Guardian
9 Capítulo 9
Notas iniciais
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Notas: a canção citada no capitulo na qual Aldora canta para a menina Iana dormir, pertence a banda Within Temptation. E se chama Lost! Ela esta traduzida no capitulo ok?! A outra música que deve surgir neste capitulo pela primeira vez, mas não é citada, se chama Anywhere da banda Evanescence e passa a partir deste, a ser a canção oficial de Tristan e Aldora! Ela deve ser ouvida a partir do momento em que Tristan segue Aldora até a floresta entre as pedras.
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Durante a noite, Iana deitou-se em um local mais macio perto das arvores para dormir. Aldora ajeitou sua égua amarrando-a em uma arvore perto dali, depois de tirar as rédeas do redor de seu focinho que havia sido ferido. Então ela passou por Tristan que estava sentado com as costas escoradas em um tronco de arvore. Ele olhou para o rosto dela, que o encarou tentando bancar a durona sem mostrar nenhum sorriso, mas ela estava grata por ele ter aparecido antes que ela despencasse abismo abaixo.
Aldora andou até Iana, e se sentou ao lado da menina, passando um dos braços ao redor dela, e se ajeitando para dormir abraçada a menina. Iana disse com a voz doce, enquanto mantinha os olhos fechados:
-Aldora! –ela esperou-
-O que é Iana? –ela perguntou-
-Pode cantar uma das canções de Leonard pra eu dormir?
-Eu não conheço as canções de Leonard, Iana! –ela olhou para Tristan que voltou os olhares para ambas-
-Conhece sim! Cante pra mim, por favor! –ela abriu os olhos e olhou Aldora-
Aldora, não lhe deu respostas, apenas ficou em silencio pensando, enquanto percebia que Tristan a olhava com um olhar gentil. Iana sorriu, e se ajeitou entre o braço de sua protetora e fechou os olhos enquanto sorria e disse:
-Cante...
Aldora ficou um pouco sem graça, principalmente por que Tristan não tirava os olhos dela, mas decidiu cuidar para que os sonhos de Iana fossem agradáveis. Então ela se pôs a lembrar de uma das canções que ouvia quando era menina, da idade de Iana.
-"Minha esperança está em chamas, os meus sonhos estão à venda, eu danço num fio, mas não quero deixá-la- Aldora leva os dedos aos cabelos da menina- Eu caminho contra a corrente, luto por aquilo que acredito, eu corro para o fim, tentando não desistir. –ela olha docemente para Iana- Ela está perdida na escuridão, desaparecendo... Eu ainda estou aqui, gritando seu nome. Ela está assombrando meu mundo de sonhos. Tentando sobreviver. Meu coração está congelado, eu estou perdendo a razão. –os olhos de Aldora parecem ficar tristes- Eu estou tentando reanimar o que já se afogou, a esperança joga um estranho jogo com a mente. Não posso reanimar o que já se afogou, ela não vai mais voltar... -um brilho molhado de repente surgiu nos olhos de Aldora- Ela está perdida na escuridão, desaparecendo... Eu ainda estou aqui, gritando seu nome. Ela está assombrando meu mundo de sonhos. Tentando sobreviver. Meu coração está congelado, eu estou perdendo a razão, me ajude..."
Aldora sentiu algo apertando seu peito por dentro, a cada palavra de sua canção. Era exatamente isso que ela ouvia quando era menina, e as palavras nunca fizeram sentido até aquele momento. Foi quando ela percebeu que amava aquela menina, de tal forma que não poderia suportar perde-la. Proteger Iana não era apenas uma missão que ela tomou para si mesma sem razão. Ela sentiu naquele momento que sua ligação com aquela pequena era mais forte do que ela mesma acreditava. Iana era como ela foi um dia. Pura, ingênua, e cheia de esperanças. Ela não podia deixar que o mundo cruel tornasse aquela criança em uma pessoa de coração frio... Como ela pensava ter se tornado.
Aldora se permitiu pensar no seu passado pela primeira vez em anos, diante daquela doce criança que agora dormia em seus braços. Ela sentiu falta de seus pais, mesmo sem conseguir lembrar claramente de ambos. Então uma lagrima brotou nos olhos dela, antes que ela pudesse evitar.
Não muito longe delas, Tristan viu a tristeza nascer no rosto de Aldora, que até então havia se mostrado dura e incapaz de admitir ter sentimentos. Ele a viu chorar pela primeira vez diante de um estranho sem saber disso. Pensou em ir até ela, e tentar confortá-la, mas não tinha certeza se ela realmente precisava daquilo.
Aldora então percebeu que estava se deixando levar por seus sentimentos, então enxugou as lagrimas de sua face e levantou-se sem acordar Iana, e andou na direção oposta da floresta para se esconder dos olhares de Tristan. Mas ele levantou-se e foi atrás dela passando por Iana, deixando-a adormecida sobre os cuidados da égua amarrada logo ali.
