Guerreiros das Esmeraldas

10 Memórias de um passado distante.


Notas iniciais
UHU!! Acabei essa cap, nem acredito *-*. To tão feliz que acho que sou capas de quebrar meu comp... To zuando, não faria isso naum. Mas mesmo assim to muito feliz *o pior é que ela ta feliz mesmo que acabou de descobrir que perdeu um vilão* não vou mais poder colocar o Mephiles como vilão em minhas fics T-T. Não conseguiria... °depois do que você escreveu duvido que alguém que lesse conseguiria° e ele ficou tão bem como irmão do Shadow *-*. Mas agora sem mais falatoria, vamos passar a todos o tão esperado Cap Dez: Memórias de um passado distante!

Roda o filme *Ninguém merece...* °alguém me mata porque isso é pagar mico de mais!°

Guerreiros das Esmeraldas

A noite caia naquele lugar tão devastado. Casas destruídas, o chão completamente queimado perdendo completamente aquele belo brilho verde que antes possuía, as árvores tinham desaparecido, corpos jaziam no chão seja de animais ou de humanos, tudo estava um caos. Mas mesmo assim dois seres pequenos corriam a uma velocidade impressionante por essa paisagem, seus passos silenciosos mal eram ouvidos pelo vento que ali soprava de uma maneira tão monótona. Tudo o que se passava por ali eram dois vultos, que de tão rápidos mal se destacavam na escuridão.

Em poucos instantes esses vultos passaram de uma paisagem completamente devastada para uma bela campina, com uma grama fresca e viscosa, a grama baixa era ligeiramente amassada pelos pés tão suaves dos seres que por ali passavam e agora que a lua cheia os iluminava, com a única luz que não os machucava ou debilitava, podia ver dois ouriços muito parecidos, com aparentemente a mesma idade. Ambos com enormes sorrisos no rosto e correndo lado a lado enquanto carregavam nas costas duas mochilas um pouco grandes demais para seu tamanho, mas eles não pareciam ter problemas com isso.

— Eu vou ganhar! – exclamou um deles apressando um pouco mais o passo e passando na frente do outro ouriço que riu divertido. Uma pequena brincadeira entre dois garotos. Não pareciam ter mais de oito anos, apesar de sua idade verdadeira ser bem menos. Todos os dois ouriços eram negros, mas um tinha raias vermelhas em seus espinhos e os olhos vermelhos reluzentes enquanto o que estava a sua frente tinha raias verdes acinzentadas e olhos verdes reluzentes. – Vamos Shadow corre!

O pequeno de olhos vermelhos apressou o passo ficando de igual para igual com o outro de olhos verdes, talvez até sendo mais rápido ainda. Ambos se aproximavam de uma pequena casinha de madeira que tinha a poucos metros a frente. Mas quando estavam quase chegando a ela um deles tropeçou, não se soube dizer qual deles, mas ambos se embolaram um no outro rolando juntos até a porta da pequena casa fazendo a mesma se abrir em um pequeno estrondo e os dois pequenos ouriços se chocarem com a parede do outro lado ainda rindo sem parar.

O de olhos verdes tinha parado sentado de costas para a parede, enquanto o de olhos vermelhos acabou ficando com as costas no chão e as pernas na parede. Os dois riam sem parar mostrando seus caninos afiados e pontiagudos um pouco sujos de sangue. Uma ouriça preta esverdeada com os olhos azuis cheios de um brilho de carinho maternal. Ela usava um delicado vestido verde que se encaixava bem em seu corpo, mostrando o ventre avantajado que tinha, provavelmente com um bebê em seu nono mês de gestação.

- Eu ganhei! – exclamou o ouriço negro de olhos verdes rindo sem parar e se levantando tirando a mochila que tinha nas costas e a deixando perto da pequena e simples mesa de madeira que tinha no centro da casa, um dos poucos moveis que tinha na mesma. Seus risos ainda eram um pouco evidentes no meio do silencio da noite sendo acompanhado pelo riso do outro ouriço e o trepidar de um fogo que tinha a luz de suas chamas tampadas pelo o que parecia ser uma esfera negra que o rodeava, mas o mantinha aceso.

— Claro que não! Quem ganhou foi eu!! – exclamou o outro ouriço também rindo, fazendo a mesa coisa que seu parceiro de corrida tinha feito. Deixou a bolsa encima da mesa e a abriu, revelando um pequeno veado recém caçado. Era pequeno, tinha o pelo curto castanho claro, os chifres nem tinham aparecido em sua cabeça e seus olhos opacos mostravam que estava morto. O pescoço dobrado mostrando que tinha sido quebrado, não havia sangue, tinha sido um trabalho bem feito e com as próprias mãos. O pequeno não devia ter um ano, mas mesmo assim precisavam dele para viver.

Enquanto continuavam a discutir o ouriço de olhos verdes também abriu a bolsa que tinha trago e lá tinha mais um veado, talvez um pouco maior que o outro, mas de uma maneira insignificante. Os olhos também opacos e o pescoço contorcido mostravam que também estava morto, não tendo chegado a seu primeiro ano de vida. Os dois tiraram os veados de dentro das bolsas colocando-os nos ombros e os aproximando do fogo que ainda trepidava com força.

— Os dois são ganhadores. – disse a ouriça adulta enquanto os garotos colocavam os veados no chão. Ela os abraçou com força e deu um beijo na testa de cada um dos ouriços fazendo os mesmos sorrirem levemente. – Meus ganhadores. Agora me ajudem a colocar esses veados que vocês caçaram para assar.

— Claro mãe! – exclamaram os dois para logo começarem a fazer o trabalho duro para que assim sua mãe não precisasse fazer muito esforço em seu estado. Com cuidado os dois colocaram a melhor parte da carne do veado perto do fogo deixando que assasse lentamente. Os dois ouriços puxaram com cuidado e delicadeza a bela ouriça que riu com o carinho dos garotos e se sentou perto do fogo junto com eles.

Os dois se deitaram no colo da mãe que sorriu com o carinho que ambos lhe davam. Passou a mão pelos espinhos dos dois e cantou uma pequena musica que fazia com que ambos relaxassem no mesmo instante, a mesma canção de ninar que cantava para eles desde quando eram bebês, ou seja, a cinco meses atrás. Era incrível como cresciam rápido, mas sendo filhos de quem eram então talvez não devesse se surpreender tanto.

- Acho que já ta pronto mãe. – comentou o ouriço de olhos verdes respirando bem fundo, podendo sentir o cheiro meio estranho, que agradava os narizes e que chegava a ser embriagante e que fazia a boca se encher de água. Ele se sentou e pegou um pedaço da carne sem se importar com o fogo quente que tocava suas mãos e as queimavam lentamente. Ele soprou o pedaço de carne para que esfriasse e logo entregou para a mãe enquanto sua mão voltava a ser como antes, sem nenhuma queimadura.

— Vamos ver? – perguntou a ouriça pegando o pedaço de carne e colocando de leve na boca degustando o sabor com cuidado, mastigando com gosto a carne que parecia derreter em sua boca. – No ponto Mephiles! Muito bem!

— Meu mano é incrível! – comentou o outro ouriço se sentando também e mirando seu irmão com admiração enquanto seus olhinhos vermelhos reluziam na escuridão do local. O ouriço de olhos verdes passou a mão na nuca um pouco constrangido pelo elogio do irmão. O mesmo logo virou seu rosto para o pedaço de carne que sua mãe comia e uma pontada de curiosidade tomou seus olhos. – Como é o gosto disso mãe?

— É difícil de explicar filho. Algo salgado, um pouco temperado e quente. Não sei como exatamente. – falou a mulher pensativa e logo mirou seu filho com um pequeno sorriso no rosto mostrando o pequeno pedaço que tinha na mão. – Quer provar?

O garoto assentiu levemente e deu uma ligeira mordida no pequeno pedaço enquanto o irmão mirava com um pouco de curiosidade. A mãe ofereceu um pedaço para ele também e por pura curiosidade o garoto deu uma ligeira mordida no pedaço. Ambos mastigaram com atenção tentando sentir o gosto daquele estranho alimento em suas bocas, que mais parecia uma coisa gosmenta e mole que se rompia com facilidade em seus dentes afiados. Mas nenhum gosto sentiram.

— Mas não tem gosto de nada. – comentou o ouriço de olhos vermelhos mirando sua mãe com atenção sem compreender como aquilo era possível. Sua mãe sempre adorava um pedaço daquela coisa e parecia ser tão bom quando ela fazia aquelas caras de gosto, mas agora ele não sentia a mesma satisfação e seu irmão parecia estar no mesmo estado. A mãe dos dois passou a mão pela cabeça deles com um delicado sorriso.

— Isso porque o paladar de vocês dois esta concentrado no sangue e impede que vocês sintam o gosto de qualquer outro alimento que para um humano é normal e saboroso. – comentou a ouriça sorrindo docemente, logo seu rosto se contraiu em um de surpresa enquanto levava uma mão até o ventre avantajado. – Ops. – falou para logo sorrir levemente. – Parece que o irmãozinho de vocês dois esta empolgado.

— Podemos sentir mãe?! Podemos?! – exclamaram os dois emocionados olhando de maneira suplicante para a mãe que riu divertida. Pegou a mão dos dois ouriços e as colocou de leve contra seu ventre fazendo com que sentissem o movimento que tinha ali dentro. Os olhos de ambos reluziram de emoção enquanto enormes sorrisos apareciam em seus rostos.

— Eu to sentindo! Eu to sentindo! – exclamou o ouriço de olhos verdes emocionado enquanto sentia mais um dos leves movimentos que o bebê dentro de sua mãe fazia. – Sentiu Shadow? Sentiu?! É nosso irmãozinho!!

A única coisa que o garoto pode fazer foi assentir ainda extasiado pelos movimentos que sentia em sua mão. A mãe dos garotos sorriu e acariciou o rosto de ambos sorrindo levemente para eles.

— E eu tenho certeza que vocês serão ótimos irmãos mais velhos. Os melhores que ele poderia ter...

Abriu os olhos tendo neles refletidos um brilho de lucidez que nunca pensara que poderia ter novamente. Seu lado controlado tinha simplesmente desaparecido de seu corpo e agora estava no controle. Talvez aquela memória tinha trazido de volta a força que precisava para conseguir seu controle. Mas sabia que isso não duraria muito, logo perderia as forças e cairia novamente naquele maldito controle mental.

