Guardiões: O Retorno Das Trevas
17 Prisão de Concreto
Notas iniciais
Merida lembra de ficar esperando Soluço por um longo tempo.
Ela começou a ficar preocupada assim que ele saiu correndo e mancando a procura de Flyn Rider sozinho. E ficou mais ainda quando uma hora se passou e ele não retornou.
Banguela também estava preocupado. Mas o pior é que a areia negra começou a subir por suas pernas novamente. E agora já alcançavam o vestido. Ela nem podia mover-se ou gritar, senão a areia subia com mais rapidez. Banguela queria puxá-la para fora, mas ela lhe disse para que não o fizesse.
O pobre dragão começou a ficar bem deprimido sem Soluço.
- Tá tudo bem, Banguela — ela lhe diz — vai ficar tudo bem!
A areia já conseguiu deixar todo o seu vestido de uma coloração negra ao invés de verde. Os braços já foram alcançados. Ela começou a ficar enrolada em areia negra como se estivesse num casulo. Logo, atingiria o rosto e ela não conseguiria respirar.
- Banguela...
O dragão olha para a cara dela.
- Preciso que procure por ajuda. Busque Mavis. Lá em cima. Arrume um jeito de manda-la procurar o Coelhão.
Banguela lambe o rosto dela. Talvez um "adeus" ou um "pode deixar". O fúria da noite se virou e saiu rápido como uma flecha para o caminho inverso que seguiam no túnel.
Nisso a areia corria até o seu pescoço. A menina sentia-se desesperada. Estava presa. Uma das coisas que mais odiava estar. Sem liberdade. Não podia se mexer e certamente morreria logo.
Me desculpe, mamãe. Ela pensa.
Então ela vislumbra alguém se aproximar, segurando uma pequena vela de luz branca e morta. Merida vê um par de olhos dourados. Então a forma do homem maligno envolto por sombras aparece. Breu.
Merida rosna.
- O que você quer?
Breu dá uma leve risada.
- Que grosseria, minha cara Merida. Só vim aqui dar um "olá".
Merida sente a areia passear por seu rosto e seu cabelo. contornando suas bochechas.
- Você fez isso. — ela diz tentando não mover muito os lábios.
Breu sorri.
- Sim. Mas pode relaxar. Essa areia não vai mata-la. Vai transporta-la!
- Para onde?
- Um pequeno local onde você não vai poder me atrapalhar.
A areia já tapava sua testa, e estava alcançando os olhos. Ela precisava saber onde estavam seus amigos. Onde estaria Soluço?
- Cadê o Soluço? — ela pergunta.
- Ah. Ele e seus amiguinhos não vão me atrapalhar. Nunca mais. Eu já possuo a adaga. Falta pouco para minha parceira evocar o ritual, e juntos abriremos a caixa e invocaremos um exército maligno e desconhecido.
- O que quer que vá fazer, não o ajudará em nada.
- É onde você se engana. O mal sempre se relaciona bem.
E ela não conseguia mais falar. A areia negra de Breu tapara sua boca. E agora seu nariz. Respirar era impossível. Ela rezou para que a areia a tapasse de uma vez para que voltasse a respirar.
- Adeus, Merida Dunbronch. Lamento que não tenha conseguido salvar sua família.
Com isso, a visão de Merida escurece antes que as lágrimas escorram. As trevas já haviam encoberto todo o reino. A casa dela. E seus familiares nem tiveram a sorte de avançar ou voltar no tempo por conta dos problemas no Globo. E ela teria de viver com isso para sempre.
.
Merida desperta num quarto. O quarto não possuía nada. Apenas um chão e quatro paredes de concreto. Sem porta, nem janela. Nenhuma pequena vala para que ela pudesse fugir. Apenas um buraco no teto que estava a 10 metros de distância dela.
Um buraco bem pequeno.
Merida nunca se sentira tão desesperada em toda a sua vida. Estava presa. Falta de liberdade era aquilo que ela mais odiava, mais temia e exatamente o que estava passando naquele momento.
E isso é apenas uma migalha de pão comparado ao fato de que seus amigos estão provavelmente mortos, tal como seus irmãos e seus pais.
Tudo está perdido. O arco ainda estava em suas costas mais de nada adiantaria usá-lo. As 12 flechas ainda estavam na aljava, mas não a salvaria daquela prisão de rocha.
Merida se sentia frustrada. Começou a puxar os cabelos e a chorar desesperadamente. Presa e sem utilidade. Breu sabia como deixar alguém no ápice do desespero. O que será que fazia com seus amigos naquele momento?
Merida se levantou. Ela precisava fazer alguma coisa.
Então começou a gritar.
Gritava. Berrava. Esperneava. Mas ninguém poderia ouvi-la. O buraco no teto estava muito longe, e ela sabia que Breu jamais a deixaria em um lugar acessível onde todos escutariam seus berros.
Ela se cansou. A voz já havia sumido e a garganta estava dolorida. Não. Berrar não era a solução naquele momento. Tinha que bolar alguma coisa para fugir. Mesmo os vilões mais audaciosos deixavam alguma brecha escapar.
Alguma brecha...
A única esperança dela era aquele buraco no teto. Mas chegar lá era impossível. Impossível, mas necessário.
Pelo visto, ela teria provar novamente da própria coragem. E também de sua inteligência. Breu conseguiu coloca-la diante de seu pior medo, agora teria de resolvê-lo.
Chega de ficar presa!
Merida se levantou novamente e avaliou o tinha consigo: O arco. As flechas. A aljava. Uma pequena faca de caça.
O que ela poderia fazer com aquilo tudo?
Merida recolocou o arco e a aljava e olhou para cima. As paredes não possuíam muitas pedras, mas eram ásperas. Talvez conseguiria escalar. Mas teria de fazer logo. Daqui a pouco a fome e a fraqueza viriam.
Merida pôs os pés e as mãos na parede de concreto e começou a escalar. Estava dando certo. Isso já era um alívio. Ficaria livre logo, logo.
Pisou em falso. Ela se segurou e olhou para baixo. Havia escalado muito. Se caísse, morreria. Precisava ir até o final. E começou a ficar desconfiada... Aquilo estava muito fácil.
Escalou mais. Sentia o cheiro da liberdade. Chorava de alívio. Então colocou a mão no topo e passou pelo buraco. Havia conseguido.. Havia fugido!
Então ela se arrependeu assim que o fez. Breu escolheu perfeitamente bem o buraco em que a pusera. Quando subiu novamente se viu numa caverna cheia de ursos. Quase chorou de medo. Tudo se repetiria. Cenas do passado retornavam. O desespero de alguns minutos atrás não era nada comparado aquilo.
Os ursos a viram. Rosnaram e gritaram. Seus olhos eram completamente negros. Breu havia os controlava. E seu objetivo era único: mata-la.
Coragem. Era isso que ela precisava. Mais que isso! Era isso o que ela ERA.
Merida puxou a flecha e começou a atirar.
Fale com o autor