Guardians

5 Tensão nuclear


Notas iniciais
Escrevi esse capitulo três vezes e ainda sim não tenho certeza se ficou como eu queria. Desculpem se deixei alguma coisa muito nada haver em relação a ONU, estudei o que podia pra fazer esse capitulo.

“A genialidade de qualquer sistema escravista se encontra nas dinâmicas que isolam os escravos uns dos outros, que ocultam a realidade de uma condição comum e tornam inconcebível a rebelião unida contra o opressor.”

(Andrea Dworkin)

Dois seguranças já estavam na porta do apartamento de Lud por volta de sete da manha, a garota se perguntava se aquilo era realmente necessário. Ela e Will sairiam para a reunião da ONU dentro de meia hora e ela estava largada em cima da cama de lençóis brancos do hotel olhando para o teto. A hora não queria passar.

Will havia ido ao seu quarto assim que acordou. No instante que ele entrou pela porta com o telefone no ouvido Ludmila soube exatamente com quem ele estava falando. Ela já o conhecia bem o bastante para saber o quanto ele estava ansioso.

– Embarquem de uma vez – gritou Will ao telefone. Ele encontrou o olhar de Ludmila e fez um movimento com a cabeça que significava bom dia, depois se jogou na poltrona amarela que estava em frente à cama – eu sei do fuso – ele murmurou baixando o olhar – cinco horas da manha ai – ele respondeu franzindo o cenho antes de tirar o telefone do ouvido.

Murilo deve querer mata-lo, ela pensou enquanto ia ao banheiro se trocar. Havia se tornado comum Will ir vê-la pela manha, agora os dois tinham um enorme vinculo de amizade e Lud se sentia muito confortável com isso.

Embora Will estivesse muito estressado nos últimos dias, ela conseguia o entender. Ele sentia falta de Shoutmon. Depois de meses de luta e discussão Will finalmente havia permitido que o RAD estudasse seu parceiro, um Digimon que não havia se transformado em código e se alocado em um computador.

Murilo devia estar furioso pelo horário, mas ele também entendia Will. Lud sentia bastante falta de Mailbirdramon, de se sentir mais útil do que agora que havia se tornado uma pesquisadora. Sua Digimon havia desaparecido junto ao portal e Jonas, ou pelo menos ela acreditava nisso. Depois que a batalha terminou ela revirou seu computador atrás dela, mas não havia mais nada lá.

Quando Mustang a falou sobre o projeto Guardiões e lhe ofereceu uma nova oportunidade de captura ela negou de imediato. Não podia se imaginar domando outro Digimon. Domando ela riu em pensamento, mais pareciam que os humanos eram domados.

Eles passaram horas conversando até que a hora da reunião se aproximou e o garoto voltou para o seu quarto para se aprontar e agora ela estava ali largada. Faltando quarenta minutos para a reunião começar Will bateu em sua porta. Ele estava vestindo um terno preto que o deixava com um ar mais serio, mas seu cabelo grande e cacheado quebrava um pouco do ar adulto que o garoto adquirira.

Foram acompanhados por quatro seguranças até a limusine e a meia hora do evento eles finalmente estavam saindo de casa. O longo vestido preto de Ludmila não a ajudou na locomoção, seu cabelo curto estava jogado para o lado direito deixando uma parte de sua cabeça quase nua.

Demoraram cerca de quinze minutos para encontrar a enorme carreata que se dirigia ao prédio onde seria feito o evento. Dezenas de policiais cercavam as Limusines que carregavam os homens e mulheres mais poderosos do mundo. Presidentes, ministros, figurões e representantes. O mundo inteiro deveria estar olhando para eles, mas seus olhos não estariam na reunião, nenhum repórter estava autorizado a ficar a menos de quinze metros do prédio.

Quando finalmente encontraram seus lugares, em uma das ultimas fileira do enorme teatro onde o evento estava ocorrendo, o presidente dos Estados Unidos entrou na sala. Murmúrios em varias línguas e apenas um nome era possível se entender em todos eles Gregori Del Marino, o primeiro presidente Americano com descendência direta Mexicana.

