Guardians II - Ethereal Spirits
10 X - Carl's Brother
Notas iniciais
E foi graças a Logan que eu acabei despertando daquele terrível pesadelo, quase encharcado de tanto suor frio que escorria pelo meu peito e pescoço.
— Você estava resmungando cara. — Disse ao me acordar com algumas cutucadas na cara. — Pesadelo?
— Sim.
Tentei levantar, mas ainda estava atordoado demais e com uma fraqueza no corpo que não me permitia mexer muito.
— A mesma coisa do que da outra vez?
As imagens do homem atingindo Hades pelas costas surgiram em minha mente, deixando-me em pânico apenas por lembrar.
Olhei para Logan, na tentativa de contar como fora o sonho, mas algo me interrompeu antes mesmo de eu abrir a boca.
— Atena... — Murmurou Luna com uma expressão aterrorizada ao abrir a porta de nosso quarto. — Ela está...
— Morta.
Minha amiga apenas assentiu, sentando-se ao meu lado e abaixando a cabeça.
— Eu também... — Falei sem conseguir completar a frase, tentando amenizar a situação e tranquilizar Luna, algo que seria bem difícil já que eu mesmo não estava calmo. — Parecia tão real.
Logan apenas olhava para nós enquanto eu contava o que havia visto, enquanto Luna, aparentemente, fitava o chão de forma horrorizada.
— Eu juro que se eu ver aqueles Strigois na minha frente eu vou mata-los. — Meu amigo parecia irritado, mas eu não sabia se ele havia dito aquilo apenas por falar ou na tentativa de nos acalmar.
— Você não vai conseguir vê-los. — Inesperadamente foi Carl quem disse aquilo, surgindo em nosso quarto de repente e assustando-nos. — Foi mal, a porta estava aberta.
— Que horas são?
Ele olhou pelo lado de fora do quarto com uma expressão de curiosidade.
— Não sei, mas todo mundo já acordou. — Respondeu, se afastando. — Parece que Patrick também começou a reagir.
— Pelo menos uma notícia boa.
Carl me lançou um olhar diferente, mas provavelmente havia entendido que algo havia acontecido, mas preferiu ficar em silêncio e sair do quarto.
— Acho que seria melhor voltarmos ao mundo real. — Comentou Logan, levantando-se e ajudando sua irmã a fazer o mesmo. — Estou preocupado com Bob.
As possibilidades do cachorro ter sobrevivido ao ataque dos Drows era praticamente nula, mas eu não queria deixar meu amigo aborrecido, então fiquei em silêncio, saindo do quarto logo após eles.
— Logan... — Disse Luna de repente, olhando para seu irmão. — Seu braço.
Até então eu não havia notado, mas o braço em que ele estava usando uma faixa estava tão normal quanto o outro, sem nenhum sinal de ferimento.
— Ah, verdade. — Logan esticou o membro, mostrando o quão bom estava. — Silver disse que a faixa era uma espécie de curativo que minha pele iria absorver em algumas horas, acho que foi isso o que aconteceu. Novinho em folha.
Era surpreendente a facilidade em se curar depois que o mundo mágico foi apresentado a nós, o que era bom por um lado, já que vivíamos nos ferindo com tantas batalhas.
— Por falar nisso, onde está Silver? — A pergunta de Luna ficou no ar, mas logo foi respondida quando um clarão surgiu a nossa frente, no final do corredor, onde ligava o salão principal aos demais lugares.
Silver logo apareceu, mostrando a mesma expressão de indiferença de sempre, o que me deixava intrigado já que eu não sabia se podia ser uma boa ou uma má notícia.
Ele vestia seu sobretudo e estava com algumas camadas de neve em seu ombro e nos fios grisalhos de cabelo, que se camuflavam. Em sua mão estava o cajado que costumava levar ao mundo real, que o permitia fazer feitiços com maior facilidade.
