Guilty Pleasure

22 Capítulo 20 - Like I’m gonna lose you


Notas iniciais
Hello! Cheguei com um capítulo novo! Não vou me demorar nas notas, até porque a maioria de vocês não lê. Mas ainda assim, obrigada pelo carinho nos comentários e pelos favoritos! Peço paciência porque muitas vezes tenho que escolher se uso o pouco tempo livre que tenho para responder vocês, ou para escrever o capítulo :/ Mas vou me dedicar esta semana para responder cada um de vocês! Sobre este capítulo... Espero que gostem!

So I'm gonna love you like I'm gonna lose you

I'm gonna hold you, like I'm saying goodbye

Wherever we're standing, I won't take you for granted

Cause we'll never know when

When we'll run out of time

So I'm gonna love you, like I'm gonna lose you

I'm gonna love you, like I'm gonna lose you

In the blink of an eye, just a whisper of smoke

You could lose everything, the truth is you never know

So I'll kiss you longer baby, any chance that I get

I'll make the most of the minutes and love with no regret

So let's take our time to say what we want

Use what we got before it's all gone

No, we're not promised tomorrow

(Like I'm Gonna Lose You — Meghan Trainor feat. John Legend)

Felicity Smoak

Hoje era amanhã.

Quero dizer, hoje obviamente era hoje, mas Oliver havia me feito tantas promessas sobre este amanhã, que me sentia eufórica por ele finalmente ter chegado. Eu havia levantado com o nascer do sol. Sim, depois de um frustrante céu cinza e nublado no dia anterior, hoje, ele timidamente aparecia por entre a pequena fresta das cortinas do meu quarto, banhando o ambiente em deliciosos e aconchegantes tons de laranja, permitindo-me ver um pouco do azul brilhante do céu lá fora. Ergui-me da cama, afastando o tecido fino das cortinas e abrindo mais a janela possibilitando que mais luz entrasse.

Fechei meus olhos e me dei um momento sentindo o calor do sol tocando minha pele, querendo absorver o máximo que podia dele. Ri para mim mesma ao perceber que até mesmo o sol se curvara a vontade de Oliver, cumprindo sua promessa de que hoje seria um dia ensolarado. Havia algo que ele não conseguia?

Afastei-me da janela, com a promessa de que em breve voltaria a aproveitar este dia iluminado. Meu estômago contorceu, lembrando-me de que logo eu não estaria sozinha e apressei-me a me despir, ansiosa por um banho e para me preparar para o que o dia me esperava.

Embora eu não fizesse ideia do que seria, Oliver havia sido resoluto em não me contar nada.

Mas eu meio que começava a gostar do mistério.

Ele me permitia ter muitas ideias, ver um mundo de possibilidades e vontades, que eu estava ansiosa para explorar. A expectativa da surpresa, que antes costumava me estressar, hoje me entusiasmava.

Apenas porque eu sabia que nada vindo de Oliver poderia me decepcionar.

Despi-me ainda no quarto, caminhando para o banheiro, ansiosa para sentir a cascata de água quente sobre minha pele. Debaixo do chuveiro deixei meus pensamentos correrem livremente, e não foi uma surpresa vê-los correr rapidamente em uma linha reta até Oliver.

Como em todas as vezes em que pensava em Oliver meu corpo reagiu com os usuais sinais que eu conhecia bem. O ligeiro tremor de ansiedade nas mãos, que estavam inquietas demais e ansiavam por poder tocá-lo e sentir sua pele estremecer sob meus dedos. Meu coração que parecia estar num constante estado de extremos: Ou batia rápido demais apenas em pensar nele, ou parecia parar de bater sempre que eu percebia que ele não estava perto o suficiente. Havia também aquele agitar conhecido no meu estômago, que toda pessoa apaixonada traduzia como borboletas batendo suas asas.

E estavam certos.

E claro, aquela perigosa sensação de estar com a cabeça sempre nas nuvens.

Eu poderia ser racional se eu quisesse. Mas eu havia decidido deixar meu coração no comando dessa vez, eu conhecia os riscos, mas também conhecia os bônus. Eu estava mais do que pronta, e acima de tudo, eu confiava em Oliver. Confiava que seu coração estava em sintonia com o meu.

E havia o desejo também.

Montes dele. Estando nua debaixo do chuveiro e pensando em Oliver, eu era ainda mais consciente da força com que meu corpo queria o dele. Precisava. Esse desejo percorria cada linha do meu corpo, fazendo minha pulsação acelerar e minha pele se esquentar com o mero pensamento de algo mais físico.

Mas até mesmo o desejo estava diferente.

Eu havia notado isso na noite anterior, quando finalmente, depois de um longo tempo de espera, nossos lábios se encontraram e reivindicaram mais do que um simples beijo. Eu tinha estado tão desesperada por Oliver que quase não me importei que estivéssemos no meio de tantas pessoas.

Tudo o que eu queria, tudo o que eu me importava, era ele.

Eu precisava de Oliver, com o desespero de alguém que está morrendo, e ele era minha última salvação. E por mais que eu tentasse, não conseguia afastar de mim aquela sensação de que estávamos correndo contra o tempo, que talvez essa fosse a nossa última chance de... Mas então, bastou que ele sussurrasse uma pequena palavra, e toda a agitação dentro de mim havia se acalmado, encontrando em sua voz a segurança que eu precisava.

Encontrando nele...

Amor.

Eu sempre apreciei sua voz chamando-me assim, mas nunca tinha realmente absorvido o significado. O que realmente ele me dizia com essa palavra. A promessa que ela carregava consigo.

Depois disso foi fácil entender, que até mesmo aquele desejo que parecia iniciar um incêndio dentro de mim sempre que Oliver me olhava, fazia parte de algo muito maior. Não era apenas carnal, afinal, embora a necessidade de tê-lo doesse. Era um desejo de ter mais, de ter tudo o que esse amor poderia nos dar.

De construir uma vida nesse amor.

Deixei o banho e me enrolei na toalha, sentindo o corpo ainda quente e a respiração pouco espaçada. Com o braço esquerdo limpei o espelho embaçado e por longos minutos observei a mulher que me olhava de volta. Seus cabelos molhados caindo por sobre os ombros emolduravam um rosto que eu conhecia bem, mas que me parecia tão diferente. Os olhos azuis que antes semicerravam-se desconfiados de tudo e de todos, hoje pareciam maiores e cálidos, e tinham um brilho especial, um brilho de esperança. Bochechas coradas porque seus pensamentos não eram dos mais inocentes e um enorme sorriso que eu já não via há muito tempo.

Anos.

Gostei disso.

Gostei de quem eu era agora.

Da mulher que eu estava me tornando.

Mordisquei o lábio inferior ao escutar o som da porta do meu quarto sendo aberta, meus pensamentos fazendo um caminho direto para o dono deles. Ontem a noite quando voltamos do festival de música, Oliver diplomaticamente recusou meu convite para entrar no meu quarto e passar a noite comigo, ao invés disso ele pressionara meu corpo contra a porta e me beijara até que eu mal conseguisse sentir meus pés e todo o ar irrompesse para fora de meus pulmões, e então, o bastardo me dissera que precisava de mim descansada para o que tinha em mente para o nosso amanhã.

E que começaria bem cedo.

Ele se afastou com um sorriso pecaminoso, que me garantiu sonhos ainda mais pecaminosos.

Me concentrei no som que vinha do meu quarto, passos e algo mais. Definitivamente, alguém viera bem cedo, assim como o prometido. Olhei novamente para a mulher no espelho, para o olhar decidido dela e para seu sorriso de quem sabe o que quer e está indo pegá-lo. Ajeitei a toalha em volta do corpo, mesmo sabendo que era desnecessário, Oliver a tiraria de mim num piscar de olhos.

— Vá pegar o que é seu. – disse a mim mesma, a mulher no reflexo sorriu, gostando da ideia. E num misto de coragem e expectativa que era sentida em cada poro do meu corpo, pisei para fora do banheiro.

E assim que o fiz, me deparei com um Queen deitado na minha cama e esperando por mim com um sorriso satisfeito pendendo nos lábios.

Mas não era o meu Queen.

— Pode ao menos fingir que não está decepcionada por me ver aqui? – Thea girou sobre os meus lençóis apoiando a mão sobre o queixo e piscando os olhos de um modo adoravelmente infantil.

— Pensei que fosse Oliver. – estupidamente deixei escorregar, dando a minha quase cunhada a munição que ela queria.

— Isso estava óbvio pelo sorriso safado que desapareceu do seu rosto assim que me viu aqui. Eu posso ver claramente quais eram seus planos. – ela esticou o braço apontando para a toalha que eu vestia — Um strip-tease de uma peça só.

— Está errada. – Respondi com convicção. Eu estava planejando que Oliver tirasse a minha toalha. — O que faz aqui, Thea? – a melhor estratégia com Thea era sempre desviar.

— Primeiro, vim trocar seus girassóis. – meus olhos voltaram-se na direção das flores, tão majestosas e imponentes quanto o próprio sol ao lado da minha cama. – Oliver pede que alguém os troque todos os dias, assim você sempre acordará com flores frescas. — umidade surgiu em meus olhos, e tive que lutar contra um suspiro. Eu nunca tinha notado isso antes, mas era assim com Oliver, ele era cheio de pequenos detalhes e gestos que escondiam grandes sentimentos. — Brega demais, eu sei. – desmereceu, revirando os olhos. — E segundo... – ela se sentou na cama puxando uma mala sobre seu colo, o sorriso sorrateiro nos lábios alertando-me. — Estou preparando a sua mala para o seu encontro com Oliver hoje.

— Mala? – pisquei, sentindo uma onda de nervosismo me deixar um pouco inquieta. – Vamos ficar algum tempo fora? – Ele não me revelou isso. Ele não me revelou nada, exceto que hoje eu seria dele. E o que mais importava?

— Mas é claro! Você não achou que meu irmão iria transar com você na mesma casa em que sua mãe está hospedada? Meu irmão tem princípios. — comecei a enrolar uma mecha de cabelo em torno de um dedo, dando mais atenção a este detalhe de cabelos loiros e risada escandalosa, morando provisoriamente no quarto ao lado ao meu e que eu chamava de mãe.

— Nós tiraremos um tempo para nós dois longe do tumulto, é apenas um encontro normal, Thea. – a lembrei, meu estômago começando a dar voltas com aquela perspectiva que para mim não tinha nada de apenas e muito menos normal.

— Eu não estou dizendo que não vai ter romance nesse encontro, está mais do que claro que Oliver está de quatro por você, e não mede esforços para mostrar o quanto você é importante. E apesar das flores e jantar à luz de velas, não vamos fingir que a sobremesa de Oliver não inclui você nua e de quatro para ele. – Maravilha! Agora eu tinha essa imagem pornograficamente excitante gravada na minha mente fazendo minha respiração ficar irregular. – Já com tesão? – Ela provocou, rindo abertamente da minha reação.

— Você precisava ser tão gráfica? – devolvi, tentando conter a vontade de me abanar.

— Sim, porque sei que já faz um longo tempo para vocês dois. E eu não acho que você e Ollie serão capazes de se segurar. – Nem eu.

— Não é como se fôssemos coelhos! – Defendi, embora eu não estivesse muito certa da minha resposta.

— Devo lembra-la que você saiu toda sexy do banheiro, com um sorriso de matar, molhada e usando apenas uma toalha porque achou que meu irmão estava aqui? – Abri a boca e a fechei, sem argumentos para contra-atacar. Eu realmente estava pronta para pular em Oliver assim que abri a porta.

