Guilty Pleasure

24 Capítulo 22 - That's why we fight


Notas iniciais
Cheguei... E cada vez que eu apareço por aqui, estou um capítulo mais perto do fim. Nem comecei a me despedir, mas já sinto meu coraçãozinho apertado de dor. Vou dedicar esse capítulo de presente de aniversário um pouquinho atrasado para a Adriany Lorrany do twitter, espero que aprecie! Pra quem gosta eu sugiro ouvir escutando a música, uma das mais bonitas que eu já trouxe pra essa fanfic: https://youtu.be/y5qZGOU2KEk

I just want you here with me

Silence and kisses sweet

Say I'm the only one

There's nothing running from

No I won't let you go

Won't you

Don't you know I always try to

Can't you see it in my eyes

All the reasons you are mine

Maybe that's why we try

Maybe that's why we fight

Maybe that's why we give it all to keep this love alive

(Why We Try — Matthew Mayfield feat. Chelsea Lankes)

♥

Oliver Queen

Ela estava de costas.

Havia um par de sapatos de saltos vermelhos caídos sobre o carpete, e ela se erguia nas pontas dos pés, fazendo o vestido preto e discreto se elevar alguns centímetros na parte de trás, capturando minha atenção. Seus dedos calmamente tateavam as lombadas dos meus livros na estante, com interesse. Às vezes ela retirava um deles, passava alguns segundos encarando a capa e lendo o título em voz alta, o abria e cheirava suas páginas, então o devolvia para seu lugar e seguia para o próximo, continuando o ritual. Eu provavelmente deveria fazer algum som, dar passos pesados, pigarrear ou esbarrar em coisas, como pessoas normais fazem, assim não surpreendemos ou assustamos outras pessoas em seus momentos particulares.

Mas eu estava contente em apenas descansar meu corpo contra o batente da porta e permitir que meus olhos se perdessem ao acompanhar seus movimentos, sentindo meu coração vivo apenas por estar perto dela. Era tão raro vê-la assim, que eu simplesmente era incapaz de parar de olhá-la, incapaz de interromper o momento tão normal e talvez por isso tão fascinante.

Quando Diggle me disse que minha garota estava aqui, minha primeira reação foi empurrar minha cadeira para trás e me erguer no meio da reunião, enrolando as palavras ao jogar um agradecimento rápido à Caitlin por ter vindo tão em cima da hora. Por sorte a reunião já estava mesmo no final e já tínhamos conseguido o que eu precisava. Eu me esqueci de tudo o que ainda tinha que fazer antes da audiência daquele dia. Todos os meus planos se tornaram um borrão, tudo porque ela estava aqui, e isto era o mais importante.

Minha mente rodou pensando nas inúmeras formas que Felicity precisava de mim, e por isso tinha deixado a segurança do meu lar e vindo ao meu escritório em busca de conforto. Apressei meus passos, só tendo seu rosto nervoso em minha mente e planos de como eu a confortaria.

Eu sabia que hoje seria um longo e difícil dia para ela.

Para nós.

Nosso futuro dependia do dia de hoje.

Eu gostaria de poder ficar com ela para sempre na nossa Suíça, dormindo e acordando ao seu lado todos os dias, sem qualquer preocupação ou compromisso, tendo apenas um lindo nascer do sol e quilômetros de oceano ao nosso redor, nada para nos oprimir, apenas com uma ampla e vazia tela azul, cheia de possibilidades.

Queria isto no nosso futuro.

Um grande espaço vazio para construir o que quiséssemos. Possibilidades infinitas.

Mas antes que pudesse realizar esse pequeno sonho, a vida exigia que vencêssemos mais um obstáculo.

E seria hoje.

Afastei minha própria inquietação, era suposto que eu fosse seu porto seguro. Precisava estar no meu melhor para me concentrar em Felicity. Ser o que ela precisava que eu fosse. Desde o advogado implacável que não pararia até que ela estivesse livre, ao namorado que faria de tudo para vê-la feliz.

Eu esperava encontrá-la nervosa, ou vulnerável e precisando do meu abraço. Mas toda a urgência desapareceu e algo doce se apoderou do meu coração quando eu vi que ela estava bem, descontraída até, mexendo nas minhas coisas. Como se este fosse apenas um dia qualquer, e não o dia.

Por isso absorvi desse momento simples todos aqueles pequenos sonhos e grandes sentimentos, precisando deles para manter minha própria mente em ordem antes de me aproximar. Felicity se esticou ainda mais nas pontas dos pés, com os dois braços para cima e as pontas dos dedos mal encostando na madeira ao tentar alcançar a prateleira de cima, fazendo-me sorrir.

Ela não conseguiria.

Era minha chance.

— Que tal uma ajudinha? – Quando eu me pronunciei, surpreendendo-a com minha presença, eu já estava perto demais e tinha minhas mãos em sua cintura erguendo-a e lhe dando a altura que precisava.

Mas Felicity não pegou nenhum livro.

Ela tinha algo melhor para segurar.

— Oliver! – ela disse meu nome em meio ao riso da surpresa e girou em meus braços assim que seus pés tocaram novamente o chão, me dando um aconchegante abraço – Acho que fui pega bisbilhotando. – sorri, apenas porque agora ela tinha suas mãos enroladas na base do meu pescoço, a ponta dos dedos brincando com meus cabelos que pediam por um corte, mas ela parecia gostar tanto deles assim, um pouco maiores, que não me atrevi a ir ao barbeiro.

Meus olhos moveram-se para seu rosto, havia um belo sorriso descansando em seus lábios pintados em vermelho, mas bastava um olhar mais profundo para perceber a inquietação em seus olhos, meticulosamente escondida por debaixo de várias camadas.

Eu já a conhecia tão bem, que sabia que deveria remover cada uma dessas camadas com cuidado e carinho, antes de chegar ao fundo do que realmente a incomodava.

— Você tem o direito de bisbilhotar o que quiser, amor. — Lhe garanti. Minha mente apreciando a imagem de Felicity descalça em meu escritório e mexendo em minhas coisas. Imaginei a mesma cena se repetindo nos próximos anos. Eu retornando de uma audiência ou reunião cansativa, e encontrando-a aqui, completamente confortável. Talvez sentada em minha cadeira tamborilando impaciente ao esperar por mim, ou mesmo espalhada no sofá com um livro na mão, mas em todas as visões ela estava com seu lindo sorriso fazendo do meu dia, um dia melhor. — Mas o que faz aqui?

— Não está feliz em me ver? – contornou a pergunta fazendo um leve beicinho, mas não perdi que ela havia desviado o olhar.

— Estou sempre feliz em te ver, amor. – Eu nunca tinha o suficiente dela ao meu redor. – Mas e Ronnie? – seus olhos me mostraram alguma impaciência.

— Ronnie não fica muito feliz em me ver.

— Estamos engraçadinhas hoje. – Ela abriu um largo sorriso para mim, distraindo-me, mas não por muito tempo. — E Ronnie? – repeti.

— Relaxe, você está aqui comigo. – seus dedos deslizaram contornando o pescoço e desceram percorrendo a extensão da minha gravata, meus olhos seguiram seu movimento intencionalmente lento. Isso não vai dar certo. — Não preciso de Ronnie me rondando. – sentenciou com a voz arrastada e um sorriso malicioso demais. Eu deveria ter lido nas entrelinhas, ou em seu sorriso, suas verdadeiras intenções, mas era difícil quando Felicity Smoak se esforçava tanto para me distrair. E me oferecia uma distração tão boa quanto seu sorriso. — Na verdade, tudo o que não quero é alguém me vigiando quando estou com você.

