Notas iniciais
Então veremos agora o que teria acontecido a nossa querida Merida Dunbronch!

Merida lembra de ficar esperando Soluço por um longo tempo.

Ela começou a ficar preocupada assim que ele saiu correndo e mancando a procura de Flyn Rider sozinho. E ficou mais ainda quando uma hora se passou e ele não retornou.

Banguela também estava preocupado. Mas o pior é que a areia negra começou a subir por suas pernas novamente. E agora já alcançavam o vestido. Ela nem podia mover-se ou gritar, senão a areia subia com mais rapidez. Banguela queria puxá-la para fora, mas ela lhe disse para que não o fizesse.

O pobre dragão começou a ficar bem deprimido sem Soluço.

- Tá tudo bem, Banguela — ela lhe diz — vai ficar tudo bem!

A areia já conseguiu deixar todo o seu vestido de uma coloração negra ao invés de verde. Os braços já foram alcançados. Ela começou a ficar enrolada em areia negra como se estivesse num casulo. Logo, atingiria o rosto e ela não conseguiria respirar.

- Banguela...

O dragão olha para a cara dela.

- Preciso que procure por ajuda. Busque Mavis. Lá em cima. Arrume um jeito de manda-la procurar o Coelhão.

Banguela lambe o rosto dela. Talvez um "adeus" ou um "pode deixar". O fúria da noite se virou e saiu rápido como uma flecha para o caminho inverso que seguiam no túnel.

Nisso a areia corria até o seu pescoço. A menina sentia-se desesperada. Estava presa. Uma das coisas que mais odiava estar. Sem liberdade. Não podia se mexer e certamente morreria logo.

Me desculpe, mamãe. Ela pensa.

Então ela vislumbra alguém se aproximar, segurando uma pequena vela de luz branca e morta. Merida vê um par de olhos dourados. Então a forma do homem maligno envolto por sombras aparece. Breu.

Merida rosna.

- O que você quer?

Breu dá uma leve risada.

- Que grosseria, minha cara Merida. Só vim aqui dar um "olá".

Merida sente a areia passear por seu rosto e seu cabelo. contornando suas bochechas.

- Você fez isso. — ela diz tentando não mover muito os lábios.

Breu sorri.

- Sim. Mas pode relaxar. Essa areia não vai mata-la. Vai transporta-la!

- Para onde?

- Um pequeno local onde você não vai poder me atrapalhar.

A areia já tapava sua testa, e estava alcançando os olhos. Ela precisava saber onde estavam seus amigos. Onde estaria Soluço?

- Cadê o Soluço? — ela pergunta.

- Ah. Ele e seus amiguinhos não vão me atrapalhar. Nunca mais. Eu já possuo a adaga. Falta pouco para minha parceira evocar o ritual, e juntos abriremos a caixa e invocaremos um exército maligno e desconhecido.

- O que quer que vá fazer, não o ajudará em nada.

- É onde você se engana. O mal sempre se relaciona bem.

E ela não conseguia mais falar. A areia negra de Breu tapara sua boca. E agora seu nariz. Respirar era impossível. Ela rezou para que a areia a tapasse de uma vez para que voltasse a respirar.

- Adeus, Merida Dunbronch. Lamento que não tenha conseguido salvar sua família.

Com isso, a visão de Merida escurece antes que as lágrimas escorram. As trevas já haviam encoberto todo o reino. A casa dela. E seus familiares nem tiveram a sorte de avançar ou voltar no tempo por conta dos problemas no Globo. E ela teria de viver com isso para sempre.

.

Merida desperta num quarto. O quarto não possuía nada. Apenas um chão e quatro paredes de concreto. Sem porta, nem janela. Nenhuma pequena vala para que ela pudesse fugir. Apenas um buraco no teto que estava a 10 metros de distância dela.

Um buraco bem pequeno.

Merida nunca se sentira tão desesperada em toda a sua vida. Estava presa. Falta de liberdade era aquilo que ela mais odiava, mais temia e exatamente o que estava passando naquele momento.

E isso é apenas uma migalha de pão comparado ao fato de que seus amigos estão provavelmente mortos, tal como seus irmãos e seus pais.

Tudo está perdido. O arco ainda estava em suas costas mais de nada adiantaria usá-lo. As 12 flechas ainda estavam na aljava, mas não a salvaria daquela prisão de rocha.

Merida se sentia frustrada. Começou a puxar os cabelos e a chorar desesperadamente. Presa e sem utilidade. Breu sabia como deixar alguém no ápice do desespero. O que será que fazia com seus amigos naquele momento?

Merida se levantou. Ela precisava fazer alguma coisa.

Então começou a gritar.

Gritava. Berrava. Esperneava. Mas ninguém poderia ouvi-la. O buraco no teto estava muito longe, e ela sabia que Breu jamais a deixaria em um lugar acessível onde todos escutariam seus berros.

Ela se cansou. A voz já havia sumido e a garganta estava dolorida. Não. Berrar não era a solução naquele momento. Tinha que bolar alguma coisa para fugir. Mesmo os vilões mais audaciosos deixavam alguma brecha escapar.

Alguma brecha...

A única esperança dela era aquele buraco no teto. Mas chegar lá era impossível. Impossível, mas necessário.

Pelo visto, ela teria provar novamente da própria coragem. E também de sua inteligência. Breu conseguiu coloca-la diante de seu pior medo, agora teria de resolvê-lo.

Chega de ficar presa!

Merida se levantou novamente e avaliou o tinha consigo: O arco. As flechas. A aljava. Uma pequena faca de caça.

O que ela poderia fazer com aquilo tudo?

Merida recolocou o arco e a aljava e olhou para cima. As paredes não possuíam muitas pedras, mas eram ásperas. Talvez conseguiria escalar. Mas teria de fazer logo. Daqui a pouco a fome e a fraqueza viriam.

Merida pôs os pés e as mãos na parede de concreto e começou a escalar. Estava dando certo. Isso já era um alívio. Ficaria livre logo, logo.

Pisou em falso. Ela se segurou e olhou para baixo. Havia escalado muito. Se caísse, morreria. Precisava ir até o final. E começou a ficar desconfiada... Aquilo estava muito fácil.

Escalou mais. Sentia o cheiro da liberdade. Chorava de alívio. Então colocou a mão no topo e passou pelo buraco. Havia conseguido.. Havia fugido!

Então ela se arrependeu assim que o fez. Breu escolheu perfeitamente bem o buraco em que a pusera. Quando subiu novamente se viu numa caverna cheia de ursos. Quase chorou de medo. Tudo se repetiria. Cenas do passado retornavam. O desespero de alguns minutos atrás não era nada comparado aquilo.

Os ursos a viram. Rosnaram e gritaram. Seus olhos eram completamente negros. Breu havia os controlava. E seu objetivo era único: mata-la.

Coragem. Era isso que ela precisava. Mais que isso! Era isso o que ela ERA.

Merida puxou a flecha e começou a atirar.

Notas finais
E então???