Notas iniciais
Heeeeeeeeeeeeeeeeeeeeey !!!!!

Soluço se sentia incrivelmente feliz. Exceto por ter que viajar no Globo de Neve... De novo!

Ele conseguira vencer o Dragão. Banguela estava vivo. Ele estava vivo. Merida estava viva e... Deuses!... Ela havia cumprido o acordo. Beijá-la foi... incrível!

Soluço estava sorrindo bastante. A ideia de uma festa na Oficina de Norte era reconfortante e, certamente, o faria esquecer todos os sacrifícios e dores que a derrota de Breu resultou. Ele ainda sentia a dor de ver Merida quase morrer. Reunir-se com os amigos era a decisão perfeita.

Porém, havia mais uma coisa ser feita, antes de seguirem para a Oficina: Lúcia tinha que voltar para casa. Soluço ficou ressentido com a expressão derrotada de Jack. Que, por ela, manteu-se firme. Soluço, Rapunzel, Jack, Merida e Lúcia se retiraram para o beco. Norte os chamou enquanto caminhavam.

— Jack – ele disse – você vai ficar bem?

Jack faz que sim com a cabeça, não muito convincente.

— Levarei Jamie para casa – Norte continuou, depois deu tapinhas incentivadores no ombro de Jack – boa sorte.

Depois que ele se retirou com o garotinho de 10 anos até o trenó, Jack virou-se para os amigos, aflito e respirou profundamente. Então ele se vira para a irmã.

— Lucy.

— Eu. – ela responde entusiasmada.

Soluço troca olhares com Merida e Rapunzel. Não sabia se era certo eles ficarem ali num momento particular daqueles. As duas lançaram olhares igualmente confusos, mas silenciosamente eles decidiram ficar e dar apoio a Jack.

— Tá na hora de você voltar para a mamãe – Jack disse calmamente.

Ela abre um enorme sorriso.

— A mamãe vai ficar muito feliz em te ver! – então a expressão dela ficou um tanto tristonha e seu tom mais baixo – ela sente muitas saudades suas.

Soluço pôde ver Jack reprimir uma lágrima. Deuses, devia ser péssimo para ele pensar nisso. Então Soluço começou a ver razão no que Merida havia dito: Ver seus parentes morrerem e todos a sua volta envelhecerem pelo resto da eternidade não parecia ser algo legal.

O ar de vitória que aquela estranha cidade exalava começou a ficar frio e cheio de melancolia. Nem a pálida e forte luz da lua cheia conseguiu tornar o momento mais claro, ou reconfortante. Jack se abaixou para encarar a irmã nos olhos.

— Não, Lucy – ele responde cheio de dor – não vou voltar.

O olhar abalado da menina fez Soluço querer acalma-la, mas isso era com Jack. Ela recuou um passo, a ponto de chorar.

— Por quê? – ela pergunta.

Soluço notou que Jack lutava para olhar nos olhos dela. Então começou a se por no lugar dele. Se fosse ELE o imortal e tivesse um Globo que permitisse voltar no tempo, com sua mãe pedindo para voltar para casa e sua irmã ali bem na sua frente... Uau. Era realmente doloroso.

— Porque eu tenho deveres aqui, Lucy. Um lar.

— Você já tem um lar – as lágrimas começam a descer de seus olhinhos castanhos – com a gente.

— Quando você for mais velha vai entender... Eu acho. O importante agora é que você saiba que eu te amo muito! Muito, ok?

— Tá bem – ela respondeu, enxugando as lágrimas com o vestido – vou dizer para todo mundo que você mandou um beijo.

Jack sorri, melancólico.

— Faça isso – ele disse, mas ficou inaudível.

Jack leva suas mãos até a neve que cobria todo aquele chão com o estranho pavimento e faz uma bola com ela. Ele joga a bola no além e o Portal gira na frente deles, exibindo uma pequena aldeia numa floresta coberta de neve.

Lúcia se virou para Soluço e as garotas e sorriu, exibindo novamente sua janelinha nos dentes da frente.

— Tchau – ela disse, acenando alegremente.

— Tchau, Lucy – eles responderam.

Lúcia abraçou Jack muito forte, e ficaram assim por longos minutos. Soluço jurou ver uma gota de água cair do rosto de Jack e furar a neve no chão, mas era imperceptível. Lucy se afasta e Jack beija sua testa.

— Ande até aquela portinha, tá bem? .

— Tá – ela respondeu – te amo, Jackie.

