Notas iniciais
E aí galera? Tudo bão com vocês? Tava meio difícil bolar isso aqui, mas consegui Queria deixar ele mais longo, mas decidi parar por aqui pra deixar um clima de suspense

Decidimos esperar que Patrick e Cleo se recuperassem para resolver qualquer assunto pendente, o que poderia levar certo tempo levando em consideração que Patrick estava completamente inconsciente e respirando através de tubos.

— Fiz o possível, porém teu amigo não reage. — Foi tudo o que ouvi de Silver enquanto ele conversava com Kendall.

Desde então tínhamos nos separado em duplas praticamente, apenas para passar o tempo e tentar esquecer a situação angustiante que Patrick estava passando.

Carl e Kendall se aproximaram bastante, o que foi bom para conhecer o garoto que havia se juntado somente há dois dias entre nós.

Enquanto isso, Luna decidiu fazer companhia à Cleo, que estava em repouso enquanto sua perna se cicatrizava com velocidade, assim como o ferimento de Logan.

— O que acha que vai acontecer? — A voz de meu amigo surgiu de repente ao meu lado, trazendo-me para o mundo real já que estava perdido em meus pensamentos enquanto sentia o peso da responsabilidade sobre mim.

Logan e eu estávamos sentados no chão do salão principal há mais de duas horas após a conversa com Silver. Ele havia colocado apenas um sobretudo que pudesse cobrir seu tronco despido e o braço engessado, mas era estranho vê-lo usando aquela roupa, já que era comum usar apenas camisas claras e pouco chamativas.

— Não sei, mas acho que devemos nos preparar para o pior.

Olhei para meu amigo e não precisei utilizar nossa conexão para perceber que ele estava com medo. Seu olhar estava vacilando a cada instante e sua respiração ofegante era um sinal que deixava seus sentimentos ainda mais explícitos.

— Pelo menos Luna está bem, agora que sabemos o que estava acontecendo com ela. — A tentativa de tranquiliza-lo foi boa, mas não serviu para muita coisa.

— Você tem razão... — Foi tudo o que ele disse, voltando a fitar o vazio em silêncio.

Desde a morte de Zargron, meu amigo nunca mais foi o mesmo, sempre distante e distraído, o que me deixava preocupado algumas horas, só que eu não podia culpa-lo, já que aquilo foi um trauma não só pra ele, mas para todos.

— Estou com medo. — Logan me pegou de surpresa ao falar aquilo, mesmo que eu soubesse o que ele estava sentindo.

Mais uma vez olhei para ele e vi o desespero tomar conta dele, como se não tivesse esperanças mais.

— Eu sei. — Por um momento olhei Kenychi e a vi sorrindo, mesmo diante de tudo o que estava acontecendo e percebi que, por mais que a situação estivesse começando a ficar desesperadora, teríamos que sorrir de vez em quando. — Todos estão e com razão, mas não podemos deixar esse medo nos dominar, caso contrário nunca teremos capacidade para vencer.

— E se não conseguirmos?

Tentei encontrar alguma resposta decente e encorajadora que Logan poderia falar, mas o problema é que eu estava tentando consolar alguém que sempre soube se manter firme diante de qualquer situação.

— Vamos conseguir cara. — Minha voz não saiu do jeito que eu queria, porém continuei mesmo assim. — Pense que daqui um mês estaremos na Grécia de sunga, enquanto tomamos um sol na praia e observamos algumas mulheres de biquíni.

Pela primeira vez em uma semana eu vi Logan sorrir, o que já era um bom sinal e me deixando menos angustiado e perdido.

— Com exceção da parte em que você está com sunga, o resto parece ser um ótimo futuro.

— Sunguinha vermelha de preferência.

Infelizmente eu tinha que concordar que imaginar eu naquela cena era uma imagem pior do que o pesadelo que havia tido na parte da manhã, o que me fez remexer no lugar em que eu estava. Porém, algo me incomodou em meu bolso e foi naquele momento em que todas as lembranças vieram, quando pude sentir o peso da carta de minha mãe.

— Não vai abrir? — Perguntou Logan assim que eu a retirei do bolso, momentos depois das risadas.

O papel estava um pouco amassado em minha mão e uma pequena mancha de sujeira estava nas pontas, deixando-o menos brilhante.

— Não sei se estou pronto para isso... — Vários pensamentos fluíam em minha cabeça a respeito de minha mãe, mas qualquer que for a resposta eu vou precisar ser forte. — Quando tudo isso acabar, quem sabe.

Kenychi surgiu de repente, ainda com seu sorriso bondoso no rosto, que fazia jus ao fato dela representar todo o bem da humanidade e de outros seres.

— O quarto onde vocês podem passar a noite já está pronto, se quiserem ir fiquem a vontade. — Falou ela de bom humor.

— Acho que eu preciso descansar um pouco. — Disse meu amigo, levantando-se logo em seguida com dificuldade já que estava sem apoio com o braço direito. — Você vem?

— Não. Agora não.

Logan não se importou em eu ter preferido ficar, o que não significava muita coisa, já que eu sabia muito bem que não conseguiria dormir com facilidade, não depois do pesadelo e do que passei no dia de hoje.

Ambos se afastaram rapidamente, com o espírito na frente, levando Logan pelo caminho e mostrando onde era o seu quarto.

Enquanto isso, apenas fiquei parado, respirando e processando tantas informações em meu cérebro limitado. Pelo menos até Silver aparecer misteriosamente ao meu lado, com seu sobretudo e uma espécie de cajado na mão.

— Árduo dia, não meu jovem? — Sua voz estava mais tranquila do que o normal, o que me levou a pensar como ele poderia ser tão calmo em momentos tão difíceis.

