Guardian

7 Capítulo 7


Notas iniciais
: Mudei a narrativa para não ficar um texto tão confuso. Agora contarei a historia como uma terceira pessoa e não pelo ponto de vista de Aldora ok?

Quando Iana ouviu o galope de Alice se aproximando de onde ela se escondia, ficou atenta. Seguiu as ordens de Aldora e não saiu de onde estava ate ser chamada, mas de onde estava pode ver Tristan montado logo atrás de Aldora, então ela sorriu. Tristan desceu da égua e estendeu as mãos para que Aldora se apoiasse nele para descer tambem. Mas ela franziu a testa quase com um sorriso e desceu sem sua ajuda.

Tristan revirou os olhos quando ela desceu da égua ficando bem diante dele de costas. Então ele ouviu a voz de Iana que veio correndo em sua direção:

-Tristan! –ela dizia contente ao vê-lo-

Tristan por sua vez sorriu e se inclinou esperando a menina de braços abertos. Ela o abraçou forte enquanto ele a erguia do chão sorrindo. Aldora observou tudo sem conseguir entender como, e o porquê daquele apego todo de Iana com o príncipe. Então ele a colocou de volta no chão, enquanto a menina dizia:

-Eu sabia que voce ia voltar! Eu sabia! –ela dizia sorridente-

Aldora se afastou um pouco conduzindo a égua até a parte mais verde onde ela pode se alimentar de algumas folhas. E continuou olhando Tristan conversando com Iana de longe.

-O que a fez mudar de idéia? –perguntou Tristan enquanto olhava para Aldora-

-Eu tive de dizer a ela... –respondeu a menina-

-Isso não a deixou muito feliz não é? –ele olhou a menina assim que Aldora virou o rosto-

-Vai passar! –Iana sorriu- Ela gosta de você...

-Gosta? –ele riu- Ela tem um jeito estranho de demonstrar! –ele olhou sério para Aldora que estava de costas para eles-

-Ela cresceu entre ladrões! –ela sorriu sendo um pouquinho irônica- O que voce esperava?

-Está certo! –ele riu-

Aldora se aproximou novamente dos dois, mantendo a cara fechada sem nenhum ar feliz na face. Então foi logo dizendo:

-Se não querem ser pegos pelos guardas do rei, -ela olhou para Tristan- eu sugiro que comecemos a andar logo...

Ela se virou novamente e andou até Alice. Puxou as rédeas da égua e se colocou a caminhar na direção seguinte para que Tristan e Iana a seguissem. Os dois andaram alguns passos logo atrás de Aldora, que preferiu ficar sozinha conduzindo-os apenas ao lado de sua égua. Durante boa parte do caminho enquanto Iana conversava com Tristan, a única conversa que Aldora teve foi com sua amiga égua.

-Olha onde eu fui amarrar meu burro... –a égua relinchou- Eu sei... É modo de dizer! –ela fez uma pausa olhando para Alice então continuou- Estava indo tudo muito bem até eu encontrar esses dois... Onde eu estava com a cabeça quando fui resgatar essa menina. E por que diabos, voce não me impediu?

-Aldora? –ela ouviu a voz de Tristan logo atrás dela-

Ela se virou e o encarou, até que ele dissesse:

-Está ficando tarde... Não acha melhor fazermos uma parada? Iana está com sono... –ele apontou para a menina que estava com os olhos apertados-

-Tudo bem... –ela concordou- Mas vamos precisar de uma fogueira para nos aquecer... –ela procurou uma arvore para atar a égua- Eu vou procurar algo para queimar...

-Eu vou... –ele segurou-a pelo braço-

Aldora apenas o encarou depois voltou os olhos na direção das mãos do príncipe. Ficava cada vez mais claro para ele que Aldora era como sua égua indomável. Detestava ser tocada. Ele a soltou antes de levar outro aviso e então se afastou para procurar madeira fácil de queimar.

Quando voltou Aldora estava sentada ao lado de Iana, acariciando seus cabelos carinhosamente enquanto olhava no rosto da menina. Ela por sua vez lhe dizia com os olhos fechados:

-Obrigado por trazê-lo de volta!

-O que ele tem de tão especial que a faz gostar tanto assim dele?

-Um dia você vai entender! –Iana abriu os olhos e olhou no rosto de sua protetora-

Depois Iana olhou na direção de Tristan o vendo parado logo ali, então sorriu e voltou a fechar os olhos. Aldora encarou o príncipe mais uma vez, dessa vez de uma maneira diferente. Talvez pela primeira vez ela tenha se permitido admirar a beleza do rapaz, debaixo da luz brilhante do luar. E embora não quisesse admitir para si própria, Tristan era divinamente agradável aos olhos.

Após observar Aldora por alguns segundos, ele andou ate o centro das arvores onde se pôs a arrumar os galhos secos, e tentar acendê-los com faíscas enquanto batia uma pedra contra a outra. Levou quase uma era para conseguir uma faísca que não acendeu fogo algum, o que o deixou frustrado e o fez xingar. Aldora sorriu então se levantou e foi até ele. Ela se abaixou e apanhou as pedras de suas mãos enquanto ele a olhava e disse:

-Está fazendo errado... –ela posicionou as pedras de maneira correta e as esfregou até conseguir por fogo nos galhos- Viu?