Suspirou e sentou na cama olhando distraidamente para a porta de seu quarto naquele maldito esconderijo que Eggman tinha feito. E pensar que aquele caçador humano tinha sido possuído por Gaia. Não sabia se ria ou chorava com isso, mas sabia que isso só deixava seu controle ainda mais fraco.

Sua mente voltara a divagar, e mais uma vez as memórias inundaram sua mente.

Sentado no galho daquela arvore balançava as pernas para frente e para trás distraidamente. Tinham acabado de se alimentar e mesmo assim ainda não sentiam vontade de sair daquela floresta densa que se encontravam. No momento, a guerra que seu pai sempre mencionava estava longe de onde moravam e talvez por isso tudo se encontrava pacifico e tranqüilo. Seu irmão estava sentado no pé da arvore jogando uma pedra para cima e logo a pegando sem muita dificuldade.

— Já imaginou como seria poder sair a luz do dia sem ficar fraco com isso? – perguntou de repente enquanto levava a mão a luz da lua e deixava ser tocado por ela. Não transmitia calor como sua mãe sempre dizia que a luz do sol produzia,a lua apenas iluminava e nada mais. Sua curiosidade de garoto sempre o obrigava a se perguntar de coisas que nunca experimentara e talvez nunca pudesse fazer isso.

— Varias vezes. E as vezes tenho vontade de sair de casa quando ainda é dia. – confessou seu irmão voltando seus olhos vermelhos na direção do céu, mirando as estrelas com um brilho de admiração. Em sua mente passava as imagens que imaginara do céu de dia, como sua mãe sempre havia descrito. Os céus azuis claros, com manchas brancas rechonchudas espalhadas por toda sua vasta extensão enquanto aquele astro amarelado e redondo reluzia poderoso no céu iluminando todas as áreas que agora via escuro.

- Será que um dia o veremos? – perguntou mais uma vez o irmão mais velho apesar de ser por apenas questões de minutos. Em um suspiro de desilusão ambos já sabiam a resposta dessa pergunta. Quando tinham apenas três meses de vida, mas mesmo assim aparentando ter cinco anos, o pai dos dois lhe avisou que nunca poderiam sair de dia que se caso contrario isso teria conseqüências fatais para a segurança da mãe deles, por isso nunca saiam, por isso seguravam a curiosidade de conhecer o dia. – Que tal uma corrida até em casa?

- Quem chegar por ultimo tira a poeira da casa! – exclamou o ouriço de olhos vermelhos já começando a correr na direção de sua casa enquanto seu irmão pulava do galho e o seguia. Os risos tomaram conta dos lugares em que passavam, parecendo que em algumas regiões devastadas que passavam se tornavam alegres, recuperando a vida que tinham. Os dois garotos se montavam obstáculos, pulando de muros destruídos, passando por possas de lama completamente escorregadias, sujando suas roupas leves feiras com apenas com poucos tecidos que tinham sido encontrados por ai, um tentando atrapalhar o outro em sua corrida incessante pela vitoria.

Estavam já na campina que sua casa fora construída bem no meio. A diversão continuava até um grito ecoar por todo o lugar. Talvez para ouvidos normais ele nem tenha sido ouvido, mas para a audição apurada dos dois pequenos ouriços aquilo era mais que audível fazendo a ambos pararem de correr e o sorriso que tinham no rosto desaparecesse rapidamente. Eles se entreolharam preocupados e logo voltaram a correr, o mais rápido que conseguiam na direção da pequena casa que se encontrava a apenas alguns quilômetros de onde estavam.

Adentraram porta a dentro em um só empurrão bem no instante que um pequeno choro de bebê se espalhava pelo ar. Os dois garotos ficaram surpresos ao ver nos braços de uma raposa de pelos castanhos avermelhados e asas enormes negras um pequeno bebê, um ouriço verde pequenininho que choravam com força, os olhinhos bem apertados e os bracinhos se movendo agitados pelo ar. Lentamente os dois garotos se aproximaram sem perceber a presença de uma outra pessoa ali, bem perto de sua mãe, segurando delicadamente a mão dela. Com atenção os dois miraram como o pequeno bebê era deixado cuidadosamente nos braços de sua mãe que o cariciou com cuidado e o balançou levemente em um ritmo lento enquanto cantava a pequena canção de ninar que cantava para eles.

O pequeno logo se aquietou enquanto os dois irmãos se apoiavam perto do cômodo que sua mãe estava deitada e miravam atentamente a pequena criatura em seus braços se impressionando quando a mesma abriu os olhos lentamente e mostrara suas orbes azuis os mirando com atenção.

— Esse é o pequeno irmãozinho de vocês. – comentou a mãe dos garotos mostrando o pequeno ouriço verde que continuava mirando a tudo a sua volta com suma atenção. – O nome dele é Manic, e vai precisar de toda a atenção até que consiga fazer as coisas, sozinho.

— Posso carregá-lo? – perguntou o ouriço negro de olhos verdes erguendo um pouco os braços. A mãe dos três colocou com cuidado o pequeno nos braços do irmão que tentou tomar todo cuidado para segurar o bebê sem que o mesmo se machucasse. Os olhos do ouriço negro cintilaram de emoção ao sentir o pequeno corpinho do irmão em seus braços, tão delicado... – Shadow, você tem que sentir isso!

Com cuidado o garoto colocou o ouriço verde nos braços do irmão que o pegara com medo. Logo os olhos vermelhos do garoto também cintilaram enquanto mexia o irmão de leve de um lado para o outro procurando relaxá-lo. O ouriço de olhos verdes sorriu com a cena, se sentindo orgulhoso por agora ser irmão mais velho, o mais velho de dois na verdade, mas não contava sua diferença de minutos com o ouriço de olhos vermelhos e se considerava igual a ele. Agora com esse pequeno ser incluído na família se sentia mais que responsável por sua segurança.

— Sei que vai ser um grande irmão para ele. – sussurrou a raposa ruiva em seu ouvido fazendo todo seu corpo estremecer e seu rosto esquentar. Logo sentiu os lábios dela encostarem em sua bochecha e um sorriso bobo apareceu em seu rosto enquanto a garota se afastava junto com seu pai, para assim voltarem para a tão falada guerra que acontecia no mundo.

— Muito velha pra você. – comentou seu irmão com um sorriso brincalhão no rosto fazendo com que o mirasse com o cenho franzido. Mas a raiva era passageira e logo voltou a ver seu irmão mais novo, que voltara para os braços da mãe que o acariciava com cuidado. Aquele pequeno agora era responsabilidade dos dois e fariam de tudo para deixá-lo seguro.

Suspirou balançando de leve a cabeça. Aqueles tempos eram bons, apesar da guerra que estava acontecendo lembrar dos momentos que passara com seus irmãos era quase uma tortura para seu cérebro. Sentia falta daqueles tempos tão agradáveis, daqueles momentos que passara tão pacificamente com seus irmãos.

Levantou-se da cama e foi até o guarda roupa pegando uma muda de roupa qualquer e uma das poucos que lhe restavam. No treinamento que dava aos Dark Chaos recém criados normalmente suas roupas se rasgavam ou ficavam completamente irreconhecíveis. Novamente sua mente divagaram nas lembranças do passado, voltando para aqueles tão maravilhosos tempos.

Alguns meses já tinham se passado. Manic agora parecia um garoto de cinco anos enquanto os dois gêmeos tinha a aparência de dez e seu crescimento desacelerava. Os dois irmãos se sentiam responsáveis pelo mais novo, ajudando-o a caçar e ensinando tudo o que tinham aprendido em sua vida, tudo o que sua mãe os havia ensinado. Sua mãe agora estava grávida novamente, não de muito tempo, mas mesmo assim os três garotos estavam ansiosos para ver o novo membro da família.

A vida dos irmãos tinha ficado simplesmente incrível, principalmente dos gêmeos que adoravam se divertir e cuidar de seu irmão mais novo. Era como se assim se sentissem responsáveis por uma vida, se sentiam adultos e capazes de tudo. A mãe ficava orgulhosa deles e mirava ao longe tudo o que acontecia. No momento eles estavam em caça.

— Muito bem Manic. Dessa vez você fará sozinho. – falou o ouriço de olhos verdes colocando uma mão nas costas do irmão mais novo que parecia um pouco nervoso. Estavam escondido atrás de alguns arbustos, observando um pequeno veado que comia comodamente a grama fresca que tinha debaixo de suas patas. Os três irmãos tinham saído a alguns minutos de casa aproveitando o inicio da noite para ficar um pouco mais de tempo fora de casa, com a promessa dos irmãos gêmeos a mãe que iam cuidar do mais novo.

— Estou com medo. – murmurou o pequeno um pouco indeciso, se encolhendo entre os dois irmãos. Manic era pequeno comparado aos dois agora, que tinham dado uma boa espichada com o passar do tempo, mas já chegavam ao momento de parar de crescer.O pequeno se sentia seguro estando entre os dois e como normalmente era eles que cassavam para ele, era um pouco assustador começar a fazer isso sozinho. – E se eu não conseguir.

— Vai tentar novamente. – falou o ouriço de olhos vermelhos sorrindo de maneira incentivadora para o irmão que sorriu ainda um pouco, mas continuava hesitante. – Se te serve de consolo eu levei pelo menos três tentativas para conseguir pegar meu primeiro veado. Eu e Mephiles sempre trombávamos quando caçávamos.

- Sério?! – exclamou o garoto surpreso não conseguindo imaginar seus irmãos, que eram tão bons em caçar tendo problemas com isso. O ouriço de olhos verdes sorriu para ele e assentiu levemente.

— Era uma confusão e quase nunca conseguíamos uma coisa descente. – disse dando uma ligeira piscada para o irmão mais novo que sorriu um pouco mais animado. – Por isso não se preocupe se não conseguir de primeira. Tente novamente e logo você será melhor que eu e Shadow juntos!

— Ok. – falou o pequeno ouriço verde voltando a olhar o pequeno veado que tinha a frente.O garoto se ajeitou no chão e se preparou para começar seu primeiro ataque. Esperou até o momento em que sua presa abaixou a cabeça e se jogou para fora dos arbustos correndo até a presa que ao ouvir o barulho repentino se assustou e começou a correr, fazendo o pequeno ouriço pegar nada alem do próprio ar. Fechou a cara emburrado por não ter conseguido enquanto um ligeiro tom vermelho tomava conta do mesmo.