— Bob! — Logan gritou ao ver o cachorro ao lado do mago sem nenhum ferimento e mais feliz do que nunca ao ver seu dono.
— Como ele... — A intenção de perguntar como Bob havia sobrevivido foi interrompida quando Luna me cutucou com seu cotovelo, me repreendendo com seu olhar.
— Os Drows desapareceram. — Falou por fim Silver, que estava esperando por Dika e Kenychi. — Mas acho que ainda podem voltar.
— E quanto aos Duendes? — O Espírito da Bondade se manifestou com preocupação.
Silver parecia um tanto distraído em comparação ontem a noite e aparentemente evitava me olhar, o que podia ser impressão minha, mas não deixava de ser estranho.
— Não os vi. Presumo que tenham fugido. — Respondeu o mago. — Porém estou intrigado com algo... Por que os Drows simplesmente partiram? Eles não têm o hábito de fugirem.
— Vai ver cansaram de esperar. — Era uma hipótese, mas Silver pelo visto não estava considerando-a.
— Ou algo deve ter os expulsado. — Murmurou, olhando de forma curiosa e intrigada para Bob, que não parava de lamber Logan de felicidade. — De qualquer maneira, vou tentar encontra-los.
Silver então se afastou, porém senti que precisava contar a ele sobre o pesadelo que havia tido e se poderia significar algo.
— Silver. — Chamei o mago, tentando alcança-lo, mas ao virar o corredor ele simplesmente desapareceu, sem deixar nenhum rastro.
Olhei para o corredor a minha frente, vazio e sem vida, mas mesmo assim fortemente iluminado pela mágica do lugar. Tentei entender o motivo de ele ter me ignorado, mas não conseguia.
— Ele está preocupado, ele precisa ficar um pouco sozinho. — Falou de repente Kenychi ao meu lado.
— Todos estão...
— Ele sabe disso, mas os problemas de Silver são bem mais complexos e difíceis de entender.
— Agora me conte sobre seu sonho.
♦
Decidimos nos reunir na mesma ala em que Patrick estava, já que ele havia se recuperado o suficiente para poder conversar, assim como Cleo, que já podia andar livremente sem precisar de ajuda, embora ainda tivesse um pouco de dificuldade.
A ala era quase que idêntica a de nossa amiga, com quadros verdes, que de acordo com Dika era o espectro da cura e da esperança. A única diferença era que possuía muito mais aparatos tecnológicos e místicos do que a outra.
Explicamos cada detalhe após o ataque dos Drows ao garoto, que nos ouvia atentamente e em silêncio. Levamos cerca de meia hora para poder relatar tudo, mesmo que de forma resumida.
— Isso explica muita coisa. — Respondeu ele com a voz fraca após a explicação.
Um breve silêncio se criou após a fala de Patrick, o que deixou claro que ninguém sabia o que fazer diante de nossa nova situação.
— Aparentemente esse homem que aparece nos sonhos de Kevin e Luna é mais poderoso do que Zargron. — Observou Dika.
— Pra falar a verdade eu não sei se são os mesmos. — Luna me lançou um olhar confuso, fazendo-me lembrar do pesadelo. — Eles pareciam diferentes.
Até então eu não tinha percebido isso, mas era verdade.
— Agora que você falou... — Murmurei, tentando comparar a imagem de ambos em minha mente. — O primeiro tinha uma expressão muito mais demoníaca e o outro era mais humano, mas os dois davam muito medo.
— Independente se são os mesmos ou não, precisamos tomar muito cuidado. — Falou Logan, que não saia de perto de Bob nem por um instante. — O que precisamos agora é voltar à superfície.
— Isso não será um problema. — A voz de Silver surgiu de repente na porta da sala, fazendo todos se virarem e o encararem. — Encontrei os Drows.
O mago entrou na sala rapidamente, indo de encontro a parede vazia, sem nenhum dos quadros verdes que enfeitavam o ambiente.
