Guardians

10 Entendedores


Notas iniciais
Justifico meu atraso dizendo que estava avaliando algumas pendengas das fics, como voces estão vendo o numero de personagens é grande a varios subenredos para explorar, estava avaliando a cronologia dos fatos para não me enrolar.

“Não é difícil escapar da morte. Todo Soldado sabe, basta sair fugindo. O mais difícil é escapar da maldade, pois ela é mais rápida que nós.”

Sócrates.

– Começou novamente – Manu comentou enquanto ela e Veronica olhavam para a televisão.

Eram apenas oito da manha e as duas estavam nas ruas do Rio de Janeiro. Emanuelle tinha insistido que as duas deveriam conversar longe dos Digimons. Pedido que causou nítida estranheza em Veronica.

As duas pararam em uma padaria cujo qual o movimento de pessoas era maior e sentaram-se no balcão, em frente à televisão presa a parede. Todos escutavam atônitos o noticiário. As imagens de um Digimon desconhecido acertando um furgão do governo junto a Willian, Murilo e Vinicius chocaram as pessoas no local.

Varias conversas sobre o incidente podiam ser ouvidas. Veronica colocou seus cotovelos sobre o balcão e ergueu os braços, apoiando seu rosto em suas mãos deixando que seus cabelos pendessem para frente.

– Eu não acredito que fui tão burra – comentou a garota frustrada.

A jornalista na televisão começou a relatar os fatos ocorridos na noite anterior e logo em seguida a gravação de Will dizendo que não pertencia mais ao RAD foi mostrada. Durante o depoimento de Will o lugar inteiro se manteve em silencio. Todos olhando estáticos para a televisão.

– Seu irmão é até bonitinho – Manu arriscou.

Veronica a olhou incrédula. Bufou e só então perguntou – afinal de contas o que você quer de mim? Se eu fosse esperta, deveria estar correndo para São Paulo agora.

Emanuelle mordiscou o salgado que havia escolhido momentos antes e tomou um gole de café. Ela parecia muito calma com toda aquela situação e aquilo enfurecia Veronica.

A garota queria se levantar dali e ir correndo encontrar o irmão, fosse lá onde ele estivesse, mas algo dava impressão a ela que estaria ajudando muito mais se ficasse no Rio. Veronica encarou a garota a sua frente mais uma vez e tentou decifrar que tipo de pessoa ela era, mas a cada segundo ela se tornava mais estranha aos olhos da garota.

– Somos Guardiãs querida, preciso nos unir – a garota respondeu de boca cheia.

– É mesmo? Então porque não esta com o RAD? – Veronica perguntou nervosa. Olhou para a televisão mais uma vez e sentiu um arrepio quando a cena de seu irmão desaparecendo em uma nuvem preta reapareceu.

Manu deu uma risada distraída e aproximou o rosto ao de Veronica – sua inocência me diverte, você acha mesmo que o RAD esta do lado dos Guardiões?

Veronica se levantou da cadeira com as maças do rosto coradas, seus olhos pareceram estar em chamas – se o RAD não esta, então quem estaria? Se meu irmão não tivesse tido ajuda nós não estaríamos aqui.

– Não sei o que disseram pra você garota, mas esta errado. Não sei se prestou atenção no que acabamos de ver na TV, mas seu irmão acabou de fugir da organização – respondeu Manu parecendo também perder parte da paciência. Mordeu mais uma vez o salgado e o mastigou enquanto encarava a televisão.

Veronica passou a mão no rosto e murmurou – porque eu estou aqui? – Deu dois passos na direção da saída, então parou, deu meia volta e se sentou novamente. – Afinal de contas, o que você sabe?

Manu a olhou curiosa, balançou a cabeça com força e apertou os olhos, como se estivesse lutando para se manter acordada. – Desculpe, eu ainda não estou distante de mais delas.

– Delas? – Perguntou Veronica confusa. – Você esta falando de Angewomon e Ladydevimon?

– O que você sabe menina? – A garota perguntou em um tom exaltado. Se levantou da cadeira bruscamente e a olhou – vamos, é melhor sairmos daqui – Manu chamou olhando as pessoas que encaravam as noticias na televisão ainda abismadas.

