Guerreiros das Esmeraldas
6 Tendo respostas e mais perguntas.
Notas iniciais
Guerreiros das Esmeraldas.
- Então Mephiles esta atrás de Yin. – murmurou Manic repetindo a informação que Shadow havia acabado de lhe dar. – E Nazo esta atrás da Mitsuki. – falou ao mesmo tempo que Silver assentia com a cabeça. – Já sabemos o motivo, vingança. Mas o que eu realmente queria saber é por que só agora. Só depois de oito anos eles voltam para ter essa vingança.
— Não quero saber o motivo, tudo o que quero é que ele deixe minha filha em paz. – falou Shadow escorado em uma parede com os braços cruzados e o cenho franzido. Não gostava da imagem de sua filha amedrontada em seus braços como tinha visto da ultima vez . Fechou os olhos levemente, tinha deixado Maria cuidando da pequena enquanto estava ali na reunião, mas mesmo assim estava preocupado. Suas lembranças o corroíam, se questionando porque Mephiles tinha que vir atrás dele.
— Não é o único Shadow. – comentou Silver com um semblante triste. Sempre era os dois, era uma coisa até mesmo engraçada essa que o destino pregava neles. Sentiu um medo enorme ao pensar que talvez, só talvez aquele ex-namorado de Blaze voltasse como tinha acontecido com Nazo, ai seria peso duplo em suas costas.
— Será que tudo isso esta ligado com a volta de Eggman e o surgimento dos Dark Chaos? – perguntou Sonic que estava sentado no marco da janela observando a reunião de longe.
— Talvez, mas o que me preocupa mesmo é o que aconteceu no treino. – murmurou Sonia voltando seu olha para o irmão mais velho que desviou o olhar para a porta que tinha ali perto. Sabia que ele evitaria falar sobre o assunto, mas era uma coisa delicada que tinha que ser discutida antes que fosse tarde de mais. – Acha que pode ser aquilo?
O garoto não respondeu. Ficou com o olhar focado na porta e os pensamentos perdidos. Os vampiros transformados presentes não compreendiam o que estava acontecendo, apenas poucos ali sabiam o segredo que Shadow guardava e logo chegaria o momento de revelar. Sonia mirou Amy, Sonia, Blaze, Knuckles, Rouge e Fiona que estavam no quarto vendo as miradas interrogativas que possuíam e agora mesmo sabia que teria que contar o que acontecia.
— Achamos que Yin pode ter uma parte Dark Chaos. – comentou vendo a reação de seu irmão que fechou os olhos com força e apertou os punhos. A culpa novamente voltava, nunca quisera que sua pequena filha passasse pelo que passou a milhares de anos atrás, mas ao parecer as coisas tinham dado uma virada impressionante. – Melhor não discutirmos o motivo aqui agora, mas pensamos que foi isso que aconteceu para ela ter se distraído no treino. Você não pensa em dizer para ela a verdade Shadow?
— Não quero que ela pense que é um monstro. – falou o ouriço negro sem encarar ninguém na sala. Yin já se achava estranha com mais essa noticia ela provavelmente pensaria que era uma espécie de monstro ou coisa parecida. Pelo menos foi isso que pensara todos esses anos.
— Ela vai entender se você explicar para ela. Mas é melhor você contar antes que ela descubra de uma maneira pior. – Sonia tinha razão, mas mesmo assim estava hesitante. Não queria que sua pequena o culpasse pelo o que era, talvez ela fizesse igual Maria e não se importasse, mas mesmo assim tinha medo de que ela se afastasse dele por causa disso.
De repente a porta da sala se abriu e dela entrou um pequeno equidna branco um pouco hesitante. Ele não queria interromper a reunião dos pais, principalmente sabendo que lá só se discutia assuntos importantes, mas o que queria falar era de estrema importância! Com cuidado entrou na sala sendo encarado por todos os que estavam ali e se perguntando se tinha realmente escolhido um momento adequado para interromper tudo.
— O que esta fazendo aqui Ramon? Sabe que não pode entrar aqui enquanto estivermos em reunião. – falou Rouge em um tom de repreensão mirando seu pequeno filho que apenas se encolheu um pouco e corou fortemente.
— Eu sei mãe, mas é que tenho uma coisa importante para falar. – disse tentando o máximo possível não gaguejar. – É sobre Yin. – o nome da garota ecoou na cabeça de todos ali que prestaram bastante atenção no que o equidna dizia. – Quando eu encostei nela eu vi o destino dela e diferente de qualquer outra pessoa ela tem dois. Ela tem uma escolha.
— Eu pensei que uma pessoa só pudesse ter um destino a cada vida. – questionou Amy um pouco confusa. Não era a pessoa mais especialista nesse assunto, mas do pouco que sabia sempre pensara que uma pessoa só tinha um destino.
— E é, mas Yin é diferente. – falou Ramon mudando o tom de voz para um preocupado. – E um deles é ir para o lado de Gaia.
A sala ficou em silencio e tudo se mergulhou em uma tensão profunda. Por algum motivo Scrooge olhou para uma das janelas vendo um pequeno corvo negro de olhos arroxeados mirando a todos que estavam ali na sala. Um calafrio percorreu seu corpo ao ver aquele pequeno animal alçar vôo e desaparecer na escuridão da noite na Romênia. Por alguma razão aquele pequeno animal não lhe parecia um bom sinal, podia soar ridículo essa coisa de mal pressagio, mas no momento tudo valia.
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Havia saído de seu quarto para tomar um ar do lado de fora, podia ter perdido muita energia quando eliminara todos aqueles Dark Chaos, mas mesmo assim não podia ficar trancada em um quarto, tinha que respirar um ar puro para assim poder finalmente relaxar. Falara para sua mãe que ia para o jardim dar uma volta, apesar de não se sentir muito segura em sair depois do que tinha acontecido na festa, mas precisava de seu tempo para pensar e encaixar todas as peças desse quebra-cabeça confuso.
Se sentou ao pé de uma arvore deixando a brisa leve de inverno se chocasse com seu corpo fazendo seus cabelos negros com mechas loiras se esvoaçarem um pouco. Sorriu levemente ao sentir a sensação de liberdade que aquilo transmitia, se recostou na arvore comodamente e se deixou relaxar na mesma respirando o ar puro que as arvores que os cercavam forneciam. Chegou a se deixar levar pelos leves sons que tinha no lugar, mas logo um bem familiar encheu seus ouvidos o que a fez franzir o cenho.