Com um único movimento ele colocou sua mão sobre a parede branca e criou-se uma projeção na mesma, mostrando algumas cenas vistas de cima.
— O que está acontecendo?
Era difícil distinguir o que os Drows estavam fazendo, mas muito provavelmente estavam lutando pelos seus movimentos rápidos e brutais com as espadas.
— Eles invadiram Rhokar, uma aldeia de anões próxima de onde estávamos. — Explicou Silver com uma expressão séria.
— Por que?
— Por isto... — Ele então pôs sua mão novamente na parede, ampliando a projeção.
Era possível ver, entre a luta dos anões com os Drows, algo diferente, como um brilho intenso que surgia a cada movimento, mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de muitos dos Elfos Negros mal conseguirem se aproximar daquele brilho, sendo arremessados a uma boa distância.
— Outra pedra? — Olhei para Cleo quando a mesma havia se pronunciado e percebi o quão próximo ela ficou de Patrick naquele momento.
Silver apenas assentiu em resposta.
— Pode ser arriscado tentarem salvar aquele clã e a pedra, mas...
— Mas nós iremos mesmo assim. — Falei sem hesitar, recebendo olhares de meus amigos. — Não podemos deixar mais pessoas se ferirem, temos que lutar.
— Kevin tem razão. — Estranhamente quem havia concordo comigo não tinha sido Logan nem Luna, e sim Patrick.
Por um instante ele tentou se levantar, mesmo com dificuldade e com seu corpo preso a maca, porém Cleo interviu a tempo que ele se machucasse ainda mais.
— Você não tem condições de lutar. — A garota olhou para perna e tentou força-la, exibindo uma careta de dor logo em seguida. — Acho que eu também não.
— Não se preocupem, nós daremos conta. — Garanti, mesmo que estivesse incerto disso.
— Dika... — Silver chamou o espírito, que rapidamente lançou lhe um olhar e balançando a cabeça.
— Kenychi e eu acompanharemos vocês, mas precisamos de hospedeiros para isso. — Disse a mulher, olhando Luna, que apenas concordou em servir de portadora ao espírito.
Olhei para Kenychi e a vi exibindo um sorriso feliz em minha direção, o que me levou a crer que ela havia me escolhido para portar seu espírito.
— Eu?
— Não. — Respondeu, deixando-me confuso. — Algo me diz que você é bom o suficiente para precisar de minha ajuda.
Não sabia se poderia considerar aquilo como um elogio ou não, mas preferi pensar na primeira hipótese.
— Na verdade todos vocês são bondosos e autossuficientes. — Voltou a dizer. — Porém, Logan é o único que possui um coração puro de verdade e só o fato dele querer proteger sua irmã mais do que a si mesmo mostra o quão bom ele é.
Logan não demonstrou nenhuma surpresa, muito pelo contrário, ele abriu um sorriso tímido e se levantou, fazendo Bob parar de sorrir.
— Ótimo, agora que já decidimos isso, devemos partir. — Pronunciou-se Carl com pressa.
— Ainda não. — Contrapôs Silver, retirando sua mão da parede e fazendo com que a projeção desaparecesse.
Ele então se caminhou até a porta e virou o corredor, deixando-nos a sós misteriosamente. Porém não durou muito tempo para que o mago voltasse, trazendo consigo uma espécie de disco de vidro.
— Assim como vós, partirei em uma missão, porém manterei contato assim que possível. — Silver então entregou o disco à Cleo, que o guardou cuidadosamente. — Sabe sair daqui caso precise, não sabe?
A garota assentiu confiante.
— Ótimo. — Tornou a falar o mago. — Recomendo prosseguirem com a missão em ir à Grécia. Mas não precisam procurar pelos hiperbóreos, Aramus sabe onde se encontra Skidbladnir.
— Quem?