— Nada mal! – exclamou o ouriço negro de olhos verdes mirando o lugar que a presa tinha corrido. Colocou a mão na cabeça do irmão caçula e sorriu divertido enquanto o gêmeo se colocava do outro lado do pequeno. Virou o rosto e sorriu de maneira divertida. – Vamos ver quem o pequena primeiro?

Logo os três desapareceram em fleches de cores diferentes e, em meio risadas que encheram o bosque os irmãos tiveram uma farta caça, acabando se alimentando e ainda levando dois pequenos veados e uma ave de rapina para a mãe que devia estar com fome no momento. Os irmãos iam rindo para casa, brincando um com o outro, principalmente os mais velhos que faziam de tudo para que o pequeno risse com tanta felicidade como fazia agora.

Em poucos instantes chegaram em casa, o mais novo ficou do lado de fora, aproveitando os últimos momentos da noite para se divertir na enorme campina verde que rodeava sua casa enquanto isso os dois mais velhos entraram colocando as bolsas onde estavam as caças na mesa e retirando-as para assim colocá-las para assar no fogo que nunca se apagava e não transmitia luz. A mãe deles estava lavando cuidadosamente as únicas peças de roupas que possuíam, trapos que foram recolhidos em meio a tanta destruição e que podiam ser usados ainda como roupas. Pena que praticamente a cada mês tinha que procurar alguns maiores.

— Onde esta o irmão de vocês? – perguntou docemente a mãe dos três garotos virando levemente o rosto para trás e vendo como os dois mais velhos preparavam a carne para ser queimada no fogo.

— Do lado de fora. – respondeu o ouriço negro de olhos vermelhos colocando alguns galhos que sempre usavam para pendurar a carne e a mesma ficar perto do fogo sem que ninguém precisasse segurá-la.

— Se divertindo enquanto o sol ainda não saiu. – completou o irmão pegando um dos pedaços da carne e já o colocando em um dos pedaços de madeira que o irmão tinha ajeitado para assim deixar a mesma queimar lentamente. De repente a porta se abriu um empolgado ouriço verde entrou por ela indo até a mãe.

— Mãe tenho um surpresa para você! – exclamou o pequeno a puxando delicadamente pela mão e a conduzindo até o lado de fora. A mãe do pequeno e os dois irmãos mais velhos sorriram pensando que era mais um daqueles presentes simples que crianças faziam em suas brincadeiras e adoravam mostrar as mães, mas quando chegaram do lado de fora tiveram uma enorme surpresa. – Fiz só para você!

Todo o campo verde perto da casa até mais alguns metros a frente estava rodeado de belas flores, de todas as formas, tamanhos e cores. Enchendo de vida aquele campo tão monótono, mas mesmo assim belo. As flores brancas pareciam reluzir com o brilho escasso do luar e criavam uma espécie de aura esbranquiçada ao redor de todo o belo jardim que tinha um caminho passando por sue meio para que assim quando saíssem não precisassem pisar em nenhum flor.

— F-foi você que fez isso Manic? – perguntou a mãe do garoto com a voz ainda abafada pela surpresa. O pequeno ouriço assentiu completamente emocionado, feliz com o presente que tinha feito. – Mas como?

— Estava brincando quando de repente cai e encostei a mão na grama. Dela surgiu uma flor então pensei que poderia fazer mais. E não é só isso. – o garoto moveu o braço fazendo a brisa se acelerar, a umidade no ar aumentou, no chão pareceu crescer mais algumas flores enquanto o mesmo tremia um pouco e nas mãos do garoto apareceram pequenas chamas que obrigaram seus irmãos a recuar para dentro de casa e não serem pegos pela claridade. – Consigo fazer muito mais.

Os irmãos gêmeos se entreolharam enquanto pequeno mostrava suas habilidades para a mãe, orgulhoso de si mesmo. Igual eles podiam controlar as sombras seu pequeno irmão controlava os elementos. Será que seu próximo irmão ou irmã teria também uma habilidade como a deles?

E não demorou muito para Sonia nascer, pensou um pouco tristonho ao lembrar da irmã. Ela devia estar tão triste por ele tê-los deixado e ido para o outro lado. Devia ter partido o coração da pobrezinha, sempre fora tão apegada a família...

A pequena ria e se divertia no campo de flores que o ouriço verde tinha feito. Era o mais novo membro da família e causava um sentimento de proteção por ser a única menina junto com a mãe. Uma pequena ouriça rosa arroxeada de olhos azuis escuros. Simplesmente encantadora com sua aparência de quatro anos enquanto seus irmãos mais velhos aparentavam ter seus quatorze e oito anos. Os gêmeos ainda carregando na mente as responsabilidades que tinham como mais velhos: Proteger seus irmãos.

— Para vocês! – disse a pequena garota sorrindo carinhosamente e entregando para cada um de seus irmãos uma coroa de flores. Os ouriços a colocaram com carinho em suas cabeças enquanto a pequena irmã sorria e logo se abaixava para apanhar mais flores para assim fazer um buque para sua querida mãe.

Os garotos apenas observavam, o ouriço verde em pé com os braços cruzados e os dois gêmeos sentados um do lado do outro com as pernas esticadas e os braços para trás em posições muito parecidas. Talvez se não fosse a diferença das raias em seus espinhos e das cores de seus olhos eles seriam facilmente confundidos.

Logo o de olhos vermelhos voltou seu olhar para cima vendo como o céu deixava de ser azul escuro para passar para um mais claro ficando em um leve tom amarelado. O sol ia surgir. Rapidamente se levantou e avisou a seus irmãos que assentiram levemente e começaram a seguir o irmão de volta para dentro de casa. A pequena se levantou do chão, carregando as flores que colhera e começara a andar, mas por estar distraída acabou tropeçando em um pedra escondida entre as varias flores e caíra no chão de joelhos ralando levemente um deles. A pequena choramingou e mirou o machucado com os olhos marejados.

— O que foi Sonia? – perguntou o ouriço negro de olhos verdes se ajoelhando do lado da irmã. Tinha percebido a queda da mesma e ficara um pouco preocupado, mesmo sabendo de sua capacidade de se curar rapidamente. A pequena choramingou mais um pouco e apontou para o pequeno machucado que tinha no joelho. O irmão sorriu e deu um ligeiro beijo na testa da irmã. – Não chora não. Logo passa, viu?

O garoto apontou novamente para o machucado e o único rastro que ele algum dia tinha estado lá era a leve mancha vermelha misturada com marrom que tinha sobre a pele da garota. A mesma sorriu levemente para o irmão e limpou as lagrimas que tinham em seus olhos, sabendo que tudo estava bem.

— Mephiles!! – o garoto se virou para ver o gêmeo apontando preocupado para o céu que já tinha praticamente se tornado completamente claro. Resmungou bem baixo uma maldição e carregou sua pequena irmã, correndo para dentro de casa, mas o sol tinha pego suas costas levemente e causada um dano em suas energias que pareceram esvair de seu corpo em instantes. Como não estava acostumado a ser tocado pela luz essa vez foi devastadora. Era como se não tivesse se alimentado nada a meses!

Deixou sua irmã delicadamente no chão e caiu de joelhos no mesmo, não conseguindo mais se sustentar. Agora sabia o motivo pelo qual seu pai não deixava que fossem tocados pelo sol, colocariam em risco a vida de sua mãe perdendo o controle de seu próprio corpo para obter comida. Sentiu uma presença do seu lado e ao olhar para o lado viu seu irmão gêmeo o mirando de maneira preocupada, parecendo sentir a mesma coisa que ele.

Não precisou dizer uma só palavra, seu irmão compreendeu tudo com apenas uma mirada, parecendo ler sua mente só com aquilo. Rapidamente ele o levantou e o levou até um quarto separado da sala principal onde normalmente costumavam ficar. Com cuidado ele o deixou no chão e saiu dando uma ultima olhada para o irmão como se não quisesse se separar. Nunca faziam isso, sempre estavam juntos do lado um do outro. Com hesitação o ouriço negro de olhos vermelhos fechou a porta trancando-a logo em seguida sabendo que era para o bem de todos.

— Nunca ficamos dessa maneira... – murmurou enquanto deixava suas costas escorregarem lentamente até o chão, se sentando no mesmo se querer sair de lá. O ouriço negro de olhos verdes se arrastou até a porta. Podia ouvir muito bem o irmão, mas queria ficar perto dele, apenas distanciados por uma simples porta de madeira. – É tão estranho.

— Tem razão. – murmurou olhando para o teto daquela tão vazia habitação. Ambos estavam sentados da mesma maneira, escorados onde as costas dos outro estava escorada do outro lado, não havia nenhuma diferença de posição entre eles, como se soubessem exatamente como o outro estava. – Mas quer saber? Sinto que você esta aqui do meu lado agora, como sempre.

— O mesmo mano. – respondeu o ouriço de olhos vermelhos sorrindo levemente e fechando os olhos com leveza. Logo pode se ouvir um leve chorinho ecoando pelo ar da casa. O ouriço negro na sala principal abriu os olhos encontrando seus irmãos e sua mãe com olhares preocupados, sua pequena irmãzinha estava chorando de leve passando as mãos nos olhos para limpar as lagrimas.

— A culpa foi minha... Se não tivesse caído... – murmurou ela entre soluços enquanto a mãe acariciava de leve sua cabeça tentando fazer com que se acalmasse.

— A culpa não foi sua Sonia. – murmurou a voz do outro lado da porta fazendo a pequena soltar mais um soluço. – Agora pare de chorar que não gosto quando você fica assim.

A garota fungou e foi até o ouriço negro de olhos vermelhos se sentando do lado dele e se aconchegando debaixo de seus braços. O ouriço verde fez a mesma coisa só que do outro lado, todos preocupados com o que poderia acontecer.

— Não se preocupem. – murmurou o ouriço de olhos vermelhos tentando se convencer de suas próprias palavras e fazer seus nervos se acalmarem. Faltava o irmão mais velho ali do lado, mas o sentia, ele estava ali, apesar de estar do outro lado da porta, com o risco de sair e atacar a todos. – Logo a noite vai chegar e tudo ficará bem... Como sempre foi...

Mas nada ficou bem, pensou novamente saindo do quarto e caminhando calmamente pelos corredores ainda se deixando levar por aquelas lembranças. Mas logo aquele dia chegara em sua mente. O dia em que tudo mudara e as coisa nunca mais ficaram bem... O dia em que a mãe deles morrera ao dar a luz ao quinto filho. Ao nascer Sonic...