— Te amo, linda.

Ela sorriu uma última vez e caminhou hesitante até o Portal. Quando ela atravessou, a habitual luz branca brilhou, iluminando a noite por alguns segundos e se apagando logo depois. Deixando os Quatro Grandes com um certo vazio no peito.

O silêncio que se segue a seguir é extremamente desconfortável. A única coisa que se ouvia eram os soluços de Jack e o vento que soprava em companhia à neve que caía. Rapunzel se aproxima dele e os se abraçam. Soluço olha para o lado, imaginando que eles iriam querer privacidade ou algo do tipo...

Ao virar sua primeira visão é de Banguela e Pascal brincarem com um gato preto que atravessava o meio-fio que, assim como a rua, estava coberto por uma camada grossa de neve. Soluço ri consigo mesmo. Dragões... Ele pensa.

A cidade nova era estranha para ele, mas ele procurou lembrar-se de cada detalhe para contar quando chegar em casa: os estranhos e compridos objetos de metal que a iluminavam à noite, as enormes construções de tijolo ou concreto, as janelas revestidas de vidro e até aqueles estranhíssimos objetos de metal sobre quatro rodas que passavam pelas ruas.

Jack ainda soluçava. E ainda era o único som que se ouvia. Com o tempo o relincho impaciente de Angus também foi escutado, assim como o raivoso "miau" do gato preto que já se irritava com os chateios de Pascal e Banguela. Soluço ficou um pouco aflito com a partida da irmã de Jack e a tristeza dele e tudo o mais... Mas eles não poderiam ficar na neve a noite inteira.

Ele tem o impulso de olhar para o céu. Não sabia porquê, nem descobriu depois. Foi só... intuição. Mesmo com a neve que caía como chuva, o céu estava estrelado (como se quem caísse fossem as estrelas) e a lua cheia brilhava extremamente. Ao vê-la, Soluço sentiu-se acolhido. Não sabia explicar. Sorriu consigo mesmo (ou talvez para ela) e voltou sua atenção novamente para a paisagem estranha.

Então, ouve-se um pigarro.

Todos voltam sua atenção para Merida, que afiava uma de suas flechas com a própria unha do polegar. Soluço se arrepiou de nervoso. Como ela conseguia aquilo?

- Temos que ir pessoal — ela diz — Norte está nos esperando.

Todos concordam e assentem com a cabeça. Ela estava certa, é claro. O bom velhinho deveria estar preocupado.

Soluço se vira novamente para os dragões e chama Banguela.

- Vem amigão! — ele diz.

Banguela vem caminhando com Pascal calmamente, sem pressa alguma. Ele se senta na frente de Soluço e sorri exibindo sua boca sem dentes. Soluço, por sua vez, ri como sempre faz quando o vê fazer isso.

- Também estou feliz por ter ver — diz fazendo carinho no dragão.

Enquanto isso, Rapunzel tinha um ataque com o dragão dela:

- Como é que você NUNCA me contou disso?

Pascal faz um som de lamento.

- Não quero nem saber — ela prossegue — vai ficar uma semana sem torrada.

Mais um som de lamento, dessa vez mais triste.

- Hã-hã. Uma semana. Senão vou estender para um MÊS.

Pascal se licencia. Ela olha para os outros, que a fitavam confusos, e enrubesce. Ela põe uma mecha do novo cabelo moreno para trás da orelha.

- Desculpe.. — diz sorrindo.

Merida revira os olhos, também sorrindo e assobia para o cavalo negro e branco, que se aproxima rapidamente. Ela faz carinho nele como fez com Banguela quando o conheceu.

- Que saudade do meu garoto... — diz.

Jack ri. Foi bom ouvi-lo rir depois da melancolia exposta uns momentos atrás. Ele se aproxima dos outros, que já montavam em seus "melhores amigos", prontos para partir para o Polo Norte.

- Prontos? — pergunta Jack abaixando-se para recolher uma bola de neve do chão.

- Mais do que prontos, Frost — Merida responde.

- Eu não estou muito a fim de viajar nessa coisa de novo.

Jack ri alto, assim como os outros.

- Desculpa aí, Espirro.

Jack lança a bola de neve para cima, e dessa vez o Portal cai sobre eles, fazendo a viajem ser extremamente desconfortável. Com dores de cabeça, narizes escorrendo e estranhos ruídos no ouvido. Foi horrível! Mas Soluço nunca se divertira tanto...

Notas finais
XD Casa do Norte no próximo capítulo...