Guerreiros das Esmeraldas
7 Ferias? Improvavel.
Notas iniciais
Helpe me? T-T
Guerreiros das Esmeraldas
Ninguém entendia exatamente porque o ouriço negro oferecia aquilo, mas não parecia uma má idéia. O rosto de quatro ali se iluminaram, Blaze, Maria, Knuckles e Amy não conseguiam parar a nostalgia que os invadiam. Sua antiga terra, onde se conheceram e viveram os mais sofridos dias de suas vidas como humanos e ao mesmo tempo um dos mais felizes. Mas por mais que isso pudesse se tentado não entendiam porque Shadow oferecera essa proposta.
— E a que vem isso? – perguntou Silver em pé perto de sua parceira que continuava sonhadora, sua pequena filha estava sentada em seus ombros mirando toda a cena sem entender nada, apesar que a idéia de ir para outro lugar já a deixava bastante animada. Conhecer lugares novos, como seus pais sempre faziam. Não agüentava mais ficar apenas naquele castelo, queria saber como eram as coisas do lado de fora.
— Só pensei que merecíamos depois de tudo o que passamos. – respondeu o ouriço negro dando de ombros levemente, passando um braço pela cintura de sua parceira que ainda abraçava com força sua pequena filha e sonhava com sua antiga cidade. Quanto tempo fazia que não a visitava? Quanto tempo fazia que não via seus amigos? Será que sua mãe se lembrava dela? Provavelmente não, tinha dezessete anos quando fora transformada e tudo acontecera agora tinha vinte cinco, apesar de não parecer, e duvidara que nesses oito anos que se passaram ela notara sua falta. – Vão querer?
— Claro! – exclamaram alguns, mas Sonic e Silver ficaram um pouco pensativos, matutando e ponderando sobre aquela repentina escolha do parceiro. O conheciam muito bem para saber que ele tinha algo em mente para fazer algo desse tamanho de maneira tão inesperada, mas preferiam deixar para perguntar isso em outra hora.
— Vai querer vir Manic? – perguntou Shadow a seu irmão que o mirou com um pequeno sorriso triste. Quanto anos sonhara em deixar o castelo e se divertir? Quantos anos sonhara em deixar esses deveres que tinha para poder passar um tempo com sua família? Já até perdera as contas, mas sabia que isso era impossível.
— Desculpe. Tenho documentos a ver e assinar. Quem sabe da próxima. – Shadow, Sonic e Sonia miraram ele com pena. Sabiam como ele ansiava sair dos limites do castelo e não podia por causa de seus deveres. Logo ele se virou para a irmã, a mirando com um ar de permissão e cumplicidade. – Pode ir se quiser Sonia.
— Tenho problemas a resolver. – comentou segurando levemente o braço de Fiona que estava do seu lado. Seu desejo por liberdade podia ser grande, mas os instintos maternos eram maiores e tinha que resolver esse problema que Fiona a havia contado antes que ficasse algo pior, se é que já não estava ruim o bastante. – Se divirtam.
- Então somos só nós. – comentou Amy mirando cada um de seus amigos, principalmente os mais antigos, notando o ar de nostalgia que tinha em cada um. Poderiam agora mostrar sua antiga vida para seus filhos, falar como eram quando humanos, tudo o que fizeram para ficarem juntos... Seria como voltar no tempo. – E o que estamos esperando?!
Em poucos instantes cada um tinha tomado seu caminho. Apenas Sonic, Shadow e Silver tinham permanecido na sala olhando um para o outro, mergulhados em um silêncio um tanto tenso que se espalhava pouco a pouco. Sonic, sentado em um dos sofás, suspirou, encurvando seu corpo para frente e apoiando os cotovelos no joelho e logo depois mirando o irmão de uma maneira um tanto reprovativa. Silver fazia a mesma coisa só que menos intensamente que Sonic.
— O que tem em mente? – perguntou sem muitas explicações fazendo o ouriço negro suspirar e inclinar sua cabeça para trás, fazendo com que seu olhar ficasse voltado para o teto, onde via os detalhes brancos e creme que se destacavam no mesmo.
— Tenho um plano. Uma tese para falar a verdade. – falou fechando os olhos com força se censurando mentalmente, se amaldiçoando por dentro pela idéia que tinha tido. Colocaria sua própria filha em risco, mas precisava de respostas, não podia dar tiros no escuro e esperar que acertassem o alvo, tinham que ter informações concretas. Mas se prometia que não deixaria que nada passasse a sua pequena. – E para isso precisamos ir para longe...
Silver e Sonic se entreolharam procurando entender a informação que tinham tido. Porem nenhum dos dois tinham noção do que o ouriço negro falava. Tudo o que lhes restava fazer era esperar que ele soubesse o que fazia.
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Era um doce passeio noturno, apenas para acalmar os nervos. Essa noite tão tensa lhes faziam lembrar de quando tudo aconteceu e seus amigos desapareceram do mapa. Mesmo quando voltavam suas mentes para o momento, aquele dia onde eles disseram que iam seguir um caminho diferente não conseguiam compreender o porque daquilo. Eram tão felizes juntos e mesmo por causa do que ia acontecer depois eles não precisavam simplesmente desaparecer. Sentiam tantas saudades.
— Se passou muito tempo não foi? – sussurrou uma garota muito parecida com uma planta, tinha os cabelos verdes curtos, apesar de terem crescido com o tempo e agora chegarem a seus ombros e com duas flores na cabeça, uma de cada lado, os olhos azuis reluzentes, o corpo bem ressaltado de uma mulher de vinte e poucos anos usando uma roupa de frio que era composta por uma blusa verde de mangas cumpridas, uma calça negra de algodão bem acolchoada e botas negras. Seu ventre estava ligeiramente avantajado mostrando que devia estar em seu segundo mês de gestação ou um pouco mais.
Ela abraçava uma raposa mais ou menos da sua mesma faixa de idade, tinha o pelo loiro acastanhado, os olhos azuis reluzentes, um pouco alto e o corpo meio magricelo, mas se percebia se prestasse bastante atenção alguns músculos. Ele usava uma blusa negra de frio, uma calça jeans azul escura e tênis amarelos. Ele abraçava a garota que tinha do seu lado com cuidado, acariciando algumas vezes o ventre da garota, com tanto carinho que se revelava ser o pai do pequeno que ali crescia.
— Mais do que a esperança pode agüentar. – murmurou o garoto mirando o céu estrelado que tinha acima de sua cabeça. Haviam saído para tomar um ar fresco enquanto as memórias surgiam em suas mentes e os atormentavam. Saudades, por que isso tinha que existir? Sentir falta de uma pessoa era tão... Doloroso. Eram um grupo tão unido, e agora naquela praça onde normalmente costumavam ir para se divertir fazendo piqueniques não podiam evitar as lembranças. – Ainda acredita que eles vão voltar, ou pelo menos dar noticias?
