Guardiões: O Retorno Das Trevas
29 O Pesadelo de Soluço
Notas iniciais
Jack sentiu a raiva zumbir em seus ouvidos. E apenas um pensamento se formou em sua cabeça: Breu iria pagar por ter machucado Rapunzel.
Ele gritou. Liberou todo o seu ódio e, ao mesmo tempo, todos os seus poderes. Uma chuva de granizo de iniciou e junto dela uma ventania e uma nevasca. Sim, Jack unira os três. As chamas de Breu tremeluziram, ele não conseguia se mover e quando o fazia Jack liberava mais neve para cima dele.
Com o canto do olho, Jack pôde ver Soluço voando em Banguela para ajudar Merida com a queimadura. Lembrar-se de outros machucados que Breu causara nos amigos o fez liberar mais seu poder.
Então ele pensa na Fada e no Sand.
A explosão foi tão forte quanto seu grito. Aquele maldito matara seus dois melhores amigos, jogara Punz contra o muro e ainda havia queimado Merida. Ele não sabia com quem estava se metendo.
— Você já perdeu, Frost – grita Breu dentro do avalanche.
— Você não se rende? – ele grita de volta – desista! Eu não tenho medo de você nem dessas suas chamas! Já sobrevivi inúmeros ataques seus. DESISTA!
Aquilo fez as chamas se apagarem por completo. Jack recua um passo esgotado e encontra os olhos de Merida enquanto esta abraçava Soluço. Ela piscou. Certamente que dizia: Parabéns, Frost. Foi muita coragem, estou orgulhosa!
Jack ergue o polegar positivo para ela e Soluço. Então pensa consigo mesmo: Quando esses dois vão admitir que gostam um do outro?
Pensar nisso gera um único pensamento consequente: Rapunzel.
Jack corre até ela e a pega no colo. Tinha um enorme galo vermelho na testa que se curava aos poucos, sozinho. As queimaduras nos braços dela saíam com facilidade. Jack sorri ao vê-la curando-se.
Ele se vira. Breu se levantava. O próximo desafio seria de Soluço e Jack tinha que ajuda-lo. Ele pôs Rapunzel com cuidado em cima do Dragão Verde dela.
— Cuida dela – Jack diz para o dragão.
Ele pisca o grande olho verde e voa com ela para um lugar seguro.
Jack voa até Merida e Soluço. Breu estava um pouco tonto. O estado dele fez Jack sorrir consigo mesmo. Bem feito, Cara de Sombra. Que é o fraco agora?
— Ei, Frost – chama Merida – onde está Rapunzel?
— Pascal a levou para um lugar seguro. Vai levar pelo menos uns minutos para a pancada se curar – ele responde.
Soluço estava ao lado de Banguela, com os olhos vidrados e completamente arregalados. Jack seguiu seu olhar e vê Breu crescer de tamanho. A pele dele começa a se tornar rochosa e cinzenta e asas negras crescem em suas costas. Ele se transformara num Dragão gigantesco. Banguela geme, com medo e Soluço engole em seco.
— Seu pesadelo? – Jack pergunta sem tirar os olhos da fera.
— Pois é... – Soluço responde aflito – foi por causa desse camarada que perdi metade perna.
Merida dá um passo a frente, se pondo ao lado dele. Os olhos da ruiva eram tão determinados que Jack jura vê-los pegar fogo. Ela desembainha a espada que ela havia dado a Soluço. Pelo visto ele a devolveu. Jack teria feito o mesmo se tivesse um dragão como Banguela...
— Vamos lutar ao seu lado, Soluço – ela diz olhando fixamente o dragão.
— Só eu posso vencê-lo, Merida!
Ela se vira para ele.
— Sabe a melhor forma de conseguir coragem?
— Com determinação?
— Com amigos.
Jack põe a mão no ombro de Soluço.
— Se todos nós estivéssemos sozinhos lutando contra nossos pesadelos, Soluço – ele diz pensando em Rapunzel – teríamos morrido.
— Tudo bem. Podem vir comigo.
— Isso é muito bonito – diz o Dragão com a sarcástica voz de Breu.
— Pode vir Breu – grita Soluço – não tenho medo de gente morta!
Os três Guardiões se entreolham, um plano formando na cabeça de cada um. E Jack sabia que pensavam na mesmíssima coisa. Ele levantou voo, rápido como o vento, enquanto Soluço montava em Banguela e Merida em seu cavalo, Angus.
Merida seguiu por terra, tão rápida que poderia voar se quisesse. Ela puxa a flecha e acerta um dos olhos do enorme dragão. Ele desviou sua atenção para ela e lançando uma coluna de fogo nas ruas. Jack escuta Merida gritar, e reza para que nada de ruim tenha acontecido. Então, Soluço sobrevoa sua cabeça e Banguela cospe uma bola de fogo em seu ouvido.
O dragão começa a explodir por dentro, mas mataria a todos se continuasse assim. Então Jack voa até o outro ouvido e lança todo o gelo e neve que conseguia dentro dele. O fogo e o gelo agiam juntos, causando um choque térmico em Breu e fazendo-o voltar a sua forma original.
— TEM MAIS ESPAÇO NA FESTA?
Jack leva um susto ao ouvir o grito. Então olha para o lado e sorri de orelha a orelha. Norte aproximava-se no trenó de Natal com Coelhão, em sua forma normal, Mavis, Sand e Fada. Jack sorriu muito ao vê-los. Ainda mais quando notou que Jamie e Lúcia estavam com eles. Logo atrás vinha Rapunzel, voando em Pascal.