Antes que eu pudesse lhe dar uma resposta, Felicity se ergueu na ponta dos pés e me puxou pela gravata, fazendo nossos lábios se encontrarem.

Eu não esperava pelo beijo.

Ou a urgência que havia nele.

O correspondi, entretanto, tentando dar a Felicity as respostas que ela buscava nesse beijo quase desesperado, mesmo sabendo que ela não as encontraria aqui. Deixei que detivesse o controle dele, ainda que seus lábios se movessem sobre os meus com pressa, que pequenas mordidas o deixassem mais sensual, ou que seu corpo moendo-se contra o meu me fizesse reagir excitado e primitivamente procurar por seu corpo de volta. Contrariando toda a reação física, meu cérebro me disse que não era por sexo que Felicity estava aqui, mas talvez ela tenha achado que esta fosse a resposta. Por isso permiti que ela retirasse do beijo tudo o que precisava, que tirasse meu ar, desalinhasse minha roupa e nos empurrasse até minha mesa. Aquela mesa. Eu esperei que ela reagisse removendo nossas roupas impacientemente, mas seu toque se tornou vacilante e seu beijo confuso. Eu a senti frustrada e perdida ao reconhecer que isto, não era o que ela realmente queria. E somente então lhe dei o consolo que ela tanto precisava, mas não se atrevia a me pedir.

Eu a beijei como merecia ser beijada.

Segurei seu rosto em minhas mãos e tomei meu tempo olhando em seus olhos, aproximei nossos lábios e nos conduzi lenta e profundamente pelo beijo terno, lembrando-a do que nos fortalecia.

Amor.

Era quase irônico o quanto este beijo era um reflexo de nós dois, da nossa jornada. Uma grande confusão no começo, com tantos sentimentos, mas não sabíamos – ou não queríamos lidar com eles naquele momento. Mas no fim, este beijo terminava exatamente aonde estávamos agora.

Juntos.

Reconhecendo quem éramos um para o outro.

Reconhecendo e aceitando o amor.

— Você tem batom bem aqui. — Felicity riu. O polegar tentando limpar o canto de meus lábios e uma parte da barba, onde eu só poderia imaginar, estava borrado em vermelho vivo. — Quer saber? Eu acho que vou deixar desse jeito. – afastou a mão, um brilho de diversão em seus olhos, como o de uma criança que apronta, e no fim, aprecia orgulhosa a bagunça que fez. – Assim todos saberão que Oliver Queen tem uma namorada. – meu sorriso veio fácil e bobo com a menção da pequena palavra.

Se eu reagia assim, apenas com Felicity se chamando de minha namorada, o que eu não faria quando ela fosse minha noiva? Esposa? Forcei meu coração a correr mais devagar, não estávamos lá ainda, e por isso dei um pequeno passo para trás, nos afastando.

Eu estava muito distraído, e não deveria.

Eu precisava me focar.

— Eu gosto disso, de ter uma namorada possessiva que ama me deixar marcado. – Deixei um pequeno e singelo beijo sobre sua testa e seu sorriso diminuiu ao me ver me afastar um pouco mais. Dei dois passos até a poltrona dessa vez, ajeitei minha gravata frouxa e me sentei, ergui meus olhos para Felicity que ainda estava no mesmo lugar, confusa com minha pequena distância auto imposta. – Mas sabe do que não gosto? – ela piscou várias vezes balançando a cabeça levemente, era hora de pressioná-la um pouco. — De que isso tudo seja uma distração para você não responder minhas perguntas.

— Oliver... – peguei sua mão por cima da mesa, e a segurei junto a minha. Eu não iria brigar com ela por suas motivações ao me beijar, eu a conhecia bem para saber que eram profundas.

Eu apenas queria conhece-las, para saber como ajuda-la.

Esse não era todo o ponto de estar em um relacionamento? Criar uma base de segurança e estar presente para o outro nos melhores e piores momentos? Ter alguém para dividir o peso, para confiar e amar?

— Quando minha garota me beija, eu quero saber que é porque ela me quer e não porque está me enrolando. – Felicity deu a volta a mesa, se aproximando sem conseguir esconder seu nervosismo completamente desnecessário. Minha mão ainda segurava a sua, mas seu olhar no meu, segurava meu coração ao dela.

— Eu sempre te quero, você sabe disso. – ela falou suavemente, e vi uma daquelas camadas caírem deixando seus olhos mais claros e menos carregados — Ronnie está lá embaixo. – respondeu vacilante, e tomei meu tempo acariciando a palma de sua mão com a ponta dos dedos, lembrando-a de que estava bem falar comigo. — Vigiando a entrada do prédio, checando as câmeras de segurança e todas essas coisas paranoicas que você o manda fazer. – ela revirou os olhos.

Não a contradisse, eu tinha motivos para ser paranoico, mas não queria levar nossa conversa para isso.

— E a outra? – Forcei um pouco mais, e ela suspirou. Felicity era assim, ela nunca entregava tudo de primeira, com ela eu precisava ir aos poucos, removendo cada um de seus medos e frustrações, como se fossem peças de roupas e ela sempre se vestia para enfrentar uma tempestade de neve. Mas eu não me importava, eu aprendi a apreciar até mesmo esses momentos, porque eu percebi que se a vida a ensinou a sempre ser forte, a esconder suas dores e medos, era meu trabalho – como seu namorado – ser aquele que a ensinaria que todo fardo é menor quando se tem alguém para dividir, não seria fácil, mas no que dependesse de mim, eu me certificaria de ter todo o tempo do mundo com ela. Além disso, nada era mais bonito do que vê-la nua – O que faz aqui, amor? – repeti a pergunta recebendo um olhar que me dizia que não tinha sido justo chama-la de amor, mas eu não me importava, era um dos meios mais efetivos de conseguir algo de Felicity.

Escutei o alto e exasperado suspiro, antes de suas palavras.

— Elas estavam me enlouquecendo! – Felicity exclamou com irritação seu corpo tencionando e ameaçando se afastar. Fui mais ágil do que ela e a puxei para mim, fazendo-a cair direto em meu colo. Não me lembrava de tê-la visto assim antes, eu sequer sabia o que fazer quando ela parecia tão frustrada e aborrecida, mas sabia que a única forma de encontrar a resposta, era mantendo-a perto de mim.

— Quem estava te enlouquecendo? – perguntei tentando não enlouquecer, enquanto Felicity se ajeitava em meu colo, cruzando suas pernas nuas e as jogando por cima do braço da poltrona.

Tentação.

Como era suposto que eu focasse em seus sentimentos quando eu tinha aquelas perfeitas e torneadas pernas ao alcance das minhas mãos?

— Minha mãe e sua irmã. – disse naquele tom que dizia que a culpa era minha, tirando meu olhar das suas pernas e me obrigando a focar nela.

— O que elas fizeram? – franzi o cenho, e aproveitei nossa nova posição para descansar minha mão sobre a pele quente da sua coxa. Quando eu a puxei para mim, apenas pensei que gostaria de ter seu corpo seguro em meus braços, ao mesmo tempo em que poderia controlar melhor as coisas com ela assim.

Não pensei no quanto seria duro.

— O que elas não fizeram?! – devolveu ainda chateada, se agitando em cima de mim completamente alheia a crise que eu vivia — Não pararam de me abraçar ou de dizer que tudo vai ficar bem, apenas para cinco minutos depois minha mãe desaparecer aos prantos, voltando com olhos inchados, com um sorriso falso e uma travessa de comida! E há Thea! Sua irmã me ofereceu mais de uma vez para contarmos a verdade... – deixou no ar.

