Guardiões: O Retorno Das Trevas
7 O Feitiço do Caldeirão
Notas iniciais
- Rapunzel, jogue seus cabelos!
Já era a décima vez que Gothel gritava para a filha. E a ideia de que ela dormira demais se dissipou completamente de sua mente.
A escuridão que ela mesma ajudara a produzir agora tampava toda a área. Se não fosse por esses fatos, ela estaria orgulhos e feliz agora. Mas não é bem o caso!
Num desespero aparente, Gothel corre até a escondida entrada bloqueada por pedras na parte de trás da torre e arranca as pedras como um bicho selvagem.
Sobe as escadas tão apressada que tropeça em seu vestido de tempos em tempos. Não é possível que aquela inútil a tenha lhe desobedecido! Gothel sabia que sim! Ninguém em sã consciência a sequestraria...
E se tivesse sequestrado... Será morto de forma dolorosa.
Chegando na parte de cima da torre, os temores de Gothel se tornaram concretos. Rapunzel não estava lá.
Com a raiva formigando os ouvidos, Gothel se dirige à cozinha e solta um tijolo de cor diferente dos outros. Gothel pega a pesada caixa de madeira e a leva para cima da mesa. Ao abri-la, tira o amuleto negro em forma de lua e grita com toda a força.
Como de se esperado, as sombras se formam à sua frente. Formando uma imagem bem familiar.
Breu massageou os ouvidos, numa expressão de dor sarcástica.
- Ai... — ele diz, sem abandonar o sarcasmo — me chame com mais calma. Não estamos na sua...
Gothel grita de frustração, agarrando os cabelos. Breu recua um passo.
- Ela fugiu!
- Quem fugiu? — Breu pergunta com extrema vontade de rir.
- Rapunzel.
A expressão dele agora se torna séria. Gothel ainda tinha vontade de socar ou arranhar alguma coisa sólida.
- A Guardiã? — Breu pergunta, quase engasgando.
- ISSO MESMO!
- Como pôde deixar isso acontecer?
- Eu fui falar com você pela trigésima vez! Viajar no tempo demora um certo... tempo!
- Um momento — diz Breu como se estivesse se lembrando de algo — sua filha é loira com cabelos imensos?
- É!
Ele arregala os olhos. Gothel estuda sua expressão assustada e arrependida. Que besteira ele fez agora?
- O que você fez? — ela pergunta quase que ameaçando-o.
- Sabe aquele pequeno ataque na casa do Norte...
- O que tem ele? — pergunta a feiticeira já rosnando e praticamente soltando fogo pelas orelhas (sério).
- Eu acho... Que vi ela lá.
Gothel fica um bom tempo quieta, tentando manter o controle. Breu sabia muito bem que precisaria de um escudo para quando ela começasse a falar... Ou matar.
- E ela morreu? — pergunta ela, de olhos fechados do nervosismo.
- Eu... não... sei.
Ela grita tão alto e com tanto ódio que todas as taças de vidro da cozinha se quebram ao mesmo tempo.
Ao terminar o ataque, Gothel vira de costas e procura pelo caldeirão de ferro, derrubando toda a mobília que a atrapalhar.
Quando ela o encontra o coloca na pia e o deixa encher, enquanto procura o resto das coisas.
- O que você está fazendo? — pergunta Breu, curioso.
- Me certificando se você não acabou com minha imortalidade.
Ela vai até a dispensa e pega as ervas que havia colhido mais cedo. Maioria delas era suficiente para o que ela faria. Ela fecha a torneira e as joga no caldeirão.
- Apague as luzes, Breu.
Breu estala os dedos e as lamparinas se apagam. Na ponta do indicador de Gothel uma chama acende. A feiticeira acende as velas em volta do caldeirão. Ela pega uma grande colher de pau e começa a girar na mistura de água e ervas em sentido horário.
- Cortinam vices, rota hypnosis. Vitam trahentem. Properante morte. Magia, quæ portat. — ela diz de olhos fechados.
Breu prende a respiração. Estava acostumado a ver magia, sim, mas não realizada de forma tão precisa. Não estava acostumado a ver magia ser invocada, ao invés de simplesmente feita.
Gothel abre os olhos.
- Mostre-me Rapunzel — ela diz.
Breu se aproxima e olha para dentro do caldeirão. A água dentro dele começou a tremeluzir, formando imagens.
Aos poucos as imagens se tornam nítidas. Via uma floresta. O primeiro dos quatro Guardiões que ele reconheceu foi Jack Frost. Sentando a uma pedra, pensativo.
A filha de Gothel estava lá. Conversava com outra Guardiã. Uma ruiva. Mais para trás, um garoto magro e fraco brincava com seu dragão. Dragão. Aquilo sim era algo difícil de se lutar.
- Não dá para ouvir o que falam? — pergunta Breu.
- Eu precisaria de uma erva que, infelizmente, não possuo agora. Mas isto já está de bom tamanho. Os quatro estão vivos. Inclusive minha adorável fonte de juventude.
- E a adaga?
Gothel sorri. Depois volta o olhar para dentro do caldeirão.
- Mostre-nos a adaga.
Por alguns momentos, a caixa ornamentada é vista. Num lugar escuro e sombrio. Mas poucos momentos depois há uma explosão e a água do caldeirão jorra para todos os lados.
- Já deveria imaginar — diz Gothel — a adaga é demasiado poderosa para ser localizada em um simples feitiço de adivinhação.
- Mas nós conseguimos ver algo.
- Sim. A adaga está em uma região sombria e escura. Não será difícil localiza-la com nossos poderes crescendo. Enquanto isso, há algo que precisamos fazer com urgência.
- E o que é, minha rainha? — Gothel sorri com o apelido. Breu adorava deixa-la em posição de poder. Conhecia ela o suficiente para isso.
- Os Guardiões. Quero que imagine a melhor das formas de se livrar deles.
Breu exibe um largo sorriso divertido.
- Tenho uma ideias.
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