— Bem, quando você coloca desse jeito faz sentindo, mas não é como se Oliver e eu estivéssemos fazendo algo escondido de ninguém, somos adultos e...

— ...Adultos que transam, é eu sei – ela se ergueu, ficando sentada sobre seus tornozelos na cama – Como eu posso fazer isso mais claro? – levou o dedo ao queixo, uma expressão calculadamente pensativa – Já sei. – aplaudiu a si mesma por sua inteligência — Ei, Donna! – Thea gritou batendo o punho fechado três vezes contra a parede.

Oi, Thea. – A voz da minha mãe soou alta e clara através da parede. – Tudo bem com vocês garotas?

Estamos bem, só queria ter certeza de que estava aí... – franzi o cenho para o seu sorriso. O que minha mãe tinha a ver?

— Qual o ponto disso? – questionei.

— Imagine se fossem batidas da cama... — Thea empurrou uma vez, fazendo a cabeceira se chocar contra a parede, por um momento achei que ela estivesse louca, mas então a cabeceira bateu a segunda e a terceira vez num ritmo constante e... Finalmente tudo fez sentido. – E acrescente os gemidos de prazer, os nomes sendo gritados em puro êxtase...

— Oh, meu Deus! Entendi o ponto. – concordei rapidamente para que ela parasse. – Definitivamente, nada de sexo na mansão Queen! – determinei, odiando minhas palavras.

— Pelo menos, não por enquanto, e não com a sua mãe dormindo ao lado. – concordei efusivamente — Isso resolvido, vamos falar do que realmente importa. – pisquei para Thea que agora se sentava a cama e abria a mala que ela trouxera — Temos muitas opções, tamanhos, cores e estampas de animais, se esta for sua praia, é só dizer qual é a sua favorita. – Não entendi o que Thea dizia até que ela começou a puxar todas as coisas da mala. — Ou quais são as favoritas de Oliver, na verdade. – ponderou com uma piscadela significativa — Temos também vários tipos de camisinhas, principalmente com sabores... – Ela as espalhou sobre a cama, deviam ter pelo menos umas cinquenta. – Eu comprei todos os tamanhos porque eu não quero ter esse tipo de informação sobre o meu irmão, — ela fez uma careta — Então só escolha seu sabor favorito, o tamanho certo e não me deixe ver nada!

— Nós não estamos fazendo isso. – ela ergueu uma das sobrancelhas desafiadoramente para mim e continuou, ignorando completamente minha vontade. – Vermelha, talvez? — Thea jogou para mim uma calcinha minúscula e rendada, e eu a peguei no ar. – Combina com as bochechas coradas de menina inocente que você tem nesse momento, você devia tentar com o espartilho também. – completou. – O efeito vai ser estupendo!

— Thea... – Chamei, mas continuei a ser ignorada.

— ... E se colocar as meias de seda três quartos do conjunto, completando com aqueles saltos altos escuros super sexies que eu sei que você tem, vai ficar um arraso! Oliver nem vai saber o que o atingiu! – ela pulou da cama, animação tomando conta de seu rosto inteiro assim como aquele perigoso sorriso doce que não me enganava nenhum pouco. Eu a conhecia bem para saber que havia algo diabólico escondido ali.

— Eu não vou! – avisei batendo o pé firmemente, cruzando os braços e bufando, cortando o barato de qual fosse lá seu plano. Thea por sua vez voltou seus olhos para mim e me encarou com uma seriedade quase assustadora.

— Não precisa ser tão ranzinza, Felicity. — me repreendeu como se eu fosse apenas uma criança fazendo cena — Tudo bem, faremos só a calcinha e o espartilho, então. Sem dramas! – Ela não esperou por minha resposta, e quando dei por mim, eu já estava sendo empurrada para o banheiro com todas as peças da lingerie no colo e a porta fechada na minha cara.

Vesti cada peça com raiva e amaldiçoando Thea com cada palavrão que eu conhecia, e com outros que eu minha ira eu acabara de inventar. Eu odiava ser pressionada a algo, e odiava ainda mais que minha melhor amiga fosse tão insuportavelmente irritante e manipuladora, que era melhor poupar o tempo da discussão e do drama e fazer logo o que ela queria.

Abri a porta sem nem me dar ao trabalho de olhar o resultado no espelho antes.

— Pronto. – coloquei ambas as mãos na cintura determinada a lhe dar minha melhor expressão de tédio. — Satisfeita, Thea? – Mas não foram os olhos de Thea que vieram para mim da cama, embora também fossem azuis e pertencessem a um Queen.

Eram olhos que sempre me viam, independente do que eu vestia.

Mas que neste momento estavam enfeitiçados pela lingerie de renda cara e chamativa que deixava muito pouco para a imaginação. Correção: alimentava muito que bem a imaginação de um homem! Parte de mim sabia que eu deveria me sentir envergonhada, mas havia algo de excitantemente doce em ser observada com tanto apreço e desejo pela pessoa que se ama.

Então o observei de volta.

Porque até então, eu sempre fui consciente de como eu me sentia com ele, de como meu corpo reagia ao seu olhar. E saber meu efeito sobre Oliver, me fazia sentir nada menos do que poderosa.

Observei seu pomo de adão subir e descer, engolindo em seco. De seus lábios nenhuma palavra saía e nem precisava. Pelo fogo que havia em seus olhos e parecia consumi-lo por dentro, seus pensamentos eram claros e nenhum poucos puros. Gostei disso.

Gostei de como seus olhos percorreram cada curva do meu corpo com tanta intensidade e sem pudor algum, que eu quase era capaz de sentir seu toque físico aquecendo minha pele.

— Felicity... – Oliver desviou o olhar de mim assim que um leve e conhecido raspar de garganta nos lembrou de que, embora todos os nossos pensamentos envolvessem fechar a porta e nos jogar na cama – com uma maleta cheia de camisinhas, diga-se de passagem — nós não estávamos sozinhos no quarto.

— Gosta do que vê, Ollie? – Thea provocou, e Oliver por sua vez se ergueu da cama com tanta pressa, que qualquer um pensaria que um incêndio estava acontecendo. Bem, um incêndio em suas calças, talvez. — Parece que ele gosta do vermelho... – Thea ao menos teve a decência de segurar a risada mordendo seus lábios.

Dei um passo a frente, em direção a Oliver que agora estava parado a porta, uma das mãos segurando fortemente no batente, ele soltou um som que não consegui distinguir, era longo e grave e até mesmo um pouco animalesco, parecia algo entre um suspiro frustrado e um gemido de dor.

— Oliver, o que faz aqui? – me lembrei de perguntar, afinal, ele viera até meu quarto.

— Me esqueci. – ele disse naquela voz ainda um pouco rouca e desconexa, percebi que seus olhos não estavam nos meus, na verdade estavam dois palmos para abaixo, numa região que o espartilho valorizou muito. — Na verdade eu tenho que ir. – engoliu em seco novamente. – Agora. – salientou sua urgência.

— Mas você acabou de chegar, não quer dizer qual prefere? Nós temos essa mesma em preto... – Thea anunciou num tom suave e modesto, erguendo uma peça similar a que eu usava e colocando a frente do meu corpo, claramente se divertindo em bancar a vendedora, exceto que o produto oferecido era eu. – Temos alguns acessórios divertidos também.

— Oh, Deus! – Exclamei, procurando os olhos de Oliver esperando que ele se sentisse tão torturado quanto eu, mas me deparei com suas bochechas vermelhas e o olhar em conflito que me dizia que ele estava considerando.

E agora eu estava também.

— Eu não... – Oliver não completou a frase, apenas elevou a mão até o pescoço, como se pretendesse afrouxar a gravata para aliviar a pressão, exceto que ele não usava uma. Sufoquei uma pequena risada, embora não tenha nem tentado disfarçar meu sorriso satisfeito. Eu realmente estava conseguindo mexer com os hormônios de Oliver Queen.

— Prefere ela nua então, entendi. – Thea concluiu por ele.

— Thea! – repreendi, embora eu também esperasse pela resposta. Apenas por uma questão de curiosidade, é claro!

— Eu tenho que ir. – Oliver limpou a garganta e se forçou a um olhar vago, para longe da tentação, que vinha a ser euzinha de lingerie vermelha! — Te espero lá embaixo, Felicity, quando estiver nua. – ele disse ficando adoravelmente vermelho ao perceber seu deslize — Digo, quando estiver vestida! – apressou-se em corrigir com certa afobação. — Vestida com roupas, não com... – Ele apontou para a lingerie voltando a olhar para mim que ainda sorria para essa versão desconcertada de Oliver. Ele não chegou a terminar sua frase, apenas suspirou vencido, balançou a cabeça, murmurou algumas poucas e confusas palavras e nos deu as costas saindo apressadamente do quarto.

— Ela definitivamente vai estar nua! – Thea gritou para ele no corredor.

— Você tinha que afugentar seu irmão desse jeito? – reclamei.

— Ah, por favor, eu não tenho culpa de nada! – respondeu com um sorriso blasé — Oliver te viu nessa lingerie sexy, toda cheia de sorrisos convidativos para ele, e é claro que teve que correr para esconder a incomoda ereção que você provocou. – Thea respondeu — Se quer culpar alguém, culpe a si mesma, por ser tão irresistível.

— Você deveria ser uma advogada, é ótima em inverter a culpa. – apontei, sentando a cama, ainda me sentindo um pouco eufórica e ao mesmo tempo nervosa, por ter feito algo tão bobo quanto incitar Oliver.

— Anos sendo uma irmã mais nova. – Thea jogou os cabelos por cima dos ombros e se sentou a cama bem no centro, abrindo a mala a sua frente — Mas não gosto de terninhos, então é um não. – ela deu de ombros como se isto terminasse a questão. – Vamos voltar a fazer sua mala, estamos ficando sem tempo.

— Meninas, eu acabei de... – Minha mãe chegou a porta e olhou com suspeita de mim, com minha lingerie sexy, e para Thea e seu sorriso travesso. — Oh, bem isso explica muita coisa. – Ela cruzou os braços, semicerrou os olhos e apertou os lábios, naquela postura de quem captou algo suspeito e está pronta para a nos obrigar a contar tudo.

— Oi, mãe. – sorri inocentemente, por mais que inocência não combinasse com a lingerie que eu usava, então logo puxei um travesseiro para cobrir a minha indecência. Minha mãe não precisava pensar em sua garotinha assim.

— Explica o quê? – Thea a questionou.

— Porque eu esbarrei num pobre Oliver Queen, vermelho como um pimentão e tão desnorteado que mais parecia ter sido atingido por um furação. Furacão Felicity Megan Smoak, suponho. – mordi os lábios para evitar demonstrar o quanto gostei das suas palavras. — Vocês duas estavam atormentando o pobre garoto?

— Mãe, Oliver não tem nada de pobre e muito menos de garoto. – Ela ergueu uma das sobrancelhas sugestivamente para a última parte.

— O que estão aprontando? – respirei aliviada por ela não insistir.

— Nada demais, apenas arrumando as malas de Felicity para a pequena escapada dela e Oliver hoje. – Thea sorriu sem nenhuma afetação. Minha amiga conseguia ser uma atriz incrível sem qualquer tipo de preparação.

—Oh, isso parece divertido deixe-me ajuda-las, sou ótima dobrando roupas. – aproximou-se solícita.

— Claro! – Thea disse diabolicamente.

— Não! – Neguei ao ver as intenções da minha mãe. Thea e eu voamos para cima da mala ao mesmo tempo. Eu agarrarei a base, e ela a alça, lutamos por ela como se fosse um cabo de guerra, e para meu desespero, a mala simplesmente se abriu jogando todo o seu conteúdo para o alto.