— Elas estão com medo por você, amor. – expliquei com palavras suaves, e acariciando-a com a mesma leveza e calma, tentando tranquiliza-la com meu toque. Estando tão perto dela eu era capaz de sentir sua pulsação. Eu sempre fui fã de fazer seu coração bater mais forte, mas não assim, não quando ele estava em agonia. – Elas te amam, se sentem impotentes diante da situação e querem ajudar.

— Eu sei, mas eu já tenho medo o suficiente por mim, não preciso do medo delas também. – Eu não poderia julgá-la. – Tampouco quero fingir que estou bem para tranquiliza-las.

— Você tem o direito de não estar bem — A aconcheguei um pouco mais em meus braços, e soprei um beijo em seus cabelos. Desejando que este pequeno gesto fosse capaz de fazê-la se sentir melhor.

— Eu sei. – concordou, e nessas duas pequenas palavras quebradas eu senti o quanto ela não estava bem. — Mas não consigo parar de pensar que fui horrivelmente ingrata quando disse que elas me ajudam mais quando estão caladas, ou pelo menos falando de qualquer outro assunto que não este maldito julgamento. – franzi o cenho.

— Você disse isso a elas? – não consegui imaginar a cena.

— Sim. – pausou – E foi aos berros! Até os empregados vieram ver o que estava acontecendo. – Segurei meu riso, apenas por educação já que Felicity parecia um pouco envergonhada com sua atitude. Mas ao contrário dela, me senti apenas orgulhoso. Se impor desse jeito diante de duas pessoas que ela ama, só me provava mais uma vez que minha garota era forte e não iria aceitar nenhuma merda. — Por isso eu fugi para você. – Aquela parte de mim, que ainda se surpreendia com o como chegamos a este ponto, esboçou um sorriso bobo. — A audiência está se aproximando, e eu sei que você disse que iria me buscar quando chegasse o momento. Eu só queria aproveitar minhas últimas horas antes da audiência e tudo o que eu preciso para não surtar é de...

— Uma distração. – completei.

— Eu diria que eu preciso de você. – me corrigiu.

— Tudo bem, amor, eu aceito que sou sua distração. Sua única distração. – segurei meu sorriso, na verdade eu me sentia muito convencido por ser aquele que Felicity procurava para acalmar suas emoções. Me lembrei da época em que ela simplesmente fugia delas, mas agora Felicity vinha até mim. Nós havíamos crescido tanto num espaço tão curto de tempo, e isso me fazia pensar, quanto mais não alcançaríamos se tivéssemos todo o tempo do mundo?— Podemos ter isso, sempre que precisar de mim.

— Podemos? – ela franziu o cenho parecendo esperar uma resposta diferente — Eu não quero te atrapalhar. Você me disse que usaria esta manhã para finalizar algumas pendências antes do... – Julgamento. Foi a palavra que ela omitiu. — Eu posso ficar aqui no seu escritório sozinha, olhando seus livros ou me distraindo no seu computador até chegar a hora. – olhou-me esperançosa.

— Não há um modo de eu ficar longe de você, sabendo que está aqui. – abaixei meu rosto para o dela, prendendo seu olhar junto ao meu. E embora aquela conexão sempre fosse doce, não havia nada de doce em meus dedos que cavavam por sua pele até o alto de suas coxas. — No meu escritório. – fechei meus olhos encostando nossas testas e deixei nossos lábios brincarem de procurar um ao outro, ao mesmo tempo em que minha mão se espalmou com vontade em sua nádega, a apertando ao empurrar seu corpo mais para o meu. Seu gemido veio rouco e baixo, mas suas mãos espalmaram com firmeza sobre meu torso, e procuraram com desespero um modo de se livrar do tecido. Parei o percurso de suas mãos com a minha. — Viu só? – murmurei contra seus lábios, perto o suficiente para apenas misturar meu gosto ao dela — Eu sou muito bom em te distrair também.

— Você é maravilhoso em me distrair. – ela sorriu, ciente da mão que ainda brincava perigosamente por debaixo do tecido do vestido.

— E eu tenho uma memória muito vívida do que aconteceu aqui quando as portas estavam fechadas. – Ergui rapidamente o olhar para a porta do meu escritório. Infelizmente ela estava aberta, mas conhecendo Diggle, ele havia proibido qualquer um de sequer passar nesta área do prédio e eu não levaria mais do que dez segundos para trancá-la e voltar para Felicity...

— Você nunca devolveu minha calcinha. – eu ri da expressão contrariada em seu rosto, mas ela permaneceu séria. Felicity ainda estava chateada com isso? Acho que eu precisava deixar as coisas claras.

— Nunca irei devolvê-la. – sentenciei com meu melhor sorriso. – É minha.

— Mas ela era a minha favorita. – piscou seus olhos para mim, o lábio inferior tremendo um pouco completava a imagem desolada. Se eu não fosse um homem mais forte ou menos apegado àquela calcinha, isso teria me derrubado. – Eu realmente sinto muito a falta dela. – Eu ainda tinha seus lindos e grandes olhos em mim, havia algo neles, algo no formato de seus lábios quando ela sorria, ainda que fosse um daqueles sorrisos pequenos, que a fazia dona de mim. Eu nem sempre fui consciente do poder que Felicity Smoak tinha de me colocar de joelhos, mas quanto mais nosso relacionamento avançava, mais eu percebia que estava perdido nas mãos da minha mulher.

E que não tardaria a chegar o dia em que ela me teria de joelhos.

Esperando por um sim.

Foi necessária uma força quase descomunal para ignorar seu charme e retomar o controle, me agarrei ao quanto aquela calcinha era importante para mim. No que representava para nós.

— Posso fazer algo sobre sua perda. – anunciei dedilhando os dedos sobre sua pele, ganhando sua atenção. — Um acordo que seria benéfico para nós dois.

— Eu teria minha calcinha de volta? – perguntou-me, suspeita rondando o seu olhar.

— Hipoteticamente falando, sim. – ela estreitou os olhos para mim, e antes que eu pudesse completar qualquer coisa, eu recebi um pequeno beliscão no meu abdome. – Ai. — Reclamei. – O que foi isso?

— Um aviso para que não ouse me enganar. – ela ergueu o dedo em riste bem no meio do meu rosto, e sua postura era toda mandona. Teria funcionado melhor se eu não a tivesse sobre meu colo neste instante... — Se tentar bancar o advogado espertinho com esse acordo, da próxima vez sentirá dor mais embaixo. – segurei a risada sob seu olhar enérgico, e segurei também a vontade de provoca-la de volta apenas para ver se cumpriria com o aviso. Eu não queria soar convencido, mas tinha muita certeza de que se aquela pequena mão fosse mais ao sul, prazer seria a única coisa que ela me daria.

— Jamais faria isso com você, amor. – me limitei a resposta segura, porém um pouco honesta.

— Se é assim... – havia alguma dúvida em seu olhar, Felicity não iria se deixar enganar facilmente por mim. — Qual a sua proposta, sr. advogado? – Sorri com o seu tom deliberadamente formal, em um outro momento eu apreciaria entrar nesse jogo com ela, mas agora tudo o que eu sentia era nervosismo.

Eu, Oliver Jonas Queen, advogado há quase dez anos, nunca estremeci diante dos piores juízes e promotores. Nunca deixei me intimidar por pior ou por mais perigoso que parecesse o caso em que atuava. Porém aqui estava eu, com uma pequena loira no colo prestes a lhe oferecer um acordo em troca de sua calcinha escondida em minha gaveta e...

Eu estava malditamente apavorado com sua reação.

E não era porque eu temia receber sua punição caso eu tentasse enganá-la com meu acordo. Meu “engano” era muito óbvio para que ela não o percebesse. O que eu temia era o seu não.