— O que eu te falei sobre me desenhar Racer? – perguntou de maneira reprovativa sem abrir os olhos, mas sabendo muito bem que o garoto estava a sua frente com seu caderno na mão desenhando sem parar com seu lápis de madeira simples. Racer era um ótimo desenhista, mas tinha que parar com essa mania de desenhar tudo o que via pela frente.
— E você sabe que não consigo evitar. – respondeu ele ainda desenhando animadamente a garota junto com tudo o que tinha a sua volta. A garota suspirou cansada tentando não se importar com as leves batidas do lápis no papel, apesar do mesmo ser bem abafado. Tentou pensar indo direto para aquele ouriço que a perseguia.
Seu pai o vira e parecia estar amedrontado com a aparição dele o que significava que ele também o conhecia. Mas se seu pai conhecia aquele ouriço por que não lhe dizia nada? Por que não lhe contava quem era e porque a estava perseguindo? Seu pai era tão cheio de segredos... E tinha a impressão que alguns deles poderiam a ajudar a entender a si mesma. Bom, agora aquela coisa que tinha na sua cabeça. Por que ela estava lá? Como havia chegado lá? Por que se parecia tanto consigo? Por que parecia tanto com um Dark Chaos? Será que ela já estava ali a muito tempo? Será que já nascera com ela? Se for o caso por que nunca se revelou antes? Ou talvez tenha, só que de uma maneira tão pequena e insignificante que nem ela mesma percebeu. Mas por que tinha essa coisa? Será que era um dark Chaos? Mas isso não era possível, para ser um, seus pais também... Não. Isso não era possível, possibilidade completamente descartada. Mas e se por acaso...
De repente se sentira sendo puxada para as profundezas de sua mente mais uma vez. Novamente estava naquele lugar escuro e sombrio onde aquela criatura tão assustadora estava. Só agora percebera que ela estava presa com correntes segurando seus pulsos, mas mesmo assim isso não deixava que ela fosse menos assustadora. Andando de um lado para o outro de uma maneira encurvada aquela estranha garota voltou seu olhar amarelado e vermelho para sua direção parecendo esboçar uma espécie de sorriso, mas não sabia se era ao certo.
— Quem é você e como veio parar em minha mente? – perguntou Yin aproveitando a chance para tirar todas aquelas duvidas de sua cabeça. Sabia que aquela coisa tinha respostas, era sua parte que conhecia o lado negro de sua mente, se é que era uma parte sua. Aquela coisa a mirou com mais determinação e o que parecia ser um sorriso de deboche apareceu em seu rosto negro e sombrio.
Patética. Disse com aquela voz duplicada enquanto Yin afastava um passo. Aquela coisa, seja o que for, tinha uma energia assustadora. É uma patética. Não conhece nem mesmo seus próprios segredos. Não merece ter o controle desse corpo.
— Me diga quem você é e como veio parar aqui, agora! – exclamou com uma voz autoritária tentando parecer segura do que fazia, mas ouviu como aquela coisa ria, uma risada esganiçada e profunda que ecoava por todo aquele lugar. Afastou mais um passo, percebendo que ali dentro ela não podia esconder nada, era um livro aberto.
Eu sei seus medos garota. Quando se sente feliz e quando se sente triste. Quando quer correr e quando quer lutar. Você pode enganar a todos com essa sua cara de séria e fria, mas eu sei que você é apenas uma garota medrosa! Grunhiu aquela coisa enquanto sacudia os braços fazendo as correntes que a prendiam soltarem um tilintar um pouco irritante e assustador. Yin recuou mais um passo. Tudo isso eu sei, porque sou você. Só que melhor.
— Mentira. – sussurrou a garota com a voz quebrada. Suas pernas tremiam levemente enquanto se sentia cada vez mais insegura com aquela coisa a sua frente. De certa forma acreditava no que ela falava, mas agora estava indecisa e confusa.
Eu minto? Eu sou a que menos minto das pessoas que convivem com você. Aquela coisa avançou um passo, fazendo as correntes arrastarem no chão de nada que tinha debaixo de seus pés. Yin ergueu uma sobrancelha sem entender o que aquela coisa falava o que só fez a mesma rir alto. Seu pai, sua mãe, seus tios... Todos eles ocultam de você o que você realmente é. Ocultam de você o passado que explicaria todas essas suas perguntas. Seu pai então, aquele vampiro que você tanto admira não passa de um covarde que foge da verdade com medo de admiti-la!
— Isso não é verdade!! – dessa vez gritou dando um passo para frente. Uma coisa que não gostava era quando insultavam seu pai, acreditava nele, confiava nele, sabia que ele nunca a decepcionaria. – Meu pai é o vampiro mais forte que existe! Não admito que fale dele dessa maneira!!
Ingênua! Aquela criatura também dera um passo para frente e agora faltavam apenas poucos metros para que as duas ficassem bem próximas uma das outras. Yin tinha esquecido completamente o medo que sentira antes e agora só se concentrava em uma coisa: defender seu pai. Ele nunca te contou a verdade. Nunca te respondeu nenhum de suas perguntas! Ele é apenas mais um inseto nesse mundo, achando que tem algo de especial, mas que fica fugindo do que realmente é!
— Meu pai não é assim!! Pode dizer o que quiser, mas eu não acredito em você! Nunca vou acreditar!! – seu pai não era do jeito que ela falava. Ele lutou contra Gaia anos atrás, lutou para proteger sua mãe, lutou para lhe proteger quando ainda era bem pequena, guiava a todos com seriedade e ao mesmo tempo transmitia confiança. Ele não era covarde e nunca mudaria de idéia.
Acredite no que quiser garota. Falou por fim aquela coisa dando as costas para Yin e voltando para seu recanto. A garota abriu a boca para dizer alguma coisa quando algo a puxou de volta para a realidade. Ainda se mantinha de olhos fechados e sua cabeça parecia latejar de dor, mas fora isso tudo estava de volta ao normal.
— Yin! – ouviu novamente alguém a chamar, fazendo com que abrisse os olhos com leveza e lentidão, procurando não piorar ainda mais sua dor de cabeça. Olhou para Racer que parecia bem preocupado a sua frente. – Você está... – ele parou a frase no meio dela fazendo a garota ficar confusa. Os olhos do ouriço azul se arregalaram, mas a pequena ouriça a sua frente não entendia o que estava acontecendo. – Bem...?
