadinho do meu bebê, confuso com todos os sentimentos que essa loirinha provoca nele! Eu espero que tenham entendido que ele não quis afastar ela, só estava chateado por não ter se controlado, por achar que Felicity merecia mais dele do que uma transa em cima da mesa... Enfim, Fel não fica atrás já sempre antecipando a rejeição... Eu espero que tenham gostado desse capítulo! E que o ódio pelo Oliver tenha passado, a proposito Oliver está esperando um pedido de desculpas por ter sido xingado de tantos nomes feios... Falo com vocês em breve! Beijos ♥