Tomei um pouco de ar antes de me obrigar a agir como um homem corajoso e dizer minha proposta.

— Para você ter sua calcinha de volta é relativamente fácil. – comecei tentando soar natural, mas a emoção me traiu assim que meus olhos se prenderam nos dela e senti a garganta seca — Você só precisa acrescentar todas suas outras lingeries a mesma gaveta que guardo para a ela no meu quarto. – Felicity sequer piscou e parecia que não respirava também, eu não sabia dizer se isso era bom ou ruim, mas continuei mesmo com a voz anormalmente nervosa — Pode pendurar suas roupas no meu armário, e espalhar seus cremes, escova de dentes e outras coisas femininas pelo meu banheiro. Embora eu não me importe nenhum pouco de dividir a toalha com você... – deixei no ar esperando uma reação que não veio. Havia apenas o seu olhar firme, deixando-me tão nervoso que não me atrevi a procurar respostas nele, me concentrei no pequeno fiapo de linha na barra de seu vestido. – É isso, eu só pensei que se todas as suas calcinhas ocupassem aquela gaveta, elas não estariam mais nas minhas coisas, mas nas nossas. – Felicity não disse nada, e meus olhos não se atreveram a se erguer e ver recusa em seu rosto.

Segundos se passaram, mas bem poderiam ser horas.

— Oliver? – ela me chamou, sua voz sem me dar qualquer indicativo da sua resposta. – Oliver. – da segunda vez meu nome veio acompanhado do toque suave da palma da sua mão em meu rosto, atraindo-o para o seu. – Oliver. – na terceira vez que meu nome foi dito eu vi o pequeno sorriso lutando em seus lábios, e ele me reconstruiu. — Está me convidando a morar com você?

Meu peito inflou.

— Tecnicamente você já mora comigo... – Deixei a ideia crescer dentro de mim, morar com Felicity não era exatamente o que eu tinha em mente para hoje, mas a conversa acabou seguindo por este caminho, parecia apenas natural, porém... Ainda não era o suficiente. Com ela eu queria sempre mais. — Estou te chamando para dividir sua vida comigo. – Sim, era isto. — Eu quero me embolar com você em nossa cama até mais tarde nas manhãs em que estivermos de folga, quero brigar por algo tão tolo quanto ao filme que vamos assistir no domingo à noite em nosso sofá, quero fazer reservas para jantar e chegar atrasado porque sempre irei despi-la quando você começar a se vestir... — gostei do pequeno sorriso e do brilho em seu olhar, gostei da forma como sua mão segurou a minha, como se estivéssemos sonhando juntos. — Talvez possamos adotar um cachorro ou um gato, ou melhor ainda, os dois. – ela riu baixinho — Os chamaremos de Ronnie e Cait. Ronnie obviamente vai ser um cachorro vira-lata. – anunciei, e o pequeno riso se transformou em uma gargalhada completa, lembrando de mais uma coisa que eu queria. — Eu amo sua risada, e eu a quero nos meus dias também, isso é inegociável.

— Oliver...

— E é claro que teremos que acertar algumas coisas depois que toda essa confusão acabar – Eu era ciente que estava indo rápido, mas uma vez que a ideia se instalou em minha mente, eu não poderia ou sequer conseguia ignorá-la — Você ainda tem seu emprego esperando por você em Coast City, e eu não pretendo continuar para sempre na antiga casa dos meus pais, acho que está na hora de Thea ter seu próprio lugar também, perto de nós é claro. – o plano começou a tomar uma forma mais completa — Mas talvez pudéssemos achar um apartamento que nós dois gostamos e, eu não sei, talvez fazer dele nosso lar.

— Eu aceito.

— Aceita? – perguntei, algo não parecia certo em seus olhos.

— Mas não imediatamente.

— Ah. – desviei meu olhar para a minha mesa escondendo o meu desapontamento, forçando minha mente a se focar em outra coisa. No momento ela parecia subitamente interessada em notar o que faltava em minha escrivaninha.

— Olhe para mim, meu amor. – as palavras doces no final do pedido levaram meu olhar de volta para Felicity, era a primeira vez que ela me chamava assim. E Deus! Era o som mais lindo. — Eu amo você, e quero ter meu espaço nas suas gavetas. – voltou ao princípio do que eu oferecia, antes de eu ferrar com as coisas querendo ter tudo. — Mas também quero que você tenha espaço nas minhas. – franzi o cenho.

— Eu não entendo.

— Eu reapareci na sua vida depois de cinco longos anos e a deixei de ponta cabeça, — comecei a negar, mas Felicity me parou antes que eu pudesse justificar. — Eu sei que o fiz. Nossa primeira vez foi um acaso, foi apressada, e nós terminamos antes mesmo de começarmos algo. Você me feriu com suas palavras. – notei que dessa vez, diferente de todas as outras em que falávamos do nosso passado, não houve sinal de acusação ou dor, apenas aceitação. — Então cinco anos depois eu reapareci na sua porta com uma camisa ensanguentada e pedindo por ajuda. Eu menti e omiti, e quando os meus segredos começaram a ruir um a um, eles nos soterraram em seus escombros. Nos machucando mais uma vez.

— Nós superamos isto, juntos. – a lembrei.

— Eu sei. – concordou num tom condescendente que me irritou, eu não sabia aonde Felicity tentava chegar, e o não saber me assustava. – Mas isso não muda nossa trajetória até aqui. Quando tivemos nossa segunda vez, por mais excitante que tenha sido, foi uma verdadeira bagunça. Nenhum de nós estava emocionalmente pronto. – olhei rapidamente para mesa, lembrando-me daquele dia. Não poderia discordar de Felicity, e isso me entristeceu um pouco. – Hey. – chamou-me a atenção, o pequeno e excitante sorriso nos lábios fazendo meu coração reagir como se soubesse que as próximas palavras dela o deixariam em êxtase — Eu amei cada aspecto dessa vida que você vê para nós dois, e me excita vive-la com você.

— Então viva, amor. – Voltei a acariciar a pele dela lentamente, e dessa vez aproveitei para escovar meus lábios em sua orelha também, fazendo-a estremecer e suspirar diante da minha manobra nenhum pouco justa.

— Nós vamos. – por um instante pensei que havia vencido — Mas se vamos ter uma nova chance, eu quero fazer isso no tempo certo, não precisamos apressar nada. – explicou com calma — Eu quero aproveitar meu tempo sendo sua namorada. – sorri, talvez eu estivesse contabilizando quantas vezes Felicity havia se chamado de minha namorada. — Ficando nervosa ao escolher a roupa para um encontro com você e me perguntando se vai gostar. Quero trocar mensagens durante o dia e sentir sua falta nas noites em que não estiver com você, te ligar no meio delas e fazer sexo por telefone... – me senti quente, não sei se por causa da voz de Felicity que havia se tornado mais baixa e até mesmo sensual, ou se porque tinha seus dedos acariciando a linha da minha gravata — Quero te surpreender no seu trabalho ou em sua casa, quando menos esperar.

— Você me ganhou no sexo por telefone. – brinquei.

— Eu sabia que iria gostar... Eu só acho que depois de tudo o que passamos, merecemos a chance de criar esses pequenos momentos. – seus olhos ergueram-se para os meus, e os vi finalmente sem nenhuma camada ali, apenas sentimentos claros. — De criar uma bela história.

— Eu não poderia concordar mais. — Felicity inclinou o corpo pousando gentilmente os lábios sobre os meus, em um daqueles beijos singelos — Entretanto, eu tenho uma condição.