— Não paro de acreditar. – sussurrou a garota enquanto caminhavam por aquela grama verde escura fofa e meio úmida. Sentia o vento frio chocar com seu corpo trazendo o doce cheiro da noite, mas que também parecia transmitir medo. De uns dias para cá as coisas no mundo pareciam estar virando de cabeça para baixo. Os sentimentos de medo que muitas pessoas sentiam levavam a varias loucuras, só o indicie de suicídios havia aumentado de uma maneira alarmante. Parecia até mesmo que o medo estava se espalhando pelo ar...
— Acha que eles estão bem mesmo com tudo isso que esta acontecendo no mundo? – perguntou o garoto um pouco preocupado segurando com mais força a cintura de sua companheira. Se lembrava, se não fosse por ela talvez estaria nessa faixa de suicídios. Caíra em uma depressão tão profunda que pensara que nunca iria conseguir sair, mas por causa dela conseguira superar e agora estavam ali, prestes a ganhar o primeiro filho.
— Espero que sim. – respondeu a garota vendo como uma pequena criança caminhava calmamente pela vasta grama que tinha no parque. Ela era bem pequena, não devia ter mais de oito anos, e mesmo assim caminhava sozinha sem temor por aquele parque banhado na noite. Ela olhava para todos os lados parecendo estar perdida e se sentara no chão parecendo ter desistido de procurar vai se saber o que, talvez seus pais ou algum parente.
O casal se entreolhou e se aproximou, não podendo deixar uma criança tão jovem sozinha naquele lugar. Enquanto se aproximavam, perceberam que era uma ouriça, negra como a noite, parecendo desaparecer nas sombras que a rodeavam, apesar que em seu cabelo tinham mechas loiras bem claras que apareciam um pouco borradas e logo desapareciam da mesma maneira. Ela respirava de maneira lenta e profunda, passando levemente os dedos pela grama debaixo de si e permanecendo com o rosto sério, mas ao mesmo tempo tranqüilo.
— Garota. – chamou fazendo a menina virar a cabeça para mirá-los sem se preocupar muito. Seus olhos, estranhamente, brilhavam na escuridão, sendo de um azul avermelhado ou vermelho azulado, uma cor tão diferente que espantou a ambos que a observavam. Por mais penetrante que fosse seu olhar era impossível não sentir um carinho incrível por aquela garota. Tão pequena e frágil... Parecia uma boneca. – O que faz a essa hora na rua? Alguma coisa podia acontecer com você.
— Não vai. A noite pode ser assustadora, mas só quando não se sabe por onde olhar. – respondeu a garota olhando para cima vendo as estrelas que tinha no céu. Os dois adultos que tinham ali pareciam impressionados com a sabedoria daquela fala, parecia ser bem mais velha do que sua aparência mostrava. – Eu não tenho medo da noite. Faço parte dela.
— Mas onde estão seus pais? – perguntou a raposa loira observando ainda impressionado a garota que estava sentada no chão. A garota deu de ombros agora ficando com um olhar um pouco tristonho.
— Me perdi deles quando estava vindo para cá. Tentei procurá-los, mas a cidade é muito grande e talvez se eu ficar parada eles me encontram. – falou ela se levantando levemente e mirando a seu redor com um pouco de esperança, tendo seu rosto voltado para um triste quando percebeu que não tinha ninguém que conhecia aparecendo entre as ruas perto da praça. – Mas pelo visto não os vou encontrar tão cedo.
— Se quiser poder ir para casa conosco. Tenho certeza que amanhã podemos encontrá-los se formos a policia. – a garota parou para pensar, não parecia estar com medo, era muito inocente para saber que isso podia ter sido outra coisa alem de apenas boa intenção como os dois adultos ali queriam, pelo menos era isso que os dois pensavam. Nem imaginavam que a garota podia ser mais forte do que aparentava.
Ela assentiu levemente e deu a mão para a mulher que tinha a sua frente caminhando com ela com ela para uma certa direção do parque. Foi só então que começaram a andar que uma fina voz, doce e preocupada, que ecoou por todo o lugar chamando a garota. A mesma se virou rapidamente e viu uma ouriça loira, pequena com aparência bem nova se aproximando correndo de onde estava. Os dois adultos que estava ali se entreolharam boquiabertos a ouriça loira carregar a pequena garota e a abraçar com força.
— Minha pequena, não sabe o quão preocupada eu fiquei! Nunca mais solte minha mãe quando estivermos vindo ok? – dizia a ouriça abraçando com força a pequena que se deixava abraçar com um extenso sorriso no rosto. – Seu pai e eu ficamos locos te procurando! Pensamos que algo tinha acontecido com você!
— Maria? – perguntaram os outros dois interrompendo a cena entre as duas garotas. A ouriça loira finalmente olhou para os outros dois que estavam presentes sorrindo extensamente ao ver seus antigos amigos, aqueles que a oito anos atrás estava a seu lado quando ainda era uma simples humana.
— Tails! Cosmo! Que coincidência encontrar vocês aqui! – disse aproximando dos dois ainda carregando sua pequena filha. Seu rosto estava iluminado com o encontro que teve com os dois, não esperava que tivesse essa surpresa, mas a estava adorando!
— E essa pequena ai é... – começou Cosmo sem acreditar, apontando para a ouriça negra que estava bem abraçada ao pescoço de sua amiga. Em sua mente memórias escondidas voltavam e ela conseguia ver nos olhos daquela pequena um ouriço negro de olhos vermelhos, com o rosto sério e frio. Não podia ser...
— Essa é minha filha, Yin. – disse com um grande sorriso no rosto e acariciando a cabeça da pequena ouriça que sorria levemente, mas olhava em volta parecendo procurar alguma coisa. – Meu pequeno tesouro... Logo vocês vão saber como é.
— Mas quem é o pai? – perguntou Tails corando um pouco com o que a velha amiga tinha falado. A mesma abriu a boca para responder quando alguém a chamou. O rosto da ouriça negra se iluminou enquanto em uma das ruas aparecia um ouriço negro, alto e bonito, com os olhos vermelhos como sangue e mechas vermelhas em seus espinhos.
— Conseguiu encontrá-la, Maria?! – perguntou ele, com a voz completamente preocupada. Quando ele viu as duas ouriças em perfeitas condições suspirou aliviado e se aproximou com um pequeno sorriso no rosto, carregando a ouriça negra com cuidado e a abraçando com carinho. – Quase nos mata de susto...
— Esse é o pai dela. Shadow, esses são meus velhos amigos, Tails e Cosmo. – falou apesar de já saber muito bem que Shadow os conhecia daquele dia que se transformou. Lembranças e mais lembranças, elas estavam espalhadas por todas aquelas ruas e não podia parar de pensar nelas. Maria se virou novamente para seus amigos. – Os outros vão adorar ver vocês de novo!
— Maria! – exclamaram vozes atrás deles. Maria logo se virou e acenou indicando o lugar onde estava. Quando todos chegaram os olhos dos outros três que faziam parte do grupo se arregalaram e imensos sorrisos apareceram em seus rostos. Era um reencontro inesperado, mas mesmo assim alegre.
- Wow! Todos juntos de novo! – exclamou Amy sorrindo abertamente enquanto seu filho se encontrava do lado de Sonic que mantinha um pouco de distancia para que assim nenhum dos pequenos revelasse o que eram enquanto o velho grupo de amigos conversavam. – Como vão as coisas?