— Aramus II, um poderoso lich e um grande amigo meu. — Explicou. — Procurem-no em Utah, no Vale do Monumento. E assim que chegarem à Grécia, contem tudo a Quíron, ele poderá nos ajudar.
Ninguém disse nada em seguida, apenas aceitando o que Silver dissera.
— Agora me deem licença, preciso me preparar.
Por um instante observei Silver se afastar até virar o corredor mais uma vez e foi quando decidi correr atrás dele.
— Esse velho deve estar de sacanagem comigo. — Murmurei ao perceber que ele desapareceu pela segunda vez no dia.
E foi então que Kendall passou por mim, colocando a mão em meu ombro e o apertando com força.
— Esquece isso, temos que chutar umas bundas feias de Drows.
— Não se esqueça que sou metade Drow. — Retrucou Carl, passando entre nós.
— Exatamente por isso você é meio feio.
♦
— Meu Deus, passou um furacão aqui? — Perguntou abismado Logan ao ver a casa em que fomos atacados pelos Drows totalmente destruída, com marcas de garras por todos os lugares, mobílias em pedaços, o teto quebrado, mostrando o céu e a neve, que caia lentamente sobre nossos ombros.
Realmente, a situação da casa era deplorável e parecia que havia sido atingida por um desastre natural. No entanto, não havia nenhum morto naquele lugar, o que era ótimo.
— E agora?
Kendall deu alguns passos em direção a porta que estava no chão.
— Agora vamos procurar pelos anões.
Um certo frio na espinha surgiu ao lembrar que teria que enfrentar um exército de Drows, mesmo que estivesse ao lado de meus amigos e alguns anões. A incerteza e o medo logo me atingiram, fazendo-me perguntar se realmente podíamos sobreviver a esta missão.
Porém, algo chamou a minha atenção, antes mesmo de sair da casa. Um som, vindo de baixo dos destroços, que fez com que Luna e eu nos virássemos ao mesmo tempo.
— Você ouviu também? — Perguntou ela.
Aparentemente ninguém entendeu o que estava acontecendo, mas não os culpava por não terem uma audição tão boa quanto a nossa.
— Está aqui. — Falei ao ouvir mais uma vez.
Com a ajuda de Logan e Kendall, levantamos uma viga de concreto muito pesada enquanto Carl tirava os escombros mais leves.
Abaixo da pilha de telhas estava um dos Duendes que protegia a casa e que havia pregado uma peça em nós quando entramos sem permissão.
— Obrigado. — Agradeceu o pequeno ser, se levantando com dificuldade.
— Está tudo bem? — Perguntou Luna, que o pegou cuidadosamente pelo corpo fino. A única coisa que ele fez foi balançar a cabeça, tirando a sujeira de seu corpo. — Onde estão seus irmãos?
Naquele momento um olhar de tristeza surgiu em sua expressão, abaixando a cabeça e se ajoelhando na palma da mão de minha amiga.
— Eu sinto muito. — Luna passou a mão sobre a cabeça dele, na tentativa de consola-lo.
— Nós Duendes somos frágeis, não conseguimos sobreviver por muito tempo em situações de perigo. — A voz dele era fina e irritante, mas mesmo assim consegui sentir pena da situação dele. — Já perdi muitos amigos e familiares assim, mas agora não me resta nada.
— Infelizmente a vida é assim, tira da gente as pessoas que mais importam. — A dura realidade que vivíamos não se limitava somente a humanos, mas também a qualquer criatura.
— Eu sei. — O Duende continuou de cabeça baixa, se virando na mão de Luna. — Agora se me derem licença eu preciso ir.
— Você não quer... — No mesmo instante em que tentei convencê-lo a ficar conosco, Luna gritou, tentando pega-lo.
— Ele pegou minha pedra!
Sem hesitar todos tentaram correr atrás do Duende, na tentativa de pega-lo, mas o mesmo era dez vezes mais rápido do que nós e apenas brincava com a gente, derrubando-nos e fazendo com que nos trombássemos.
