Guardians II - Ethereal Spirits
1 I - The Message
Notas iniciais
Espero que gostem :)
— Acho que aquela cerveja vai ter que ficar para depois... — Gritou Logan, se esquivando de um ataque violento de um Drow, enquanto empunhava uma espada metálica, que na realidade era um bastão mágico e que podia se transformar em qualquer arma que ele desejasse.
Já era 2 de dezembro, um pouco mais de uma semana após a batalha contra Zargron. Há um ano ou mais eu estaria feliz, já que era meu tão esperado aniversário de 18 anos, mas para mim agora não passava de um dia normal tentando sobreviver aos constantes ataques de seres monstruosos que eram aliados ao Anjo Negro.
— Você realmente acha que eu vou querer uma simples cerveja depois disso aqui? — Perguntei em som alto devido aos barulhentos gritos.
Nossas tentativas em encontrar os Elfos foram completamente falhas e aqui estávamos nós, batalhando contra dezenas de Drows, seres semelhantes aos primeiros, porém com uma aparência mais demoníaca, possuindo uma pele negra-obsidiana. Suas orelhas pontiagudas estavam amostras, mesmo quando tentavam cobri-las com seus cabelos brancos como a neve.
Luna surgiu em seu formato Licantropo ao meu lado, salvando-me de um ataque surpresa de um dos Drows, que se preparava para me atingir com sua espada. Ela me olhou de relance, mas consegui agradecer minha amiga a tempo.
No mesmo instante em que ela saiu, pude ter um vislumbre da batalha e vi Kendall, ao lado de Cleo, cercados por mais ou menos vinte dos Elfos Negros. Sem pensar duas vezes estendi meu braço, apontando meu anel, que possuía encrustado em seu topo uma pedra negra e maciça, que emitia uma áurea sombria e em seu interior o Espírito de Hades.
Concentrei-me rapidamente e pude sentir as sombras projetadas pela copa das árvores, que tapavam a luz que o sol emitia durante aquela tarde. As sombras, por mais que parecessem mortas para qualquer pessoa, para mim possuíam vida própria. Com o tempo de uma semana eu já havia aprendido a manipula-las com maior facilidade, podendo transformar cada uma delas em uma arma letal. E foi o que eu fiz, fechando o punho e socando o chão.
Assim que o fiz, as sombras se ergueram em estacas, protegendo meus amigos, enquanto os Drows ainda tentavam entender o que estava acontecendo. Aquele momento foi perfeito para que Patrick surgisse, nocauteando cada um deles, com a ajuda de Logan.
Em menos de dez minutos já havíamos rendido todos os nossos inimigos, amarrando-os com cordas e deixando os mesmos presos às árvores.
— Algum fugitivo? — Perguntei à Luna, que havia se encarregado de farejar algum Drow que tenha escapado sem que tivéssemos visto.
Ela rapidamente balançou a cabeça, se afastando e voltando a sua forma humana.
— Eu ainda não consigo imaginar como você consegue se transformar em um lobo e suas roupas continuarem intactas. — Murmurou Kendall, que olhava intrigado para minha amiga, enquanto terminava de amarrar um último Drow.
— E eu já te falei um milhão de vezes que tudo faz parte da mágica. — Respondeu ela com um piscar de olhos.
Luna, desde que havia desaparecido há algumas semanas, estava completamente diferente e afastada, evitando conversar até mesmo com seu próprio irmão. Tudo bem que nenhum de nós continuava os mesmos depois da morte de Teseu, mas com Luna as coisas eram ainda mais desesperadoras. Constantemente as palavras de Dracfo surgiam em minha mente, mas eu me recusava a perguntar algo à minha amiga, até mesmo porque eu não tinha certeza nem se ela sabia que havia algum tipo de espirito em seu corpo.
— Acho melhor irmos embora antes que esses Drows acordem ou outros deles cheguem. — Comentou de forma apreensiva Cleo. — Já foi difícil lutar contra esses aqui que nem guerreiros são.
Desde que vimos tantas mortes durante a batalha contra os Orcs e Zargron, nos recusávamos a matar, para que certas lembranças não viessem a tona e só o fazíamos quando extrema e estritamente necessário.
— Não. — Disse Patrick, que até então estava em silêncio, sentado em uma pedra e observando cada um dos Drows a sua frente. — Ainda não...
Ele disse aquelas palavras de tal forma que era visível o rancor no coração do garoto, que se levantou logo em seguida e foi em direção a um dos prisioneiros.