Sentado na enorme campina, em uma pequena colina onde a floresta começava e a campina terminava, permitindo que visse toda sua casa e o belo campo de flores que o ouriço verde tinha criado os dois gêmeos miravam sua casa com um tom um pouco ansioso. Seu mais novo irmão iria nascer, mas seu interesse também era outro, o mais velho deles suspirava de instante em instante um pouco sonhador e o irmão, com os olhos fechados, deitado do lado dele com os braços atrás da cabeça, uma perna dobrada e a outra encima dela começava a se irritar.

— Mephiles se você suspirar mais uma vez eu vou fazer com que seja o próximo a sair rolando esse morro todo abaixo. – falou abrindo apenas um olho vendo como o irmão mirava o céu escuro da noite com um tom sonhador. O fato? A jovem raposa demônio que sempre acompanhava seu pai e realizava os partos de sua mãe estava ali e Mephiles tinha uma pequena queda por ela. Talvez uma bem grande.

— Não posso evitar mano. – murmurou ele soltando mais um suspiro enquanto o irmão grunhia ligeiramente. Agora eles aparentavam ter seus dezoito dezenove anos e já estavam chegando no limite de seu crescimento. Seus irmãos, um ouriço verde e uma ouriça rosa arroxeada tinham a aparência de doze e dez anos respectivamente. Novamente o mais velho dos gêmeos soltou um suspiro. – É como se tivesse passado um século desde a ultima vez que a vi! Não consigo evitar sentir isso que sinto... Mamãe diz que é amor.

— Amor? – perguntou o ouriço de olhos vermelhos, o único da família, tirando o pai que tinha olhos vermelhos.Ele abriu os olhos e se sentou mirando seu irmão de uma maneira interrogativa enquanto o mesmo ainda divagava em devaneios, suspirando de instante em instante.

- É. Mamãe disse que é quando se gosta muito de uma pessoa. Ela disse que tem o amor de família que é o que sentimos um pelo o outro e o amor especial que se sente com uma pessoa que não tem nenhuma ligação de sangue, um que faz sua cabeça voar em pensamentos só sobre aquela pessoa, que te faz sentir muito sozinho quando ela não esta e muito feliz quando ela esta. Um que te faz ter reações estranhas, como sentir o rosto aquecer quando tem algum contato, uma sensação estranha na barriga, agir de uma maneira idiota... – falava o ouriço de olhos verdes enumerando todas as coisa que sentia quando estava perto daquela raposa. Suspirou no fim de tudo. – É o que mamãe sente por nosso pai e o que eu sinto por Kaira.

— Não entendi nada do que você falou. – murmurou o ouriço de olhos vermelhos mirando o irmão um pouco confuso e até mesmo assustado por tudo aquilo que ele falava. Com certeza nunca sentiria aquilo, nunca agiria de maneira idiota perto de uma pessoa nem mesmo se arriscaria por alguém que não fosse seus irmãos ou sua mãe. Não tinha carinho algum por pessoas de fora de sua família. Talvez amizade, mas amor... Não. – Nunca vou sentir uma coisa dessas.

— Ah! Um dia você vai! Mamãe disse que todos um dia amam alguém dessa maneira e que talvez, por ela amar tanto a nosso pai nós também amemos muita a pessoa que escolhermos. – ouviu como o irmão bufava e logo o viu deitar novamente na grama macia fechando os olhos. – E quando isso acontecer eu quero estar presente para ver como você vai cair nos pés da garota, implorando para que fique com você toda sua eternidade! Que o acompanhe até o infinito passando por tudo e mais! Tendo uma família e...

— Chega!! – exclamou o ouriço de olhos vermelhos, mas o irmão apenas riu e continuou provocando e em poucos instantes tudo virou apenas uma brincadeira onde um se jogava encima do outro rolando pela grama se sujando com a terra que tinha debaixo da mesma enquanto riam sem parar. Mas a brincadeira só durou até quando a irmã de ambos chegou.

— Sonia? – perguntou o ouriço negro de olhos verdes mirando a irmã de maneira interrogativa ao ver como tinha os olhos marejados e cheios de tristeza. Os gêmeos se entreolharam temerosos se levantando do chão e mirando a irmã de maneira exigente, pedindo que falasse o que aconteceu.

— É a mamãe. – respondeu ela e não precisou de mais nada. Com o medo bloqueando a garganta os dois correram para a casa de madeira simples que tinha no meio da campina. Abriram rapidamente a porta e se encontraram com sua mãe deitada na cama improvisada que tinham feito, seu pai do lado dela com a cabeça baixa, Kaira segurando um pequeno manto nas mãos um pouco longe e seu irmão do meio com a cabeça baixa, do lado da mãe que parecia dormir.

— Por que o coração dela não bate? – perguntou o ouriço de olhos azuis custando para ultrapassar a barreira que tinha se formado em sua garganta. Não ouvia os batimentos da mãe, não ouvia aquele doce pulsar que só ela podia fazer, mesmo que houvesse mais pessoas no lugar. Também não ouvia a respiração dela e estava começando a se desesperar. – Por que o coração dela não bate?!

- Ela morreu Shadow... – murmurou o pai deles em um sussurro. A palavra “morrer” afetou a todos os irmãos. O ouriço verde caiu no chão de joelhos e passou os braços pelo corpo da mãe chorando encima dela. A ouriça rosa arroxeada chorava em pé mesmo, em berros fortes e cheios de dor. Os dois mais velhos estavam pasmos, em um choque tão profundo que pareciam que nunca iriam sair dele.

— Esse é o irmão de vocês. – murmurou Kaira, a acompanhante de viagens de sue pai. Ela foi até o ouriço negro de olhos verdes e entregou com cuidado o pequeno manto que tinha em seus braços, mostrando que enrolado nele estava um pequeno ouriço azul que tinha os olhinhos fechados com cuidado. A sensação de carregar uma vida voltou a tomar conta do mais velho, mas a tristeza da perda de sua mãe parecia ser bem maior. – Sua mãe queria que ele se chamasse Sonic.

— Então esse vai ser seu nome. Sonic... – murmurou o garoto com a voz um pouco quebrada tentando parecer forte, mas como seu gêmeo queria chorar, como o resto de seus irmãos faziam. Logo os dois mais velhos viram um sinal de seu pai pedindo para que se aproximassem. O ouriço negro de olhos verdes entregou o bebê para a raposa que tinha a frente e foi até o pai junto com seu irmão.

— Vocês não vão mais poder ficar aqui. – murmurou o pai logo de cara, mirando com pena a mulher morta na cama improvisada. Suspirou com tristeza e logo voltou a ver seus filhos. – A guerra esta vindo para cá, logo terão demônios e anjos por aqui e se um deles souber sobre vocês vão tentar usá-los. Tem um lugar ao leste que tem uma nova casa, a tinha construído a algum tempo para que fossem para lá com sua mãe, mas... – ele engoliu as palavras e continuou. – Saiam imediatamente. Todo o tempo é valioso agora.

Os garotos assentiram e se afastaram um pouco do pai. O ouriço de olhos vermelhos foi consolar os irmãos pegando o pequeno bebê da raposa e o carregando com todo o cuidado do mundo. O mais velho dos gêmeos ficou apenas olhando sua família que tinha ganhado um novo membro, mas perderá outro. Um pequeno assobio chamou sua atenção, ela fez um pequeno movimento com a mão o chamando e logo saiu da casa. Ele mirou seus irmãos pela ultima vez e saiu também indo atrás dela.

Foi surpreendido quando ela o puxou de surpresa para a parte de trás da casa e o abraçou com força. Seu coração, que devia estar parado e morto, agora parecia mais vivo que nunca, palpitando desenfreado em seu peito parecendo querer sair do mesmo. Não sabia qual era o motivo daquilo e sinceramente não queria saber. Passou os braços pelo corpo dela que agora era menor que o seu.

— Seu pai me mataria se soubesse que estou fazendo isso. – murmurou ela em seu ouvido fazendo com que se estremecesse um pouco. Ela se afastou e o mirou diretamente nos olhos, levando as mãos até o rosto dele. – Mas provavelmente não nos veremos por muito tempo. – Muito tempo? Muito tempo?! Como suportaria não vê-la por “muito tempo” se mal agüentava o tempo que já tinha entre o nascimento de cada irmão?! – E tinha que fazer isso antes que fosse para a guerra.

Ela então juntou suas bocas. Não sabia o que isso significava, não sabia o que ela estava fazendo, mas se sentia tão bem com aquilo que preferiu deixar a mente em branco e retribuir aquele gesto tão estranho, se deixando guiar pelo instinto que borbulhava em seu ser. Nunca sentira nada igual e talvez nunca mais sentisse. Ela ia para a guerra e havia uma grande possibilidade de nunca mais voltar.

— Boa sorte. – falou ela logo que se separam. Ela se afastou, olhando algumas vezes para trás enquanto ele não conseguia fazer nada alem de observá-la partir para um destino que provavelmente era longe do seu. Com o coração um pouco despedaçado com esse pensamento voltou para onde seus irmãos estavam se encontrando com todos já prontos para partir.

Se aproximou de seu gêmeo que ainda tentava consolar a todos e carregava o novo membro da família. Era hora de deixar o único lar que conheciam para procurar um mais seguro. Mas tinham varias coisas pelo caminho que poderiam trazer risco a sua segurança.

— Acha que vamos conseguir? – perguntou o ouriço de olhos vermelhos mirando seus irmãos começarem a andar para o desconhecido.

— Se Manic, Sonia, Sonic e você ficarem bem então sim. – respondeu em um sussurro, não se incluindo na lista nos que pretendia proteger. Era o ultimo podia se dizer. Antes de tudo vinha seus irmãos.

— Vamos fazer uma promessa. – falou o ouriço de olhos vermelhos se virando para o irmão e o mirando diretamente nos olhos. – Nunca deixaremos que algo aconteça a eles.

— Nunca. – afirmou segurando a mão do irmão em um aperto leve. Direita com direita, foi o pacto que definiu todo o futuro deles.

E ele quebrara a promessa. Não fazia idéia de quanto se odiava por isso, e tudo por culpa de Gaia. Entrou em uma sala se encontrando com aquelas garotas que tinha capturado e por um instante novamente a memória lhe chocou a mente. A imagem daquelas garotas, lhe era familiar, e não era pelos fatos ocorridos recentemente, mas sim muito tempo atrás.

