Guardians

11 Fora de si - Parte 1


Notas iniciais
Sim, alguem deve estar dizendo "Ué, ele não abandonou a fic?". Não meus caros. Virei escritor porque o maldito do Murilo Pitombo (que deus o tenha) abandonou a fic dele e eu tive de escrever o final eu mesmo, não farei isso com voces. Espero que gostem se ainda estiverem por ai!

[Anteriormente em Guardians]

Emanuelle e Veronica

Olhou para o lado e encarou Manu. – Como os lordes demônios estão se mantendo? – Nica perguntou ao se lembrar.

Emanuelle suspirou profundamente e balançou a cabeça negativamente – nós não conseguimos entender. Acho que quando tivermos essa resposta saberemos como detê-los.

Nica teve o impulso de perguntar mais, queria saber como a vida da garota chegou aquele ponto, mas decidiu se calar e juntas permaneceram em silencio olhando o mar.

***

Oliver e Luan

Os últimos gritos abafados foram ouvidos antes de ele puxar o tórax inerte da Digimon que seu dissolveu em dados.

– Espero que esteja satisfeito – Oliver disse com ódio voltando no mesmo instante para a caminhonete.

Luan o olhou caminhar de volta, ainda sorrindo desativou o sistema fazendo o Digimon desaparecer e murmurou mais para si mesmo – descobrirei agora. – O aparelho em seu braço mostrava uma infinidade de números que se alternavam na tela – meu projeto esta quase no fim – exclamou enquanto o mal-estar tomava conta de si e suas pernas fraquejavam.

***

Ludmila e Melanie

Enquanto a garota era arrastada pela porta, ouviu pela primeira vez os gritos exaltados que vinham do lado de fora do prédio. Foram abafados por alguns minutos enquanto eles desciam pelo elevador, mas assim que as portas de metal se abriram no primeiro andar o som explodiu em seus ouvidos.

– Temos que sair pelos fundos – um dos seguranças disse ao outro assim que se depararam com a multidão se contorcendo nas gigantescas janelas de vidro do hotel Wood Royal.

– Quem são eles? – Ludmila perguntou estupefata.

– O que você e Will procuraram – respondeu Melanie andando depressa na sua frente – as revoltas começaram. O GAT se pronunciou ontem e o vídeo tomou conta de todas as redes sociais.

Eles alcançaram as escadas e começaram a descer em direção ao estacionamento – GAT? – Perguntou Ludmila sem rumo – Grupo Anti-Digimon?

***

Will, Murilo e Vinicius.

– Onde... – ele tentou perguntar, mas Wisemon o surpreendeu acertando um furgão preto com um soco que deveria ter uma tonelada de força.

As poucas pessoas na rua começaram gritar enquanto o furgão capotava se chocando a um poste que partiu imediatamente, mas não caiu.

Will ouviu Murilo gritando e se assustou com a quantidade de carros que havia naquela hora da noite na rua. O hotel estava no fim da rua e alguns jornalistas que estavam ali mais próximos dispararam os fleches das câmeras.

Uma explosão aconteceu e de dentro do furgão, pelo buraco da porta recém-arrancada saíram Shoutmon e Angemon. Murilo suspirou de alívio abraçando seu irmão.

Wisemon fez uma mesura para os dois Digimons e mais uma vez Will sentiu o chão debaixo de si sumir. A escuridão tomou conta de tudo novamente. Agora ele só podia esperar.

***

Mayara

– Saia seu infeliz – gritou Mayara de todo o pulmão voltando a ficar de pé e olhando para o ultimo canto em que havia visto o Digimon de metal. E ele estava lá, de cabeça erguida.

– Então me mate – disse ele ficando com os pequenos braços erguidos.

Mayara semicerrou os olhos e diminui a potencia da arma onde Glauro a havia orientado. Atirou e dessa vez acertou em cheio o Digimon que foi arremessado mais uma vez, mas desta desacordado.

A garota tomou um pouco de ar, pois nem havia reparado que tinha começado a prender a respiração e correu em direção à mãe – desculpa – pediu a garota.

FORA DE SI

"A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si mesmos. "

(Albert Einstein)

– Essa sua insistência em me ignorar não facilitará o trabalho para nenhum de nos dois – Pedro Murmurou olhando para os próprios sapatos colocados no canto da porta. Ele não entendia essa mania dos Japoneses de tirar os sapatos, aquilo era incomodo. E se ele não estivesse usando meias limpas, ou novas? Ele mexeu os dedos dentro das pantufas oferecidas pelos anfitriões e tentou se imaginar correndo com aquilo.