— Ah é? – estreitou os olhos para mim – Qual a condição? – perguntou-me.

— Eu ainda me reservo o direito de fazer todas as suas calcinhas reféns. – gostei do som da sua gargalhada, do jeito que ela jogou livremente a cabeça para trás e de como seus olhos se apertaram franzindo nos cantos. Eu mal podia esperar por ter meus dias cheios disso.

— Sim. – ela finalmente concordou — Mas você só pode fazer reféns aquelas calcinhas que você conseguir tirar.

— Fácil. – me gabei, meus dedos já enroscados no elástico da calcinha que ela usava neste momento, seria simples acrescentar mais uma a coleção. – Srtª Smoak, vai ser um prazer imenso cumprir este acordo com você. – flertei — Em breve eu terei todas as suas calcinhas na minha gaveta, não se preocupe, eu deixarei que as use uma vez ou outra, desde que pague o preço do aluguel...

— Eu não teria tanta certeza, Sr. Advogado que se acha espertinho... — sua mão sobre meu peitoral parou meu avanço, um sorriso perigoso brincou nos seus lábios deixando-me alerta. — Estou decidida a ir a todos os nossos encontros sem calcinha.

Não respirei.

O choque do que ela me dizia sendo lentamente processado pelo meu cérebro.

— Você não se atreveria... – Mas seus olhos me disseram que sim, ela se atreveria e ainda teria muito prazer me provocando sobre isto. – Eu acho que você me pegou nessa, estou perdendo o jeito como advogado.

— Eu não contarei a ninguém que eu venci o melhor advogado da cidade. – vangloriou.

— Eu não diria que... – não completei a frase, meu celular vibrou nesse instante e precisei da ajuda de Felicity para pegá-lo dentro do bolso interno do paletó.

— O que foi? – ela perguntou, provavelmente notando que eu havia ficado tenso ao ler a mensagem que piscava na tela.

Respirei fundo lamentando.

Estávamos indo tão bem.

— Está distraída o suficiente? – testei o terreno.

— Sim. – Não me convenceu. Felicity estava perfeitamente distraída antes de ver meu olhar nervoso, mas agora? Eu podia sentir seu corpo ficar mais frio, reagindo ao meu próprio que havia se tornado um iceberg.

— Precisamos ir. – ajeitei seu corpo sobre o meu, descendo suas pernas, mas a mantendo ainda comigo envolvendo o seu corpo um pouco mais. Não estava pronto. Não conseguia soltá-la. Não iria. Nunca.

— Agora? — Felicity procurou meu olhar, mas me limitei a assentir — Por quê? – demorei para responder, sabia que minha resposta traria o nosso fim. Gostaria de ter uma bela mentira para contar, ou de ser capaz de apenas fazer o tempo voltar uma hora ou duas, e viver esse momento com ela novamente. – Oliver, por favor, me diga o que está acontecendo? – Seu medo me alertou para a pequena tortura que eu, inconscientemente a sujeitava.

Olhei em seus olhos e busquei por sua mão.

Eu deveria fazer isto o mais doce que conseguisse.

— Precisamos ir agora, amor, porque aparentemente sua audiência foi adiantada e começará em mais ou menos uma hora.

***

Felicity Smoak

Nove.

Esses foram os minutos que demoramos para nos arrumarmos, pegar nossas coisas, e descer em silêncio pelo elevador até a garagem do prédio, onde Ronnie já nos esperava. O semblante sério me dizendo que ele estava cem por cento focado no modo guarda-costas que sequer sorri.

Dezessete.

O tempo gasto do prédio de Oliver até este maldito semáforo, que se recusava a mudar para verde.

Movi meus olhos novamente para o relógio de pulso de Oliver, prendendo a respiração e engolindo em seco ao contabilizar o tempo novamente. Quarenta e quatro minutos era o que me separava do meu agora, parada dentro de um carro esperando o sinal abrir, de uma morte eminente.

Não era verdadeiramente uma morte, mas a sensação que a minha vida chegava ao fim, era muito parecida.

— Amor, eu preciso que você pare de contar cada minuto. – A mão de Oliver apertou a minha, fazendo-me quase esboçar um sorriso. Ele não tinha soltado minha mão por um segundo que fosse, o que era fofo considerando que a ansiedade a deixasse um pouco suada — Se estiver nervosa, apenas fale comigo. – Suspirei por seu tom igualmente fofo, mas me limitei a suspirar e usar seu ombro como travesseiro.

Eu pensei estar pronta.

Eu vivi esse momento em minha mente tantas e tantas vezes, eu treinei com Oliver e sabia como deveria me portar, o que dizer e quando dizer, eu tinha minhas respostas preparadas e ensaiadas. Mas ainda assim...

Toda a preparação não antecipara essa ansiedade, não impedia meu estômago de se comportar mal querendo devolver meu café da manhã, ou aquele formigamento irritante de percorrer todo o meu corpo. Eu tentei me concentrar em seu toque gentil e conversar com ele, mas eu queria gritar, queria chorar e ainda temia vomitar assim que abrisse a boca para fazer qualquer uma dessas coisas.

Tempo era tudo ao que eu conseguia pensar.

Movi meus olhos novamente para o relógio de Oliver, observando com cautela e certo ódio os ponteiros que continuavam sua rotação, e a cada volta completa contei os minutos perdidos. Minutos que faltavam para soltar nossas mãos e me perder de Oliver. Cada um deles fazia meu coração se apertar um pouco mais, como se houvesse uma mão invisível o estrangulando, até chegar ao ponto em que o esmagaria completamente.

— Mas o que...?! – uma mão muito visível estrangulou algo, mas não foi meu coração.

— Problema resolvido. – Encarei atônita Oliver jogar o relógio de pulso pela janela do carro ainda em movimento.

— Oliver seu relógio! – ele apenas deu de ombros, sem sequer dar uma segunda olhada no Rolex, que a esta altura já havia sido esmagado por algum outro carro. — Você é louco ou o quê? Aquilo deve ter custado uma pequena fortuna! – Reclamei. Oliver poderia até ser rico, mas não era doido de rasgar dinheiro.

— Não há preço no mundo que eu não pagaria para tirar a tensão do seu rosto. — Seu polegar alcançou o espaço entre minhas sobrancelhas, amaciando o local. Eu sequer notara a ruga rígida que eu tinha ali, mas eu também não notara muitas outras coisas nos últimos minutos. Embora eu pudesse dizer com precisão quantos dele haviam se passado.

— Oliver... – toquei-lhe o pulso, abaixando a mão até meu colo. De alguma forma nossos dedos fizeram aquela dança usual de se tocarem por um tempo, se reconhecerem até se entrelaçarem firmemente.

— Vamos ficar bem. – Um meio sorriso tomou conta de seu rosto deixando suas palavras ainda mais doces. Nos olhos aquele brilho genuíno de esperança que fizera meu estômago protestar um pouco mais. Ainda não sei dizer se de um jeito bom ou ruim. – Eu prometo.

Oliver sempre cumpria suas promessas.

— Você não pode me garantir isso. – Devolvi, amarga.

Porque no final não importava quantas promessas Oliver fizesse, quantas vezes me dissesse que ficaríamos bem, ou que aquele irritante brilho de esperança e autoconfiança não deixasse a sua expressão.