Olhou diretamente nos olhos da parceira de seu gêmeo vendo um brilho azul de determinação. Aquele brilho, aquele olhar... Onde o tinha visto? Não podia ser... Mariana.

Havia passado já algum tempo de caminhada entre eles. Sonic agora já parecia um garoto de cinco anos e brincava igual uma criança normal, apesar de ser um pouco exagerado. Por sorte haviam achado um abrigo antes que a guerra os alcançasse, mas isso apenas atrasara a viajem e os mais velhos sentiam que não estavam nem perto de seu destino. O lado positivo de tudo é que agora tinham companhia, pelo menos por enquanto.

Ao parecer crianças órfãs por causa da guerra e agora se escondiam no mesmo lugar que eles. Não demorou muito para que essas crianças, que no total eram seis, ficassem suas amigas. Os ensinavam sobre seus costumes humanos e cada um com seu jeito diferente. A mais velha deles se chamava Mariana, era uma ouriça loira de olhos azuis céus, ela ficara muito amiga do ouriço de olhos vermelhos, passando boa parte do tempo juntos. Os dois segundos mais velhos eram um ouriço prateado e uma gata lilás, respectivamente, Julius e Bris. Logo depois vinha um equidna vermelho, seu nome era Arther, depois dele tinha uma morceguinha branca de asas negras, chamada July e por fim uma pequena ouriça rosa, que devia ter cinco anos e se enturmara muito bem com Sonic, seu nome era Meg.

No momento olhava todos eles em cantos diferentes. O ouriço de olhos verdes conversava com a mais velha dos órfãos, sentados em algumas pedras que tinham na caverna que estavam escondidos. Se sentia feliz por seu irmão ter se apegado a alguém, mesmo que não admitisse. O ouriço azul brincava com a pequena ouriça rosa correndo de um lado para o outro brincando de pega. Os dois irmãos do meio conversavam com o resto dos órfãos enquanto ele matutava sobre o que fazer.

— Mephiles. – chamou seu irmão fazendo com que sobressaltasse um pouco. Duvidava que ele tivesse usado a velocidade incrível que possuíam para chegar até onde estavam. Evitavam mostrar o que realmente eram por medo de serem rejeitados pelos garotos ou coisa pior. – No que pensa irmão?

— Em o que fazer. Sonic logo vai parecer mais velho do que aparenta agora e não sei como explicar isso a esses garotos. – falou apontando de leve para o grupo que estava todo reunido. – Sem falar que precisamos nos alimentar, e fazer isso em segredo esta ficando cada vez mais complicado.

— Temos que ir embora, mas eles... – o ouriço de olhos vermelhos ia continuar, mas sua voz morreu no meio da frase, no entanto, seu irmão entendeu completamente o que ele se referia.

— Temos que achar um lugar seguro para eles ficarem sem correrem o risco de serem achados pelos demônios ou anjos. – falou em um suspiro enquanto seu irmão apenas assentia. Não podiam deixar todos eles para trás, seria covardia e totalmente contra as idéias de sua morta mãe. – São muitas coisas a pensar.

- Talvez eles possam vir com a gente. – sugeriu o ouriço de olhos vermelhos. Ele olhou para o irmão de uma maneira um tanto suplicante e logo continuou a frase. – Nossos irmãos estão se dando bem com eles, talvez eles assentem nossa existência melhor do que pensamos.

— É só nossos irmãos que se dão bem com eles? – perguntou de maneira maliciosa mirando o irmão com um tanto de diversão. Viu o mesmo corar ligeiramente e desviar o olhar. Riu alto e deu um tapa nas costas do irmão que cambaleou um pouco para frente pela surpresa. – Tudo bem irmão. Contamos a eles a verdade, mas quando for a hora certa. Ai sairemos daqui e seguiremos caminho.

Pena que esse plano não foi para frente. Sentiu um aperto no peito ao lembrar do que aconteceu...

Tudo pareceu estremecer. A caverna inteira parecia estar em um só terremoto que sacudia tudo e fazia as pedras do telhado e das paredes da caverna caírem ameaçando atingir um deles. Não demorou muito para perceberem que isso significava que a guerra já tinha chegado até eles e agora acontecia bem encima de suas cabeças. Tinham que ir embora.

— Como sairemos?! A entrada provavelmente deve estar cheia de anjos e demônios!!! – gritou a ouriça rosa arroxeada se segurando em seu irmão do meio, enquanto ao mesmo tempo segurava seu pequeno irmão caçula. Mais próximo estavam a ouriça rosa, segurando firmemente a mão de ouriço azul, a gata lilás que abraçava o ouriço prateado e do lado deles estavam o equidna vermelho e a moreceguinha branca. Os gêmeos estavam um pouco mais distantes junto com a ouriça loira.

— Tem uma passagem pelos fundos da caverna, podemos ir por lá!! – gritou a ouriça loira apontado para o caminho que levava para mais fundo na caverna. Todos assentiram e caminharam muito próximos um dos outros para chegar até lá, tomando cuidado para não serem pegos por nenhuma pedra que caia de todos os lados.

Pareciam que iam conseguir passar todos juntos, parecia que conseguiriam ficar unidos apesar de tudo, mas quando estavam indo para a parte menos movimentada da caverna, uma que estava tão profunda na montanha que se formava que não podia ser atingida por esses tremores, enormes pedras caíram entre eles, bloqueando o caminho e separando o grupo. Todos os irmãos tinha parado do lado mais profundo da caverna enquanto o grupo de órfãos ficara do outro lado em meio a confusão.

Os irmãos hesitaram querendo ir até lá ajudar, mas as pedras apenas bloqueavam a passagem e logo não haveria nem mesmo como passar. A ouriça loira que cuidava dos outros mais novos mirou aos irmãos com preocupação e desespero. Logo gritou:

- Vão!! Saiam daqui!!! – os que estavam do outro lado não podiam acreditar no que ela dizia, deixá-los a mercê de todos os demônios e anjos, correndo o risco de serem esmagados por pedras ou pior? Não, isso não! – Não dá mais para a gente passar!! Tem que continuar!!

— Mas e vocês?! – gritou o ouriço negro de olhos verdes mirando aos órfãos. Um sorriso apareceu no rosto da garota que tinha um brilho de tristeza em seus olhos azuis normalmente alegres.

— Não se preocupem! Vamos ficar bem!! – os mais velhos dos irmãos se entreolharam, sabendo muito bem que ela não poderia cumprir essas palavras que era impossível isso acontecer. Sentiam isso. – Agora vão!!

— Não!! – gritou o ouriço de olhos vermelhos tentando ir até lá, mas era muito arriscado e seu irmão gêmeo o segurou impedindo que fosse esmagado por pedras. Logo a passagem se fechou completamente não se pode mais ver os órfãos. – Mariana!!

— Temos que ir Shadow. – disse o ouriço negro de olhos verdes segurando com força o braço do irmão. Sabia que ele sofria com isso, sabia que era difícil aceitar, mas não tinha outra escolha.

— Mas e a Meg e os outro? – perguntou o pequeno ouriço azul puxando de leve a calça do irmão que o mirou com tristeza e dor. Ele mesmo não queria deixar os órfãos para trás, mas não havia mais nada a fazer.

— Eles vão ficar bem Sonic. – mentiu, torcendo para que o irmão não se lembrasse dessas palavras depois. Odiaria vê-lo da mesma maneira que seu gêmeo estava. Isso seria insuportável. – Mas temos que ir. Não conseguiremos ajudá-los agora.

Os cinco irmãos deram as costas para a enorme muralha de pedra sentindo como um enorme sofrimento aparecia em seus peitos. Será que por serem a união de algo proibido tinham que perder todos os que amavam? Tinham que perder a todos?

- Finalmente Mephiles! – exclamou uma voz que agora considerava enjoativa. Na verdade nunca gostara dela, nunca gostara da pessoa que a possuía, mas se unira a ele, seu outro lado controlado por Gaia via nele um poder que podia ser utilizado. Mas ele mesmo o detestava. – Pensei que nunca iria acordar!!

— Vampiros não dormem Nazo. – falou com a voz seca tentando não demonstrar muito que tinha saído do controle de Gaia. Olhou para as enormes maquinas que aquele louco caçador tinha construído enquanto era dominado pelo espírito de Gaia que havia conseguido sair e entrar no corpo daquele homem gordo. – Descobriu para que querem usar as garotas?

— Ao parecer elas ainda possuem um pouco da energia caos que foi usada por seus filhos quando ainda estavam grávidas deles. – falou Nazo sem muita importância. Era estranho, uma hora ele era esperto, tão inteligente quanto Gaia podia se dizer, mas outras vezes era burro que não se importava com nada alem da luta e da vingança. Seu estomago se embrulhou ao pensar nisso. – Vão utilizá-las para produzir energia.

Essa brutalidade o fez lembrar de quando seu irmão e ele descobriram a verdadeira imagem de seu pai. Quando não mais o viram como um figura paterna, mas sim o que realmente era... Um demônio.

Não havia passado muito tempo desde que escaparam daquela caverna. O ouriço azul agora tinha a aparência de um garoto de pelo menos dez anos. Os mais velhos pararam de crescer ficando com a aparência de vinte e poucos anos e os dois do meio pareciam ter dezessete ou dezoito anos. Caminhavam por um terreno morto o que antes devia ter sido uma cidade ou algo do tipo.

Não havia rastro de nada. O chão estava completamente negro, havia pedaços de pedras que um dia podiam ter sido a sustentação ou parede de uma casa, madeiras queimadas que estavam completamente negras indo apenas até alguns centímetros de altura. O cheiro que exalava aquela terra era simplesmente horrível. Tanto que os cinco pararam de respirar a quilômetros atrás antes de chegar a aquela área. E como podiam ficar sem respirar com muita facilidade não teria problemas.

Talvez fosse por isso que não perceberam a aproximação de seres silenciosos e sombrios que se camuflavam na noite escura e sem luar.

Sonia logo foi jogada no chão junto com Manic, tendo seus pulsos presos por fortes cordas mágicas feitas pelos próprios demônios que os prendiam. Sonic também foi jogado ao chão, mas como era o mais fraco de todos ali no momento tudo o que precisaram fazer foi colocar um pé em suas costas e já não pode mais se levantar. Os dois mais velhos resistiram, derrubaram os demônios que tentavam prendê-los, matando-os com apenas uma arrancada de cabeça usando apenas as próprias mãos, logo depois foram para aqueles que estavam com seus irmãos, mas antes que pudessem chegar uma forte e potente rede de metal reforçado com magia demoníaca caiu sobre suas cabeças fazendo os dois se aquietarem caídos no chão.