Os pensamentos de Sofia vagueavam por caminhos bem diferentes. Ela estava preocupada com Will e tentava redigir o texto da melhor forma que podia, mas por vezes ela o apagou e o reescreveu procurando as palavras certas para explicar o seu sumiço repentino e dizer que estava com saudade.

Saudade. Naquele dia em Chicago, quando centenas de pessoas foram mortas depois do ataque de Bellzebulmon a ultima coisa que ela esperava era ser beijada pelo garoto que a poucos meses mal falava sem gaguejar. Ela teve o impulso de dar-lhe um soco no instante em que seus lábios se tocaram, mas enquanto o helicóptero ganhava altura ela decidiu que talvez aquela sensação, a muito esquecida, era boa e que talvez aquilo não fosse de todo mal.

No entanto não conseguia entender como as coisas chegaram aquele ponto. Não em relação a destruição e morte de dezenas, aquilo parecia mais comum a ela do que a sensação que a incomodava, apertando seu peito, sempre que pensava no Geek.

Clicou no botão enviar e se soltou pesadamente na parede atrás de si. – Eu estava ocupada Monteiro. Não tenho tempo para os seus joguinhos – ela respondeu friamente. Colocou o notebook no chão e agradeceu com um sorriso ao garoto de cabelos grandes e lisos a sua frente com um movimento comum a ele.

– Nos devemos transferi-los para a sede dos Estados Unidos o quanto antes – o agente questionou. – Não sou baba de ninguém – ele terminou de resmungar. Olhou para o garotinho e tentou lembrar seu nome, esquecer não seria profissional. Kenji se lembrou ao olhar para o pequeno réptil de pele amarela estirado no chão ao lado dele. – Ele não é mesmo executado?

Hiraga entrou na sala neste instante, olhou para Monteiro e depois para Agumon e Kenji – ele chegou em um ovo – respondeu com uma pronuncia estranha. – Vovô esta vindo, chega em pouco tempo.

O comentário fez Sofia erguer o olhar. Não achou que voltaria a ver um dos seus alvos novamente. Sentiu vontade de ir embora, mas sabia que não podia. O assassino tentou uma vez e voltaria e tentar. – Vamos repassar o que temos, tem algo nessa historia que não esta batendo – a agente arriscou – temos um assassino. Uma pessoa de cabelos grandes e negros...

– Como qualquer Japapones – Monteiro acrescentou fazendo Sofia ter vontade de revirar os olhos.

– O Digimon era pequeno e carregava um martelo. Conseguiu destruir uma casa de dois andares com apenas dois golpes – ela passou a mão pelos cabelos presos e ergueu a sobrancelha – um Kazentai? – Arriscou olhando para os dê mais.

Monteiro se arrastou até a pequena mesa no centro da sala onde um bule e xicaras haviam sido colocados. Serviu-se de mais um pouco e murmurou algo – Imagino que tenha sido – Hiraga argumentou – ele lutou com Knigthmon e Agumon e os derrubou.

– Knigthmon é um Kazentai certo? – Monteiro perguntou olhando para Hiraga. Kenji também o encarou e disse algumas palavras em sua própria língua, o primo se abaixou e passou a mão em seus cabelos fazendo o garoto fechar a cara em desaprovação. – Li seu caso, você não tem efeitos colaterais por executar um Digimon tão poderoso. Como você faz isso?

Hiraga pareceu surpreso com a pergunta por um segundo, mas se conteve e respondeu em um tom calmo como fazia em quase todo momento – passei três meses fazendo teste, mas eles não descobriu.

– Descobriram – Monteiro corrigiu.

– Descobriram – Hiraga o imitou fazendo Sofia desejar não estar ali mais uma vez.

O telefone tocou mais uma vez e novamente Hiraga voltou à sala onde ele se encontrava. Sofia pegou o aparelho a sua mão e verificou sua bateria, depois o virou de um lado para o outro simplesmente para matar o tedio.

Os olhos de Kenji brilharam do outro lado da mesa. Ele conhecia o aparelho e sabia a finalidade dele – D-ark – ele sussurrou mais para si mesmo. Seu primo havia tido sorte, não tanto quanto ele que havia recebido um ovo, mas o Digimon ir parar em seu computador depois de ser atacado havia sido extraordinário.