Racer a continuava mirando com aqueles olhos arregalados parecendo estar completamente pasmo com alguma coisa que ela tinha no rosto. Mas pouco tempo a garota teve para pensar no assunto. Logo um forte dor veio em sua cabeça a fazendo levar a mão a mesma, tampando seu olho esquerdo.
- Yin. – a garota se surpreendeu ao ouvir outra voz falando seu nome, olhou para o lado e se encontrou com o olhar preocupado de seu pai, podendo ver de relance como sua mãe se afastava voltando a entrar no castelo. Por que agora tudo parecia tão estranho? – Pode vir comigo um minuto?
A ouriça assentiu levemente e se levantou indo logo atrás de seu pai que caminhava de volta para dentro. Ela apressou o passo ficando do lado dele segurando sua mão com um pouco de força. Ele virou o rosto em sua direção e lhe sorriu levemente, mas ela ainda podia ver a preocupação espelhada naqueles olhos vermelhos. O que estava acontecendo?
Racer observou sua prima se afastar, ainda com aquela imagem em sua mente. Ao invés de ver aqueles belos olhos vermelhos azulados viu algo completamente assustador. Em um dos olhos de Yin, no esquerdo para ser mais exato, vira perfeitamente um olho de um Dark Chaos. Olhou sem realmente ver para a arvore que tinha a sua frente se perguntando se tinha mais coisas para se surpreender.
— Yin...
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Haviam entrado na biblioteca, o lugar mais silencioso que existia na casa. Yin se perguntava o que seu pai queria lhe falar para que parecesse tão tenso. Nunca o vira daquela maneira e pensara que era algo importante. Ele delicadamente a sentou na pequena cadeira que tinha na janela e o lugar que mais gostava de ficar quando ia ler um livro. Abraçou seu pequeno ouriço de pelúcia enquanto via seu pai sentar também olhando para o chão sem parecer realmente vê-lo.
— O que esta acontecendo pai? – perguntou percebendo que seu pai não iria ter a iniciativa de começar a falar. Ouviu como ele suspirava, mas ainda não entendia o porque dele estar tão nervoso. Parecia hesitar e nunca o vira fazer isso.
— Antes de começar a te contar algumas coisa Yin quero que olhe para seu reflexo na janela. – pediu ele em um tom calma fechando levemente os olhos. A garota, ainda sem entender, se ajoelhou na pequena cadeira e olhou para o vidro da janela vendo como seu reflexo repetia os mesmos movimentos que fazia, mas havia algo que ela notara diferente em si mesma, algo não muito agradável.
Em seu olho esquerdo não via mais aquela cor azul avermelhada que costumava ver sempre e como era refletido no direito, ele estava amarelo com a parte branca completamente vermelha. Não conseguia acreditar, aquele olho... o conhecia muito bem... Não era o seu, definitivamente não era. Aquele olho só pertencia a uma criatura nesse mundo... Só podia pertencer a um Dark Chaos, mas...
— Como? – perguntou em voz alta tocando levemente a parte de baixo do olho com um dos dedos. Voltou a ver seu pai que continuava olhando para o chão, só que dessa fez ele tinha os punhos fechados com força apenas esperando que ela fizesse a pergunta chave. – Por que eu tenho um olho de Dark Chaos? O que eu sou?
— Antes de te responder a pergunta quero que me responda outra. Aquele que te atacou no banheiro aquele dia foi o mesmo que te perseguia na festa não é? – a garota assentiu levemente um pouco constrangida. – E porque não me falou antes que ele estava te perturbando?
- Acho que fiquei com medo. – sussurrou abaixando a cabeça. Nem ela mesma sabia porque não tinha contado. – Mas quem é ele? Ele te conhece e parece que você também o conhece.
— Ele é seu tio Mephiles. – comentou Shadow ainda sem mirar a garota que agora tinha arregalado os olhos e se acomodado para ouvir melhor a historia do pai, que ainda não parecia muito cômodo em contar tudo aquilo. – Com relação a sua primeira pergunta, para respondê-la preciso te contar o que aconteceu na primeira guerra contra Gaia.
— Mas eu já sei ela toda. – respondeu a garota sem entender como aquilo poderia responder sua pergunta como tinha um olho de um Dark Chaos. A menos que... – Eu pensei que tivesse sido o tio Mephiles.
— Não... – sussurrou ele em um tom distraído e cheio de tristeza. – Eu fui mordido por um Dark Chaos. Na época não sabíamos com o que estávamos lidando, nosso plano era apenas pegar as esmeraldas caos e usá-las para derrotar a Gaia. Mephiles nem sempre fora daquele jeito, antes ele se preocupava com cada um de nós e eu sabia mais que todos que ele fazia isso já que somos gêmeos.
- Não sabia... – sussurrou Yin pensando em como sue pai devia ter sofrido com o que tinha acontecido. Lera uma vez um livro que dizia que gêmeos tinha uma conexão mais próxima do que irmãos ou até mesmo pai e filho. Ninguém sabia ainda como, mas ao parecer os gêmeos era tão unidos que alguns até mesmo pareciam ler o pensamento do outro.
— Fazíamos tudo juntos, ele era apenas alguns minutos mais velho que eu, mas era bem mais sábio. Juramos um ao outro quando nossos irmãos nasceram que faríamos de tudo para protegê-los, e estávamos cumprindo a promessa quando tudo aconteceu. – viu seu pai apertar os punhos enquanto contava, Yin prestava bastante atenção no que ele dizia se aproximando de seu pai como para dar confiança. – Nos dividimos em grupos para procurar as esmeraldas caos pelo mundo apesar de Mephiles não ter concordado muito com a idéia. Eu fui para o deserto do Saara e lá conseguimos encontrar uma esmeralda, mas Gaia devia ter desconfiado de nosso plano e mandou alguns Dark Chaos para nos impedir. Lutei para proteger a todos, mas mesmo assim eram muitos e alguns que tinham sobrevivido fugiram me deixando sozinho com aquelas coisas. Foi então que uma delas me mordeu.
Yin se abraçou fortemente ao pai enquanto ele passava distraidamente a mão por uma área do pescoço, mostrando que tinha sido lá que ele havia sido mordido. Yin podia ouvir em sua mente aquela coisa rindo, debochando de seu pai enquanto ele contava sua sofrida historia, mas com um pouco de esforço conseguiu fazê-la se calar bem a tempo de voltar a prestar atenção na historia de seu pai bem quando ele voltava a falar depois de uma pequena pausa.
