Guilty Pleasure

17 Escape (part. II)


...

- Como assim voltou pra L.A.?! Ela estava aqui comigo ontem à noite!

- Eu não sei Shannon, só sei que ela me deixou esse pedaço de papel dizendo que não suportava mais e que estava voltando pra lá.

- Mas ela não tem casa, não tem nada!

- A Nina me comentou alguma coisa sobre ter conseguido juntar dinheiro para comprar um apartamento!

- Acho melhor eu ir falar com o Jay, vai ver ele sabe de alguma coisa ou ela está lá com ele! – saiu do quarto indo até o do irmão, batendo insistentemente até o mesmo abrir.

- Jared cadê a Nina?! – foi entrando.

- Bom dia pra você também Shannon, pode entrar – sussurrou um pouco de mal humor. – Deve estar no quarto dela, onde mais estaria?!

- Ela não está lá, ela disse pra Emma que voltou pra L.A.

- Então está resolvido, ela está em L.A.

- Mas por que?!

- Sei lá! – nesse momento uma cabeça levanta-se entre os lençóis.

- Jared, que horas são?!

- Ta aí o motivo, você é mesmo um idiota! – balançou a cabeça, e deu um empurrão no irmão.

- Ei ei, calma lá!

- Você traiu a menina, imbecil!

- Será que dá pra você parar com isso?! Ela que era uma vadi... – nesse momento um soco no olho o impediu de terminar a frase, era Shannon.

- Você não a merece, Jay, nunca mereceu! E vadia são essas que você carrega para o quarto toda noite! – saiu batendo a porta e deixando Jared cuidando do seu “novo” machucado.

...

- Aonde você vai Shannon?! – Emma o acompanhava.

- Atrás dela, tenho que pedir desculpas, por ele!

- Mas e como fica a banda e tudo que vocês tem agendado?!

- Dane-se eu dou um jeito depois! – entrou em um táxi batendo a porá, deixando Emma um tanto preocupada.

...

Saiu do carro meio apressado e mal tinha notado que estava de chinelos aos invés dos costumeiros tênis coloridos e, rapidamente, foi até um balcão de informações que tinha ali perto e perguntou quando sairia o próximo voou para L.A. e, assim que obteve a resposta desejada, dirigiu-se até aonde poderia comprar a passagem, mas lembrou que estava munido apenas do aparelho celular, sem documento e dinheiro.

- Droga, droga! -sentou em uma das cadeiras perto de um café e tentou ligar para a garota, mas o celular só chamava, ninguém respondia – Já deve estar a caminho! – pensou consigo mesmo, ainda ao telefone, até que, ao fundo, ouviu o som de algo tocando.

Procurava por todos os lados de onde vinha aquele som e parecia que quanto mais procurava, mais ele se afastava dele. Foi então que, ao fundo, bem longe dele, avistou uma garota que usava capuz e tinha as pernas descobertas devido ao curto shorts que usava. Era ela, tinha certeza, reconheceria aquelas finas pernas em qualquer lugar. Aproximou-se, sorrateiro, por trás e sussurrou no ouvido dela.

- Então é assim que você faz? Passa a noite com um homem e sai sem nem deixar um bilhete?! Esperava mais de você, Nina... – ela senti-se arrepiar e sorriu, virando para ele.

- Esse é o seu problema, Shannon, sempre esperando alguma coisa de mim, sou imprevisível, tem que se acostumar com isso.

- Vou tentar! – a abraçou, levantando a pequena garota tirando-a do chão.

- O que você está fazendo aqui?!

- Vim atrás de você! E você Nina, o que está fazendo?!

- Indo embora!

- Isso eu já percebi, mas por que?!

- Não me encaixo muito bem nisso...

- Não minta pra mim, ficou chateada com o Jared?!

- Não seria chateada, decepcionada, isso é melhor, porque eu não o amava, entende?! Nem sentia nada por ele, era indiferente...

- E porque ficou com ele então?1

- Talvez por birra ou porque ele me deu atenção e carinho quando eu precisei...