A porta foi escancarada depressa e com uma expressão assustada Hiraga surgiu – eles estão sofrendo um ataque – ele gritou fazendo Sofia e Pedro saltarem quase que no mesmo instante.

A agente estendeu o braço e pegou a arma que antes estava jogada ao chão, no alcance de seu braço. Pedro correu para os seus sapatos, aliviado por não ter mais que encarar as pantufas. Quanto a Kenji, só teve o impulso de segurar Agumon que rosnou em desaprovação aos movimentos bruscos feitos na sala.

Sofia percebeu o movimento do pequeno garoto e bufou, irritada. – Não é seguro que ele vá – A agente disse a Hiraga. O Japonês inclinou um pouco a cabeça e disse algo em sua própria língua para o mais novo que fechou a cara mostrando seu desapontamento. – Eu cuido dele, agora vão – ela os orientou.

Pedro nem sequer olhou para trás, agarrou seus sapatos satisfeito e desapareceu pela porta junto ao agente Japonês, deixando Sofia com o garotinho abraçado ao réptil de olhos verdes – temos que nos preparar – disse mais para si mesma do que para Kenji.

O garoto a encarou curioso, não tinha ideia do que ela havia dito.

***

[Um ano antes...]

O Helicóptero ganhava altura aos poucos e dentro dele Mayara olhava para baixa. Sofia não sentia nada com sua desistência, talvez apenas um pouco de pena da garota que nunca pareceu ter nervos para aquela situação. Poucos minutos atrás estava ali conversando com os dê mais e até tinha abraçado Will para tentar conforta-lo. As coisas pareciam estar acontecendo no automático. Ela estava aérea.

Agora Will e Ludmila estavam mais a frente. Os dois olhando para cima, vendo a garota desaparecendo no céu. O primo de Jonas que ela mal conheceu e Luiz estavam sentados, próximos a eles quase na mesma situação.

– Ele esta esperando por nós – Monteiro chamou, tocando no ombro da agente distraída.

Ela balançou a cabeça positivamente, mas não desviou o olhar dos quatro de imediato, teve a mesma sensação que eles estavam tendo. Uma pequena tristeza por saber que provavelmente os cinco nunca mais se reuniriam. Will, Lud, Weverton, Luiz e Mayara.

A vida deles havia mudado completamente e eles haviam mudado tudo. O mundo nunca mais seria o mesmo por causa deles.

Enquanto caminhava até a cabana atrás de Pedro, Sofia sentiu uma pontada de dor no ombro. Não se lembrava de tê-lo machucado, mas a onda de choque da explosão da bomba dimensional havia feito com que todos batessem com força em algum lugar.

O chão do acampamento, antes coberto por grama, agora estava totalmente enlameado e a bota do uniforme de Pedro estava machada de barro, tal qual a dos outros agentes e seguranças armados que perambulavam ou faziam a guarda da entrada das cabanas dos oficiais superiores.

Assim que entrou na de Mustang o encontraram tomando café em um copo de metal, sentado em uma cadeira de madeira. Ele parecia como sempre. Usando seu terno impecável e preto. Sem expressão que pudesse ser medida ou analisada.

– Sentem-se – pediu apontando para as cadeiras dispostas em volta de uma mesa. Quase a única mobília que existia no lugar. – Gostaria de tratar de negócios com vocês.

– Que tipo de negócios? – Pedro questionou.

– O tipo que manterá vocês fora da cadeia por deserção, traição e por assassinato – Alexander respondeu pomposo, fazendo Sofia arfar, não de surpresa, mas sim de fúria.

[momentos atuais]

– O que aconteceu exatamente? – Pedro perguntou quase aos berros, enquanto entravam no carro.

Hiraga mal entrou e ligou o automóvel, apertando fortemente o acelerador fazendo os pneus cantarem e o carro sair do lugar barulhentamente. – O comboio que transportava meu avô foi atacado.

– Anti-Digimons? – Pedro perguntou prendendo o cinto.

– O Kyuukyokutai de antes – o Japonês respondeu nervoso.

O transito naquela região estava calmo, era um bairro onde residências predominavam. Hiraga não tirou o pé do acelerador, cortando ruas, atravessando sinais fechado e quase atropelou uma estudante de saia azul no caminho.

