Guilty Pleasure

18 Escape (part. III)


...

- Nina, acorda, por favor acorda! – a pegou nos braços e chacoalhava a fim de acordá-la.

- Porra, que é?! – acordava lentamente, meio mole e tinha os olhos verdes sem brilho.

- Graças a Deus você está viva! – tentou abraçá-la, mas ela junto todas as poucas forças que tinha e correu até chegar à parede mais longe dele.

- O que você tá fazendo aqui?! – estava encolhida.

- Eu vim te ver, voltei agora para terminar algumas coisas de divulgação e descansar um pouco em casa...

- Pronto me viu, agora já pode ir...

- Não, Nina, não vou te deixar aqui, vem ! – a pegou pelo braço, mas ela puxou de volta, com dor, fazendo a blusa subir um pouco – Mais eu porra é essa no seu braço?! – referia-se a mancha roxa.

- Nada! – escondia o rosto.

- Me fala Nina, o que esta acontecendo?! Olha o seu estado, está cadavérica, e ainda por cima anda se drogando, que você fez consigo mesma?!

- Acontece que eu não sou perfeita como as garotas com as quais está acostumado, eu tenho todos os defeitos do mundo...

- Você é perfeita, pelo menos pra mim!

- Não, eu não sou! E ainda decepciono todas as pessoas que se preocupam comigo e elas acabam me abandonando.

- Ei, ei! – a abraçou, acabando essa por derramar algumas lacrimas nele – Fica calma, você nunca vai me decepcionar, afinal, como você disse, eu não espero nada de você, e pode ter certeza que eu sempre vou estar aqui quando precisar de mim, está bem?! – beijou-lhe a testa. – Agora vamos para casa.

- Não, eu ou ficar!

- Nada disso! – a pegou no ombro – Você vai ficar comigo!

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Estava enxugando o cabelo quando ele entrou no quarto e a assustou.

- Eu trouxe alguma coisa para você comer! – colocou um pacote de bombons de cereja no criado-mudo dela – São seus preferidos. – sentou-se na cama.

- Obrigada, mas não precisava se incomodar!- sentou do lado dele. – Amanhã eu vou procurar um emprego ok?!

- Nada disse, não quero você perambulando por ai, você vai ficar aqui em casa, só vai sair quando eu for junto.

- Mas Shannon eu preciso comprar roupas, não posso ficar vivendo pelo resto dos dias com essa sua calça e essa sua blusa.

- Não se preocupe, eu compra pra você, depois, mais pra frente, você me paga, ou pode pensar em algo para me recompensar... – olhou meio malicioso para ela.

- Shannon... – não tinha gostado muito do que ouviu.

- Eu estava só brincando!

- Sei...eu posso ajeitar sua casa e fazer comida se você quiser!

- Combinado, fará isso! Mas me diga, o que houve com suas roupas de grife que o Jay comprou?

- A maioria eu devolvi para ele, sabe, enviei pro fedex em uma caixa! E as outras, bom – escondia os braços – Eu tive que vender pra, você sabe... – abaixava o rosto com certa vergonha.

- Entendi, o que mais você fez pra conseguir essa grana, afinal, não tinha tantas roupas assim...

- Eu não me drogo todos os dias Shann, de vez em nunca só! Mas, bem – mordia o lábio – o dinheiro não durou pra sempre e eu tive que apelar para outras alternativas...

- Como por exemplo...

- Ué, o que uma garota como eu tem a oferecer?! Sexo não?! Foi a única coisa que eu arrumei, mas eu não quero falar sobre isso...

- Tudo bem! – bateu a mão na cama – Agora está na hora da senhorita dormir! – pegou o pente da mão dela e colocou ao lado da cama, enquanto essa se deitada, cobrindo-a em seguida. – Boa noite! – ia saindo do quarto.

- Ei, Shannon! – o chamou.

- Sim?!

- Dorme aqui comigo, por favor?! — a olhou, até com um pouco de pena, não podia negar-lhe um pouco de carinho, e sorriu.

- Claro, meu amor...

Com passos largos ele chegou até a cama e deitou de frente a ela, aninhando-a em seu peito e fazendo carinho em seus cabelos loiros quase úmidos.

- Shannon... – chamou em um gemidinho.

- Sim...

- A Alena tem cuidado bem de você?!

- Mas porque essa pergunta?!

- É porque alguém ai embaixo está um pouco feliz em me ver.

- Você é muito idiota garota! – riu apertando a barriga dela.

- Credo, achei que estava com saudades de mim...

- Sim, eu estava...

- É mesmo?! – roçava a perna na dele.

- Mesmo, mas não desse jeito!

- Senti-me rejeitada agora...

- Vamos parar com isso antes que aconteça alguma coisa?!

- Você quem sabe! – o abraçou mais forte.

- Nina, da onde vem esse Milenka?!

- Não sei, a única coisa que sei é que meu pai quem escolheu, e me chamava assim!

- Sabe o que significa?!

- Não faço a mínima idéia, por quê?!

- É que quando passamos pela Rússia eu vi uma menina com seu nome e perguntei a ela se sabia...

- E...

- E que Milenka significa “minha pequena”!

- Sério?!

- Aham...

- Eu te amo sabia?!

- Como é que é?! – se assustou.

- Calma – ela riu – não esse AMO de namorados e tal, de amigos somente!

- Menos mal! – estava mais aliviado.

- Obrigada por ser assim comigo!

- Não precisa me agradecer!

- Mesmo assim! – sorriu e rapidamente encostou os lábios feridos aos macios dele e logo transformou aquele simples toque em um beijo mais fundo, o qual ele parou.

- Já disse que não!

- Desculpe!

- Tudo bem, agora vamos dormir! – fechou os olhos e continuava acariciar seus cabelos.

- Boa noite, Shann!

- Boa noite meu amor! – passou um tempo até que ela falou novamente.

- Shannon...

- O que foi agora Nina?!

- Não me chama de meu amor, já fez isso duas vezes, vou achar que me ama!

- Força do hábito...agora dorme pentelha!

Esperou passar alguns minutos, afinal, tê-la ai tão perto era torturante, mas ele estava gostando. Respirou fundo e a olhava dormir calma, parecia até uma criança inocente. Sorriu para si mesmo e sussurrou para que ela não ouvisse.

- Eu te amo Milenka, meu amor!