Foi uma chuva de calcinhas de renda e camisinhas sobre nós três.

Ficamos em silêncio por um longo minuto, apenas encarando uma a outra. Observamos minha mãe se abaixar apanhando do chão um dos muitos pacotes metalizados de camisinha.

— Hum... – ela brincou com a camisinha entre seus dedos, enquanto fazia suspense, seus olhos então se apertaram analisando o pacote mais atentamente parecendo não gostar do que via ali. — Camisinha sabor banana? Quem no mundo compra esse sabor? Eca. – jogou a camisinha por cima do ombro com uma expressão de nojo e nós três caímos na gargalhada.

***

Um passo de cada vez.

É como costumamos agir quando caminhamos cautelosamente em direção ao desconhecido. Quando o caminho ainda é incerto, e a qualquer momento podemos tropeçar.

Não é este meu caminhar.

Não há medo em meus passos.

Porque sei aonde quero chegar.

Meu destino estava ali, esperando por mim ao final do caminho. Com um dos braços escorados sobre o teto do carro, jeans claros e blusa polo branca com detalhes em azul marinho, óculos escuros pendendo na gola dela e apesar de seu estilo anormalmente despojado, a expressão em seu rosto era séria e tensa enquanto conversava com um Ronnie igualmente austero.

Ele não me viu me aproximar, mas definitivamente sentiu minha presença antes mesmo que eu me anunciasse. Seu rosto se virou em minha direção e o sorriso veio fácil e acolhedor substituindo a carranca de antes, e fazendo com que eu me apressasse a romper a pequena distância que nos separava. Quando o fiz, mãos imediatamente se colocaram ao redor da minha cintura e me puxaram para si em um abraço caloroso e protetivo. Tive que me colocar na ponta dos pés para correspondê-lo e equilibrar nossa altura desproporcional. Seu nariz percorreu meu pescoço desde a base até minha orelha inspirando profundamente por todo o caminho, antes da sua boca largar um beijo despretensioso em um ponto específico atrás da orelha que me fez estremecer, em resposta apertei minhas mãos em seu pescoço puxando um pouco de seus cabelos, e comprimi meu corpo junto ao seu.

Desejando poder morar no seu abraço para sempre.

Mas até mesmo o “para sempre” não era o suficiente.

— Você não está nua. – assinalou, dirigindo aquele olhar ambíguo para mim, seu aperto havia cedido um pouco, apenas o suficiente para nos movimentarmos confortavelmente dentro do abraço, mas não para me manter afastada. Foi inevitável sorrir para o seu comentário. Havia alívio e diversão em sua voz, o momento de mais cedo ainda estava fresco em sua memória, porém aquele breve instante em que o fiz perder o rumo havia passado e sua habitual confiança estava de volta ao comando.

— Você não disse qual era a sua preferida, então vesti qualquer coisa... – Dei de ombros e deslizei vagarosamente a ponta dos dedos por seu pescoço, descendo pelo colarinho da camisa e aproveitando o quanto ela era justa para sentir seus músculos tonificados.

— Está linda assim. – a palma da sua mão pousou docemente em meu rosto, o polegar deixando um pequeno carinho antes de descer sensualmente até chegar aos meus ombros, brincando com a alça fina da camiseta de seda que eu usava. — Mas eu acho que sempre deixei bem claro como eu prefiro você. – seu olhar queimou no meu, dedos deslizando a alça para baixo e expondo mais da minha pele.

Mostrando como ele me preferia.

Tentei não ofegar.

— Hum... E como é? – Me fiz de desentendida, me excitando com a ideia de ouvi-lo dizer. Mas Oliver apenas sorriu, daquele jeito misterioso que me deixava louca para descobrir o que se passava dentro de sua mente. Não que não fosse óbvio, ele era um livro aberto para mim.

Mordi os lábios enquanto Oliver os olhava fixamente e balançava a cabeça como se dissesse que eu era um caso perdido. Vagarosamente seu rosto se aproximou do meu, minhas mãos torceram o tecido da camisa puxando-o para mim, tentando fazer com que se aproximasse com mais rapidez, o que funcionou. Estávamos a meros centímetros, mas antes que sua boca pudesse reivindicar a minha para si, um pigarrear soou alto e claro.

— Acho que essa conversa sugestiva é minha deixa para sair. – Ronnie nos interrompeu. Ele estava escorado no carro, com um sorriso matreiro no canto dos lábios e uma expressão divertida no rosto, só então me toquei de que ele ainda estava ali. Nos observando o tempo todo. — Ou talvez eu deva buscar a pipoca e acompanhar essa cena típica de final de novela?

Me virei dentro do abraço de Oliver e ficando de frente para Ronnie, encarando-o o com um olhar assassino. O que posso dizer? O filho da mãe havia interrompido meu beijo! Eu tinha todos os motivos para cometer um crime!

— Talvez você devesse pegar sua pipoca e enfiá-la... – Não terminei minha eloquente frase, apenas me senti ser puxada para trás, mãos segurando firmemente meus pulsos cerrados, me impedindo de ir mais a frente.

Nota mental: frustração sexual deixa as pessoas violentas.

— Apenas aproveite sua folga, Ronnie... – Oliver concedeu ao Ronnie que entendeu a deixa, um pequeno riso percorria o corpo de Oliver fazendo-o vibrar contra o meu, enquanto me impedia de, dentro do meu direito, insultar Ronnie por ser um idiota empata beijos. – ... enquanto ainda está vivo.

— Eu vou, chefe! – o desgraçado sorriu ainda mais dando um passo para trás e erguendo as duas mãos, se protegendo de um ataque meu. Babaca!— Tenham juízo e não façam nada que eu não faria. – Piscou para nós, antes de astutamente se afastar.

— Ronnie me tira do sério às vezes! – bufei, virando-me novamente para ficar de frente para Oliver.

— Só às vezes? – ele segurava o riso, enquanto ambas as suas mãos acariciavam meus braços, me acalmando.

— Todas às vezes que ele está sendo um idiota e atrapalhando momentos importantes. O que é precisamente o tempo todo. – expliquei, ganhando um sorriso ainda maior.

— Então é ótimo que me livrei dele, não quero ser interrompido. – Nem eu. Pensei, a expectativa crescendo ainda mais.

— Ainda não acredito que você fez isso. – Oliver franziu o cenho — Não me entenda mal, eu estou aliviada e animada de não o ter como minha sombra, mas depois de tudo o que aconteceu, eu pensei que você o quisesse manter por perto, para proteção. – desviei meu olhar ao notar aquela pequena escuridão sobre o semblante de Oliver. Quis me estapear por ter estragado o clima trazendo um assunto pesado.

— Ei... Não me impeça de vê-la. — Oliver pediu na sua voz mais suave, a mão delicadamente pousando sobre meu rosto, o acariciando e trazendo novamente para ficar no seu, olhos se perdendo um no outro, enxergando muito além do que mostrávamos a qualquer outra pessoa. – Eu protejo você, amor. – meu coração pulsou mais forte, assimilando não apenas suas palavras, mas sentindo a força e determinação delas — Enquanto estiver em meus braços ou mesmo, para meu desespero, longe deles. Quando tudo o que eu tiver de você forem meus pensamentos ou esses sentimentos que dominam meu coração. Ainda assim meus olhos sempre estarão sobre você. Meu corpo se colocará a frente do seu para parar toda e qualquer ameaça. Eu faria tudo, desistiria de qualquer coisa apenas por você. Para que você seja feliz. – Sua mão juntou-se a outra, ambas segurando meu rosto como se eu fosse preciosa. — Você estará segura comigo.

— Eu sei. – Eu não era tão boa quanto Oliver verbalizando meus sentimentos, ainda estava trabalhando nisso, mas esperava que minhas duas pequenas palavras fossem o suficiente para expressar o quanto eu confiava nele.

— Não consegui fazer isso mais cedo, já que você me distraiu. – ergui uma das sobrancelhas sem entender. – Rendas vermelhas, amor, aquilo quase acabou comigo. – eu ri, sentindo-me corar ao mesmo tempo em que meu corpo se aquecia sob seu olhar intenso e seu toque envolvente — E então veio Ronnie, que teve o bom senso de ir embora rapidinho antes de apanhar de você ou ser demitido por mim. – Só entendi sobre o que Oliver falava quando seu corpo apertou o meu, e nos girou, invertendo as posições, pressionando-me contra o carro.

Sua boca encontrou a minha, antes mesmo que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Mas nem precisava. Meu corpo reagia por si só, movendo-se em direção aquela necessidade quase primitiva.

Mãos se embaralharam tentando tocar todas as partes, as minhas só pararam após encontrarem seu caminho por baixo de sua camisa e subindo por suas costas nuas. As de Oliver? Pareciam uma extensão daquele beijo, tocando suavemente meu rosto quando eram apenas as bocas que se tocavam, mas descendo pelo meu corpo tracejando cada curva dele quando nossas línguas avidamente buscavam pelo gosto uma da outra.

Eu tinha meu corpo pressionado desconfortavelmente na lataria, a maçaneta da porta começando a me incomodar, mas era fácil me esquecer da dor, quando se tinha a boca de Oliver explorando a minha, e principalmente quando seus dedos se prenderam no cós do meu short puxando meu corpo ainda mais para o seu, sentindo a pressão de sua perna que estava entre as minhas e o quanto ele estava duro. Eu queria tocá-lo e apressei em mover uma das mãos por sobre sua calça, o acariciando. Aparentemente Oliver teve a mesma ideia, porém em um nível muito melhor. Ele começou brincando de tracejar o polegar por dentro do meu jeans. Soltei um gemido dentro do beijo, assim que seus dedos tocaram a pele abaixo do umbigo. Isso o estimulou, porque uma hora estávamos apenas nos provocando inocentemente e na outra o botão do meu short estava fora, o zíper havia descido e eu tinha dedos longos tocando-me.

O beijo havia se tornado uma confusão de sons, de lábios sugando e esmagando um ao outro com certa brutalidade, de línguas querendo provar mais e mais, e essencialmente era feito de palavras desconexas, gemidos e arfares, murmurados por nós dois.

Sem seguir qualquer comando, meus dedos alcançaram a frente da calça de Oliver, ansiosos por lhe dar o mesmo prazer. Mas assim que percebeu minha intenção Oliver tirou sua mão de mim, fechou meu short e me impediu de tocá-lo.

Entendi sua mensagem, mesmo não gostando dela.

Não aqui.

O que estávamos pensando? Estávamos em plena luz do dia, em frente a Mansão Queen, e eu tinha quase certeza que de alguma das muitas janelas daquela casa o nosso show estava sendo apreciado de longe, ou talvez de perto. Thea Queen certamente tinha binóculos.

Nós dois paramos o beijo, não porque queríamos, mas por sentir que estávamos perdendo o controle cedo demais. Mantemos as bocas próximas o suficiente para sentirmos a respiração ofegante e quente um do outro, e ainda deslizarmos preguiçosa e levemente nossas bocas, porque ainda não estávamos prontos para dizer adeus a este beijo de tirar o fôlego.

— Desculpa. – Balancei minha cabeça sutilmente, roçando a boca contra a dele mais uma vez tocando os lábios com a ponta da língua, deixando minhas mãos brincarem em sua pele nua. Eu não queria suas desculpas, eu queria sua mão de volta na minha calcinha.

Oliver deve ter percebido minha provocação, logo senti seus dentes prendendo o lábio inferior e o puxando lentamente, deixando a carne latejante quando os soltou.

— Bom dia, amor. – Oliver disse ainda ofegante, erguendo um olhar que não tinha nada de inocente.