— Nós é que devíamos perguntar isso a vocês. – rebateu Cosmo, não querendo ser mal educada, mas ainda estava surpresa com a repentina aparição. – Passaram oito anos sem que alguém saiba algo de vocês, e logo depois vocês aparecem sem mais nem menos e com filhos?
— É realmente muita coisa para colocar em dia. – comentou Knuckles passando a mão levemente pela nuca em sinal de nervosismo. Cosmo e Tails realmente deviam estar confusos, eles não devem ter mudado nada nesses últimos anos e de reapareciam com filhos. Não era algo muito fácil de se engolir de primeira.
— Que tal nos encontrarmos amanhã a noite para jantar e assim contar todas as novidades? – sugeriu Blaze com um pequeno sorriso. – Nos encontramos naquele velho restaurante que costumávamos ir e lá dizemos tudo o que esta acontecendo ok?
Todos pensaram um pouco e logo assentiram para tomar caminhos diferentes. Um reencontro logo de cara? Não podia se coincidência, só esperavam que isso não acontecesse com pessoas que eles realmente não queriam encontrar. Mas talvez não tinham com o que se preocupar, seus parentes provavelmente foram para lugares longe dali, não tinha como se encontraram.
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“Os indicies de suicídios estão apenas aumentando, médicos e psicólogos estão se unindo para achar a resposta desses atos tão chocantes. Até agora não conseguimos entender muito bem o que esta acontecendo com as pessoas para que façam isso, uma das hipóteses é que um novo vires se espalhou pelo ar liberando alguns hormônios no cérebro e que faz com que as pessoas tenham tais reações. Mas nada é confirmado ainda. Temos hoje aqui uma das pessoas que passou por uma forte depressão nesses tempos de crise e vai nos explicar o que cada um sente.”
Seus olhos não despregavam da TV. Os adultos conversavam a sua volta, Racer e os outros estavam do outro lado da mesa e não tinha coragem de ir até lá. Sorte que no restaurante que seus pais tinham marcado para encontrar com aqueles humanos tinha uma televisão se não talvez estivesse entediada. Nem mesmo prestava atenção no que os adultos falavam, seus olhos estavam fixos no monitor que tinha ali.
— Maria. – chamou Cosmo fazendo a ouriça loira virar a cabeça para mirá-la como se perguntasse com o olhar o que queria. Ela estava tomando um dos especiais que ofereciam no restaurante, era uma das coisas que quando pequenos adorariam saber o que era, mas sempre que tentavam pedir eles negavam. Agora quatro deles sabia exatamente o porque. Aquela era uma bebida especial, apenas para vampiros. Não precisava dizer mais nada para saber o que era. Tudo o que os garçons tinham que fazer era olhar nos olhos da pessoa e saber se ela era um vampiro ou um humano. – Sua filha é bem... Esperta. É uma gracinha, mas por que tão séria?
— Ela puxou ao pai em muitas coisas, mas mesmo assim é um doce quando quer. – comentou Maria sorrindo com um tom materno e virando o rosto para sua pequena que continuava a observar a televisão com interesse.
“Não sei exatamente o que aconteceu” dizia a pessoa entrevistada no noticiário. Seu rosto pálido parecia cansado com algumas olheiras embaixo e uma cara deprimida e arrependida. Yin observou cada detalhe, até mesmo os movimentos que fazia com as mãos. “Não tinha problemas com minha família, muito menos com amigos ou algo do tipo. Sei que no primeiro dia acordei com um pesar no peito, sentindo como se nada falece a pena. Com o passar do tempo, fiquei com um medo monumental, com se algo fosse acontecer. Parecia estar no ar aquele medo que sentia eu só não sabia do que era.”
Gaia deve causar essas reações nas pessoas, pensou a pequena. Tudo começou quando Gaia ameaçara voltar a Terra. Pensou um pouco, os instintos dos humanos não eram muito aguçados, mas mesmo assim conseguiam captar situações de riscos, apesar de serem ignorados na maior parte do tempo. Até mesmo os monstros estavam recuando procurando um lugar mais seguro, não era de si admirar que os humanos sentissem esse medo. Só não imaginara que ele iria atingi-los dessa maneira tão extrema.
— Yin. – congelou ao ouvir aquela voz. Se encolheu na cadeira não querendo levantar a cabeça para ver aquele ouriço que a chamava. Com que cara deveria encará-lo? Depois do que fizera, ou melhor, quase fizera, não conseguia nem se olhar no espelho, com ódio de si mesma. Imagina o que ele deveria sentir. Devia ter medo dela, devia estar pensando como aquele lobisomem pensava, que era um perigo. – Por favor, Yin pára de me ignorar.
— Não estou te ignorando, Racer. – falou com a voz quebrada escondendo o rosto em seu ouriço de pelúcia enquanto o abraçava com força. Não o estava ignorando, não exatamente. Só não sabia como deveria agir perto dele.
— Então olha para mim. – pediu ele, parecia ter ajoelhado do seu lado, mas não tinha coragem de tirar o rosto da cabeça do pequeno ouriço de pelúcia e olhar para o lado. Abraçou com mais força seu boneco e negou com a cabeça, ainda sentindo um nó em sua garganta. – Por favor, Yin, olha para de mim.
- Não posso. – murmurou com a voz quebrada e cheia de pesar. Olhá-lo? Como poderia depois do que tinha feito? Racer sempre acreditava nela, sempre estava do lado dela quando mais precisava e no final acabava quase bebendo do sangue dele? Era um monstro! A pior das criaturas!
— Pode, você pode sim. Eu sei porque esta assim, mas quero que saiba que não te culpo por nada, não estou com raiva de você, nem mesmo te acho estranha ou algo do tipo. – lentamente a garota virou a cabeça para o lado encarando pela primeira vez aqueles olhos verdes, fazendo o ouriço sorrir percebendo que tinha conseguido o que queria. – Nunca poderia ficar bravo com você. Agora vem, vamos nos juntar aos outros.
O ouriço azul segurou delicadamente a mão da pequena e logo a puxou para fora da cadeira que estava sentada a levando para onde os outros dois estavam. Enquanto isso os adultos conversavam animadamente, trocando informações sobre o que tinha passado nesses anos separados. O velho grupo de amigos tinha se sentado junto, e falavam sem parar sobre as novidades, apesar de alguns deles sempre esconderem um importante segredo.
— Então foi por causa disso que vocês foram embora? – perguntou Tails mirando a cada um e apontando discretamente para as quatro crianças sentadas ao lado, rindo e se divertindo como qualquer criança normal faria. Alguns ali coraram um pouco e ficaram nervosos de responder.
— Não exatamente. Eles nasceram algum tempo depois disso, mas não foi especificamente por isso. – respondeu Amy sorrindo meio sem graça enquanto abraçava de leve seu filho que estava sentado do seu lado. O mesmo reclamou um pouco, mas não fez nada para sair, podia muito bem conversar e ao mesmo tempo permanecer no abraço confortável de sua mãe.