— Nem me fale.

— Não te preocupes com o passado no momento, apenas será mais incompreensível a partir de agora. — Orientou o mago, observando Dika e os demais em silêncio. — Mas não hesite em procurar-me quando for necessário, sempre estarei disposto a ajudar.

Naquele momento diversas lembranças surgiram em minha mente mais uma vez, enquanto observava Silver se afastar vagarosamente.

— Senhor. — Chamei-o antes que ele partisse de vez.

O velho se virou em minha direção e me lançou um olhar paterno e diferente.

— Acho que preciso de ajuda.

Ele exibiu um sorriso e se virou mais uma vez.

— Venha comigo.

♦

— Isto é a Mão Mágica.

A resposta de Silver foi clara e objetiva quando perguntei a ele sobre o que Hades havia me dito uma vez em sonhos.

Ele pegou uma esfera de metal e a segurou firme com sua mão direita, fazendo seu punho fechar inteiramente sobre ela. Não levou muito tempo para que ele abrisse novamente, mostrando um metal completamente deformado e derretido, como se estivesse ficado exposto a altas temperaturas.

— Então quer dizer que eu posso derreter as coisas?

Silver sorriu com a minha pergunta, o que me fez parecer ridículo.

— Muito provavelmente não. — O mago pegou o metal derretido sobre a mesa e o juntou, fechando-o sobre o punho e solidificando novamente até formar uma esfera metálica. — A Mão Mágica é uma particularidade entre os seres mágicos como bruxos, magos e feiticeiros. Cada um possui uma habilidade específica, sendo, por exemplo, a minha a de controlar a temperatura.

— Então quer dizer que eu herdei de minha mãe essa habilidade? — Perguntei de forma curiosa, já que eram tantas coisas genéticas que havia puxado de meus pais que acabava me confundindo.

— Certamente. — Respondeu com certeza. — O dom da Mão Mágica se manifesta na maturidade espiritual, por volta dos 18 anos de idade no teu caso.

— Interessante...

Não havia muita coisa para que pudéssemos passar a madrugada conversando, não depois de tantas explicações sobre o mundo místico e coisas relacionadas.

— Acho que já está tarde. — Comentei ao sentir o cansaço me dominar.

— Realmente. — Silver guardou sua esfera metálica numa gaveta, o que me deixou curioso para saber o motivo dele ter tantas coisas estranhas assim. — Amanhã será um dia cansativo, provavelmente. Recomendo que descanses o máximo possível.

— Se eu conseguir...

Ao me virar para ir ao corredor, notei um incômodo silêncio naquele lugar e presumi que todos já haviam se retirado para dormir e eu seria o próximo. No entanto, algo me veio a mente, o que me fez parar.

— Ontem eu tive um sonho... — Falei, olhando em direção a Silver, que estava distraído abrindo um livro. — Bem assustador por sinal.

— Hades?

Lembrei-me da voz que ecoava em minhas lembranças toda vez que essa memória surgia em minha mente. Lembrei também da expressão aterrorizante no rosto do homem que havia invadido meu sonho e transformado num pesadelo.

— Não. — As palavras ditas pelo homem ainda retumbavam em minha cabeça. — Ele não disse quem era, mas tenho certeza que é muito poderoso.

Silver continuou encarando algumas páginas a sua frente, e eu não sabia se ele estava ouvindo o que eu dizia.

— Ele disse algo sobre ter mil nomes e eu não ser digno de dizer nenhum deles, algo do tipo.

E foram com aquelas palavras que as mãos de Silver vacilaram enquanto segurava firme seu livro, fazendo-o olhar diretamente para mim com uma mistura de sentimentos, que iam de confusão à medo.

— Provavelmente foi apenas um pesadelo. — Respondeu, mas eu sabia que ele estava mentindo pelo olhar.

— Não sei, parecia muito real.

— Vá dormir Kevin, amanhã será um longo dia. — Pediu, praticamente me expulsando da sala e fechando a porta.

Fiquei a sós no corredor iluminado, enquanto um calafrio de medo percorria minha espinha.

Acho que isso não é uma coisa boa. Pensei, virando e indo em direção ao mesmo quarto que Logan.

♦

Mesmo com o cansaço físico e mental, levei um bom tempo para pegar no sono. Porém, quando isso aconteceu, o sonho surgiu mais uma vez.

— Kevin? — A voz de Hades retumbou em meus ouvidos e eu me senti aliviado por ser o espírito do deus e não outra pessoa ou coisa.

Não levou muito para que ele surgisse na vasta escuridão de meu sonho, com um semblante sério e diferente do normal.

— O que aconteceu? — Perguntei sem rodeios ao perceber que ele queria me dizer algo.

— Morte... — Disse ele abrindo a boca e fazendo o sangue escorrer, até o deus cair no chão, inerte e sem vida.

De repente um vulto surgiu atrás de Hades, pisando sobre ele com uma bota de couro manchada de sangue. A imagem de um homem se tornou mais nítida, com um olhar sanguinário e assustador. Seus cabelos eram prateados, quase que inteiramente brancos, enquanto sua pele pálida ajudava a emitir uma luz sombria e densa ao redor.

— O que você fez com Hades? — Gritei, procurando por minha espada, mas não havia nenhuma arma comigo, me deixando a mercê da sorte de ser realmente um sonho.

— Em breve é isso o que acontecerá com você e seus amigos caso decidam se meter onde não são chamados. — Respondeu o homem com um sorriso maligno. — Ninguém conseguirá conter a fúria dos Sete Príncipes depois que o mundo souber de toda a verdade.

Notas finais
E aí?