— Tudo o que queria naquela momento era poder voltar para casa e ver meus irmãos mais uma vez, e acho que a esmeralda conseguiu me ouvir e me tele-transportou para a parte da frente do castelo. Fiquei eufórico, queria entrar o mais rápido possível, mas foi só então que me lembrei que se fizesse isso condenaria a todos os que estavam lá. – sentiu como ele respirava fundo, viu ele fechando os olhos e logo depois voltando a abri-los com um forte dor reluzindo nos mesmos. – Deixei a esmeralda caos na porta, dentro do escudo do castelo e comecei a ir embora torcendo para que nenhum dos meus irmãos me vissem, não daquela maneira tão lamentável. Mas Mephiles apareceu, parecia estar me esperando ou alguma coisa do tipo e me puxou para entrar no castelo, mas eu resisti falando que não mais podia ficar com eles. Mephiles ficara desconcertado e me puxara novamente para dentro, quando se é um Dark Chaos seus sentidos ficam ainda mais aguçados então podia sentir muito bem o cheiro de Mephiles, que para mim passara a ser tentador. Tentei sair correndo de lá, mas Mephiles não permitia então só tinha uma coisa a tentar. Pedi que ele me matasse.
— Mas ele não aceitou. – respondeu Yin por seu pai sabendo muito bem agora que seu tio Mephiles era muito apegado a família. Sentia uma opressão no peito, como se alguém o estivesse apertando. Era como sentir a dor de seu pai, como se pudesse tocá-la com suas próprias mãos e assim compartilhar aquele momento o qual seu pai nunca mais parecia querer lembrar. Nunca mais queria fazer com que ele fosse forçado a lhe contar uma coisa dessas, via o sofrimento dele e preferia ficar sem resposta alguma a vê-lo daquela maneira mais uma vez.
— Ele se recusou a fazer aquilo e eu estava começando a perder o controle. Em pouco tempo seria um verdadeiro Dark Chaos. Mephiles me puxou para dentro do castelo, mesmo com minha persistência e chamou a Sonia, pedindo para ela dar um jeito no veneno que tinha em meu corpo. Mas já era tarde. – não conseguia evitar se apertar mais forte contra seu pai. Imaginá-lo como um Dark Chaos era algo que realmente não conseguia explicar. Queria ele ali, do jeito que era naquele exato instante, não precisava de outra coisa. Os braços fortes de seu pai passaram por seu ombro fazendo com que agora se sentisse segura, mas aquela opressão no peito ainda não tinha passado. – Manic recuou a todos dentro do castelo, para o subterrâneo, enquanto isso ele, Mephiles e Sonic tentavam me segurar e Sonia ia procurar uma cura. Quase não lembro de nada do que aconteceu, perdi completamente a luta em meu interior e fiquei preso na escuridão de minha própria mente, sei apenas, pelo o que me falou Manic que eu mordi a Sonia, mas por ser ainda um Dark Chaos recém formado o veneno não tinha muito efeito, tudo o que achamos que causou foi aquela forma Dark que Sonic tem hoje. Para salvar a nosso irmão, Mephiles fora obrigado a me morder e talvez só não morri porque Sonia chegou com a cura, mas Mephiles bebera meu sangue, o sangue de um Dark Chaos. Desde então ele nunca mais foi o mesmo e começou a se transformar no que é agora.
— Então é por isso que tenho esse olho? Por isso que aquela coisa esta em minha cabeça? – sussurrou Yin depois de uma pequena pousa. Ela levou a mão até o olho esquerdo que permanecia da mesma maneira e o tampou com a palma de sua mão sentindo seu pequeno corpoinho se estremecer. Era metade Dark Chaos... Por isso seus poderes eram estranhos... Por isso tomava um tipo de sangue diferente... Por isso seus sentidos eram tão aguçados... Era um perigo. – Eu... Eu sou... Eu sou um...
— Por favor, não diga essa palavra. – ainda um pouco atordoada sentiu os braços de seu pai passando fortemente pó seu corpo, a mudando de lugar para que sentasse no colo dele. Era tão bom ficar assim... Se sentia segura perto do pai. Seu ídolo, sua admiração... A força que ele emanava lhe fazia se sentir tão segura e protegida... – A culpa foi minha por você ter essa maldição. O único monstro aqui sou eu não você. Você é meu presente mais precioso junto com sua mãe... Não quero que se sinta como eu me senti todos esses anos, por isso não falei isso para você antes.
Escondeu seu pequeno rostinho no peito do pai, fechando com força os olhos e se deixando ser levemente pressionada contra ele. Se pudesse gostaria de ficar assim para sempre. Queria se distanciar de todos os problemas como fazia agora, mas ainda tinha medo de que alguma coisa acontecesse para perder tudo isso que hoje considerava seu refugio.
— Tenho medo pai. – confessou em voz alta segurando com força a blusa do mesmo enquanto ele lhe acariciava a cabeça com cuidado. – Se eu por acaso perder o controle dessa minha outra parte... Se por acaso eu não for forte o bastante para conseguir me controlar eu posso acabar...
— Você vai. – os dois ouriços negros olharam para o lado só para ver como uma ouriça loira se aproximava com um copo na mão, o mesmo cheio de um liquido vermelho viscoso. Ela se ajoelhou na frente da garota que permanecia no colo do pai que a soltara ligeiramente para que ela pudesse ver a ouriça loira. Ela entregou o copo para a garota e logo levou uma mão até o rosto dela. – Você é mais forte do que pensa pequena, e vamos te ajudar a descobrir isso.
— Como? – perguntou a garota bebendo um pouco do liquido que tinha no copo, percebendo só agora que estava morrendo de sede. Um dia ainda perguntaria que tipo de sangue bebia, mas por hoje já tinha informações o bastante.
— Seu pai vai te dar um treinamento especial a partir de hoje e você vai aprender a controlar isso que tem dentro de si. – falou a mãe da garota lhe sorrindo docemente e acariciando o rosto da pequena. A mesma sorriu levemente confiando plenamente em sua família, sabia agora que com aquilo não teria mais o que temer. Foi só então que lembrou.
— Pai. – chamou levemente a cabeça para mirar diretamente nos olhos vermelhos do ouriço que estava sentada. O mesmo a mirava de uma maneira interrogativa. – Acho que o tio Mephiles ta tentando voltar a ser o que era antes.