Já entre as arvores da floresta escura apenas abaixo da luz da lua brilhante, Tristan encontrou Aldora de costas olhando para um pequeno riacho que passava a alguns passos dali, descendo as pedras. Ele se aproximou dela, e então disse:
-Você está bem? –ele franziu a testa-
-Estou... –ela respondeu tentando ser durona com o que estava realmente sentindo-
-Tem certeza? –ele a olhou docemente-
Aldora se virou tentando manter o ar sério no rosto, e o olhou querendo mandá-lo voltar para onde estava, e deixá-la em paz. Mas ela olhou nos olhos dele, e viu através deles um ar tão gentil, que acabou levando-a a uma cena de seu passado, quando seu pai voltou os grandes olhos em sua direção e lhe disse em um sorriso amistoso: "Venha para dentro minha pequena, está frio aqui fora".
Por algum motivo que ela não pode explicar para si mesma, seus olhos voltaram a se encher se lagrimas, e dessa vez não bastava que ela as enxugasse, pois elas surgiam incessantemente como se uma cachoeira saísse pelos seus olhos. Então ela se permitiu cair de joelhos aos prantos entre as pedras.
Tristan se aproximou rapidamente dela, e se abaixou em sua direção sem saber exatamente o que fazer. Mas ele tomou a decisão que mais lhe pareceu obvia naquele momento. Ele passou seus braços ao redor de Aldora e a abraçou forte apertando-a contra seu peito.
Aldora não queria fazer parte daquele abraço. Era durona demais para se dar ao luxo de parecer frágil diante de alguém, principalmente diante dele que parecia tão fraco, e tão tolo. Um tolo sonhador, cheio de sonhos, e fantasias como um garoto.
Mas ela não teve coragem de se afastar dele e permitiu que ele ficasse ali, cuidando dela, como se aquilo fosse livrar ela de toda a dor que ela estava sentindo. Ele passou seus dedos pelos cabelos dela, e levou o topo de sua cabeça, para debaixo do queixo dele.
Ela não precisou dizer sequer uma palavra sobre o que estava sentindo, e ele não fez questão de perguntar, pois sabia que ela não diria. Apenas segurou-a firme contra seu peito, mostrando que podia protegê-la pelo menos naquela noite escura e fria.
Quando os olhos de Aldora se fecharam, e ela adormeceu nos braços de Tristan, ele afastou o rosto por um instante e a observou dormindo tranqüila. Ele tocou o rosto dela, com cuidado, e gentileza ajeitando seus cabelos, levando-os para trás da orelha. Depois levantou-se com todo cuidado para não acordá-la e a carregou no colo de volta para onde Iana dormia. Ele deixou o corpo adormecido de Aldora logo ao lado de Iana, e usou sua capa para cobrir ambas. De cócoras diante delas, ele sorriu sem abrir os lábios e então se afastou e voltou a sentar-se diante do tronco daquela arvore e lá ele ficou acordado velando pelo sono delas até que o dia nascesse.
...
Aldora acordou na manhã seguinte e abriu os olhos devagar, sentindo-se um pouco leve. Ela percebeu que estava coberta por algo, então ergueu a capa de sobre o corpo, percebendo que pertencia a Tristan.
Ela olhou ao redor procurando por ele, então o viu vindo de entre as arvores. Ela levantou-se e deixou Iana dormindo, depois andou até ele, que veio ao seu encontro. Entre duas arvores e um corredor de raízes ele sorriu e disse a ela:
-Bom dia! –ele parecia radiante-
-Bom dia... –ela respondeu em tom baixo sendo sutil-
-Está com fome? –ele perguntou indo até ela e estendendo uma maçã- Acabei de colher!
-Estava procurando comida? –ela o encarou-
-Prove! –ele insistiu-
Aldora apanhou a fruta das mãos de Tristan e então sutilmente sorriu com o canto dos lábios e mordeu a maçã. Depois enquanto ele a olhava mantendo o mesmo sorriso aberto nos lábios ela disse:
-Obrigado! –ela ainda mastigava o pedaço de fruta-
-Precisávamos de algo pro café da manhã! –ele se virou-
-Não! –ele parou e voltou a olhar pra ela- Obrigado por não perguntar... –ela se referiu a noite anterior-
-Não tinha nada para se perguntar! –ele foi gentil como sempre e discreto-
-Não diga nada a Iana... –ela continuou séria, mas o olhou nos olhos-
-Não há nada a dizer! –ele sorriu deixando os olhos baixos fixando-os nos olhos de Aldora- Quando partiremos?
-Logo... –ela desviou o olhar e se dirigiu até ele- Não quero acordar Iana. Deixe-a dormir um pouco mais, antes de irmos. Não sei quanto ainda teremos de caminhar...
-Certo! –ele sorriu-
Aldora continuou parada diante de Tristan, como se quisesse lhe dizer mais alguma coisa, mas apenas o olhando nos olhos. Ele por sua vez, também olhou para ela da mesma forma, esperando que ela dissesse algo. Mas por fim, ela apenas desviou o olhar e se afastou voltando para o mesmo lugar de onde veio antes. Tristan baixou os olhos em direção ao chão, e depois olhou para ela de costas. Então seguiu o mesmo caminho unindo-se a ela...
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