Nica a seguiu, caminharam alguns quarteirões até que o primeiro resquício de praia surgisse. Deram uma volta pela orla e por fim, Veronica parou, sentando-se em um banco frente ao mar.

Veronica estava ansiosa, não conseguia parar de tremer a perna propositalmente, tentando aliviar um pouco a tensão. Ela queria logo ter informações, queria saber como deveria agir. Mais do que tudo, Veronica queria o irmão.

Manu pareceu mais relaxada, sua expressão havia ficado mais leve e calma. Ela puxou seu corpo para trás e colocou as pernas flexionadas sobre o banco de maneira casual. – Há quanto tempo você tem um parceiro?

Nica levou um segundo para perceber que a garota estava falando de Arresterdramon. Forçou sua memoria um pouco e respondeu – na época do começo das batalhas em BH esse ovo apareceu. Mas só chegou a chocar depois que eu e minha mãe fomos salvas de um Digimon por uma agente do RAD.

– É por isso que você acha que eles são bonzinhos? – perguntou a garota franzindo o cenho.

Nica fechou seu punho e sentiu a raiva a preenchendo novamente – qual é seu problema garota? Por que insiste em me tratar como criança?

– Você não entende o que esta procurando, não entende o que tem nas mãos – Manu respondeu em um tom sério que fez Nica se acalmar.

– Então me explique ao invés de me preocupar mais, eu deveria estar indo atrás de Will agora – Nica resmungou olhando para o mar.

O sol estava entre meias nuvens, o que deixou o ambiente abafado e com um ar triste. O barulho das ondas se desmanchando na areia e do vento enchia os ouvidos das garotas deixando tudo com um clima pior ainda.

Manu virou seu corpo na direção de Nica, abrindo as pernas e colocando uma de cada lado do banco. Passou a mão pelos cabelos e os jogou para trás – eu vou te contar tudo, mas antes disso temos que encontrar uma pessoa.

– De quem você esta falando? – a morena perguntou.

– O nome dele é Luiz e por enquanto é só isso que você precisa saber.

– Não – gritou Veronica ficando de pé. Andou alguns passos até seu tênis começar a afundar na areia e voltou a gritar – já chega, se você não começar a me dar respostas agora eu vou embora, vou pegar minhas coisas e vou pra São Paulo.

Manu pareceu se assustar com a reação da garota. Tentou conter a raiva e se levantou também. Era mais alta que Veronica o que a fez sentir que estava de volta no comando. Engoliu a própria saliva e passou a língua pelos lábios secos tentando se controlar.

Balançou a cabeça negativamente e estendeu o braço apontando pra rua – então vá andando até lá.

Veronica riu incrédula, ergueu os braços e deixou que eles caíssem com força. Olhou para o céu nublado e gritou de raiva. Algumas pessoas que passavam na calçada a encararam curiosas, mas continuaram seu trajeto sem se intrometer.

– Me ajuda – pediu Nica olhando para Manu – eu sinceramente estou perdida. Desde que isso começou eu não paro de me sentir angustiada, eu não consigo dormir, eu não consigo comer. – Chutou a área sobe seus pés e se virou de costas para a Guardiã se sentando na área.

Escutou os passos da garota vindo em sua direção, e no instante seguinte Manu estava sentada do lado dela na área. As duas ficaram em silencio um tempo apenas olhando o mar, até que Manu finalmente começou a falar – por isso precisava de distancia delas. Você esta se sentindo melhor agora? Esta menos angustiada?

Manu a olhou confusa, parou e fechou os olhos – eu me sinto bem.

– Quando um Digimon vem pra esse mundo ele precisa de uma fonte de energia – a garota explicou. – Normalmente eles encontram um portador. Se ligam a ele e usam da energia dele.

– Eu não estou entendendo – disse Veronica com urgência. Mentiu, ela sabia exatamente o que Emanuelle havia dito, só não havia gostado nada do fato.

– Pra Arresterdramon continuar no nosso mundo ele esta usando sua energia – Manu explicou novamente com tanta calma quanto ela pode – mas isso é uma via de mão dupla. Você o da energia e ele te manda algo de volta, infelizmente pra você é angustia.

Nica se manteve em silencio um pouco, processando a informação. Encheu a mão de área e a deixou escorrer aos poucos enquanto entendia o que estava acontecendo – e você, o que recebe de retorno?

