Guardians
4 Atos de sobrevivência
Notas iniciais
“Há enorme diferença entre viver e sobreviver. Diria que em síntese, sobreviver é permanecer vivo, manter-se no limite que nos mantém neste lado onde a materialidade é nossa forma de expressão.”
(Priscila de Loureiro Coelho)
– As pessoas andam meio surtadas nesse tempo de crise – comentava Sr. Alves com um de seus funcionários enquanto caminhava junto de seu filho para a sala de reuniões. Luan bocejou alto, ele não conseguia para pensar no quanto aquilo tudo era chato. Ele nunca gostou dessas questões e agora mesmo sabendo o motivo, não acreditava que estava mesmo ali.
Assim que eles entraram na sala uma dúzia de homens, que estavam sentados em cadeiras dispostas ao longo de uma enorme mesa de mogno preto se levantaram e em um coral de vozes os cumprimentou.
Luan sorriu entre meios dentes e se sentou na primeira cadeira ao lado da de seu pai, que fica na extremidade do móvel. Ele se esforçava para manter o tedio longe de suas feições, mas sentia que aquela era uma luta completamente perdida antes mesmo de trava-la.
– Muito bem, então comecemos – encorajou um dos milhares de funcionários que seu pai havia contratado basicamente para passar slides. Era um emprego com alta rotatividade. Luan sorriu e olhou para o rosto de seu pai se fechando após o fala do pobre infeliz, futuro ex-funcionário. O velho odiava que serviçais, como ele fazia questão de nomear, o interrompessem ou fizesse algo que não lhes havia sido pedido.
O garoto parecia ter por volta de vinte e dois anos pensou Luan. Ele era baixinho e sua pele tinha um tom moreno, mas ficar o avaliando não iria fazer diferença a essas alturas do campeonato, essa seria a ultima vez que o veria – alguém te dirigiu a palavra garoto? – esbravejou senhor Alves fazendo todos se calarem.
O garoto balançou a cabeça negativamente perdendo todo o enorme sorriso que tinha no rosto. Patético, pensou Luan, seu pai estava velho de mais para aquilo. Criar uma situação constrangedora dessas na frente de seus funcionários era simplesmente ridículo.
Manteve-se calado contra sua vontade, queria dizer ao pai que já estava na hora de se aposentar e mesmo odiando aquela cadeira, sentar-se nela e fazer o que sabia de melhor. Mandar.
Com os olhos cerrados e as sobrancelhas franzidas do homem se ergueu da cadeira e voltou a perguntar-lhe – alguém te dirigiu a palavra garoto? – a cena na opinião de Luan estava cada vez mais fora dos limites. Seu pai agora estava de pé, bem em frente ao garoto com os braços cruzados – estou te fazendo uma pergunta – o velho esbravejou.
A careca do homem ficou com um tom avermelhado quando o garoto respondeu tão humildemente que Luan acabou caindo na gargalhada – bom, pelo que vejo agora o senhor somente o senhor, e quer saber? – ele ainda indagou com agora uma feição irritada – eu não preciso desse emprego – terminou de responde jogando a enorme prancheta de apresentações no chão, fazendo um enorme estardalhaço.
Uma exclamação em coro pode ser ouvida no final do corredor do vigésimo sexto andar da empresa Gênesis. Luan nesse momento gargalhava tão estridente que um dos funcionários se questionou se ele tinha a mente sã.
– Seguranças – gritou Sr. Alves um segundo depois. Mas antes que os seguranças pudessem aparecer o garoto disse que ele sabia qual era o caminho e simplesmente saiu andando como se nada houvesse acontecido.
Senhor Alves ajustou suas roupas no corpo, enquanto um dos funcionários pulou de sua cadeira e levantou a prancheta – e eu que acha tediosas as reuniões do conselho – comentou Luan divertido balançando levemente a cadeira para trás e para frente.
Assim que o Sr. Alves se sentou novamente na cadeira ele finalmente murmurou – comecem.