— E como vão nossos... Vocês sabem. Eles ainda estão aqui? – perguntou Blaze um pouco insegura de falar exatamente a quem se referia, como se a simples menção pudesse fazê-los aparecer. Estavam indo bem por enquanto, não precisava que tudo fosse arruinado.
— Faz quatro anos que não sabemos nada deles. – respondeu Cosmo entendendo muito bem a quem eles se referiam. – Seu irmão, Blaze, te procurou por um tempo com a gangue dele. Culpou-nos por seu sumiço. – Blaze abaixou a cabeça, resmungando um “duvido que tenha sido por preocupação” – Sua mãe teve um novo filho Maria, nem parecia sentir sua falta. – Maria também abaixou a cabeça, sabia muito bem que isso aconteceria. – Realmente sinto muito por isso. E Amy, seus pais te procuraram por um tempo, mas logo na primeira semana não ligara mais para a busca e a mesma parou.
Era de se imaginar que isso fosse acontecer, todas as três pensaram. Não tinha outra coisa a se pensar de suas famílias, nunca foram unidas e nunca seriam, a única alegria que encontraram para substituir essa falta foi com seus amigos e agora com seus parceiros e sua nova família. Maria fechou os punhos com força e se levantou da mesa pedindo licença.
Seu parceiro a mirou preocupado, segurando levemente seu braço, que apenas escorregou de sua mão e permitiu que ela fosse, indo até sua pequena filha dando um ligeiro beijo em sua cabeça e logo indo até a porta de entrada do restaurante. Todos os adultos que estavam na mesa a miraram com tristeza, sabendo como ela devia estar sofrendo com aquele informação que tinha recebido. Maria sempre fora tão delicada e uma noticia dessa acabaria realmente com seu coração. Yin mirava o caminho por onde sua mãe tinha ido, logo se levantou e foi atrás dela, sem que alguém percebesse.
Do lado de fora a ouriça loira respirava fundo tentando conter as lagrimas que queriam escapar. Sua mãe tinha esquecido dela, como sempre temera que acontecesse, mas tentava pensar pelo lado positivo, tinha uma linda filha, um parceiro simplesmente incrível, amigos brilhantes e uma vida independente e cheia de emoções. Sorriu, realmente não tinha nada do que reclamar. O passado era passado e tinha que se concentrar no futuro.
— Ai esta você! – exclamou uma voz masculina que a fez estremecer. Se virou amedrontada para o lado e se encontrou com um ouriço vermelho, de olhos verdes reluzentes. Ele aparentava ter seus cinqüenta e poucos anos, se não seus sessenta. Nada mais nada menos o homem que roubara sua mãe, aquele que ao dar dinheiro a ela a afastou de si. Seu padrasto. – Oito anos sumida e simplesmente volta?! É uma cara de pau mesmo.
— Me deixa em paz. – murmurou com a voz fria recuando alguns passos. Logo deu as costas para o homem e começou a andar na direção do restaurante, mas o ouriço segurou seu pulso e a fez parar, olhando para trás com um tom de raiva. – Eu disse para me deixar em paz!!
— Não pensa que via escapar de novo! – falou ele em um tom ameaçador, enquanto Maria se continha para não cometer nenhuma loucura. Não podia chamar a atenção. Tinha um restaurante cheio de gente atrás de si e se matasse aquele homem ali agora revelaria sua verdadeira identidade e seria acusada de assassinato. – Tenho planos para você! Você vai voltar para casa e fazer algo de útil para sua família.
— Vocês não são mais minha família! – gritou a garota movendo bruscamente o braço e fazendo o homem a soltar. Como poderia ter quase chorado por algo tão estúpido como o que via a sua frente.
— Mãe? – olhou surpresa para trás vendo como Yin estava a poucos passos de onde estava, mirando a cena com confusão e abraçando com força seu pequeno ouriço de pelúcia. A pequena se aproximou e ficou do lado da mãe mirando o ouriço vermelho que tinha logo a frente. – Quem é ele?
— Ninguém. – respondeu Maria carregando a filha sem encarar o homem que tinha a frente. Seu cenho franzido indicava que não estava feliz com aquilo, então a única coisa que Yin fez foi abraçá-la pelo pescoço e se deixar levar por ela. Maria deu as costas para o homem e começou a andar de volta para o restaurante.
— Não me dê as costas mocinha. Ou já esqueceu do que aconteceu da ultima vez? – Maria parou no mesmo instante e tocou de leve uma ferida que tinha no pescoço, uma que escondida em sua blusa que passava quase pela nuca e descia até as costas, uma ferida que seu estado de vampira não pode curar. Yin arregalou os olhos percebendo que aquele homem tinha machucado sua mãe. Devia ser a tempos atrás pela cicatriz que se formara, mas mesmo assim... – É isso o que tem feito nesses anos? Se prostituindo e tendo filhos bastardos? Bem que tenho que admitir que ainda se encontra muito bonita.
— Minha mãe não faz nada disso! Quando meu pai souber que você falou isso ele vai acabar com você!! – gritou Yin se mexendo nos braços de sua mãe enquanto encarava o homem com raiva. Como ele ousava dizer aquilo? Como ele ousava chamar a sua mãe de prostituta?
— E quem é seu pai pirralha? – perguntou o homem sem acreditar mesmo que teria uma resposta concreta para isso. A garota abriu a boca para responder com mais um grito, mas no mesmo instante uma energia apareceu no local, uma muito bem conhecida. Olhou para trás e sorriu ao ver seu pai, com os olhos vermelhos cintilando na escuridão de maneira ameaçadora.
— Sou eu. – falou ele se aproximando e ficando do lado das duas. Maria o mirou enquanto ele passava o braço por sua cintura e continuava a mirar o homem de mais idade que devia ser apenas um pouco menor que ele. – É um prazer te conhecer, mas no momento temos que ir.
— E onde pensa que vai com minha filha? – perguntou o homem antes mesmo que Shadow pudesse dar um passo. O mesmo o mirou com os olhos penetrantes fazendo o homem recuar um passo.
— Pelo o que eu saiba ela não é sua filha. – rebateu o ouriço negro. No mesmo intenta seus amigos saiam do restaurante curiosos sem saber porque a demora para voltarem. Blaze não estava segura de sair, sabia que seu irmão tinha costumes de rondar as cidades que dizia que dominava e se caso ainda estivesse lá e passasse naquele instante...
Mordeu a língua ao ver um grupo de motos se aproximando. Se amaldiçoou mentalmente ao se dar conta que até mesmo o pensamento podia atrair o diabo. Deixou Mitsuki com Silver e afastou um passo tentando se esconder nas sombras, mas já era tarde, e seu irmão que estava em uma das motos apareceu descendo rapidamente da mesma e indo até ela com um enorme sorriso.
— Blaze! Maninha, finalmente te encontrei! – exclamou ele com um grande sorriso no rosto. Silver se colocou entre o garoto e sua parceira enquanto Mitsuki mirava a cena um pouco afastada sem entender o que estava acontecendo. O irmão da gata lilás era um gato roxo, com os olhos amarelos, não dourados igual aos da garota, e sendo um pouco mais alto que Silver. Ele o mirou com um tom de raiva, analisando o ouriço de cima a baixo. – E quem é você?