Manu ergueu as sobrancelhas e suspirou – raiva, tranquilidade. É obvio que metade de cada uma.

Nica abaixou o olhar e tentou avaliar a situação. Julgou ter entendido as ações do irmão naquele momento, mas novamente afastou o pensamento. A lembrança de Will saindo algemado de casa era dura.

Naquele mesmo dia o ovo havia aparecido, como um sinal de que tudo mudaria pra ela também.

Acompanhou a mãe a delegacia apenas para descobrir que Will havia sido levado para outro lugar e acompanhou o desespero de Paula a procura do filho. Dois dias depois ele estava na televisão e a guerra estava dando seu primeiro sinal.

Um mês se passou e elas estavam tentando fugir da cidade, mas a saída que conduzia ao interior onde sua família vivia tinha acesso pela outra entrada da cidade. Caminho que as fez passar pelo centro e serem atacadas por um monstro de pinças gigante.

No interior viram a guerra tendo inicio. Viram monstros gigantescos surgindo em outros países e matando milhares. O ano foi longo e o mundo havia mudado com ele, mas a humanidade é ingênua e comemoraram o curto período de paz.

Nica lembrava que estava na floresta quando Arresterdramon ficou feroz. Murmurou alguma coisa que ela não pode entender e voo para longe. Ela tentou segui-lo, mas depois de cinco minutos correndo perdeu o folego.

Quando voltou para casa os jornais mostravam os lordes demônios. Cada um se levantando em um lugar do mundo. Depois de um rastro de morte e destruição os cinco monstros se encontraram na Austrália.

E agora ela estava ali. Dessa vez disposta a ser usada como combatente. Queria estar na linha de frente, afinal Will, na visão dela, era muito menos capaz.

Olhou para o lado e encarou Manu. – Como os lordes demônios estão se mantendo? – Nica perguntou ao se lembrar.

Emanuelle suspirou profundamente e balançou a cabeça negativamente – nós não conseguimos entender. Acho que quando tivermos essa resposta saberemos como detê-los.

Nica teve o impulso de perguntar mais, queria saber como a vida da garota chegou aquele ponto, mas decidiu se calar e juntas permaneceram em silencio olhando o mar.

***

Oliver jogou a garrafa de agua longe. Amaldiçoou o dia em que foi escolhido para esse cargo e correu para a geladeira da cozinha da empresa. – Eu achei que tivesse pedido agua e não lava derretida – ele imitou o chefe, fazendo uma voz fina e esganiçada.

Contou até cinquenta enquanto voltava pelos corredores da Genesis chegando finalmente à portaria, onde três caminhonetes pretas enormes o esperavam. Luan estava lá o esperando, carrancudo e de óculos escuros no rosto, sentado no banco de trás da caminhonete do meio.

Ele deu a volta e sentou-se do lado do chefe lhe entregando a garrafa nas mãos. – Vamos – ordenou Luan abrindo a tampa e tomando um gole curto do liquido.

O pequeno comboio de três caminhonetes seguiu pelas estradas de asfalto destruído da entrada da cidade de Belo Horizonte. Passaram por postos do RAD montados no caminho e depois de rápidas checagens de crachá finalmente eles estavam dentro da cidade.

Passaram por dezenas de ruas desertas, cobertas de folhas secas e entulho. Belo Horizonte, agora nada mais era que uma cidade fantasma, dominada por ratos, alguns poucos mendigos que conseguiram se esconder e Digimons ainda não capturados ou destruídos.

Dois helicópteros passaram sobre eles em dado momento fazendo Luan chegar com a cabeça para fora do carro curioso – o que eles estão fazendo aqui?

– Depois que a cidade foi completamente evacuada e cercada pelo RAD o trafego aéreo foi proibido, mas ha constantes rondas militares à procura de refugiados e/ou Digimons – contou Oliver casualmente olhando pela janela a rua.

Luan o encarou por alguns segundos. Oliver era bonito. Moreno de cabeça raspada, talvez um pouco baixinho, mas com um ótimo senso de humor e critica. O garoto bufou e chutou o banco a sua frente, fazendo o agente de segurança armado a sua frente olhar para trás confuso.

