Guia Gejimayu: como viver em tempos de paz!
23 Dia de Lavar a Roupa Suja
Não é segredo para ninguém que Rock Lee se inspira em seu estimado professor, Maito Gai, não somente em seu treinamento ou modo de ver a vida como um eterno desafio, ele também se inspira no penteado e até mesmo nas roupas. O que poucas pessoas sabem é que não são somente as roupas iguais que ambos usam, Rock Lee copiou de seu sensei até mesmo as manias estranhas, como deixar todos os collants verdes usados se juntarem para lavar em um dia só.
Nos dias de hoje, ambos são proibidos de pisarem em quaisquer lavanderias de Konoha, e isso se deve inteiramente à esta mania incomum e um acontecimento passado envolvendo os dois:
Era uma tarde tranquila de verão. Haviam pessoas se refrescando com sorvetes e picolés por todos os lados e, afastando todos por onde passavam, Gai e Lee levavam as enormes trouxas de roupa suja amarradas nas costas enquanto andavam sobre as mãos. Neji e Tenten sabiam do dia marcado de lavar roupas e, concidentemente, sempre tinham algo para resolver e não podiam ir junto.
Ao entrarem na grande lavanderia de Konoha, os atendentes já até sabiam o motivo e, para não atrapalharem os outros clientes, sempre deixavam uma lavadora antiga e isolada reservada para os dois. Era uma máquina antiga e surrada, em uma pequena despensa com algumas cordas de varais, mas era o suficiente.
— Lee! Vamos começar logo com isso! — o mestre sorridente foi o primeiro a tirar a trouxa das costas ao entrar no cômodo — Primeiro separar por cor!
— Certo! — o aprendiz, também sorridente, seguiu Gai.
Ambos separaram todas as peças em pilhas: as roupas intimas assim como as faixas que Lee usava nos braços ficaram na pilha branca; as polainas laranjas e os protetores de testa ficavam em outra pilha; e, por último, os collants e os coletes em uma gigantesca pilha com peças verdes.
Antes de começarem a lavar tudo, ambos tiravam as roupas e as colocavam nos devidos amontoados, ficando somente com uma toalha. Era este o motivo de deixarem um cômodo separado para os dois e, também, o motivo de tanto Neji quanto Tenten não quererem compartilhar desde “treino” com eles (e não só o mal odor das roupas suadas).
— Primeiro as brancas, Lee! — o mais velho abriu a escotilha da lavadora.
— Sim, Gai-sensei!
Rock Lee jogava as peças o mais rápido que conseguia, enquanto Gai jogava tanto o sabão em pó quanto outros produtos de forma desregrada. Quando os dois terminaram as tarefas e ligaram a máquina de lavar, só deu para ouvir um barulho abafado de “puff” e ambos notaram uma fumaça fina e escura saindo do painel.
— Isso é mal...
— E agora? — Lee já não parecia tão animado como antes.
— E agora? Bem... — Gai colocou a mão no queixo, em uma pose de pensador — Vamos ter que lavar de um jeito novo!
— Usando uma das outras máquinas?
— Não! — o homem fechou os olhos e sorriu — Durante anos eu venho usado este mesmo local para lavar as minhas tão preciosas roupas e, agora, passei este mesmo habito para você. Quer mesmo quebrar esta tradição!?
— Jamais! — Lee estava com os olhos marejados, emocionado por todo o significado daquilo.
— Então precisamos pensar em como lavar as roupas sem uma lavadora! — ele apontou o dedo indicador em direção às pilhas de roupa suja.
— Certo! — os olhos levemente esbugalhados de Lee brilharam — Como?
— Como...
Este foi o problema. Achar um jeito de lavar as roupas sem a lavadora não foi tão simples, afinal, pensar de um jeito “simples” não fazia jus aos dois.
Depois de uma grande pausa onde ambos trocaram várias ideias, foi decidido o que fariam: eles seriam como máquinas de lavar. Apesar de parecer algo surreal, estamos falando de Gai e Lee.
Então, fizeram uma pequena lista do que era preciso para as roupas serem lavadas:
— Sabão?
— Confere! — Lee anotava em seu bloquinho para não se perderem.
— Amaciante?
— Confere!
— Água?
— Não sei ao certo!