Eles aterrissam ao lado de Jack e Soluço. Norte desce do trenó carregando um saco vermelho nas costas, rindo daquela forma esquisita que Jack sempre achou engraçado. Jack ficou feliz ao vê-lo, ele sempre considerou Norte como um pai. Mesmo quando ele as vezes fica bem alienado quando pinta algum carrinho de corrida ou um trem. Isso era uma das coisas mais incríveis nele.
— Norte! – ele diz recebendo-o com um abraço – espero que tenha deixado alguns presentes para entregarmos.
— Só se você tiver deixado um pouquinho do Breu – responde.
Os dois riem. Como dois amigos que se encontram no bar, que não se viam há uns 10 anos.
— Jack! – exclama Jamie aproximando-se – cara, sua irmã é demais! É muito bom te ver. Eu quase que desacreditei, Jack. Quase.
— Calma, Jamie. – Jack ri e beija a testa da irmã – tudo ficou bem, não foi?
Com o canto do olho, Jack vê um Breu extremamente fraco apoiar-se no poste enquanto Sandman o prendia com correntes douradas.
Rapunzel desce do dragão e o abraça muito forte, ele não consegue deixar de sorrir.
— Eu te amo, eu te amo, eu te amo – ela não parava de repetir isso.
— Ei. – Jack olha nos olhos dela, incrivelmente verdes – eu também.
— Pessoal – diz Soluço numa voz alarmada e preocupada – Cadê a Merida?
— Oh não – Jack se lembra de tê-la ouvido gritar na luta com o Dragão Gigante (Breu), e não a viu depois daquilo. Ele e os outros saem a procura dela. Então ele escuta Fada gritar:
— Achei!
Eles correm até de onde a voz da Fada do Dente vinha, e viraram num bequinho sem saída. Angus, o cavalo de Merida, relinchava tristemente sobre o corpo moribundo da jovem. Soluço corre até ela e se ajoelha, e começa a chorar.
Jack e Rapunzel se aproximam. E Jack sente uma dor no coração ao ver a amiga. Metade do corpo de Merida estava completamente queimado e ela não conseguia abrir os olhos. Sua respiração era falhada e se contorcia de dor.
— Pode curar, Punz? – Soluço pergunta com os olhos desesperados.
Rapunzel faz que sim, assustada. Ela se ajoelha ao lado de Merida, e sorri para ela de forma maternal.
— Vai ficar tudo bem – ela diz calmamente – você só precisa se acalmar.
Rapunzel fecha os olhos e começa a cantar de forma doce e serena:
Brilha, linda flor
Teu poder venceu
Trás de volta já
o que uma vez foi meu
As mãos de Rapunzel, que pairavam sobre o peito de Merida, começaram a brilhar numa luz dourada e pálida, que corre pelo corpo da jovem que jazia no chão. Enquanto a luz corre por seu corpo, iluminando-o, as queimaduras começam a curar, a pele de Merida volta a ser rosada e seus cabelos ruivos voltam a ser a mesma vivacidade. Jack sorri.
Cura o que se feriu,
Salva o que se perdeu.
Trás de volta já
O que uma vez foi meu.
Uma vez foi meu.
Merida respira fundo, como alguém que volta a vida. Sua aparência estava como antes, e até mais viva. Ela olha para Soluço e sorri de forma brilhante. Então ela olha para os outros Guardiões ali presentes, e para seu olhar em Punz:
— Obrigada... Morena – ela diz, sorrindo.
— De nada, Ruiva – ela sorri de volta.
Banguela se aproximava com Pascal, os dois lançam um olhar cético para Soluço. Jack os ajuda.
— O que foi? – pergunta Soluço confuso.
Jack faz um discreto sinal na direção de Merida. Soluço abre um sorriso miúdo. Ele entendeu a mensagem... A prova disso é que ele puxa o rosto de Merida e a beija. Jamie e Lúcia fazem som de nojo e os outros começam a rir.
Merida estava completamente vermelha.
— Hã... Vocês não tem mais o que fazer? – pergunta Merida, rindo também.
Sandman se aproxima, puxando Breu por algemas e correntes feitas de areia dourada: as únicas que predem o Senhor das Sombras. Uma interrogação brilha acima da cabeça de Sand. Ele perguntava o que faríamos com Breu.
— Alguma ideia, Norte? – pergunta o Coelhão – é o seu dia!
— Acho que devemos deixar isso para os Quatro Grandes – diz Norte virando-se para Jack, Rapunzel, Soluço e Merida. Piscando um olho para ambos.
— E então? – a Fada pergunta ansiosa – o que farão com ele?
Jack olha fundo nos malditos olhos dourados de Breu. Mesmo ali, derrotado, eles não exibiam piedade.
— Mande-o para a Caverna de volta – Jack diz – e tranque-o lá. Onde a magia das bruxas do Hotel será tão poderosa que ele não conseguirá dobrar a esquina.
Mavis dá um passo a frente, lançando um olhar odioso para Breu.
— Ninguém no Hotel te aceitará desta vez. – ela diz.
Sand e Mavis se retiram, arrastando Breu pelas correntes até a nuvem flutuante e dourada de Sandman. Prontos para aprisiona-lo. Lúcia se aproxima de Jack e o abraça, Jack afaga os cabelos da irmãzinha.
- Temos que ir, Norte? – Merida pergunta – para nossas casas?
Norte acente.
— Podemos nos ver? – pergunta Soluço.
— Claro! Cada um vai ganhar um Globo de Portal como recompensa, mas resolvemos as datas de encontros depois. O que vocês acham de uma festa na Oficina?
Todos gritam em concordância. Jack e Rapunzel trocam olhares e ela sorri. Jack suspira. Era bom ter paz, finalmente!
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