Uma explosão aconteceu no horizonte, eles estavam se aproximando. Pessoas saíram de suas casas indo até suas calçadas para ver a nuvem de fumaça que crescia exponencialmente. Pedro agarrou seu D-ark e o ligou. O aparelho emitiu seu típico barulho quando as baterias começaram a funcionar.

Pedro não entendia bem o processo, mas sabia que era movido a um tipo de energia quase nuclear. Era um dos poucos modos encontrados até então para amenizar os efeitos da ligação entre Executor e Digimon. O que ainda sim não impedia que ele ficasse nauseado e tivesse fortes dores de cabeça após o fim da execução.

Começaram finalmente a ouvir o barulho de tiros. Bolas de energia luminosa rasgando o céu, gritos e explosões. Uma cena totalmente nova para o agente Japonês, porem, bem comum aos olhos de Monteiro.

Quando viraram a rua se depararam com a criatura e três carros virados, em chamas mais a frente. Hiraga freio com força, se libertou do cinto em um segundo e levou apenas mais dois para estar de pé do lado do fora do automóvel segurando a porta com as mãos. A cena o assustou mais do que ele podia imaginar, seus olhos se arregalaram ao ver os buracos no asfalto, as fachadas das casas destruídas e dois Raders mortos no chão.

Pedro buscou o Digimon assim que saiu do carro, havia um pequeno grupo de Raders em pé, de costas pra ele, atirando. Ele seguiu o caminho das bolas de energia e se deparou com o Digimon do suposto assassino. – Pinocchimon? – Se perguntou incrédulo.

Ele conhecia o Digimon, no entanto não conseguia atribuir aquela cena de destruição a algo tão pequeno.

Os agentes do Rad apontaram para eles e gritaram algo em sua língua. Hiraga os respondeu e saiu correndo em direção aos mesmos. Pedro xingou mentalmente e começou a correr atrás do agente. Odiava esse tipo de situação.

Ao se aproximar mais pode ver que havia alguém caído no chão, mas sua atenção foi desviada quando o Digimon de madeira girou seu corpo e com uma força descomunal acertou seu martelo estilo revolver em um dos carros virados do comboio, o arremessando na direção deles.

Hiraga agarrou o homem caído e começou a puxa-lo, sendo ajudado por outro agente Japonês enquanto os outros correram pra tentar desviar do arremesso. Quando o carro caiu e explodiu estilhaços de metal foram arremessados em todas as direções.

Uma pequena farpa de metal rasgou a bochecha de Hiraga, deixando uma pequena linha fina que em instantes se encheu de sangue.

O Digimon começou a gargalhar enquanto andava saltitante na direção do grupo. – Hiraga, precisamos Executar, o D-ark agora – Pedro gritou com urgência. Hiraga disse algo na língua dele, balançando a cabeça positivamente e gentilmente entregou o homem caído ao outro agente.

Com o aparelho na mão Pedro fechou os olhos por um segundo, apertando os supercílios com força, tentando afastar o pensamento do mal-estar posterior. Colocou seu dedo no campo que fez a varredura de sua digital e a tela se acendeu.

Ele direcionou o aparelho para frente do seu corpo e olhou para o lado, onde Hiraga fazia o mesmo movimento. Dados começaram a ser projetados dos aparelhos, se juntando no ar a frente deles. O alarme de um carro que tocava ao longe se desligou e eles souberam que toda a energia estava sendo sugada.

Pinocchimon gritou. Um grito agudo e sem qualquer sentido. Bateu no próprio peito e depois levou a mão até o “X” de madeira em suas costas, se preparando para impedir a Execução dos Digimons, porem, para alivio dos dois, os agentes Japoneses começaram a atirar.

A primeira esfera de energia acertou na cara do Digimon o fazendo balançar a cabeça com força, tentando se orientar em seguida.

Por algum motivo o Digimon de armadura brilhante foi o primeiro a tomar foco. Com mais de dois metros e meio de altura, Knightmon carregava uma espada maior que Pedro em suas costas. Seus olhos brilhavam sob o elmo que deveria ter o tamanho de uma bola de praia. Hiraga disse algo em sua língua e o Digimon urrou. Um urro metálico que pareceu ecoar dentro da armadura de CromoDigizoide.