Patrick se ajoelhou em frente ao Drow, pegando sua faca de caça do bolso e a cravando profundamente na perna do Elfo Negro, que acordou num sobressalto, gritando de dor.
Imediatamente o garoto se pôs a colocar a mão na boca do Drow, fazendo com que se calasse. Patrick retirou a faca e limpou o sangue logo em seguida.
— Onde estão os Elfos? — Perguntou de forma ríspida ao homem, que possuía os olhos negros como a noite e os cabelos brancos como a neve. Estava clara a expressão de desespero e dor nos olhos do Drow, que respirava de forma ofegante.
— Eu não sei. — Respondeu secamente, cuspindo no chão, próximo a Patrick.
Sem hesitar, a faca foi cravada novamente, mas na outra perna do Drow, fazendo-o gritar de dor mais uma vez.
— É o seguinte. — Tornou a falar, girando a faca na perna do Elfo. — Podemos ficar aqui, brincando a tarde inteira se preferir. Mas eu presumo que imortalidade e alta regeneração não é uma das habilidades dos Drows, portanto cabe a você escolher: ou me conta onde os Elfos estão, ou continuamos com essa brincadeirinha aqui.
De onde estava pude ver os olhos sanguinários de Patrick e não tinha certeza se o mesmo estava blefando ou falando a verdade.
— Patrick... — Chamei a atenção do garoto antes que ele fizesse alguma brutalidade.
No mesmo instante ele se levantou, encarando-me de perto com irritação. Ele era alguns centímetros maior que eu, pelo menos de altura, porque se fosse considerar de músculos seria muito mais ainda.
— Já conversamos sobre isso. — Tentei confronta-lo, mas sabia que ele não se importava com nada e só complicava as coisas.
— E você acha que iremos encontrar os Elfos como? — Ralhou ele, olhando para os Drows logo em seguida. — Sendo bonzinho? Pedindo por favor?
— De alguma maneira, mas não precisamos de mais mortes! — Retruquei, notando o desconforto de todos ao meu redor. — Ninguém aqui precisa relembrar das coisas que passamos.
Patrick por um instante pensou em falar algo, mas foi interrompido pelos latidos de Bob, que parecia furioso enquanto farejava algo mais ao norte. Minha primeira reação foi olhar para Luna, que aparentemente fazia o mesmo, com uma expressão intrigada estampada em sua cara.
— Drows... — Disse ela, com um olhar fixo nas árvores. — Muitos deles. Armados e muito irritados.
No mesmo instante Patrick se afastando, lançando-me um último olhar de fúria, enquanto se abaixava para pegar sua faca que estava cravada na perna do Elfo Negro.
— Aqui! — O Drow berrou o máximo que pôde, chamando a atenção de seus companheiros.
Patrick, sem hesitar, chutou-lhe a cabeça, fazendo com que ele tombasse de lado inconsciente, mas vivo.
— Vamos. — Disse ele, dando uma última olhada para a floresta e para os prisioneiros.
♦
Levou pelo menos alguns minutos para voltarmos à van e fugir daquele lugar, que pelo visto não havia nenhum sinal de Elfos.
Nossa busca por eles já estava começando a nos desaminar e tudo começou no dia seguinte a morte de Zargron, quando Dracfo me fez uma última visita e pediu para que procurássemos pelo navio de Frey, o deus rei e soberano de Alfheim, o reino dos Elfos.
A única pista que tínhamos sobre eles era que alguns residiam próximo ao Parque Nacional Vale da Morte, mas desde que chegamos ao lugar, não encontramos absolutamente nada a não ser Drows assassinos.
— Acham que fomos seguidos? — Perguntou Cleo logo que Logan pisou fundo no acelerador.
Olhei pela janela, mas não vi nenhum sinal de Drow, o que era uma coisa boa, embora soubesse que eles descobririam quem teria feito isso a seus irmãos e procurariam por vingança. Só que na situação em que estávamos, até uma pomba procuraria vingança.
— Provavelmente não... — Murmurei, sentando no banco e tentando controlar minha respiração ofegante após uma longa corrida.
Já fazia mais de 3 semanas que eu havia entrado naquela vida insana de sobrevivência e mesmo assim não havia me acostumado completamente com as vezes que tinha que correr para me salvar.
— É, acho que aquela cerveja vai ficar para outro dia cara. — Comentou Logan, que já havia diminuído a velocidade ao entrar na rodovia que cruzava o parque.
— Cerveja? — Perguntou Luna com uma expressão confusa. — Desde quando você... Espera, que dia é hoje?
— Dia 2. — Respondi com um sorriso.