Meia hora dirigindo dentro da cidade e a zona de batalha era claramente visível. Prédios no chão ou com fachadas derrubadas, troncos de arvores secas largados pela rua, buracos no asfalto. Era deprimente e de certa forma assustador.

A primeira caminhonete parou, sendo seguida pelas outras duas. Luan reconheceu de cara o lugar e sentiu seu coração apertar enquanto descia do automovel. O obelisco no meio da praça sete estava no chão, quebrado no meio e na ponta.

O vão onde um dia houve um prédio estava ali. Um monte de concreto, ferro retorcido e madeira amontoado.

Luan olhou tudo em volta e percebeu que se lembrava melhor daquele dia do que imaginava. O som do portal oscilando, depois as explosões e gritos, as armas do RAD cortando o ar.

Talvez o corpo de Douglas ainda estivesse ali, em algum lugar. Enterrado para sempre no lugar onde havia tido sua ultima batalha.

Os agentes de segurança o contornaram com armas em punho enquanto ele olhava tudo a sua volta e sentia pela primeira nostalgia. Era engraçado, pensou ele, sentir saudade das pessoas depois de um ano de distancia. Talvez ele não fosse uma pessoa comum. Talvez então não sentisse como as outras pessoas.

Olhou para trás e viu um de seus agentes treinados mexendo em um notebook. Os dedos dele corriam rápido pelo teclado, da mesma forma que os de Jonas faziam. – Alguma coisa no radar? – Luan perguntou por fim.

– Temos algumas leituras senhor, mas será realmente difícil encontrar qualquer coisa com essa tecnologia. É a mesma que o RAD usa e eles não conseguiram encontrar mais nada aqui – respondeu o homem ainda olhando para a tela.

Luan ergueu a sobrancelha direita e disse com um tom sarcástico – então por que esta usando isso? Achei que traríamos nosso próprio material.

Oliver se adiantou e correu até a parte de trás da primeira caminhonete, soltando os ganchos que prendiam a lona a traseira do carro – e trouxemos, mas como pode ver, não é algo que possa ser carregado em punho – comentou ele puxando o material negro e revelando a aparelhagem na traseira do automóvel.

– E o que estamos esperando?

Oliver começou a ir em direção a outra caminhonete onde os agentes de segurança ainda não haviam decido e revirou os olhos. Amaldiçoou mais uma vez e riu da própria desgraça quando tropeçou em qualquer coisa que estava no chão.

– Eu gostaria de saber – questionou Oliver perdendo a paciência – suas ordens eram para que o trouxéssemos para esse ponto.

Luan deu de ombros, colocou as mãos no bolso e começou a caminhar de volta para a caminhonete. – Como encontraremos um Digimon afinal de contas? Ficaremos aqui esperando a boa vontade deles?

– Não senhor – disse um dos agentes vestido de uniforme preto. – Começaremos a ronda agora.

– Hum – murmurou Luan mal-humorado entrado no automóvel. Oliver voltou correndo e subiu na traseira junto à aparelhagem, sendo acompanhado em seguida por um segurança loiro de pele muito clara.

O radar era como um computador de mesa. Havia um grande processador onde uma antena se fixava, alguns cabos grudados a um gerador de energia e por fim a tela que mostrava um mapa topográfico da região.

Oliver saltou da traseira e correu para o banco, sentando-se ao lado de Luna. Pensou um pouco no que havia visto ali e se sentiu também nostálgico, mas nada que pudesse se comparar ao turbilhão de sentimentos que estava brotando em Luan.

Ao chegar ao primeiro cruzamento às caminhonetes se separaram. Cada uma seguindo um rumo diferente. – Isso estava nos planos? – Perguntou Luan preocupado.

O Agente que dirigia se virou depressa e o explicou – três veículos tem mais chance de encontrar alguma coisa que um.

Luan afirmou com a cabeça e afundou no banco. Olhou para o lado e viu o notebook preso a porta do carro junto a um dispositivo de medição. Se empurrou no banco até conseguir alcança-los trazendo-os até si.

Fazia tempo que ele não mexia naquela maquina. Era o mesmo computador de um ano atrás, embora várias peças houvessem sido trocadas para aumentar seu desempenho. O HD era o mesmo, as informações ainda estavam ali.