— Tem razão, eu não posso. — admitiu – Por mais que eu tenha me preparado, não há garantias. A vida pode ser cruel e coisas boas podem ser tomadas de nós a qualquer instante, você sabe bem disso. – Em outra época eu teria desviado o olhar quando falava tão sutilmente de Jonas, mas algo ali que me impedia de fazê-lo, não sei ao certo o que era, mas sei que era, em tantos níveis, inspirador. — E talvez, minhas promessas pareçam vazias a você quando estamos tão próximos do fim e eu pareça um tolo sonhador por ter esperanças de que tudo vai dar certo. – Sim, ele parecia um tolo, mas um tolo muito bonito falando sobre o que acreditava — Mas não é esse todo o ponto do amor? Não é suposto que ele nos fortaleça? – divagou, me fazendo repensar também. — É por isso que luto, amor. – ergueu nossas mãos unidas até seu coração — E talvez isso não me garanta a vitória no fim, mas me dá a certeza de que eu continuarei lutando. Contra todas as chances. Contra todos. – observei seus olhos se tornarem mais escuros, sua tez mais obstinada. — E você, Felicity, luta pelo quê?

Sua pergunta ficou no ar, o carro parando neste exato instante, meu coração dando uma última e angustiada batida.

— Chegamos. — Ronnie anunciou, lembrando-me de que eu acabara de ter uma conversa profunda com Oliver no banco de trás do carro, com ele escutando tudo. Ótimo, ele não iria me deixar em paz, talvez eu realmente devesse nomear nosso futuro cachorro hipotético de Ronnie, embora o pobre animalzinho não merecesse tamanha ofensa.

— Não podemos tentar a outra entrada? – Oliver pareceu nervoso, estiquei meu corpo sobre o dele para ter uma visão melhor do que ele via através do vidro escuro.

— Puta que pariu! – Exclamei.

Havia uma multidão de jornalistas em frente ao prédio. Câmeras apontadas em nossa direção, esperando apenas que saíssemos do carro.

— Vamos, Ronnie nos dará cobertura. – Oliver disse soltando os nossos cintos, e deslizando pelo banco até a extremidade. Ele puxou minha mão, mas ainda assim não me movi — O que te impede? – Ergui nossas mãos ainda unidas para Oliver, mas ele permaneceu confuso.

— Você é meu advogado, se chegarmos assim não vai parecer... – franzi o cenho ao me esforçar a procurar a palavra — Antiético? Errado?

— Nada entre nós é errado. – sua voz veio mais agressiva, me revelando que eu não era a única tensa ali. Se a tensão me transformava em um poço de ansiedade e nervosismo, em Oliver tinha um efeito mais feroz, pronto para destruir qualquer um que se colocasse em seu caminho. — E eu estou pouco me fodendo com o que o resto do mundo pensa, exceto por você. – sorri com suas palavras que aplacaram, apenas um pouco, meu nervosismo.

— Estou pouco me fodendo também. – Percebi. E Oliver sorriu de volta.

Descemos do carro.

Flashes estouraram em meu rosto quase me cegando. Perguntas e acusações horríveis foram jogadas em nossa direção. Mas eu apenas segurei a mão de Oliver mais firme, enquanto mandávamos o resto do mundo se foder.

***

Do lado de dentro do prédio antigo, o tumulto não existia.

À primeira vista, parecia algo bom, mas não era.

Lá fora eu pude me manter focada em ignorar os jornalistas. Me concentrar na mão de Oliver na minha, e em dar um passo de cada vez para não cair de cara no chão. O barulho, as perguntas gritadas se sobrepunham aos meus próprios pensamentos sobre a guilhotina que pairava acima da minha cabeça.

Aqui dentro o ambiente era apenas estéreo.

Eu não conseguia ignorar meus pensamentos que gritavam.

Eu também não tinha mais a mão de Oliver na minha, uma vez que ele estava tentando descobrir porque minha audiência tinha sido adiantada em horas. Em resumo, eu estava sentada em um banco qualquer, pés nervosos batucando sobre o piso, apertando os dedos das mãos até que os nós estivessem brancos e doloridos, olhando para uma parede em branco e tendo todo o tipo de pensamento ruim que me deixava ainda mais enjoada.

Puxei minha bolsa contra o estômago, a abracei por alguns segundos e mantive meus olhos bem fechados, fingindo usá-la como escudo para o resto do mundo. Funcionou por um tempo.

— Tudo bem com você? – Senti o olhar de Ronnie em mim e cometi o erro de encará-lo de volta. Apesar do modo “segurança sério” estar ativado, e tudo nele gritasse profissionalismo, vi nuances de preocupação no amigo que fiz. — Parece um pouco verde.

Eu me sentia um pouco verde.

— Eu preciso ir ao banheiro. – me ergui do banco de uma só vez, e segui andando pelos corredores até encontrar o banheiro feminino, com Ronnie em meu encalço e mantendo qualquer pessoa a uma distância segura de mim.

Empurrei a porta do banheiro como se fosse a porta que me levaria a liberdade.

— O que está fazendo? – parei bloqueando o caminho, quando Ronnie fez menção de entrar também.

— Entrando, tenho que fazer o reconhecimento do local. Garantir que é seguro. – revirei meus olhos enquanto ele olhava por cima dos meus ombros.

— O que espera que me ataque dentro do banheiro feminino? Sabonete líquido de essência floral? Um absorvente? — Perguntei irritada. Eu não era uma maldita criança que precisava de supervisão o tempo inteiro. – A não ser que queira me contar que fez uma cirurgia de mudança de sexo e que agora se chama Ronilda, você não pode entrar aqui, Ronnie. – Eu disse com um sorriso divertido, antes de fechar a porta na cara mal-humorada de Ronnie e trancando-a. Pela forma que ele rosnou um “não demore’, eu tinha certeza de que Oliver o dissera para não me deixar sozinha por nem um segundo.

Meu sorriso se desfez tão logo me vi livre de Ronnie.

A pressão que eu vinha ignorando em meu peito voltou com força total. E todos os outros sintomas daquela ansiedade me atingiram de uma só vez. Em outra época eu tinha sido boa em aprisionar emoções, mas agora? Elas corriam livres por mim e era quase impossível controla-las.

Eu só precisava de alguns minutos para tirar aquela merda do meu sistema.

Deixei minha bolsa sobre a bancada da pia, sequer me olhei no espelho, apenas corri em direção a única cabine do banheiro que estava livre, e despejei todo o conteúdo do meu estômago ali.

Não foi bonito.

Dei descarga, mas fiquei alguns segundos ainda dentro da cabine, encostada contra a parede respirando pausadamente, olhos fechados e mãos pressionadas no meu estômago, apenas para ter certeza de que a ânsia de vômito não retornaria.

Voltei para pia e lavei a boca com o enxaguante bucal que eu tinha na bolsa, e embora eu me sentisse mais limpa, olhando para o meu reflexo, eu não parecia menos doentia.

— Vai dar tudo certo, Felicity. – Disse para mim mesma, fechei meus olhos e joguei um pouco de água fresca no rosto, tentando melhorar meu aspecto – Oliver é um excelente advogado, e não há razão para estar... – engoli em seco quando olhei para o espelho — ...Nervosa.

— Eu diria que há. — A voz era grave e levemente intimidade, exatamente como eu me lembrava.

— Você está no banheiro errado. – anunciei para a figura grande que eu via atrás de mim no reflexo do espelho, fingindo uma falsa calma enquanto secava minhas mãos. Na verdade, eu só queria esconder o quanto elas tremiam.

Ele não seria louco de tentar algo aqui, seria?

— Eu estou onde deveria estar, querida. – Virei-me ficando de frente para ele, as mãos apertando fortemente a bancada da pia me impedindo de desabar. Ergui meu queixo juntando toda a miséria de coragem que eu ainda tinha, mas não foi o suficiente.

Não tornava sua imagem menos ameaçadora.

Pensei em minhas opções.