Por um instante pensei que fosse receber um abraço forte de minha amiga ou que ela fosse começar a recitar um belo texto de motivação como sempre fazia nos meus aniversários e postava no Facebook, mas não foi isso que aconteceu. Quando fui perceber já estava com a mão na minha cara, tentando diminuir a dor do tapa que ela havia me dado.
— Ai! — Exclamei assim que a olhei. — Por que você fez isso?
— Porque você não contou que é seu aniversário! — Gritou ela, enchendo-me de socos. — Sabe que eu sou horrível para datas!
— Chega! — Disse, pegando-a pelos braços. Nunca havia recebido tantos golpes de Luna, pelo menos não doloridos como aqueles. — A culpa não é minha.
— É sim, tudo é culpa sua, sempre! — Falou, dando-me um último soco e me abraçando logo em seguida. — Sorte sua que estou sem celular e inspiração para um texto bonitinho.
Aquela frase me fez rir, porque até então eu não havia percebido a falta de tecnologia em nosso grupo, já que eu havia esquecido meu celular na casa de meus avós, assim como meus amigos.
— Também vou querer uma cerveja. — Comentou Kendall, me cumprimentando e desejando parabéns, assim como Cleo, que apenas me abraçou e disse algumas palavras.
Apenas Patrick não me cumprimentou, mas isso era algo que eu já esperava e nem me importava. E com isso o silêncio predominou na van, podendo-se ouvir o barulho da roda e a respiração ainda ofegante de quem estava entre nós.
A paisagem que se via pela janela a princípio era agradável, já que estávamos no meio do parque, com árvores densas e verdes projetando uma sombra naquela vasta floresta e a neve caindo lentamente, mesmo que pouco. No entanto, após alguns minutos aquele cenário mudava drasticamente, demonstrando uma imensidão arenosa, seca e desértica, com poucos resquícios do gelo, graças ao clima da região.
— Alguma ideia para onde iremos agora? — Perguntou de repente Logan, após perceber que sem nenhuma pista dos Elfos naquele lugar não havíamos mais para onde ir.
Kendall rapidamente pegou o mapa, abrindo-o e mostrando superficialmente. Após alguns minutos observando a imagem, sem saber o que ele estava pensando, finalmente criou um destino.
— Se formos à noroeste podemos visitar uma parte dessa floresta com um lago na cidade de Carson. — Informou o garoto, observando a estrada na qual percorríamos. — Faça a curva na I-95, passando por Nevada e depois volte pela NV-266.
♦
— Eu falei pra você checar a gasolina! — Gritava Kendall do lado de fora da van, culpando meu amigo pelo descuido.
A nossa rota não havia durado nem duas horas quando a van começou a causar alguns problemas até parar num trecho da rodovia que nos levaria à Carson.
O lado bom de termos parado numa estrada desértica e sem nenhum sinal de vida era que não teríamos problemas tão cedo, já o lado ruim era que não também não haveria nenhum tipo de ajuda.
O frio cálido só aumentava conforme o tempo passava e as poucas roupas de inverno que tínhamos já não estavam contribuindo para muita coisa, mesmo que estivéssemos do lado de dentro da van.
— E agora? — Ouvi a voz de Cleo perguntar pela janela aos dois.
— Patrick foi procurar por alguma ajuda, mas duvido muito que apareça alguma alma viva nesse lugar aqui. — Respondeu Kendall desanimado. — De acordo com o mapa há uma pequena cidade fantasma há alguns quilômetros daqui.
Luna, que até então estava apenas brincando com Bob, levantou a cabeça ao ouvir as palavras de Kendall.
— Você não acha mesmo que iremos visitar uma cidade fantasma, né? — Perguntou de forma sarcástica. — Nossas chances de sermos atacados são de mais de 8000.
Cleo e Kendall levantaram uma sobrancelha, não entendendo muito bem a referência a Dragon Ball, algo que Luna amava, algo que me fez sorrir, pois essa era a mesma Luna que esteve ao meu lado por anos e não a que havia se transformado em um lobisomem e fugido várias vezes.
— Esqueçam... — Disse ela, dando de ombros. — Só acho que é muito perigoso arriscarmos.
— Não se preocupe, Patrick foi averiguar se há algum perigo. — Assegurou o garoto, voltando a conversar com Logan.
Olhei para minha amiga, que me encarava de forma insegura.
— Dragon Ball? — Perguntei, arqueando minha sobrancelha.
Ela apenas sorriu.
— Estou apenas nostálgica...
“...e possuída.” Pensei comigo mesmo, torcendo para que ela não pudesse ler mentes.
