Guardian
8 Capítulo 8
Os três andaram durante o dia inteiro a procura do caminho que os levaria para Asgard, mas o caminho começava a parecer mais longo do que deveria ser, o que os deixou cansados e Aldora preocupada. Ela andou logo a frente, pois dizia ser a única que conhecia melhor aquela floresta. Mas após algumas horas Tristan lhe chamou atenção:
-Tem certeza que não estamos perdidos? –ele franziu a testa a olhando de costas-
-Não estamos perdidos, apenas devemos ter tomado um caminho mais longo... –ela não se virou para responder e seguiu em frente puxando as rédeas da égua enquanto caminhava ao seu lado-
-Tenho a impressão de que já passamos por aqui...
-Eu saberia se tivéssemos passado... –ela o encarou olhando seriamente para ele-
-Estou cansada... –disse Iana de cima da égua-
-Voce está cansada? –Aldora riu ironicamente dando mais ênfase a palavra VOCÊ- E quanto a mim, que estou andando a horas ainda tendo que carregar voce e Alice?
-Estou com fome... –Iana choramingou-
-Pare de reclamar... –ela franziu a testa- Você comeu nosso ultimo pedaço de pão... Não pode estar com tanta fome assim...
-Não precisa ser tão rude, ela é só uma menina... –disse Tristan franzindo a testa-
-Pode não se meter pelo menos uma vez em uma conversa na qual voce não foi chamado? –ela parou e o encarou-
-Todos nós estamos cansados, e com fome. Mas não precisa ser tão grossa... –ele andou até estar a alguns passos dela-
-Se minha grosseria o incomoda, por que continua a nos seguir? -Ela continuou segurando as rédeas e se aproximou dele-
Iana olhou para os dois com cara de enjôo, prevendo uma nova discussão bem ali. Ela revirou os olhos, e voltou a os encarar de cima da égua. Tristan não respondeu a pergunta de Aldora, pois estava sem resposta. Mas ela por sua vez continuou a discussão:
-Sinto muito pela minha pouca educação meu senhor! –ela foi sarcástica enquanto fazia uma reverencia forçada ao príncipe- Da próxima vez tentarei não ferir seus sentimentos reais com minhas palavras rudes... Mil perdoes... –ela se virou franzindo a testa- Ora, faça-me o favor...
-Não precisa ser sarcástica... Mas um pouquinho de educação não lhe faria mal...
-Tristan... –diz Iana pedindo que ele deixasse as coisas como estavam-
-Não... –ele franziu a testa e andou logo atrás de Aldora- Esse comportamento não é aceitável...
-É? E o que vai fazer? –Aldora largou as rédeas de Alice e andou até estar diante de Tristan que a encarou-
-Peça desculpas... –ele disse sério-
-Pra quem? –ela franziu a testa- Pra voce? Não seja ridículo...
-A Iana... E a mim tambem, por todas as grosserias que vem dizendo desde que nos conhecemos... –ele gesticulou com as mãos-
-O que vai fazer se eu não pedir? –ela se aproximou mais dele até estar bem perto o provocando-
-Podem parar, por favor? –disse Iana vendo a cena-
-Peça... –ele ringiu os dentes-
-Não... –ela riu sendo sarcástica-
-Peça... –ele aproximou mais o rosto do rosto dela-
-Me obrigue...
-Saco... –Iana revirou os olhos- Quanta imaturidade... –ela olhou para Alice que bateu os cascos na terra-
Tristan encarou Aldora a uma distancia bastante próxima, enquanto ela mantinha os olhos arregalados olhando no fundo dos olhos negros dele. Então sem que ele dissesse uma só palavra ela continuou:
-Não está mais no seu castelo príncipe... E está a um passo de ficar para trás outra vez... Tente me dizer o que fazer mais uma vez, e verá do que eu sou capaz... –ela se virou e deu alguns passos-
-Minha espada é quase tão afiada como sua língua...
Iana respirou fundo e olhou nos olhos de Aldora ao ver a expressão de raiva nos olhos de sua protetora. Dessa vez ela sabia que Tristan tinha ido longe demais com suas provocações, ele deveria ter ficado de boca fechada. Aldora andou até a égua, e apanhou uma espada presa na cela e voltou a se virar olhando para ele e disse andando em sua direção rapidamente.
-Já chega. Estou farta de voce... -ela disse aos berros- Erga sua espada...
Ele arregalou os olhos quando ela apontou a lamina de sua espada contra o rosto dele, e deu um passo para trás. Depois apertou os olhos, e ficou zangado mas não se moveu.
-Vamos erga sua espada... –ela continuou- Não seja covarde...
-Não existe honra em lutar contra uma mulher... –isso apenas a deixou ainda mais irritada-
-Ou está com medo? –ela girou sua espada e a fez parar no pescoço de Tristan-
-Parem com isso... –disse Iana tentando descer da égua-
-Não tenho medo de voce. Vá em frente... –ele cerrou os dentes-
Aldora apertou os lábios um contra o outro então segurou firme sua espada, enquanto Tristan a encarava nos olhos. Iana acabou enganchando o pé nas rédeas de Alice e caiu sentada no chão. Ela bateu com as mãos na terra como se estivesse brava então acabou chamando atenção de Aldora que voltou os olhos na direção dela enquanto ela se erguia do chão e dizia aos berros olhando para os dois:
-Parem com isso... Vocês são adultos, resolvam isso como os adultos resolveriam...