As primeiras horas foram incrivelmente tediosas para Luan, o sono já pegava no seu pé, seus olhos estavam absurdamente pesados. Enquanto ouvia fleches das conversas e apresentações sua mente viajava.
Ele se lembrou do primeiro dia de aula na faculdade. Da sensação bacana ao procurar a sala pra primeira aula, a expectativa pra saber quem seriam seus colegas de classe. Ele jurou pra si mesmo que tentaria se misturar, ser um garoto normal pelo menos uma vez na vida.
Cresceu sendo oprimido pelo pai que nunca conseguiu entender que Luan apenas queria atenção, e atenção apesar de todo seu dinheiro era a única coisa que nunca conseguiu. Viveu praticamente sozinho com a irmã e a governanta, mas Saulo nunca havia sido uma companhia muito interessante.
A mãe morreu no parto do irmão, mas nunca o culpou por nada. Quando Saulo nasceu Luan já tinha doze anos e sabia muito bem discernir o certo do errado. Aprendeu tudo a punho de ferro.
Luan odiava pensar no passado, mas se encontrava vagando por ele mais do que gostaria de admitir. Por vezes se pegou repassando a lembrança do ultimo dia em que vira os Guardiões pessoalmente pela ultima vez.
E às vezes, mas mais raramente se pegava lembrando-se de sua reação ao saber que Jonas estava morto. Foi em uma manha chuvosa em uma cafeteria. Ele havia ido tomar café antes de voltar para o laboratório, o garoto tinha virado a noite na frente do computador tentando abrir o núcleo do código de Leomon sem destruí-lo e então viu Ludmila em uma entrevista.
A garota havia saído correndo do palco e agora era trazida de volta por um dos assistentes de palco. Ela se sentou em uma cadeira branca e sorriu para a apresentadora que brincou com a situação fazendo uma piada sobre banheiro. Mas Luan conhecia aquela garota bem o suficiente para saber que ela não estava nada à vontade.
Depois de mais algumas piadas finalmente a apresentadora voltou a fazer perguntas a ela, e a segunda foi “Ouvi dizer sobre um amigo de vocês que os ajudou na mesma época, afinal de contas, o que aconteceu com ele?”. Luan sentiu sua barriga gelar, será que ela falaria dele?
“-Jonas, ele morreu pra nos salvar banindo Lucemon” ao ouvir isso ele sentiu um misto de alivio e raiva. Ele não podia acreditar que Jonas havia sido tão idiota ao ponto de morrer, não quando o mundo estava abeira de um colapso, era egoísmo de mais. Então ele pegou pensando em si próprio, mas o devaneio que já havia ido longe de mais se dispersou quando ele ouviu seu pai dizer seu nome.
– Desculpa, o que tem eu? – perguntou Luan franzindo o cenho. Seu pai parou de falar e serrou os olhos em desaprovação.
O velho suspirou e tirou os óculos de leitura do rosto – você não esta prestando atenção em nada? – perguntou Sr. Alves parecendo exausto. Essa situação também se tornava repetitiva, mas não era esse o ponto no momento pensou Luan.
Luan deu um sorriso sarcástico – mas é claro que ouvi – mentiu – eu só não pude assimilar.
– O que você não assimilou? – perguntou o velho já perdendo novamente a paciência. Luan conhecia cada detalhe dos gestos do seu pai, sabia exatamente o que cada um deles significava – graças ao programa de tradução de linguagem que você criou a Genesis esta lucrando cerca de mais seis milhões por mês, apenas por um aplicativo.
Luan arfou, era isso? – e sobre a desativação das instalações em Minas Gerais – Sr. Alves informou. O garoto o encarrou com os olhos arregalados, ele sabia que seu pai vinha com mais uma – cancelaremos todas suas pesquisas e você se mudara para o Rio de Janeiro e cuidara dos avanços tecnológicos lá.
– Encerramento das minhas pesquisas? – Indagou Luan encarando o pai sem expressão – boa forma de retribuir seus setenta e dois milhões anuais – ele conhecia o pai, ele não mudaria de opinião, ele era arrogante de mais, aquele não era o momento de discutir aquilo.