Ele o abriu e viu o sistema rodando na tela. “Emersão digital”. O mesmo que os Guardiões que estavam com o RAD usavam. Luan sorriu, imaginando como Will se sentiria ao saber que a empresa dele era responsável por um sistema que ele usava.

Tentou imaginar como ele e Ludmila estavam, desta fez não forçando a sua mente a seguir por outro rumo. A ultima noticia que tivera dos dois havia sido no dia anterior. Lembrou-se de ter corrido o olho rapidamente sobre o jornal e de ter pulado o pedaço que falava sobre os Guardiões.

O radio tocou e o agente ao volante atendeu – Encontramos, encontramos – repetiu o homem do outro lado da linha.

– Qual é a posição de vocês?

– Estamos parados em frente ao prédio do relógio, sigam a principal. Ele esta em um prédio, parece adormecido.

– Ok – respondeu o homem colocando o objeto sobre seu colo e mudando a direção.

Oliver encarou rapidamente Luan que deu um sorriso nada humilde ao perceber a movimentação. Suspirou cansado e amaldiçoou mais uma vez mentalmente apenas para não perder o habito. Ele gostaria de ter continuado na traseira, mas infelizmente não teria sido possível.

Logo eles chegaram ao prédio do relógio. A caminhonete estacionou do lado das outras duas já paradas ali fazendo um barulho alto quando o pneu derrapou alguns centímetros sobre o asfalto gasto. Luan desceu em um salto, com o notebook sobre o braço e o aparelho de medição no bolso. Oliver desceu em seguida olhando para tudo em volta, curioso com a arquitetura do lugar.

Os agentes pareciam agitados, mas o único som que eles ouviam era o barulho das folhas arrastadas pelo vento. Todos se mantinham em um silencio quase absoluto. Analisando dados e preparando armas.

– O que temos aqui? – perguntou Oliver se aproximando do grupo de agentes de segurança.

O mais velho, líder do grupo, cruzou os braços e o olhou nervoso antes de responder. – Aparentemente um Kanzentai.

– Aparentemente? – perguntou Luan com arrogância – esses instrumentos são precisos meu caro, se não sabe distinguir um gráfico se aposente – afirmou furiosamente enquanto passava por entre os homens armados e se aproximava da primeira caminhonete onde os instrumentos estavam.

Olhou a quantidade de dados e no mesmo instante teve certeza de que de fato era um Kanzentai. – Realmente – ele comentou olhando para trás sorridente, encontrando olhares de desdém dos agentes.

Ser odiado também é uma arte. Pensou enquanto se afastava da traseira do automóvel e colocava o aparelho de medição que havia trazido da empresa em seu braço.

– Vamos começar – disse o mais velho batendo palmas duas vezes. –Tirem os carros da entrada. Quero três equipes. Uma vai entrar e tirar o Digimon de lá, outra cuidará de leva-lo até o senhor Alves e impedir que ele fuja e a outra fará a segurança do Senhor. – terminou de dizer olhando para Luan que balançou a cabeça mostrando que havia entendido.

Minutos depois a primeira equipe estava entrando no prédio. Luan ficou um pouco acima da rua, com seu notebook na mão e cercado por agentes.

Quase pulou de excitação quando ouviu o primeiro tiro e uma explosão de pétalas surgiu pela janela. – Agora – gritou alguém de dentro. Um grito agudo surpreendeu Oliver e em seguida Lilimon foi jogada da janela acertando o asfalto duramente.

Luan apertou o botão e os geradores nas traseiras das caminhonetes começaram a rugir. Raios foram na direção do montante de dados negros criando uma bola de energia que aos poucos foi crescendo e tomando forma.

Lilimon olhou para frente e seu rosto se encheu de pavor. Ela tentou se erguer, mas foi atingida quase no mesmo instante por um tiro, caindo novamente no chão.

Patas enormes acertaram o chão e aos poucos, em meio a correntes elétricas, Madleomon tomou forma. Com olhos vermelhos como o fogo do inferno ele urrou fazendo o coração da Digimon dríade parar de bater por um momento.

Luan sorriu quando o Digimon negro deu o primeiro passo na direção de Lilimon que se levantou depressa, colocando em seguida as mãos sobre o peito.