— Não são humanos. – resmungou um demônio que havia acabado de se aproximar. Parecia ser o líder deles pela posição firme e potente que possuía. – Mas também não são anjos nem demônios. Criaturas renegadas, aberrações. Talvez possam ser uteis em nossos exércitos.

— Não faremos nada que vocês mandem idiotas!! – gritou o ouriço azul ousadamente antes que seus irmãos mais velhos tivessem a chance. O demônio que o prendia tirou o pé de cima de suas costas e o segurou pelo pescoço o erguendo do chão com muita facilidade.

- Temos um rebelde. – disse o demônio sorrindo malevolamente e desembainhando sua espada com lamina negra que era a marca de todo demônio. – Vamos ver se vai conseguir falar sem sua língua. Ou talvez sem a cabeça.

O demônio girou a espada em suas mãos e a preparou para cortar seja o que for do corpo do pobre ouriço azul que estava mais preocupado com a força que era colocada em seu pescoço, para prendê-lo.

— Esperem!! – tudo parou, todos se calaram e olharam para o ouriço de olhos vermelhos que tinha um brilho de determinação no olhar. – Se eu for com vocês sem lutar, deixam meus irmãos em paz?

— Do que esta falando?! – gritou Mephiles irritado do lado do irmão. Apesar disso não viu o mesmo recuar, nem mesmo desviar o olhar do que parecia ser o líder daquele grupo. – Não pode fazer isso!! Shadow você não pode ser levado pelo exercito dos demônios!!

- Eu vou com vocês... – repetiu o ouriço de olhos vermelhos em um tom mais serio e cortante. – Se deixar meus irmãos em paz.

— Feito. – respondeu o líder deles sem hesitar. Tinha visto o desempenho dele contra os demônios que tentaram atacá-lo, seria bem útil para o exercito.

— Não! Shadow, não! – gritou o ouriço negro de olhos verdes sendo jogado para fora da rede de metal, caiu perto de seus outros irmãos que o ajudaram a se levantar enquanto via Shadow ser levantado e empurrando para longe deles. – Shadow, não pode fazer isso!! Não pode nos deixar!!

— Cumpra nossa promessa mano. – falou o ouriço com um pequeno sorriso no rosto fazendo o irmão congelar. Estavam sendo separados. Via seu irmão gêmeo ser levado para longe, ao mesmo tempo que sentia que algo era arrancado de si, como se sua existência agora estivesse pela metade. Isso não ficaria assim!

Deixou seus irmãos em um esconderijo dentro de uma caverna e seguiu o caminho dos demônios. Iria atrás de seu irmão gêmeo, o ajudaria e logo tudo voltaria ao normal, tudo seria feliz novamente entre eles. Apesar de todas as perdas que sofreram ainda tinham um ao outro e não podiam perder isso também.

Chagou a um ponto onde a trilha parava e um campo aberto cheio de equipamentos de guerra demoníacos eram ajuntados para reforçar mantimentos. Via algumas criaturas estranhas, não sabia dizer exatamente o que eram por sua forma meio confusa, mas perto delas, estavam algumas coisas brilhantes que supôs ser o que os boatos, espalhados pelo vento entre os sobreviventes da guerra, falavam. Esmeraldas que continham a energia que passava por seus corpos. Ninguém sabia como tinham sido criadas, mas isso não lhe importava nem um pouco no momento.

Deslizou pelos equipamentos se mantendo escondido dos demônios que iam e vinham sem parar, trazendo feridos, pessoas a mais para a guerra e mantimentos. Não sabia quem ganhava a guerra, mas agora via os demônios em uma situação deprimente para um guerra, mesmo que não soubesse muita coisa sobre uma. Seus aguçados ouvidos então ouviram lamentos e gritos, sons horríveis de si ouvir, mas que provavelmente o levariam até seu irmão, podia sentir isso.

Com velocidade adentrou em uma espécie de buraco no chão, que descia em uma rampa um pouco inclinada de mais e completamente estreita. Demônios não gostavam de luz solar ou qualquer outro tipo e agradecia esse fato no momento. Desceu rapidamente aquela rampa e se escondeu em uma pedra que tinha logo abaixo. Varias celas tinha sido montadas nas paredes que foram construídas perfeitamente grandes para caber a qualquer criatura, seja o que forem.

Aproveitou que no momento não tinha nenhum demônio e passou pelo enorme corredor que as celas estavam enfileiradas. Olhou para cada uma procurando seu irmão, mas em todas as celas que olhava só encontrava criaturas estranhas, seres misturados com animais e planta, outros pareciam apenas humanos, mas tinham um brilho diferente no olhar e por ultimo criaturas robustas e com pelos revoltados, presas e garras simplesmente assustadoras e olhos brilhando de desejo por luta. Não eram criaturas que costumava ver no dia a dia e provavelmente se escondiam na escuridão igual a ele e seus irmãos.

Um gemido abafado chamou sua atenção bem quando estava desistindo e ao se virar para uma das celas se encontrando com um vulto parecendo estar sentado na parede no fundo da cela.Não demotou muito para ver que era seu irmão, mas havia algo diferente. Se aproximou das grades das celas e percebeu que o corpo do garoto estava quase completamente manchado de vermelho e não era natura, não fazia parte de sua pelagem, aquilo era... O sangue dele.

— Minha nossa Shadow, o que fizeram com você? – perguntou espantado ao ver o irmão se levantar um pouco devagar, cambaleando ligeiramente e indo até as grades da cela ficando frente a frente com o irmão. Estava cansado suas energias tinham sido consumidas tão rápido que ele mal conseguia recuperá-las.

— É o treinamento que eles dão. São tão pesados que caso cometa um erro eles de batem com um chicote. – comentou ele com a voz um pouco quebrada e quase caindo de joelhos no chão ao sentir as pernas fraquejarem por um instante. Logo seu olhar ficou sombrio e triste. – Eles os mataram Mephiles. Mataram a todos.

— Quem? – perguntou o ouriço negro de olhos esverdeados um pouco confuso sem saber do que se tratavam aquelas palavras.

- Os órfãos. Todos eles... Mariana, Meg, Julius... Todos completamente mortos pelos demônios. Eu vi... Vi os corpos deles completamente destroçados e nosso pai me obrigou a continuar olhando. – resmungou ele tristonho abaixando a cabeça enquanto apertava com força as barras de ferro enfeitiçadas demoniacamente. Seu ódio e tristeza eram claros. – Ele esta no comando de tudo aqui, e não fez nada para me ajudar. Parecia até mesmo que nem me conhecia.

— Não é possível... – murmurou o ouriço negro de olhos verdes se sentindo completamente atordoado com a informação. Seu próprio pai, aquele que acreditava ter que ajudá-los os havia abandonado? Agora ele queria usá-los para a guerra?

— Pois acredite, eu mesmo o vi. – valou seu irmão com um tom melancólico e ao mesmo tempo raivoso. Se pudesse, se as barras não fossem enfeitiçadas já as teria quebrado com a força que usava para segurá-las. – E nossos irmãos?

— Seguros e logo nos juntaremos a eles. – comentou o ouriço negro de olhos verdes fazendo uma sombra se erguer do chão e ir na direção da fechadura ajeitando seu formato para que assim ficasse adequada para a entrada e assim abrisse a porta. Demorou um pouco, mas logo se ouviu um leve “click” e a porta da cela se abriu deixando ao ouriço de olhos vermelhos sair livremente. – Agora vamos sair antes que nos descubram.

— Não sei se consigo. Estou muito cansado... – comentou o ouriço de olhos vermelhos quase desabando no chão. Rapidamente seu irmão olhou pelo chão e pegou um pequeno ser que passava por aqueles lugares imundos e mal cuidados. Nada mais nada menos que um rato, não, uma ratazana que passava por ali e agora se contorcia na mão do ouriço que o passou para o irmão. – Não pode estar falando sério.

— Pode não ser um manjar dos deuses, mas vai te ajudar a ter forças para pelo menos sair daqui, depois procuramos algo melhor para você. – respondeu entregando a ratazana para o irmão que o mirou um pouco enojado e hesitante. Respirou fundo sabendo que não tinha outra escolha se queria ver seus irmãos mais uma vez e mordeu o pescoço da ratazana deixando aquele grotesco sangue descer por sua garganta até se sentir que suas forças tinham praticamente voltado. Jogou a carniça do bicho para o lado e limpou a boca fazendo uma cara de asco.

— Da próxima vez vou fazer você beber o sangue de um bicho desses. Eca! Que gosto horrível! – exclamou balançando o corpo de uma maneira que mostrasse seu asco, além do rosto contorcido que tinha. O irmão riu alto, para logo depois ambos correrem na direção da entrada do lugar, por onde Mephiles tinha vindo, mas quando chegaram na parte de fora se encontraram com um grupo de demônios reunidos bem na frente deles.

Mas o mais impressionante era que na frente de todos esses demônios os encarando com um olhar indiferente e com uma posição de liderança estava nada mais nada menos que seu pai, os braços cruzados na frente do corpo davam ainda mais ênfase o fato de não estar se importando com o que acontecia. Os dois ouriços fecharam a cara e logo começaram a correr para o lado oposto das tropas demoníacas, saltando o buraco que levava para as celas e indo até a floresta.

Como um sussurro ao vento puderam ouvir a voz de seu pai sussurrando um “vão” e logo depois todos aqueles demônios foram atrás deles. Por uma fração de segundos o ouriço negro de olhos verdes olhou para trás vendo como uma raposa parava do lado de seu pai tendo suas asas seguradas por ele enquanto lagrimas escorriam de seus olhos. Sua garganta pareceu ter um nó enquanto corria cada vez mais rápido com seu irmão, tentando despistar os demônios que o seguiam. Ela não era como seu pai, estava preocupada com ele e provavelmente por isso seria condenada a um castigo...

Por sorte escaparam dos demônios e agora iam para o esconderijo que Mephiles tinha deixado seus irmãos. O sol estava começando a surgir e se não se apreçassem logo poderiam perder as forças, e Shadow não podia arriscar esse fato no estado que estavam. Conseguiram chegar antes dos primeiros raios de sol, e foram recebidos por abraços fortes vindos de seus irmãos, que estavam preocupados com o sumiço dos dois.

Descansaram aquele dia para na noite seguinte voltarem a sua caminhada e assim chegar em um novo lar. Os dois gêmeos nunca contaram a seus irmãos o que tinha acontecido...