Dorulumon não parecia menos disposto. Seu rabo de broca surgiu girando. O Digimon uivou assim que as correntes de energia pararam a correr por seu corpo e se balançou como um cachorro fazendo sua juba alaranjada balançar quase como se em câmera lenta. – Dorulumon – Gritou Pedro – Dorulu Tornado – comandou com firmeza.

Dorulumon flexionou suas patas dianteiras e abaixou a cabeça. Assim que seu rabo se reergueu e começou a girar surgiu uma corrente de vento, de repente um tornado tinha como centro a ponta da calda de broca do Digimon.

Os agentes que estavam à frente do Digimon se agarraram a tudo fixo que estava a seu alcance. O tornado sugou pedaços de madeira e sacos de lixo antes de finalmente atingir o Digimon que cravou a peça de madeira de suas costas no chão para se segurar.

Knightmon deu um passo para trás e ergueu sua espada. O movimento lateral feito, a um metro de distancia, não acertou Pedro que se agachou por impulso tentando desviar. Ergueu a espada o máximo que pode, ultrapassando o limite de sua própria cabeça deixando a espada um pouco tombada para trás.

Em seguida jogou seu enorme corpo de metal para frente movendo a espada pesadamente até o chão. Assim que o Metal tocou o asfalto uma rajada rente ao chão surgiu como uma flecha de luz indo em direção a Pinocchimon.

Pinocchimon percebeu o ataque e tentou erguer seu martelo para tentar um contra ataque, mas a força do vento enquanto o retardava, dava mais velocidade ao ataque de Knightmon que acertou em cheio em sua armação de madeira a desprendendo instantaneamente do chão.

Pinocchimon começou a ser carregado pelo vento, mas ao invés de se desesperar ele abriu os braços e pernas e começou a gargalhar. – Ele zomba de nós – Hiraga se admirou.

O Digimon de madeira acertou com força a parede de uma casa e caiu ao chão, ainda gargalhando. – Tem alguma coisa errada – Pedro alertou. Sua expressão era de nítida confusão – vá Dorulumon. – O Digimon logo rosnou e começou a correr na direção de Pinocchimon, seguido em logo depois por Knightmon, cujo qual emitia o som de metal sendo martelado a cada passo.

Dorulumon saltou em cima de Pinocchimon que ainda estava no chão como um leão sobre sua presa, mas em um movimento absurdamente rápido o Digimon de madeira acertou-lhe com o martelo na cabeça o fazendo ir ao chão no mesmo instante.

Agarro-o pela broca em sua cabeça e começou a socar a cara do Digimon lobo. No terceiro golpe Knightmon surgiu e com a espada segura em frente a seu corpo e com um movimento que deceparia qualquer cabeça humanada golpeou o pescoço de Pinocchimon. O Digimon de madeira foi arremessado a certa distancia gritando, surpreendendo a todos com sua resistência.

Os japoneses próximos a Pedro ajudaram o homem caído a se levantar e começaram a falar rápido em sua língua. Monteiro não teve ideia do que eles falaram, no entanto pode ver o homem bem pela primeira vez.

Ele parecia ser mais velho, no entanto não tanto quando ele imaginara antes. Aquele só podia ser Shibume. O único dentre eles que não usava o uniforme cinza.

Infelizmente não teve tempo para responder. Algo como meia dúzia de bombas começaram a ir em direção a seus Digimons. Knightmon desviou um dos tiros com sua espada, dando tempo suficiente para Dorulumon começar a correr.

Hiraga apontou para o carro e gritou, dois dos quatro agentes foram em direção ao mesmo enquanto os outros dois ergueram as armas e apontaram para Pinocchimon que apareceu pulando e rindo no meio da rua.

– Não vamos conseguir ganhar – exclamou Hiraga que ficava mais nervoso a cada minuto.

– Já parei coisas maiores – Pedro respondeu tentando parecer seguro.

Hiraga apenas engoliu seco e sussurrou – espero.

***

[Um ano antes...]

– Eu não vou trai-los – gritou sem pensar duas vezes.

– Acalme-se Albuquerque – Monteiro gritou de volta com arrogância.

Sofia não podia aceitar aquilo, não entendia como Pedro podia sequer ter ouvido a proposta até o final. Ele deveria entender como ela o que o governo poderia fazer se conseguisse o que queria deles.

Mustang deu uma risada arrogante, se levantou e arrumou seu terno, ajustando a beirada do blazer – Creio que a agente Albuquerque não entendeu como esta a situação atual de vocês. Vocês não estão em condições de negar.