— Como assim você não sabe ao certo, Lee? — Gai levantou uma das sobrancelhas.
— Não dá para saber sem abrir a portinhola da lavadora e ver, mas se estiver com água ela vai vasar...
— E se estiver sem, vamos por água! — o mestre se preparou e abriu a porta.
Por sorte, ela estava sem uma gota de água. Os dois rapidamente pegaram as duas mangueiras anexadas na parte de trás do instrumento: uma era pela qual entrava a água, a outra era pela a qual a água saia, bastava agora eles descobrirem qual é de que.
— Vamos usar as duas... — o mais velho finalmente exclamou, depois de passar alguns minutos analisando.
— É mesmo uma boa ideia?
— Se usarmos as duas, vamos encher com o dobro da velocidade, lavar tudo e ter mais tempo para o treino! — o homem sorriu e fez uma pose encorajadora, arrancando um sorriso do aluno.
Assim foi feito. Ambos pegaram a água emprestada das outras máquinas, sem se importar com o que as pessoas pensariam vendo os dois apenas de toalha, enchendo baldes e os levando até o cômodo afastado.
Ao fim da tarefa, os dois ficaram olhando para a lavadora e esperando que algo acontecesse.
— Falta algo?
— ... Ah! — o mais velho sorriu — Lee, esquecemos o fundamental!
— O que?
— Durante séculos as roupas foram lavadas em beiras de rios, aproveitando a correnteza para espalhar o sabão e deixar as roupas limpinhas e macias! Nos tempos modernos os movimentos de um rio foram substituídos pelos movimentos das máquinas lavadoras!
— Entendo... — Rock Lee ficou com os olhos brilhando.
— PRECISAMOS DE MOVIMENTO! — os dois falaram em uníssono, cada um segurando em um lado da velha máquina e começando a balançar.
Os dois ficaram balançando e remexendo o equipamento pesado por vários minutos, até que se olharam e decidiram parar.
— Precisamos de mais do que isso, Lee! Precisamos sentir o rio dentro de nós!
— Certo!
Ambos ficaram com os olhos brilhando como as “Chamas da Juventude”, enquanto seguravam novamente nas laterais da máquina. Agora estavam levando bem mais a sério e, assim como uma correnteza, os dois pareciam incontroláveis. Não demorou para que o sabão virasse espuma e, como bem mais volumosa do que apenas sabão, a espuma começasse a querer sair pela escotilha da máquina.
— Parece que terminamos, Lee! — o mestre sorriu e parou de se mexer.
— Só... mais... um... pouco... — o rapaz continuava, parecendo não se dar conta de quando parar.
A velha lavadora não suportou este “mais um pouco”. A escotilha abriu, a água com sabão saiu e levou consigo as peças intimas de ambos e, como o local em que estavam era pequeno, a água escorreu até o cômodo principal onde estavam as outras máquinas – e alguns clientes também. Por sorte, as peças estavam limpas e branquinhas. Tentando reparar o erro, os dois correram e tentaram recolher todas as roupas, mas a água escorregadia os fez cair.
Os dois foram expulsos da grande lavanderia de Konoha sem via de dúvidas: estragaram uma das lavadoras; inundaram a lavanderia; constrangeram os clientes com as peças intimas espalhadas e, principalmente, porque a toalha que ambos usavam escorregou junto com eles. Rock Lee e Maito Gai não foram expulsos apenas daquela lavanderia, mas de qualquer uma em que tentaram ir depois do “acidente da roupa suja”.
Depois deste desfecho, ambos acharam um jeito bem mais simples de lavarem as roupas:
— Vamos Lee, seja como a correnteza do rio! — o mais velho gritava animado enquanto esfregava as roupas com sabão.
— Sim, Gai-sensei! — o aluno respondia, também animado, enquanto enxaguava as roupas na água do rio.
Observando a tudo aquilo, Neji e Tenten se mantinham longes o suficiente para não serem notados enquanto se perguntavam como eles ainda não haviam sido “expulsados do rio” por lavarem as roupas lá e fazerem com que a água ficasse esverdeada devido aos collants.
E o mais importante: apesar de não estarem mais em uma lavanderia, a tradição de lavarem as roupas de toalha permaneceram.
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Lição número vinte e três: depois de usar as toalhas, lave-as também.
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