Ah! Kaira... O que será que tinha acontecido com ela? Não soube nada dela depois daquilo... Ainda podia sentir o primeiro beijo que se deram, apesar de só ter descoberto que aquilo era um beijo algum tempo depois. Foi tão mágico aquele momento! Só esperava que ela estivesse bem...

— E para que querem mais energia? – perguntou voltando ao assunto que estavam tratando antes. O enorme homem gordo parou o que estava fazendo e se aproximou de onde estava. Ele era maior do que si, mas não se amedrontara nem recuara, para ele tamanho não significava nada.

— Simplesmente porque quero trazer meu exercito. – disse o homem com a voz duplicada, sabia que era Gaia falando por ele. – Algum problema nisso Mephiles?

— Apenas que não quero que interfira em meus planos. – respondeu, mas ele não precisava saber que agora seus planos é fazer com que Yin o jude a se livrar do controle mental e assim poder voltar para sua família. Se eles o aceitassem de volta...

Ainda se recordava como tudo isso começou...

Já fazia anos que tinham chegado em sua nova casa. A guerra tinha terminado, os demônios e os anjos voltaram para seus mundos arrependidos do que tinham feito, apagando a memória humana para que começassem tudo de novo... O demônios deixaram o controle do mal para os seres agora denominados de seres da noite que tinham quatro criaturas principais, eles denominados de vampiros por causa de beberem sangue, Lobisomens, criaturas que se transformavam em feras enormes e poderosas, Bruxas, muito parecidas com seres humanos, mas que tinham a capacidade de controlar a magia e Monstros, seres enormes que pareciam ser uma mistura de animais e plantas, tendo aparências assustadoras e sendo quase totalmente selvagens. Os anjos passaram seu controle do bem para os seres do dia...

Mas para que a paz fosse mantida foi feito um acordo, um não poderia invadir o mundo do outro. Os seres da noite não poderiam sair a luz do dia enquanto os seres do dia não poderiam sair na escuridão da noite. Cada ser da noite teve um líder que deveria participar de um conselho especial para assim nada de ruim acontecesse entre eles. Entre eles Manic fora escolhido como rei pelo fato de poder controlar os quatro elementos, mesmo ele insistindo para ser um dos irmãos mais velhos.

Para que o irmão não ficasse sobrecarregado todos ali faziam alguma coisa para ajudar. Sonia cuidava dos papeis, Manic das relações externas enquanto Sonic e os dois gêmeos cuidavam de problemas de infração de leis. A pouco tempo tinham descoberto que ao morder uma pessoa, humana para ser mais exato, ela se transformava no que eram, uma pequena peçonha que tinham em seus caninos afiados e que por um estudo mais aprofundado descobriram que podia matá-los. A única forma de matá-los. Mas não era só isso que os vampiros possuíam. No castelo que moravam agora, encontrado em uma região remota rodeada de arvores eles encontraram vários livros, sejam eles escritos por demônios ou anjos. Com custo aprenderam a ler e com isso todas as duvidas que antes tinham sobre o mundo foram resolvidas ao mesmo tempo que novos conhecimentos foram conseguidos, como o aprendizado de magias demoníacas.

No momento faziam uma das missões que Manic enviara para os dois gêmeos. Nada muito grande, apenas que um dos poucos vampiros que existiam no mundo estava causando uma confusão entre os lobisomens e era exigido que resolvessem isso. Ao parecer esse vampiro tinha a capacidade de drenar a maldade dos seres da noite e utilizá-la a sua vontade. Isso tinha que parar.

— Que tal quando voltarmos apostarmos uma corrida? – perguntou o mais velho dos gêmeos enquanto pulava de galho em galho sendo seguido pelo irmão que sorriu com a proposto. Os dois usavam armaduras negras com capacetes que tampavam seus rostos. Era apenas para dar imagem, Sonia havia dito que era para dar aos outros uma sensação de pavor e conseguirem que respeitem as ordens que dão. – Quem perder não pode gritar com Sonic pelas brincadeiras dele por dois meses.

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— Então se prepara para ter que aturá-lo sem reclamar porque eu vou ganhar! – exclamou o mais novo dos gêmeos apressando o passo. Mesmo com o passar dos anos nada mudara entre os dois, continuavam sendo unidos, onde um ia o outro ia também sabendo exatamente o que o outro precisava, sentia ou até mesmo pensava.

— Isso é o que veremos! – rebateu o outro também apressando o passo para acompanhar o irmão. Logo os risos cessaram e eles se concentraram em sua tarefa, logo que viram um ouriço de aparência um pouco estranha. Seus olhos eram completamente brancos, seu corpo era de um negro tão negro que parecia azul e suas garras eram... Não tinha como descrever aquilo. Saltaram da arvores na frente do ouriço que sorriu de maneira debochada. – Somos informantes do rei, viemos para dar o alerta de o que você esta fazendo tem que parar se não terá conseqüências desagradáveis para você.

- Oh! O rei! – exclamou aquele ouriço de maneira falsamente emocionada. Os dois gêmeos se entreolharam pensando no que aquele ouriço poderia estar planejando. – É uma honra ter a atenção de tão importante vampiro! Mas devo dizer que não vou poder cumprir sua ordem.

— E podemos saber o por quê? – perguntou o ouriço de olhos vermelhos se mantendo quieto no lugar mirando atentamente aquela tão estranha criatura que parecia exalar maldade de seu corpo. Mephiles que estava do seu lado parecia ver a mesma coisa.

— Ah! Mas claro! E aproveitem para levar uma mensagem para o irmão de vocês. – os dois gêmeos se impressionaram com o que o ouriço tinha falado. Poucos sabiam que eram irmãos, na verdade talvez nenhum vampiro ou ser da noite sabia sobre isso, apenas eles. Então como... – Estou querendo montar meu próprio mundo, mudar a cara desse que vivo para um que me agrade. E para isso preciso da energia que estou coletando, por isso não posso parar. Agora o recado: Fale para o rei que prepare seu melhor exercito com os seres da noite, porque logo os enfrentarei em uma guerra pelo controle do mundo.

O ouriço lhes deu as costas e saiu rindo do lugar, uma risada maligna. Os dois irmãos se entreolharam e logo saíram correndo de lá, indo na direção do castelo onde moravam. Logo o mundo viraria o caos...

— Pode ter garantido que não vai te atrapalhar em nada. – falou o homem o tirando de suas lembranças ao mesmo tempo que se virava para voltar a seu trabalho. – Eu também quero ver essa maldita garota morta. Acho que você entende isso muito bem.

— Posso saber por que esse desespero todo para tê-la morta? – perguntou curioso fazendo o homem parar e virar ligeiramente a cabeça para trás com um sorriso sinistro no rosto.

— Um dia você poderá saber, mas não agora. Por enquanto se concentre em apenas matá-la. – falou e voltou a andar indo até aquela estranha maquina que tinha quatro capsulas que serviriam para colocar as garotas.

Será que o caos novamente dominaria o mundo? Como da ultima vez...

- Aprecem-se!! – gritou o mais velho dos vampiros primários enquanto todos os seres da noite restantes entravam no castelo que no momento era a única salvação de todos ali. Aquelas tão horríveis criaturas negras parecidas com todos eles estavam se aproximando, mas não conseguiriam ultrapassar a barreira que Manic tinha feito e isso era um alivio, mas não podiam se esconder por muito tempo.

Os lideres das espécies da noite se reuniram em uma parte afastava da onde os outros estavam abrigados. Sonia e Sonic ajudavam a cuidar dos feridos e fazer a todos se acomodarem de uma maneira que coubesse todos e mais um pouco. Enquanto isso os outros três irmãos discutiam o que fazer junto com os outros lideres.

— Temos que fazer alguma coisa, rápido! – exclamou o lobisomem que era um lobo enorme com o pelo meio marrom e os olhos reluzentes de um negro profundo. Ele esmurrou a mesa onde tinha um mapa do mundo. – Ele esta conseguindo mais território a cada instante! Logo ele vai controlar o mundo!!

— Não podemos agir de maneira precipitada. – murmurou uma senhora raposa de pelo negro e os olhos azuis que mirava o mapa com certa tristeza. – Temos que ter um plano para poder atacá-lo de uma maneira definitiva e eficaz. Alguma idéia Manic? Vocês conhecem melhor suas fraquezas por serem da mesma raça.

— Não importa quantas fraquezas saibamos dele, nunca conseguiremos chegar perto o bastante para conseguir usá-las para acabar com eles. – murmurou o rei pensativo e logo se virou para os irmãos mais velhos que tinham um brilho sábio no olhar. Sabia que eles tinham um plano. – Alguma idéia irmãos?

— As esmeraldas caos. – falaram os dois gêmeos juntos surpreendendo a todos que estavam ali na reunião.

— Pensei que essas coisas fossem apenas lendas. – murmurou o monstro que estava ali, metade arbusto e metade urso o que lhe dava uma aparência muito assustadora apesar de ser o menor de sua raça no momento.

— Não são. Nós a vimos. – falou o ouriço de olhos vermelhos com um tom determinado.

— Sabemos que provavelmente foram espalhadas pelo mundo e estão escondidas. Mas provavelmente conseguiremos achá-las por causa de nossa energia que é praticamente a mesma das esmeraldas. – falou Mephiles completando a fase do irmão que assentiu concordando.

— Provavelmente conseguiremos usar esse energia para mandar esse tal Dark Gaia para outro lugar, um mundo paralelo talvez. – finalizou Shadow enquanto os membros do conselho se entreolhavam.

- São sete esmeraldas pelo o que ouvi falar. Nos dividimos em grupos e as procuramos pelo mundo. – falou a velha bruxa com a voz um pouco abafada pelo medo. – Cada um de vocês vampiros primários vão com um grupo, já que possuem mais experiência com isso. Eu e o monstro aqui vamos com os outros dois. Atacaremos ao exercito de Gaia enquanto alguns de nós vão até ele para usar as esmeraldas caos.

Todos assentiram apesar de um dos gêmeos se sentir um pouco incomodo com a sugestão. Todos saíram daquela sala e logo o mais velho dos gêmeos puxou o irmão para um canto.

— Não quero que a gente se separe. – falou um pouco hesitante. O irmão assentiu de leve sabendo muito bem porque ele falava aquilo. – Somos fortes juntos, se nos separarmos e alguma coisa acontecer...