— Excelente dia. – respondi lambendo meus lábios primeiro para amenizar a pressão, e segundo para sentir mais do seu gosto deixado ali. – E não peça desculpas pelo beijo. — O adverti.

— Isso não foi um beijo, Felicity. — pisquei confusa com suas palavras e ao mesmo tempo distraída por seu polegar que tracejava meu lábio úmido e inchado — Foram preliminares, estou me desculpando por ter parado.

Oh, eu não sobreviveria a este dia.

— O que vamos fazer? – Perguntei, arrastando minhas mãos por suas costas, me recusando a perder o contato. Se esse beijo era um prelúdio do que esse dia seria, eu estava ainda mais do que animada para continua-lo.

— No momento entrar no carro antes que eu dê motivos para Ronnie buscar a pipoca, e apreciar o show que demos. – eu ri, desviando o olhar rapidamente do rosto de Oliver em direção a mansão. E vi alguns telespectadores ali, puxando rapidamente a cortina de uma das janelas. — Mas, respondendo sua pergunta eu tenho um plano e outro... – disse vagamente, os dedos e os olhos parecendo muito interessados em uma mecha do meu cabelo.

— Oliver. – disse seu nome, um pouco tensa – Vai me manter no escuro?

— Você não poderia estar mais certa. – Não entendi a razão daquele sorriso radiante — Confia em mim? – perguntou, ainda incerto.

— Sempre.

— Então feche os olhos. – Não o fiz. Para quê fechar os olhos quando eu tinha algo tão lindo a minha frente para olhar? – Por favor, feche esses belos olhos, amor.

— Ok, ok. – Dei-me por vencida, mas apenas por causa daquela voz mansa e porque ele tinha usado a palavra mágica. E não era por favor.

Suspirei quando o senti se afastar um pouco, mas aproveitei para ajeitar minha postura e desgrudar o corpo do carro. Pensei em trapacear e abrir os olhos apenas um pouquinho, comecei a fazê-lo, mas tudo o que vi foi um tecido azul escuro que rapidamente me cegou.

— Está brincando comigo. – reclamei assim que senti o tecido macio cobrir meus olhos me deixando literalmente no escuro.

— Nenhum pouco. – Eu escutava a diversão em sua voz.

— Isso é realmente necessário? – perguntei, assim que escutei a porta do carro se abrir e cuidadosamente Oliver me direcionar para ele, suas mãos se demoraram ao ajeitar o cinto em mim.

— Não. — respondeu — Mas gosto de te ter dependente de mim. – completou, percebi pela direção da voz e proximidade, que ele tinha dado a volta e se sentado no banco do motorista. — Me faz parecer importante.

— Você sabe que é importante para mim. – reclamei, um pouco chateada. Eu ainda não tinha feito isso claro o bastante?

— Sim, eu sei. – Ele pegou minha mão na sua, entrelaçando os nossos dedos. Era estranho, mas agora com os olhos vendados eu sentia que aquele toque simples se tornava maior. — Mas adoro ouvir você repetir.

— Eu senti falta disso. – comentei, gostando de brincar com seus dedos nos meus.

— De dar as mãos?

— Isso também, já que faz parte. – respondi – Mas no geral senti falta de nós dois, juntos.

— Diga a palavra, Felicity. – Eu podia não enxergar nada, mas sabia que suas palavras vieram acompanhadas de um amplo sorriso convencido.

— Eu senti falta de ser sua namorada. – dei a resposta que fez meu coração palpitar mais rápido. — Feliz?

— Você não faz ideia do quanto. – Oliver ergueu nossas mãos juntas, pressionando a boca em cada um dos nós dos meus dedos — Se eu soubesse que tudo o que precisava para fazê-la admitir que é minha namorada, era vendá-la e prender suas mãos nas minhas, eu teria feito isso de um jeito muito mais prazeroso.

Me animei.

— Podemos tentar isso para onde estamos indo... Podemos fazer isso lá? – sondei inocentemente, e ganhei uma gargalhada em resposta.

— Boa tentativa. – Suspirei frustrada. Oliver sabia o quanto eu odiava surpresas e ainda assim estava resoluto em fazê-la. Por que era tão importante? Ele deve ter notado a minha expressão insatisfeita, porque logo perguntou: — Realmente importa para aonde vamos? – apertou a minha mão junto a dele, e então compreendi.

Se eu realmente quisesse saber, Oliver acabaria com a surpresa e me contaria, mas não era essa a questão.

— Na verdade não importa. – percebi, a surpresa em si, não fazia tanta diferença — Desde que eu esteja com você, eu vou para qualquer lugar.

***

Liberdade não é apreciada o suficiente.

Apenas damos real valor quando somos privados dela, e passar os dias dentro da mansão Queen, que com seus amplos jardins e piscina incrível, nem de perto se assimilava a uma prisão de verdade, poderia também ser igualmente opressor.

Eu sentia falta disso.

De respirar um ar com fragrâncias diferentes.

De simplesmente poder dar um passo a frente ou para trás, se assim eu quisesse. Sem me preocupar para aonde estava indo. Sem me preocupar em ser perseguida por repórteres com seus flashes de câmeras e perguntas inconvenientes, todos ansiosos para uma declaração minha, apenas para que pudessem distorcê-la.

Eu queria apenas liberdade para ser eu.

A Felicity Smoak que em meio a todo esse caos, eu consegui reencontrar.

— Tem certeza de que não há repórteres? — perguntei tão logo Oliver abriu a porta do carro para mim e me ajudou a descer, um pouco de hesitação controlando a euforia de estar longe, com ele.

— Nenhum deles. – garantiu — Ronnie e eu tomamos todas as medidas, eles não irão nos alcançar aqui. – Me livrei daquela tensão, não querendo que nada atrapalhasse meu dia com Oliver.

Eu manteria meu coração e minha mente focados no aqui e no agora.

Em mim e Oliver.

Pelo tempo que durasse.

— Eu conheço esse cheiro. – Eu ainda estava vendada, porém agora eu sentia o vento fresco que fazia os fios dos meus cabelos se agitarem para todos os lados provocando cócegas, o sol do final da manhã aquecendo minha pele que parecia até mais pálida depois de tanto tempo presa dentro de casa. Também escutava tantos sons ao mesmo tempo. Pássaros. Gaivotas, provavelmente. Água batendo contra algo sólido e fui tomada por uma sensação tão única que minha primeira reação foi erguer a cabeça para o céu e inspirar, dessa vez profundamente.

Eu não notei o quanto eu precisava disso.

Uma escapada.

— Descreva o cheiro para mim. – Oliver pediu, estranhamente tenso e ansioso. Sua mão segurava a minha novamente, apenas pelo prazer do gesto, ou talvez fosse porque era algo que namorados faziam.

Eu estava começando a ver os benefícios dessa palavra outrora tão intimidante.

A quem eu queria enganar? Eu. Estava. Amando.

— Tem cheiro de sal e... – franzi o cenho. Sentimentos tem cheiro?

— E o que mais, Felicity? – insistiu a boca sussurrando próxima demais ao meu ouvido, a mão apertando a minha um pouco mais. Pedindo por algo. Movi meu corpo em direção a sua voz, tive certeza de que estava de frente para ele quando senti sua respiração soprando contra meu rosto.

—... Não é curioso como nosso cérebro é capaz de armazenar a memória de um cheiro? E evocar todas as mesmas emoções? – meu coração estava acelerado dessa vez, reconhecendo com mais precisão aonde eu estava.

— Vou reformular minha pergunta. – sua voz era mais baixa e vacilante, preocupada até — O que está sentindo, amor? – O apelido doce aliado a sua mão que delicadamente subia e descia por meu braço com carinho, me fez sorrir.

— Neste lugar eu sinto simplesmente tudo. – mesmo que eu já não trancasse meus sentimentos, havia um lugar especial no qual eu sempre os sentia a flor da pele. Onde meu coração era livre. — Estamos no Queen’s Gambit. – disse — Suíça. Você deveria rebatizá-lo. – apontei, tentando brincar.

— Talvez um dia. – sua voz estava desconexa, mas não dei muita importância porque naquele instante Oliver tirou a venda dos meus olhos. Lutei por um momento contra a luminosidade tão brilhante, com todas as cores, os diversos tons de azul do céu e do oceano que se estendia a nossa frente e principalmente, lutei para não olhar para o barco imponente que estava logo ali, tão perto que se eu esticasse o braço eu poderia tocar seu casco.

— Não. – puxei o tecido que Oliver usara para me vendar do seu bolso, o identifiquei como sendo algo como uma bandana. Sorri, imaginando como ele havia conseguido isto, não era seu estilo, mas ainda assim o amarrei em meu pulso. — Eu vou mantê-la comigo. – Oliver podia ter minhas calcinhas, mas isto aqui, seria meu. — Um suvenir desse dia. – Sorri com minha pequena travessura.

Mas Oliver não sorriu de volta.

Seus olhos estavam em mim, procurando por um sinal de que algo estava errado.

— Você pode ter qualquer coisa que quiser. – ele tocou o tecido em meu braço, olhos faiscando uma emoção cálida para meu pequeno roubo, mas quando tornaram a olhar para mim ela se esvaneceu, sendo substituída por algo muito mais inabalável — Até mesmo não entrar no Gambit, se este for seu desejo.

— Não. – movi meus olhos desconfiados na direção do barco — Eu quero voltar para a Suíça.

— Não está chateada comigo por trazê-la aqui? – eu sentia muitas coisas no momento, mas chateada com Oliver? Não. Não havia espaço em meu coração para nada negativo sobre ele. — Eu sei que sua última memória aqui é ruim. – suspirei tentando varrer a imagem daquela noite escura da minha mente, da sensação de impotência e desesperança ao ser engolida pela água e apenas afundar. Me concentrei no toque de Oliver ao invés, na sua presença, no que apenas ele me fazia sentir, pensei em girassóis e foi incrivelmente fácil substituir a lembrança tenebrosa por algo feito de luz — Deus sabe que a minha é. — pisquei surpresa pela rispidez em sua voz, havia ódio e pesar em suas palavras. — Eu poderia ter perdido você naquela noite, amor. – meu corpo instantaneamente se aproximou do dele, querendo ser capaz de com um único toque trazê-lo de volta para o agora — E nós nunca...

— Mas não perdeu, e nunca precisará pensar em como teria sido. – toquei-lhe o rosto desejando retirar dali seu semblante torturado. — Por que me trouxe aqui, Oliver, se te faz tão mal?

— Porque é nosso lugar. – sua outra mão cobriu a minha em seu rosto — Nosso pedacinho da Suíça. – comecei a esboçar um sorriso — Eu beijei você pela primeira vez depois de cinco anos neste lugar. Você começou a abrir seu coração para mim aqui. Foram tantas conversas. Desnudamos nossas almas um para o outro aqui. Fomos tão sinceros quanto conseguimos ser. Tantas promessas foram feitas neste lugar. Ele é nosso. – sua determinação era feroz, eu a sentia, em sua voz, na forma como sua mão apertava minha e naquele olhar de quem não admitia perder. — Não quero que ele tire isso de nós também. Não vou permitir, amor.

Fitei seus olhos.

Neste lugar não eram apenas meus sentimentos que estavam à flor da pele. Os de Oliver também estavam, crus, tão fáceis de serem percebidos e lidos. Também percebi que eles eram a fonte de toda a sua força.

E da minha.

— Ele não vai tirar. – retribuí com a mesma determinação.

***

Desisti dos meus cabelos revoltados.