— O que quer dizer com isso? – perguntou o pai da garota continuando a ficar de uma maneira interrogativa. Lembrava que ela já tinha visto Mephiles, que ele agora a perseguia e era um risco bem grande deixá-la sozinha. Como a ela podia estar falando que depois de tudo isso Mephiles ainda podia voltar a ser o mesmo que era antes?
— Toda vez que ele chega perto de mim, toda vez que ele aparece posso ouvir como se alguém lamentasse em minha cabeça, pedindo ajuda. – disse a garota levando a mão a cabeça e relembrando aquela vos lhe pedindo ajuda. – No inicio eu não entendi o que aquilo queria dizer, mas quando o vovô disse a pessoa que tinha me atacado era controlado por Gaia eu percebi. Tio Mephiles não esta fazendo isso porque quer, ele esta sendo controlado por Gaia e só agora esta conseguindo voltar ao normal, mas esta muito fraco e não consegue se recuperar e acho que eu posso trazê-lo de volta.
Shadow nada disse com relação aquilo. Sua mente se perdeu no passado um que a muito tempo não recordava e que era tão distante que parecia até mesmo inalcançável. Abraçou um pouco mais sua pequena filha temendo que, se ganhasse seu irmão de volta acabasse perdendo outra coisa.A lei da troca equivalente... Por que isso tinha que existir?
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Tossiu fortemente quando sentiu a forte dor em suas costas quando a mesmas se chocaram com a parede de pedra. Mal teve tempo de se recuperar quando alguém segurou seu pescoço e o ergueu do chão com tanta facilidade que pensara ser novamente uma criança quase sem peso algum, mas não, já era um adulto e estava sendo sufocado sem piedade por alguém que devia ser seu aliado. Não precisava respirar, isso era fato por fazer parte de duas raças de seres imortais (de certa forma), mas por ser pego se surpresa acabou engasgando e perdendo o fôlego de uma certa maneira que ficara desesperado por alguns meros instantes.
Abriu uma brecha do olho e viu aquela figura robusta de Dairos a centímetros a sua frente. Ele podia ser bem maior do que Scrooge, mas mesmo assim o ouriço verde era bem mais forte. Por que então estava preso daquela maneira? Simples, Dairos descobriu uma forma de imobilizá-lo deixando seu corpo completamente paralisado. Prata. Não o matava como os lobisomens, mas deixava seu corpo completamente incapacitado. E tinha agora uma faca de prata fincada bem em seu braço esquerdo... O que tinha passado com Dairos para fazer uma coisa dessas?
— Agora me diga tudo o que sabe sobre a filha daquela Dark Chaos. – pediu o lobisomem o pressionando ainda mais contra a parede de pedra. O sangue que escorria por seu braço manchava o negro da parede ficando bem destacado em sua trilha até o chão. Virou o rosto para o lado fechando os olhos, se recusando a abrir a boca para falar alguma coisa sobre a pequena garota... Sonia tinha razão, era difícil não se apegar a ela. – Se não disser sua parceira não mais vai poder ver o próximo nascer da noite.
Virou rapidamente o rosto na direção da porta vendo como a mesma se abria, revelando a dois lobisomens segurando sua parceira com uma espada direcionada para o pescoço dela. Já entendia a intenção deles, iriam decapitá-la. Fiona não entendia o que estava acontecendo, ela não sabia que ele era informante dos lobisomens, uma espécie de espião. Mas isso era antes, veio apenas fazer seu ultimo trabalho antes de finalmente deixar o ramo, pena que Dairos o pegou desprevenido querendo essa informação.
— Está louco! – esbravejou furioso olhando diretamente para os olhos de Dairos, realmente estavam cheios de insanidade. O lobisomem tinha caído no medo que Gaia passava pelo ar com seus constantes ataques, não sabia o que ele tinha descoberto sobre Yin, só esperava que não fosse o que estava pensando. – Perdeu completamente o juízo por causo do medo dos Dark Chaos!!
— Não estou nem ai pelo o que aconteceu comigo! – gritou Dairos de volta. Scrooge grunhiu baixinho percebendo que a vida de sua parceira estava nas mãos de um lunático. Dairos não estava nos seus dias mais sãs, tinha que ser cuidadosos. – Rolou um boato de que aquela vampirinha tem dois destinos. Quais são eles Scrooge? Sei que você ficou muito próximo daquela família, por isso me diga se aquela garota pode ser uma ameaça.
— Yin não é uma ameaça! Você viu que ela nos salvou no dia da festa!! – exclamou. Não queria dizer nada sobre Yin, mas não podia perder sua parceira. Olhou desesperado para ela procurando ver se estava bem, quase tendo um treco ao ver que pressionavam ainda mais a espada contra o pescoço da garota que o mirava procurando uma resposta.
— Ela apenas mostrou que pode ser um perigo a mais. – disse Dairos para logo fazer um sinal com a mão fazendo os dois lobisomens que seguravam Fiona pressionarem ainda mais a espada contra o pescoço dela fazendo com que um corte já começasse a se formar no mesmo, derramando algumas gotas de sangue. Dairos mirou Scrooge com um sorriso extenso no rosto e logo sussurrou. – Matem-na.
— Não!! Eu falo!! – não queria, não queria trair sua família, mas não via outra opção para salvar sua parceira. Dairos o mirou interessado, pedindo para os lobisomens soltarem a parceira do misto que suspirou derrotado. – Um de seus destinos é nos ajudar a derrotar Gaia, o outro é se unir a ele.
O rosto de Dairos ficou sombrio e ele logo soltou Scrooge que começou a cair na direção do solo. Fiona foi até seu parceiro e o segurou antes que caísse no chão, se ajoelhando e colocando a cabeça do mesmo em seu colo, para logo depois retirar a faca de prata que tinha em seu braço. Scrooge ouviu com pesar os passos de Dairos saindo do lugar e sabia que tinha condenado a pequena.
— Eu os trai... – sussurrou para si mesmo apesar de Fiona poder ouvir muito bem. Acariciou com cuidado a cabeça de seu parceiro que recuperava lentamente os movimentos de seu corpo, podendo assim fechar os punhos com força. – As únicas pessoas que me aceitara e me deram uma segunda chance e eu faço isso. Não mereço ser parte daquela família...