Luan se levantou da cadeira nervoso, olhou para o pai mais uma vez e começou a caminhar em direção a porta. Quando tocou na maçaneta seu pai disse seu nome, mas ele não esperou para descobrir o que o homem queria. A única coisa que ele precisava era acalmar os ânimos.
Quando chegou à portaria ele percebeu uma movimentação estranha. Seguranças se agarravam a um cara baixinho que gritava algo sobre seu suéter ter ficado na sala dele. Luan sorriu e caminhou com as mãos nos bolsos da calça social até a confusão.
Ele percebeu a cara de desconforto dos seguranças e das recepcionistas assim que perceberam quem ele era – Soltem-no, ele tem de ir a um lugar comigo – disse aos enormes homens que soltaram o garoto na mesma hora.
–Tenho? – perguntou o garoto.
–Se quiser um emprego – Luan respondeu sorrindo e estendendo a mão – alias, qual é o seu nome?
– Oliver – respondeu.
***
Veronica passou quase a noite inteira acordada. Mesmo a noite a temperatura na cidade maravilhosa era muito elevada e a garota não podia arriscar simplesmente pegar no sono. Ela não havia conseguido encontrar um hotel com um preço que pudesse pagar então a primeira opção foi à rua.
Quando finalmente o sol se pôs ela começou a se sentir perdida. Via dezenas de rostos diferentes nas ruas e procurava inconscientemente por algum conhecido. Ouviu conversas pela metade e tentou se identificar, mas quanto mais ela buscava mais sozinha e perdida se sentia. Sua única forma de fuga para aquele recente martírio era seu companheiro.
Por volta de duas da manha ela estava sentada em um dos bancos dispostos pelo calçadão, olhando para as ondas da praia de Ipanema descerem e subirem calmamente. A brisa fresca trazida pelo mar ao tocar sua pele a deixava tranquila e confortável.
Seus pensamentos estavam longe. Revivendo tudo o que viu nos dias em que Belo Horizonte foi atacada. A angustia que ela sentia toda vez que pensava no irmão e no quanto àquela cena de destruição a havia assustado fazia seu estomago se revirar. Detestava admitir, mas sentia medo dos digimons.
Então com um barulho diferente ela despertou de seus devaneios. Bolas de luz cortavam a escuridão do seu a noite. Veronica conhecia muito bem aquelas formas, já havia visto antes. Eram Raders.
A garota se levantou depressa e saiu correndo em direção aos agentes. Um homem alto que parecia ter por volta de vinte e poucos anos, estava ao lado de outro de cabeça raspada baixinho que mirava algo no céu.
Ela olhou pra cima, mas não conseguiu ver nada, lhe causando um misto de alivia e angustia – parem – gritou a garota movendo os braços bruscamente enquanto corria. Infelizmente os dois homens estavam longe de mais para conseguir ouvi-la e mesmo que pudessem escuta-la ela duvidava que seus gritos funcionassem.
De repente uma criatura roxa apareceu sobe a luz do poste, cortando o céu em um voo rasante e furioso. Um tiro acertou a criatura nas costas a fazendo grunhir e cair no chão entre carros que atravessavam a avenida.
Pedestres começaram correr e gritar causando grande alvoroço. Alguns motoristas mais próximos abandonaram seus carros no desespero, enquanto outros aceleraram seus veículos tentando escapar depressa, mas graças no tumulto dois deles acabaram se chocando impedindo o transito dos de mais.
Quando Veronica deu por si estava correndo a poucos metros atrás dos Raders, se esgueirando entre carros e pessoas assustadas. Ouviu mais tiros e quase foi derrubada por uma mulher que corria na direção contraria. Ela ouvia seu coração bater enquanto corria e sentia o peso da mochila batendo em suas cotas. A única coisa que sabia é que tinha que impedi-los.
Arresterdramon saltou ficando a cerca de três metros do chão, abrindo as pequenas assas e se estabilizando no ar. A garota ouviu gritos vindos dos agentes e percebeu que o ataque ao seu parceiro logo ia recomeçar.