A presidente do Brasil, Dora Menezes, correu para cumprimenta-lo assim que ele se dirigiu a sua cadeira frente à bancada onde os cinco países mais afetados pelos digimons estavam. Estados Unidos, Brasil, Austrália, Rússia e Itália. O mundo esta literalmente se unindo para um bem maior.

Lud se sentia particularmente pequena perto de tantos chefes de estado. Haviam tantos presidentes e representantes que ela imaginava o quão caro seria o convite se aquela fosse uma festa.

Quando o presidente da Itália se sentou Maristela apareceu. Ela estava vestida com um terno bege e seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto. A mulher caminhava entre as longas mesas cumprimentando dezenas de representantes com um sorriso que quase chegava a ser carismático. Falando em varias línguas e gesticulando fartamente.

Ludmila olhou para Will de relance e viu que o garoto comprimia os lábios com tamanha força que eles se transformaram em uma tênue linha reta. As pupilas dele dilataram fazendo com que seu olho ficasse quase completamente preto.

Lud sentia praticamente a mesma raiva que Will. Odiava lembrar-se do quanto haviam sido manipulados inocentemente por ela e mais ainda de lembrar-se da morte de Jonas. Ela achava tão injusto que de todos eles, o único a morrer houvesse sido ele. O que mais tinha esperança, o que mais acreditava que o mundo poderia se tornar um lugar melhor junto ao Digimons.

Jonas os mantinha unidos. Jonas era o pivô dos Guardiões. Agora o que eles eram? Haviam claro os novos recrutas, Murilo e Vinicius. Sofia e Pedro também haviam conseguido parceiros. E também tinham aqueles garotos no Japão que ela nunca conseguia se lembrar do nome. Higara? Hioga? Hioda? Hindai? Esse era o mais velho, e o mais novo? Mas a saudade de May, Luiz, Jonas e até mesmo de Weverton e Luan ainda a assombrava.

Ela esperava que com o tempo esse sentimento passasse, mas a cada dia só aumentava.

Quando Maristela se sentou ao lado de Lud, a garota serrou os punhos. Ninguém conseguiria saber o quanto ela gostaria de se levantar e surrar a mulher até a morte, mas não antes de expola a todos. Sentia nojo da mulher e de todas as suas mentiras.

E quando por fim a reunião começou, ela não suportou mais e contra tudo que Will ou qualquer um dos outros podia imaginar ela explodiu – como é? – ela perguntou a Maristela que a olhou curiosa. Will que estava sentado do lado de Lud se inclinou para frente para tentar entender a situação. Ludmila já havia estado perto de Maristela muitas vezes, mas nunca tinha dirigido a palavra a ela antes.

– Como é o que minha querida? – perguntou Maristela tão doce que chegava a dar náuseas à garota. Ludmila colocou a mão sobre a de Maristela no braço da cadeira e sorriu.

Antes de começar a falar a garota cravou as unhas vermelhas na pele branca de Maristela apertando com tanta força que seu punho vibrava – fingir não ser um monstro, estar sentada do lado das duas pessoas que mais te odeiam na face da terra?

Maristela manteve a mesma expressão de curiosidade. Olhou por um breve instante para as unhas de Ludmila cravadas em sua mão e ergueu as sobrancelhas quando um fio de sangue correu de um dos furos – já tem gente na frente de vocês nessa fila docinho – respondeu ela fazendo um movimento tão rápido com a mão que quase foi imperceptível, colocando sua mão direita sobre a mão de Lud e agarrando com tanta força que a garota temeu que se quebrasse — O que eu penso disso? Se você me odeia é porque você ainda acha que eu sou como você. O inverso de amor e desprezo Ludmila, e eu não sinto nada além disso por você – continuou ela – apenas uma ratinha correndo sem rumo por um labirinto.

– Você é uma assassina – Ludmila grunhiu alto o suficiente para que todos ao redor se inclinassem para olhá-los, sorte deles que nenhum deles falava português.

Maristela riu sarcasticamente e puxou o braço de Ludmila a trazendo para próximo de si. Lud gemeu num misto de dor e surpresa e Will se levantou da cadeira exaltado, mas antes que algum deles se matasse Maristela se aproximou do ouvido de Lud e sussurrou – você, de todos os outros Guardiões, mesmo dentre aqueles que você pensa não estarem no jogo, é a mais inútil – Maristela parecia cuspir cada palavra – ele ira atrás de você primeiro. E quando eu estiver no seu enterro – a mulher gargalhou baixinho – e eu estarei, cuspirei com gosto nosso seu tumulo.