— Não nos perdoaríamos. – completou o ouriço de olhos vermelhos colocando a frase no plural. Mirou o irmão com um pequeno sorriso no rosto e logo ergueu a mão. – Tome cuidado mano.

— Você também, mano. – os dois apertaram as mãos, direita com direita. Pena que aquilo não adiantou para impedir o que se seguiu...

— Agora coloquem as garotas nos lugares delas. Temos que nos apressar. – ordenou o homem já com tudo preparado para colocar a maquina que tinha feito funcionar. Nazo foi sem perder tempo na direção das garotas, brincando um pouco a gata lilás e logo levando ela e a morceguinha de pelo branco na direção da maquina.

Sem animo foi até a ouriça loira que o mirava atentamente. Parecia não ter desgrudado os olhos de si desde quando seus olhos se encontraram e ele descobrira aquela tão triste verdade... Essa garota sim que lutava para ficar com seu irmão. A segurou sem nenhum problema e a levou para a maquina sem poder segurar o que saiu de sua boca.

— Sinto muito. – murmurou em um tom baixo que apostava só ela tinha escutado. Os olhos azuis da garota pareciam ter reluzido em compreensão e o mirado ainda mais atentamente.

— Então estava certa. É realmente você mesmo. – murmurou ela no mesmo tom baixo enquanto um pequeno sorriso aparecia em seu rosto. – Não se preocupe, sei que não teve culpa de nada do que aconteceu. Mas, por favor, volte logo para o nosso lado, Shadow sente sua falta.

— Não sei se ele me perdoaria por tudo o que fiz... – disse de uma maneira triste abaixando a cabeça arrependido. Mesmo estando controlado no momento que tudo acontecera podia ver como seu irmão tinha sofrido em suas mãos... Queria tanto pedir desculpas, e ser perdoado.

— Ele sempre te perdoou, mesmo não falando. – respondeu a garota enquanto era colocada naquela maquina tão estranha. O ouriço se surpreendeu, mas não pode dizer nada a garota já que a maquina fora ligada logo que Nazo colocou a ultima garota no lugar.

Se afastou um pouco... Seu irmão lhe perdoava? Depois de tudo o que fez? Fechou os punhos com força... Como queria que aquilo não tivesse passado...

Todos já tinham voltado menos seu irmão. Onde poderia ter se metido para demorar tanto? Só esperava que nada tivesse acontecido com ele. No mesmo instante um calafrio percorreu seu corpo e por algum motivo seus olhos se voltaram para a janela do quarto onde estava. Seu rosto se iluminou ao ver seu irmão na entrada do castelo, mesmo estando sozinho. Saltou da janela bem a tempo de ver como ele apenas deixava a esmeralda que tinha pego no chão e dar a volta pretendendo ir embora. Isso o desconcertou.

— Shadow! – gritou correndo na direção do irmão que parou, parecendo temeroso em virar para trás. Colocou uma mão no ombro dele e o mirou um pouco confuso. – Onde pensa que vai? Vem, vamos entrar e tomar alguma coisa. Temos muito o que discutir para derrotar a esse tal Dark Gaia.

— Não posso Mephiles – sussurrou o garoto quase sem voz. Ele se afastou do irmão com um rosto triste e andou na direção da floresta, ainda olhando para ele. – Tenho que ir, não posso ficar com vocês.

— Claro que pode! – exclamou desconcertado o ouriço negro de olhos verdes. Voltou a se aproximar do irmão e o segurar pelo braço, puxando-o de volta para perto do castelo, querendo fazê-lo entrar. – O que deu em você?! Como pode dizer que não pode mais ficar com a gente?! Sua família!

— Eu realmente não posso Mephiles, sinto muito. Agora me deixa ir. – pediu o ouriço de olhos vermelhos tentando se soltar do irmão, mas o mesmo não permitia. – Mephiles, por favor.

— Não! Não vou deixar você ir de jeito nenhum! – exclamou o garoto novamente o puxando já para dentro do jardim do lugar. Shadow podia ser o mais rápido, mas ele era o mais forte e conseguia levar o irmão sem muito problema. – Você vai ficar com a gente!

— Mephiles eu não posso!! – dessa vez o ouriço de olhos vermelhos gritou, um pouco alterado o que surpreendeu o irmão. Shadow normalmente era calmo, não chegava a gritar. – Eu não posso porque fui mordido!! Não posso mais ficar com vocês se não vou matá-los!!

— Shadow... – sussurrou com dor na voz. Seu irmão... Seu irmão gêmeo ia virar um Dark Chaos... Não... Isso não era possível. Não podia estar acontecendo.

— Me mata Mephiles, por favor. – pediu o garoto caindo de joelhos no chão com a respiração agitada levando as duas mãos a cabeça enquanto grunhia ligeiramente.

— Como pode me pedir uma coisa dessas?! Sabe que nunca faria isso!! – gritou desconcertado se ajoelhando do lado do irmão e colocando uma mão em seu ombro. – Vamos dar um jeito nisso. – queria acreditar naquelas palavras, queria mesmo. – Talvez Sonia consiga um antídoto, talvez ela possa procurar em um dos livros da biblioteca. Tem que ter outra maneira de resolver esse problema...

— Mephiles eu estou perdendo o controle! – grunhiu o garoto caindo nos braços do irmão enquanto seu corpo já parecia se transformar. O mais velho dos dois mordeu ligeiramente a língua, não sabia o que fazer e seu irmão estava se transformando em seus braços. – Me mata logo! Acaba comigo antes que eu machuque você e nossos irmãos! Por favor, Mephiles não vou agüentar por muito tempo!

— E-eu não posso. – murmurou abraçando o irmão com força enquanto o mesmo soltava um alto grasnado, cheio de dor e poder. Seu corpo agora parecia ser o de um completo Dark Chaos apesar de ainda ter traços de seu antigo ser.

Logo ele se lançou encima do irmão tentando mordê-lo enquanto o mesmo só podia colocar um braço em seu pescoço tentando afastá-lo de alguma parte de seu corpo. Não podia machucar seu irmão gêmeo, mas também não podia esperar o que aconteceu depois. Seus irmãos apareceram eufóricos na porta e a atenção do recente Dark Chaos se voltou para eles. O medo tomou conta de si.

— Vão embora!! – gritou desesperado sentido como lentamente seu antigo irmão se levantava e se preparava para ir até os outros que estavam paralisados de surpresa. – Voltem para dentro!! Rápido!!

Mas já não tinha tempo, o recém Dark Chaos saiu de cima de si e avançou na direção de seus irmãos que não sabiam como agir. Não soube como conseguiu ser tão rápido, mas em um estante estava deitado no chão vendo toda a cena assustado e no outro estava segurando aquele Dark Chaos que um dia foi seu irmão enquanto os mais novos finalmente despertavam do choque.

— Sonia, vai procurar uma cura para isso! – gritou para a garota que assentiu e entrou de volta no castelo. Os outros dois tentaram ajudar, segurando o irmão que continuava tentando morder alguma coisa. Claro que tinham se esquecido das sombras que o mesmo podia controlar e quando se lembraram já era tarde de mais. Foram lançados para o lado e o Dark Chaos pulou na direção do mais novo o segurando pelo pescoço e logo o mordendo, fazendo com que soltasse um estridente grito.

Desesperado o mais velho e lançou contra o dark chaos cravando seus dentes no pescoço do mesmo e fazendo ele soltar o irmão que caiu no chão gemendo de dor. Se separou do dark chaos, sem poder evitar que o sangue descesse por sua garganta, mas seu medo era outro. Só agora percebera que tinha mordido seu irmão e que a peçonha que possuía logo faria efeito e o mataria. Mais uma vez o desespero, abraçou o irmão com força enquanto o mesmo se contorcia em seus braços parecendo sentir um dor indescritível.

Em poucos instantes Sonia aparecia no jardim um pouco eufórica. Ela se aproximou do mais velho e passou a mão por suas costas fazendo com que um liquido negro e um amarelo saísse de seu corpo flutuando em uma bolha de energia verde clara. Em poucos instantes Mephiles carregava seu gêmeo quase inconsciente enquanto Sonia ia para o mais novo que aparentava começar a se transformar.

Estava feliz, sua família estava bem novamente... Mas a alegria não durou muito. Logo em sua mente uma forte risada maléfica foi ouvida e seu sangue congelou. Conhecia essa risada só tinha medo do que poderia significar...

Os gritos das garotas o tiraram de seus pensamentos. Elas agonizavam, mas logo perderiam a consciência e não mais teria esses fortes gritos ecoando pelo ar. Se sentiu novamente culpado por tudo o que estava acontecendo. Se não fosse tão fraco e tivesse resistido mais a Gaia... Quem sabe ter contado a seus irmãos... As coisas seriam diferentes?

— Agora vão atrás de suas vitimas. Atraiam a todos para a floresta, porque hoje acabaremos com todos os controladores do caos. – Gaia falou enquanto um portal se abria e dele apareciam vários Dark Chaos.

Caminhou distraidamente para fora do lugar junto de Nazo, sentia sua mente começando a ser controlada novamente e logo não teria mais esse privilegio de seu corpo... Só esperava que Yin tivesse achado a solução que precisava porque logo ele provavelmente iria matá-la junto com o pai dela... Seu irmão...

Notas finais
E ai? gostaram de ver a historia dos vampiros primarios? Bom... ela não foi muito detalhada, mas tenho noticias de que vou fazer uma nova fic dessa serie. Depois da ultima parte Guerra das sombras, vai ter uma fic especial chamada Origens que vai contar a historia de nossos vampirinhos primarios desde o inicio detalhadamente. Também pretendo colocar a historia do silver e da Rouge com detalhes para que vocês vejam como foi a vida de cada um. Posso pensar também em fazer uma parte para a vida como humanos das garotas e do Knuckles, para assim vejam como a amizade deles surgiu. Ou seja, vão ser quatro partes da historia. Uma vai falar dos vampiros primarios, a segundo vai falar sobre o silver que chegou primeiro que a rouge, a terceira vai falar da Rouge e por ultimo e não menos importante vou falar das garotas e do Knuckles.
Mas eu quero saber se vocês, leitores leais da serie Vampire Chronicles vão querer saber tudo isso, porque não vai valer a pena se ninguém ler né? *apesar de você não se incomodar com isso e só gostar de escrever suas historias* mas ter comentarios de outras pessoas também é bom, por isso postei na net °também, ninguém liga para você onde você mora° Taca na cara vai ¬¬

Bjsss