Porém, o único que conseguiu quase pega-lo foi Bob, que latiu assustadoramente, fazendo todos pararem e o observar, incluindo o próprio Duende.
— De novo não, por favor! — O pequeno ser estava de joelhos, assustado enquanto o cachorro rosnava para ele.
Na hora não entendi nada, mas o fato dele implorar que Bob não fizesse algo, assim como Silver disse que alguém expulsou os Drows fez com que eu interligasse as coisas.
— Devolva minha pedra. — Esbravejou Luna.
O Duende olhou para a garota e soltou mais uma vez seu riso fino e agudo.
— Não. — Mais uma vez Bob latiu para ele, deixando-o com mais medo ainda. — Pegue, pegue!
Luna se aproximou para pegar a pedra, enquanto observávamos a ridícula cena daquele pequeno covarde. Porém, algo impediu que ela chegasse perto, parando no meio do caminho.
— Você é fraco demais Gwendell. — Disse alguém oculto nas sombras.
— Essa voz... — Carl disse aquilo como se já tivesse ouvido a voz.
Tentei procurar o lugar de onde havia vindo, mas não precisei de muito, pois em alguns segundos a figura de um homem esguio e belo, com traços élficos e nobres.
— Dehing. — O garoto disse o nome de seu irmão com tamanho desprezo que não dava pra distinguir se era ódio ou nojo.
O Drow usava uma armadura metálica extremamente fina, que mais pareciam escamas de peixe. Em suas costas, oculto pelos cabelos brancos, havia uma aljava de flechas pontiagudas e brilhantes e em sua mão ele portava uma faca de caça prateada, além de um anel verde e fosco, com uma pedra da mesma cor.
— Você é mesmo repugnante Carl. — Murmurou Dehing, se aproximando de nós. — Se misturar com esse tipo de gente...
Ele havia se aproximado o suficiente para que ficasse a centímetros de Luna, passando sua faca pelo pescoço de minha amiga que estava paralisada de medo.
— Se bem que já era de se esperar, vindo de alguém impuro como você. — A única coisa que Dehing não fez foi cuspir diante Carl.
O ódio entre os dois estava mais claro do que qualquer coisa.
— Quem você acha que é pra falar assim com ele? — Gritou Kendall, sacando sua espada e brandindo contra o Drow.
O Elfo Negro se movimentou tão rápido que mal pude vê-lo. Foi somente quando Kendall estava no chão, deitado e tentando entender o que havia acontecido, que eu pude ver o que Dehing fizera.
— Mas que gracinha, você fez amigos. — Zombou, apontando a espada de Kendall na direção do garoto. — Acho que vou poupar a vida deles pra você não ficar chorando.
Dehing jogou a espada para o garoto, se virando de costas a nós e indo em direção ao Duende, que estendia a Pedra de Atena.
— Aqui meu mestre, como o senhor pediu.
No mesmo instante olhei para Logan e não precisou nem de nossa conexão para concordarmos em algo.
Aproveitando que o Drow havia se virado de costas, Logan e eu sacamos nossas espadas e tentamos ataca-los sem que ele percebesse. Mas assim que ele se abaixou para pegar a pedra, num único movimento ele saltou sobre nós, dando um mortal e pousando com perfeição.
— Que covardia. Tentando atacar o inimigo pelas costas? — Ele se virou para Carl, passando ao lado dele. — Nosso pai deveria sentir vergonha de ter um filho tão inútil e covarde como você.
Por fim, o Drow se aproximou da porta e exibiu um sorriso a nós.
— Como eu só precisava dessa pedra, acho que vou deixar vocês sozinhos, refletindo o quão inferiores são perante mim. — Dehing ergueu seu punho, próximo ao queixo e com uma piscada com o olho direito, ele simplesmente desapareceu numa nuvem verde de fumaça.
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