Ludmila sentiu o ar escapar de seus pulmões de repente. Ela puxou sua mão em um movimento brusco libertando-se da dor do aperto que sua mão estava sofrendo.

Pela primeira vez desde que tudo em Belo Horizonte terminou Ludmila sentiu medo de algo que não fosse um Digimon. Ela se espantou com a frieza nos gestos, na voz, nos olhos de Maristela. A garota não podia acreditar que alguém pudesse ser tão sem sentimentos e por um segundo a imagem de Lucemon e em seguida de Jonas voltou para sua mente.

A sua ultima lembrança do garoto era ele caído em sua frente, tão sem energia como ela em meio a uma cena de destruição completa. O céu estava escuro e uma criatura demoníaca irradiava um brilho maligno. A estrela da manha.

Agora ela só desejava estar em casa novamente.

***

Algum tempo que Will não pôde definir se foram dez minutos ou uma hora se passou. Ele não conseguia manter o foco a não ser na mulher sentada ao lado de Ludmila. Nunca havia ficado tão próximo dela, pelo menos não por tanto tempo.

Lud não havia se quer olhada para o lado dela desde a discussão. O garoto não conseguia entender o motivo que fazia Maristela ficar tão próxima deles. Talvez até pudesse entender a ideia de mentir e continuar trabalhando no governo, mas parecia que a mulher fazia questão de estar perto dele e de Lud.

– Tenha os amigos perto e os inimigos... – ele murmurou para si mesmo fitando o globo dourado erguido sobre a bancada onde estavam os países mais afetados.

Ele sabia desde que foi a reunião do Rad que iria acompanhado aquela reunião, entretanto nunca passou pela sua cabeça que seria com Maristela. Desde o incidente em Belo Horizonte a fama, por assim dizer, dos Guardiões se tornou mundial. Cada palavra, cada gesto, cada decisão tomada por qualquer um do grupo virava viral. Centenas de vídeos na internet brotaram, de digimons e dos Guardiões. As entrevistas dadas por eles eram expostas em todos os noticiários do mundo.

O Rad então decidiu que o melhor para eles seria sumir de vista por algum tempo, ficar fora dos holofotes até a população se acalmar. Com tudo não foi possível, os ataques continuaram.

Portais se abriram em outros lugares do mundo. Novos Guardiões emergiram das sombras e lutaram junto aos seus parceiros. Poucos haviam sobrevivido as suas próprias batalhas.

Um trio na Rússia, duas garotas na Itália, um homem na Alemanha. Todos mortos em batalhas contra os digimons. Nada do que o Rad fez adiantou. Os governos não conseguiram conter as informações e o mundo se tornou um caos durante cerca de dois meses, um preludio do apocalipse.

Will e os outros lutaram com tudo o que tinham. Fizeram tudo o que podiam e aos poucos começaram a vencer batalhas. Quanto mais lutavam e venciam, menos revolta e medo dominava a população mundial e quando por fim fecharam os portais com bombas dimensionais, eles foram premiados e louvados como heróis.

E agora estavam ali se preparando psicologicamente para falar na frente de dezenas de representantes do mundo inteiro. Não que Will reclamasse e ele estava fazendo muito isso nos últimos tempos, mas se ele pudesse voltar no tempo teria ido diretamente para o dia em que Jonas invocou Greymon na faculdade.

Pelo ponto eletrônico em seu ouvido o tradutor lhe informava tudo o que o presidente dos Estados Unidos estava dizendo. Nada que ele já não soubesse, apenas mais um misto de medo, ignorância e fúria. Promessas que nunca viriam a se cumprir.

Quando finalmente, após quase três horas de discussões inúteis pra variar, chegaram ao tópico principal, o míssil nuclear. O estomago do garoto se revirou. A ideia era obviamente tentar acabar com o centro de domínio dos digimons no nosso mundo com um ataque brutal e único. Todas as questões relacionadas à periculosidade dos digimons foram novamente e novamente apresentadas e por fim, quando todos pareciam concordar com a ideia, Ludmila foi convidada a dar sua opinião.