Ela se jogou em cima do capô de um carro e começou a correr sobre eles. Percebeu que seu parceiro a havia visto e acenou escandalosamente para ele, tentando inutilmente adverti-lo do perigo. Então o primeiro tiro acertou Arresterdramon em cheio o fazendo cair um metro antes de controlar novamente o voo. O tiro seguinte ele desviou se movimentando no céu como uma cobra e então vieram o terceiro e o quarto.
Veronica sentia tanto medo que suas pernas mal a conseguiam sustentar. Seu peito parecia explodir de tanta ansiedade e angustia. Quando finalmente alcançou o primeiro agente à garota se jogou de cima do carro em cima do homem.
A principio ela não pensou, apenas agiu. Sentiu a dor repentina tomar conta da barriga quando se chocou com o agente. Viu a arma dele disparar e acertar o Rader que estava a sua frente e depois sentiu o mundo girar quando foi de cara no chão.
O homem só conseguiu gritar alguns segundos atrás, num misto de dor e surpresa – Glauro – ele gritou chamando o agente a sua frente. Veronica conseguiu se levantar com dificuldade e tentou correr, mas foi ao chão segundos depois.
***
Thiago estava incrédulo. De onde havia surgido aquela garota? Já tinha visto muitas loucuras em Belo Horizonte, mas nunca uma menina havia se jogado em cima dele. Nem metafórica nem realmente. Depois que foi ao chão seu único reflexo foi tentar segura-la.
Ela chutou sua mão e a dor lacerante tomou conta de seu dedo. Ele a soltou e balançou a mão tentando aliviar a corrente de dor que atravessou seu braço. O medo tomou conta dele quando percebeu que ela havia saltado sobre Glauro que estava caído e corria em direção ao Digimon.
Ele se levantou com dificuldade, se apoiando em um carro preto largado ali por alguém assustado. Assim que seu equilíbrio foi recobrado ele ergueu sua arma e atirou. Gritos de pessoas ecoavam em seu ouvido.
A bola de energia acertou em cheio o Digimon roxo que dessa vez não conseguiu escapar. Glauro também se levantou e começou a disparar. Bolas de energia cortavam o céu indo em direção ao Digimon que começou a urrar com a sequencia de ataques recebidos.
Thiago retomou a corrida tentando se aproximar novamente da criatura se esbarrando em retrovisores pelo caminho. De súbito ele acabou trombando quando Glauro e quase jogou o agente no chão com a força do impacto – o que diab... – ele começou a dizer, então ele percebeu que a garota estava com os braços abertos na frente do Digimon que havia caído sobre um carro.
– Não se aproximem – gritou ela.
Mais uma Guardiã? Ele devia leva-la ao Rad, essas eram suas ordens.
O agente então se recordou de Jonas e Greymon e sentiu seu coração comprimir. Não o conheceu direito, mas entendia bem seu sacrifício, sem Jonas ele provavelmente estaria morto agora.
Então uma explosão de luz aconteceu, tudo de repente ficou absurdamente claro. Ele cobriu os olhos com o braço direito e começou a tatear o nada com o esquerdo em uma tentativa inútil de se orientar. Passou pelo agente Glauro e ouviu vozes, mas não conseguiu distinguir de quem eram. Tentou correr mesmo sem enxergar nada, mas apenas se machucou caindo sobre algo. Ele sentiu seu coração bater na garganta e o cotovelo queimar.
Quando sua visão aos poucos começou a voltar à noite já estava escura novamente. A garota? Ele se preocupou por apenas alguns segundos. Ela não estava mais lá. Mas Thiago conhecia muito bem o que gerava aquela luz.
A questão era, será que a garotinha sabia onde estava se metendo?
***
[39 horas antes]
– Depressa – gritou Sofia passando por Pedro. O avião balançava tanto que ela mal podia ficar de pé e já podia sentir a inclinação da aeronave mudando para baixo. Sofia sabia, como qualquer agente treinado, de duas coisas. Que; A) o pânico não a ajudaria em nada agora e B) todo avião do governo tem paraquedas guardados na sala entre a cabine do piloto e os acentos dos passageiros.