- Entendo. E quanto a mim?!

- O que que tem você?!

- Como eu fico?!

- Da mesma maneira, afinal, somos somente amigos não é?! Então nada entre nós vai mudar.

- Mas e se eu quiser falar com você?! – aproximou-se dela.

- Me liga, tem meu telefone...

- E se quiser ver você?! – colocou uma mão em cada braço dela.

- Olhe para uma foto...

- E se eu quiser te tocar?! – fazia carinho nos braços dela, acariciando, e já tinha o rosto bem perto do dela.

- Pense em mim quando estiver com a Barbie... –ria – Não, não faça isso, coitada!!

- E se eu quiser te ter?! – estava a ponto de aproximar os lábios do dela quando uma voz anunciava a todos os passageiros para o voou de L.A. que embarcassem, fazendo-a afastar-se dele.

- Ei, tome – pegou um papel aonde tinha um endereço anotado – Eu ia deixar com a Emma, mas esquecia, quando voltar para L.A. me procure aqui tá! A gente se vê Shann! – sorriu e acenou para ele, partindo...

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5 meses depois...

Estava parado em frente a porta, um pouco nervoso, já havia tocado a campainha a 1 minuto e, até ali, ninguém havia aberto a porta, talvez tivesse saído para ir ao mercado, resolveu ir embora, talvez voltasse mais tarde, porém um barulho de porta abrindo o fez parar. Uma senhora, de aparentemente uns 50 anos saia de dentro da casa e o media de cima a baixo.

- Pois não?! – falava mal humorada.

— Bom dia, senhora, eu estou procurando pela Nina Mile...

- A putinha o senhor quer dizer?!

- Como?!

- Deixa pra lá! Bom, ela não mora mais aqui faz um ano!

- A senhora não saberia me dizer aonde posso encontrá-la?!

- Olha ela deve estar morando no prédio 412, apartamento 15...

- E ele fica...

- Você conhece a Mjs bar?!

- Já ouvi falar.

- Então, vá até lá e pergunte aonde fica lá perto, não tem como errar.

- Obrigado! – saiu de lá correndo e entrou no carro, seguindo as instruções que a mulher havia lidado.

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Algum tempo depois chegou ao local, ficava em uma rua deserta aonde se via poucas pessoas e onde os prédios em volta era todos industriais ou empresariais. Passou pela portaria, aonde um idoso que lia um jornal notou sua presença, mas nem ligou. Ele então subiu as escadas, visto que o elevador estava quebrado, e parou no primeiro andar. O corredor possuía várias portas, em sua maioria sujas e maltratadas e o cheiro do local contribuía para terminar de horrorizá-lo. Achou a porta que procurava número 15, ou pelo menos era isso que parecia já que os números pareciam estar escritos de batom. Bateu na porta e, rapidamente, uma mulher, ou um homem, não soube distinguir ao certo, que vestia um roupão curto com estampas japonesas atendeu a porta, o medindo de cima abaixo.

- Olha se veio cobrar o aluguel já disse eu semana que em, obrigada! – ia fechando a porta mas ele impediu.

- Não, não, eu estou procurando alguém.

- Ah, sim, e quem seria?!

- É Nina o nome dela.

- Nina, a bonequinha, sim ela deve estar no quarto, fica a vontade bonitão, é a primeira porta! – deu espaço para ele passar e ficou analisando a bunda dele enquanto fazia uma cara de quem o possuiria.

Caminhou até a porta indicada e para sua tristeza, o cheiro do apartamento era ainda pior que o do corredor, maconha, tinha certeza que a “marijuana” rolava solta ali. As condições do apartamento eram as piores possíveis, não podia imaginar o mais miserável ser vivendo ali, balançou a cabeça e pediu para que alguma criatura celestial impedisse que depois daquela porta não tivesse nada pior. Decepção, ao abrir a porta encontrou algo pior do que um quarto imundo. Não podia acreditar no que via e, involuntariamente, seus olhos encheram-se de lacrimas e ele correu até próximo do colchão encardido.

...