Notas iniciais
Vocês estão prontos Guardiões? Estamos, capitã! Eu não ouvi direito: estamos capitã. Ooooh. Quem é o cara poderoso que vai ferrar? É o Breu, cara de sombra!

Muito tosco. I know. Aproveitem!

Breu podia não ter se transformado em Gothel para assustar Rapunzel, mas a jovem ainda sim tremia de medo em cima de Pascal.

Ele estava tão confiante, poderoso e assustador que parecia certo que eles seriam derrotados. Mesmo sendo ela e Jack imortais, o Bicho Papão certamente que encontraria uma forma de tornar a vida deles um inferno caso vencesse. E Merida e Soluço? Sofreriam o pior momento de suas vidas antes de morrer. Uma morte que Rapunzel não poderia curar. Ela conseguia ver isso. Seu medo era tão grande que ela via seus maiores temores de forma incrivelmente real...

Então ela percebeu que era isso o que Breu estava fazendo.

Precisava avisá-los, mas Breu já havia atacado com uma chuva de areia negra. Rapunzel defendeu-se com o reflexo. Ela pôs a frigideira na frente e um brilho amarelo saiu de dentro dela, impedindo que as sombras atingissem os Guardiões.

Breu rosna com ódio. Nem ela sabia como havia feito aquilo.

- Rapunzel... — Merida começa a perguntar confusa — como...?

- Eu não sei!

Breu criou um arco-e-flecha com sua areia negra e puxa uma flecha feita de mesmo material. Naquele momento ele era ele mesmo, sem aquelas figuras sinistras que assustaram os outros. Ele sorri maleficamente e solta a flecha, que vem girando rapidamente na direção deles.

Antes que se defendesse, Rapunzel vê uma flecha voar em direção à de Breu. Não precisa ser um gênio para ser que era de Merida. A flecha da princesa entra dentro da flecha de areia de Breu e esta se desintegra.

- Muito bom, ruiva. — diz Jack sorrindo.

- Merida DunBronch — fala Breu de forma amarga e um tanto irônica.

Então ele muda de forma. Daquele jeito sinistro que havia feito antes. Dessa vez transformando-se no enorme urso de pelugem negra que Rapunzel tremeu ao ver. O urso rosna e mostra os enormes dentes afiados.

- Vamos ver se a Guardiã da Coragem é boa como diz — fala o urso com a voz gélida de Breu.

Rapunzel olha para a amiga assustada. Ela o enfrentaria sozinha?

Merida sai cavalgando com o cavalo na direção de Breu, rápida como o vento. Os outros Guardiões estavam chocados. Sem saber o que fariam para ajuda-la. Merida se abaixa no meio do caminho e pega a flecha que havia lançado para Breu. Ela a põe no arco e a puxa com a corda, lançando-a na direção do enorme urso que estava a poucos metros dela.

O urso se defende com a areia negra. Merida salta com o cavalo sobre ele. As enormes patas do urso conseguem arranhar a saia do vestido de Merida, formando um ferimento de três linhas vermelhas com o sangue na perna da guerreira.

Rapunzel nem pensa duas vezes e voa com Pascal na direção do urso gigantesco, a fim de distraí-lo nos segundos vulneráveis de Merida.

- Rapunzel! — ela escuta Jack gritar com preocupação.

O Urso/Breu não esperava que Rapunzel saísse das posições e arregalou os olhos dourados com surpresa ao vê-la. Isso ganhou tempo para Rapunzel bater com a frigideira na cabeça dele.

Pascal pousa ao lado de Merida, que já havia retomado sua posição. Os meninos estavam com as expressões chocadas do outro lado da rua, como se tivessem acabado de levar um susto enorme.

- Você está bem? — Rapunzel pergunta à Merida.

- Tudo ótimo — Merida põe a mão sobre o machucado — Maldito Mórdur.

- Mórdur?

- Meu pesadelo.

Mórdur/Breu já havia retomado parte da consciência da pancada que Rapunzel dera. Os meninos finalmente resolveram lutar. Jack avançou com uma rajada de ventos gélidos que quase congelaram o urso literalmente.

E ao mesmo tempo que o fez, Banguela lançou uma bola de fogo para cima dele. Rapunzel deduziu que aquilo resultaria num sério choque térmico. Mas também serviu para deixa-lo mais bravo.

- Merida! — chama Soluço — quem é esse sujeito?

- Minha mãe o matou ano passado — Merida responde — ele morreu!

- Não é ele, Merida — diz Jack — é o Breu! Quer te assustar. Esse urso que sua mãe matou está morto.

Mórdur ia atacar Jack pelas costas mas Rapunzel gritou. Jack virou-se e impediu o golpe com o cajado rapidamente. A pata do urso começou a congelar, então ele a afastou do cajado de Jack e o golpeou na barriga com uma força sobrenatural.

Jack colidiu contra o muro.

- JACK! — Rapunzel grita desesperada.

Tudo aconteceu muito rápido. O urso se virou para ela e correu para ataca-la numa velocidade mais sinistra que a força que tinha para lançar Jack Frost contra o muro. Então Merida se põe na frente dela e puxa uma flecha acertando a testa do urso.

- VOCÊ JÁ PERDEU BREU — ela grita — MÓRDUR ESTÁ A SETE PALMOS DO CHÃO! EU NÃO TENHO MEDO DELE. NEM DE VOCÊ!