Pedro com muito esforço fechou a porta da cabine do piloto que começa a se despedaçar e estava de encostado nela de costas com olhos arregalados cheios de pânico. Sofia sentiu raiva dele por alguns segundos, mas tentou ignorar qualquer sentimento que não envolvesse ou ajudasse a concentração e a agilidade.
A inclinação do avião se tornava mais acentuada a cada segundo – estamos caindo – gritou Pedro fazendo Sofia revirar os olhos enquanto abriu o armário embutido na parede do avião.
Havia seis mochilas lá dentro. Paraquedas a agente suspirou. Ela vestiu uma e lançou outra para Monteiro que mal pode segura-la. Um estrondo seguido de uma explosão aconteceu. Sofia olhou para os lados desesperada e percebeu a enorme criatura agarrada à turbina do avião em chamas do lado de fora.
Os notebooks, ela se lembrou no estalo. Usando os braços para se apoiar ela começou a seguir mais para dentro da aeronave que começa a entrar em uma inclinação de 30°. As coisas começaram a escorregar dos acentos e ela percebeu que os dois aparelhos escorregavam sobe os bancos.
Algo fez o avião chacoalhar com mais intensidade de repente, e então ela viu as enormes garras rasgando o metal e abrindo um buraco no meio do jatinho. Cadeiras próximas à fenda começaram a se soltar e voar pelos ares.
Quando ela olhou para trás Pedro estava abraçado a um notebook, coincidentemente o seu, com os olhos fechados com força e a boca aberta em um grito sem som. Ela se lançou para o lado, escorrendo no chão e agarrou o seu notebook com força e no mesmo instante ela viu a parte traseira do avião despedaçar-se com o som de metal rangendo.
Em uma queda agora vertical ela se agarrava ao acento mais próximo com uma das mãos enquanto gritava para Monteiro largar a maçaneta da porta. O barulho do vento e a pressão da queda estavam a deixando em pânico.
Então a porta de Pedro se desprendeu e os dois foram lançados com uma força bruta para cima. Logo em seguida ela também largou.
Teve a ilusão de ser lançada para cima, mas na verdade estava apenas caindo mais devagar que o restante do avião. Ela olhou para cima e viu o enorme Digimon descer em um voo rasante e acerta a parte do avião que ela estava com uma rajada de fogo.
Ela acionou o paraquedas que se abriu em um instante fazendo seus ombros doerem com solavanco do recente apoio. O mar estava abaixo dela e Pedro um pouco mais abaixo com o paraquedas também já aberto.
Megidramon batia suas enormes asas e ganhava altitude se afastando das chamas e indo em direção ao oeste. Aparentemente eles não morreriam daquela forma hoje. A criatura não deve tê-los percebido, ou desistiu de mata-los.
O barulho dos destroços do avião se chocando com o mar fez o coração de Sofia saltar por um instante, ela fechou os olhos desejando que pelo menos um pedaço de plástico, de qualquer lugar que fosse, se soltasse para que ela não precisasse nadar.
Ela pensou em Will e no seu recente relacionamento com o garoto. Lembrou-se do seu primeiro beijo com ele e de como ele era meigo e desejou mais uma vez ter algo para se apoiar. No fim, diferente de Monteiro, ironia na opinião dela, ela não sabia nadar muito bem.
[hoje]
O bipe ininterrupto da maquina cardíaca ao lado se Sofia ecoava pelo corredor do hospital. No quarto ao lado Pedro ainda estava desacordado, pequenos cortes coloriam seu rosto de vermelho.
A enfermeira olhava o soro que estava conectado ao seu braço e anotava em sua prancheta informações relacionadas ao seu estado. Do lado de fora do quarto, no corredor do hospital, um garoto de cabelos pretos e cumpridos o fitava com um olhar severo.
– Ainda não é hora – comentou ele antes de começar a caminhar entre os pacientes e funcionários.
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