Pedro olhou para Sofia com uma cara que dizia “ele esta certo, aceite logo” e aquilo a tirava do sério mais ainda. Não podia acreditar que logo Pedro estava disposto aquilo. – Eu não vou participar disso – ela afirmou por fim, dando as costas a eles e indo em direção à saída.

– Você tem apenas duas escolhas senhorita Albuquerque – Mustang rosnou, dessa vez o tom de sua voz deixava nítida a raiva que ele parecia estar sentindo. – Você nos ajuda a conseguir o que queremos pacificamente, ou a prendemos e eu juro que te jogarei no pior buraco que encontrar, e torturarei cada um deles até conseguir o que eu quero. A escolha é sua.

Ela parou e suspirou. Nunca teve vontade de matar alguém até aquele momento, mas sabia que era melhor lidar com quem se conhece. Ou pelo menos, imagina conhecer. – Como você acha que conseguiremos cumprir essa missão?

– Eles confiam em vocês e pelo que vi – Mustang voltou e se sentar e desta vez seu tom de voz transpassava seu ego – você conseguirá o que quiser de William.

[Momento atuais]

Sofia colocou o rosto entre as mãos e suspirou, estava ansiosa de mais, queria logo voltar para o Brasil e encontrar Will e Lud. Precisava desesperado conta-los tudo que sabia. As coisas estavam cada vez piores e ela sabia que quando o caos se instalasse seria tarde de mais.

Kenji estava deitado de costas no chão ali mesmo e Agumon estava sentado engraçado com seu rabo estirado para trás. Digimons não executados não eram comuns. Shoutmon era uma grande exceção aos olhos dela, tal qual Agumon que ainda por cima havia vindo de um ovo.

Lembrou-se do relatório que havia lido. Hiro o pai de Kenji era quem tinha sido assassinado. Tentou não pensar nisso, mas a situação inteira trazia-lhe lembranças desagradáveis. Uma criança, agora órfã sendo cuidada pelo governo.

Ele não transparecia a dor da perda. Apenas se mantinha em silencio, ou vez ou outra murmurava algo para seu Digimon.

Um ruído vindo dos fundos fez Agumon e Sofia se virarem de repente. Parecia que a porta havia batido, mas Sofia se lembrava bem de tê-la trancado mais cedo. A agente novamente pegou sua arma e se levantou, acompanhada por Agumon que foi em direção à porta do aposento.

Kenji ergueu a cabeça e olhou com estranheza. Sofia olhou para trás e levou o dedo a boca pedindo silencio. O garoto balançou a cabeça positivamente para o alivio da agente que temeu que ele não conseguisse entender esse tipo de sinal, mesmo sendo quase algo universal pra ela.

Ela abriu a porta devagar e olhou para o corredor. Uma mesa com um vaso, pintado com gueixas e uma quadro de uma casa em frente a um lago eram a única decoração. Estava com a arma Rad na mão, a trouxe até a altura de seus seios e deu um passo devagar para frente.

Antes de sair da sala olhou para Kenji e com uma expressão seria apontou pra ele e depois para o chão logo mais a frente dele. Depois usou dois dedos para apontar para os próprios olhos e em seguida os apontou para o corredor. O garoto engatinhou até o ponto onde ela havia apontado e chamou Agumon com os braços.

Caminhou devagar pelo corredor indo em direção à cozinha, de onde o barulho havia vindo. A porta estava escancarada, mas a fechadura parecia estar intacta. Voltou-se para a sala e viu alguém, ali parado de costas. Caminhou devagar até ter uma visão melhor.

Longos cabelos pretos e aparentemente molhados, roupas pretas largas e rasgadas e em uma das mãos uma arma. Não conseguiu o reconhecer de cara, mas algo naquela estatura esguia chamava sua atenção – Largue a arma – Sofia gritou assim que se posicionou como queria.

O homem se virou devagar e o choque fez os olhos de Sofia se arregalarem. – Olá princesa – ele a cumprimentou sorrindo.

– Weverton? O que houve com você? – Ele apenas moveu a cabeça um pouco para o lado e atirou.

Notas finais
Algumas revelações, levantei algumas duvidas. Espero que esteja bom pra volta do Hiatus, não sumirei tanto assim se tudo continuar assim. Então, comentarios? Conversem comigoooo!