Fiona podia sentir lágrimas molhando suas pernas descobertas, já que estava de saia. Ficou impressionada, nunca vira Scrooge chorar e nunca pensara ver até aquele instante. Passou os braços pela cabeça do garoto e colocou sua cabeça encima da dele sentindo como o corpo dele tremia ligeiramente por causa dos soluços. Queria deixá-lo cômodo, permitindo que chorasse e tirasse todo o peso que tinha encima dos ombros. Queria dizer algo para confortá-lo, mas em sua garganta tinha se formado um nó e só podia deixar que o silencio dominasse tudo deixando ainda mais audíveis os soluços de seu parceiro.
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Não entendia o que estava acontecendo. Estava caminhando pelo jardim do castelo deixando a mente vagar e de repente encontra em uma parte mais isolada do castelo Yin e os pais dela parecendo estar em uma espécie de treinamento especial. Ainda se lembrava de como ficara o olho esquerdo de Yin quando ela abrira os olhos depois de parecer “dormir” debaixo da arvore em uma parte do jardim, mas ver o que estava vendo agora era simplesmente inacreditável.
Yin estava completamente transformada em um Dark Chaos, a única coisa que mostrava que ainda estava com sua sanidade normal era as ligeiras “piscadas” de seus olhos, passando dos normais que tinham para os de um Dark Chaos de segundo em segundo. Os pais dela estavam a sua volta, pareciam sempre estar alertas e preocupadas, analisando o momento de interferir e o momento de deixar a garota se virar. Se escondeu atrás de uma árvore e observou o “treino” tentando escutar o que cada um dizia.
— Se concentre! Não deixe que ela controle seu corpo! – gritava seu tio enquanto rodeava sua prima algumas vezes vendo como ela passava de normal para um Dark Chaos completo. Sentia medo, não de sua prima, mas do que poderia acontecer se algo ali desse errado. Os grasnados que ela soltava eram simplesmente inacreditáveis, ecoavam pelo ar com tanta ferocidade que parecia que a garota estava sentindo uma dor insuportável. Nem percebeu que nesse tempo que ouvia aquilo sua mão se apertava contra o tronco da arvore que estava escondido, fazendo algumas cascas se soltarem.
Quando as coisa pareceram sair do controle os pais dela se aproximaram, a mãe dela a abraçou com força enquanto o pai colocava levemente sua mão em sua testa dizendo algumas palavras que não conseguia entender e logo fazendo com que sua prima voltasse a forma normal. Ela parecia cansada e fora carregada pela mãe até dentro do castelo com o pai da garota as seguindo bem de perto. Quando viu que não tinha mais ninguém se esgueirou para fora de seu esconderijo e se aproximou de onde a garota estava percebendo que o chão onde ela estava antes estava completamente chamuscado, mostrando que ela utilizara muito poder para fazer aquilo.
Olhou distraidamente para o castelo tentando saber o que tinha acontecido. Não entendia, não compreendia porque Yin parecia uma Dark Chaos. Voltou seu olhar para o céu vendo as estrelas lentamente desaparecer para abrir espaço a um céu mais claro, pode ver que nuvens carregadas estavam começando a se acumular, logo voltaria a nevar. Caminhou lentamente para dentro do castelo, parecendo ainda muito distraído em seus pensamentos.
Yin foi colocada em sua cama. Estava exausta, seu pai tinha se separado dela para pegar alguma coisa para ela beber. Sua mãe a ajudava a ficar sentada na cama, já que nem isso conseguia fazer de tão cansada que estava. De repente seu pai entrou no quarto lhe entregando seu típico copo de sangue, aquele que era sempre preparado para ela. Não demorou muito a colocar o copo na boca e bebendo com ânsia.
— Não precisava ter começado tão sedo. – sussurrou Maria acariciando a cabeça da filha. Logo lembrou da pergunta que a pequena sempre fazia sobre o que bebia. – Acho que já esta na hora de você saber que tipo de sangue você bebe. Não tem mais o porque guardar esse segredo.
Yin mirou seus pais com um pouco de interesse, não pretendia saber isso ainda nesse dia, mas se eles queriam lhe contar não iria impedir, afinal sua curiosidade ainda lhe incomodava e estava loca para saber o que era que sempre tinha que beber. Olhou para seu pai e o mesmo suspirou.
— Sangue de vampiro.- quase voltou o liquido para dentro do copo quando ouviu aquilo. Imaginara tudo, menos aquilo. – Manic tem na dispensa, esta lá a algum tempo por causa dos momentos que eu ainda estava instável e precisava tomar. Eu e sua mãe achamos que era melhor começarmos a te dar ele desde sedo para que não causasse um problema maior.
— Melhor não pensar muito nisso pequena. Descanse um pouco. – disse a mãe da garota se levantando da cama e saindo junto com seu parceiro deixando a garota sozinha no quarto. Ela se deitou na cama e fechou levemente os olhos e se deixou levar pelo conforto. Tinha colocado o copo encima da mesa que tinha do lado da cama e esperara alguns minutos até finalmente pegar n o sono.
Ouvia como alguém parecia estar agonizando, ou até mesmo chamando seu nome. Caminhou por aquela escuridão sem saber exatamente para onde ir, apenas seguiu a voz que a chamava. Quando finalmente chegou ao local que pensara ter vindo a voz e lá se encontrara com aquele ouriço tão parecido com seu pai. Ele estava sentado no chão, com as costas escoradas em alguma coisa, mas não conseguia ver nada além de escuridão. Ele olhou para cima e sorriu para ela, e ela já não via mais nada daquela insanidade que ele tinha antes nos olhos, só via carinho.
— Como é parecida com o pai... – murmurou ele com a voz arrastada e completamente cansada, como se tivesse feito alguma coisa que exigia muito esforço. Yin se aproximou analisando o ouriço completamente. Ele não parecia o mesmo que a perseguia, estava tão... Diferente, frágil... Débil. – Nunca imaginei que Shadow pudesse ter uma filha...
— Tio Mephiles? – perguntou um pouco mais próximo do ouriço. Ajoelhou-se na frente dele e viu como ele sorria ligeiramente. As semelhanças eram claras entre ele e seu pai, mas conseguia diferenciá-los muito bem. Seu pai tinha um jeito, um brilho frio nos olhos que apenas de vez em quando se esquentava aquele ouriço tinha um brilho de gentileza e animação, mas que no momento estava um pouco fraco. – Como eu consigo te ver do jeito que você é?