Aldora voltou a olhar para Tristan, que ergueu uma sobrancelha tambem olhando-a. Então ela afastou sua espada e disse franzindo a testa.
-Eu juro que se abrir a boca de novo, eu mato voce... –ela apontou-lhe o dedo indicador como aviso-
Ele respirou fundo, e continuou olhando-a enquanto ela se afastava indo na direção oposta. Iana se aproximou de Tristan e disse olhando para ele com a testa franzida lhe dando uma bronca:
-Será que você não podia ficar quieto? Não vê que só vai piorar as coisas? –ela revirou os olhos e seguiu Aldora deixando Tristan com cara de interrogação-
...
Mais tarde, quando começava a anoitecer Aldora decidiu deixar Tristan e Iana a esperando no meio da mata, enquanto procurava algo para comer. Ela ordenou que ele cuidasse da menina, enquanto ela estivesse a procura de alimento. Aldora se afastou um pouco, aproveitando que poderia ficar pelo menos um pouco sozinha, sem Tristan falando em seus ouvidos, e sem as reclamações de Iana.
Já com a escuridão tomando conta de tudo, Aldora acabou se perdendo do caminho de volta. Ela estava apenas acompanhada de sua fiel amiga Alice. Ambas adentraram um pouco na mata densa enquanto procuravam o caminho de volta sem ter certeza se aquele era o caminho certo.
Ao avançar um pouco mais no meio dos galhos de algumas arvores e arbustos que cobriam o caminho, Aldora acabou escorregando em uma pedra com limo e caiu em direção a um penhasco ficando presa apenas pelas rédeas de Alice que imediatamente relinchou pelo susto, e quase caiu penhasco abaixo junto com sua dona. Mas a força em seus cascos evitou a queda de ambas. Aldora gritou enquanto tentava se segurar nas cordas da égua.
-Alice, volte... –ela dizia fora da visão do animal- Me puxe... –ela gritava enquanto balançava contra as pedras-
Aldora olhou para baixo vendo algumas rochas menores caírem em direção ao abismo escuro.
-Não olhe pra baixo Aldora, não olhe... –ela dizia- Alice... Recue... –ela gritou-
De onde estavam no meio da mata, Tristan pode ouvir os gritos de Aldora e os relinchos de Alice. Ele se levantou e escutou de onde vinham os berros e então pediu que Iana o seguisse. Ele correu por entre as arvores até estar próximo de onde Aldora estava. Ele avistou a égua tentando puxar sua dona para cima das pedras firmes, e andou apressadamente até ela.
Alice puxava Aldora como podia, apesar de suas rédeas estarem machucando-a por estarem presas entre as pedras. Tristan pediu que Iana ficasse afastada da égua que começava a ficar nervosa, então ele se aproximou da beirada das pedras, e procurou por Aldora. Ele a viu pendurada na ponta das rédeas, fazendo um esforço desumano para se segurar. Então ele estendeu a mão segurando firme a corda e se colocou a puxar a mesma de volta para cima.
Aldora sentiu a corda sendo puxada para cima então voltou os olhos para o alto, e viu Tristan se esforçando para puxá-la de volta, com a ajuda da égua. Logo Aldora estava perto o suficiente para não precisar mais da corda. Então já não agüentando mais a dor, Alice ergueu os cascos dianteiros do chão, fazendo com que a corda na qual Aldora se mantinha firme fosse solta das pedras e puxada com força para trás... Tristan já estava segurando Aldora pelos braços, e com a força do puxão das rédeas, Aldora foi jogada para cima dele, e ambos caíram sobre a terra fria.
Aldora ficou sobre o corpo de Tristan, que no susto acabou levando suas mãos até a as costas dela. Ela por sua vez, ficou com os cotovelos sobre a terra sobre a cabeça dele, e com o rosto muito próximo ao de Tristan. Ambos ficaram por alguns segundos olhando um nos olhos do outro sem dizer uma palavra. Até que Iana se aproximou e perguntou:
-Vocês estão bem?
Aldora e Tristan olharam na direção da menina e ele respondeu:
-Bastante! –ele sorriu segurando Aldora sobre ele-
Aldora franziu a testa e olhou pra ele. Depois se levantou rapidamente sacudindo areia que acabou caindo sobre o rosto de Tristan. Ela se afastou e andou até a égua. Iana olhou pra ela e disse:
-Eu disse que ela tiraria você de uma enrascada não disse? –ela sorriu-
Aldora franziu a testa relembrando algo que a menina disse assim que elas se encontraram.
-É voce disse... –ela ficou sem entender bem como a garota poderia saber, mas pensou se tratar de mais uma coincidência-
Aldora segurou as rédeas da égua percebendo que a mesma estava um pouco judiada, então se afastou conduzindo-a para a mata para tratar de seus ferimentos. Enquanto isso Tristan se ergueu do chão limpando a areia das vestes e viu Iana sacudindo a cabeça e rindo.
-O que foi? –ele não entendeu-
-Bastante? –ela riu depois se virou seguindo Aldora-
Tristan sorriu e depois seguiu as duas de volta para o centro da mata...
Fale com o autor