-Pareceu mais fácil antes...

-Não é a força que voce usa, é o jeito...

-É a mesma coisa com seu arco?

-Tudo é uma questão de jeito!

-Pode me mostrar?

-O que? –ela franziu a testa-

-Como faz. Com o arco...

-Talvez amanhã... –ela se levantou-

-Aldora... –ele observou-a-

-O que é? –ela se virou e o encarou-

-Obrigado por não me deixar pra trás.

-Agradeça Iana. Tudo que estou fazendo por voce é culpa dela... –ela desviou o olhar depois disse- Boa noite Tristan... –e se virou voltando pra junto da menina-

Tristan começava a entender a maneira como Aldora agia. Começava a perceber que por baixo daquela casca dura que parecia impermeável, poderia ter sim uma moça de coração puro e gentil. Apenas escondido pelas feridas que o tempo lhe causou. Tristan não dormiu naquela noite, ele ficou de guarda protegendo as duas moças enquanto elas dormiam tranquilamente.

Assim que o céu começou a ficar claro dando os primeiros sinais de que o sol se aproximava, Tristan levantou-se de onde estava e foi até Alice que parecia dormir em pé amarrada a uma arvore. Ele se aproximou com cuidado, praticamente se curvando e mostrando respeito a égua para que ela o deixasse se aproximar mais. Ela bateu com os cascos na terra, mas se manteve apenas nisso. Tristan então disse em tom baixo:

-Não vou machucá-la! –ele sorriu- Só espero que voce tenha a mesma gentileza comigo! –ele se aproximou bem devagar tomando todo cuidado-

Tristan levou sua mão até o pescoço do animal, e acariciou-a gentilmente mostrando que não queria lhe fazer mal algum. Então após alguns relinchos Alice permitiu que ele se aproximasse mais. ele sorriu dizendo:

-Boa menina! –então ele apanhou o arco e as flechas de Aldora-

Andou um pouco até certo ponto da mata, onde tentou entender um pouco daquele instrumento curioso com o qual ele não tinha muito jeito. Decidiu então utilizar-se de uma das flechas apontando-a para um ponto qualquer. Aldora acordou e não encontrou suas coisas, assim como não encontrou Tristan. Ela o procurou, até o encontrar escondido entre as arvores no meio da mata. Ela observou enquanto ele mirava em um alvo qualquer, então disse:

-Não segure com tanta força!

Tristan estava tão concentrado que se assustou com a voz dela, e se virou tão rápido que deixou que a flecha fosse solta em qualquer direção. Aldora franziu a testa e andou até ele dizendo:

-Meu Deus! Vai acabar matando alguém assim...

-Eu... Eu sinto muito, não queria mexer nas suas coisas... –ele dizia ficando nervoso- Eu...

-Não queria, mas mexeu... –ela parou perto dele-

-Me desculpe...

Ela o encarou, então respirou fundo e disse se aproximando um pouco mais dele:

-Está com o cotovelo muito alto... –ela segurou o braço dele tentando colocá-lo na posição correta- Veja... É assim que deve ser. Deixe-o paralelo ao ombro. Tente ficar nessa posição... –ela se afastou e o fez olhar para ela como se ela empunhasse um arco invisível- Consegue fazer isso? –ela o olhou-

Ele não respondeu apenas continuou a olhando, depois sacudiu a cabeça positivamente.

-Tente agora... –ela insentivou-

Tristan desviou o olhar após alguns segundos, e tentou mirar em algo. Ela sacudiu a cabeça após observar a força que ele segurava a ponta da flecha e então se aproximou dele e ficou bem próxima olhando para o ponto onde ele queria acertar, e disse segurando sua mão:

-Solte um pouco... Não precisa enforcar a flecha! Se ela fosse um animal estaria morto agora... –ela sorriu discretamente sem olhar pra ele-

Tristan ficou em silencio sem saber se olhava para a flecha, o arco, o alvo a sua frente ou se olhava para os olhos claros de Aldora. Acabou optando por olhar para a ultima opção. Aldora ficou levemente desconcertada ao perceber os olhares dele sobre ela, então o olhou de pelo canto do olho, depois o encarou. Eles se entreolharam por alguns segundos antes que Tristan soltasse sem querer a flecha que acabou acertando um pássaro que descansava sobre um galho. Ele continuou olhando Aldora que desviou o olhar e então disse sorrindo:

-Voce acabou de matar uma ave inocente!

-O que? –ele olhou desconcertado, procurando o animal-

-Pensei que os príncipes fossem um pouco mais jeitosos! –ela o olhou sorrindo e então se afastou voltando para junto de Iana que estava acordando-

Tristan acabou rindo de si mesmo, então seguiu Aldora e em seguida os três seguiram seu caminho por entre a floresta.