— Não sei pequena, mas só consigo me comunicar com você. – disse ele se mexendo incomodo no lugar. Podia ver que ele estava fraco, não conseguia se mover sem fazer muito esforço. – Tem que dizer para seu pai que sinto muito por te meter nisso tudo, mas preciso de sua ajuda. Por alguma razão o controle mental de Gaia enfraqueceu, acho que foi porque estava morto a pouco tempo, mas ainda não sou forte o bastante para ganhar dele.
— E como eu posso ajudar? – perguntou a garota sem entender ainda o ponto que seu tio queria pegar. O mesmo sorriu e levou a mão até seu rosto acariciando levemente.
— Seu pai sempre viveu pensando que não era melhor que eu, mas ele estava enganado e você é igual a ele. Tem muitas historias sobre seu pai que espero que um dia você fique sabendo, mas quero que saiba que ele é forte e que você também é. Tem poderes que ninguém poderia imaginar. – não sabia o que dizer naquela hora. Agora entendia porque seu pai gostava tanto dele. – Preciso da sua ajuda, preciso que enfraqueça a Gaia para eu poder voltar ao normal, e assim pedir desculpas a seu pai. Fiz tantas coisas que me arrependo...
Abriu a boca para falar alguma coisa, tinha tanta coisa que queria perguntar... Mas no mesmo instante a imagem de seu tio desapareceu e outra criatura apareceu das sombras. Sua forma Dark Chaos veio em sua direção e segurou seu pescoço, ela não tinha mais as corretes e parecia mais forte do que antes. Talvez por descobrir a verdade aquela coisa tinha visto uma brecha para atacar.
- Seu pai pode ter tentando me selar, mas ele ainda não sabe nada do que sou capaz. – grunhiu aquela coisa enquanto fechava os olhos com força e esperava que tudo acabasse.
Se sentou na cama com a respiração agitada. Sua garganta ardia, parecia estar pegando fogo por dentro e sentia como seus sentidos estavam mais que aguçados, podendo assim sentir todos os cheiros da casa. Cada cheiro que exalava daquele castelo parecia ser mais um incentivo para sua garganta arder e seus caninos aumentarem para uma maneira um tanto exagerada. Olhou para o copo que tinha na mesa do lado da cama. Mas ele estava vazio. Desesperada olhou para fora e percebeu que tinha ficado o dia inteiro dormindo. De dia tinha nevado e agora havia montes fofos de neve do lado de fora.
Abriu a janela com desespero acabando se embolando algumas vezes. Saltou desde o andar que estava caindo graciosamente no chão, como qualquer outro vampiro, mas por causa do desespero de sede acabou escorregando na neve e caindo de quatro no chão. Ainda escorregando correu até o meio das arvores do jardim tentando se afastar o máximo possível dos cheiros que tinha no castelo. Não podia machucar ninguém, tinha que ficar longe até conseguir achar seu pai e assim ele lhe trazer um pouco de sangue. Meu deus isso estava ficando insuportável.
Parou perto de uma arvore e respirou fundo aquele doce cheiro de grama, de orvalho, de qualquer coisa que estivesse ali e não fosse de seus amigos e parentes. Sorriu pensando que agora era só esperar, que nada poderia acontecer, mas ao mesmo tempo se amaldiçoando por ter deixado seu ouriço no quarto. Se caso encontrasse seu tio talvez não tivesse a força para escapar.
— Yin. – o forte cheiro invadiu seu nariz fazendo sua garganta voltar a arder como nunca antes. Seus caninos sobressaíram a boca e agora sentia vontade de perfurar o pescoço de seja quem for que estivesse atrás de si. – O que esta fazendo aqui fora tão sedo? Sorte que o sol já havia se escondido, se não você estaria em problemas.
— Racer, por favor, vai embora. – suplicou com a voz arrastada levando a mão a garganta quase suplicando para que parasse de arder. Não feriria a Recer, se fizesse nunca mais se perdoaria.
— Eu queria te perguntar algumas coisas. Por que esta agindo de maneira tão estranha? – perguntou o garoto um pouco estranhado pela atitude da garota. Ela permanecia de costas para ele. Percebia que a respiração dela estava agitada e parecia nervosa, as surpresas nunca terminavam. – Yin, o que esta acontecendo?
— Racer, saia daqui! – gritou com a voz um pouco alterada. Não se agüentaria por muito tempo, seu corpo já começara a tremer e sentia que logo acabaria saltando no pescoço do garoto. – Saia de perto de mim antes que alguma coisa aconteça!
— Yin, nada vai acontecer. Se for por causa daquele ouriço que você me falou que te perseguia, não se preocupe, não vou deixar que ele cheque perto de você. – falou o garoto se aproximando e colocando uma mão no ombro da ouriça negra. Depois disso, ela já não conseguiu se conter e saltou no garoto, o derrubando no chão e se colocando encima dele.
Tinha perdido completamente o controle de seu próprio corpo e agora tudo o que sentia era o ardor na garganta e o incomodo de seus caninos em sua boca. Tinha que morder alguma coisa, tinha que beber o sangue que passava pelo corpo do garoto. Lambeu os caninos e logo foi para o pescoço do garoto que se encontrava surpreso de mais para fazer alguma coisa. Lambeu aquela área e raspou a ponta dos dois afiados dentes na pele do garoto que ficou tenso no mesmo instante.
— Y-yin... – disse com a voz quebrada e pesada. Foi só nesse instante que a garota despertou percebendo o que estava fazendo. Assustada consigo mesma, saltou para longe do garoto se pressionando contra uma arvore tampando a boca com força. Os olhos arregalados mostravam o quão assustava estava, mirando o garoto que se sentava com lentidão.
— Desculpa. – sussurrou para logo sair correndo. Racer queria ir atrás dela, queria segui-la, mas suas pernas estavam bambas... O que sentira foi tão estranho e por um momento pensou em realmente dar seu sangue para Yin...
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Correu pelo jardim o máximo que conseguia querendo apenas se afastar, fugir de tudo o que estava acontecendo, mas não podia fugir de se mesma. Tinha esquecido o ardor na garganta e o ligeiro incomodo de seus caninos, seus olhos estavam fechados com força e seus pés escorregavam algumas vezes na neve fofa e recente. Algumas lágrimas começaram a se acumular em seus olhos, mostrando o quão arrependida tinha ficado pelo o que quase fizera. Racer era seu primo, membro de sua família, o amava muito e mesmo assim fazia isso com ele? Seu pai podia até mesmo não aceitar que ela se achasse isso, mas não tinha outra palavra para se descrever nesse momento a não ser monstro.