Madleomon se moveu mais depressa do que qualquer um pudesse esperar, surgindo sobre Lilimon em um instante. Luan se sentiu tonto e sua visão ficou turva por um momento, mas Oliver pode jurar que a arrogância dele o fez ficar de pé.

A dríade Digimon saltou e o zumbir de suas assas fez Madleomon rosnar. A Digimon se lançou contra ele socando sua cara com força, fazendo-a virar de lado, depois o chutou no peito, mas ele não pareceu sofrer o impacto.

Aos poucos ele voltou a olhar para frente, sua expressão parecia demoníaca. A Dríade gemeu em pânico e tentou se afastar, mas encontrou dezenas de tiros de agentes, agora uma parede de pulsos elétricos a impedia de fugir.

A Digimon posicionou seus braços a frente do corpo e de um broto floresceu um canhão. Ela gritou e o canhão se iluminou, enviando em seguida uma onda de energia que explodiu no chão, fazendo os agentes de segurança se lançarem para trás tentando se esquivar.

Tentou voar sobre eles buscando sua liberdade, mas antes que pudesse tomar distancia Madleomon agarrou suas pernas. Ela girou seu corpo e tentou desesperadamente abrir os dedos do Digimon empurrando com seus pequenos braços.

Madleomon mostrou seus dentes e com um movimento brusco a arremessou no chão. – Bem forte – comentou Luan contente. Oliver apenas o olhou, não podia dizer o que pensava.

Lilimon tentou se levantar assim que se deu conta de que estava livre. Um pequeno corte em se rosto brilhava enquanto uma pequena onda de dados se desprendia. O Digimon leão deu dois passos e pisou sobre o corpo da Dríade que automaticamente gritou.

Ele se abaixou e com os dedos segurou as assas da Digimon. Moveu a pata tendo assim uma posição melhor e começou a puxar arqueando seu corpo como podia para trás.

Os gritos de Lilimon aumentaram ao decorrer dos segundos. Gritos desesperados de angustia e dor. Oliver sentiu um aperto no peito e ficou tentado a desviar o olhar. Mas Luan estava ali, do seu lado, sorridente e o obrigaria a ver se percebesse tal situação.

Os olhos do garoto aos poucos estavam tomando um leve tom de vermelho. Seu grande sorriso perturbou Oliver de uma maneira que ele nunca poderia imaginar. Pensou em empurra-lo, desligar o aparelho em suas mãos, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa às assas de Lilimon foram arrancadas.

Ela começou a se contorcer no chão enquanto dados jorravam dos pedaços de membros desfigurados em suas costas. – Acabe com isso – ordenou Luan e o Digimon o obedeceu.

Agarrou a Digimon com as mãos e a trouxe para frente de sua cara. Primeiro a lambeu e em seguida enfiou-a na boca. Os últimos gritos abafados foram ouvidos antes de ele puxar o tórax inerte da Digimon que seu dissolveu em dados.

– Espero que esteja satisfeito – Oliver disse com ódio voltando no mesmo instante para a caminhonete.

Luan o olhou caminhar de volta, ainda sorrindo desativou o sistema fazendo o Digimon desaparecer e murmurou mais para si mesmo – descobrirei agora. O aparelho em seu braço mostrava uma infinidade de números que se alternavam na tela – meu projeto esta quase no fim – exclamou enquanto o mal-estar tomava conta de si e suas pernas fraquejavam.

Notas finais
Suino, Suvino, Surrindo, Subindo... Acho que a questão principal do capitulo é a morte de Lilimon. Voce deve ter pensado: "Porra ela morreu muito facil. " Acho que não. visto que Madleomon é um Kyuukyokutai, e uma coisa que eu pretendo afirmar bastante durante a fic é a diferença de poder entre os niveis evolutivos que acho que acabou se perdendo muito durante a franquia. Deixei isso escapulir um pouco em Decode, mas arrumarei aqui. Como Luan não se fudeu como Luiz quando invocou Deckerdramon? Ainda vou explicar. Algumas revelações, algumas duvidas, finalmente to começando a desembolar o enredo. Espero que tenham gostado. Me xinguem, briguem comigo, me ame cara. Só falem comigo.