Eu poderia correr até a porta, mas ele bloquearia facilmente o caminho, já que tinha o dobro do meu tamanho. Ou eu poderia gritar e Ronnie arrombaria a maldita porta em questão de segundos. Suguei o ar tomando fôlego.

— Grite ou corra se quiser, mas não estou aqui para lhe fazer mal. – disse como se lesse meus pensamentos. Ele caminhou até a parede próxima a mim, encostou o corpo, cruzou os braços e me encarou. Aqueles olhos escuros caíram sobre mim pesados, eu os sentia pronto para me esmagar. — Ao contrário, acho que irá gostar do que tenho a propor a você. — Slade sorriu fazendo meu coração ecoar uma dolorosa batida. – É um acordo onde ninguém que você ama sairá machucado, parece bom, não acha?

Soltei o ar.

E o ouvi.

***

Oliver Queen

Ela retocava o batom.

Como ela podia estar fazendo algo tão comum quanto passar batom, quando meu coração estava prestes a sair pela boca?

— Este é o banheiro feminino. – Felicity disse ainda olhando para o espelho. Me irritei ainda mais, sabia que ela fazia isso apenas para não me encarar.

— Parece que não respeitam essa maldita regra de qualquer jeito. – me aproximei ficando atrás dela, eu queria tocá-la. Mais do que isso eu precisava sentir sua pele quente, seu coração batendo, mas ela apenas seguia retocando a maquiagem fingindo que nada demais havia acontecido. Fingindo que aquela maldita tensão entre nós não existia. Felicity poderia evitar o quanto quisesse o meu olhar, eu tinha outras maneiras de descobrir a verdade.

— Ronnie o viu sair daqui e te chamou. – Deduziu erroneamente.

— Eu o vi. – a corrigi — Ronnie me chamou no instante em que você entrou no banheiro e trancou a porta. – Eu não precisava dizer a Felicity que Ronnie me mantinha informado de cada passo dela quando eu não estava perto, não queria parecer um louco, por mais que fosse o que eu era. — Eu estava te esperando do lado de fora quando o desgraçado deixou o banheiro com um sorriso vencedor. Pode imaginar o tanto de merda que passou na minha cabeça? Que ainda está nela?

— Oh. – ela parou parecendo entender — Oliver, eu...

— Ele te machucou? – Adiantei minha maior preocupação, e ela balançou a cabeça uma única vez. – Vou precisar de mais do que isso, amor.

— Eu estou bem. – deu de ombros para a minha pergunta, como se não fosse algo importante.

— Pensei que já tivéssemos passado da fase em que me diz mentiras. – isso a atingiu, a vi vacilar respirando mais fundo, seu olhar encontrando o meu pelo espelho pela primeira vez, mas ainda não era o suficiente. — Ele te machucou?

— Slade não encostou em mim, Oliver. – me senti pouco aliviado.

— Há outras maneiras de machucar alguém. Piores até. – ela me lançou um pequeno e triste sorriso, eu não precisei de mais. Rompi o estúpido acordo que fiz comigo mesmo de que esperaria por respostas antes de agir, e a abracei. Meus braços rodeando sua cintura trazendo seu corpo para o aconchego do meu, seus braços se colocaram sobre os meus trazendo-me um imediato alívio. Felicity respirou fundo antes de deixar o corpo cair contra o meu, escutei seus soluços e a abracei mais forte quando virou seu corpo ficando de frente para o meu, escondendo o rosto em minha camisa.

Dei-lhe tempo para despejar suas lágrimas, mesmo que não tivéssemos muito.

Quando ela finalmente ergueu seu rosto, eu o segurei em minhas mãos e sequei o caminho de suas lágrimas.

— Agora me diga, o que ele fez? – pedi, olhando diretamente em seus olhos, sabia que assim ela não me esconderia nada.

— Ele disse que iria ferir você. – Eu quase sorri. Seu medo todo era por mim?

— Eu sou forte, amor. — respondi — Ele pode tentar.

— Ele iria ferir você e qualquer outra pessoa que eu me importasse. – explicou mais enfática — Ele iria destruir tudo. Sua carreira. Seu nome. Sua família. Ele iria fazer o mesmo com Thea. Minha mãe. Ronnie. Eu não posso conviver com isso sabendo que eu arruinei a vida de tanta gente.

— Ele estava apenas tentando te assustar, ele não possui tanto poder assim. Você precisa entender que ainda que Slade fizesse o que te disse, nada disso estaria em suas mãos, são escolhas dele, não suas. – ela mordiscava o interior da bochecha. Reconheci o sinal de que ela me escondia algo mais. — Felicity? O que mais ele disse?

— Ele me ofereceu um acordo... – olhou para baixo, a voz ficando fraca — Se eu me declarar culpada, tudo teria fim. Ele nos deixaria em paz. – sua voz tremeu — No fim a escolha é minha.

Fiquei rígido, incapaz de esboçar uma reação.

Quando vi Slade saindo do banheiro, milhares de coisas passaram por minha cabeça. Eu pensei que ele tivesse tentado terminar o que começou no barco no dia em que a empurrou de lá, mas o pensamento não durou muito, ele não seria tolo o suficiente de tentar matá-la aqui, com tantas testemunhas. Mesmo assim, eu soube pelo sorriso que ele ostentou, que ele havia causado algum dano.

Eu imaginei ameaças.

Coerção em vários níveis.

Mas não uma pura e simples chantagem.

— Me diga que não está considerando esta baboseira.

— Oliver. – Pela primeira vez odiei meu nome em seus lábios. Era indulgente, e me dava a resposta que eu me recusava a ouvir.

— Não! – me afastei dela dando um passo para atrás e me afastando para tentar ver tudo um pouco mais objetivamente, falhei. Tudo o que havia em minha mente era como Felicity ousava sequer cogitar isso? – Você disse que confiava em mim. Acredita quando eu digo que eu irei dar um jeito de te salvar dessa merda, e ainda nos livrar de Slade? – não contive o tom ligeiramente acusatório, minhas emoções estavam na merda.

— Eu confio, sei que vai tentar, mas...

— Inferno. – comecei a andar de um lado para o outro. Eu estava tentando manter tudo sob controle, e talvez esta tenha sido a melhor jogada de Slade, me desestabilizar quando estávamos tão perto do fim. — Não posso tentar se você resolver nos sabotar. – Felicity parecia oscilar — Entende isso? — ela assentiu, mas não pareceu muito convicta... Voltei a me aproximar. Não podia permitir que Slade causasse uma rachadura entre nós — Eu tenho um plano. – comecei mais suave — E se ele der errado, eu tenho um plano B. E um plano C. Eu tenho o maldito alfabeto inteiro. Mas eu preciso que colabore comigo, ainda que meu plano pareça estúpido, vamos fazer isso juntos. Ok? – segurei ambas as suas mãos, e a olhei nos olhos, tentando trazê-los de volta para mim tirando-os daquele lugar escuro onde Slade os jogou.

— Ok. – ela disse, aliviando um pouco meu coração. – Prometo que não vou fazer nenhuma estupidez sem você.

— Ótimo. – apertei mais suas mãos — Vamos enfrentar isso juntos, lembre-se de como somos bons juntos, amor. – A lembrei, e uma emoção diferente passou por seus olhos. — O que foi? O que há de errado?

— Nada.

— Felicity! Já passamos da fase de esconder coisas. – a lembrei.

— Não estou escondendo, apenas me lembrei de que tenho um presente para você. – ela parecia um pouco nervosa com a ideia, e eu por minha vez não escondi a surpresa dela ter comprado algo para mim.