Puxei-os para cima, em um alto e imperfeito rabo de cavalo do qual algumas mechas ainda escaparam e o prendi com a bandana de Oliver. Escorei os braços sobre o balaústre e inclinei meu corpo para frente, observando com um agitar ansioso no peito e alguma desconfiança, o infinito que se estendia a minha frente.

Nada além da água.

Quilômetros e mais quilômetros de um azul sem fim.

A ansiedade superava o medo.

Parecia tão simples.

Nos perder naquela imensidão azul por uma hora, ou até mesmo uma vida inteira.

Com Oliver.

Fugir com ele e fingir que em terra firme, não havia caos, problemas e incertezas esperando por nós. Que nossos dias não estavam contados.

— Pronta para navegar? – Oliver chegou de mansinho, abraçando-me por trás e esfregando o nariz por minha nuca, os pelos ásperos de sua barba arranhando minha pele de um jeito bom. Sua oferta me fez sorrir. Como ele poderia saber que era exatamente isto o que se passava em minha mente? – Pensei que seria bom darmos uma escapada da cidade.

Uma fuga, apenas eu e ele.

— Eu não posso deixar Starling City, Oliver. – O lembrei com tristeza, meu sorriso murchando, a dor em meu peito se tornando mais forte. Eu daria qualquer coisa para ter apenas alguns minutos longe da cidade, para ficarmos perdidos na imensidão azul daquele mar e não nos preocuparmos com nada nem ninguém, exceto nós.

Oliver havia me prometido este amanhã.

Mas e os outros?

Possibilidades apenas.

Um talvez.

Por isso inclinei meu corpo para trás contra seu tórax, meus braços sobre os dele intensificando o aperto, e permitindo que aquele abraço se tornasse algo mais íntimo. Eu era ciente de que momentos assim com Oliver não me eram garantidos, por isso eu aproveitaria cada um deles.

Transformaria cada pequeno momento, por mais fugaz que fosse, em uma memória linda e especial, assim ele duraria para sempre.

Porque eu não sabia quando teria outra chance.

Inconsciente da minha necessidade de estar em seus braços, Oliver forçou uma mudança de posição, o corpo ainda mantendo-se próximo ao meu, porém escorado de lado no balaústre, de modo que tudo o que precisei fazer foi mover um pouco a cabeça para ter meus olhos nos seus.

— Eu sei que não pode. – havia um sorriso misterioso ali, me instigando.

— Então vamos ir contra a lei? – sussurrei, temendo que alguém pudesse nos ouvir.

— Sabe que sou o melhor advogado da cidade, certo? – perguntou com um humor ansioso.

— Ouvi dizer algo assim... – revirei meus olhos, me negando dar-lhe o prazer de alimentar seu ego. — Mas mesmo sendo tão bom quanto dizem, não conseguiria reverter essa ordem, você já tentou.

— Quem disse que eu reverti uma decisão judicial? — Olhei para ele sem entender aonde queria chegar. Como ele me oferecia a liberdade sem violar minha condicional? – Você não pode sair de Starling, é por isso que vamos navegar pela costa, nunca ultrapassando dez milhas desde a costa, então sempre permaneceremos nos limites da cidade, mas longe o suficiente para sentirmos um gostinho da liberdade. – seu sorriso foi gradualmente se tornando maior, até ocupar todo o seu rosto. Não consegui evitar e sorri também, surpreendentemente não por causa da brecha que Oliver encontrara, mas de orgulho por ter um namorado tão inteligente. — Eu praticamente decorei o mapa geográfico de Starling, inclusive trouxe uma cópia dele comigo. Eu planejei cada pequeno detalhe desse dia, calculei todas as probabilidades e te garanto que nada dará errado. – eu não duvidava de que houvesse uma longa lista de coisas para fazer — Agora, responda correto dessa vez, quem é o melhor advogado da cidade?

— Meu Oliver controlador e metódico. – respondi.

— Repita isso. – seu corpo cresceu sobre o meu, tive que me segurar no metal para não cair. Como se isso fosse acontecer, não quando mãos grandes estavam em mim amparando o meu corpo.

— Você é controlador e metódico. – Revirei meus olhos.

— Não essa parte, a parte que diz que sou seu. – mordi os lábios, me dando apenas um minuto para me sentir envergonhada pelo o que deixei escapar. Mas a vergonha não veio, ao contrário, apenas um sentimento de um orgulho possessivo. Oliver era meu.

— Meu Oliver. – repeti sem medo, observando a forma como seu peito inflou ao tomar uma longa respiração, seus olhos parecendo sorrir para mim.

— Deus! Eu amo esse som, quero ouvi-lo todos os dias pelo resto da minha vida. – deixei as borboletas em meu estômago se agitarem com a ideia de acordar todos os dias ao lado de Oliver, e dizer que ele era meu. — São minhas duas palavras favoritas no mundo inteiro. – Eu ri, achando-o exageradamente romântico, mas não havia nada em Oliver que sugerisse que ele não falava sério. — Quais são as suas?

Fiquei muda por um minuto, eu já não era mais capaz de mentir, não olhando em seus olhos, por isso cautelosamente os evitei.

— Vamos zarpar.

— Escolha interessante de palavras. – Eu ri com Oliver e sua mão pegou a minha entrelaçando nossos dedos daquele jeito que não deixava escapatória, não que eu quisesse uma, eu estava bem aonde eu queria estar. Seus olhos procuraram os meus com seriedade, conversando com eles e fazendo meu riso nervoso cessar. Nós dois sabíamos que aquelas não eram as minhas palavras favoritas.

Oliver ainda não as tinha dito, não com sua voz.

Apenas com seu olhar.

***

Oliver não estava brincando quando disse que planejou cada minuto do nosso dia.

Primeiro ele conduziu o Gambit o mais longe possível, até que a Costa de Starling nada mais era do que uma pintura borrada e cinzenta no horizonte atrás de nós. Depois nós paramos para um piquenique, sentados no chão com todo o tipo de comida fresca ao nosso redor, e principalmente muito mais vinho do que o permitido.

Oliver me ensinou sobre navegação, falou sobre cartografia e até mesmo um pouco de astronomia. Eu não fazia ideia do quanto ele gostava e conhecia do assunto, parecia muito empolgado enquanto explicava, e pude perceber que navegar era uma das suas paixões. Ele quase se ofendeu quando eu, uma típica garota do T.I., disse que caso ficasse perdida em alto mar não precisaria de olhar as estrelas ou a posição do sol, simplesmente usaria o GPS. Depois disso ele me garantiu, que jamais me deixaria navegar sem ele.

Até parece que eu queria fazer isso com outra pessoa!

E então nós conversamos mais.

Sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo, observamos as poucas nuvens no céu tentando identificar formas, fizemos planos para o próximo dia e ignoramos a incerteza da vida. Esse definitivamente não era um típico primeiro encontro, não apenas porque nós não éramos estranhos tentando conhecer e impressionar o outro, mas porque éramos pessoas com fortes sentimentos que queriam passar um tempo juntas.

Ia além de um encontro.

Era uma prévia do que poderíamos ter, ser, se nos fosse dada a chance.

Neste lugar, com Oliver, era como se o restante do mundo não existisse. Eu sabia que soava egoísta, e que há muito mais na vida do que um namorado. Mas quando existe um relógio contando cada um dos seus minutos, quando a vida, seus medos, sempre o mantiveram seguramente afastado do amor, quando seu tempo está perto de esgotar, tudo o que você quer é apenas mais um minuto.

Apenas mais um minuto para apreciar a beleza de um sorriso.

Para entrelaçar dedos.

Se perder num olhar que faz seu coração bater mais forte.

Apenas mais um minuto para viver essa descoberta incrível que chamamos de amor.

Oliver tentou me ensinar a pescar, embora nenhum de nós dois fosse realmente bom nisso. Ainda assim tentamos por quase uma hora. E durante este tempo Oliver me contou sobre como isto era importante, que ele, seu pai e seu avô faziam sempre juntos.

Uma tradição familiar.

Eu não entendia o porquê de ele querer tanto pescar comigo, quando claramente éramos terríveis.

— Eu senti alguma coisa. – falei de repente, ficando animada ao sentir um beliscão no anzol depois de tanto tempo apenas segurando aquela maldita vara.

— Tem certeza? – O arquear de sobrancelhas e o tom duvidoso de Oliver me fizeram lançar um olhar atravessado em sua direção.

— Sim! – retruquei pressionando os lábios, aborrecida com seu descrédito.

— Você disse isso outras vezes. — tentou num tom conciliador — E você esteve errada em todas elas.

— Mas dessa vez é verdade! – insisti.

— Isso nós veremos. – Ele se ergueu, deixando sua vara de pescar apoiada a grade, para que não caísse no chão e veio até mim.

— Você só não quer acreditar que eu consegui pescar alguma coisa, e você, com anos de experiência, não. – provoquei, mas Oliver apenas riu.

— Talvez eu esteja com um pouco de inveja da sua sorte. – me ergui do chão também, segurando a vara firmemente, não deixaria meu prêmio escapar, o esfregaria na cara convencida de Oliver.

— Sorte? – olhei Oliver por cima dos ombros, quase vacilei ao ver o quão perto de mim ele estava — Isso é um talento natural.

— Claro, minha garota é extremamente talentosa – Dessa vez ele concordou sem discutir. Senti suas mãos deslizando por meus braços até terem meu corpo contra seu, suas mãos por cima das minhas – Então puxe o anzol, vamos ver o que você pescou.

Assim o fiz.

Com a ajuda “profissional” de Oliver, que precisou dar um grande puxão, para que meu peixe viesse a superfície.

— Oh, meu Deus! – exclamei, rindo quando percebi o que tinha acontecido. Eu realmente tinha pescado algo, exceto que não era um peixe... Soltei minha vara e girei nos braços de Oliver que também ria. — Acho que pescamos um ao outro. – declarei, ainda olhando para a ponta do meu anzol que havia se enrolado no dele.

— Declaro que a pescaria foi um sucesso! – Eu não diria o mesmo, mas como ela terminou com Oliver curvando seu corpo sobre o meu e me beijando ali mesmo, acho que sucesso é a definição correta.

— Vem comigo, quero te mostrar uma coisa. – soltei um pequeno suspiro de protesto quando suas palavras interromperam o beijo.

— Estou bem aqui, com você. – agarrei mais firme seu corpo, mostrando minha intenção.

— Prometo que terá mais beijos em breve. – roçou a ponta do nariz no meu.

— Você sabe bem como me convencer. – Como dizer não a uma promessa dessas?

Demos as mãos novamente. Eu já tinha me habituado a sensação de conforto que era ter sua mão grande e firme na minha, em seus dedos entrelaçados nos meus, se recusando a me soltarem. Caminhamos pelo convés, até a porta da cabine, sorri quando localizei o quepe de marinheiro jogado num canto.

— Então? O que faremos aqui? – mordi os lábios, tentando não pensar muito claramente nas intenções de Oliver, mas ele havia me prometido beijos, era inevitável as fantasias que começaram a rolar por minha mente.

— Quero mudar o curso para ficarmos de frente para o pôr do sol. – pisquei para ele, ao vê-lo se afastar soltando minhas mãos para ligar o motor e nos movimentarmos.

— Hum...

— O que foi? – Olhou para mim, por detrás do leme — Parece decepcionada. — Me aproximei com as mãos em minhas costas, Oliver parecia me analisar um pouco tenso, temendo ter feito algo de errado. Mas seu semblante ficou mais leve e ele riu, assim que coloquei o quepe sobre sua cabeça.

— Isso não parece muito melhor que amassos no convés, capitão Oliver. – pressionei com humor.