Além de mim, obviamente, a única pessoa que sabia daquele fato era Logan, justamente por ele poder ler minhas mentes graças a nossa Conexão Psiquê, algo que podia ser bem incômoda às vezes. Mas mesmo assim ele se recusava a conversar com a irmã por também não saber o que falar.
— Agora que você é mais velho que eu não pense que pode mandar em mim, beleza? — Retrucou Luna de repente, assim que Bob adormeceu com suas brincadeiras.
— Como se fosse possível alguém mandar em você, né?
— Ainda bem que sabe disso... — Seus olhos vacilaram por um instante até Cleo, que estava inquieta do outro lado lendo meu livro de poções que havia herdado de minha mãe. — Até mesmo porque dentro de um mês teremos a mesma idade e sabe o que isso significa?
Arqueei uma sobrancelha.
— Não...
— Nada. — Respondeu com uma risada. — Poderia significar faculdade, idade para sair de casa ou beber, poder ser preso e muitas outras coisas há algumas semanas, mas agora isso não significa absolutamente nada.
— Vendo por esse lado. — A forma como Luna estava agindo tão naturalmente chegava a ser estranho, mesmo que bom. — Ou melhor, você vai se tornar uma Licantropa maior de idade, ou tecnicamente você já é se for contar nos anos de cachorro.
Ela riu de meu comentário de maneira feliz e natural, como a antiga Luna sempre fazia quando achava algo engraçado.
— Ou melhor ainda, sou uma Licantropa maior de idade e descendente de um linhagem nobre de lobisomens. — Notei que Cleo também havia esboçado um sorriso com a alegria espontânea e contagiante de Luna. — Acho que mesmo com 7 bilhões de pessoas no mundo eu devo ser a única.
— Ou não...
— Ou sim. Não corte meu barato.
De repente ouvimos uma batida na lataria da van e Kendall logo surgiu na janela.
— Acho melhor vocês darem uma olhada nisso aqui... — Disse ele de forma assustada.
Sem hesitar abri a porta da van, fazendo com que Bob se assustasse e pulasse do veículo, seguido por nós.
Não precisou de muito para descobrir sobre o que Kendall se referia, pois assim que sai da van e senti o frio penetrar meus agasalhos avistei uma enorme nuvem negra e tempestuosa se formar há menos de um quilômetro de nós e se aproximando de onde estávamos.
— O que é isso? — A voz de Patrick foi quase abafada com os ventos fortes que a nuvem causava.
Notei que ele estava com algumas feridas em sua testa, mas nada tão grave e pensei em perguntar o que havia acontecido na cidade fantasma. No entanto um relâmpago caiu há metros de distância de onde estávamos, fazendo todos recuarem assustados e se esconderem, quando uma fumaça começou a surgir de onde o raio atingira momentos antes.
Aos poucos a fumaça logo desaparecia, junto com a tempestade, dando lugar ao sol novamente. Porém, assim que a densa nuvem de poeira sumiu por completo, a figura de um homem encapuzado e sombrio surgiu, que começou a caminhar em nossa direção.
O homem era extremamente magro e com uma altura mediana. Seu traje o cobria por completo, deixando apenas seus olhos brilhantes e assustadores aparecendo.
— Pare onde você está! — Gritou Patrick, segurando suas adagas de luta corporal.
Por um instante pensei que o ser iria saltar na direção do garoto na intenção de mata-lo, mas ele decidiu obedecer Patrick, parando e nos encarando. Em seguida ele levantou os braços, fazendo com que passasse a segurar firme minha espada, mas felizmente ele apenas levou suas mãos ao capuz, descobrindo-o e mostrando sua face.
O ser era totalmente feito de ossos, sem nenhuma pele cobrindo a superfície grossa e brilhante de cálcio. Seus globos oculares na verdade eram duas esferas brilhantes que emitiam uma luz forte e ofuscante.
— Quem é você? — Perguntou Logan, assim que todos já haviam saído de trás da van.
O homem não demonstrou nenhuma reação e nem sequer olhou para meu amigo, que estava tão assustado quanto eu.
— Procuro por Kevin Wayne. — Se pronunciou com uma voz grave e poderosa que me fez lembrar Hades por um momento.
Senti os olhares se virando para mim, deixando-me confuso e apavorado.
— Eu sou Kevin Wayne. — Falei, dando um passo a frente.
As esferas brilhantes onde ficariam os olhos se movimentaram momentaneamente, se fixando em mim.
— Venho aqui para lhe trazer uma mensagem... — O homem retirou de seu traje um envelope semelhante a uma carta. — De Selena Wayne.
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