— Um presente? – um sorriso bobo começou a surgir em meus lábios — Gosto disso, a porta do banheiro está trancada, me dê meu presente. – Ela riu nervosamente.

— Não fique assim tão animadinho, é um presente de verdade, embrulhado e com fitas... – olhei seu corpo de baixo para cima, deixando claro meus pensamentos.

— Embrulhado e com fitas... Hum... Penso em algo exatamente assim que gostaria de desembrulhar e tirar as fitas. – Felicity me deu um pequeno tapa no ombro me recriminando, e se afastou indo até sua bolsa sobre a pia, ainda balançando a cabeça para meu comentário impróprio. Eu não imaginei que houvesse a mais remota chance de algo acontecer entre nós no banheiro do um tribunal, apesar do meu flerte e da provocação, eu só queria lhe dar uma distração. Acalmá-la para que pudéssemos finalmente deixar para trás a semente da discórdia que Slade havia plantado.

— Eu tenho pensado em lhe dar isso há um tempo – Ela retira uma caixa retangular de dentro da sua bolsa, ela não mentiu, havia fitas de cetim azuis e amarelas contrastando com a caixa marfim – É algo para se lembrar de nós, de como somos bons juntos. – repetiu minha frase com um sorriso mínimo. – Lembrar pelo o que nós lutamos.

Algo não parecia certo enquanto Felicity me entregava o presente.

— E por que me parece um presente de despedidas? – meu coração retumbou mais alto, e meu cérebro analisou Felicity um pouco mais profundamente. Sua postura incerta, seu nervosismo crescente e aquele maldito olhar de quem parecia guardar minha imagem em alguma memória importante. — Não está considerando a oferta dele? Está?

— Lhe dei minha palavra. – respondeu, colocando meu presente sobre minhas mãos. Não era muito pesado, mas também não era leve, resisti a curiosidade de tentar adivinhar o que era, ainda preocupado demais com o porquê desse presente. — Mas preciso que me dê a sua de que só irá abrir quando o julgamento tiver chegado ao fim.

— Felicity... – Se isso fosse um maldito presente de despedidas, eu iria devolvê-lo. Não queria despedidas com Felicity, eu queria apenas recomeços sem fim.

— Eu apenas não quero ficar nervosa com isso agora, imaginando sua reação ou... Preciso me focar na audiência. — não deixei de notar que ela balbuciava nervosamente. – Apenas abra depois, ok?

— Ok. – concordei, apenas porque Felicity precisava disso. Mas não gostei nenhum pouco. Seu sorriso poderia até ser encorajador, mas seus olhos não me enganavam tão bem.

— Nós podíamos perder todo esse tempo conversando no banheiro? – ela mudou de assunto, desviando o olhar para o redor, e percebi que perdi minha chance de explorar um pouco mais o assunto.

— Sim, Ronnie disse que me avisaria quando estivesse na hora. – ela ficou em silêncio.

— Acho melhor nós irmos, não deve demorar.

— Não, não deve. – suspirei sentindo meu coração mais pesado.

Ela segurou minha mão quando saímos do banheiro, seu toque era quente e gentil, mas não conseguiu me livrar daquela sensação de que, apesar de todos os meus esforços em convencer Felicity, algo mais estava prestes a dar muito errado.

***

Eu nunca fui um homem supersticioso ou de acreditar em sexto sentido e essas baboseiras. Sempre me apoiei em fatos e coisas lógicas. Por isso odiava tanto aquela maldita sensação na boca do estômago e que me fazia segurar a mão de Felicity ainda mais firme.

— Pronta? – Perguntei-lhe à porta do tribunal. A hora havia chegado. – Lembre-se das nossas conversas, se se sentir nervosa olhe para alguém que te faça feliz. E caso não esteja claro, estou falando de mim.

— Olharei para essa pequena macha de batom na sua gola bem aqui. – brincou, me deixando um pouco mais aliviado. Felicity era forte. Nós éramos fortes juntos. – coloquei a mão sobre a maçaneta, mas antes que pudesse empurrar a porta, ela se abriu.

— Senhor Queen. – meu alívio desapareceu completamente, e instintivamente passei Felicity para atrás de mim. Eu sabia que todo esse dia seria um maldito teste de paciência, eu estaria no mesmo ambiente que Slade, mas esperava ao menos poder ignorá-lo. — Que surpresa vê-lo aqui.

— Já tivemos o desprazer desse encontro, quando você encurralou minha namorada e a ameaçou. – devolvi sem paciência alguma.

— Não me recordo de ter feito isso. – respondeu cínico. – E esta é uma acusação muito grave contra um juiz. – Que os joguinhos de poder comecem, mal sabia ele que seus dias em cima do trono estavam contados...— Mas minha surpresa se refere ao senhor estar aqui, como advogado da garota. – eu queria arruiná-lo, simplesmente por ousar olhar na direção de Felicity.

— Estou fazendo o meu trabalho, deveria tentar ao invés de perseguir as pessoas inocentes no banheiro. — Respondi seco. Não estava com paciência para suas provocações. Ele teve a cara de pau de encurralar Felicity e oferecer aquele acordo de merda, eu queria distância de qualquer outro jogo sujo que ele tentasse fazer. E o conhecendo como eu o conhecia, ele tentaria.

— Inocente? – ele riu — Onde? Ela matou meu filho e agora fode com o advogado para pagar os honorários. – Eu nunca fui um homem de natureza violenta, mas foi necessário uma dose extra de paciência e muita frieza para não soca-lo ali mesmo. Mas eu o conhecia bem para saber que era exatamente essa a reação o que Slade queria de mim.

Não lhe daria a satisfação.

— Saia da frente, Slade, tenho trabalho a fazer. – exigi.

— Trabalho? – novamente aquele sorriso cínico estava ali, zombando de algo que eu desconhecia — Como advogado, você quer dizer?

— É o que faço.

— Não mais. – o sorriso se tornou maior, e o reconheci como o típico sorriso de um vencedor quando ele empurrou um papel em meu peito com toda força. — O acordo ainda está de pé, querida. – o escutei vagamente dizer a Felicity, mas meus olhos estavam concentrados no que estava escrito naquele papel que o fazia agir como se tivesse ganhado a guerra. Agora tudo fazia sentido, o porquê de a audiência ter sido adiantada, do joguinho dele com Felicity, suas provocações... — Acho que é sua melhor chance, agora que não tem um advogado.

— Oliver? – Felicity me sacudiu — O que está acontecendo? O que há nesse papel? – olhei para ela, ainda sem saber o que dizer.

— Eu não posso mais advogar. – amassei o papel em minhas mãos, todo o ódio que eu sentia fluindo para esse ato, uma vez que não era possível atacar o objeto do meu ódio. Eu fui um tolo amador. – Especificamente eu não posso te defender neste caso.

Eu via o medo em seu rosto cada vez mais pálido a medida que Felicity entendia o que isso significava. Todos os meses estudando o seu caso, procurando a melhor maneira de defendê-la, perdidos.

— Como faremos? – sussurrou, sua mão apertando a minha, seu olhar desnorteado procurando respostas nos meus.

Respostas que eu não tinha.

— Eu não sei. — Senti o peso daquela verdade em meus ombros, lembrando-me de todas as promessas que eu fiz para ela e que não poderia cumprir.

Notas finais
E a história começa a caminhar para o final, como sempre vou pedir para que vocês confiem em mim, darei o melhor final que consigo, respeitando toda a história desse casal em GP. Teremos ainda mais dois capítulos e o epílogo por fim, mas não fiquem tristes! Já tenho uma nova história no forno e em breve vou apresentá-la a vocês :) Falo com vocês no comentários! ps.: feliz dia das mães à todas as mamães :)