— Deixe-me melhorar para você. – mãos me puxaram pela cintura, colocando-me a sua frente, presa entre seu corpo e o leme. — Melhor? – soprou um pequeno beijo na junção do meu pescoço e ombro.

— Sim. – movi meu corpo um pouco mudando a posição, para olhar em seus olhos.

— Agora pare de olhar para mim, e olhe para frente, sempre fazendo o que eu mandar, amor. — havia riso em seus olhos, e aquela emoção terna que eu já conhecia bem.

— Mandão. – reclamei, mas voltei a posição inicial.

— Eu acho que vai gostar de seguir minhas ordens... – Deixou a promessa sussurrada em meu ouvido, a boca raspando levemente sobre o lóbulo da orelha, fazendo meu corpo inteiro reagir com um tremor de ansiedade, desejando mais de seus lábios.

Ficamos assim um tempo. Oliver mudou a direção do barco, e navegamos calmamente contra o sol, tão próximo à água, que eu quase esperava ouvir o chiar do fogo quando se apagasse no oceano. Eu já tinha estado no Gambit uma outra vez, observando um outro por do sol. Mas agora tudo parecia diferente, talvez porque nós estávamos diferentes, e meus olhos eram capazes de ver bem mais além. Enxergando além da beleza supervalorizada, e focando nos pequenos e importantes detalhes. Como era ter braços me abraçando e partilhando calor, olhos olhando na mesma direção e pensamentos ainda que silenciosos que pareciam convergir no mesmo sentido.

Nós dois suspiramos ao vermos os pássaros que voavam livremente na mesma direção que a nossa, perseguindo o último resquício de sol.

Assim como nós.

— É lindo. – falei com certa nostalgia, já sentindo saudades de um momento que sequer tinha terminado. – Queria poder ter isso todos os dias.

— Eu também. – Oliver inesperadamente confessou, abraçando-me um pouco mais forte — Quando eu era jovem eu sempre me imaginei pegando o Gambit e viajando sem rumo, sem planos ou preocupações, apenas eu, o mar e alguém para manter meu coração aquecido. – Aquilo era novo.

— Eu não consigo imaginar isso. — declarei — Você sempre foi tão pé no chão, tão correto e com planos, largar tudo e sair sem rumo me parece muito sonhador para alguém como você.

— Eu sempre controlei meus sonhos. — havia um resíduo de reprovação em seu tom — Sempre me forcei a fazer o que achava ser o certo, e não o que eu realmente queria. – sua voz morreu ao final.

— Como nós. – houve um longo silêncio, escutei Oliver respirar fundo e engolir seco. Atrás de mim, seu coração bate forte.

— Sim. – concordou, a voz ainda mantendo um pouco daquele tom arrependido — Eu não farei mais isso. – foi resoluto, e seus braços me apertaram um pouco mais, seu gesto evidenciando sua convicção — Demorei um pouco para entender que nós precisamos de mais na vida. – sorri, seu tom e seu abraço me eram tão reconfortantes — E eu não quero acordar um dia, cheio de arrependimentos, eu já perdi muito da vida me negando o prazer de viver o que meu coração anseia. – eu reconhecia essa sensação. — Eu não quero perder mais. – Eu deveria dizer que ele não iria, mas há promessas que eu não poderia mais fazer.

— Eu não quero que perca mais nada também.

— Eu deveria trazer meu filho aqui um dia. – preencheu o silêncio fazendo-me engoli em seco tentando empurrar o bolor preso em minha garganta, eu sabia para onde essa conversa estava indo — Colocar meu quepe de marinheiro sobre sua cabeça e ensiná-lo tudo o que sei sobre navegar, ensiná-lo a pescar, mesmo eu sendo terrível... Eu prometi ao meu pai que faria isso com minha família do mesmo jeito que ele fez comigo. – permaneci em silêncio, apenas acompanhando as palavras de Oliver, por mais tristes que fossem elas precisavam ser ditas. – Coloque suas mãos aqui, deste jeito. – Oliver instruiu com carinho, elevando minhas mãos e as colocando no leme, senti o Gambit atender nosso comando e mudar seu curso — Eu nunca poderei fazer isso com Jonas, e eu não sei dizer se teremos outros filhos. – continuou a dizer, e meu coração contorceu um pouco, protestando contra a tristeza daquela verdade, lágrimas ardendo nas extremidades dos meus olhos. Senti suas mãos se apertarem em cima das minhas, conduzindo meus movimentos com suavidade e nos fazendo andar em direção ao sol, de alguma forma amenizando a dor. — Você é minha família também, Felicity, pode não ter meu sobrenome ainda, mas é a mulher da minha vida.

O tempo parou naquele instante.

Minhas mãos caíram do leme, a respiração ofegou acompanhando meu ritmo cardíaco descompassado, e me virei ficando de frente para Oliver, prendendo o ar em meus pulmões tentando controlar o que suas palavras me faziam sentir.

— Por que você tem que fazer isso? – consegui dizer, as palavras saíram trêmulas em minha garganta, todo o meu ar saindo com elas. Lágrimas ainda em meus olhos, tornando sua imagem um pouco embaçada.

— Me desculpe se a chateei, eu pensei que... – Oliver pareceu atormentado, palavras apressadas e mãos tocando-me vacilantes sem saber o que fazer.

— Não, você jamais faria ou diria algo que me chateasse. – o interrompi, antes que ele continuasse a entender tudo errado. Coloquei minha mão sobre seu peito, sentindo as batidas erráticas do seu coração aos poucos se acalmarem. Respirei fundo antes de falar, eu estava na Suíça agora e todos os meus sentimentos fluíam livremente, eu não podia escondê-los, nem mesmo de mim mesma. — Ao contrário disso, eu vejo o quanto se esforça para me fazer feliz. Em cada palavra que me diz, em cada gesto seu, seja um simples carinho ou um beijo de tirar meu fôlego, eu sinto a sinceridade neles. Eu também sinto o quanto você se dedica a nós, o quanto luta por nós para que tudo dê certo, e não desiste mesmo que tudo esteja contra. Mesmo que eu não tenha facilitado. Mesmo que eu tenha mentido para você. Não contado sobre Jonas antes. Ainda assim, você me dá tudo de si, mesmo quando eu era incapaz de lhe dar uma única fração do meu coração, você me deu o seu por inteiro. – dei-lhe um sorriso fraco — E isso apenas me faz amá-lo ainda mais, eu nem sequer sabia que em meu coração ainda cabia tanto amor. – Oliver ergueu sua mão, e colocou sobre a minha — E por mais que eu esteja pronta para você agora, que meu coração finalmente esteja inteiro para ser seu, isso ainda me assusta. Você é o homem da minha vida, Oliver, mas eu estou apavorada... E se amanhã, se isso for tirado de nós...? E se eu...? – engasguei, o medo me vencendo e as lágrimas finalmente caindo.

Oliver se aproximou devagar, primeiro sua mão alcançou minha cintura, puxando-me um pouco mais para si. Depois, a senti em meu cabelo o toque era suave e afastava as madeixas soltas do meu rosto, colocando-as atrás da orelha, e então sua boca veio beijando o exato lugar em que as lágrimas caiam.

Parei de chorar, observando seu gesto singelo.

Como se seu amor pudesse até mesmo, derrotar meus medos.

A verdade é que ele podia.

— Há partes de nós que não podem ser tomadas, amor. – disse com simplicidade — Apenas dadas. — dessa vez Oliver colocou a sua mão sobre o meu coração também – E isso que habita em nossos corações, ninguém jamais poderá tirar de nós. É nossa força.

Suspirei assentindo, e aproveitei para envolver meus dois braços ao redor dele, naquele abraço acalentador, deixei-me fungar contra sua camisa e me aproveitar para inspirar seu cheiro tão delicioso e guardá-lo novamente em minha memória. Ergui os olhos para agradecê-lo, e me surpreendi com seu rosto.

Tão ridiculamente feliz.

— Por que está sorrindo, quando eu estou chorando? – perguntei em meio a uma fungada, notando com um pouco de inveja seu rosto ainda mais lindo com aquele sorriso imenso. Eu certamente parecia uma bagunça, com o rosto vermelho e olhos inchados por causa das lágrimas.

Seu sorriso se tornou ainda maior, se é que isto era possível.

— Porque você disse que me ama. – disse com simplicidade. Arregalei meus olhos, me tornando ciente de que eu realmente o tinha feito — E neste momento eu sou o homem mais feliz que existe nesse mundo.

— Eu te amo. – repeti, em voz alta dessa vez, amando tanto o som das palavras que tive que dizer outra vez. – Eu te amo Oliver Jonas Queen, eu te amo com toda a simplicidade daquela menina que inocentemente se encantou pelo irmão da melhor amiga e que descobriu o que era amar com você. Que descobriu todas as formas de amar com você. – eu ri em meio as lágrimas, que já não eram mais de temor — Te amo com esse coração, um pouco destroçado pela vida, mas o qual você ajudou a juntar as peças e a tornar inteiro outra vez, e que agora é seu.

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— Você sempre estraga meus planos. – Oliver meneou a cabeça deixando-me confusa. Tentei dar um passo para trás, mas seu aperto insistente em minha cintura me impediu. — Eu tinha o plano perfeito, eu sabia como e quando te dizer essas três palavras que sinto há tanto tempo. – um sorriso incerto começou a crescer em meus lábios, minhas emoções quase entraram em ebulição. Oliver estava dizendo o que eu achava que estava? — Mas então, você as diz para mim, tão inesperada e naturalmente, e faz tudo desaparecer da minha mente, faz as frases ensaiadas perderem o sentido, faz meu coração apenas querer jorrar tudo o que desesperadamente sente por você de uma só vez. Era suposto que depois de você, eu tivesse aprendido que é impossível tentar controlar meu coração, que planos desmoronam facilmente como um castelo feito de cartas em frente a uma janela aberta. Porque você é a ventania. – Oliver pausou, olhou no fundo dos meus olhos com uma certeza e obstinação que jamais vi igual — Eu te amo, Felicity Megan Smoak. – havia umidade em meus olhos e nos de Oliver também — Eu te amo desde o instante em que ousei pousar meus olhos sobre você e enxergar a mulher atrás desses olhos inocentes de menina, mesmo sabendo que não deveria. Eu te amei por todo o tempo em que esteve longe de mim, você nunca deixou meu pensamento ou meu coração. Eu sempre, sempre irei amá-la. – ergui minha mão trêmula, necessitando tocar seu rosto para ter certeza de que este momento era real — E isso, nada nem ninguém, será capaz de mudar.

Nos encaramos, reconhecendo pela primeira vez em voz alta a intensidade daquele sentimento que nos unia.

Amor.

Me pus na ponta dos pés, enrolei minhas mãos em seu pescoço trazendo sua boca até a minha.

E o beijei.

Dando vazão a todos os meus sentimentos.

Eu gostaria de dizer que havia algo diferente nesse beijo, que depois de nos declararmos eu podia sentir o amor correndo por nossas veias e alimentando meu coração. Mas a verdade é que eu sempre o senti ali.

Em cada pequeno toque.

Em nossos olhares que se perdiam um no outro.

Nos beijos, ainda que fossem simplórios ao invés de profundos, mas sempre apaixonados.

Na ponta dos meus dedos que afundavam em seus cabelos, na forma como seus braços me puxavam comprimindo meu corpo junto ao seu em um abraço mais do que necessitado. No jeito em que nossos lábios se moldavam perfeitamente um ao outro, pressionando, sugando, buscando um no outro saciar aquela fome que nunca ia embora.

Porque tudo entre nós sempre esteve repleto de amor.

Desde a nossa primeira vez.

Até agora.