Mais uma flecha de Merida voa em direção ao mesmo ponto da outra: na testa do urso. Rapunzel ficou boquiaberta quando a flecha que Merida acabou de lançar perfurou a outra, separando-a em duas e tomando seu exato ponto na testa de Breu/Mórdur.

O bicho brilhou numa luz amarela, transformando-se no Breu que conheciam, com muito mais ódio ardendo em seus olhos cor de ouro.

- Esta não é minha única carta na manga, Princesas. — ele diz.

- Espera — fala Rapunzel confusa — Princesas?

O sorriso cruel e torto de Breu a deixa com raiva, e então ela começa a refletir sobre o que a "mãe" havia dito antes de enfiar a adaga em sua barriga.

No momento que Rapunzel se distraíra, Breu atacou com uma espada de areia negra. Merida pulou do cavalo e empurrou Rapunzel de Pascal e as duas caíram no chão, desviando-se do golpe da espada. O dragão verde soltou fogo em Breu, e este sorriu após o gesto.

Breu começou a pegar fogo. Seu olhos dourados brilharam num brilho vermelho e ele sorri para Jack, que estava inconsciente. Rapunzel grita. Pascal corre até ela e ela monta em cima dele, voando até onde Jack tinha caído.

Breu caminhava devagar. Merida tentou impedi-lo com um soco mas gritou após queimar a mão. Ela não lançou a flecha pois, deduzira Rapunzel, a mesma pegaria fogo antes de atingi-lo. Merida começou a gritar para Soluço e depois para Jack.

Rapunzel desceu de Pascal.

- Proteja-o — ela diz para o dragão, que se põe na frente de Jack.

Soluço e Banguela pousam ao lado dela.

- Precisamos de um plano de ataque — diz Soluço observando Breu se aproximar com imensa paciência.

- Eu tenho um plano — Rapunzel diz — Ataque!

Banguela voa na direção de Breu e Soluço puxa a espada golpeando-o. Mas o Bicho Papão era rápido. Desviou-se do golpe e ignorou Soluço como se fosse uma mosca, com os olhos fixos em Jack.

Soluço tentava golpeá-lo desesperadamente. Rapunzel, então corre até Jack. Pois sabia que Breu só tomaria outra forma, se ele superasse o medo que tinha das chamas.

- Jack! — ela chama balançando-o — Jack, olha para mim! Fala comigo.

Jack continuava imóvel. Ele era imortal. Não podia morrer por causa de um muro.

- Jack! Acorda seu idiota, ridículo — Rapunzel começa a chorar e bater nele com frustração. Ele não poderia deixa-la agora. Era muito injusto ele deixa-la agora — JACK FROST ACORDE.

O berro foi tão alto que os olhos de Jack se abrem rapidamente, com susto. Ele coça a cabeça e seus incríveis olhos cinza-azulados encaram ela. Ela sorri. Ele estava bem, afinal.

- Ei, Punz — ele diz, sorrindo também.

- Ei, Jackie.

- Pessoal — ela escuta a voz de Soluço acima dos dois, voando em Banguela — dá para ajudar aqui?

Os dois saem de trás de Pascal e quase se desesperam. Merida lutava com Breu loucamente. Espada em chamas contra espada comum. Rapunzel quase fica ali parada e boquiaberta. Merida era muito boa! Ela lutava com espada tão bem quanto atirava flechas. Seus movimentos coincidiam com os golpes que dava. Como se ela mesma e a espada fossem um só. Tipo a Caixa de Pandora.

Então Breu olha para Jack. Ele afunda nas sombras, deixando Merida apenas com uma fogueira em sua frente. Breu, então, reaparece bem na frente dos dois com o olhar ameaçador. Jack recuou um passo, Rapunzel nunca o vira tremer daquele jeito.

- Olá, Frost — diz Breu sarcasticamente.- tremendo de medo?

- Ele vai te vencer — diz Rapunzel com uma certeza que nunca vira. Ela olhava para Merida, esperando encontrar o olhar da guerreira. Ela precisava que Merida distraísse Breu, para que Rapunzel fizesse um último ato que acordaria Jack e o faria enfrentar seu medo.

- Vai mesmo?

Jack recuou mais um passo. Olhava as chamas tão assustado que Rapunzel queria gritar com ele. Dizer que aquilo não era nada.

- Vai! — Rapunzel volta a dizer. Merida encontrou o olhar dela. Finalmente e franziu o cenho.

- Como?

- Com CORAGEM.

Merida puxa a flecha e a lança. Ela acerta a nuca de Breu que se vira confuso. Nisso, Rapunzel se vira para Jack.

- Hora de ter coragem, Jack.

Ela o puxa pela blusa e o beija. Nunca havia feito aquilo antes, mas a sensação era demais. Sentiu gosto de gelo e a sensação de estar fazendo anjos na neve, embora só o tenha feito uma vez. Quando se afastam Jack tinha os olhos arregalados e brilhando.

- Punz...

Rapunzel sorri, então Breu grita notando o que havia acontecido.

- Confio em você — ela diz.

Num momento de puro ódio Breu a empurra contra o muro. As chamas se curaram no momento que encostaram na pele de Rapunzel, mas a pancada contra a parede foi o suficiente para fazê-la desmaiar.

Sua última visão foi de uma explosão de gelo.