— Marido de Blaze. – disse ele com um tom sério, dando ênfase em “marido”. Tecnicamente não ouvi um casamento formal, mas para um vampiro ser um parceiro do outro era mais que um casamento. Estariam unidos por uma eternidade e isso devia valer como um casamento humano.
— Desculpe amigo, mas minha irmã não casaria com um garoto como você. – disse o gato roxo divertido, mas logo viu como a pequena ouriça prateada se aproximava de sua irmã que a abraçava de maneira protetora. Seu rosto logo perdeu o sorriso, as semelhanças daquela ouriça com o que estava na sua frente e ao mesmo tempo com sua irmã eram grandes. Olhou para o garoto que tinha na frente com fúria. – Ninguém encosta na minha irmã. Pode se considerar morto cara.
O gato roxo levou um punho na direção do rosto de Silver, que apenas segurou o punho dele com um pouco de força e o apertou, não chegando a usar toda sua força, mas mesmo assim conseguindo fazer o garoto sentir muita dor, chegando ao ponto de ajoelhar no chão. Em poucos instantes a mão do garoto quebrara e o mesmo soltara um grito de dor.
— Pois se contente com isso assim. – falou Silver se afastando do garoto e levando Blaze e sua filha junto, não tinha mais porque ficarem ali. Shadow já tinha se afastado com Maria e Yin, agora eles faziam o mesmo. O garoto mirou sua irmã que estava de costas para ele, seus olhos estavam cheios de lagrimas pela dor, mas mesmo assim fora capas de chamá-la.
— Blaze... – sussurrou como se naquele chamado já mostrasse o pedido para ela ficar do lado dele. A mesma se virou com um olhar frio e tétrico.
— Você nunca foi meu irmão, pensa que fez um bom papel? Pois pense bem no que você queria que eu virasse. – disse em resposta e logo voltou a andar, desaparecendo na escuridão da noite com sua família.
Rouge, Knuckles e Ramon tomaram o mesmo caminho, Amy, Racer e Sonic também fariam isso quando uma voz chamou a atenção da garota. A mesma estremeceu, pedindo a deus que não fosse quem pensasse que fosse. Olhou para a porta do restaurante e viu duas pessoas, uma ouriça rosa de mais ou menos vinte e poucos anos e um ouriço roxo de uns cinqüenta e poucos. Tentou forçar um sorriso, mas por mais que tentasse não conseguia.
— Amy, minha querida! – exclamou a mulher com um tom de felicidade, mas Amy podia notar que era falso, que por trás daquilo tinha um interesse de dinheiro. Abraçou com força o braço de Sonic que a mirou um pouco sério. – Ficamos tão preocupados com você! Olha como esta bonita, nem parece que o tempo passou para você! Vamos achar vários pretendentes para você.
— Já tenho minha família mãe. – falou em um tom baixo, mas audível. Deixou de abraçar a Sonic e passou os braços envolta de Racer que se colocara a sua frente mirando os dois adultos a sua frente com um olhar censurado. Sua mãe não ficaria com mais ninguém alem de seu pai, isso era certo. – Já tenho até um filho.
— Tenho certeza que isso foi apenas acidental. – Amy pode sentir como seu pequeno filho se estremecia, pensar que seu nascimento fora acidente isso era de mais para qualquer criança. Amy o abraçou com força enquanto Sonia passava um braço envolta dos dois, fazendo o garoto ficar mais tranqüilo. Não foi um acidente. – Vamos arrumar alguém melhor.
— Eles são os melhores. – respondeu a garota enquanto Sonic a puxava levemente para que saíssem de lá, sussurrando um leve “vamos”.
— Amy! Não deixaria sua família, deixaria? – perguntou o pai da garota apontado para ele e para a mulher a seu lado enquanto a garota os dava as costas lentamente.
— Não, mas vocês não são mais minha família. Talvez até nunca foram. – respondeu a garota. Para logo também desaparecer na escuridão com seus parceiro e seu filho. Esse era um dia que nunca queria que acontecesse.
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O amanhecer já tinha raiado e agora estavam no apartamento que tinham alugado para passar o tempo na cidade. Sua mãe se encontrava muito calada penteando seus cabelos com cuidado. Sabia que ela estava triste pelo o que tinha acontecido todos os três preferiam o silencio a falar sobre o assunto. Seu pai estava sentado no sofá olhando para o nada, o pé direito encima do joelho esquerdo, os braços atrás da cabeça e o corpo completamente jogado no sofá. Ele apenas usava uma calça jeans. Sua mãe estava sentada de pernas cruzadas atrás de si, ela usava um delicado vestido azul, os cabelos loiros escorregando por suas costas e indo até o quadril, esparramando as pontas levemente pela cama. Novamente tinha a impressão que ela não fazia parte desse mundo da noite. Usava um pequeno vestido negro, ficara descalça para ficar mais cômoda e caminhar tranquilamente pelo quarto.
Em um momento sua mãe parou de pentear seus cabelos e logo ouviu como ela suspirava. Deixou seu corpo cair para trás, deitando sua cabeça no colo de sua mãe que lhe sorriu e acariciou sua cabeça com delicadeza. Fechou os olhos tentando aproveitar, em sua mente as palavras daquele homem que encontrara. Ele chamara sua mãe de puta, como poderia fazer isso? Ele a machucara quando ainda era humana, ele a fizera sofrer... Abriu os olhos e se encontrou com os dois olhos azuis de sua mãe a mirando com um deixe de tristeza.
— O que aquele homem te fez mãe? – perguntou preocupada e curiosa. Sabia que não devia fazer isso, mas talvez, se ela desabafasse, se sentiria bem melhor. A mesma a mirou com mais tristeza ainda e com nostalgia, revivendo em sua cabeça tudo o que passara.
— Quando tinha seis anos o respondi mal, falando que ele nunca seria meu pai de verdade, gritando que não era uma bastarda. – falou sua mãe. Ouviu seu pai ranger os dentes, com tanta força que pensou que iria quebrar os mesmos. Além de a chamar de puta ainda a chamava de bastarda? Que tipo de homem era aquele. – Dei as costas para ele para sair correndo, mas ele foi mais rápido e me derrubou no chão, tirando o sinto que usava e o batendo em mim. A fivela do sinto cortou minhas costas, fazendo esse ferimento. Nunca mais respondi ninguém depois disso, até agora pelo menos.
— Aquele homem te machucou muito. – murmurou Yin se virando e abraçando sua mãe pela cintura, escondendo seu pequeno rostinho no ventre da mesma que a acariciou pela cabeça.
— É... Mas isso ficou no passado e hoje não me importo mais e sabe por que? – Yin negou com a cabeça, levantando a mesma para mirar sua mãe diretamente nos olhos. A mesma sorriu e lhe deu um beijo na testa com carinho. – Porque tenho você e seu pai. Tenho a todos nossos amigos e sou feliz com isso. Não importa o que aconteceu no passado o importante é o que acontece agora. Agora vou tomar um banho e você vai descansar.