Não protestei quando Oliver empurrou meu corpo até o painel de comando do barco com certa brusquidão, meio que me sentando ali, abrindo minhas pernas e se colocando entre elas. Eu não podia sequer reclamar que não estava exatamente confortável, quando eu tinha minha boca muito ocupada explorando a de Oliver. Sentindo seu gosto, que agora além do frescor mentolado também tinha um resquício doce e inebriante do vinho que compartilhamos mais cedo.

Eu não conseguia parar.

Beijar Oliver era como minha segunda natureza.

Eu precisava senti-lo, de qualquer forma, de todas as formas.

E este desejo parecia ser igualmente esmagador para Oliver, sua língua deslizava sobre a minha ao mesmo tempo me provando e me incitando a respondê-lo na mesma frequência apaixonada, ditando aquele ritmo surreal. Era difícil me concentrar em algo diferente de suas mãos, que me tocavam por baixo do tecido fino da minha blusa, ou deslizavam por minhas coxas até frustrantemente se encontrarem com a barra do short.

Primeiro minha blusa foi ao chão. Nem sei como isso foi possível, se eu apenas parei de beijá-lo por um segundo buscando um pouco de ar. Em segundo, eu me livrei da sua camisa com a mesma rapidez e precisão.

Havia algo de excitante em ter nossos torsos desnudos, em sentir pele queimando contra pele, e nos fazia apenas querer ter menos tecido entre nós. Eu era ciente de que estávamos indo rápido demais, mas uma vez que nos tocávamos eu era incapaz de controlar a sucessão de desejos do meu corpo.

Eu precisava de apenas mais.

E Oliver estava disposto a me dar.

Dedos apressados abaixaram a alça do sutiã, liberando um dos seios. Inclinei minha cabeça para trás em uma clara oferta, fechei meus olhos no instante em que a boca quente de Oliver estava ali, sugando a pele sensível. Me fazendo gemer tão alto quando seus dentes rasparam o mamilo, que Oliver parou olhando para mim, se certificando de que eu estava bem.

— Faz tanto tempo desde a última vez... – eu disse ainda com a respiração falha, tentando justificar minha reação exagerada.

— Vinte e nove dias, oito horas e... – espalmei minha mão sobre seu peito nu, incrédula que ele tivesse contado – E mais ou menos trinta minutos. – sorriu de lado, daquele jeito doce e indecente ao mesmo tempo.

— Você está brincando! – eu ri, mas logo o riso se transformou em um novo gemido ao sentir beijos sendo espalhados pela extensão do meu pescoço. Mãos desceram até minhas coxas nuas, apertando-as e puxando-as para frente num encaixe tão perfeito, que lamentei ainda estarmos os dois parcialmente vestidos.

— Não brinco quando o assunto é o quanto eu sinto a sua falta. – sussurrou em minha orelha e pressionou seu corpo ainda mais contra o meu, fazendo-me sentir sua rigidez. — Eu passo noites sonhando com essa boca em mim, com seu corpo nu contra o meu — eu sorri brincando de deslizar minhas mãos por seu tórax, então eu não era a única subindo pelas paredes — eu acordo tão suado e necessitado que nem mesmo um banho frio é capaz de aplacar o quanto eu preciso de você. – sua boca moveu-se da orelha até minha boca, apenas se arrastando pela pele fazendo-me ofegar em expectativa. Desci minhas mãos e as parei sobre o botão do seu jeans, se Oliver podia me provocar eu faria igual. — Então eu fecho meus olhos novamente e recrio um dos nossos momentos juntos, eu tenho uma certa obsessão por aquela vez na mesa do meu escritório. — Engoli em seco, me lembrando de como simplesmente cedemos a atração depois de anos. – Eu amo me lembrar da expressão de puro deleite em seu rosto quando estava dentro de você, eu prefiro reviver um sonho e ter uma ereção incomoda pelo resto do dia a realidade de não ter você.

— Sabe que poderia ter batido a porta do meu quarto a qualquer momento. – falei -Eu sempre estou pronta para você.

— Não me tente, amor. – uma de suas mãos deslizava delicadamente por minha coxa, então a apertou mais forte, em seus olhos um fogo que eu conhecia bem me dava um aviso. – Eu precisava tanto de você, que não conseguiria ser gentil. – Eu estava prestes a lhe dizer que não precisava de gentileza, tudo o que eu queria era seu corpo e o meu, unidos mais uma vez.

Mas Oliver simplesmente se afastou, fazendo-me inclinar para frente no vazio, querendo-o de volta para preencher o espaço.

— Por que parou? – devolvi, sem esconder minha mágoa.

— Podemos transar na cabine do Gambit outra hora, podemos transar aonde você quiser. – Falou docemente ao subir a alça do meu sutiã, deixando um pequeno beijo terno e molhado sobre meu ombro, meu corpo se excitou ainda mais. — Mas agora, eu quero fazer amor em uma cama com a mulher que eu amo e que me ama de volta. – Em seus olhos, um pedido simples e em sua mão esticada para mim, uma clara oferta.

Minha mente até poderia raciocinar, ir contra o seu argumento e dizer-lhe para apenas tirarmos o restante de nossas roupas aqui e agora. Mas meu tolo coração? Estava em êxtase demais com suas palavras para assimilar o que estava acontecendo.

Pousei minha mão na sua, e Oliver gentilmente entrelaçou nossos dedos liderando o caminho pelo corredor estreito do Gambit, seguindo comigo as suas costas. Paramos em frente a uma porta.

Eu me senti estranhamente nervosa quando Oliver a abriu.

O quarto tinha janelas amplas do chão ao teto em quase todas as paredes, dando um efeito panorâmico. A luz fraca e amarelada do final de uma tarde perfeita iluminava a ampla cama que ocupava quase todo o aposento, jorrando pequenas rajadas de sol sobre o lugar. Cortinas claras e finas balançavam a medida que a brisa fresca do mar adentrava no lugar.

Sorri ao ver que havia um vaso com girassóis ali também.

Virei-me para Oliver, sem saber se agradecia ou apenas o abraçava por me amar tanto e pensar em cada mínimo detalhe. Mas estando ali, tão perto do seu corpo, olhando em seus olhos ternos que mostravam todos aqueles sentimentos que saíram de seus lábios a pouco, eu perdi qualquer pensamento coerente. Em cada parte de mim. Meu coração. Minha mente. Meu corpo. Só havia espaço para Oliver.

— Eu te amo tanto. – Um largo e surpreso sorriso surgiu em seu rosto, varrendo qualquer resquício de incerteza que ainda havia ali. Toquei sua face com ambas as minhas mãos, a barba por fazer familiarmente arranhando a palma. Todo aquele dia com Oliver, tinha sido um verdadeiro sonho, um presente o qual eu não sabia se teria por muito tempo, então o aproveitaria da melhor forma. – Faça amor comigo.

Eu acho que seus olhos viram no meu algo, porque quando sua resposta veio, ela soou como uma promessa.

— Eu vou.

Primeiro Oliver deu um passo a frente, cobrindo o pequeno espaço entre nós. Ele não me tocou, nem me beijou. Apenas continuou se movimentando até que minhas pernas batessem contra a cama. Instintivamente fechei meus olhos quando sua boca começou a rondar a minha, espalhando pequenos beijos primeiro, pela linha do meu maxilar, têmporas e ponta do nariz. Apenas quando suas mãos alcançaram o fecho do meu sutiã a minhas costas, fazendo-o cair, que sua boca finalmente veio até a minha.

Não havia pressa no beijo.

Apenas uma vontade quase esmagadora de degustar de cada pequena sensação. Desde a pressão macia dos lábios, ao saborear lento das línguas que calmamente se tocavam, ao gosto do ar compartilhado, porque preferíamos roubar o ar um do outro a parar para respirar.

Desci minhas mãos por seu corpo tão lenta e provocante quanto aquele beijo, soltei o botão da calça e Oliver me ajudou a descê-la, juntamente com sua cueca. Retirei meu short, mas ao ver a calcinha que eu usava (a mesma do conjunto sexy daquela manhã), Oliver pediu as honras.

— Essa vai para a minha coleção pessoal. – declarou possessivamente após deslizar o tecido rendado por minhas pernas certificando-se de beijar cada porção livre de pele – Um dia vou querer você no conjunto completo. – seus olhos faiscaram um pedido sensual, e meu estômago comprimiu desejando ser capaz de fazer aquela promessa.

— Seu desejo é uma ordem, capitão. – brinquei fazendo-o franzir a tez. Só então notando que estava nu, com o quepe de marinheiro ainda em sua cabeça, era uma imagem sexy pra caralho.

Oliver tinha sua fantasia, acho que agora eu tinha a minha também.

Infelizmente Oliver o tirou jogando-o ao chão, mas não tive tempo para lamentar. No minuto seguinte nós dois estávamos sobre a cama. Seu corpo nu sobre o meu, sua boca determinada a tomar tudo de mim em um beijo de tirar o fôlego e me fazer esquecer meu próprio nome. O nome de Oliver, ao contrário estava bem vivo em minha mente e eu o disse vária vezes quando suas mãos que acariciavam meu corpo desceram entre minhas coxas.

Começou com um dedilhar inocente, a ponta dos dedos apenas tocando o meu sexo já úmido, acariciando lentamente como se apenas me testasse, me deixando ainda mais pronta.

E quando eu pensei que ainda conseguiria lutar contra seus dedos hábeis, sua boca veio como uma adição injusta. Observei, ainda sem fôlego graças aos seus beijos, seu corpo descer sobre o meu. Oliver elevou minhas pernas sobre seus ombros, e sua língua quente foi minha perdição, ao provar-me, a barba arranhando a pele sensível e causando-me novas e maravilhosas sensações. Suspiros apaixonados e gemidos de prazer preencheram o quarto quando Oliver me fez quebrar em um orgasmo em sua boca.

— Eu nunca consigo ter o suficiente de você. – sua cabeça se ergueu do meio das minhas pernas, me fazendo corar quando decidi gravar para sempre essa imagem em minha mente. Será que o oposto teria o mesmo efeito em Oliver? – No que está pensando? – Olhou para mim com uma suspeita divertida.

— Exatamente o que você está pensando. – Admiti, fazendo-o corar dessa vez. Gostei do meu poder sobre ele, e queria um pouco mais. Então, quando Oliver cobriu novamente meu corpo com o seu, sua boca se perdendo ao sugar a pele em meu pescoço enquanto seu pênis fazia um perigoso jogo de me atiçar quase me penetrando, mas nunca o suficiente. Resolvi inverter o jogo. – Agora é minha vez. – Declarei empurrando com ambas as mãos seu tórax, para que ele deitasse de costas sobre a cama.

Oliver obedeceu, com um semblante entre divertido e ansioso. Ele tendia a ser controlador em tudo, inclusive no sexo, mas já era hora de algumas surpresas. Fiquei de quatro por cima do seu corpo quando o beijei, e então segui beijando vagarosamente seu abdômen cada vez mais para o sul, vez e outra marcando-o com meus dentes. Notei o quanto Oliver apreciava minha pequena travessura quando peguei sua rígida ereção em minhas mãos e comecei a acariciá-lo. Meu sorriso deve ter denunciado minhas intenções porque Oliver tentou impedir meu próximo ato.

— Não faça...! – Seu protesto se tornou um gemido de puro prazer, quando eu desobedientemente descumpri suas ordens e cobri a cabeça do pênis com a boca, sugando-a.

Afinal ele me cedeu o controle ou não?

Continuei a estimulá-lo até sentir suas mãos sobre meu cabelo, removendo a sua bandana que o prendia no rabo de cavalo, e fazendo as mechas caírem desordenadas na frente do meu rosto. Oliver pareceu ter amado a imagem, pois o senti ainda mais frenético. E a cada gemido que saía de sua boca, eu me tornava mais determinada.

