Notas iniciais
Veja o que o que aconteceu com a Punz.

Rapunzel só lembra de ter sido envolta por sombras antes de perguntar o que a mãe fazia ali com o Breu.

Quando as sombras saíram e sua visão se tornou clara ela se viu numa torre. Não, não era sua casa. Era menor. E não havia nada além de uma tocha presa na parede e uma pequena janela.

Rapunzel corre até a janela e olha para baixo. A distância da torre com o chão era imensa. Tanto que seu cabelo só ia até metade da gigantesca torre.

Pelo menos Pascal ainda estava com ela. Porém tão deprimido que sua cor estava cinza. Rapunzel fez carinho no velho amigo e lhe disse com convicção:

- Vamos escapar, Pascal. Eu juro.

O camaleão solta um longo suspiro.

- Jack não vai deixar Breu pegar a adaga. Eu sei disso...

Como estaria Jack? E Soluço? E Merida? Será que conseguiram escapar? Rapunzel esperava que sim. Os três eram a última esperança, e se foram capturados nada poderá ser feito.

Como ela pôde deixar isso acontecer?

Lá fora, a paisagem era nebulosa e sombria. Rapunzel não conseguia ver nada. Mas não importava. Breu tinha a adaga. O mundo irá perecer e ela só conseguia pensar na traição da mãe.

Lágrimas começam a descer de seus olhos.

- Não chore, filha — a familiar voz diz atrás dela.

Rapunzel se vira. A mãe estava de pé no canto escuro da sala. Parece que ela se adaptava às sombras, como se fossem uma parte de sua vestimenta. A jovem pode ver que a mãe sorria.

- Como pôde fazer isso? — Rapunzel pergunta.

- Como pode VOCÊ deixar a torre? Abandonar-me?

Rapunzel andou e ficou frente a frente com Gothel.

- Você não se importa...

A mãe ri. Alto. De forma sarcástica e despreocupada.

- Não — ela diz, enfim — não me importo. Mas eu precisava de você. Sem você, querida Rapunzel, eu pereceria. Envelheceria até minha morte...

- Fique feliz... Agora você me tem.

- Mas eu não preciso mais de você, Rapunzel — a mãe dá um passo a frente, seus olhos, antes castanhos, agora exibiam um tom azul anormal. Chegava a brilhar. Ela ergue a mão direita, que segurava uma adaga azul como seus olhos, com desenhos em preto.

A adaga inspirava poder. Rapunzel arregalou os olhos e deu um passo para trás, assustada.

- Pandora... — sussurrou.

Gothel sorri de forma sombria. A luz branca e pálida da adaga iluminou grande parte do quarto. A luz lembrava Rapunzel de quando a luz da lua cheia é tão forte que parece ser dia.

- Sim — diz a mãe — a poderosa Adaga do Homem da Lua. Ainda não ativamos... mas eu fiz um pequeno truque com ela...

Rapunzel olhou para a adaga e depois para a mãe.

- Você se ligou a adaga... — disse Punz assustada.

- Sim... — Gothel acaricia a adaga — vocês não podem me matar, ou a adaga é destruída. E nunca mais poderão conversar com o Homem da Lua novamente!

- Por que você fez isso?

- Enquanto a adaga se manter viva, minha juventude também se mantém viva! Isso significa que eu não preciso mais de sua ajuda, filha.

Rapunzel dá um passo para trás. O olhar da mãe era faminto e cruel. Rapunzel não tinha mais utilidade. Isso significa que ela morreria.

A mãe lança uma nuvem de fumaça negra na direção dela. Rapunzel fica imóvel, sem conseguir se mover. Gothel caminha devagar até ela, a adaga brilhando cada vez mais.

- Oh, Punz... eu queria tanto continuar com seus dons. Mas eu possuo melhores...

Rapunzel queria falar mas não conseguia. Os lábios também estavam imobilizados.

- E pensar que Jack Frost disse que você era uma Guardiã da Cura...