Maria se levantou da cama deixando Yin sentada na mesma e foi até o banheiro se fechando no mesmo. Yin ficou alguns minutos apenas olhando a porta do banheiro que sua mãe tinha entrado e logo depois pulou da cama, caminhando calmamente até seu pai sentando do lado do mesmo. Tinha uma questão em sua mente que não conseguia deixar de lado.
— Pai. – chamou fazendo o mesmo a mirar ligeiramente e logo se ajeitar no sofá mostrando que estava prestando atenção no que ela dizia. – Quando eu te mordi lá no castelo, por que nada aconteceu com você? Pela lógica era para eu ter te matado com aquilo.
— Abre a boca. – pediu ele de repente. Ainda confusa a garota fez o que ele mandou e seu pai encostou levemente em seus caninos furando ligeiramente o dedo. Logo tirou a mão de perto da boca da garota que a fechou o mirando um pouco confusa. – Pelo o que parece seu veneno foi anulado quando selei aquela coisa no seu primeiro treino. Por isso você não me matou.
A garota assentiu com a cabeça, mostrando que entendia o que ele falava. Ela se ajeitou perto dele e fechou os olhos permitindo que a segurança que sentia perto de seu pai a fizesse entrar em um estase e logo depois embarcar naquele estranho sonho que tinha. Shadow acariciava sua cabeça com delicadeza, vendo sua pequena adormecer bem encolhida do seu lado. Sorriu com suavidade paternal e logo a carregou com cuidado a levando para a cama, a acomodando na mesma tampando seu pequeno corpo com as cobertas.
Mesmo que todos dissessem que ela se parecia com ele, sempre a via como a mãe. Delicada, carinhosa, como um pequeno anjinho. Acariciou o rosto dela distraidamente se amaldiçoando por ter condenado sua pequena com essa existência de luta em que sempre tinha que controlar a si mesmo. Ela e Maria mereciam mais do que ele poderia dar, mas era tão egoísta que as prendera como seu tesouro. Como se desprezava.
— Ela te ama. – sussurrou uma voz atrás de si enquanto passavam os pequenos braços por sua cintura. Suspirou levemente sentindo como o pequeno corpo de Maria se colava com o seu. As duas eram tão pequenas e frágeis, sempre fazendo a todos quererem protegê-las. – Ela não iria querer outro pai, você sabe disso.
— As vezes penso que você lê mentes. – sussurrou ele divertido passando levemente a mão sobre a dela, entrelaçando seus dedos com cuidado. Ouviu como a garota ria e logo ela o fez girar, ficando na ponta dos pés e levando uma mão até sua nuca, o puxando para baixo e dando um ligeiro beijo em seus lábios.
— Vamos descansar. – sussurrou ela o puxando pela mão até o sofá. Decidiram deixar a pequena dormir com tranqüilidade enquanto eles aproveitavam um momento juntos.
Maria deitou no sofá e logo deitou Shadow do seu lado, colocando a cabeça dele em seu peito e lhe acariciando a mesma com carinho. Ele levantou a cabeça e levou uma mão até o rosto da garota o acariciando e o puxando para baixo permitindo que beijasse com amor aqueles lábios tão doces. Em poucos instantes ambos relaxaram no sofá, abraçados um no outro, enquanto a pequena dormia na cama.
As horas se passaram como flechas, chegando a noite mais rápido do que esperavam. O ouriço negro logo abriu os olhos e olhou para cima, se deparando com o mar azul que eram os olhos de sua parceira. A mesma sorriu e deu um ligeiro beijo em sua testa. Com um pequeno sorriso ele se levantou, espreguiçando o corpo e se sentando no sofá. A ouriça loira também se levantou, fazendo o leve vestido branco que usava se encurtar um pouco mais.
Ela se levantou do sofá e foi até a janela que tinha na parede que o lado da cama em que sua pequena dormia estava encostado. Abriu as cortinas revelando o céu azul escuro, com poucas estrelas por causa da iluminação da cidade grande e logo se sentou no marco da janela, observando a pequena ainda dormindo, o que era um milagre, ela normalmente despertava até mesmo antes do sol de por.
— Onde iremos hoje? – perguntou o ouriço negro mirando sua parceira que era ligeiramente iluminada pela luz da lua cheia que tinha do lado de fora. A ouriça deu de ombros com um doce sorriso no rosto.
— Tem tantos lugares que quero mostrar a ela. – disse quase em um sussurro passando em sua mente os lugares que mais gostava naquela cidade quando ainda era humana. – Acho que nem vai dar para ver tudo...
O garoto abriu a boca para responder quando de repente a porta se abriu em um estrondo e a luz foi ligada. Em um salto Maria tampara Yin com as grossas cobertas e se colocara encima dela a protegendo da luz da lâmpada no quarto. Yin despertou nesse mesmo instante e se desesperara com a reação de sua mãe, queria saber o que estava acontecendo, queria ajudar. Ouviu coisas se quebrando, um gemido de dor abafado que supôs ser de seu pai e logo sentiu como o peso encima de si diminuía. Desesperada pelos dois últimos tirando a coberta de cima de seu corpo no mesmo instante que a luz era apagada.
Seus olhos se arregalaram com a cena que viu, sua mãe estava exausta, a única coisa que conseguia fazer era um escudo a sua volta, só que bem pequeno e fraco. Ela estava sendo segurada por um lobisomem, que apertava seu pescoço com força, seu vestido antes branco agora estava quase completamente vermelho pela ferida que tinha no ombro direito, seu pai estava de pé, cansado, mas ainda lutando contra os outros dois lobisomens que tinha no lugar. Ele ainda não estava machucado, o que agradecia, mas custava a desviar dos golpes dos lobisomens e mal tinha tempo para dar um contra ataque. Estava fraco de mais para que suas sombras tivessem alguma força, a luz o debilitara e era quase como se estivesse indefeso.
Ouviu um grito de sua mãe que agora teve o lado direito de seu rosto cortado pelas garras do lobisomem que a segurava. Por causa do grito, seu pai se distraíra, recebendo um forte golpe no estomago, mas não fora um murro. As unhas do lobisomem perfuraram seu estomago fazendo a mão do mesmo atravessa o corpo de sue pai. As lagrimas apareceram em seu rosto enquanto via como o corpo dele ficava mole e os olhos permaneciam arregalados. Com um bruto movimento o lobisomem lançou seu pai até a parede que tinha ao pé de sua cama estremecendo a mesma que por sorte não se quebrara. Se levantou jogando as cobertas para o lado.
— Não saia desse escudo Yin!! – gritou seu pai, mas não deu ouvidos. Saltou para fora daquela proteção azulada e foi para o lado dele, vendo o enorme buraco que tinha se formado e estava debaixo de uma das mãos do mesmo. Podia ver o sangue escorrendo pelo corpo dele enquanto a ferida se fechava com tanta lentidão que parecia que ele perderia todo o sangue primeiro. Deu um passo, mas sentiu algo molhado debaixo de seus pés a obrigando olhar para baixo. Seus pequenos olhos se arregalaram e algumas lagrimas escaparam dos mesmos, debaixo de seus pés estava uma poça vermelha que reconheceu como sangue, o sangue de seu pai... – Saia daqui Yin...