— Me dê o prazer de estar dentro de você quando eu gozar, amor. É tudo o que peço. – seu pedido me fez parar, isso e a ideia de tê-lo dentro de mim. Agora. — Espere. – Oliver pediu, antes que eu pudesse montá-lo.

— É bom ter um excelente motivo. – Para a minha tristeza Oliver se atrapalhou um pouco saindo da cama, buscando sua calça e tirando uma embalagem metálica de lá. O preservativo reluziu em sua mão, brilhando na luz do sol poente. Franzi o cenho. Eu estava em dia com o controle de natalidade, mas logo o entendi. Depois do que aconteceu em nossa primeira vez, eu não podia culpá-lo por ser extra cauteloso, ainda era recente demais para ele.

— Me deixe fazê-lo. – seu olhar veio para mim, ele não esperava por isso, mas parecia gostar da ideia. Deslizei o látex vagarosamente por seu pênis, aproveitando para brincar um pouco, para desespero de Oliver.

— Eu preciso amar você. – disse num sopro de fôlego — Agora.

Oliver não me deu tempo para responder e retomou o controle. Suas mãos me puxaram para o seu colo, sentando-me em cima de sua ereção fazendo meu sexo deslizar por ela. Ele me abraçou ternamente e voltou a me beijar com a mesma lentidão desesperadora de antes. Nossos corpos se moviam em uma dança lenta e sensual que acompanhava o beijo, apenas atiçando ainda mais a libido, mas também havia todos aqueles pequenos detalhes feitos de amor.

As mãos de Oliver em minhas costas, me segurando com carinho e me mantendo sempre na proteção do seu abraço.

A boca, que ainda em meio ao beijo seguia dizendo “eu te amo”. De novo e de novo, fazendo meu coração derreter toda vez que essas palavras eram ditas. Desejei parar o mundo nesse momento, e permanecer assim para sempre.

— O que foi, amor? – a ponta do seu polegar gentilmente traçou a borda do meu olho, impedindo a grossa lágrima de cair. Eu sequer havia notado a emoção se esgueirando, querendo sair.

Apertei meus braços a suas costas, querendo mais da pressão do seu corpo no meu, mais desse momento que eu desejava que pudesse durar para sempre, mas a verdade é que lutávamos contra o tempo.

— Amo a cor da sua pele na luz do final do dia. – beijei-lhe o ombro, bem no lugar iluminado pela luz — Levemente dourada, você deveria pegar mais sol.

— Não é isso. – Oliver declarou sem nem piscar, a mão apoiando meu queixo o elevando para que pudesse olhar em meus olhos. Eu não devia nem ter tentado mentir para Oliver, era impossível, ele via minha alma tão plenamente.

— Eu não consigo afastar de mim essa sensação de que talvez isto não aconteça novamente. – eu não precisei dizer o quê, eu soube que ele entendeu quando tristeza encobriu seus olhos também — De que talvez isso seja uma despedida, uma última chance para nos agarramos um ao outro antes de nos separarmos.

— Quer a verdade? – Oliver perguntou, o polegar acariciando gentilmente meu rosto.

— Sempre.

— Eu não sei. – sua resposta trouxe de volta um aperto conhecido em meu coração, aquele medo de perder se tornando cada vez mais opressor — Eu gostaria de ser capaz de te prometer todos os amanhãs, mas eu não posso. – assenti, aceitando a triste verdade — Agora, a única promessa que posso fazer é que eu irei amá-la com todo o meu coração, que eu irei segurá-la em meus braços e daqui você só sairá se for seu desejo. – suas palavras fizeram meu coração bater forte, rompendo o aperto de antes.

— Nunca. – respondi, fazendo um pequeno sorriso surgir em seus lábios também.

— Então está feito, nós podemos perder tudo, mas nunca perderemos um ao outro. – Seus olhos estavam intensos nos meus, e entendi que aquele era um voto de amor que fazíamos.

Eu só via uma maneira de selar um voto de amor.

Movi meu corpo para trás caindo de costas na cama, e puxando o de Oliver para que ficasse por cima do meu. Cada movimento nosso parecia acontecer em câmera lenta, os toques, meus beijos e mordidas em seu pescoço, suas carícias em meus seios, exceto nossos corações, que batiam em desespero, sabendo mais do que deveriam, sobre o que este dia realmente significava.

Cruzei meus calcanhares ao redor das coxas firmes de Oliver, empurrando seu corpo para mim. Desejando mais do que ter apenas a ponta de seu pênis brincando contra meu sexo.

Eu o queria por inteiro.

Gemi languidamente quando finalmente num único impulso Oliver estava dentro de mim. Eu teria gritado se minha boca não estivesse contra a dele ocupada demais em um beijo frenético.

Eu esperava por suave e lento.

Cada toque.

Cada beijo.

Cada pequeno suspiro roubado.

Tudo o que nos trouxe até este momento de entrega total, tinha sido marcado pela delicadeza de um sentimento tão forte, que há muito sentíamos, mas só agora o abraçávamos e o aceitávamos como parte de nós. E uma vez que Oliver estava dentro de mim, esticando-me, unindo-se a mim da forma mais íntima que existia, eu compreendi que amor era sobre tomar o próprio tempo. Às vezes nos acertava tão rápido e certeiro que éramos incapazes de reconhecê-lo à primeira vista, às vezes era tortuosamente lento, se instalava em nossos corações gradualmente, ficava suas raízes profundamente, e então crescia. Eu o senti das duas formas com Oliver, mas não fazia diferença, sempre foi amor.

Sempre seria amor.

Segurei ao redor de seu rosto buscando sua boca para a minha, sugando seus lábios e movendo minha língua contra a sua. Movi meus quadris em direção aos seus, de novo e de novo, aumentando cada vez mais a pressão. Senti suas grandes mãos descerem pela lateral do meu corpo, erguendo meus quadris quando ambas seguraram por baixo em minha bunda, puxando meu corpo ainda mais em direção ao seu deixando nenhum espaço entre nós. As investidas de Oliver seguiram um ritmo mais frenético, assim como nossos corações.

Depois disso nos tornamos uma confusão de beijos molhados, corpos suados movendo-se contra o outro e declarações afobadas.

Eu estive na borda do prazer durante tanto tempo, assim como Oliver.

Puxei seu lábio inferior entre meus dentes quando meu corpo começou a reagir com os primeiros tremores do orgasmo, meu sexo apertando o de Oliver que latejava dentro de mim e ainda empurrava rápido e profundamente. Quando a onda de prazer veio com tudo desfazendo-me, sendo tão forte e atingindo a nós dois ao mesmo tempo, quase me deixou fora do ar.

Nós dois gememos o nome um do outro, nos apertamos ainda mais fortes completamente satisfeitos por estarmos cheios um do outro.

Sorri contra o ombro de Oliver respirando com dificuldade, apreciando seu peso que desabou em cima de mim enquanto nós dois tentávamos assimilar o quão forte havíamos sido atingidos. Nossos corpos assim como nossos corações, pareciam estar em perfeita sintonia.

Era libertador e apaixonante.

Encontrar toda a felicidade do mundo em uma só pessoa.

Aos poucos o seu peso diminuiu, e notei que Oliver o mantinha quase que completamente sobre seus cotovelos. Um preguiçoso e demorado beijo foi deixado em meus lábios me excitando novamente, mas para a minha decepção, Oliver se ergueu da cama para descartar o preservativo deixando um espaço vazio dentro de mim. Eu não fiquei mais do que trinta segundos sozinha, mas foi o suficiente para a neblina pós sexo se dissipar e deixar minha mente ir a lugares onde não deveria.

— Você está bem? – Oliver perguntou assim que retornou, notando algo de errado. Eu não percebi quando tinha acontecido, mas em algum momento, enquanto apreendíamos a amar, eu me tornei um livro aberto para Oliver.

— Isso pareceu muito com uma despedida. – expliquei, controlando minha voz para que não parecesse infeliz.

— Não é. – Oliver se apressou em me garantir, voltando para cama e se deitando ao meu lado. — Eu nunca mais vou perder você. – gentilmente seus dedos afastaram uma mecha de cabelo do meu rosto — Prometo. — Eu sabia que essa não era uma promessa que Oliver podia fazer, existia um mundo lá fora esperando para nos quebrar cada vez que prometíamos um amanhã.

— E eu prometo, que nunca mais irei me afastar. – eu prometi de volta, me negando a aceitar que qualquer outra pessoa controlasse meu destino. Oliver era minha escolha.

— Então chegue mais perto. – Me arrastei sobre a cama para seus braços acalentadores. Apreciei ter nossos corpos nus juntos novamente, ainda estávamos naquele êxtase pós sexo, porém não totalmente saciados. Acho que nunca estaríamos.

Deixei minha cabeça repousar sobre o braço de Oliver, e como um gatinho perdi meus dedos em uma brincadeira de tentar pegar um feixe de luz do sol sobre seu abdômen, que movia de lugar sempre que o vento balançava as cortinas.

Eu não queria pensar no que vez ou outra me atormentava, não agora.

— O que está pensando? – Oliver jogou a pergunta, fazendo meu rosto se erguer a procura de seus olhos. Sabendo que eles me contariam o que se passava em sua mente também.

Não devíamos esconder nada.

— No tempo perdido. – admiti, finalmente abrindo meu coração para aquele arrependimento. – No que nós dois perdemos.

Oliver assentiu vagarosamente.

— Eu tenho o mesmo arrependimento. — confessou, beijando minha testa e puxando meu corpo ainda mais para o seu, sua perna se colocando sobre as minhas e prendendo-me ali. — Eu queria não ter me acovardado quando te procurei na faculdade, eu queria ter descido do maldito carro, atravessado o campus e tomado você em meus braços enquanto dizia que te amava e pedia pelo seu perdão. – Por um momento imaginei essa cena acontecendo há cinco anos atrás. Eu me conhecia bem o suficiente para saber que apenas olhando em seus olhos, eu o teria perdoado.... — Queria não ter colocado a razão acima dos meus sentimentos. – coloquei minha mão sobre seu coração.

— Eu queria ter sido sincera. – verbalizei meu maior arrependimento, sentindo estranhamente meu coração pesar um pouco menos. — Queria não ter colocado o meu coração magoado a frente, você tinha o direito de saber sobre Jonas no instante em que descobri que estava grávida. – Oliver fechou seus olhos, vi uma lágrima descer em seus olhos. Repeti seu gesto de antes, inclinando e tomando para mim a lágrima com um beijo, desejando poder tirar essa dor substituindo-a por amor. — Se eu tivesse contado...

Se não fosse nossos erros, onde a nossa vida estaria agora?

— Ou se eu tivesse vindo por você... – a voz de Oliver também morreu.

Nenhum de nós se atreveu a completar a frase, mas as palavras não ditas flutuaram entre nós, aquele E SE nos dizendo a verdade que não ousávamos encarar...

Tudo teria sido diferente.

Então nos amamos mais uma vez, apenas para preencher aquele pequeno vazio triste, de amor e felicidade.

Notas finais
Então... O que acharam? Esses dois mereciam um momento de paz para se reencontrarem e viverem o que sente antes de caminharmos para o desfecho dessa história. Eu tenho alguns planos ambiciosos vindo por aí nos próximos capítulos, espero poder contar com vocês! Ahh... E esse "eu te amo"? Amei tanto escrever... eu tinha algo diferente em minha mente, mas então quando percebi, as palavras já estavam saindo da boca de Felicity... beijos e até mais!