Ela olhou pra mim com olhos lacrimejantes e ele sorriu tentando transparecer que estava calmo e confiava nela. Não estava e tão pouco confiava. Ela tremia como uma vara verde e sua ultima declaração em publico sobre os digimons foi controversa o suficiente para fazer o grupo anti-digimon os atacar na rua.

Lud caminhou até o palco e se pôs nervosamente a frente do microfone. Depois de ajeitar suas roupas no corpo e passar a mão pelos cabelos a garota deu um enorme sorriso sem graça. Quando ela se aproximou do microfone e o segurou na mão algum tipo de interferência fez com que ele fizesse um barulho alto e irritante, fazendo as pessoas mais próximas aos alto falantes se encolherem.

– Muito bem – ela começou – boa tarde a todos – vários murmúrios em línguas diferentes e movimentos de cabeça foram feitos – como a maioria de vocês deve saber meu nome é Ludmila Madeira e fui uma das Guardians que lutaram na batalha de Belo Horizonte – ela suspirou e segurou um pedaço do vestido.

– Eu passei mais tempo com os digimons do que provavelmente noventa e nove por cento das pessoas nessa sala – ela continuou – estava presente quando o primeiro ataque aconteceu em Belo Horizonte e vi o quão esmagador um ataque de um Seijukuki pode ser. Vi prédios sem fim cair sobe seu poder e o sangue de centenas de pessoas ser derramado sobre nosso solo. Vi o medo nos olhos das pessoas quando os primeiros Kyuukyokutais atravessaram as barreiras dimensionais e senti a dor da perda junto a eles também.

Ela fez uma pausa e como se tomasse coragem juntou mais ar nos pulmões antes de continuar – eu diferente de todos vocês me envolvi nisso tudo por vontade própria. Quando Jonas trouxe Greymon, nosso principal aliado, a vida no prédio da universidade onde estudávamos eu simplesmente não tive como conter minha curiosidade.

– E com isso tive a oportunidade de ver o outro lado de uma situação muito maior do que eu. Vi um vinculo verdadeiro começar a se formar entre um Digimon e um humano e os vi batalhar lado a lado para alcançar um objetivo único. Compartilhei da mesma situação criando meu próprio vinculo com uma dessas criaturas e percebi o quanto isso era forte e grandioso.

– Senti medo como a maioria de vocês esta sentindo, mas sei exatamente que por trás do tamanho, das formas e do poder essas criaturas são como nós. Talvez alguns muito menos racionais que outros, mas o mundo em que vivemos também se divide entre racionalidade e instinto. Com certeza alguns com instintos ferozes.

– A questão que estou levantando aqui hoje é: De todas as formas que temos para resolver esse paradigma entre humanos e digimons, um míssil nuclear, que já arruinou a vida de milhares de pessoas, é a melhor opção para resolver isso? – ela por fim perguntou.

Então alguém se levantou em meio a dezenas de representantes e gritou em plenos pulmões “Então senhorita, qual é a melhor forma? Se não o míssil, que medida será tomada? Vidas estão se perdendo.”.

Will percebeu quando Lud tremeu, mas ele imaginou que ninguém além dele tinha reparado. Ela sempre foi boa para esconder o que estava sentindo – Eu... – ela hesitou – talvez devêssemos mandar uma expedição, tentar entrar no covil do monstro com tudo o que temos, humanos, digimons e armas. Mas não creio que... – então algo aconteceu.

Um zumbido começou a ser emitido em seu ponto eletrônico, tão agudo quando o feito pelo microfone de Lud. De imediato o garoto levou a mão a ele. Olhou para os lados buscando ver se mais alguém estava passando por isso, mas aparentemente era apenas ele, pois todos olhavam para Lud com extrema atenção.

Quando ele resolveu tirar o aparelho o som mudou. Ele conhecia e temia aquele som, o mesmo que vinha do notebook de Jonas e Lud quando eles invocavam seus digimons. De súbito uma voz ecoou em meio ao barulho.

Will não entendeu de primeira o que ela dizia, mas na segundo sim. O garoto deu um salto na cadeira e Maristela o encarou curiosa – Will – ele escutou novamente. Seu corpo ficou rígido e uma dor na sua nuca começou. Ele apertou a mão no descanso da cadeira e sentiu seu coração pular.