A garota negou com a cabeça e deu um passo na direção onde estava seu pai, mas logo um lobisomem tomou sua frente o pegou pelo pescoço. Ele chegara de uma maneira tão brusca que derrubara a pequena ouriça no chão, fazendo com que suas mãos e suas pernas ficassem manchadas daquele liquido vermelho. Olhou para o lado que o lobisomem estava segurando seu pai vendo como mais sangue escorria só que dessa vez do pescoço dele. Ouviu um golpe seco, como se algum trapo tivesse sido jogado no chão, desviou o olhar de seu pai só para ver como sua mãe estava jogada no chão de qualquer jeito, com o lobisomem colocando uma perna em suas costas e a apertando contra o chão. Podia ouvir as costelas dela se quebrando com a forte pressão que estava sendo colocada em suas costas.
— M-maria... – ouviu seu pai sussurrar para logo soltar um gemido abafado. Pode ouvir a pele dele se desgarrando, seus sentidos estavam mais aguçados do que nunca nesse instante por alguma razão e por esse motivo ouvia os músculos do pescoço de seu pai se contraindo com força e logo a carne sendo perfurada e cortada ameaçando se desgarrar completamente.
As lágrimas escorreram. O que poderia fazer contra três lobisomens? Como poderia salvar seus pais? Os perderia? Pensou em gritar por ajuda, para ver se seu tio ou seus amigos ouviam, mas logo ouviu gritos ecoando pelo prédio e soube que eles não estavam em melhores condições. Não tinha como ajudar, não tinha como ninguém vir salvá-los. Se sentia uma inútil, queria ser mais forte para poder fazer alguma coisa, mas por mais que tentasse se convencer que realmente era forte sabia muito bem que não seria capaz de enfrentar seus agressores. Fechou os olhos com força enquanto as lagrimas percorriam seu rosto rapidamente.
Tio Mephiles! Gritou desesperada em pensamentos, sem realmente acreditar que aquilo adiantaria alguma coisa. De repente ouviu como um vidro se quebrava a fazendo abrir os olhos no mesmo instante que um vulto passava pela janela, acabando de quebrar o vidro por completo e logo se dirigia na direção do agressor de seu pai, separando os dois rapidamente fazendo seu pai cair sem forças e completamente ensangüentado no chão. Engatinhou até ele e tocou de leve suas costas, já que ele tinha caído de barriga para baixo no chão.
Ele não respirava, mas sabia que estava vivo pelo movimento de seus olhos que iam direto para a frente. Curiosa olhou na mesma direção se deparando com um ouriço muito parecido com seu pai só que os olhos reluzentes na escuridão eram verde reluzente e as raias em seus espinhos eram de um verde acinzentado. Sua respiração falhou ao ver o olhar do ouriço não podendo acreditar que ele realmente tinha vindo.
Mephiles a havia mirado por uma questão de segundos, mas não precisou de mais nada para ver que a parte pura estava no controle do corpo nesse instante. O mesmo mirou o lobisomem que tinha parado perto de sua mãe e em poucos segundos já estava mandando o mesmo para fora do quarto, quebrando a porta no caminho. Sem perder tempo ele lançou o ultimo que restava pela janela do quarto, deixando tudo com uma aparência um tanto tranqüila.
— Tio... – sussurrou, mas logo ouviu um gemido abafado perto de onde estava. Olhou para seu pai, suas feridas estavam se curando de uma maneira muito lenta, mas pelo menos estavam quase fechadas. Só imaginava como poderia tirá-los de lá.
Foi só nesse instante que percebeu um ligeiro brilho avermelhado nas coisas de seu pai dentro do armário quase completamente destruído. Não podia acreditar que seu pai tinha levado uma esmeralda caos para essa cidade, mas isso não importava nesse instante. A pegou rapidamente e voltou para onde eles estavam, colocando a esmeralda entre eles e logo fechando os olhos, se concentrando para canalizar a energia caos.
Não demorou muito para que os dois sumissem, tele-transportados pela energia caos. Mas ela não fora com eles, tinha um assunto a tratar com seu tio. Olhou para ele, mas agora vira como parecia estar sentindo dor. Sabia que ele estava perdendo o controle, por alguma razão conseguia sentir isso, e não tinha tempo a perder. Abriu a boca para começar a falar quando ele a interrompeu.
— Corre. – pediu ele com a voz quebrado se jogando para perto da parede enquanto sua respiração ficava agitada. – Eu não conseguir me controlar por muito tempo. Corra antes que seja tarde de mais.
Hesitou, tinha muitas coisas a perguntar, mas sabia como era difícil controlar esse lado e se caso perdessem a situação seria desastrosa. Se levantou e correu para fora do quarto ouvindo logo em seguida um uivo forte e esganiçado. Mordeu o lábio, sentia que podia ter ajudado a acabar com aquela coisa que ele lutava, mas ainda tinha que saber o como. Correu um pouco mais rápido fechando os olhos e fechando as mãos em punhos bem apertados. Por que não podia desvendar de uma vez esses mistérios que tinha por trás de seus poderes?
De repente o prédio sacudiu, com tanta força que parecia até mesmo estar acontecendo um terremoto. Pela surpresa, perdeu o equilíbrio, primeiro cambaleou para os lados e logo depois foi jogada para dentro de um quarto completamente destroçado acertando um amontoado de roupas e restos de madeira que devia ser um guarda-roupa no passado. Desorientada e ainda com o prédio balançado saiu de debaixo das roupas que tinha em volta de seu corpo e olhou para frente se encontrando com Mitsuki se segurando com firmeza na parede que era a única coisa que não era lançada de um lado para o outro.
— Mitsuki, onde estão os outros?! – perguntou fazendo sua voz passar dos barulhos que o prédio fazia. A ouriça prateada olhou para sua amiga pela primeira vez e Yin pode ver alguns machucados em seu rosto, todos eles arranhados do que parecia ser garras ou dentes bem afiados que passaram raspando por seu rosto.
— Não sei nada de Racer e Ramon, mas meus pais acabaram sendo lançados para fora do prédio por alguns lobisomens que invadiram nosso quarto! – respondeu a garota se segurando com mais força a parede. De repente o prédio deu uma forte sacudida e Yin, como não estava segurando em nada, fora lançada para perto da janela, não sendo jogada para fora, porque se segurara no marco dela antes disso.
Ao olhar para a parte de baixo do prédio, bem onde estava a rua, tomou um susto ao ver centenas de Dark Chaos espalhados para todos os lados, se reunindo ao redor do prédio enquanto pareciam animar a um que estava dentro, derrubando a tudo o que via pela frente, todas as sustentações que seguravam aquela enorme construção. Um arrepio passou pelo corpo da ouriça negra que logo arfou ao pensar no desastre que seria se permanecessem ali.