Parou perto dos muros que rodeavam o castelo e se deixou cair perto dele, escorando suas costas no mesmo enquanto respirava com dificuldade. Se odiava, se pudesse queria morrer de frio ali e agora, mas vampiros não eram afetados pelo clima, só se fossem muito extremos. As lágrimas acumuladas agora escorriam por seu rosto enquanto escondia seu rosto entre os joelhos agora erguidos na direção do peito. Seus ombros se moviam para cima e para baixo mostrando os soluços que eram causados pelo choro e a garota agradecia por estar sozinha, já que odiava que as pessoas vissem esse seus momentos de debilidade.
— Olá pequena. – rapidamente limpou as lágrimas e levantou a cabeça se encontrando com aquele mesmo lobisomem que estava naquela festa onde os Dark Chaos atacaram. Sua memória era boa e conseguia reconhecer com perfeição aquela figura robusta e grande, mas o que não a agradou mesmo foi o olhar que ele lhe lançava, parecia que estava com medo dela e ao mesmo tempo com raiva. Ele deu um passo em sua direção e rapidamente se levantou, pressentindo que algo não muito bom iria acontecer. – Vim te fazer uma visita.
— O que quer? – perguntou recuando alguns passos, tentando não escorregar na neve que agora batia em sua canela. O vento frio soprou anunciando mais uma nevasca e trouxe consigo o cheiro ruim daquele lobisomem, mas mesmo assim, faminta como estava aceitava qualquer coisa. Prendeu a respiração tentando se conter e se afastou ainda mais daquele lobisomem que apenas se aproximava.
— Queria saber se apóia nossa luta contra Gaia, se... – ele pareceu parar para pensar as palavras que ia dizer. Yin sabia que dali vinha um insulto, ou uma insinuação grosseira e acusadora. Começara a entender porque Manic não gostava dele, apesar de já ter tido essa vaga idéia antes. – Se você não tem nenhuma afeição com aquele vampiro das sombras.
— Não tenho nenhuma atração por um homem que quase matou minha família. – rebateu a garota se afastando sabendo o que ele queria dizer. Não sabia se seus olhos revelavam o que era, mas nesse momento não se importava nem um pouco. Aquele lobisomem deu mais um passo em seu direção de uma maneira ameaçadora, mas uma voz grossa o fez parar.
— O que faz aqui Dairos? – se virou só para se encontrar com seu pai a poucos metros de distancia de onde estava. O rosto dele estava sombrio e seus olhos intimidariam a qualquer criatura na terra. Sorriu agradecida por finalmente poder se livrar desse ardor na garganta, sabia que seu pai lhe ajudaria com isso.
- Apenas vim ver se sua filha vai escolher o lado certo de se ficar. – falou aquele lobisomem, mas por que o sentia mais próximo do que antes? Deu uma ligeira olhada para trás e se encontrou com o lobisomem a poucos centímetros de seu corpo. Um calafrio lhe percorreu ao sentir a mão dele em seu ombro. – Não queremos ter um problema a mais nessa confusão toda.
— Se eu fosse você ficava longe dela. – ameaçou o ouriço negro com os olhos atentos. Yin sabia que seu pai não gostava que ninguém aproximasse dela e como esse lobisomem parecia ser inimigo de seu tio, era bem provável que seu pai fizesse de tudo para mantê-lo distante. Logo sentiu como sua carne era perfurada por enormes unhas, olhou para o lado e viu seu ombro completamente ensangüentado com as garras daquele lobo bem fincadas em sua pele.
— E se eu não quiser? – perguntou ele, com um sorriso cheio de deboche no rosto. A única coisa que Yin sentiu depois foi um forte vento passando por si enquanto aquela fincada em seu ombro desaparecia e seu corpo era rodeado por algo frio que a puxava com delicadeza para frente, tirando seus pés do chão.
Quando percebeu já estava nos braços de seu pai enquanto as sombras envolta dele se acalmava e algumas outras permaneciam esticadas para frente. Olhou na direção que elas iam e percebeu que prendiam o corpo do lobisomem nos muros de pedra, sem feri-lo, apenas imobilizando.
- Se chegar perto dela mais uma vez, juro que te mato. – ameaçou seu pai dando as costas para aquele lobo enorme e caminhando de volta para o castelo. Yin observou a imagem do lobo se distanciar, mas agora, voltando a respirar sem nem mesmo saber, pode sentir novamente a garganta arder. O cheiro de seu pai era bem melhor que o daquele lobo e ainda estava com sede.
— Pai... – murmurou com a voz suplicante e arrastada, quase não podendo se conter. O ardor era insuportável, se perguntava se era assim que um Dark Chaos se sentia quando ficava muito tempo sem se alimentar.
— Pode beber do meu. Sua mãe já fez isso uma vez quando estava grávida de você, eu não me importo. – falou ele e estava prestes a protestar quando o ardor ficou insuportável de mais para suportar. Cravou os dentes na curva do pescoço de seu pai e passou a beber, sem esperar nem um pouco.
Pouco a pouco sentia sua garganta parar de arder e logo estava completamente renovada. Ficara impressionada por ver seu pai não ter a menor demonstração de debilidade, não sabia por quanto tempo tinha bebido o sangue dele, mas sabia que não havia bebido pouco e nem mesmo assim seu pai demonstrava fraqueza. Seu tio Mephiles tinha razão, ele era realmente forte.
Chegaram dentro do castelo parando na sala onde todos estavam reunidos enquanto Sonia conversava alguma coisa com Fiona que estranhamente estava sem o ouriço verde. Viu seu pai se aproximar do sofá que sua mãe estava sentada, mas preferiu não olhar o resto do caminho escondendo seu rosto na curva do pescoço de seu pai, procurando não encontrar o olhar de Racer. Depois do que fizera tinha quase certeza que ele a olharia com medo ou pior.
Shadow se sentou do lado da parceira entregando a pequena ouriça para a mesma, logo se voltou para seus amigos.
— Que tal darmos uma descansada? Depois de tudo o que esta acontecendo um pouco de diversão é mais que bem vindo. – todos o miraram um pouco estranhados, mas ele logo continuou. – Estava pensando em ir para Satation Scare.
Notas finais
Bjsss
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