– Se pode me ouvir – murmurou a voz – balance a cabeça positivamente.

Um arrepio percorreu o corpo de Will, ele estava tremendo por dentro, que droga era aquela, ele pensou. Mas decidiu fazer como a voz lhe pediu. Devagar e longamente o garoto balançou a cabeça – escute bem, não há tempo para questionamentos, um ataque acontecera.

O garoto começou a encarrar Maristela e percorreu o olhar por toda a sala esperando que qualquer um além dele estivesse recebendo a mesma mensagem, mas não havia mais ninguém, ele sabia que não haveria. Will começou a se contorcer na cadeira, parte nervosismo, parte incomodo pelo barulho de dados – tire todos dai, não a tempo – a voz gritou e o som desapareceu.

Will parou de súbito junto ao som, seu cérebro precisou de alguns segundos para processar toda a informação. O guardião decidiu por fim não hesitar. Ele se levantou da cadeira em um salto e começou a percorrer o salão pisando nos pés das pessoas até chegar ao corredor principal entre as cadeiras onde começou a correr.

Ele notou o olhar de choque de Ludmila que não parou de falar e imaginou o quão assustadora deveria estar sua expressão. Seguranças saíram de suas posições e fleches começaram a ser disparados. Os Jornais adoraram isso, ele pensou, se sobrevivermos.

– O que você esta fazendo – vociferou Lud o encarando assustada quando o garoto com um salto rolou para cima do palco e agarrou seu braço.

– Temos que sair daqui – foi à única coisa que ele murmurou antes do teto tremer e com um barulho de explosão o enorme globo dourado desabar sobre a mesa dos cinco países mais afetados.

Houve um novo som de explosão e então o teto junto à parede leste desabaram. As luzes da sala piscaram e em seguida se apagaram. Gritos e correria dominaram o lugar em segundos.

Um jato de fogo foi arremessado à saída principal criando uma porta de chamas impedindo a passagem dos representantes. Quando Will olhou para os escombros percebeu a criatura que havia causado aquela confusão. Ele havia estudo sobre eles o bastante para saber quem ele era, porem foi Lud quem gritou seu nome – Barbamon.

***

A cabeça de Murilo parecia que ia explodir, o garoto já não aguentava mais o falatório do irmão e nem mesmo os grunhidos de Shoutmon. A única vantagem que conseguia encontrar era que mais uma vez Angemon parecia estar no mundo da lua e o havia deixado em paz. O Digimon costuma fazer muito isso.

Enquanto ele dirigia em direção ao prédio onde a reunião estava acontecendo ele se perguntava se aquela havia mesmo sido uma boa ideia. O quarteirão inteiro estava isolado por policiais e o prédio deveria estar totalmente inacessível a qualquer um que não estivesse licenciado. Como ele conseguiria encontrar Will?

Vinicius tossiu no banco do carona chamando sua atenção, ele cobriu a boca com a mão e franziu o cenho enquanto seu peito sofria pequenos espasmos. Murilo o encarou curioso e preocupado, às vezes ele não conseguia entender como o irmão se mantinha tão bem.

– Como esta se sentindo? – Murilo perguntou.

– Lembra quando aquele Garurumon apareceu? – Vinicius quis saber. Os deu uma risada e Shoutmon grunhiu.

Vinicius olhou para o banco de trás e viu Shoutmon sentado ao lado de Angemon que se espremia contra o teto do carro – tem um Digimon muito poderoso por perto – à voz soou na mente dos dois.

– Poderoso tipo o que? – Perguntou o menor.

Shoutmon de repente abriu a porta do carro ainda em movimento e saltou – tipo lorde demoníaco – o anjo respondeu.

Buzinas explodiram atrás deles e em um instante Shoutmon já saltava sobre os carros em movimento na enorme avenida ganhando uma enorme dianteira – esse Digimon me irrita – murmurou Murilo desviando do carro que retomava o controle da direção na sua frente.

Notas finais
Você deve estar se perguntando. Não esta muito cedo? (ou não). Eu não acho, estamos em tempos de crise. Deixe sua opinião ai. E sim, ainda mato figurantes.