Jack? Ele estava vivo? Será que ainda estava?

Rapunzel para um instante. Guardiã da Cura?

- Não. Você não é nada sem o seu dom!

Gothel pega os cabelos de Rapunzel e os puxa de uma forma que a dor é impossível de ignorar. A mãe olha para o rosto dela com atenção.

- Ah, Rapunzel. Você nunca fez parte dos Guardiões de verdade. Todos eles tem cernes. Cernes que desencadeiam seus dons. Você não tem nenhum. Seu dom pode ser retirado de você tão facilmente que posso fazer isso com tesouras.

Rapunzel sentiu que as lágrimas lutavam para sair. Mas, ainda bem, a incapacidade dela se mover não deixava. Ela nunca se sentiu tão mal. E o pior é que a mãe estava certa.

A mãe sussurra no ouvido dela:

- Adeus, filhote.

Ela sente a lâmina da adaga riscar seus longos cabelos. Tornando-os curtos. Muito curtos.

Rapunzel sentiu uma fraqueza imediata. Ela cai no chão e vislumbra o resto do longo cabelo loiro se descolorindo, ficando castanho.

A mãe se ajoelha perto dela e sorri. Ela estala os dedos e Rapunzel voltou a poder se mover. Porém, ela não conseguia. A fraqueza era forte. Ela se sentia tonta, e tudo parecia confuso.

- Veja você — diz sua mãe com amargura — e pensar que era uma princesa. E pensar que sua mãe quase morreu dando a luz a uma coisa fraca desse jeito.... Bom. Adeus.

Gothel ergue a poderosa adaga e enfia com força na barriga de Rapunzel. A jovem grita de dor. A adaga era mais afiada que qualquer lâmina que tocara. Certamente deve ter perfurado o piso também.

A dor era tão afiada quanto a lâmina, e martelava sobre todo o corpo de Rapunzel. Ela sentia o próprio sangue deixa-la de onde o ferimento foi feito. A mãe ria.

Gothel se levantou e limpou a adaga no vestido.

- Adeus, minha querida. Aproveite o resto de sua vida.

Um Portal negro se abriu na frente de Gothel e ela entrou, sem olhar para trás. Deixando Rapunzel com a própria dor. E aguardando a própria morte.

Pascal se junto ao lado dela.

- Eu... vou sentir... saudades — ela diz com dificuldade.

Pascal tinha uma expressão desesperadamente triste. Rapunzel fez carinho nele. A dor não parava nunca. Era tão forte que ela começava a pedir que a morte viesse rápido.

Então ela percebe uma coisa que Gothel dissera: ela não era sua mãe de verdade.

Os pensamentos de Rapunzel giraram. A música... Ela conhecia sua música de alguém que cantava para ela. Não era Gothel. A música...

Brilha, linda flor... Teu poder venceu... Trás de volta já...O que uma vez foi meu.

Era isso. A música. Sua mãe lhe cantara uma vez, talvez num momento de dificuldade com o parto... A única lembrança dela que Rapunzel tinha. E a lembrança estava tão nebulosa quanto a paisagem lá fora. A dor não parava...

Rapunzel não se lembra. Mas ela sabe. Sabe que sempre a amou. Sabe que o sofrimento que ela passa com a filha desaparecida era igual o do corte da adaga.

- Cura o que se feriu...- Rapunzel canta fraca — Salva o que se perdeu... Trás de volta já.... O que uma vez foi meu.

Era isso! Finalmente entendia. Seu dom. Seu cerne. Rapunzel não precisava do cabelo. Ela curava. Sempre o fez. Até quando sua mãe quase morreu no parto.

- Trás de volta já... O que uma vez foi meu...

Rapunzel não ligava de morrer. Era melhor que ficar naquela torre, do que assistir o mundo perecer e cair na eterna escuridão. Mas quando terminou de cantar.... A sala brilhou numa luz azul... e a dor passou.

Notas finais
Punz ♥