Guardians II - Ethereal Spirits
9 IX - The Seven Princes
Notas iniciais
Decidimos esperar que Patrick e Cleo se recuperassem para resolver qualquer assunto pendente, o que poderia levar certo tempo levando em consideração que Patrick estava completamente inconsciente e respirando através de tubos.
— Fiz o possível, porém teu amigo não reage. — Foi tudo o que ouvi de Silver enquanto ele conversava com Kendall.
Desde então tínhamos nos separado em duplas praticamente, apenas para passar o tempo e tentar esquecer a situação angustiante que Patrick estava passando.
Carl e Kendall se aproximaram bastante, o que foi bom para conhecer o garoto que havia se juntado somente há dois dias entre nós.
Enquanto isso, Luna decidiu fazer companhia à Cleo, que estava em repouso enquanto sua perna se cicatrizava com velocidade, assim como o ferimento de Logan.
— O que acha que vai acontecer? — A voz de meu amigo surgiu de repente ao meu lado, trazendo-me para o mundo real já que estava perdido em meus pensamentos enquanto sentia o peso da responsabilidade sobre mim.
Logan e eu estávamos sentados no chão do salão principal há mais de duas horas após a conversa com Silver. Ele havia colocado apenas um sobretudo que pudesse cobrir seu tronco despido e o braço engessado, mas era estranho vê-lo usando aquela roupa, já que era comum usar apenas camisas claras e pouco chamativas.
— Não sei, mas acho que devemos nos preparar para o pior.
Olhei para meu amigo e não precisei utilizar nossa conexão para perceber que ele estava com medo. Seu olhar estava vacilando a cada instante e sua respiração ofegante era um sinal que deixava seus sentimentos ainda mais explícitos.
— Pelo menos Luna está bem, agora que sabemos o que estava acontecendo com ela. — A tentativa de tranquiliza-lo foi boa, mas não serviu para muita coisa.
— Você tem razão... — Foi tudo o que ele disse, voltando a fitar o vazio em silêncio.
Desde a morte de Zargron, meu amigo nunca mais foi o mesmo, sempre distante e distraído, o que me deixava preocupado algumas horas, só que eu não podia culpa-lo, já que aquilo foi um trauma não só pra ele, mas para todos.
— Estou com medo. — Logan me pegou de surpresa ao falar aquilo, mesmo que eu soubesse o que ele estava sentindo.
Mais uma vez olhei para ele e vi o desespero tomar conta dele, como se não tivesse esperanças mais.
— Eu sei. — Por um momento olhei Kenychi e a vi sorrindo, mesmo diante de tudo o que estava acontecendo e percebi que, por mais que a situação estivesse começando a ficar desesperadora, teríamos que sorrir de vez em quando. — Todos estão e com razão, mas não podemos deixar esse medo nos dominar, caso contrário nunca teremos capacidade para vencer.
— E se não conseguirmos?
Tentei encontrar alguma resposta decente e encorajadora que Logan poderia falar, mas o problema é que eu estava tentando consolar alguém que sempre soube se manter firme diante de qualquer situação.
— Vamos conseguir cara. — Minha voz não saiu do jeito que eu queria, porém continuei mesmo assim. — Pense que daqui um mês estaremos na Grécia de sunga, enquanto tomamos um sol na praia e observamos algumas mulheres de biquíni.
Pela primeira vez em uma semana eu vi Logan sorrir, o que já era um bom sinal e me deixando menos angustiado e perdido.
— Com exceção da parte em que você está com sunga, o resto parece ser um ótimo futuro.
— Sunguinha vermelha de preferência.
Infelizmente eu tinha que concordar que imaginar eu naquela cena era uma imagem pior do que o pesadelo que havia tido na parte da manhã, o que me fez remexer no lugar em que eu estava. Porém, algo me incomodou em meu bolso e foi naquele momento em que todas as lembranças vieram, quando pude sentir o peso da carta de minha mãe.
— Não vai abrir? — Perguntou Logan assim que eu a retirei do bolso, momentos depois das risadas.
O papel estava um pouco amassado em minha mão e uma pequena mancha de sujeira estava nas pontas, deixando-o menos brilhante.
— Não sei se estou pronto para isso... — Vários pensamentos fluíam em minha cabeça a respeito de minha mãe, mas qualquer que for a resposta eu vou precisar ser forte. — Quando tudo isso acabar, quem sabe.
Kenychi surgiu de repente, ainda com seu sorriso bondoso no rosto, que fazia jus ao fato dela representar todo o bem da humanidade e de outros seres.
— O quarto onde vocês podem passar a noite já está pronto, se quiserem ir fiquem a vontade. — Falou ela de bom humor.
— Acho que eu preciso descansar um pouco. — Disse meu amigo, levantando-se logo em seguida com dificuldade já que estava sem apoio com o braço direito. — Você vem?
— Não. Agora não.
Logan não se importou em eu ter preferido ficar, o que não significava muita coisa, já que eu sabia muito bem que não conseguiria dormir com facilidade, não depois do pesadelo e do que passei no dia de hoje.
Ambos se afastaram rapidamente, com o espírito na frente, levando Logan pelo caminho e mostrando onde era o seu quarto.
Enquanto isso, apenas fiquei parado, respirando e processando tantas informações em meu cérebro limitado. Pelo menos até Silver aparecer misteriosamente ao meu lado, com seu sobretudo e uma espécie de cajado na mão.
— Árduo dia, não meu jovem? — Sua voz estava mais tranquila do que o normal, o que me levou a pensar como ele poderia ser tão calmo em momentos tão difíceis.