— Temos que sair logo daqui... – murmurou para logo se virar para sua amiga. – Mitsuki, venha para cá, vamos ter que pular pela janela! – gritou enquanto erguia a mão na direção da ouriça prateada que assentiu levemente. Cambaleante por causa dos tremores caminhou até onde estava sua amiga, tropeçando no ultimo passo e caindo do lado da ouriça negra que segurou sua mão antes que pudesse ser lançada para fora. Se colocaram perto da beirada da janela e tentaram evitar olhar para baixo se concentrando apenas em se preparar para saltar. – No três pulamos juntas.
A ouriça prateada assentiu e a contagem começou. Mas não havia mais tempo, enquanto ainda estavam no dois o prédio estremeceu com mais força e blocos de concreto puro caíram do teto na direção de ambas. Como reflexo Yin empurrou Mitsuki para fora, sendo que a mesma por sorte passou por cima dos Dark Chaos e caíra um pouco atrás dos mesmos. Yin acabou sendo atingida pelo concreto, ficando soterrada da cintura para baixo por um pedaço enorme do teto.
Gemeu de dor ao sentir suas pernas sendo esmagadas por aquela pedra enorme. Sorte que era uma vampira e seus ossos se recompunham se não nunca mais poderia andar. Respirou fundo e tentou tirar a pedra de cima de si, por sorte ainda tinha forças apesar da dor e o concreto de movia lentamente. Pensara que não iria conseguir até ser soterrada por mais pedaços de concreto, mas antes que pudesse soltar se quer um grito de ajuda o peso daquela enorme placa desapareceu de cima de seu corpo e logo era carrega.
Abriu ligeiramente os olhos só para ver como dois olhos verdes reluzentes miravam atentamente o corredor que agora se encontrava a sua frente, para logo mudar para escadas, descendo com velocidade cada andar que tinha no prédio. Em poucos instantes se encontravam do lado de fora, em uma brecha entre o prédio que agora se desmoronava e o que tinha construído a seu lado. Com cuidado fora colocada no chão, as pernas ainda lhe doíam, mas sentia como se pouco a pouco fossem se recompondo. Olhou para seu tio que estava a poucos metros a sua frente, recuando lentamente.
— É você mesmo Tio Mephiles? – perguntou tentando se levantar, mas suas pernas latejaram de dor e logo voltara para o lugar arfando algumas vezes. Olhou para o ouriço e ele parecia hesitar, abrindo a boca algumas vezes, mas sem que nada saísse dela. Percebeu que ele ainda lutava contra o controle de Gaia e provavelmente não duraria muito. – Como posso te ajudar? Como posso enfraquecer a Gaia?
— Sua mente... ligação... Dark Chaos... – ele disse as palavras separadamente, com muito esforço, mas Yin não entendera, não sabia como cada coisa se ligava. Sua mente tinha uma ligação com os Dark Chaos? Seria isso? Mas não teve tempo de perguntar em voz alta. Logo a voz de seu pai ecoara pelo lugar fazendo seu tio ficar tenso. Em poucos instantes ele desaparecera deixando a garota sozinha no escuro.
— Yin! – seu pai aparecera na entrada do beco que se encontrava, ele ainda parecia cansado, o corpo completamente sujo de sangue, mas mesmo assim com as feridas fechadas. A preocupação estava estampada em seu olhar, brilhando na escuridão enquanto se aproximava rapidamente. Ele a abraçou com força e logo tudo desapareceu, as lágrimas voltara a escorrer por seu rosto enquanto a felicidade por ele ainda estar vivo preenchia seu peito. – Vamos embora.
Tudo o que pode fazer foi assentir e se deixar ser carregada. O medo que tinha sentido hoje, não queria sentir nunca mais...
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Provavelmente todos ali podiam ouvir como Manic trincava os dentes de fúria. Todos ali bebiam com desespero, recuperando as energias do inesperado ataque dos lobisomens. Por alguma razão os Dark Chaos que tinham lá não ligaram para eles, na verdade se concentraram mais nos lobisomens, matando-os tão rapidamente e de uma maneira tão selvagem... Pareciam ter ficado com uma fúria imensa.
— Mas por que os lobisomens atacaram vocês? – perguntou Sonia aparentando estar calma, mas seus punhos fechados e até mesmo escorrendo um pouco de sangue pela força que colocava mostrava o quão irritada estava. Todos deram de ombros sem saber o que responder, menos Shadow.
— Dairos perdeu a cabeça. De alguma maneira ele soube sobre o que Yin de acordo com ele ela é um perigo. – respondeu com a cabeça baixa. – Ele tentara atacar ela antes de irmos para aquela cidade. Ele veio aqui e se não a tivesse encontrado provavelmente a teria matado.
— Vou matar esse miserável... – murmurou Manic em um grunhido. Já tinha aturado muita coisa de Dairos, mas essa foi a gota D’água. Convocaria uma reunião e acabaria com ele nela mesma, não se importava mais em entrar em guerra, ele mesmo acabaria com todos os lobisomens se precisasse.
— A culpa foi minha. Queria ver o que Mephiles queria com Yin. – sussurrou o ouriço negro abaixando a cabeça. Maria se levantou rapidamente e o mirou surpresa, não podendo acreditar no que ele tinha feito.
— Você sabia que ele iria atrás dela?! – gritou indignada mirando seu parceiro de maneira reprovativa. Seu parceiro abaixou a cabeça, completamente arrependido. – Como pode fazer isso com sua própria filha?!
— Eu não queria que ela se machucasse! Ficaria do lado dela até ele aparecer! Não sabia que seriamos atacados por lobisomens!! – respondeu sem poder encarar sua parceira. Sabia que tinha sido errado o que tinha feito, mas precisava saber o verdadeiro motivo que Mephiles procurava sua filha. Assim poderia ajudar a ambos e não perder ninguém.
— O problema não é esse Shadow! Yin não esta acostumada a ver as pessoas que ama se machucando! – gritou Maria ainda desconcertada. – Você viu como ela ficou quando os lobisomens chegaram!
— Derrotei Mephiles uma vez, poderia fazer de novo! – gritou Shadow de volta, se sentindo um pouco insultado por ter sido subestimado por sua própria parceira.
— Mas quanto você se machucou para isso Shadow! Pelo o que eu me lembre não foi pouco! – reclamou Maria. Ambos se encararam, nem mesmo eles imaginavam que um dia poderia brigar dessa maneira e agradeciam por Yin não estar ali para vê-los dessa maneira. O lugar ficou em um silencio fúnebre enquanto os dois ouriços se encaravam.
— Mephiles apareceu? – perguntou Manic revelando a pergunta que todos tinham na cabeça. Shadow desviou o olhar de sua parceira e voltou a ver o irmão.
— Apareceu enquanto os lobisomens nos atacavam. Por alguma razão ele nos ajudou, salvando minha vida e a de Maria. – murmurou o ouriço negro. – Mas o mais estranho é que ele salvou a Yin. Quando o prédio estava desabando foi ele que a tirou de lá.
Notas finais
°Posso one-chan??° *fique a vontade ^^* °Até o proximo cap ^^° Essa fala é minha x.x + T-T
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