— Nem me fale.
— Não te preocupes com o passado no momento, apenas será mais incompreensível a partir de agora. — Orientou o mago, observando Dika e os demais em silêncio. — Mas não hesite em procurar-me quando for necessário, sempre estarei disposto a ajudar.
Naquele momento diversas lembranças surgiram em minha mente mais uma vez, enquanto observava Silver se afastar vagarosamente.
— Senhor. — Chamei-o antes que ele partisse de vez.
O velho se virou em minha direção e me lançou um olhar paterno e diferente.
— Acho que preciso de ajuda.
Ele exibiu um sorriso e se virou mais uma vez.
— Venha comigo.
♦
— Isto é a Mão Mágica.
A resposta de Silver foi clara e objetiva quando perguntei a ele sobre o que Hades havia me dito uma vez em sonhos.
Ele pegou uma esfera de metal e a segurou firme com sua mão direita, fazendo seu punho fechar inteiramente sobre ela. Não levou muito tempo para que ele abrisse novamente, mostrando um metal completamente deformado e derretido, como se estivesse ficado exposto a altas temperaturas.
— Então quer dizer que eu posso derreter as coisas?
Silver sorriu com a minha pergunta, o que me fez parecer ridículo.
— Muito provavelmente não. — O mago pegou o metal derretido sobre a mesa e o juntou, fechando-o sobre o punho e solidificando novamente até formar uma esfera metálica. — A Mão Mágica é uma particularidade entre os seres mágicos como bruxos, magos e feiticeiros. Cada um possui uma habilidade específica, sendo, por exemplo, a minha a de controlar a temperatura.
— Então quer dizer que eu herdei de minha mãe essa habilidade? — Perguntei de forma curiosa, já que eram tantas coisas genéticas que havia puxado de meus pais que acabava me confundindo.
— Certamente. — Respondeu com certeza. — O dom da Mão Mágica se manifesta na maturidade espiritual, por volta dos 18 anos de idade no teu caso.
— Interessante...
Não havia muita coisa para que pudéssemos passar a madrugada conversando, não depois de tantas explicações sobre o mundo místico e coisas relacionadas.
— Acho que já está tarde. — Comentei ao sentir o cansaço me dominar.
— Realmente. — Silver guardou sua esfera metálica numa gaveta, o que me deixou curioso para saber o motivo dele ter tantas coisas estranhas assim. — Amanhã será um dia cansativo, provavelmente. Recomendo que descanses o máximo possível.
— Se eu conseguir...
Ao me virar para ir ao corredor, notei um incômodo silêncio naquele lugar e presumi que todos já haviam se retirado para dormir e eu seria o próximo. No entanto, algo me veio a mente, o que me fez parar.
— Ontem eu tive um sonho... — Falei, olhando em direção a Silver, que estava distraído abrindo um livro. — Bem assustador por sinal.
— Hades?
Lembrei-me da voz que ecoava em minhas lembranças toda vez que essa memória surgia em minha mente. Lembrei também da expressão aterrorizante no rosto do homem que havia invadido meu sonho e transformado num pesadelo.
— Não. — As palavras ditas pelo homem ainda retumbavam em minha cabeça. — Ele não disse quem era, mas tenho certeza que é muito poderoso.
Silver continuou encarando algumas páginas a sua frente, e eu não sabia se ele estava ouvindo o que eu dizia.
— Ele disse algo sobre ter mil nomes e eu não ser digno de dizer nenhum deles, algo do tipo.
E foram com aquelas palavras que as mãos de Silver vacilaram enquanto segurava firme seu livro, fazendo-o olhar diretamente para mim com uma mistura de sentimentos, que iam de confusão à medo.
— Provavelmente foi apenas um pesadelo. — Respondeu, mas eu sabia que ele estava mentindo pelo olhar.
— Não sei, parecia muito real.
— Vá dormir Kevin, amanhã será um longo dia. — Pediu, praticamente me expulsando da sala e fechando a porta.
Fiquei a sós no corredor iluminado, enquanto um calafrio de medo percorria minha espinha.
Acho que isso não é uma coisa boa. Pensei, virando e indo em direção ao mesmo quarto que Logan.
♦
Mesmo com o cansaço físico e mental, levei um bom tempo para pegar no sono. Porém, quando isso aconteceu, o sonho surgiu mais uma vez.
— Kevin? — A voz de Hades retumbou em meus ouvidos e eu me senti aliviado por ser o espírito do deus e não outra pessoa ou coisa.
Não levou muito para que ele surgisse na vasta escuridão de meu sonho, com um semblante sério e diferente do normal.
— O que aconteceu? — Perguntei sem rodeios ao perceber que ele queria me dizer algo.
— Morte... — Disse ele abrindo a boca e fazendo o sangue escorrer, até o deus cair no chão, inerte e sem vida.
De repente um vulto surgiu atrás de Hades, pisando sobre ele com uma bota de couro manchada de sangue. A imagem de um homem se tornou mais nítida, com um olhar sanguinário e assustador. Seus cabelos eram prateados, quase que inteiramente brancos, enquanto sua pele pálida ajudava a emitir uma luz sombria e densa ao redor.
— O que você fez com Hades? — Gritei, procurando por minha espada, mas não havia nenhuma arma comigo, me deixando a mercê da sorte de ser realmente um sonho.
— Em breve é isso o que acontecerá com você e seus amigos caso decidam se meter onde não são chamados. — Respondeu o homem com um sorriso maligno. — Ninguém conseguirá conter a fúria dos Sete Príncipes depois que o mundo souber de toda a verdade.
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